Insignificantemente, você

44 Capítulo quarenta e três


Depois de Hermione afirmar quarenta e poucas vezes que não saíra e muito menos passara a noite com Nott, Gina finalmente deixou-a em paz. Harry percebeu que a cabeça da amiga andava longe e com frequência sorria sem motivo algum, quando Gina e Rony se afastaram para conversar com George que mostrava a todos sua mais nova criação, Harry enlaçou o braço de Hermione e carregou-a para o outro lado da sala. Pararam ao lado da árvore da Natal que em breve estaria cheia de embrulhos.

—O que está acontecendo? —Perguntou e Hermione apenas deu de ombros. Vendo que não receberia resposta, Harry continuou. —Com quem você se encontrou?

Hermione tentou até mesmo desconversar, mas Harry conhecia-a muito bem para acreditar que fora com um rapaz trouxa, como a garota dissera.

—Um trouxa? Em Hogsmeade? —Hermione engoliu em seco e Harry cruzou os braços e sorriu desafiador. —Foi com o Malfoy, não foi?

Hermione até abriu a boca para negar com veemência que jamais mentiria a esse ponto, mas desistiu e assentiu. Contrariada. Enquanto Harry exibia os dentes brancos em triunfo.

—Sabia! —Exclamou animado. —Não preciso e nem quero perguntar como foi, porque só pela sua cara eu já sei a resposta. Mas vou logo avisando, tome cuidado com ele, não queremos que o sexto ano se repita.

Hermione sorriu apenas.

—Estamos indo com calma dessa vez, Harry. Não se preocupe!

—E você dormir na casa dele no primeiro encontro é ir com calma? —Perguntou sem vergonha alguma, ajeitando os óculos na ponta do nariz.

—Como sabe que eu...?—Um forte rubor subira pelo rosto de Hermione.

—Passei na sua casa hoje cedo, mas você não estava. É como somar um mais um! —Harry ria.

Voltaram a caminhar pela sala.

—Como soube que era o Draco, poderia ser qualquer outra pessoa! —O rapaz sorriu-lhe, como se não precisasse pensar muito na resposta. Ou como Hermione o olhava como se a resposta de algum trabalho estivesse dançando de tutu rosa na frente de seu rosto.

—Você não gosta do Nott. Acredite, da pra ver no seu rosto! —Riu-se. —E você não sorriria assim por ter dormido com alguém no primeiro encontro. Você nem sequer dormiria com alguém no primeiro encontro.

—Sou tão séria assim? —Produziu uma careta.

—Claro que é! Ainda não me disse com quem saiu! —Gina aproximava-se, com James no colo. —Quer pegá-lo?

No primeiro momento Hermione hesitou, mas a mão de Harry em suas costas lhe confortou. Sorriu e aproximou-se de Gina, esticando os braços para segurar o bebê. No inicio sentiu-se desajeitada, mas Gina lhe auxiliou. Até que James descansava quietinho em seu colo.

—Veja só, ele dormiu! —Rony disse alto, quase acordando o pequeno Potter.

Todos observavam Hermione que balançava os braços gentilmente, ninando o pequeno embrulho em seus braços.

A porta da cozinha bateu.

Hermione olhou para o recém-chegado, a capa de viagem acumulara muito dos flocos de neve que caíram durante a hora que passara.

—O que faz aqui? —Perguntou com um breve sorriso.

Todos olharam para Draco que estava desconcertado com a cena.

—Recebi uma coruja ontem à noite, só fui vê-la depois que vo... Que voou para o meu quarto. —Tossiu disfarçadamente. —Vim o mais rápido que pude. A propósito, agradeço pelo convite Gina!

A ruiva sorriu e ignorou o olhar de repreensão de Rony.

—Não precisa agradecer, você veio quando Hermione precisou, foi o mínimo que eu pode fazer!

Draco assentiu e a família se dispersou, com outros assuntos e conversas que desviavam os olhares curiosos. Fleur cochichava algo com Molly e recebia olhares indignados. Draco aproximou-se de Hermione que estava sozinha com Harry que logo foi atrás da esposa.

—Você leva jeito! —Disse sem jeito, sem saber como se portar perto da garota com todos aqueles ouvidos espreitando-os. —Já pensou nesse assunto alguma vez?

Hermione corou, pois sabia que Molly ou qualquer outro Weasley fariam comentários invasivos e constrangedores.

—Eer... Vamos jogar? Sinto falta dos jogos. —Convidou aos Weasley que assentiram, mesmo sobre protestos de Molly que os mandava vestir alguma coisa mais quente. Gina ficaria de fora, para cuidar de James, mas apenas porque sua mãe e Fleur a proibiram de subir em uma vassoura antes de o recém-nascido completar três meses.

As vassouras eram velhas e lentas, mas para o espaço que a Toca cedia, serviam perfeitamente. Gui e George entraram no jogo, Carlinhos voltara para a Romênia logo após Hermione chegar. Ficaram então separados então no primeiro time Harry, Hermione e George. No segundo: Gui, Draco e Rony. Estavam equilibrados e jogavam sem pressão alguma. O vento estava, como dissera Molly: de congelar os dedos, mas ninguém ligava ou parecia ligar. O importante era a goles pesada que passava de mão em mão, Hermione agarrou-se ao cabo da vassoura e lançou-a com a mão livre. Mas Draco foi mais rápido, capturou-a e lançou para Rony.

—Você tem que ser mais rápida, Granger! —Disse, da mesma forma que atrapalhava Harry durante os jogos.

—Assim? —Perguntou quando Gui lançou a ­goles para Draco. Mais rápida, cortou a frente do loiro e segurou a bola com as duas mãos, mas por falta de equilíbrio caiu da vassoura. Para sorte e alivio dos demais, a neve estava tão acumulada naquela parte do jardim que Hermione afundou no morro branco e gélido.

A garota ainda abraçava a goles, mas levantou-se gargalhando da própria queda, coberta de neve. Gui foi o primeiro a desmontar da vassoura e ajudar Hermione a se levantar, sacudiu os cabelos ondulados da garota, tentando afastar toda a neve.

—Você pode soltar a goles agora, Hermione! —Ria com a garota.

—Você está bem? —Rony carregava duas vassouras, uma delas sendo a de Hermione.

Hermione limpou uma lágrima, devido às risadas constantes.

—Estou ótima!

Draco acompanhava Harry, ambos encaravam-na como se fosse louca. George ria junto de Gui.

—Agora sei o porquê de sempre te ver longe das vassouras! —O gêmeo, agora único, ainda sorria. —Você é pirada...

—Vamos para dentro, preciso contar isso para Gina! —Harry disse, andando na frente de qualquer outro.

Draco demorou-se para conseguir falar com a garota.

—Você está bem? Mesmo? —Procurava por algum sinal de vermelhidão. Mas não encontrou nada nas extremidades despidas, ou seja, o rosto.

—Draco eu estou bem, nem foi tão alto! —Resmungou, massageando imperceptivelmente as nádegas. Ainda ria baixinho e percebeu que o rapaz controlava-se para não fazer o mesmo. —Rony e eu pensávamos em ter um filho e nas possibilidades para os nomes. Mas claramente, não deu certo.

Draco não entendera a mudança repentina de assunto.

—Você queria saber. —Draco pareceu não entender o motivo da demora. Hermione continuou. —Como éramos mais jovens, Molly nos daria um sermão por pensar nisso tão cedo. Entraríamos em assuntos constrangedores!

E ambos coraram, mas dessa vez, fora pelo vento frio que balançou seus cabelos e casacos pesados.

Notas finais
Espero que gostem e até muito breve. Aguardem o "Papai Noel"...