Instituto Forccinari - II
4 O dia em que eu fiquei presa na parede
Notas iniciais
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G
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Em algumas horas a festa começaria e muita coisa ainda faltava para se resolver. É assim todo ano quando a minha turma de “Eventos bruxos” fica responsável pela festa de abertura anual. Sim, isso existe.
O maior problema era quando nós tínhamos que nos encontrar durante as férias na casa de alguém, pois lá não havia o feitiço para que pudéssemos entender a língua de todos. Isso era um pouquinho complicado.
Corro de um canto ao outro, passando por quase todos os lugares do castelo. No meio do caminho de volta ao meu salão comunal, encontro Freya.
— Freya! Tava precisando mesmo falar com você. – Me surpreendo ao encontrar a menina de cabelos longos fora de seu dormitório tão cedo. – Sobre a decoração da festa: Tudo OK?
— Sim, só uma coisa. O Zachary vai fazer o que? Eu sempre que o vejo ele está dormindo no comunal do Sul. – Zachary era um menino que deveria estar ajudando, mas não está fazendo na realidade merda nenhuma. Para a “sorte” de Freya eles eram da mesma casa.
— Acorde ele, não sei, joga um balde d’água na cabeça dele. Você que sabe. Ele ta com a parte dos convites.
Saio andando apressada pois em cerca de cinco horas a festa estaria rolando.
***
— FORCCINARI! – Uma doida da Leste estava em cima de um monte de garotos, os quais passavam as mãos por todo o corpo da menina de cabelos tingidos de rosa. Ela levantava uma taça com alguma bebida, a festa só estava começando e a menina já estava bêbada.
Aquele era um dos maiores eventos do ano, e todos do colégio estavam presentes. Me dava um certo tipo de orgulho ao ver o resultado de tanto esforço. Os painéis verdes claros combinaram perfeitamente com as cortinas lisas brancas quase transparentes.
Em um lado da sala, Elian dava em cima de Anne que tentava sair de perto do grandão o que não dava muito certo, pois ele continuava seguindo-a, derrubando até uma garçonete que levava uma comida muito estranha que nunca tinha visto na vida.
Do outro lado, Henry estava se atacando com Joanne Sanders, da nossa classe de herbologia. Henry tem bom gosto para meninas. Freya estava sentada sozinha em um canto da festa.
— Hey, Freya! Por que você está sozinha aqui? – Pergunto à menina que está vestindo um lindo e longo vestido verde e seus longos cabelos presos em um coque.
— Por nada, só não quero dançar.
— O que? Comigo aqui você vai dançar com certeza.
Pego a mão de Freya e a arrasto para a pista de dança. Tocou todos os tipos de música em tudo que é tipo de idioma. Já estava ficando claro, e nessa altura do campeonato, Freya dançava como doida. Na verdade, só ela ainda tinha forças pra dançar, tanto que a pista estava vazia, com exceção de nós duas. Funk, Forró, Sertanejo, Pop, Rock... Tocou de tudo, e Freya dançou todas. Não conseguia mais acompanhá-la. Me deito no chão e olho para o teto. Estou exausta.
Freya se deita ao meu lado, no chão mesmo.
— Precisamos ir a mais festas juntas.
***
A ressaca tomava conta de toda a escola, e quase ninguém apareceu nas aulas de hoje. Umas dez pessoas pelo que eu contei. Em cada aula.
Ao caminho de minha última aula, sou surpreendida por Freya que me dá um susto.
— Hey, hey, parceira de dança! — Diz a menina em um tom musical — Anne e Henry estão nos esperando na biblioteca. Vamos!
A menina pega minha mão e me arrasta, como ela consegue estar com toda aquela energia?!
Chegamos à biblioteca e encontramos Anne e Henry, os quais estavam vestidos com os uniformes de suas respectivas casas. Ah, não sei se eles te falaram, mas nosso uniforme mudou. Sim, graças a Merlin! Aquele conjunto de amarelo e rosa já estava totalmente fora de moda — meu Deus, falei que nem a Anne agora, me ajudem — e cafona. Agora o uniforme de cada casa era diferente: todas as casas vestiam a mesma camisa preta moletom — sim, você leu direito, moletom na Amazônia, depois que o Professor Lawrence sem querer deixou sua poção congelante cair no chão, a escola virara o pólo norte — e uma calça da cor da sua respectiva casa. Ah, e é claro, em cada camisa moletom há o brasão bordado.
— Oi. — Disse Anne desanimada
— Demoraram. — Complementou Henry com uma voz de drogado.
— Desculpem, eu estava na aula. Mas o que foi dessa vez? — Pergunto aos três que estão parados olhando para minha cara.
— Vamos salvar a avó deles. Pelo menos foi isso o que o Henry me disse. — Freya me respondeu depois de alguns segundos silenciosos.
— Hm... OK. Por onde começamos?
Anne explicou seu plano. Só uma coisa me incomodava: ela queria que nós nos separássemos. Tinha de tudo pra dar merda e alguém não voltar dessa "missão".
— Tem certeza que devemos nos separar? — Pergunto.
— É a forma mais fácil de podermos encontrá-la. Então, você e Henry vão procurar pelo castelo enquanto a Freya me leva de volta naquele lugar. — Esclareceu Anne.
Passamos o resto do dia nos preparando e planejando como tudo seria.
Estava na hora do ataque. Gosto de estar ao lado de Henry. Ele pode ser criação de vez em quando, mas quando é pra fazer algo sério ele faz direito. Além disso, ele é ótimo com feitiços de ataque.
Anne e Freya já partiram e eu e Henry começamos andar pela escola, procurando algo... Diferente. Algumas horas se passaram e nada. Já estávamos no último andar — 8º — quando Henry encosta na parede.
— Não aguento mais ficar subindo e descendo essas escadas. — No mesmo momento a parede fez um barulho, fazendo nós nos afastarmos rapidamente, e por instinto nos escondemos atrás de uma pilastra. Duas pessoas vestidas como os seguidores de Ruphus saíram do buraco aberto na parede.
— Ruphus não gostará disso! — Dizia uma mulher. — Ele vai te matar! E com razão!
A mulher vai embora em um borrão, aparatando, deixando somente o homem encapuzado. Ele anda pelo corredor e some de nossa vista.
O buraco na parede ficara aberto nos deixando talvez uma passagem só de ida para o inferno.
— Bora. — Disse Henry indo na frente.
O lugar era horrível e parecia mais um santuário satânico do que um esconderijo de traidores. Pentagramas estão desenhados nas paredes feitas de pedra, velas de chamas avermelhadas queimavam e, além disso, centenas de fotos do Ruphus estavam espalhadas pelas paredes.
— Mas que merda é essa?! — Pergunto na mesma hora em que nossa saída é fechada automaticamente, nos deixando presos dentro de um buraco na parede.
Tento nos aparatar e nada acontece. Nossa magia parece ser anulada nesse lugar. Estamos presos e não vamos conseguir sair sozinhos.
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