Intimacy

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Gente, mais uma vez.. muito obrigada. :)

Na segunda, Clara acordou animada. Era dia de trabalho, veria Marina de qualquer jeito. Se arrumou com um pouco mais de cuidado do que costumava antes da fotógrafa entrar em sua vida. Cadu percebia a diferença, o brilho no olhar que esteve ausente nos dois últimos dias. Tudo isso o deixava preocupado e furioso. Antes mesmo de virar na rua do estúdio, já estava sorrindo igual boba. Assim que entrou avistou Marina limpando e organizando algumas lentes. Estava vestindo um macacão leve preto, cabelo jogado pro lado e usava seus óculos. Clara adorava quando ela estava de óculos, ficava ainda mais linda, com uma carinha de nerd. Era encantador e sexy ao mesmo tempo.

– Bom dia, Marina. — Falou animada, andando em sua direção. Estava pronta para sentir mais um daqueles abraços calorosos e apaixonados com os quais Marina a recebia. Mas logo percebeu que o clima hoje estava diferente.

– Bom dia, Clarinha. — Respondeu erguendo os olhos em sua direção por um leve momento, com um sorrisinho murcho e sem aquele brilho tão bonito no olhar.

Imediatamente, o coração de Clara pareceu inchar, não cabia mais dentro do peito. Alguma coisa tinha acontecido à Marina e ela não fazia ideia do que era. Só sabia que queria mais que tudo mudar aquilo, queria resolver qual fosse o problema que a estava atormentando e trazer a luz de volta aos seus olhos. Faria o que pudesse para acabar com aquela tristeza.

– Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

– Não, não aconteceu nada.

Sentiu vontade segurá-la bem perto e perguntar o que estava acontecendo enquanto passava a mão pelo seu cabelo. Mas, mais uma vez, não quis invadir a sua privacidade, sabia que se ela quisesse, ela conversaria.

Vanessa apareceu com umas fotos para Marina revisar e passando algumas atividades para Clara. Marina analisava as imagens calada, não mostrou nenhuma para Clara fazendo seus comentários inspiradores como de costume. Assim que tiveram um tempinho livre, Clara foi até ela.

– Como foi seu final de semana?

– Comum.

– Comum? Só isso? Deve ter sido bom, nem se lembrou de mim. — Clara falou brincando com um sorrisinho, mas no fundo falando sério, como uma adolescente apaixonada pela primeira vez.

– Lembrei sim. — Marina disse olhando pra ela seriamente. — Fui te procurar. No sábado de manhã.

Clara sentiu um gelo percorrer seu corpo.

– Você esqueceu isso. — Falou passando a pulseira pra assistente.

– Você não entrou.

– Você estava ocupada. — Disse tentando se manter fria. Não queria nunca ser fria com ela, mas também não queria desabar na sua frente.

Clara sabia do que ela estava falando. "Não, eu não estou apaixonada pela Marina." A frase ressoava na sua cabeça. Queria perguntá-la o que exatamente, o quanto, ela tinha ouvido. Mas vendo Marina naquele estado, já sabia, não precisava.

– Antes de você ir, preciso que você organize as peças do ensaio de amanhã. Quero começar bem cedo. — Saiu do cômodo.

Ambas sentiram uma dor em seu peito, queriam chorar. Marina queria voltar e perguntar se ela tinha mesmo falado sério, se era verdade, queria chorar e ser abraçada por ela. Mas se sentia ridícula em pensar assim. Se sentiu mal por ter tido esperanças realmente. Vanessa estava certa, Clara tinha uma vida na qual ela não se encaixava. Clara só queria ser sua amiga, e tinha talvez uma curiosidade sobre a vida de Marina. Queria dizer que não se importava, que contanto que Clara estivesse feliz, tudo bem. Mas doía perceber que estava errada. Tinha tanta certeza de que Clara fazia parte do seu futuro. De que era ela.

Clara queria ir atrás, queria consertar, queria fazê-la feliz novamente. Queria dizer que não suportava vê-la tão pra baixo, que não suportava ser a culpada disso. Queria enxugar suas lágrimas e dizer que não, que não era verdade. Mas pensou que talvez fosse melhor assim. Assim, Marina poderia voltar a ser a aventureira de antes e conhecer alguem mais como ela, enquanto Clara voltava a ser a dona de casa empenhada, mãe, mulherzinha do Cadu. Por mais que seu coração quisesse se aventurar com Marina, sentia medo. E.. ainda amava Cadu. Não do mesmo jeito, na mesma intensidade, não estava apaixonada como estava por Marina. Mas tinha muito medo de saltar no desconhecido.

Assim que terminou seu trabalho, Clara se foi, não teve coragem de encarar Marina para se despedir. Sabia que não poderia evitar fazer tudo que seu coração queria tanto. Marina, passando as mãos no cabelo, assistiu ela indo embora pela janela. Com um medo imenso de que a qualquer momento Clara pudesse simplesmente sumir de sua vida, ir embora assim e não mais voltar. Sentou-se no chão sentindo sua garganta apertada e decidiu não segurar o choro.

Clara não havia deixado de notar a expressão contente no rosto de Vanessa o dia inteiro. Ela já devia saber de tudo, e com certeza estava adorando que Clara tivesse decepcionado Marina. O sorrisinho irônico dela enchia Clara de raiva, que, se pudesse, voava naquele cabelo de fogo dela.

Um tempo depois, Marina foi avisada de que estava sendo chamada na porta de sua casa.

– Cadu? Que surpresa! A Clara já foi, aconteceu alguma coisa? — Sua mente imediatamente se preocupando com Clara.

– Não, Marina. — Disse o nome dela com um certo rancor. — Não aconteceu nada e nem vai acontecer. Eu vim aqui te falar pra deixar a minha mulher — enfatizou- em paz. A Clara não é mulher pra você, ela já tem uma família para cuidar e não está interessada no que você está procurando. Se toca. — Falou apontando pra sua cabeça. — Eu não vou deixar você acabar com a nossa vida, você não tem consciência.. tem vergonha na cara, não?

Marina se sentia extremamente ofendida com as palavras e os modos de Cadu, fosse em outro dia, teria discutido, respondido o ataque à altura. Mas ele estava certo, não devia se intrometer onde não era desejada.

– Comigo você não precisa se preocupar mais, Cadu. — Entrou.

Cadu não queria deixar ela sair assim, ainda tinha muito entalado na garganta. Mas o jeito de Marina o advertiu. Nunca tinha visto a fotógrafa tão abatida. Talvez estivesse sendo sincera.

Vanessa assistiu a cena toda. Se sentia mal com a tristeza da amiga, mas não também não podia deixar de ter suas esperanças renovadas. Abraçou-a.

– Não fica assim, meu amor. Você ainda vai ser muito feliz.

– Não vou insistir, Vanessa. Sabe se... se a Clara sentisse o mesmo por mim, eu insistiria até o fim da minha vida, se preciso. Mas se ela não está apaixonada por mim, eu não posso fazer isso. Ela tem uma família, está feliz, não sou eu quem vai interferir. Acho que está na hora de eu aceitar que a Clara não vai ser minha e desistir. – Falou triste caminhando na frente de Vanessa.

–Finalmente. – Vanessa comemorou baixinho.