Inverno

7 Capítulo 07


Notas iniciais
Estrelas

Estava ali o típico playboy esboçando no rosto o sorriso libidinoso. Não. Aquilo não fora o suficiente para diminuir minha decepção em relação ao que aconteceu mais cedo. A jaqueta, a moto, e a pose de marrento caíram perfeitamente como parte da sua nova personalidade.

— Pode entrar, Adam.

Percebi que Adam não estava nada satisfeito com a ordem, porém, era necessário. Não quis parecer grosso, muito menos, chama-lo de intrometido, apenas queria um pouco de privacidade.

— Tem certeza? — Indagou.

— Não se preocupa.

Adam abaixou a cabeça e em passos demorados sumiu do nosso plano de visão.

— Você acha que é assim?

— Assim de que forma? — Liam colocou o capacete no guidão da moto, descendo logo em seguida.

— Desculpa, Liam, eu dispenso o convite para te conhecer. — Falei ao me decepcionar com a indagação, esperando ouvir algo diferente.

Eu dei de ombros, deixando para trás a última lembrança que eu teria naquela noite. Não era o certo a se fazer, durante toda a minha vida eu desejei saber como ele estava, porém, vejo o ser mais ingrato do mundo ali, na minha frente. Já chega, não há motivos para sentir pena. Iria descartar os poucos minutos de privacidade que teríamos.

Coloquei a mão na maçaneta preparando-me para girar, até ser pego de surpresa por Liam que segurou minha mão, puxando-me para próximo dele.

— Nunca, jamais e em hipótese alguma dê as costas pra mim, eu tolerei hoje cedo.

— Como é? Você acha que manda em mim?

Eu soltei minha mão da sua, mas logo, bateu arrependimento quando senti falta daquele contato que aquecia a região.

— Olha, eu pisei na merda do meu maldito orgulho e vim aqui. Hoje, você disse que não sabe quem sou eu, estou te dando a oportunidade de saber por onde ando e como eu vivo, para quem sabe, você decidir continuar sendo meu amigo, com isso, estou disposto a aceitar as consequências.

Eu pude vê sua expressão mudar nas últimas palavras. Tinha algo estranho.

— Consequências?

— Sobe na moto, depois você tira suas próprias conclusões. — Disse contornando o assunto.

— Aonde você irá me levar?

— Sobe.

Ordenou. Liam fora o primeiro a retirar o capacete do guidão e subir na moto, fiz o mesmo logo em seguida pondo a proteção necessária que ele me entregou, fora estranho estar tão próximo dele e não poder abraça-lo da mesma forma de quando éramos menores.

— Você não vai fazer isso, John. Não mesmo! Eu estive escutando tudo atrás da porta, e pode me chamar de curioso, foda-se, mas eu não deixarei você sair com ele. — A imagem do meu primo surgiu de supetão.

— Adam, você é bom em dá desculpas — ele era péssimo —, qualquer coisa diz a minha mãe que fui fazer trabalho escolar. — A desculpa mais usada por metade dos jovens de todo o mundo. — E não precisa se preocupar, eu voltarei. — Completei tentando convecê-lo de que eu ficaria bem.

— Não, John! Você não conhece Liam.

Realmente, eu não o conhecia. Não dessa forma.

— Adam...

— Garoto, de todos os anos que vivo aqui, ninguém me conhece tão bem quanto o John.

— O que você ta querendo dizer com isso? — Adam fizera uma expressão de desentendido, passara a mão pelos cabelos como se tentasse buscar dali respostas.

— Somos amigos de infância. — Respondi a sua indagação vendo se espantar com a resposta.

Liam não esperou com que eu despedisse, deu partida, deixando meu primo sozinho, vendo-nos afastar mais e mais da residência.

Arrependi-me. A velocidade com que Liam dirigia, assustava as poucas pessoas que caminhavam nas ruas, outras acendiam a luz de casa procurando saber o que acontecia, logo, estávamos passando por lugares desertos e pouco iluminados. Quem sabe, minha morte seria em instantes em algum acidente.

— Está com medo? — Indagou, deixando suas palavras serem levadas com o vento.

— Um pouco.

— Ao menos morreríamos juntos.

Morrer juntos. Isso era a pior coisa a se pensar naquele momento, e se eu estivesse indo de encontro com a morte após aceitar vir com ele?

Liam estacionou ao lado de uma árvore sem vida, com galhos secos e negros. Observei ao redor e não encontrei absolutamente nenhuma movimentação, era sombrio e causava-me arrepios. Desejei voltar para casa a partir daquele momento. Esperei ser atacado por bandidos, estupradores, psicopatas, alienígenas, ou até mesmo o tão esperado apocalipse zumbi acontecer naquela região. Está bem, chega dessas ideias malucas.

— Não precisa ter medo, vale a pena passar por aqui.

Fui seguindo Liam até pararmos em frente a um beco escuro, era assustador saber que iríamos entrar ali, mais um motivo de arrependimento. Logo adentramos a escruridão; tudo considerado inapropriado encontrava-se no caminho. Mulheres seminuas ofertando seus corpos, pessoas usufruindo das drogas, outros caídos, provavelmente sem forças depois de ingerir tamanha quantidade de álcool, casais em cenas comprometedoras iniciando um ato sexual sem se preocupar com aqueles que iriam observar.

— Tem carne nova no pedaço, já disseram que eu sou a melhor oferta e a melhor opção de todas as garotas que estão aqui? — Alguém passara a mão em minhas nádegas, deixando-me desconfortável. Era uma mulher, usando saltos e shorts, deixando a mostra os seios fartos cobertos por seus cabelos longos e negros. Como alguém assim não sentia frio?

— Não viemos aqui para isso, Tina.

— Como não? Você só vem aqui por dois motivos, beber e transar.

— Vem, John, ignora.

Ele saiu, deixando-me na presença da mulher. Filho da puta não me esperou. Tive de acelerar os passos para alcança-lo. Era difícil acreditar que Liam andava por esses lugares tendo a idade inadequada.

— Vamos fazer uma pausa aqui.

— Aqui? — Indaguei sem ânimo.

Era um bar rústico caído aos pedaços, havia um homem de barbas, gordo e nojento, parecia ser mau humorado, o que causou-me um certo medo. Duas lâmpadas o iluminavam, a placa que era pra estar acesa piscava vagarosamente, porém, não dava pra identificar o que havia escrito ali, apenas consegui energar a imagem de uma mulher dançando: uma striper.

— Vejo que trouxe mais um freguês, Liam. — O homem sorriu, deixando a mostra os dentes amarelos.

— Ah não, ele não bebe, ou estou enganado? — Liam olhou para mim, mas rapidamente eu fiz sinal negativo — Está vendo? Ele está apenas me acompanhando.

— Então temos um puro entre nós?— O senhor gargalhou — Está bem, podem entrar.

O homem grande liberou a entrada para nós dois, eu sorri em forma de agradecimento e por incrível que pareça fui retribuído com aquele sorriso que parecia ser banhado a ouro, claro que levando para o lado negativo, imaginei o mau hálito que ele tinha. Que nojo!

Boa parte do estabelecimento era feito de madeira, exceto pelas placas de metais que denigria a imagem daqueles que não bebiam o que para mim era uma ofensa.

— Como eles te deixam entrar aqui? São todos velhos e... Nojentos. Olha só aquele senhor com aquela mulher, pra mim, é pedofilia considerando a idade que ele tem.

— Dinheiro move esse lugar. Por que você acha que ele é escondido dessa forma? Não importa quantos anos você tenha, tendo dinheiro você entra aqui. A única coisa que não entra aqui são crianças, isso, de fato, eles não permitem.

— Pensei que você me traria pra um lugar diferente, não... Isso.

— Lembra o que eu falei? Você tem as suas escolhas, depois de hoje você decide o que fazer.

— Só estou achando desnecessário ter que me trazer pra um lugar assim. Tem tanto lugar melhor.

— Você está julgando o lugar sem antes conhecê-lo por completo. Preciso beber algo. Você vem?

— Claro, você acha que eu ficaria só no meio desses brutamontes?

Fomos diretamente ao balcão, sentamos e fomos servidos por um homem que imaginei ser o dono do local. Era alto e gordo assim como os demais, tinha cabelos grisalhos e dentes mais amarelos que o do provável segurança lá fora. Ele e Liam pareciam ter uma boa amizade, pude perceber por conta do sorriso que ambos trocaram.

— Fazia tempo em que você não aparecia, Liam. — Sorriu — Por onde andou?

— Tive alguns problemas. Mas enfim, tem o de sempre?

— Como não teria?! São dois? — O homem olhou para mim.

— Não, ele não...

— Sim, são dois. — Falei interrompendo Liam.

Era uma ideia absurda, tentar passar a imagem de que não era. O que mais me incomodou foi saber que Liam sorriu ao ouvir aquilo. O homem rapidamente trouxe as duas bebidas. Estava ali na minha frente o que eu não faria ideia de que tipo de bebida era aquela.

— Não precisa beber para impressionar.

— Eu sei. Mas...

— Você ainda não mudou quando o assunto é inferioridade. Está bebendo apenas para não se mostrar fraco.

Era verdade o que Liam estava dizendo. Ponto para ele por carregar essa lembrança de mim.

— No três.

— O que?

— Três. — Liam de uma só vez, ingeriu toda a bebida, fechando os olhos logo em seguida. Parecia está sendo perfurado por algo, logo abriu os olhos, sua face estava vermelha e um breve sorriso formou-se em seu rosto. — Você não bebeu?

— Você está duvidando de mim. Então vamos lá, vou beber essa porcaria.

Segurei o pequeno copo a minha frente, e de uma só vez, assim como Liam, ingeri. Eu precisava de água urgentemente. Minha garganta queimava causando-me um desconforto imediato. Estava sentindo vergonha por tamanha babaquice que eu fizera na frente do loiro, ele provavelmente estava rindo de mim. Que merda!

— John — eu senti sua mão em meu ombro — da próxima vez vai com calma. Nem todo mundo consegue fazer o que você fez na primeira vez.

Próxima vez? Aquela seria a primeira e última. Como diabos alguém consegue beber daquilo e gostar?

— O que é isso? — Indaguei, ainda sentindo o gosto da bebida na boca.

— Conhaque, e sendo daqui... É muito forte.

— Eu percebi o quão forte ele é. Não quero mais.

— Melhor assim. Agora vem.

— Mas para onde iremos? Não era esse o lugar que você queria me trazer? — O loiro apenas sorriu com minha indagação.

— Você fala demais, John.

— Eu falo demais? Como assim eu falo demais? Esse cargo pertence ao Adam...

Liam deixou-me falando sozinho, eu tive que calar a boca e segui-lo. Maldita sensação de estar sendo controlado, eu não deveria admitir aquele tipo de comportamento, o pior era ter noção de que ele sabia como me induzir a acompanha-lo.

Dei conta de que estávamos indo para os fundos do estabelecimento, Liam não falava nada — ele estava ficando profissional nisso —, atravessamos uma porta e o vento veio de encontro com nossas faces. Árvores me impediam de identificar o lugar que estávamos, porém, o ar daquele lugar era totalmente mais agradável que o cheiro do lugar que acabávamos de sair.

— Está frio aqui fora. — Realmente estava. Eu sai de casa sem ao menos me preocupar com o que vestir justamente para agradar o ser que me trata de forma estranha.

Liam revirou os olhos, e eu não consegui entender o motivo, logo sorriu ao me encontrar observando-o.

— Olha, eu sei que isso vai parecer meio gay, mas — ele retirou a jaqueta — pega, vai se sentir melhor usando. — E jogou para mim.

Usar de fato me protegeria um pouco do frio. Mas eu não era tão egoísta, queria saber se ele também estaria sentindo frio, mas ao mesmo tempo pensei no que ele realmente falou sobre aquilo parecer gay, a típica cena de encontro onde o garoto cede a jaqueta à garota para que a mesma se sinta confortável e protegida, e no final, tudo acaba e beijo, porém, nos tempos atuais tudo acaba em sexo. Chega desses pensamentos absurdos.

— Não precisa, melhor você continuar usando. — Eu devolvi, jogando a jaqueta para ele.

— Para de estupidez e usa logo essa jaqueta, aproveita que estou deixando-o usar, já que ela e a moto são as coisas que mais prezo em minha vida. — Liam jogou a jaqueta em minha face.

— Dá tanto valor a uma simples vestes. Se não for para brigarmos, está bem, eu uso.

Eu estava aquecido. Usar a jaqueta do loiro era algo semelhante a um abraço recebido por ele. Talvez, isso era o suficiente para me deixar melhor. Não posso pensar dessa forma.

— Coube em você. Vamos subir?

— Subir? Afinal, onde é que você me trouxe?

— No final você vai me agradecer. Não reclama, está bem? Segue-me.

A música no momento era o som produzido pelas árvores quando o vento passava por ali, estava escuro, mas Liam guiava-se pela luz da lua. Cerca de dez minutos e continuávamos a caminhar, comecei a ficar cansado, porém lembrei-me do loiro me pedir para não reclamar. O número e árvores fora diminuindo e o vento ficava cada vez mais forte. O céu expressava a beleza das estrelas que pareciam brilhar mais forte aquela noite e o número dos astros era maior comparado as noites anteriores, a lua cheia completava o espaço.

— É aqui, John.

A atenção que antes estava voltada para o céu permaneceu, por minutos, apreciando a beleza a minha frente. Era o bairro todo sendo visto por nós dois, estava tudo iluminado, luzes de diversas cores, até mesmo as luzes dos faróis dos carros dava beleza ao lugar, placas de diversos tipos e tamanhos, até mesmo a torre tinha a sua beleza, muito longe dali era possível enxergar o farol com sua luz usada para orientar os navegadores. Eu estava encantado, mas as palavras certas para definir a sensação não saiam de minha boca.

— Eu não trouxe aqui para mostrar isso. Está bem que fazia parte do plano, sabendo eu que você sempre fora fascinado por coisas luminosas quando me contara história sobre observar as estrelas quando menor.

(...)

“— É lindo. — Observávamos o céu no telhado da minha casa.

— O que?

— A forma como o céu é iluminado; a lua, as estrelas, essas coisas, como constelação, planetas e etc. Você não acha?

— Qual a graça de tudo isso? Só estou aqui porque você me trouxe. Preferia estar jogando videogame com você. — O pequeno realmente não estava interessado no que eu estava observando.

— Eu aprendi a gostar das estrelas por conta da solidão, passava boa parte do tempo aqui, criando formas com cada estrela que eu encontrada, unindo uma a outra.

— Chega desse papo, John, vamos jogar.”


(...)


— Como você um dia me disse ter começado a gostar delas por conta da solidão, hoje, também admiro a beleza que o céu nos proporciona sendo ao dia ou pela noite. Mas eu também gostaria de lhe mostrar isso, você lembra? — Liam apontou para a árvore atrás de nós.

(...)

“Os olhos de Liam procuravam por algo no chão e dentre as folhas caídas, recolheu uma pedra. Com um pouco dificuldade, havia escrito na árvore o seu nome: Liam.

— Vem, escreve o seu. — Disse, entregando-me a pedra.

— Qual o motivo disso?

— Esse é o nosso limite, tem tantas árvores aqui que poderíamos nos confundir se em algum outro dia fizermos a mesma aposta. Ou até mesmo quebrar esse recorde.

Era idiota a ideia, porém, escrevi logo abaixo do seu nome: John.”


(...)

Seu nome estava escrito naquela árvore da mesma forma em que anos atrás tínhamos escrito em nossa antiga cidade.

— Eu só nunca imaginei que isso se repetiria, você poderia escrever o seu? — Liam retirou do bolso um canivete vermelho. Estendeu a mão entregando-me o objeto.

Falar algo não era necessário. Encostei minha mão à sua retirando o objeto da mesma. Abaixo do seu nome, mais uma vez, escrevi o meu. Novamente nossos nomes marcados numa árvore.

— Eu encontrei esse lugar por acaso. — Liam sentou encostando-se na árvore — Quando fugi de casa, logo nos primeiros dias aqui, subi isso sozinho pelo caminho a nossa frente, que infelizmente fora traçado com cercas para ninguém mais subir. Acabei criando o mesmo hábito que você, de observar o céu e as estrelas, logo também peguei paixão pela imagem do bairro.

— Aqueles homens lá embaixo não sobem aqui?

— Claro que não. Você acha que eles perderiam o tempo num lugar como esse? Preferem beber e se embreagarem. Sou o único que vem aqui, talvez por deixar-me ser guiado pelas lembranças boas que eu tive enquanto estive próximo a você.

— É estranho ouvir isso de você, quem diria que a pessoa na qual você se transformou ainda carrega fortes lembranças de nossa amizade. — Optei por fazer o mesmo que Liam, encostando-me a árvore, deixando o vento forte levar consigo todo o cansaço.

— Como esquecer? — ele olhou para mim sorrindo — Durante todos esses anos ninguém conseguiu substituir você.

— Você sabe que apesar de tudo, tenho milhares de perguntas, não é?

— Eu sei que tem, mas vamos deixar isso para outro momento. Eu só queria... — Liam fitou as estrelas acima de nós fazendo uma breve pausa — Eu só queria que nada afetasse a nossa amizade, mas acabou afetando de alguma forma.

— Podemos ficar em silêncio se você quiser.

— Não, prefiro lembrar o passado. Lembra-se de quando éramos menores e você me protegia? Foram tantas confusões que você se meteu por conta de mim, nunca vou me esquecer do dia em que fugimos de cinco garotos, você tentando dar uma de valente acabou levando uma surra...

— E você jogou areia contra um deles para que eu pudesse correr. — Completei deixando escapar uma breve gargalhada.

— Nesse dia você até me chamou de pequeno herói, por dias eu até me senti um herói por ter te livrado dos garotos.

— Teve também o dia em que você sem querer quebrou a lâmpada da casa da minha vizinha e eu tive que tomar bronca dos meus pais sozinho.

— Mas a culpa foi sua, você era perna de pau. — Liam estendeu a mão para que eu entregasse seu canivete.

— Você que não sabia chutar a bola, então não ponha a culpa em mim. — Falei entregando-lhe o objeto e mais uma vez eu senti o toque de suas mãos.

Liam passou a sorri para o céu e aquilo me inquietava por dentro. Estávamos em silêncio mas não reclamávamos daquilo. Estava sendo bom para ambos todo aquele tempo juntos, se o tempo tivesse de parar seria por um bom motivo. Fora, de fato, a melhor coisa que tivera acontecido desde que chegara aqui, passei a acreditar no destino, talvez, estivesse escrito em algum livro sobre a vida de que sempre seríamos amigos.

— Ei, Liam. — Eu olhei para o loiro que ainda permanecia fitando o céu.

— Oi? — Ele olhou para mim, fazendo-me apreciar a beleza dos seus olhos cinzas.

— Por que disse que voltei, sendo que foi você que partiu?

O dono dos olhos cinzas não conseguiu me encarar, começou a observar o canivete sem que me dar respostas.

— E-eu não sei explicar.

— Como não sabe?

As orbes cinzas fora de encontro com meus olhos mais uma vez, parecia que algum imã nos ligava daquela forma. O vento desalinhava seus cabelos fazendo-me sentir o cheiro adocicado que fugia daqueles fios loiros. Eu estava paralisado com tamanha beleza a minha frente, um anjo metido a badboy me encarando. Liam agora observava meus lábios e quebrou o silêncio falando:

— Talvez isso responda.


O encontro do lábios fora de uma forma agressiva, porém, eu senti o macio de sua pele em contato com a minha, sua língua pedia espaço para passar até finalmente conseguir, ambas as línguas lutavam entre si procurando explorar o máximo da região um do outro, mais uma vez eu pude provar do gosto da bebida de minutos atrás. Eu não pude fazer nada além de fechar os olhos e deixar-me levar por aquela sensação que crescia dentro de mim. Beijo carregado de lembranças e vontade. O toque de sua mão gélida em minha pele causava-me leves arrepios. Feroz e delicado ao mesmo tempo. Quente e gélido. Arrancou de alguma forma, suspiros. O loiro sabia perfeitamente dominar meus lábios, tornando-se dono deles enquanto beijava-me.

Aqui não era certo, estava errado. Meu melhor amigo. Um garoto. Não!

Eu o afastei, encontrando as lindas orbes cinzas e os lábios rosados. Algo em mim despertou.



Notas finais
Eu queria pedir perdão para todos. Só três pessoas sabem o que houve. Meu notebook deu pane especialmente no dia em que eu estava escrevendo o capítulo, o que me deixou furioso, já que geralmente alguns escritores passam horas bolando uma pequena parte da estória. Daí passei uns dias sem notebook, e minha mãe resolveu comprar um para o meu irmão, só que ficaria chato eu escrever uma estória yaoi no notebook dele (E aqui estou eu escondido desde o início da madrugada escrevendo), logo apagarei do notebook dele. Estou de luto por todas as minhas anotações no antigo notebook, mas eu não posso abandonar vocês. Espero, muito que vocês me perdoem por essa demora. Eu poso dizer que não revisei o capítulo da mesma forma que reviso, mas a bateria vai descarregar e meu irmão escondeu o carregador, o fdp. É isso. beijo.