Insignificantemente, você

43 Capítulo quarenta e dois


O tempo continuava nublado e frio. Havia alguns morros de neve no gramado, que se formaram durante a noite gélida. Dentro de casa o clima era outro, a lareira acesa desde o inicio da noite ainda crepitava, esquentando aquele cômodo da casa. A cortina ainda fechada impedia que qualquer resquício de luminosidade entrasse pelo quarto escuro. O cobertor de pele grosso e pesado esquentava seus corpos nus ainda apertados um contra o outro. Draco já estava acordado e fazia movimentos circulatórios no ombro despido de Hermione. Tinha um sorriso bobo no rosto, como se tudo o que passara na noite anterior fosse um sonho de muito tempo que se concretizara. Hermione se mexeu na cama, e balbuciou palavras incompreensíveis.

—‘Dia! —Murmurou com um breve sorriso no rosto.

Draco apertou-a um pouco mais em seus braços e selou seus lábios rapidamente.

—‘Dia. —Enfim respondeu, com um grande sorriso.

Hermione abriu os olhos acastanhados e sorriu-lhe da mesma forma. Nenhuma palavra era proferida, apenas as respirações eram audíveis. Draco percorreu o colo da garota até chegar a sua cicatriz em formato de “X”, percorreu toda extensão do corte.

—Descobri o motivo da dor... —Deixou a frase se sustentar por si só.

Hermione ajeitou-se na cama e o questionou apenas com o olhar.

—Existe um feitiço antigo, magia negra, claro! Inventado por bruxos como Salazar Slytherin que acreditam que bruxos mestiços e nascidos trouxas não devem possuir uma varinha. Acredito que os comensais tenham usado esse feitiço em você, pois foi a única que sentiu dor. Bem, basicamente, uma nascida trouxa como você ou mestiço sente uma forte dor no corte quando usa um feitiço, principalmente se o feitiço é forte. Isso incapacitaria o uso da varinha.

—Que coisa abominável! —Exclamou surpresa. —Mas minha cicatriz parou de arder, o que... Aconteceu, exatamente?

—Acho que quando as varinhas se desligaram dos donos... O feitiço foi quebrado. —Deu de ombros.

Hermione sorriu novamente.

—Esqueça isso, está tudo bem agora.

Draco apertou-a e lhe beijou com calma e precisão, movimentando os lábios em harmonia, num vem e vai ritmado.

—Draco... —Hermione quebrou o beijo. —O que somos exatamente?

—Eu realmente não me importo. —E beijou-a novamente, sem se preocupar com nada. Estando ali, ao lado de Hermione, estava tudo ótimo. Não havia motivos para se preocupar. Amava-a. Simplesmente.

...E principalmente, sem se preocupar com o horário.

A barriga de Hermione roncou de repente, calando aos dois. Sorriu timidamente.

—Vou preparar alguma coisa para comermos... Já volto! —Beijou o rapaz e levantou-se, buscando pelas roupas no chão e sobre a mobília. Já vestira suas roupas intimas, mas não encontrava sua blusa ou a calça.

Draco assoviou. Assim que Hermione se virou agarrou — com o ótimo reflexo — a camisa azul clara do rapaz. Vestiu-a e desceu, puxando a barra para cobrir um pouco mais de suas pernas. Hermione não se demorou na cozinha, voltou ao quarto em poucos minutos trazendo uma bandeja nas mãos.

—Pare aí! —Pediu, assim que a garota cruzou o arco da porta. Olhou-a de cima a baixo com um olhar malicioso. —Você fica ótima assim!

Hermione corou e sentou-se na cama, posicionando a bandeja entre os dois e apanhou um dos copos de suco.

—Você teria gostado mais se eu não estivesse com essa marca no meio da perna! —Reclamou, buscando pelas torradinhas.

Draco puxou a camisa um pouco para cima, observou a cicatriz com cuidado e sorriu. Como se o corte reto que marcava os dois lados da coxa não existisse. Estava intrigado com aquela Hermione que ligava para as cicatrizes que ganhara, preocupava-se como uma adolescente.

—Não ligue para isso, é algo que te deixa ainda mais adulta. São marcas da vida e de tudo que você enfrentou. Cada cicatriz — e tocou cada uma das marcas, inclusive os dizeres “sangue-ruim”, com os dedos. — conta uma história diferente. Fora que você fica linda com ou sem cicatrizes!

Hermione sorriu agradecida e continuou a mastigar a torradinha extremamente crocante.

Não passaram muito mais tempo juntos, Hermione alegou que deveria explicar-se com os Weasley do porquê de não ter aparecido para o almoço feito para o mais novo Potter. Nem sequer passou em casa, aparatou próximo à casinha de tijolos onde guardavam as vassouras e seguiu caminhando até a porta da cozinha. Deu três batidas de leve e logo Molly de cabelos variantes entre o ruivo e o branco apareceu sorridente.

—Oh, Hermione. Entre querida, entre! —A senhorinha abraçou-a com força, e em seguida repreendeu-a por ter faltado ao almoço que fora, pelas palavras de Molly, um verdadeiro banquete.

—Eu realmente perdi a hora, sabe... Tive um compromisso ontem à noite e foi até tarde. —Corou no fim da frase, quando as cenas da noite passada passaram por sua cabeça. Draco abraçando-a com força a ponto de fazê-la enrolar suas pernas na cintura do loiro. De toda a calma do rapaz tirando suas roupas, peça por peça, delicadamente. O arrepio que lhe tomou conta quando os dedos frios do rapaz passaram por toda a extensão de seu corpo. Seus corpos unidos...

—Mione? —Gina a chamava, com uma expressão preocupada e ao mesmo tempo divertida. Hermione piscou. —Ela está devaneando!

A garota então percebeu que Harry e Rony a encaravam.

—Perdoem-me! —Corou ainda mais e abraçou os amigos. —Cadê o James?

Gina apontou para o andar de cima.

—Dormindo, não se preocupe. Fleur está fazendo Victoire dormir também. Sabe, ela tem o humor da mãe quando quebra uma unha! —Cochichou com Hermione, e riu. —Mas então dona Hermione, que compromisso é esse que foi até tarde? Só pode ter sido algo realmente cansativo para te fazer perder o almoço!

Hermione não respondeu de imediato, tentava ignorar o olhar de Harry e Rony para cima dela. Deu de ombros e quando foi responder com qualquer desculpa tola, a ruiva gritou animada:

—Você teve um encontro!

—Gina! —Soltou um guincho irritado. Harry ria enquanto Rony tinha as orelhas vermelhas. —Como você...?

Gina sorriu e Harry abraçou-a pela cintura. Caminhavam pelo jardim coberto de neve.

—Para começar você nem percebeu quando minha mãe saiu da cozinha, fora que você estava extremamente vermelha... E ainda está! Junte as peças, você teve um encontro e dormiu com o... —Gina encarou-a. — Com quem você saiu e dormiu? Como foi?

—Gina! Por favor... —Suplicou. Não conseguia imaginar mais um tom de vermelho para estampar seu rosto.

—Ah, qual é Mione. Somos adultas! —Afirmou. —E já estava na hora de você sair com alguém. Agora me diga, quem é?

Hermione ignorou a pergunta e seguiu caminhando ao lado de um Rony silencioso e envergonhado com o assunto. Mas por um momento, sua voz se fez presente:

—É o Nott?

Notas finais
Agradeço todos que comentaram. Enfim, até o próximo!