Intimacy
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Cadu chegou em casa e não encontrou Clara, devia estar na Helena.
– Que confusão, minha irmã! Mas e aí, vai deixar por isso mesmo? Não vai falar nada? Ai, Clara, ela deve ter ficado arrasada.
– Talvez seja melhor assim, Leninha. — Disse Clara com o coração na mão.
– Se é o melhor, porque você fala assim tão tristinha? É isso mesmo que você quer, Clara?
Os olhos de Clara se encheram de lágrimas.
– Olha, é a sua vida e eu não vou te dizer como guiá-la. Mas se posso te dar um conselho... não escolha o caminho fácil simplesmente por ser o mais fácil. Uma decisão errada vai te atormentar pro resto da vida. — Fez menção de sair.
Clara se levantou chorando, e falou hesitante. — Estou apaixonada por ela, Helena!
Helena a abraçou. — Então, não deixe essa mulher sair de sua vida. Você tem que tomar uma atitude, e tem que ser logo.
Cadu percebeu que Clara também estava abatida, não tava com aquele brilho de mais cedo. Algo ruim tinha acontecido entre elas, ele pensou feliz. Tudo voltaria ao normal.
À noite, Clara não conseguia dormir. Se esforçava ao máximo para pelo menos ficar quieta e não incomodar Cadu. Não conseguia parar de pensar na Marina. No seu sorriso, nos seus olhos, no seu olhar, naquela marquinha no canto da boca. Tão linda, tão carinhosa. Queria ficar de conchinha de novo. Queria ser sempre o alvo daquele olhar, e a causa do sorriso. Suspirou apaixonada. O que trouxe a preocupação de volta. Não era só desejo o que sentia pela Marina, sabia disso. Mas será que vale a pena sair de uma vida que tinha com Cadu? Sua cabeça pensava, repensava, preocupava, mas acabava sempre com a imagem de Marina. Enquanto seu coração gritava: vale, vale sim. Vale muito a pena. Não deixe essa mulher se afastar de você. Não devia, não queria. Queria vê-la, sentir seu cheiro. Olhou pro lado e Cadu estava dormindo profundamente por conta de seus medicamentos.Estava enganada. Não seria nada fácil se desvecilhar da fotógrafa e voltar a viver sua vidinha pacata com Cadu. Não conseguia se imaginar se esquecendo de Marina, simplesmente fingindo que ela nunca significou nada. Mal conseguia aguentar saber que estava causando tanta dor à ela. Uma lágrima rolou em seu rosto, se lembrando da expressão de Marina. Não conseguia aguentar pensar em Marina triste assim por mais nenhum segundo. Decidiu ir. "Ainda está cedo, ela vai estar acordada. Me espera, Marina." Se vestiu o mais rápido possível e saiu.
Clara dirigia entusiasmada, estava feliz porque veria Marina de novo. Já não estava se agüentando de saudades, principalmente depois de ter deixado sua adorada tão tristinha. Queria por fim logo àquela tristeza, dizer que estava ali por ela. Imaginou encontrar Marina deitada em sua cama de camisola, talvez lendo um livro ou revendo algumas fotos. Mal podia esperar para sentir seu cheiro, passar a mão por seu cabelo brilhoso, sentir sua pele. Ou quem sabe ela estaria na banheira, onde as espumas deixavam muito pra imaginar. Poderia se juntar a ela, abraçar seu corpo molhado, provar daquela boca tentadora sentindo a pena de Marina pressionando entre as suas, fazer amor. Clara começou a se repreender de novo, mas não adiantou muito. Aquele pensamento já estava gravado na sua cabeça, a chance de sentir o corpo nu de Marina colado ao seu. Arrepiou-se mordendo o lábio inferior.
Ao chegar à casa da fotógrafa foi atendida por um dos empregados. Devia estar louca por estar lá aquela hora, Clara pensava. Tarde demais para repensar.
–Dona Marina já está no quarto, mas a luz ainda está acesa. Quer que eu a avise?
– Não precisa. – Sorriu – Eu sei o caminho.
Subiu as escadas entusiasmada.
– Não dá mais pra negar que eu te quero Marina. –Falou pra si mesma, e já podia sentir a pulsação e sua calcinha ficando molhada.
Na porta, respirou fundo, bateu de leve e em seguida abriu.
Ao ver o quarto, não acreditou. Não acreditava na cena com a qual se deparou e não imaginou nunca que poderia doer tanto. Sua respiração ficou pesada e seus olhos se encheram de lágrimas. Sentiu o líquido quente escorrendo em seu rosto involuntariamente.
Marina estava nua, com seu cabelo jogado pro lado, com a ruiva sentada em seu quadril, rebolando, apoiada pelo seu braço esquerdo enquanto o direito massageava o seio nu da fotógrafa que estava sendo envolvida num beijo devastador. Vanessa moveu seus lábios para o pescoço de Marina, chupando, o que fez com que ela gemesse alto, virando seu rosto pro lado. Marina olha pra cima e a vê.
Clara? – Diz Marina, enquanto Vanessa olhava para Clara com um olhar perverso.
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