Intimacy

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Decidi postar mais cedo hoje! Gente, mais uma vez muito obrigada. Obrigada por não me matarem, rs. Gostei muito das reações diferentes com o fim do capítulo anterior. E enfim, minha ideia inicial era essa. Usei aquela sessão de fotos com as tintas, adorei, pena que a Marina estava tristinha. Esse capítulo ficou meio longuinho, desculpa.

Clara saiu correndo pelas escadas.

– Clara. — Marina chamava, correndo atrás dela enrolada no lençol.

– Clara.

– Clara!! — A voz de Marina se misturava com a de Cadu.

– Clara. — Clara abriu os olhos para ver Cadu encarando-a. — Levanta, cara, desse jeito o Ivan vai se atrasar pra escola. O que que aconteceu? Você nunca perdeu a hora assim!

Clara olhava pra Cadu confusa.

– Clara. Tá tudo bem?

Sorriu imensamente. Tudo tinha sido um sonho.

– Tá tudo ótimo. — Respondeu se levantando. — Só tive um pesadelo.

– Ainda bem que eu te acordei então, né, meu amor? — Falou brincando. — Agora se apressa, o Ivan já está te esperando.

– É, Cadu. Ainda bem.

Clara chegou à casa da fotógrafa e logo viu Vanessa. Olhou para ela furiosa. “Foi só um sonho, Clara.” Pensava, desviando o olhar enquanto se aproximava. Mas sabia muito bem que se dependesse só de Vanessa seria realidade. E que um dia já foi realidade. Passou pela ruiva sem se pronunciar.

– Muito bom dia para você também, Clarinha. — Falou irônica. — Eu, heim.

Clara quis jogá-la na piscina. Queria fazer Vanessa pagar por ficar de olho no que era dela. Só que Marina não era dela. Ainda.

Ao entrar no estúdio viu que realmente tinha se atrasado, Marina já estava fotografando. Tirava fotos das modelos enquanto Flavinha jogava tinta nelas. Parecia muito divertido. Seria muito divertido se Marina ainda não estivesse tão triste. Ficou ali um tempinho assistindo sua amada com aquele orgulho de sempre e um sorriso bobo no rosto. “Foi só um sonho.” Suspirou aliviada.

Sem dizer nada, Clara abraçou Marina por trás com força tentando passar tudo que sentia por ela, e também o alívio imenso de ter acordado. Encostou o rosto no seu pescoço inalando Marina.

– Bom dia, Clarinha — Marina falou realmente feliz dessa vez, virando o rosto para tentar vê-la embora Clara a segurasse forte. Aquele abraço até fez com que ela se esquecesse um pouco de tudo que tinha acontecido e do quão chateada estava. Se virou abraçando-a de frente.

– Nossa, o que eu preciso fazer para ganhar um abraço desse todos os dias? — Falou rindo.

– É só pedir, boba. — Clara falou séria. Estava tão feliz de ter visto aquele sorriso novamente. Um sorriso que não tinha nada a ver com Vanessa. — Desculpa interromper seu trabalho. — Clara riu tímida, soltando-a. — Quero conversar com você, mais tarde. — Falou olhando no fundo de seus olhos.

– Tá bom. — Marina falou séria e curiosa. Voltou ao trabalho, mas não sem dar um último abraço apertado em Clara. — Senti tanto sua falta. — Confessou baixinho. Saber que Clara não sentia o mesmo não mudaria seus sentimentos de repente.

– Eu também, meu anjo. — Clara respondeu e Marina riu. — Ó, tá cheia de tinta, olha isso! — Falou passando o dedo suavemente na bochecha de Marina que estava marcada de vermelho, enquanto Marina se perdia em seus olhos.

Flavinha assistia a cena com curiosidade. Gostava de ver sua amiga feliz novamente, mas tinham um trabalho a fazer e sabia que se não acordasse Marina, ela não sairia daquele transe tão cedo.

– Marina? Vamos voltar?

– Ai, claro. Desculpa, meninas. É tudo culpa da Clarinha. — Falou brincando com a câmera já a postos.

Clara começou a ajudar Flavinha com as modelos, mas na verdade não tirava os olhos de Marina. Via como ela trabalhava diferente agora do que há alguns minutos. Estava revigorada.

– Valeu, meninas! — Marina disse finalizando o ensaio.

– Marina, esse sessão de hoje foi incrível, essa ideia das cores foi perfeita. — Clara dizia entusiasmada e com os olhos brilhando. — Mal posso esperar para ver essas fotos.

– Eu também. — Marina disse. — E me diverti muito.

– Divertiu mesmo, olha só… — Disse sorrindo e apontando pra Marina que estava toda suja de tinta. — Tá parecendo uma criança.

– Chata. — Marina disse brincando, pegou um pouco de tinta fresca do seu braço e passou no queixo de Clara. — Já vou tomar meu banho. — Virou-se.

– Marina. — Clara chamou, segurando-a pelo braço.

Marina olhou para a mão de Clara em seu braço, e falou baixinho. — Eu sei, você quer conversar. -Aproximou-se, levando sua mão de encontro à de Clara. — Sobe comigo. — Falou séria.

Clara arregalou os olhos, mas assentiu.

– Você me espera no quarto. — Marina completou.

As duas começaram a subir as escadas, com dois dedos soltamente entrelaçados.

Vanessa olhou para as duas com raiva.

– Só espero que essa conversinha não empate meu almoço igual da outra vez.

Clara suspirou irritada enquanto Marina respondia.

– Já está dispensada, Vanessa. Pode ir almoçar, não precisa esperar.

Clara não conseguiu segurar o sorriso direcionado à ruiva.

Clara se sentou na cama.

– Já volto. — Marina disse, beijando sua mão antes de soltá-la

Enquanto Marina tomava seu banho, Clara não parava de pensar no que iria dizer. Não tinha nem pensado sobre o assunto, só sabia que queria conversar com ela, que precisava. Começou a ficar nervosa, esfregando suas mãos.

Não demorou muito e Marina abriu a porta do banheiro. Saiu enrolada numa toalha que ia até o meio das suas coxas, passando as mãos pelos cabelos molhados.

– Demorei muito?

Clara olhava literalmente boquiaberta. Enrolada numa toalha e com o cabelo todo bagunçado e ela ainda conseguia ser deslumbrante. Assistiu uma gota pingar de uma mecha e descer pelo seu pescoço em direção ao decote. Engoliu seco, sentiu suas mãos ficando frias e aquele fogo no meio das pernas que Marina acendia tão facilmente.

– Clara? — Marina estava de costas e portanto não percebeu o olhar da assistente.

– O- o que? — Gaguejou.

– Nada. — Sorriu.

Clara olhava para Marina ansiosa para que ela tirasse a toalha. Pensou se deveria virar pro outro lado. Decidiu que não. Pra quê? Não conseguia fingir que não queria ver, e Marina não se importava mesmo. Assim que viu a toalha descer aos pés da fotógrafa, mordeu seu lábio inferior como de costume. Mas dessa vez com mais força, como se isso a forçasse a ficar quieta. Percebeu sua respiração forçada, vendo mais algumas gotinhas descendo por toda a extensão das costas de Marina. “Meu Deus.” Ela pensava, enquanto assistia Marina procurando por o que vestir. Acabou escolhendo uma calcinha vermelha e um vestido preto solto. Enquanto Marina subia a calcinha por suas pernas, Clara sentia sua boca ficando seca. Cruzou as pernas tentando acalmar o que estava latejando, mas não foi de grande ajuda. Prendeu suas mãos em suas coxas tentando se manter fria. Mas não dava. Tampou as mãos com o rosto respirando fundo.

– Tudo bem? — Marina perguntou, pegando sua mão, já vestida.

– Tá. Tá tudo bem.

– Você não parece bem, Clarinha. Está nervosa. — Marina continuou segurando sua mão.

– Não é nada.

– Tá bom. Do que você queria falar?

– Primeiro, qual é a da Vanessa de ficar te regulando o dia inteiro? Pô,que desespero.

Marina riu. — Já até me acostumei, mas você está certa. É chato mesmo. — Fez aquela caretinha fofa.

– Ela me odeia.

– Você sabe que a Van morre de ciúmes de você.

– Vocês… vocês tem uma história, né?

– Não. — Respondeu séria. — Nós tivemos. Faz tempo.

– Então, por que essa raiva, esse ciúme todo de repente?

– Por que ela sabe que nunca foi para mim o que você é. — Falou se deitando perto das pernas de Clara que continuou sentada.

– E o que eu sou pra você, Marina? — Perguntou tímida.

Marina olhou para ela sorrindo até os olhos, pronta para dar um daquele seus discursos, quando se lembrou do sábado de manhã e sentiu seu sorriso se desfazer. Olhou para o teto suspirando.

– Você sabe, Clara.

– Mas fala. Eu gosto de ouvir você falando. — Confessou.

Marina olhou para ela com um sorrisinho de tortura.

– Ah, Clara, você… você é a pessoa mais incrível que eu já conheci. É tão simples e única, ao mesmo tempo. Tão transparente. — Olhava no fundo dos seus olhos. — Seu olhar, Clara.. seu olhar diz tudo. E isso é perfeito, você é verdadeira. É de verdade. Você faz tudo com tanto amor. Você olha para as pessoas com tanto amor. Você tem uma vida dentro de si, uma luz.. — Marina gesticulava feliz, enquanto Clara olhava pra ela vidrada. — Você carrega essa energia, que deve fazer até mal ficar olhando. — Riu. — Mas é impossível não olhar, Clara. Desde que te conheci que não vejo mais ninguém. — Marina fechou os olhos e sentiu uma lágrima escorrendo pelo seu rosto. Clara viu e se emocionou também. — É impossível ser indiferente à sua grandeza. — Ajoelhou-se de frente pra Clara. — Você. — Olhou para cima sem palavras. — Você é … — Olhou no fundo dos olhos de Clara. Ambas com lágrimas nos olhos. — Eu tentei, Clarinha. Eu tentei não te olhar dessa maneira. — Chorava agora. — Mas você é tudo que eu sempre quis. — Falou encostando sua testa na de Clara e fechando os olhos. — Menos minha.

Ao ouvir a última frase Clara soltou um soluço de choro, e usou seus polegares para enxugar o rosto de Marina.

– Marina, eu.. Eu preciso te dizer…

– Não, Clara. Você não me deve nada, não precisa me explicar nada, eu sei. — Tentou se afastar.

– Não. — Clara disse segurando seu rosto. — Eu devo sim. Devo tanto, Marina. — Falou baixinho.

Marina abriu os olhos olhando nos de Clara, confusa. E afastou um pouco o rosto, olhando pra cama.

– Devo no mínimo a verdade. — Marina franziu a testa sem entender. — Não consigo. — Clara a abraçou. — Não consigo de ter assim tão triste. Ai, Marina, me dá um aperto no coração. — Fechou os olhos respirando em seu cabelo, sentindo Marina dar um beijinho de leve no seu ombro. — Puxou-a mais pra perto, suspirando. Ficou um tempo em silêncio buscando coragem para dizer o que queria dizer. O que tinha que dizer. E disse. Sussurrou no ouvido de Marina. — Eu.. Eu estou tão.. apaixonada por você, Marina.

O corpo de Marina enrijeceu. Por um segundo não saiu do lugar, com os olhos arregalados. Não estava acreditando no que estava ouvindo. Saiu do abraço, buscando os olhos de Clara, buscando respostas. E encontrou medo, sinceridade. Marina sorriu, se aproximando mais uma vez. Clara agora fitava a cama.

– Tá falando, sério? — Perguntou baixinho, levantando seu rosto.

Marina deslizou seu dedo até o queixo de Clara, chegando muito perto. — Olhou para os lábios de Clara, e então olhou para os seus olhos, que procuravam os seus. Marina então fechou a distância entre elas beijando seus lábios. De leve, encostando apenas. Esperou que Clara a empurrasse. O que não aconteceu.

Clara estava tão atordoada que nem conseguiu retribuir o singelo beijo, não se lembrava nem de respirar.

Como não se afastou, Marina moveu sua mão até a nuca de Clara e a puxou, aprofundando o beijo, e ao mesmo tempo mantendo a suavidade. E dessa vez sim, sentiu Clara beijá-la de volta. E sorriu. Sentia uma felicidade imensa, felicidade alegre. E não tinha intenção de parar.

Usou sua mão livre para puxar Clara mais perto pela cintura, ao mesmo tempo em que roçou a ponta de sua língua nos lábios da assistente, pedindo entrada. O que lhe foi concedido.

Ao sentir o gosto e o calor da língua de Marina, Clara gemeu. Não apenas pela excitação, mas pelo profundo prazer que seu corpo todo sentia de finalmente estar provando quem ela queria há tanto tempo. O fato de estar beijando uma mulher pela primeira vez não passava na sua cabeça, como se preocupara antes. Só que estava beijando Marina pela primeira vez.

Por mais maravilhoso que estava o momento, as duas precisavam respirar. Marina quebrou o beijo primeiro, sorrindo e dando um beijinho de esquimó na amada. Mas Clara queria mais. Puxou Marina pelos ombros encontrando seus lábios novamente. E dessa vez, com mais paixão do que amor, com mais força, desespero até. E foi a vez de Marina perder o controle.

Lentamente Marina deitou Clara em sua cama, deitando seu corpo por cima do dela. Deixou que seus lábios passeassem pela morena. Primeiro beijando seu lábio inferior e puxando- o entre os dentes. Depois beijou o queixo, a mandíbula e se permitiu descer até o pescoço, onde roçou seus dentes antes de chupar.

– Marina.. — Clara gemeu.

Marina desceu para o ombro de Clara e depois seu colo. Sua mão acariciava seu rosto enquanto seus lábios beijavam a clavícula e sua perna pediu espaço entre as pernas da morena. Antes de descer mais, subiu novamente beijando Clara arrebatadoramente e subiu o joelho para pressionar seu centro. Ela, que já estava molhada desde que assistira Marina se vestir, não conseguia mais se conter.

– Marina… — gemeu por entre beijos.

Marina começou a descer novamente. Se olhavam nos olhos e sorriam e Clara passou a mão pelo cabelo de Marina.

Marina usou as mãos para subir a blusa de Clara e abaixava para beijar sua barriga. Clara sentiu todo seu corpo tremer e os músculos do abdome contrair, ao mesmo tempo que sentia a aliança agarrar nos fios de cabelo da fotógrafa, como uma lembrança, e juntou toda a força que pôde.

– Marina.. .para. — Segurou a mão dela. Marina olhou confusa.

– Não podemos, Marina. Eu não posso. — Marina começou a se afastar, mas Clara não deixou. — Não ainda. — Puxou — a para outro abraço. — Não ainda. “Deus, você vai me enlouquecer.” Pensou.

Marina se aconchegou no pescoço de Clara e elas permaneceram assim, até que caiu no sono.