Inside
23 Revanches curtas, crianças e garotos complicados..
Notas iniciais
Na manhã seguinte, quem reinava era a calmaria.
Nada parecia fora do comum, nada parecia fora do lugar.
Naruto ainda dormia tranquilamente; ele não tivera nenhum pesadelo. Já Kiba e Minato haviam acordado mais cedo, e ambos estavam tomando seu café da manhã e conversando.
– A Kushina bancou a santa, mas acabou envenenando meu relacionamento com a Mei! – Contava o loiro, indignado. – Ela encontrou com aquela maldita ruiva em um café, e então Kushina disse que queria apenas conversar em paz! Vadia fingida, ela queria arrumar uma oportunidade de chutar minha bunda e me arrumar problema, e adivinha só: ela conseguiu! – Falava em tom de voz alterado, sob o olhar atencioso de Kiba que comia um sanduíche. – Eu ainda não pedi Mei em namoro oficialmente, e justo por isso, Kushina fez questão de contar como eu a pedi em namoro, isso depois de apenas um mês nos relacionando.
– É, Minato-san, você terá problemas. – Afirmou Kiba, lamentando pelo mais velho. – O que Mei fez depois de disso?
– Foi até o meu escritório. Eu estava conversando com Sasuke e ela entrou lá, me encheu de indiretas e depois quando eu pedi se ela estava irritada, berrou comigo como uma louca. – Levou a mão direita à uma das têmporas. – Fez um escândalo e Sasuke precisou acalmá-la. Nisso apareceu Itachi, queria fazer uma visita amigável, mas não deu muito certo. E como se não bastasse, iria me atrasar para buscar o Naruto, mas Itachi se ofereceu para isso. – Relatava o mais velho. Parecia que o Minato estava em uma consulta psicológica com Kiba. – E agora não sei o que fazer.
– Apenas espere, Minato-san. Dê um tempo para ela. Você sabe como Mei é sentimental e tem um humor bem instável. Provavelmente só estava estressada. Logo tudo volta ao normal. – Kiba tentava acalmá-lo. – Mas recomendo que pense em um jeito legal de pedir ela em namoro, muito mais legal do que foi com sua ex-mulher. Caso contrário você já deve imaginar o que vai acontecer! Eu gosto do senhor, e não quero ir ao seu velório! – Riu, prontamente acompanhado por Minato.
– Eu sei que preciso dar um jeito nisso; eu já venho pensando nisso faz um tempo, mas nada de bom me vem à mente. – Lamentou-se. – Eu sou ainda sou jovem pra morrer!
– Se não conseguir pensar em nada, saiba que músicas sempre são uma boa pedida. – Aconselhou o mais novo. – Faça algo romântico, com uma música bacana de acompanhamento. Você vai conseguir fazer algo legal, Minato-san, eu sei disso.
– Tenho que pensar bem nisso. Muito obrigado, Kiba! Eu deveria conversar mais vezes com você. – O loiro ergueu sua xícara de café em um brinde mudo. – Mas e você, para aconselhar tão bem sua vida amorosa deve estar ótima! – Minato brincou.
– Nem tanto, na verdade. – Ele respondeu um tanto abatido. – Eu tenho estado bem confuso ultimamente, para falar a verdade. Eu tenho pensado em mil coisas; não sei o que fazer, sabe...
– Se precisar conversar, saiba que seu pai postiço está sempre à disposição! – Minato sorriu para o mais novo, tentado fazer com que aquela aparência triste sumisse. E funcionou. – O que te aflige?
– Eu queria muito conversar, mesmo, mas nem eu sei direito o que me deixou assim... – Murmurou. – Mas obrigado por se preocupar comigo. Por indiretamente assumir um papel muito importante para mim. Eu lhe considero um pai, de verdade! – Sorriu para o mais velho. Minato gostou de ouvir isso.
– Você é um ótimo garoto. Te amo como um filho também. – Afagou a cabeça de um Kiba sorridente. – Você me ajudou com a Mei naquela vez, você cuida do Naruto para mim... – Minato parou subitamente, como se lembrasse de algo importante. – E por falar em Naruto, Sasuke me ligou antes e disse que. por conta dos acontecimentos de ontem, Naruto está com o emocional bem abalado, e isso inclui mudanças bruscas de humor. Ele está instável.
– E você está contando isso para que eu fique de olho para que o Naruto não faça nenhuma bobagem. – Ditou como uma constatação.
– Também, mas principalmente para que você se proteja. – Fez uma careta, rindo logo após. – Naruto já é manhoso normalmente, imagine um Naruto de TPM. – Kiba deu uma gargalhada alta. – E também, quando ele se irrita, tudo o que se pode fazer é sair da frente. Até queria que ele ficasse em casa hoje, mas duvido que ele me ouça.
–Nem perca tempo pedindo para ele. Hoje tem jogo de queimado, e pelo que Gaara contou, Naruto não perderia por nada.
–Eu não gosto que ele participe desses jogos. – O loiro maior estava visivelmente preocupado. – Eu me lembro todos os dias do que houve da ultima vez; não quero que ocorra de novo.
– Não vai acontecer. – Ditou o moreninho de forma firme. – Os reflexos dele melhoraram bastante; ele não é mais tão indefeso. E mais, eu não vou permitir que nada ruim aconteça com ele. Não se preocupe. – Sorriu para aquele que era sua figura paterna, que prontamente lhe devolveu o gesto.
O moreninho passou a maior parte da vida sem um pai; um modelo de homem a seguir. Minato era seu norte; o exemplo de homem que queria se tornar.
– Bom dia, hienas. – Saudou uma voz sonolenta de um garoto também sonolento, que adentrou o cômodo andando de forma... Sonolenta. – Poderiam rir um pouco mais baixo da próxima vez. – Resmungou. Kiba e Minato apenas se entreolharam e riram baixo.
– Desculpe-nos. Nos empolgamos um pouco. – Falou Kiba, sem receber resposta do loirinho mal-humorado.
– Eu ofereceria carona a vocês, mas já estou atrasado, e também estou de saída. Jaa ne! – Despediu-se o mais velho, desejando boa sorte para Kiba.
O loirinho tomou seu café da manhã, trocando poucas palavras com o moreno. Vestiu seu uniforme, arrumou sua mochila e saiu rumo à escola, na companhia de Kiba. No caminho, o loiro já parecia um pouco menos irritadiço e já estava mais falante.
– Você vai jogar na educação física hoje? – Perguntou o moreno, tentando iniciar um novo assunto.
– Não é óbvio? – Retrucou irônico.
– Ei, baixa tua bolinha, loiro! – Repreendeu o maior. – Eu não te fiz nada, não preciso ficar ouvindo desaforos de um velho resmungão! – Sua paciência também andava curta. – Você está muito irritadinho pro meu gosto!
– E o que me recomenda, PhD em gentileza, Inuzuka Kiba? – Bombardeou-o com escárnio, fazendo o moreno franzir o cenho.
– Sexo! – Berrou. – Sexo, receber sexo oral ou até mesmo masturbação. – Gritava alto, fazendo o loiro passar vergonha, enquanto as pessoas na rua o fitavam com estranheza. – Eu poderia te ajudar nos três quesitos, mas você é um menino malvado e não vai ganhar nada. – Falou mais baixo, dando de ombros.
– Você é um pervertido! – Ralhou, abaixando a cabeça e fazendo um movimento de negação.
– Depende da situação! – Retrucou Kiba, agarrando a cabeça do loiro de forma desajeitada e dando um beijo molhado em sua bochecha em seguida, para depois sair correndo do loiro furioso que o perseguia, gritando coisas que o maior nem fez questão de entender.
Só pararam quando estavam na porta da escola, onde Gaara os esperava. O loirinho alcançou Kiba e deu-lhe um tapa estalado na nuca, recebendo resmungos como resposta. O ruivo não entendeu nada, então só pode rir naquela situação.
– Bom dia para vocês, crianças. – Saudou o ruivo zombeteiro, recebendo uma saudação mal humorada do Inuzuka e um olhar mortal do Uzumaki. – Acho melhor entrarmos antes que a coleira de Naruto arrebente e ele avance nas pessoas. – Brincou. Kiba gargalhou, mas o loiro apenas fez uma careta e atravessou os grandes portões.
Os outros dois foram logo em seguida, aproveitando o tempo para esclarecerem o motivo da irritação toda do terceiro.
Não encontraram Neji e seu grupo pelo caminho. Provavelmente eles só viriam a tempo da educação física.
A primeira aula foi tediosa. Era matemática. Kiba estava entendendo os princípios básicos do conteúdo, então não se dera o trabalho de fazer os exercícios passados.
Naruto estava descontando sua fúria no caderno. Parecia uma máquina escrevendo. Gaara estava longe. Seus pensamentos iam até a Lua e voltavam. Fitava a paisagem pela janela pensando em certa pessoa. O professor não gostou de ver o ruivo distante e esse irritou.
– Sabaku! – Chamou em um grito, fazendo ele e todos na sala assustarem. – Qual o resultado da equação que eu acabei de passar? – Fitou o ruivo com um olhar desafiador e provocador. Gaara olhou para a lousa em silêncio. – Viu? É por isso que... – O professor se preparava para dar uma lição de moral, mas foi cortado pelo ruivo.
– Três e cinco. – Disse pausadamente, com descaso.
– Como? – Indagou o professor, completamente confuso.
– Três e cinco. – Repetiu. – Os dois resultados da equação; três e cinco.
– Você está de brincadeira com a minha cara? – Inquiriu furioso. – Acha o que? Que sou palhaço?
– De jeito nenhum. Apenas resolva a equação e verá que estou falando sério.. – Respondia com toda a calma do mundo.
O professor, que já estava sem paciência, pegou o giz e foi até a lousa, resolvendo silenciosamente a conta. Só se ouvia o barulho do giz batendo no quadro dentro daquela sala.
Alguns minutos depois, por conta da complexidade do cálculo, o professor parou de escrever por um instante. Estava surpreso, pois o “x” e o “y” do cálculo resultavam exatamente em três e cinco.
– Belo palpite, garoto. – Murmurou o mais velho, engolindo sua raiva.
– Não foi um palpite. – Rebateu categoricamente.
– Quer que eu acredite que você fez o cálculo de cabeça?
– Não quero que acredite em nada. – Respondeu ríspido, sob os olhares atentos do professor e de seus amigos. – Eu fiz, assim como fiz os cálculos das demais equações no quadro e posso lhe dar todas as respostas, se quiser. – Sorriu com deboche, desafiando-o.
– Já chega, cai fora da sala! – Gritou, apontando para a porta da mesma.
– Estou sendo expulso da sala por ser mais inteligente que você? –Alfinetou. Na hora pôde-se ouvir o clássico coro de “uuuh” ao fundo, o que fez o professor se irritar mais ainda. – Eu saio, com prazer. Não quero que meu Q.I. caia. – Respondeu com grosseria, deixando a sala e fechando a porta num estrondo. – Tenha um ótimo dia! Se precisar de algumas aulas, me procure!
Loiro e moreno se entreolharam, como se um perguntasse ao outro o que havia acontecido ali. Ninguém entendera absolutamente nada.
A aula seguiu tensa e silenciosa, até que o sinal bateu, indicando que a educação física começara. Todos saíram apressados rumo ao ginásio da escola.
Loiro e moreno, no caminho, encontraram com Gaara, que tinha uma feição totalmente inexpressiva. Ele não falou nada sobre o acontecido. Na verdade, para ele, era como se não tivesse acontecido nada.
Naruto, que estava mais calmo, aproveitou para pedir desculpas pelo seu comportamento infantil. Na verdade, o loirinho agia como se nada tivesse acontecido também, como se tudo estivesse bem. E talvez estivesse mesmo. É incrível como ele se recupera rápido de qualquer coisa. Kiba estava perdido no meio dos amigos bipolares.
Chegaram ao ginásio um pouco atrasados. Garotos e garotas já estavam na quadra se alongando e aquecendo, entre estes, Neji e seus amigos de índole totalmente questionáveis.
Foram rapidamente até o vestiário, onde puseram seus shorts, tênis esportivos e camisetas mais largas e de manga curta.
Kiba e Naruto foram se aquecer também, seguidos de Gaara, que havia ido conversar como professor. Iria trocar de time, saindo do de Neji e indo para o de Naruto.
Durante o aquecimento, Uzumaki e Hyuuga só sabiam se encarar. Naruto não tinha mais medo dele, bem pelo contrário, o loiro chegava a ser intimidador para o garoto dos olhos perolados. Não que ele fosse admitir.
– Naruto! – Chamou o Gai. – Você tem certeza que vai participar? –Indagou temeroso. – Não queremos problemas, como da última vez.
– Vou sim! Com certeza vou. Não precisa se preocupar. – Respondeu confiante.
– Você está muito confiante para quem foi parar no hospital da última vez. – Comentou Neji, com deboche.
– Fica na sua, Hyuuga! – Repreendeu o professor.
– Eu só comentei! – Retrucou, erguendo as mãos em rendição.
– Não se preocupe Neji. – Rebateu o loiro. – Não vai acontecer de novo. –Novamente respondeu com confiança, recebendo um olhar de escárnio de Neji. – Pelo menos não comigo. – Deu-lhe ainda uma piscadela.
E mais uma vez, os times se posicionaram, apenas esperando ouvir o apito que daria início ao pandemônio.
Naruto tirou os óculos e os substituiu por lentes, para evitar algum acidente. Voltou para quadra correndo e se posicionou, entrando no clima de tensão. Ela era tão densa que poderia ser cortada com uma faca.
Na verdade, se ficasse totalmente em silêncio, mas bem quieto mesmo, não seria de se duvidar que, bem ao fundo, fosse possível ouvir William Tell Overture.
O som estridente do apito soou, dando início a correria e gritaria. As bolas voando, os gritos histéricos, o barulho dos tênis atritando com o piso emborrachado, a correria para desviar dos projéteis que voavam sem um rumo fixo.
Tudo chegava a ser nostálgico.
Naruto estava muito empolgado. Da última vez fora pego de surpresa, mas desta vez, não seria atingido por nenhuma das bolas lançadas contra ele. Fora uma promessa que fez a si mesmo. E estava indo muito bem em cumpri-la. Simplesmente nada o atingia.
Neji estava ficando irritado, pois nada que lançava contra o loirinho parecia ameaça-lo. O loiro saltava, se abaixava, se esquivava, se torcia, jogava-se no chão, corria... Parecia um felino!
Um sorriso desafiador estampava seu rosto. O loiro não ficara só na defensiva, também deu os seus botes. Caçou um belo número de adversário e surpreendeu a todos.
Ao final de longos minutos, a partida foi dada como encerrada quando o último membro do time de Neji fora aniquilado por Gaara. Este último membro era o próprio Neji.
O time do de olhos perolados fora aniquilado sem piedade pelo trio implacável dos garotos de cabelos coloridos. Eles estampavam largos sorrisos vitoriosos que tiravam a paciência de Neji. Ele era um mal perdedor, além de tudo.
Quando os garotos do time vitorioso se dirigiam ao vestiário, o garoto de cabelos compridos, munido de toda sua raiva, ameaçou avançar nos garotos que estraçalhava, sua paciência, mas foi impedido por seus amigos. É sempre um deleite para os campeões ver o surto daqueles que não sabem perder. Desta vez não foi diferente.
Após alguns minutos no vestiário, o trio saiu rindo e comentando sobre a partida. Das arquibancadas, um garoto de olhos perolados os encarava com um olhar mortal, mas era prontamente ignorado. Neji estava inconformado. Queria bater naquele trio de convencidos, mas sabia que não conseguiria, nem com a ajuda de seus amigos.
Dos três, o que menos temia era Naruto. E o que mais temia não era o moreno musculoso, mas sim Gaara. Só discutia com o ruivo quando estava irritado e já não mais raciocinava direito. Enquanto ainda conseguisse pensar claramente, sabia que o ruivo não era alguém para querer puxar briga.
Aquele dia que agarrou o ruivo pela gola da camisa, quando parou para pensar, se arrependeu e muito. O ruivo era mais perigoso que aparentava. Ele tinha um botão, que de modo algum Neji queria acionar
Após todo o ocorrido, o restante da aula seguiu o mais normal e tedosa possível. O Hyuuga estava calado. Sua expressão era vazia, mas seus olhos estavam carregados de raiva.
No final daquele dia de aula, Naruto acabou indo para casa sozinho, pois Kiba e Gaara já tinham planos. Seria o dia em que iriam ao hospital. Mas o loirinho não queria passar o dia só, então fez algo que não fazia há muito tempo: foi até o escritório de seu pai, passar um tempo com o mais velho.
O ruivo e o moreno andavam rumo ao centro de saúde. Kiba explicava direitinho como funcionava tudo por lá.
Contou ao ruivo que um grupo de voluntários se revezava e ia visitar as crianças que estavam no hospital em um dia marcado. Não só pessoas, mas cachorros também, como Akamaru.
Os cães ajudavam no tratamento, divertindo e fazendo companhia aos pequenos. Assim como os humanos, os cães brincavam e divertiam os doentes, fazendo-os mais felizes e também os fazendo esquecer um pouco de seus problemas, tornando mais fácil o processo de tratamento. Muitas das crianças e também idosos não sairiam do hospital com vida, mas com certeza partiriam com alguma alegria.
Em um ritmo de conversas gostosas os dois garotos chegaram ao hospital; o mesmo em que Naruto fora atendido após o incidente no jogo de queimado.
Foram até a recepção, onde Kiba conversou com uma mulher e explicou-lhe a situação. Disse que o ruivo gostaria de acompanhar o grupo de voluntários para ver como funcionava e conhecer as crianças. A mulher relutou um pouco, mas aprovou a presença do ruivo.
O moreninho guiou Gaara até uma antessala, onde deviam lavar bem as mãos e também o rosto, para evitar levar algum tipo de microrganismo que pudesse causar doenças mais graves e piorar o estado de saúde dos pequenos. Era apenas o protocolo, pois naquele dia não haveria nenhuma criança com problemas imunológicos sérios, pois o dia fora tirado apenas para fazer-lhes exames. Isso significava que não precisariam usar máscaras.
Gaara foi apresentado ao restante do grupo selecionado para aquele dia. Não era muita gente, apenas algumas garotas que descaradamente davam em cima de Kiba, esfregando-se e elogiando o moreno em excesso, o que causava embrulho no estômago do ruivo. Em qualquer um que olhasse de fora, na verdade.
Assim que o moreno empolgado abriu a porta, que dava para a ampla e colorida sala onde as crianças brincavam, todos se depararam com pequenos que riam e corriam por todo o local, se divertindo como se suas doenças fossem apenas detalhes.
Não só crianças, mas algumas enfermeiras e diversos animais também corriam por lá. Era um lugar onde a tristeza e as preocupações aparentemente não existiam. E quando as crianças viram Kiba, não hesitaram e correr para cima do moreno, abraçando-o e puxando-o sob gritos escandalosos.
Poderiam haver diversos voluntários, mas parecia que Kiba tinha seu charme entre os pequenos.
– Ei, vão com calma, pirralhos! – Gritou, em meio aos risos que era forçado a dar pelas cócegas que os pequenos, consciente e inconscientemente, faziam nele.
Gaara observava a cena divertida, assim como as outras garotas, mas estas já estavam acostumadas.
– Trouxe doces para nós, Kiba-nii? – Gritou uma das garotinhas que esperava ansiosa a vinda de Kiba.
– Mas é claro! – Respondeu Kiba, abrindo um largo sorriso quando ouviu os gritos e viu os pulos de comemoração dos menores. – Mas antes, quero que vocês conheçam alguém muito especial. – Ditou, fazendo os pequenos prestarem atenção em si, e logo mais, na porta, onde apareceu um belo ruivo de olhos claríssimos. – Pessoal, esse é o Gaara! Ele pode ter essa cara de malvado, mas é meu amigo, e garanto que é gente boa! Então, sejam legais com ele! – Sorriu para os baixinhos, e em seguida, para Gaara, que em pouco tempo estava cercado de crianças eufóricas.
Kiba gargalhava ao ver o ruivo ser puxado e repuxado, e gargalhava ainda mais com a falta de jeito do amigo.
O moreno, com muita dificuldade devido à penca de crianças ao seu redor, foi até uma mesa alta que havia na sala e pôs sua mochila da escola em cima da mesma. Abriu a mesma e a virou de ponta-cabeça, fazendo as diversas embalagens de guloseimas caírem sobre a madeira plana da mesa, cercada por pequenas criaturas eufóricas.
Pouco a pouco, foi distribuindo as dezenas e mais dezenas de balas, pirulitos, chocolates e chicletes aos seus pequenos amigos. Sabia o quão ruim comida de hospital poderia ser então também sabia que aquele monte de bobagens fazia a felicidade dos pequenos.
– De onde você tira tanta coisa, Willy Wonka? – Perguntou Gaara, que trazia uma pequena menina no colo. Era uma cena bonita e inusitada.
– Eu compro, ué. – Respondeu sorridente. – Sempre guardei dinheiro pra isso. Agora que ganho salário é bem mais fácil. – Contou com descaso, desembrulhando dos pirulitos, pondo um na boca da menina e outro na do ruivo.
– Você não cansa de me surpreender. E é sempre positivamente. – Comentou o ruivo com voz estranha por conta do pirulito em sua boca.
O moreno corou e riu sem jeito, coçando a nuca, para depois correr e se misturar aos pequenos e juntar-se a eles em qualquer tipo de brincadeira boba. Gaara sorria como um bobo vendo o amigo.
Com o passar do tempo, o ruivo já estava enturmado; os pequenos chegavam até a brigar por sua atenção. Kiba estava no canto oposto da sala, conversando com algumas das outras voluntárias; lê-se quase sendo estuprado pelas mesmas.
Isso incomodava Gaara.
Ele podia apostar que quando o amigo não era relativamente famoso, elas mal o olhavam. Ou olhavam, afinal ele era bonito...
O ruivo saiu de seus devaneios raivosos quando ouviu um choro baixinho, vindo de uma menina que estava sentada emburrada em um canto. Ela não tinha os cabelos, e usava um lenço florido na cabeça. O ruivo curioso e preocupado e curioso se aproximou.
– Ei, uma menina linda assim não devia chorar. – Sorriu para a menor, que tentava secar suas lágrimas. – O que houve? – Indagou o garoto de olhos claros, abaixando-se a frente da menininha.
Ela não respondeu com palavras, apenas apontou para um canto da sala, onde outra menina de cabelos longos, usando uma coroa de plástico na cabeça, brincava com um garotinho sorridente, que usava um adorno semelhante em sua cabecinha repleta de fios escuros.
– Eu devia ser a princesa... – Choramingou. – E ele devia ser meu príncipe! – Cruzou seus bracinhos e voltou a derramar lágrimas sentidas de seus olhos.
Gaara deu um pequeno sorriso. Outra que tinha ciúmes de algo que nem lhe pertencia...
– Acredite em mim, eu te entendo... – Murmurou, olhando o moreno de relance. Kiba parecia não enxergar mais nada ao seu redor enquanto conversava com as moças. – Mas eu posso ser seu príncipe, se quiser! – Ofertou, vendo a pequena lhe olhar com uma expressão contente e acenar positivamente com a cabeça. – E eu te garanto que aquele príncipe não sabe fazer isso... – Falou convencido, mostrando as mãos vazias para a pequena, que lhe fitava curiosa.
Após um movimento rápido das mãos grandes e brancas, Gaara “fez surgir” uma flor. Uma rosa de plástico que fez a felicidade da garotinha. O ruivo tinha seus truques. Um de seus hobbies era mágica. A menininha deu um abraço apertado no ruivo, e foi correndo se gabar da flor que recebera de seu príncipe.
– Você sempre anda com rosas na manga, Romeu? – O moreno se aproximou sem que o outro percebesse, sentando-se um pouco afastado de onde o amigo estava sentado, no chão mesmo.
– E quem disse que eu a tinha na manga? – Indagou. – Eu sou um mágico, apenas usei meus poderes. – Ditou um tanto ríspido e irônico. Kiba o olhou ladino e nada respondeu, sentindo o azedume do ruivo.
Outra garotinha veio saltitante e jogou-se no colo de Kiba, abraçando o maior. Ela fitou Gaara com seus olhinhos arregalados, como se o admirasse. Quando o ruivo lhe devolveu olhar, com seus olhos turquesa, a menininha corou e escondeu o rosto no pescoço de Kiba.
Porém, isso fez um meio sorriso brotar na face do ruivo, que se desfez ao ver a menina sussurrando algo no ouvido do moreno, enquanto os dois fitavam Gaara descaradamente. O ruivo não gostava de ficar curioso.
– É... são mesmo. – Respondeu Kiba à menina, ainda fitando o ruivo, e também soltando uma risadinha. – É verdade mesmo, e muito! – E mais uma risadinha.
– O que tanto falam sobre mim, posso saber? – Inquiriu o ruivo, visivelmente incomodado, sendo prontamente ignorado.
A menina voltou a sussurrar para Kiba.
– Você acha isso? – Perguntou olhando nos olhos da garotinha, um tanto assustado, e depois fitando o ruivo. A pequena acenou positivamente com a cabeça. – Seria legal, não seria? – E a menina novamente acenou.
Gaara bufou.
E então, outro sussurro. Mas este não causou “risinhos” em Kiba, mas o fez ficar sério e fitar Gaara. A parte do sério não durou muito tempo, pois Kiba abriu um largo sorriso
– Sim. – Foi só o que ele disse.
A menininha serelepe saiu correndo de volta para as suas amiguinhas, e parecia contar-lhes algo, pois estava bem animada e gesticulando.
– Você tá mordido por que uma garotinha e eu estávamos cochichando sobre você? – Perguntou Kiba, vendo a cara emburrada do amigo.
O moreno percebera a hostilidade do outro, pois ela praticamente vazava de seus poros.
– Não estou mordido coisa nenhuma, Kiba. – Resmungou em resposta, revirando os olhos.
– Se você quiser te conto o que falamos... – Murmurou o moreno, sem jeito e inseguro como nunca antes. – É que... Gaara, eu... – Fazia tentativas falhas de montar alguma frase coerente. Simplesmente travava. Não saía nada.
Gaara bufou pela milionésima vez. I
sso acontecia com frequência ultimamente; o moreno tentar e tentar, ficar gaguejando... Isso irritava o ruivo. Muita coisa o estava irritando. Era sempre a mesma história. O moreno sempre gaguejava, suspirava, abaixava a cabeça e:
– Deixa pra lá.
– Deixa pra lá! – Ditaram os dois, uníssonos. Gaara falou propositalmente junto ao moreno, afinal sabia que o amigo diria isso. Sempre assim. – Sempre a mesma coisa, Kiba! – Bufou novamente. – Às vezes me pergunto se você é realmente tão idiota, ou só se finge. – Ralhou da forma mais estúpida que podia, fazendo o moreno arregalar os olhos. Um suspiro fundo vindo do ruivo chamou a atenção do moreno. Sempre que isso ocorria, vinha coisa séria. – Chega, Kiba. Só me deixe em paz e cresça! – Berrou o ruivo, chamando a atenção de todos na sala, inclusive os animais. Kiba não entendia nada, mas as palavras estavam lhe ferindo.
– Gaara, o que você está dizendo? – Perguntou o moreno, com a voz um tanto embargada. Não estava entendendo nada mesmo. Para ele, o ruivo apenas surtara.
– O que eu não aguento mais engolir. – Rosnou Gaara, enquanto recolhia suas coisas que jaziam espalhadas pela sala. As crianças estavam assustadas. – Você é um babaca, Kiba, só isso. Desejo que seja muito feliz com essas... – Engoliu o palavrão que soltaria, ao lembrar-se que estava em uma sala com crianças. – Bruxas, que só querem algo com você agora por que você tem um pouco a mais de dinheiro no bolso! – Ralhou. Já esquecera o significado de “compostura”. – Você é um babaca nojento, saiba disso!
– Gaara... – Murmurou o moreno estático, que observava mudo o ruivo lhe apedrejar. – Eu não fiz nada, ainda mais ora você! Por que você está dizendo essas coisas? – Indagou quase em desespero. Seu olhar estava mais confuso impossível. – Calma!
– Idiota... – Disse em tom baixo, com o escárnio lhe escorrendo os lábios.
Em uma atitude de puro deboche, Gaara foi à frente do moreno. Mostrou-lhe as mãos vazias, fazendo alguns movimentos para prender a atenção do amigo.
Virou a palma vazia da mão para si mesmo, logo em seguida voltando a virá-la para Kiba, mas desta vez não estava vazia. Gaara tinha em mãos alguns papeis coloridos, todos com números telefones diferentes. O ruivo sorriu cínico quando o moreno começou a tatear seus bolsos de forma afoita.
– Como você... – Ditou de forma boba.
– Mágica! – Gritou cínico, jogando os papéis para o alto. –E u sempre lhe disse que isso acontecer, estava preocupado contigo, mas você sempre disse que não era bobo pra cair nos contos de interesseiras, e que não deixaria a fama subir à cabeça. – Sorriu ainda com cinismo. – Eu sou o idiota por ainda me preocupar com você, seu grande estúpido. Não sabe se cuidar sozinho, não consegue me contar algo, que aparentemente é importante! Sempre gaguejando! – Deu um urro repleto da raiva que surgira do nada e lhe atingira. – Cresça um pouco, seu tapado! Ponha algum juízo nessa cabeça! Na de cima e na de baixo também!
Os dois se fitavam. Um furioso, outro triste e confuso. A preocupação do ruivo com o bem estar do amigo, quase irmão, era compreensível, mas, não precisava falar aquelas coisas para ele.
– Ei! – Gritou uma das outras voluntárias, fazendo o olhar de Gaara voltar-se para ela de um jeito assustador. – Que baixaria é essa? Você está assustando as crianças! Você não se enxerga? Vem aqui de metido, assista as crianças e ainda tem a coragem de xingar o Kiba-kun e fazer toda essa ceninha? – Falava a garota irritada. Cada palavra era uma martelada nos nervos do garoto dos olhos turquesa. Se ele pudesse bater nela, já teria o feito vinte vezes. – Parece que você é a mãe dele! Não! Parece mesmo que é apaixonado por Kiba! Parece, na verdade, um daqueles idiotas apaixonados e ciumentos! – Alfinetou. Ia falar mais se não tivesse sido cortada por um grito do ruivo que calou a todos.
– E eu sou, caramba! – Berrou o ruivo, logo em seguida levando a mão até a boca, sem acreditar no que havia dito. Seus olhos, que estampavam puro desespero buscaram os de Kiba, que o olhava totalmente surpreso e espantado, quase catatônico.
O ruivo não perdeu tempo em pegar o resto de seus pertences e sair correndo pela porta, batendo-a com força, deixando para trás crianças assustadas, garotas indignadas e um Kiba pasmo.
O Inuzuka estava paralisado.
Levaram longos segundos para um estalo de consciência lhe atingir e o fazer se mover, e quando deu por si, estava em um dos corredores do hospital com sua mochila em mãos e havia se chocado com alguém.
– Ei, o que deu nessa juventude que não respeita mais os avisos de “proibido correr no hospital”? – Indagou o médico de cabelos compridos. –É o segundo que quase arranca um pedaço de mim e leva junto... – Disse o Dr. Senju, mas em tom brincalhão. – O primeiro foi seu amigo! – O cérebro de Kiba parecera voltou a engrenar.
– Amigo? Que amigo? – Ele sabia quem era, mas queria entender como Hashirama sabia que era seu amigo. Kiba e o doutor tornaram-se próximos quando o moreno virou um voluntário em seu hospital.
– Aquele ruivo! O que veio pedir de você naquela vez, quando você e aquele loirinho se envolveram em um acidente na educação física! Muito simpático, por sinal.
E de novo o moreno se desconcertara.
– Gaara... Ele veio pedir de mim? – Indagou, ainda tentando processar tudo.
– Veio, não só uma vez. – Contou o maior, com uma feição pensativa, que logo se desfez ao ver o moreno sair correndo novamente.
“Malucos” pensou o médico, antes de voltar aos seus afazeres.
O moreno saiu apressado do hospital, olhando para todos os lados, mas não viu nenhum sinal do ruivo.
Estava confuso, com a cabeça cheia e não conseguia pensar direito, mas sabia que sair correndo pelas ruas atrás do amigo não era algo sensato a fazer. Sentou-se em um dos degraus da escadaria em frente ao hospital para tentar se acalmar um pouco.
Ficou longos minutos jogado naquela escadaria, pensando se o que ouvira realmente era verdade. Se Gaara realmente havia dito aquilo. Ele realmente havia dito que estava apaixonado!
Sim, ele realmente falou. O interior do moreno se encheu de euforia e ele abriu o mais largo dos sorrisos.
Levantou-se e desceu os degraus restantes, andando a passos largos, rumo ao local mais óbvio aonde o ruivo poderia ter ido; sua casa.
No caminho, muita coisa passava em sua cabeça. Ele não sabia o que iria dizer, não sabia o que iria fazer dali para frente; só sabia que iria fazer algo que já estava cogitando há algum tempo.
Em poucos minutos, estava batendo na porta da casa de onde não só um, mas dois ruivos residiam.
Pensava no que ia fazer e também no que estava fazendo.
A verdade é que de uns tempos para cá, estava começando a se sentir estranho quanto a Gaara. Bem estranho...
Pouco tempo depois, e de forma relutante, Gaara atendeu a porta, abrindo-a de vagar. Ele sabia quem era, e também sabia que não poderia fugir dele por muito tempo, então decidiu que iria receber o que viesse de cabeça erguida.
– O que você quer? – Inquiriu o ruivo, secando seus olhos com as mãos e respirando fundo, recompondo-se.
– Te contar o que eu e aquela menina estávamos conversando antes... – Disse com descaso, mas com um sorriso no rosto. Gaara o fitou um tanto surpreso. Nada de gritos? Nada de xingamentos e julgamentos? – Sabe, ela disse que você tinha olhos lindos e eu concordei. –O ruivo corou quando conseguiu processar o que ouvira. – Ela também disse que você é muito bonito e que parece um príncipe das histórias que ela lia. Eu disse que é verdade mesmo. E muito...
– O que você... – Iniciou o ruivo, mas foi cortado.
– Ela disse que achava que você gostava de mim. Eu pedi se ela realmente achava isso, e ela respondeu sim. Eu disse que isso seria legal; ela concordou!
– Você está aqui para me deixar mais constrangido do que eu estou? – Perguntou um tanto ríspido, quando o moreno parou de falar e ficou o fitando. – Olha, me desculpe, eu não escolhi nada disso...
– No fim, ela me pediu se eu... É... Beijaria você. – Falou, um tanto sem jeito. – E eu disse que sim. – Gaara o fitou surpreso. – E é isso que eu sempre quero dizer e não consigo. Acho que eu também gosto de você. – Soltou uma risada nervosa. Gaara ainda o fitava estático. – Eu fui bem covarde. Nunca tive coragem o suficiente para dizer isso a você, não admitia nem para mim. É difícil admitir que se gosta de outro garoto. – Falava em tom sério, mas a incerteza era evidente em sua voz. – Eu queria a sua coragem...
Gaara o pegou pelo pulso e guiou-o até o sofá da sala, onde se sentou ao seu lado.
– Você não está falando essas coisas somente para eu me sentir melhor? – Inquiriu o ruivo, inseguro. O moreno negou com a cabeça, enquanto fitava o chão de modo distante.
– Posso saber desde quando você sente algo por mim? – Perguntou ao ruivo, fitando-o nos olhos, finalmente. Gaara ficou pensativo por alguns instantes.
– Eu não sei ao certo, mas já faz tempo. Muito tempo... – Falava com nostalgia – Um dia, me peguei te observando, pensando em você. –Falava em tom nostálgico. – Mas nunca soube como, ou mesmo tive coragem de me aproximar. Acho que a primeira vez que tive contato com você foi naquele dia do acidente no jogo de queimado, eu te ajudei a levantar. – Riu anasalado.
– E depois foi no hospital ver como eu estava. – Acrescentou, fazendo o ruivo ficar corado. – Obrigado, foi muito gentil da sua parte. – Sorriu-lhe.
– Você tem certeza que não está dizendo essas coisas por ter pena de mim? Porque está tudo bem, eu realmente posso arcar com tudo isso. Você tem o direito de se zangar. – Estava muito receoso.
Kiba apenas soltou outra longa gargalhada.
– Não tem porquê e nem como eu ficar zangado com você!
– Tem sim! – O ruivo fez bico. – Sei lá, é estranho... É muito gay!
– Sabe... Em uma das noites que dormi na casa de Naruto, perguntei para o Minato-san como uma pessoa sabia que estava apaixonada. – Gaara o fitou, interessado. – Eu estava confuso. Ele disse que não sabia exatamente a resposta, mas que para ele “Você está apaixonado a partir do momento em que suas músicas românticas preferidas se encaixam perfeitamente em outra pessoa.” – Engrossou a voz, tentando de modo falho imitar Minato, o que fez Gaara rir e o clima desconfortável dissipar-se um pouco. – Essa outra pessoa, para mim, é você. – Murmurou, corando com o que acabara de falar. – Isso sim foi bem gay! – Riu, acompanhado do ruivo. Ambos estavam fitando o teto.
– Essa conversa seria tão mais fácil se um de nós tivesse surtado e o outro consolasse... – Falou Gaara casualmente. –Eu não sei o que dizer. – Silêncio. – O que você quer fazer agora?
– Em relação a que? – Perguntou o moreno confuso.
– Em relação a tudo. – Pegou a mão do moreno e ficou brincando com seus dedos. – Eu gosto de você, você gosta de mim... A gente vai ter algo? – Estava apreensivo.
Nenhum deles tinha experiência em relacionamentos sérios com outros garoto.
Kiba não respondeu, afinal ele também não sabia como seria dali para frente.
Ele apenas empurrou o dorso do ruivo e o deitou no sofá, deitando seu próprio corpo por cima, olhando diretamente em seus olhos verdas, que lentamente foram se fechando para aproveitar melhor o selar de lábios que se seguiu.
De início, foi um simples selinho, quase casto, mas que foi se aprofundando. As línguas vasculhavam cada canto da boca um do outro, buscando aproveitar cada instante daquele primeiro beijo do, quem sabe, futuro casal. Não queriam findar o ósculo, mas quando o ar se fez ausente, tiveram de se separar.
– Posso me acostumar com isso... – Murmurou Kiba, de um jeito manhoso, fazendo Gaara rir.
Beijar o ruivo fora algo completamente diferente de tudo o que já havia sentido antes. Mais intenso; profundo. Mais significativo.
– É, eu também. – O ruivo teve mais uma vez seus lábios tomados, desta vez, de forma um pouco mais afoita.
Eles ficaram nesse ritmo de beijos, conversas sobre o futuro e risos, até celular do moreno tocar, cortando toda a diversão dos dois.
– Ótima hora para ligar, Naruto. É bom que seja caso de vida ou morte, se não eu te mato! – Gaara deu uma risada anasalada. – Não, Loiro, eu não esqueci que tenho que ir aí depois... Certo... Jaa ne! – Despediu-se. – Você ouviu; compromissos. – Disse em tom de lamentação.
– Vai ter aulas com a paixão do Sasori? – Perguntou o ruivo, arrancando uma risadinha do companheiro, que se levantara e agora se concentrava em desamarrotar sua camiseta.
– A própria! Não é a toa que ele tenha uma queda por ela, ela é linda e tem um corpão! – Kiba provocou, recebendo um olhar mortal. – Brincadeira! –Disse rapidamente, com um sorriso sem graça.
– Brincadeira porque lhe convém! – Rebateu. – Que fique claro que essa nossa relação indefinida e ainda não firmada não é poligâmica, então nada de ficar se esfregando com ninguém por aí. – Ditou sério.
– Sim senhor! – O Inuzuka ateu continência. – O mesmo serve pra você! – Acrescentou, apontando o indicador na cara do ruivo.
– Ei, eu controlo meus hormônios! – Retrucou Gaara, falsamente ofendido.
– E eu também! – Respondeu-lhe no mesmo tom.
– Não controla não! – Exclamou indignado. – E eu senti isso, se é que dá pra entender! – Ditou zombeteiro, fazendo Kiba corar de leve.
– Desculpe, mas o que eu posso fazer? É tudo culpa do meu namorado que me deixa assim. Posso dizer beijos dele são os melhores, sabe? – Ditou com descaso.
– E quem é esse seu namorado? – Perguntou, fingindo-se de desentendido. – É melhor que eu?
– Ele é um ruivo bem bonito, mais ou menos como você. Você deveria conhecer, porque o que ele faz com a língua é bem legal! – Brincou, recebendo um tapa de no braço.
– Para de falar besteira e vai logo! Você vai se atrasar. – Falou em tom de ordem, finalmente levantando-se também do sofá.
– Sim, sim... – Moveu-se bem devagar em direção à porta, esperando o outro terminar de calçar as pantufas e lhe alcançar. – Ei Gaara, estamos namorando? – Perguntou curioso e confuso. Realmente não sabia bem a que pé eles andavam.
– Eu acho que sim! Se você também quiser, sim! – Sorriu. – Não sou uma garota, não preciso um daqueles pedidos públicos que só servem para molhar as calcinhas. – Ditou com descaso, recebendo um abraço e um beijo em seguida.
O moreno pegou sua mochila e foi acompanhado até a porta pelo ruivo sorridente e um tanto distraído.
Antes de sair pela mesma, Kiba virou-se rapidamente, pondo uma mão na cintura do ruivo e outra na sua nuca, erguendo-o de leve e prensando-o na parede, roubando-lhe um beijo afoito e apaixonado. Um beijo quente.
Um beijo latino.
O moreno finalizou com mais alguns selinhos e uma mordida no lábio inferior do ruivo, que já não sabia mais o que "fôlego" queria dizer. Ele mal raciocinava, estava perdidinho.
Quando Kiba partiu, com o mais sacana dos sorrisos nos lábios, Gaara não pode fazer mais nada além de escorregar até o chão, ainda escorado na parede onde fora prensado.
Naquele momento, sua mente estava vazia e seu corpo, quente; suas pernas estavam moles, mas em compensação, outra parte do corpo estava dura.
Quando conseguiu restabelecer sua condição física e mental, correu para o banheiro, no intuito de tomar um banho bem gelado.
Já Kiba apenas se sentia nas nuvens. Bem no fim, quem melhor controlava seus hormônios era ele.
Naquele fim de tarde e naquela noite, tudo estava o mais tranquilo possível, até onde todos tinham conhecimento.
Kiba e Naruto treinaram com Tenten até quase exaurirem-se, sob o olhar atento de Minato, que se divertia com as brigas que ambos “seus filhos” tinham, seja por um bater forte demais ou por qualquer mínima provocação.
De noite, o moreno pernoitou lá, como de costume, mas não desgrudou do celular nem um minuto, pois mantinha uma conversa com Gaara. Eles acertavam alguns detalhes sobre seu novo relacionamento.
Contou o que havia acontecido para Naruto, pois não conseguia esconder nada dele. O loirinho ficou muito feliz pelos dois, e disse que eles poderiam contar com sua ajuda sempre que precisassem. Sabia que o loirinho não teria preconceitos, afinal os dois já tinham trocado beijos, e não só uma vez.
Sasuke havia ligado para o loirinho, para perguntar como este estava, e isso resultou em uma conversa fluida e divertida, de quase uma hora, entre os dois.
Resumindo, uma noite agradável.
Mas, longe dali, a noite estava mais agitada e tumultuada.
– Kushina, está tendo dificuldade em realizar sua parte? – Perguntou uma figura misteriosa. Era uma sala escura, só se via vultos sentados em torno de uma mesa grande e redonda. – Se estiver, já disse que posso resolver do meu jeito. E se você enrolar demais, eu vou resolver do meu jeito.
– Eu já disse, tenham paciência! – Falou a ruiva, um pouco alterada. – Vou fazer do meu jeito, não me apressem! Além do mais, isso pode causar muitos problemas, investigações e essas coisas. Isso pode arruinar tudo. Ele terá de ser um dos últimos. – Ditou convicta, cruzando suas pernas. – Preocupe-se com os assuntos em Takigakure. Se tudo der certo, consigo até mais do que prometi.
– Desde que faça aquilo que se comprometeu a fazer está ótimo, então não vou me opor. – Retrucou um dos vultos. – Vai ser difícil, você terá diversos obstáculos.
– Nenhum que não possa ser eliminado, polido ou trapaceado, começando pelo maior. – Sorriu de canto. – Você deveria depositar mais confiança em mim; Se eu prometo, eu cumpro, ou eu não me chamo Uzumaki Kushina.
Para ela, aquela noite também estava agradável...
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