Intimacy

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Gente, juro que não vou enrolar vocês por muito mais tempo, rs. Só mais um tiquinho de paciência.

Clara ficou segurando Marina, brincando com as mechas de seu cabelo e pensando. Antes quando pensava em ficar com Marina, imaginava que se arrependeria, que se sentiria estranha. Mas não. Sentia-se imensamente feliz. Beijou sua cabeça. Se afastou um pouco, mudando de posição, para que pudesse ficar de frente com ela. Assistia Marina dormindo, parecia um anjo. E ela desejava que o tempo parasse, para que elas não tivessem que sair dali mais.

Pensou no que tinha acontecido. No sorriso da fotógrafa ao ouvir que estava apaixonada por ela. No beijo carregado de amor que ela deu. Sorriu involuntariamente, tocando seu rosto.

Viu a aliança e se lembrou de Cadu, seu marido. Tentou buscar um momento em que estivesse tão feliz assim com ele. Claro que eles tinham sido muito felizes esses anos todos, mas não se lembrava de um momento tão simples assim que lhe tivesse trazido tamanha felicidade antes. Uma lágrima escorreu em seu rosto. Lágrima de felicidade. Se aproximou de Marina selando seus lábios nos dela. E a sentiu sorrir.

– Desculpa. — Sorriu. — Não era pra te acordar.

– Se for para me acordar assim, Clarinha, pode ser a qualquer hora. — Sorriu.- Está tudo bem? — Falou notando a lágrima e enxugando. — Se arrependeu? — Perguntou preocupada.

– Não, claro que não. Está tudo ótimo, Marina. — Sorriu mostrando o quanto era verdade.

Sorriu aliviada. — Nem acredito que peguei no sono.

– Você tá com uma carinha cansada.

– É, não dormi bem esses dias.

Clara sorriu tímida e pegou sua mão, meio que pedindo desculpas.

Marina deu uma apertadinha em sua mão. — Está pensando no quê?

– Tentando descobrir quando foi que você mudou minha vida desse jeito.

Sorriu. — Para mim foi no instante em que te vi entrando naquela exposição.

Clara sorriu.

– Desde então, eu só vejo você. – Marina acariciou seu rosto.

Clara tocou e beijou a palma de sua mão retribuindo o carinho.

– Agora eu tenho que ir. Tenho que pegar o Ivan. — Se levantou, soltando a mão de Marina.

– Te vejo mais tarde?

Clara sorriu em resposta e se virou.

– Clara, espera. — Marina foi até ela e puxou seu queixo para mais um beijo breve. — Te vejo mais tarde.

Elas se abraçaram e Clara desceu suspirando apaixonada.

– Olha só o sorriso. — Vanessa começou. — Nem parece a mesma Clara de hoje cedo.

– E não é. — Clara respondeu sorrindo em direção à porta, deixando Vanessa curiosa e enciumada para trás. Se virou e viu Marina no mesmo estado no pé da escada.

– Posso saber o que aconteceu?

– Não. — Sorriu. — Não pode não. Mas saberá em breve. Já almoçou?

– Claro, né? Se dependesse de você largar a Clarinha. — Falou irônica.

– Que bom que você sabe disso. Vou comer qualquer coisa por aí.

– Marina..

– Hoje nem o seu mau humor vai me irritar, Van. — Beijou seu rosto e saiu.



– Aqui, Ivan! — Clara chamou e Ivan correu para abraçá-la.

– Demorou, mãe. Tô morrendo de fome.

– Eu também, cara. Vamos correr lá na sua tia Helena. — Entraram no carro.

– Aconteceu alguma coisa, mãe?

– Não, Ivan… por que a pergunta, meu filho?

– Tá feliz. Tá até brilhando. — Falou brincando.

– Nada não. — Falou sorrindo.

– Tava na Marina, né?

– Oi? — Clara perguntou arregalando os olhos. — Estava, né Ivan? A mamã trabalha lá.

– É, eu sei, e você sempre volta feliz.

Clara olhou para Ivan se perguntando se ela era tão transparente mesmo que até seu filho conseguia ver o quanto Marina a fazia feliz.

Limpou a garganta. — Eu gosto muito da Marina, filho.

– Eu também, ela tem um “casão”. — Falou mostrando o tamanho com os braços. — A gente bem que podia ir lá tomar banho de piscina mais vezes, né mãe?

Clara riu.

Assim que terminaram de almoçar, Clara sequestrou a irmã para o quarto.

– Clara, espera. — Riu. — Meu Deus, que cara é essa? O que que aconteceu?

Trancou a porta e chegou perto de Helena com um sorriso imenso e os olhos brilhando.

– Ela me beijou, irmã. — Tampou a boca, como se faz após contar um segredo, ruborizando.

Helena arregalou os olhos.

– A Marina te beijou? Me conta, como isso aconteceu?

– Eu saí de casa com a intenção de conversar com ela. Você tinha razão, eu tinha que desfazer o mal entendido, e ela estava tão arrasada. Não conseguia ver ela triste daquele jeito por minha causa e por uma mentira. Ai, irmã. Não consigo pensar em perder a Marina de vez, sabe? E me deu um medo. Sem contar também da Vanessa que fica urubuzando. — Falou irritada.

– Espera aí? Mas você contou a verdade? E essa Vanessa fez alguma coisa?

Sempre que ouvia o nome da ruiva, Clara se lembrava do sonho.

– Esquece a Vanessa. Sim, eu disse tudo. — Falou animada. — Disse que estou perdidamente apaixonada por ela.

Helena olhava a irmã impressionada com tamanha felicidade que ela irradiava agora.

– E ela?

– Abriu aquele sorriso maravilhoso dela. Ai, Helena, você tem que concordar comigo. A Marina é dona de um sorriso e de um olhar que derrete qualquer um.

– Ela realmente te olha de um jeito intenso, dá até calor. — Falou rindo e se abanando. — Mas, e aí? Como é beijar uma mulher? — Perguntou curiosa.

– Beijar qualquer mulher eu não sei. Mas beijar a Marina… — suspirou apaixonada. — Não tinha como não ser.. — Procurou por palavras. — É impossível descrever, eu nunca me senti tão amada só com um beijo. Foi muito melhor do que eu sempre pensei que seria. Foi… Eu estou nas nuvens. — Riu.

– Eu estou vendo. Minha irmã, eu nunca te vi tão feliz.

– Eu não sei se já estive tão feliz. Quer dizer, claro que eu sempre fui feliz, com vocês, com o Cadu, com o nascimento do Ivan. Mas.. mas essa é uma felicidade diferente, sabe? É uma felicidade minha e dela.

Helena sorria olhando pra irmã. — Realmente, essa Marina mexeu com todas as suas estruturas.

– Mexeu. Mexeu muito. — Olhou pra ela sorrindo.

– Desculpa interromper o sonho. Mas, e agora, Clara?

Seu sorriso se desfez. — Não sei. Meu Deus é tudo tão complicado. — Passou as mãos no rosto. — Eu não sei o que eu faço.

– Pelo visto, sua decisão já foi feita. Só falta agora você tomar uma atitude, e me parece que o mais certo agora é você ter uma conversa franca com o Cadu. Eu sei que eu disse que não daria esse tipo de conselho, que deixaria você guiar a sua própria vida. Mas, essa felicidade que eu estou vendo aqui, Clara... — Apontou para a irmã — Não se desiste desse tipo de felicidade. — Viu Clara sorrir novamente e pôs a mão em seu ombro. — Escolha ser feliz, minha irmã. — As duas se abraçaram.

Clara mal pisou no estúdio e Marina já estava segurando sua mão puxando-a pra dentro.

– Vem ver, Clarinha, o que chegou! — Se sentaram no sofá. Marina abriu um catálogo de fotos e passou para ela.

Eram as fotos do ensaio de lingerie. Clara, que antes estava sorrindo com a empolgação de Marina, perdeu o sorriso na primeira foto. Ficou olhando. Depois de um tempo, passou a mão na foto e sentiu sua outra mão ser segurada por Marina.

– Não gostou?

– Tá falando, sério? — Olhou para ela sorrindo. — Marina, elas ficaram maravilhosas. Eu não tenho nem palavras, nem reação a não ser admirar de boca aberta. – Sorriu, voltando os olhos para as fotos. De repente, olhou séria para ela de novo e disse. — Você é tão linda.

Marina sorriu colocando uma mecha do cabelo de Clara atrás da orelha. Sentiu vontade de sentir seus lábios novamente. E por que, não? Sabia que Clara não se importaria. Se inclinou devagar, vendo Clara sorrir. Esta sentia seu coração saindo pela boca com a expectativa.

– Marina. — Foram interrompidas por Vanessa. As duas se afastaram rapidamente.

– As modelos já chegaram, e já vou mandar elas entrarem. — Saiu.

Marina sorriu da cara de Clara que não conseguia esconder a decepção e a irritação com a ruiva. Deu um beijo em sua testa e se levantou.

Vanessa saiu da sala não acreditando na cena que tinha visto. Elas estavam quase se beijando.

– Vamos logo, meninas, que a Marina está com pressa. — Não conseguia esconder sua raiva.

O resto do dia foi bastante ocupado, e elas não tiveram outro momento a sós antes do horário de Clara.

– Marina, eu tenho que ir. Me liga depois?

– Vem cá. — Marina disse se certificando de que não tinha ninguém mais na sala. Puxou Clara pelo braço para um beijo avassalador, colocando a outra mão em sua cintura. Clara sentiu seus joelhos fraquejarem. Quando seus lábios se separaram, Clara permaneceu com o rosto próximo ao dela, tentando recuperar a respiração e abrir os olhos.

– Você é impossível, sabia? E agora? Como eu vou embora? — Disse beijando o canto da boca da fotógrafa.

Marina sorriu e beijou seu rosto. — Eu te ligo. Dê um beijo no filhote. -

Voltou ao trabalho.



Notas finais
Já comecei a escrever o final da fic. :(