Intimacy

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Eu adoro dar esses sustinhos em vocês ahhaahaha. DESCULPA!

Cadu entrou na escola segurando a mão de Ivan.

– Vambora, que a gente tá atrasado, cara. Seu professor vai encher o saco, e você nem está vestido ainda. — Viu Clara com Marina perto da área da luta. Marina estava com a mão em seu ombro. “Pelo menos não estão de mãos dadas.” Pensou. Seria mais uma humilhação.

Clara agora discava freneticamente números no celular, provavelmente o número de Cadu, que ela já havia errado inúmeras vezes devido à tremedeira. Marina estava tão absorvida em tentar ajudar que não reparou ou sentiu olhar que Cadu lançava em sua direção.

Cadu sentindo uma ponta de mágoa, raiva e vergonha que ela estivesse ali, apertou a mão de Ivan. Ivan sentiu e ao olhar para o pai para reclamar, percebeu que ele encarava em frente. Ao seguir seu olhar viu a mãe e Marina.

– Pai. — Já falou naquele tom aplacador. — O senhor prometeu.

– Ela não devia estar aqui. Isso é um evento de família. -Enfatizou.

Ivan soltou sua mão.

– Por favor, não briga. Eu gosto que ela esteja aqui. Ela agora… é… família.

Cadu olhou para ele magoado.

– Por favor. — Ivan disse. — Hoje é importante. Quero toda minha família aqui. Disse e saiu em direção à sua mãe.

– Mãe. — Era Ivan. A cabeça de Clara se virou em direção à voz do seu filho por reflexo e correu para abraçá-lo.

– Meu filho, graças a Deus! — Abraçou forte, sentindo algumas lágrimas escaparem.

Marina suspirou aliviada.

Ivan estranhou — Mãe, num tem nem um dia inteiro que a senhora me viu pela última vez.

Clara riu aliviada. — Mas mãe morre de saudades, né, Ivan? — Abraçou de novo. — Vem cá, cara, você está atrasado, corre. Já está todo mundo lá.

Ivan bateu na mão de Marina cumprimentando — a com um sorriso e correu rumo aos seus amigos. Clara deu um sorrisinho fraco para Cadu, que não correspondeu. Ela e Marina se sentaram numa arquibancada e o viram sentar na oposta. O mais longe possível.

Marina pegou a mão de Clara.

– Viu? Tá tudo bem.

– Graças a Deus. Eu sei.. eu sei que o Cadu não é má pessoa, sabe? Mas ele tava tão magoado esses últimos dias, fez tantas ameaças. Sei que foi tudo na hora da raiva, tudo com muita emoção, mas..

– Mas mãe é mãe. — Marina completou sorrindo e confortando-a.

Clara sorriu para ela e se concentraram nas apresentações.

Chegou a vez de Ivan e as duas sentiram o coração pular no peito.

– Arrasa, meu filho! — Clara gritou. Ivan ouviu, mas não olhou, estava no máximo de sua concentração.

Todos ficaram apreensivos durante toda a luta, comemorando quando Ivan fazia certo, preocupados quando Ivan caía e confusos quando o juiz apitava por qualquer motivo. Marina se dividia entre assistir Ivan, com um orgulho que nem imaginava que sentia, e assistir Clara assistindo o filho, transbordando de amor com o carinho e o orgulho que ela demonstrava.

Mas quando o juiz levantou a mão de Ivan como vencedor, foi uma felicidade só. Marina e Clara se levantaram pulando na arquibancada, gritando e se abraçando.

– Ele ganhou!

– Meu bichinho. Parabéns, meu filho!!

Cadu também vibrava do seu canto, falando pra todos que era seu filho. Durante a comemoração, por um segundo seus olhares se procuraram. Cadu e Clara se olharam felizes, com os olhos brilhando de alegria pela conquista do filho, como se não houvesse nada mal resolvido entre eles. Afinal, era o filho deles ali, ainda eram pais e quem sabe poderiam ser amigos.

Ivan comemorava recebendo sua medalha e olhando para sua família. Viu Clara e Marina muito felizes, olhou para o pai e viu que ele também estava feliz, mas ia em direção às duas. Ivan ficou preocupado, acabou de receber a medalha e correu até eles.

– Pai. — Falou chegando.

– Parabéns, meu filho. — Ele o abraçou, levantando Ivan do chão. — Foi demais.

– Valeu, pai. — Ivan ria. — E.. por favor. — Ivan cochichou, e Cadu se entristeceu que o filho se preocupava tanto que o pai fosse fazer algo de ruim de novo. Não queria deixar essa impressão com ele. Ivan era o que ele tinha de mais importante.

Elas olharam pra Cadu.

– Oi, Cadu. — Clara disse. Ainda transbordando felicidade, com as mãos no ombro de Ivan, apertando e beijando seu rosto. Mas também se posicionou na frente de Marina, como que para protegê-la. Cadu não faria nada ali na frente de todo mundo, mas Clara não queria nem que seu sentimento de raiva a atingisse. Sabia que por mais que ele tivesse mostrado que se comportaria, ele não gostaria nada de ver Marina participando ativamente na vida de seu filho, estando num lugar onde só ‘pais e mães’ estavam.

Cadu olhou para Marina como se Clara não estivesse ali entre os dois.

– Quero falar com você. — Embora não tão agressivo, seu tom ainda não era nada amigável.

– Pode dizer. — Marina saiu de trás de Clara, que pôs a mão em seu braço, parando-a ao seu lado.

Ivan sentia a tensão no ar.

Cadu olhou para o chão, com as mãos nos quadris, pensando no que iria falar.

– Me… — Suspirou e olhou nos olhos da fotógrafa. — Me desculpa.

Todos se surpreenderam e Ivan abriu um grande sorriso. Pegou na mão de seu pai, como que para encorajá-lo.

– Eu não te engulo, não acho que você seja uma boa influência para o meu filho, não suporto nem olhar pra você mais. Mas não devia ter encostado a mão em você. Reconheço o meu erro, eu estava bêbado, perdi a cabeça.. e estou me desculpando por isso. Pelo tapa, apenas. Não acho que eu te deva desculpas pelas minhas palavras. — Falou magoado. — Mas pelo tapa, sim. Mulher nenhuma merece agressão, nem mesmo você. Queria não ter chegado à esse ponto e mais que tudo, queria que meu filho não tivesse visto nada daquilo. — Olhou para Ivan triste. Soltou sua mão e se virou pra sair.

– Cadu. — Marina pôs a mão em seu braço, mas o jeito com que ele olhou para ela fez com ela se afastasse. — Obrigada. Desculpas aceitas.

– Pai? A gente não pode sair pra comemorar? Todo mundo junto?

– Não. — Se virou para o filho. — A gente comemora depois. Só nós dois. — Beijou seu rosto.

Ivan abaixou a cabeça.

– Quem sabe um dia, filho. — Saiu.

Ivan olhou para as duas, ainda meio cabisbaixo, mas sorriu. Já era um grande passo.

– Agora vem cá, menino! — Marina falou.

Ivan correu e abraçou as duas ao mesmo tempo.

– Parabéns!! Acho que você merece um potão de sorvetes e..

– Marina, é horário de almoço. — Clara interrompeu.

Marina e Ivan se viraram pra Clara com aquele olhar pidão.

– Ah, gente.. não. Marina! — Pôs as mãos na cintura. — Não é justo. Os dois, agora?

Fizeram beicinho.

– Ai, meu Deus. Tá bom, tá bom, tá bom. Mas a gente vai comer alguma coisa de sal antes.

– Eba. — Ivan comemorou tocando na mão de Marina.

– E ainda tem a escola, heim, mocinho?

– Ah, mãe!

– Que ‘ah, mãe’, o quê?

Marina riu.

– Sua mãe tá certa. Tem que estudar.