Intimacy

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Gente, mais uma vez muitíssimo obrigada pelos comentários. :)

Os olhos de Marina imediatamente buscaram a localização daquela voz que conhecia tão bem.

– Clarinha! – Disse Marina com um sorriso encantador e um brilho nos olhos. Andou em direção à Clara com o braço esquerdo mantendo o corset já desamarrado no lugar. Mais uma vez Clara a olhou dos pés à cabeça, estava tão absorvida que nem percebeu o olhar raivoso de Vanessa pra ela. Piscou abobalhada quando Marina já estava bem próxima, mal teve tempo de respirar fundo quando...

– Que bom que você está aqui! – Marina usou seu braço direito pra puxar Clara num abraço apertado, fechando os olhos e sentindo o cheiro que irradiava de seus cabelos. Sentir o corpo da morena naquele estado e subitamente colado ao seu não ajudou em nada a situação de Clara. Já estava pegando fogo novamente, e decidiu que era melhor se afastar.

– Tava curiosa com essa tal sessão. Marina... você estava tão linda, estava não, está. Você é linda. – Clara começou a falar demais quando seus olhos caíram sobre o decote da fotógrafa e ruborizou desviando o olhar. – Você é linda. – Suspirou.

–Tá aí, desde quando? Não te vi entrando.

– Ah, não quis interromper. Vi boa parte do ensaio. Parabéns, você.. pelo amor de Deus, tem alguma coisa que você não saiba fazer bem? – Clara riu. – Eu nem sabia que você posava tão bem.

Marina usou aquele sorriso arrebatador novamente. Aproximou-se, acariciando o rosto de Clara e parando no seu queixo.

– Eu tenho muitos talentos que você ainda não conhece, Clarinha. – Falou séria, mas logo sorriu novamente, se afastando. – Almoça com a gente? Deixa eu só — apontou para si mesma – botar uma roupa e a gente sai.

A última frase Clara não ouviu, ainda estava presa naquele momento tão íntimo que acaba de compartilhar. Mas entendeu ao ver Marina novamente rumo às escadas.

Enquanto Marina subia, sentou-se no sofá e passou as mãos no cabelo. Levantou o rosto ainda a tempo de ter uma última vista dela subindo. E aquelas pernas? Mordeu o lábio novamente, pensando em como a Marina mexia com ela. Em como se sentia tão nervosa e confortável ao mesmo tempo. Em como ela queria saber de todos os seus talentos. E em como ela queria subir naquele quarto agora. Que problema teria? Não seria a primeira vez que estaria lá, nem que a veria trocar de roupas. Quando caiu em si já estava com a mão no corrimão, hesitou por mais um segundo e subiu.

Entrou no quarto sem bater. Pegou Marina de calcinha procurando algo pra vestir. Ela estava de costas e só virou o rosto pra ver Clara e cumprimentá-la com outro sorriso.

– Que bom que você veio aqui hoje. Ia ficar com saudades.

Dessa vez nem aquela voz conseguiria fazê-la voltar à realidade. Ver a costa nua de Marina, fez com que ela sentisse seu sangue desaparecendo e se concentrando num lugar só. Queria tocar, queria abraçá-la. Podia ver o contorno do seu seio e queria ver mais. Queria tudo. Fechou os olhos respirando fundo novamente e olhando pra janela. Estava tão confusa. Nunca tinha se sentido assim por uma mulher. Por ninguém. Estava estranhando seu comportamento. Tinha medo até. Medo de tanto desejo que aparecia de repente. Se sentia envergonhada.

Marina vestiu uma regata e se jogou na cama.

– Ai, acho que vou mandar entregar alguma coisa. Estou tão cansada.

– Quer que eu saia? Pra você descansar..

– De maneira alguma. Vem cá. – Bateu na cama, sinalizando pra que Clara a acompanhasse.

Clara se deitou ao seu lado e Marina a abraçou por trás.

– Por mim você não sairia nunca. Sabe disso. – Disse próxima à nuca da dona de casa. Clara sentiu arrepios por seu corpo todo. Não respondeu, só aproveitou a sensação. Era tão bom ser abraçada daquele jeito, ainda mais por alguém como a Marina. Claro que o Cadu também a abraçava daquele jeito, mas não era a mesma coisa. Não era tão íntimo mais, tão significativo. Eles não se encaixavam tão bem, quanto ela se encaixava à Marina. Era perfeito.

– É um cansaço bom. – Disse se ajeitando contra o corpo de Clara.

Após uns minutos de silêncio, Clara pensou que Marina tivesse adormecido. Mas foi aí que sentiu a mão da fotógrafa se mexendo. Sua blusa estava um pouco acima, expondo um pedacinho de pele de sua barriga apenas. Suficiente para Marina achar e acariciá-la levemente, como se nem estivesse percebendo. Clara sentiu seus músculos do abdome contraírem e aquele desejo ressurgindo, já estava pulsando. Segurou a mão de Marina e fez intenção de se afastar.

– Desculpa, Clara. Eu..

– Não, de jeito nenhum. Eu não quis te afastar. – Disse se virando pra ela.

Mas Marina percebeu seu nervosismo. – Tem medo de mim? – Disse com um tom meio entristecido.

– Ai, Marina, claro que não, né? Vem cá. – Esticou os braços pra ela. Marina suspirou e se aconchegou nos braços de sua amada, descansando sua cabeça no ombro de Clara.

– Isso é tão bom, eu me sinto tão bem perto de você. Deve ser maravilhoso ficar abraçadinha com você assim o dia inteiro. – Marina disse, e Clara riu. – Dormir assim.... acordar assim...

– É muito bom mesmo ficar perto de quem a gente gosta — Falou sem pensar e logo tratou de desconversar – hm, sempre que a gente pode o Ivan e eu ficamos agarradinhos no sofá o dia inteiro. Ele não curte tanto, né? Quer ir fazer molecagem. Ai, mas.. eu quero ficar lá com ele, como se ele ainda fosse meu bebezinho, ser a mãezona dele, o tudo.... – Clara parou vendo que Marina a encarava. – O que foi?

– Desculpa, Clara. – Sorriu. – Mas você.. – Encostou em seu pescoço — é muito fofa, não dá pra não encarar.

Clara sentia seus lábios acariciando seu pescoço novamente enquanto Marina falava.

– Não faz assim, Marina.

– Te incomoda? Essa minha proximidade? — Clara não respondeu.

– Do que você tem tanto medo, Clara?

Clara respirou fundo. – De mim. – Falou baixinho. Sentiu os lábios de Marina em seu pescoço abrindo um sorriso. E Marina percebeu seu arrepio.

– Então você gosta? De me ter por perto?

Clara acenou que sim.

– Se eu pudesse ficava ainda mais perto, quase me fundia com você. – Riu, tentado realmente desafiar a física.

– Como você é boba.

– Boba não. – Sussurrou a próxima palavra. – Apaixonada.

Clara engoliu em seco. Marina suavemente roçou o nariz no pescoço de Clara, se intoxicando com o seu cheiro.

– Marina...

Marina beijou seu pescoço. Levemente. Quase sem encostar. Percebe a respiração pesada de Clara como positiva e beija novamente, com mais profundidade, e um som de aprovação escapa dos lábios de Clara. Marina desliza seu nariz novamente, dessa vez até sua mandíbula e levanta o rosto. Sua boca a milímetros da boca de Clara, seu braço fazendo carícias que sobem pelo braço dela. Sue mão chega ao rosto de Clara que ela acaricia com tanto amor enquanto encarava aqueles lábios que ela tanto queria. E só de pensar em prová-los faz com que ela tenha que morder seu lábio para não gemer. Marina olha bem fundo dos seus olhos, e a tensão sexual entre elas é quase audível. Clara quer falar, mas nada sai da boca. Queria fugir. Não, não queria fugir.

– Tá com fome? – Marina pergunta dando um beijo estalado rápido em sua bochecha e sorrindo. – Fico pronta num segundo. – Disse já se levantando e deixando uma Clara fora de si na cama.