Intimacy

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Ahh nem, ficou grande! rs E nem deu pra dividir, porque é tudo o mesmo cenário. :( E eu fiquei sem estoque de capítulos, rs. Mais uma vez obrigada, gente!

Marina deixou Clara em casa e foi embora se arrumar.

– Meu Deus, que bagunça é essa, Marina? Passou um furacão aqui? É isso? — Vanessa perguntou rindo ao chegar em seu quarto.

– Van! — Correu e a abraçou. — Me ajuda. Eu não tenho roupa. — Falou com as mãos no cabelo.

– Não tem roupa? E o que é isso tudo jogado por aí? — Acenou. — Posso saber onde você vai que não tem nenhuma roupa para a ocasião?

– Vou ser apresentada oficialmente à família da Clara.

– Credo, que coisa mais antiga. E que loucura, Marina! Vai se enfiar mais ainda na família dela? Até quando você vai insistir nessa historinha?

Marina suspirou. — Não é uma historinha, Vanessa. É uma história! De amor!

– Então é sério, mesmo? Você e a Clara?

– Você sempre soube que sim, Vanessa. Só não queria enxergar.

Vanessa fechou a cara.

– Ah, não, Van. Hoje não! Eu preciso da sua ajuda, vai!

Vanessa suspirou olhando para as peças. — Ai, tá. Aqui, usa esse aqui.

Era um vestido branco, nem tão solto e nem colado, com renda. — E aquele sapato lá, ó, o de salto.

– Tem razão! Tem razão, Van. — Beijou seu rosto e correu para se arrumar. Já estava se atrasando.

– Acho que só me resta dizer boa sorte, né?

Marina olhou para ela com um sorriso doce. — Obrigada.

Bateu a campainha no apartamento de Clara, ajeitando o cabelo pela milésima vez. Ivan que abriu.

– Marina! Tá bonita!!

Marina sorriu. — Muito obrigada, meu anjo! — Beijou seu rosto.

– Marina. — Era Clara, que a olhava inteira.

– Desculpa, eu estou atrasada! Não tinha roupas. — Fez um sorrisinho de desculpas.

– Que absurdo, Marina. — Sorriu e se aproximou. Trocou um beijo rápido com ela e riram quando ouviram Ivan limpando a garganta.

– Você está linda, meu amor. Vai ser a mais bonita da festa.

– Você também está linda. Você é linda. — Marina falou, segurando sua mão.

– Então, vai ‘conhecer’ a vovó hoje, heim?

– Ai, Ivan, pois é! — Sorriu nervosa.

– Tá nervosa?

– Muito. Olha. — Pôs a mão fria em seu rosto.

– Vai dar tudo certo. — Clara falou.

– E.. E o Cadu?

– Meu pai não vem.

– Nem o Nando.

– Tá bom. Ai, ai. — Suspirou.

– Vai dar tudo certo. — Clara falou de novo apertando sua mão. — Vamos lá?

– Vamos!

A família estava quase toda reunida na casa de Helena. Estavam servindo petiscos e bebidas e todos conversavam animados antes do jantar principal. Os três pararam na porta.

– Tá tudo bem se você não quiser...

– Eu quero. — Sorriu. — Só, me dá esse medo, sabe? Nunca fui apresentada para a família de alguém assim. E ainda mais que.. eles todos devem me culpar pelo seu divórcio. — Falava baixinho.

– Se eles não gostarem de você, a gente gosta, Marina. — Ivan falou pegando sua mão livre.

– Você não existe, menino! — Apertou sua bochecha.

– Eu também estou nervosa. Muito! Mas eles vão ter que te aceitar. — Sorriu. — Você tem me feito feliz como ninguém, e a família sempre quer o nosso bem, então..

– Então vamos lá!

– Ué, e a Clara? Não vem? Sempre é uma das primeiras a aparecer. — Chica perguntou.

– Vem sim, mãe. — Helena disse. — É que.. ela está trazendo alguém especial hoje.

Chica mal teve tempo para pensar, quando a campainha tocou e a porta abriu.

– Deve ser ela. — Helena falou e todos viram Clara entrar com Marina e Ivan.

– Oi, família! — Marina e Clara estavam de mãos dadas, com Ivan na frente das duas.

A chegada dos três chamou a atenção de todos na festa. Por um segundo foi como se um silêncio perturbador tivesse tomado conta de toda a sala, exceto que ainda havia música no ar. Por mais que estivesse acostumada a ser o centro das atenções, hoje Marina se sentia constrangida. Clara sentiu sua tensão e apertou sua mão, tentando confortá-la. Helena foi a primeira a se manisfestar.

– Clara! — Cumprimentou a irmã. — Já estavam perguntando por vocês.

– Helena. — Marina disse, cumprimentando-a. — Feliz aniversário. — Entregou seu presente.

– Não precisava. — Helena sorriu abraçando Marina, e cochichou em seu ouvido. — Tá nervosa?

– Um pouco.

– Não precisa ficar, não. Não é difícil perceber que a Clara tem sido uma pessoa mais feliz desde que você apareceu na vida dela.

Clara sorriu. — Helena que tinha que ficar ouvindo minhas lamúrias, meus suspiros apaixonados. Disse repousando sua outra mão no braço de Marina e a cabeça em seu ombro.

Marina olhava para ela com uma adolescente amando pela primeira vez.

Helena percebeu que de repente tinham ficado indiferentes à sua presença ali.

– Ai, ai, o amor! Vem gente, acabem de entrar.

Ivan aproveitou a deixa para ir se misturar ao resto do pessoal. Mas antes pegou as flores e levou até sua avó. Ela e Ricardo não tiraram os olhos de Clara e Marina desde que entraram.

– Vó! — Chamou sua atenção.

– Oi, meu filho. — Agachou para beijar Ivan.

– As flores são pra senhora! — Ela sorriu. — Da Marina.

Chica ficou sem graça. — Ah, da.. da Marina? — Olhou para as duas de novo.

Logo o casal era a mais nova atração da festa. Virgílio e Luiza foram os que as cumprimentaram logo em seguida. Começaram a bater papo, e foram servidas. Clara olhava ao redor procurando por sua mãe, mas ela não estava à vista. Ficou preocupada de que ela tivesse ido embora de fininho. Ainda não tinham tido outra oportunidade para falar sobre seu relacionamento com Marina desde aquele jantar. E naquele dia sua reação não tinha sido a melhor delas.

Chica havia saído do cômodo para por as flores num vaso e acabou ficando por lá mais tempo que pretendia.

– Chica?

– Ah, oi, meu amor. — Era Ricardo.

– Tá tudo bem?

– Tá. Eu só. — Suspirou nervosa. — Ai, Ricardo, não sei se estou pronta pra isso. Não sei como lidar com essa situação. A minha Clara com uma mulher. Sua prima!

– O que importa é que a Clara seja feliz, meu amor. E ela está feliz. Todo mundo pode ver isso. E.. dê uma chance para a minha prima. Você vai gostar dela. Agora, acho melhor a gente voltar, porque a Clara não falou nada mas ela está aflita procurando por você.

– Tem razão. Não dá para fugir agora. — Sorriu nervosa.

Logo Marina não estava se sentindo tão deslocada mais. A família tinha a recebido bem até então. Só faltava a matriarca.

Assim que Clara viu sua mãe retornando à sala, chamou Marina.

– Vem. — Pegou seu braço e andaram em direção à ela.

Ricardo foi na frente, abraçando sua prima.

– Marina!

– Ricardo. — Abraçou de volta.

– O que é isso, heim? — Falou olhando para as duas. — A família Meirelles tomando conta da Fernandes? — Riram.

– O que podemos fazer se eles são tão encantadores. — Falou olhando para Clara, completamente apaixonada.

Chica criou coragem para se aproximar mais e Marina percebeu sua presença.

– Dona Chica. — Estendeu sua mão. — É um prazer.

– Marina. Clara.

– Oi, mãe. — Clara a abraçou.

– Obrigada pelas flores, Marina.

– Imagina. — Sorriu nervosa.

– Aproveitem a festa. — Se retirou.

As duas se olharam.

– Não foi tão ruim assim. Acho que minha mãe está mais nervosa do que você. — Riu.

– Será? Acho que ela não gosta muito de mim.

– Não fica preocupada, meu amor. — Passou a mão em seus braços. — Vem.

– Marina! — Ivan se aproximava. — Cara, você tem que provar isso aqui. — Trazia um petisco. — Foi a Rosa quem fez, tá uma delícia.

– Deixa eu ver. — Marina experimentou. — Hmm, tá muito bom mesmo.

– E o meu?

– Ah, mãe. Senhora já é de casa, né? Trouxe só para Marina.

Marina riu, zombando de Clara.

– Brincadeira, Ivan! Tô começando a ficar com ciúmes dessa sua cumplicidade aí com a Marina, viu? Pô, nem pra pensar na sua mãe também. — Falava fingindo estar chateada.

Ivan e Marina riram abraçados.

– Talvez a gente deixe um pedacinho — Sinaliza com os dedos — para você.

– Abusados.

Clara roubou o último pedaço deles e comeu.

– Mãe!

Clara pegou sua mão — Vamos lá. Vem me mostrar onde você achou isso aí. E se der, a gente traz pra Marina! — Pôs a língua pra ela e saíram, deixando Marina sorrindo.

Chica tinha assistido toda a interação entre os três e aproveitou para poder falar com Marina a sós.

– Marina.

Se virou. — Dona Chica.

– Não. — Pôs a mão. — Pode tirar o dona, deixa só o Chica mesmo. Posso falar com você?

– Claro!

– Olha, eu confesso que essa situação é nova para mim. Eu nunca havia imaginado a Clara deixando o Cadu, muito menos por outra mulher.

Marina ruborizou.

– Minha filha me disse que estava buscando sua felicidade. E.. ela parece feliz.

– Nós estamos muito felizes sim. E eu vou me comprometer para que sempre seja assim. Eu lamento muito por toda a confusão que eu trouxe comigo, mas.. eu amo sua filha.

Marina sentia seus olhos se enchendo de lágrimas. Era incrível o quão forte era seu sentimento, que todas as vezes que o pronunciava sentia uma emoção imensa tomar conta de si. Emoção essa que Chica conseguia ver no fundo de seus olhos.

– Eu tenho a melhor das intenções, a Clara e o Ivan são muito importantes para mim.

A essa hora os dois já haviam voltado, mas deixaram que as duas conversassem sozinhas. No entanto, Clara não tirava o olho delas.

– Eu sei que.. é diferente. Mas é amor! — Segurava as lágrimas com toda sua força. — A Clara — Olhava para cima piscando e espantando as lágrimas. — A Clara me encantou desde a primeira vez que a vi. E eu tive a sorte de ser correspondida. — Sorriu. — Eu sabia que ela era casada. Nós.. eu tentei não me meter no meio do casamento dela com o Cadu, mas é um sentimento tão forte que não cabia dentro de mim. Que eu não conseguia não pronunciá-lo todas as vezes que a via. Nem passava pela minha cabeça me afastar. Era muito forte. Ela resistiu muito. -Sorriu, deixando algumas lágrimas escaparem, se lembrando de todas as vezes que Clara falava no Cadu. — Mas, foi mais forte que ela também.

Clara via Marina limpando as lágrimas preocupada e querendo se aproximar.

Chica suspirou. — E o Ivan? Já sabe de tudo?

Marina assentiu e Chica lembrou dos dois brincando com Clara há alguns minutos, naturalmente. A nova relação de sua mãe parecia não incomodar Ivan.

– Repetindo as suas próprias palavras, também não podemos negar que vocês são muito encantadores. — Se referia à ela e Ricardo, trazendo outro sorriso no rosto de Marina. — Eu sempre gostei muito do Cadu, mas se não era ele quem fazia a Clara feliz mais.. — Pôs a mão em seu ombro. — Cuide da minha filha. E seja bem vinda.

Ivan correu até elas.

– Vó, você num tá brigando com a Marina não, né?

Clara também chegou perto, passando a mão em seu rosto.

– Tá tudo bem? — Perguntou baixinho.

Marina assentiu.

– Que isso, Ivan? E eu lá sou de brigar com as pessoas? Nós só estamos conversando.

– Iii, vai se acostumando, mãe. Esse aí só puxa a sardinha pro lado da Marina.

Chica saiu sorrindo.

– Tem certeza que tá tudo bem?

Marina ainda limpava seu rosto.

– Tá, tá sim. Eu só num posso falar desse amor que eu tenho por você — Pôs a mão em seu rosto — que eu me derreto toda.

Clara a beijou, surpreendendo Marina que não esperava tamanha demonstração na frente de toda a família ainda.

– Minha linda. — Sorriu. Uma mais perdida no olhar da outra, nem perceberam que estavam todos olhando, mas todos felizes por elas.

Ivan abraçou as pernas das duas.

– O jantar já vai ser servido. — Ouviram Helena chamando à mesa.

– Falei que ia dar tudo certo. — Ivan disse, tocando na mão de Marina.

Notas finais
Eu postei outra fic lá, mas enfim.. não vai interferir nessa aqui, mesmo eu tendo ficado sem estoque porque a outra é pequenina e já está toda escrita e talz, porque não é para estender, eu só queria que a Clara sofresse um tiquinho. :)