Intimacy
13 Capítulo 13
– Minha irmã! — Helena falou puxando — a para dentro de casa. — Como foi?
– Ruim. Como poderia ser? — Suspirou. — Mas era o certo a se fazer e eu sinto como se um peso imenso tivesse sido retirado das minhas costas.
– Oh, Clara. — Se abraçaram. — Você sabe que pode contar comigo, né?
– Muito obrigada, Helena.
– Era o melhor. Não tinha como eu manter meu casamento. — Falou triste
– Não quando eu estou tão apaixonada pela Marina. — Falou sorrindo e ficando vermelha. — Eu preciso de mais dois favores seus. Desculpa.
– Claro, pode falar.
– Vou buscar o Ivan daqui a pouco no judô e o arrumar para a escola. Queria que ele ficasse aqui hoje a noite. Eu preciso da Marina.
– Claro, eu te entendo.
– E amanhã, quero um jantar de família aqui na sua casa para anunciar a separação. Eu e o Cadu vamos conversar com o Ivan de dia.
– Pode deixar, vou organizar tudo.
Clara a abraçou. — Não sei o que eu faria sem você. — Sorriu.
– Agora me diz... “precisa” da Marina? — Falou com um sorriso curioso.
Clara bateu de leve em seu braço. — Ai, Helena, você heim? Que coisa! — Esta toda vermelha agora. — Agora deixa eu ir pegar meu filhote.
Se despediram e saiu.
– E aí? Como foi a luta hoje?
– Tá tudo bem, mãe? Tá com uma carinha.
– Vai ficar tudo bem, meu anjo. Logo logo a mamãe te conta tudo. Mas agora me conta.
– O professor disse que a gente vai poder participar de uma competição logo. — Falou feliz.
Ivan começou a contar animado como havia sido sua manhã. Enquanto eles almoçaram, Clara avisou que ficaria no estúdio até tarde e que a tia ia buscá-lo. Os dois fizeram o dever juntos e Clara o deixou na escola.
– Ó, presta atenção na aula, heim? Quero ver essas notas no fim do bimestre.
– Tá, mãe! — Falou sem paciência, brincando. — Manda um beijo pra Marina.
– Mando sim, meu amor.
– Flavinha.
– Oi, Clara. — Cumprimentou -a.
– Cadê a Marina? — Falou escaneando o cômodo.
– Marina está almoçando com a Vanessa.
– Clara? — Marina falou entrando.
– Ó, chegou. — Flavinha falou rindo.
Clara a abraçou forte.
– Eu vou te dar uns cascudos por ficar me deixando sem notícias, coisinha! — Abraçou de volta. — Agora me conta, porque eu já não estou me aguentando mais de curiosidade, preocupação, paranoia, enfim.
Clara segurou sua mão e a puxou pro quarto.
– Clara, o que está acontecendo? Eu estou vendo nos seus olhos. — Marina falou assustada.
– O Cadu desmaiou ontem de novo.
Marina arregalou os olhos. — Mas e aí, tá tudo bem? Ele tá bem? — Perguntou preocupada.
– Tá, tá sim. Por enquanto, né? Foi outro deslize do Cadu. Ele não se cuida, não toma os remédios, não segue as recomendações da Dra. Silvia. Mesma coisa de cuidar de uma criança doente.
Marina deu um sorrisinho sem graça.
– Mas não foi isso que me atrasou.
– Ai, meu Deus, Clarinha. — Pegou sua mão. — Aconteceu mais alguma outra coisa?
– Aconteceu, Marina. — Falou meio séria, olhando nos seus olhos.
Engoliu. — Eu contei tudo pro Cadu.
– Você o quê? — Marina olhou para ela com os olhos arregalados. E então sorriu. — Clara, que.. que notícia maravilhosa!! — Abraçou — a de novo rindo e logo depois soltou, se controlando. — Mas, espera aí, você está bem? Como foi? Ele não te fez nada de mal, né? — Perguntou passando as mãos em seus braços e meio que escaneando Clara para ver se estava tudo bem.
Clara se aninhou em Marina sorrindo. — Estou me sentindo mais leve. — Chorou. — Mas estou com medo, Marina. Medo dele fazer alguma coisa, medo da minha família, da reação do Ivan.
Marina segurou Clara em seus braços confortando-a. — Vai ficar tudo bem, meu anjo. Eu estou do seu lado. Seja lá o que vier por aí, vamos encarar juntas. — Beijou sua testa. — Estou tão feliz, Clara. — Falou com um sorriso enorme. — Finalmente eu vou poder te ter só para mim. — Apertou-a contra si, beijando sua bochecha. Então segurou seus braços e olhou no fundo dos seus olhos. — Vou te fazer a mulher mais feliz do mundo, só o que você merece. — Falou com uma lágrima escorrendo em seu rosto. Lágrima que se perdeu misturada no beijo que Clara a deu.
– Janta comigo hoje? Aqui em casa. Só nós duas. — Falou acariciando seu rosto. — Como nosso primeiro encontro oficial. — Sorriu.
– Eu vou amar.
Foram trabalhar, Marina tinha umas fotografias para hoje. Mas ambas estavam o tempo todo pensando uma na outra e no primeiro encontro. Clara estava feliz por finalmente ter posto um ponto final com Cadu. Olhava pra Marina com a certeza de que tinha tomado a decisão certa. Trocaram olhares várias vezes, olhares acompanhados de sorrisos igualmente apaixonados. Vanessa percebeu, como todo mundo, que elas estavam mais próximas, mas não alfinetou.
– Meninas, eu sei que já está quase acabando o expediente, mas eu precisava ter essas edições aqui pra ontem. — Falou com um sorrisinho de desculpas. — Mas eu acho também que não vai demorar muito mais. — Passou o material.
Flávia e Vanessa começaram a olhar as fotos, enquanto Clara se dirigia à elas para começar a ajudar também. No entanto, Marina a segurou no meio do caminho, falando baixinho.
– Você não. Você vai pra casa se arrumar para o nosso jantar. — Sorriu. — Agora. Até porque eu tenho muita coisa pra arrumar pra gente e não quero que você veja nada antes do tempo. — Falou segurando seu queixo. — Surpresa. — Sorriu. — Agora vai. — Beijou próximo ao canto dos seus lábios, enquanto Clara a encarava deslumbrada.
– Eu volto já. — Prometeu e roubou um selinho da fotógrafa, deixando-a atortoada para trás. Era incrível como o mínimo gesto de Clara conseguia tirá-la do balanço.
Marina foi para a cozinha para arrumar tudo. Pediu ajuda dos empregados com a comida, enquanto ela organizava o resto. Fez questão de fazer tudo com muito carinho, queria que fosse tudo perfeito. Olhou a hora e correu para se arrumar, Clara estaria ali em breve.
Clara sorriu o caminho para casa inteiro. Estava ansiosa, feliz, e até mesmo um pouco nervosa com esse jantar. Mas era um nervoso bom. Passou na casa da Helena para dar um beijo no filhote, dizendo que iria voltar para Santa Teresa logo. Em casa, tomou um longo banho e ficou mais tempo do que o necessário passando seus cremes e se perfumando. Não conseguia escolher uma roupa. Nenhuma parecia boa o suficiente. Queria estar perfeita. Por fim, acabou escolhendo um vestido azul escuro que ia até o meio de suas coxas. Usava um conjunto de sutiã e calcinha novo, pela primeira vez, da cor preta. Caprichou na maquiagem, mas não em excesso, de um jeito natural. Resolveu prender o cabelo, deixando apenas algumas mechas soltas. Se olhou no espelho várias vezes antes de criar coragem para sair.
Marina dispensou os funcionários e distribuiu algumas velas e flores pela sala de jantar, colocou uma música baixa no fundo, ajustou a luz. Esta tudo perfeito, só faltava Clara.
Clara chegou pontualmente, na verdade até um pouco mais cedo do que o combinado. Ficou esperando um pouco na porta antes de chamar. Sentia seu coração correndo no peito. Finalmente tocou a campainha. Ao abrir a porta, viu Marina olhá-la de cima em baixo formando um sorrisinho nervoso. Esta segurava um buquê de rosas vermelhas. Clara sorriu.
– Você está estonteante, Clara!
– Você também está linda, Marina.
Marina também usava um vestido. Vestido preto colado ao corpo.
– Entra. — Marina pegou sua mão. — Para você. As rosas vermelhas do amor.
Clara sorriu vermelha. — Como você é fofa, Marina. — Marina puxou — a para um beijo suave. Quando Clara pôs a mão em suas costas, percebeu que estavam descobertas e sentiu um friozinho na barriga.
Clara olhou o lugar. Estava todo decorado. Estava lindo.
– Não precisava fazer tudo isso para mim. — Falou tímida.
– É claro que precisava. — Entrelaçou seus dedos. — Tudo que eu puder dar de melhor para você.
As duas colocaram as flores em um vaso e Marina a conduziu até a mesa.
– Espero que goste do cardápio. Nós temos salmão no forno com alcaparras, batata e manga. Acompanhado de arroz, uma saladinha, vinho, e a sobremesa eu te falo depois. — Falou piscando e puxando a cadeira para que Clara se sentasse. Agachou perto dela pegando sua mão e beijando. — Eu estou tão feliz, Clarinha. Sonhei com você aqui assim comigo tantas vezes que nem parece realidade. — Riu.
– Mas dessa vez é de verdade. — Deu lhe um beijinho de esquimó antes de encontrar seus lábios.
Marina serviu a comida e elas comeram conversando. Vez ou outra estendiam os braços através da mesa para unir suas mãos, e Marina olhava para ela apaixonada enquanto seu dedão a acariciava.
– Você me olha assim e eu fico toda sem jeito, olha só. — Falou vermelha.
Marina só sorriu.
– Hora da sobremesa.
Beijou sua mão de novo antes de sair. Voltou com um brigadeiro de morangos, que as duas levaram para o sofá. Sentaram-se bem próximas.
Marina pegou o primeiro e deu na boca de Clara, alternando o olhar para seus lábios e seus olhos enquanto ela comia. Olhar os lábios de Clara se movendo daquela maneira a deixava extremamente excitada. Umedeceu seus lábios com sua língua assistindo.
– Você está me deixando muito mimada.
Marina se ajoelhou ao seu lado, usou seu dedo indicador para levantar o rosto de Clara de encontro ao seu e a beijou fervorosamente. Clara agradeceu por estar sentada, não teria conseguido ficar de pé. Pôs a mão sem sua cintura puxando a mais pra perto enquanto retribuía o beijo apaixonado. Mal teve tempo de respirar e Marina já estava devorando seus lábios novamente. Sentiu seu corpo todo pegar fogo e sua calcinha encharcando. Marina deu uma mordidinha no seu lábio inferior fazendo com que Clara gemesse, o que trouxe um sorrisinho para o seu rosto.
– Você ri de mim, né? Gosta de saber que me tira do sério.
– Claro que gosto. — Beijou sua mandíbula, descendo sua mão pelo corpo de Clara. — Adoro saber que posso te dar prazer. — Falou em seu ouvido, beijando sua orelha. Clara fechou os olhos tentando respirar e sentindo seu corpo todo tremer. No instante seguinte, Marina já não estava mais ao seu lado e ela imediatamente sentiu falta do contato.
– Vem. — Marina se levantou e pegou sua mão. — Quero dançar com você.
Clara sorriu.
– Vem. — Repetiu baixinho.
Clara levantou e a seguiu para o meio da sala. Marina ergueu um pouquinho o volume da música. Tocava “L’Amour”, por Ana Cañas. Marina sorriu puxando Clara pela cintura e abraçando-a. Clara envolveu seu pescoço, para que pudessem dançar juntinhas. Dançaram ainda uma versão lenta de “I don’t wanna miss a thing”. Marina roubava beijos no pescoço e ombro de Clara enquanto dançavam coladas lentamente. Durante a música “Cuida de mim”, de Tânia Mara, Marina cantou em seu ouvido.
– “Nessa noite eu vou sonhar, nos seus braços hoje eu quero ficar. E não há nenhum lugar melhor pra mim. Preciso te amar.Tô pedindo, então cuida de mim.”
Clara então afastou o rosto de seu pescoço e a beijou. Começou um beijo gentil, pois estavam ambas emocionadas. Mas logo, o beijo se tornou mais apaixonado, mais intenso. Seguido de um beijo ardente e lento, misturando os seus gostos. E como se pudesse trazê-la mais pra perto, Marina enlaçou suas mãos nos cabelos de Clara e ambas gemeram baixinho.
– Marina..
Marina pôs a mão em sua cintura forçando — a a andar para trás até que encontraram uma mesa livre onde ela prendeu Clara usando seu corpo, beijando-a novamente. Suas línguas ao mesmo tempo suaves e exploradoras, uma querendo dominar a outra. Se separaram com Marina puxando seu lábio inferior entre seus dentes. Clara sentiu todo o sangue de seu corpo drenar para uma só parte, onde pulsava. Olhou nos olhos de Marina e viu a escuridão de suas pupilas dilatadas mostrando que Marina também estava cheia de desejo. Marina colocou Clara em cima da mesa e separou suas pernas, se posicionando no meio. Subiu as mãos por suas pernas até chegar em suas coxas, apertando e puxando um pouco do vestido pra cima durante um beijo ardente. Clara pensou que iria explodir. Com os olhos fechados, e a mão na nuca da fotógrafa, a levava para beijar seu pescoço.
– Vamos pro meu quarto? — Marina perguntou em seu ouvido antes de puxar o lóbulo de sua orelha com a boca.
Clara assentiu com a cabeça.
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