Intimacy
29 Capítulo 29
Durante o jantar, todos comiam em harmonia.
– Luiza — Clara cochichou. — Aqui, o Cadu não veio só por minha causa? Ele não sabia que eu traria a Marina.
– Não, tia. — Luiza suspirou. — Ó, na verdade, ninguém queria te contar, mas o tio Cadu e o tio Felipe brigaram.
– Brigaram? Mas por que, meu Deus?
– Parece que foi por causa de uma doutora Sílvia.
Clara perdeu o foco se lembrando dos olhares e toques mais íntimos que já havia reparado em algumas consultas.
– Tia? Não devia ter falado, né?
– O quê? Não. — Riu. — Tá doida, Luiza? Quanto mais rápido o Cadu se ajeitar, melhor para mim. Fico feliz por ele. Só triste pelo Felipe, né? Que bobagem manterem segredo. Eu não poderia estar mais feliz. — Pegou a mão de Marina, que olhou para ela sorrindo.
A festa ainda se estendeu até tarde da noite.
– Clara, o Ivan tá caindo ali. — Marina apontou sorrindo para o menino que lutava contra o sono.
– Tem razão. Melhor a gente ir embora.
Se despediram de todos. Quando Clara abraçou a mãe, cochichou um obrigada.
Marina pegou Ivan, abraçando-o.
– Vamos embora, meninão.
Clara pôs a mão nas costas dela e os três saíram.
Colocaram Ivan para dormir juntas.
– Por favor, diz que você vai ficar essa noite.
Marina sorriu.
– Eu fico.
As duas se beijaram, a caminho do quarto.
– Viu só? Foi tudo bem.
– Sua família é maravilhosa, Clara. Uma união. Nunca tive nada igual, sabe?
– Mas agora... você faz parte dela. — A abraçou.
Marina ficou olhando para Clara.
– O quê?
– Estou tão feliz. Nem parece verdade.
Clara puxou ela pra cama.
– Claro que é verdade sua boba. — Beijou seu rosto.
Tiraram os sapatos e deitaram com a roupa do corpo mesmo, abraçadas.
Clara viu Marina adormecer, com um sorriso bobo no rosto.
– Te amo. — Susurrou e a beijou outra vez antes de dormir também.
Foi a primeira a acordar, e ficou alguns minutos só olhando para Marina, com o cabelo todo espalhado em sua cama. Tinha uma expressão tão serena. Feliz. Não se conteve e chegou mais perto, abraçando-a.
– Bom dia. — Marina murmurou.
– Bom dia, meu amor. — Marina sorriu.
Os três tomaram o café juntos, como uma família, e Marina gostava muito da figura que se formava.
Alguns dias se passaram e tudo corria bem. Cadu não havia provocado novamente, Vanessa ainda alfinetava, mas não tinha raiva mais, já até achava que as duas eram fofas juntas, talvez muito melosas, mas fofas. Até Vitória tinha sumido. E as duas estavam cada dia mais apaixonadas.
Marina segurava Clara pela cintura enchendo-a de beijos.
– Marina! — Clara ria. — As meninas ainda estão aqui. — Falou tímida.
– A essa altura, elas já se acostumaram com a gente. — Beijou-a de novo. — Hmm, não consigo ficar muito tempo sem te beijar, e hoje nós trabalhamos muito, nós merecemos! — Passou o nariz em seu pescoço, deixando Clara toda arrepiada.
– Vamos pro quarto?
Clara suspirou. — Não posso. Combinei de me encontrar com Cadu e o Nando hoje, se esqueceu?
Marina sorriu. — Só não vou insistir porque vocês finalmente vão assinar esse bendito divórcio! — Beijou seu pescoço.
– Hmm, Marina, isso conta como insistência. — Fechou os olhos recebendo as carícias.
– Tá bom, vai lá. — Se afastou.
Clara deu dois passos e Marina a puxou pela cintura novamente.
– Não sem dar tchau, né?
Beijou Clara com toda a paixão que conseguiu juntar, deixando -a sem fôlego.
Clara se escondeu em seu pescoço. — Agora eu que não quero ir. — Roçou os dentes.
Marina riu e a afastou. — Vai!
Clara se virou e recebeu um tapinha na bunda.
– Ah! — Olhou para Marina fingindo indignação, e saiu, soprando um beijo em sua direção.
Clara foi diretamente para o bistrô, onde havia combinado de encontrar os dois. Cadu já estava sentado em uma das mesas esperando por ela.
– Oi, Cadu. — Se sentou.
– Nando deve chegar à qualquer momento.
– Unhum.
– Não trouxe o Ivan?
– Não. Deixei na Helena.
Cadu passou a mão na testa.
– Desiste dessa ideia de fazer o bichinho escolher entre nós dois Cadu. — Pedia, com os olhos tristes.
– Tá com medo do nosso filho escolher o pai?
– Não mesmo. Estou com medo da aflição que isso pode causar no nosso filho. Escolher entre um dos pais? Com medo de nos magoar? Por favor, Cadu! Você é um homem feito, não tem mais idade para essas picuinhas.
– Eu não vou desistir de ter meu filho por perto.
– Você sempre vai tê-lo por perto, ele só não vai morar com você. Você tem um negócio para estabilizar, tem que cuidar da sua saúde, você não tem condições de cuidar do Ivan sozinho agora.
– Agora, talvez não. Mas em breve. Eu não desisti de lutar pela guarda dele.
Clara suspirou, olhando para os lados.
– Olha só, Cadu. Faça o que você quiser, mas vê se pensa no que é melhor para o seu filho, pelo menos uma vez. Pra que tirar ele de mim?
– A Marina não é boa influência! — Bateu a mão na mesa.
Clara riu. — Ah, Cadu, faça me o favor. Me escuta, cara. Não faz isso. E não envenene nosso filho contra a minha relação, contra a Marina. A Marina não é só uma fase na minha vida, não, Cadu. Ele vai conviver com ela de qualquer forma, e é melhor que seja numa boa, como eles estão. Os dois se adoram, deixa assim. Vale mesmo a pena você complicar a vida do Ivan só por causa de uma picuinha? Só porque você não gosta dela? Porque eu te deixei por ela?
Cadu respirou fundo. — Eu também já estou tomando outro rumo na minha vida, Clara. — Não queria ficar por baixo.
– Que bom. — Clara pegou sua mão, mas ele se esquivou. — Eu fico muito feliz por você. — Sorriu genuinamente. — Deixa isso pra lá, Cadu. A gente — engoliu. — Nós dois ainda podemos ter uma boa convivência. É o melhor para o Ivan. Poxa, nós estamos bem agora, não volte a complicar as coisas.
Nesse momento Nando chegou, colocando sua pasta na mesa.
– Desculpa o atraso. — Abriu a pasta. — Os papeis já estão prontos. Só assinar.
Clara escondeu o sorriso.
Assinaram tudo e se levantaram. Clara o cumprimentou.
– Não esquece nossa conversa.
Silvia entrou no bistrô, sabia que hoje assinariam o divórcio e ficou de aparecer para dar uma força à Cadu. Cadu assim que a viu, foi em sua direção e fez questão de cumprimentá-la com um beijo, como se fosse afetar Clara. E afetou. Ela ficou muito feliz em ver que o ex marido estava se ajustando. Silvia era uma boa pessoa. Passou por eles, dando tchauzinho e saiu.
– E aí? Correu tudo bem?
– Ai, Leninha. — Suspirou aliviada. — Tudo ótimo. Eu me sinto até mais leve agora, sabe?
– Que bom, minha irmã.
– E a história com a Dra. Sílvia parece ser séria, viu? Ela apareceu por lá.
– Sério? E aí?
– Ah, é bom que ele se resolva. Espero que seja feliz. Como eu estou. — Sorriu. — Cadê o Ivan? Melhor a gente ir pra casa, deve ter dever, um monte de coisas.
– Que isso, Clara? Larga de ser boba. Vai lá comemorar com ela! Deixa ele aqui, já está acostumado. A Luiza ou qualquer um de nós pode ajudá-lo.
– Ai, será?
– Claro, né? Vai lá. Faz uma surpresa pra ela. — Piscou o olho.
– Você não existe! — Beijou sua irmã no rosto.
Foi em casa buscar roupas para Ivan e se despediu dele.
Em casa, Clara tomou um banho relaxante, passou seus cremes, maquiagem, e vestiu uma lingerie que havia comprado antes para usar com Marina. Ficou se admirando no espelho, imaginando que Marina com certeza ia gostar e muito dessa surpresa. Colocou um sobretudo por cima, salto alto, e saiu em direção à casa da fotógrafa, com um sorriso malicioso nos lábios.
Marina já estava na cama, lendo um livro antes de dormir, quando foi avisada de que havia alguém na porta de sua casa. Disse que ela mesma receberia. Vestiu um roupão e foi abrir a porta. Só podia ser a Clara, se animou, para celebrar o divórcio. Desceu as escadas já com um sorriso bobo no rosto, e abriu a porta.
– Boa noite, meu amor! — Disse com um sorriso imenso.
– Vitória?
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