Inside
24 Amor, uma linda mulher e mais amor...
Notas iniciais
Não importa qual foi o problema do dia anterior, as manhãs sempre eram calmas e pacatas na casa dos loiros. Minato havia ido trabalhar mais cedo que de costume, pois na sexta-feira daquela semana seria feriado, e adiantar um pouco o serviço não era nada mau. Naruto acordou um tanto avoado, e Kiba desde cedo trazia um de seus belos sorrisos estampados em sua face.
Para acordar de vez, Naruto foi tomar um banho. Kiba não tinha pressa para fazer o mesmo, então enquanto o loiro usava o banheiro, ficou no quarto, despertando de seu jeito: ligando o rádio a todo volume, na música Crazy in Love, da Beyoncé. Ficou dançando e pulando como um louco pelo quarto. Estava com um excelente humor.
–Você já parou para pensar quão excitante um garoto dançando crazy in Love de cueca no meio do seu quarto pode ser? –Brincou o loiro, abaixando um pouco o volume do som.
–Claro. Tão excitante quanto um loiro molhado saindo do banheiro enrolado em uma toalha. –Brincou, gargalhando em seguida.
Ainda dançando, pegou sua toalha e seu uniforme e foi para o banheiro. Naruto teve de rir. Foi para a cozinha preparar um café da manhã rápido para os dois.
Não muito depois, ambos já estavam chegando aos grandes portões da escola, onde um Gaara que sorria de forma boba os esperava. Naruto cumprimentou o ruivo com um abraço, aproveitando para parabeniza-lo por conseguir suportar Kiba. Já o ruivo e o moreno se olharam nos olhos e apenas se saudaram com um sorriso. Um sorriso de canto, nada escancarado, mas que dizia tudo que precisavam. Entraram em um consenso de não assumirem a relação publicamente, por hora. Não havia necessidade, no ponto de vista deles. Não precisariam trocar beijos em meio a multidões e nem nada do tipo, sabiam que sentiam algo intenso um pelo outro, era recíproco e isso bastava. Assim como olhares cúmplices poderiam significar muito mais que beijos afoitos.
Típico de apaixonados.
Naruto se adiantou um pouco em entrar na escola, queria deixar o casal um pouco a sós. Não que interferisse muito, pois os dois conversaram apenas o básico. Saudações, perguntas de como haviam passado a noite, nada demais. O que diferia do normal é que sorriam como completos idiotas. Claro, antes de entrar na sala, enquanto ninguém observava, trocaram um beijo curto. Por enquanto, isso bastava.
A primeira aula era de matemática com o professor que encrencara com Gaara no dia anterior. Ambos trocavam olhares cada pouco. E como se não bastasse, ele passou um trabalho em dupla, as quais seriam decididas por sorteio. A sorte sorriu para Kiba e Gaara, que acabaram juntos no sorteio. Para os que a sorte não sorri, quem o faz é a Lei de Murphy, como no caso do Uzumaki menor, que acabou tendo de fazer o trabalho com ninguém mais, ninguém menos, que Neji.
Quase nenhuma palavra foi trocada durante a realização do mesmo. O loiro lia as questões e fazia os cálculos normalmente, não eram nada desafiadores a seu ver, já seu par olhava para a cópia que havia recebido e não conseguia entrar em consenso sobre o que havia entendido menos. Nada fazia sentido para si. No final do tempo cedido para a atividade, Naruto entregou as folhas com as resoluções dos cálculos. Nela constava seu nome, bem como o de Neji, que havia feito absolutamente nada.
–Por que fez isso? Botou meu nome junto. –Perguntou o garoto dos olhos claros, confuso e um tanto irritado. Para ele era quase um insulto. –Se você espera que eu vá lhe agradecer...
–Não quero nada de você. Nem gratidão. –Cortou o loiro, com descaso. –Sei que você precisa de nota, e eu não sou uma pessoa desprezível como você a ponto de fazê-lo perder esses pontos. Não me custou nada, então não precisa agradecer também. –Ditou sem mesmo fitar o colega, o que foi um golpe no ego de Neji. Mas, desta vez ele não falaria nada, não depois do que o loiro fizera.
E isto encerrou a cota de fatos relevantes do período letivo aquele dia.
À tarde, o loirinho teria de fazer mais uma visita ao consultório de Sasuke. Era dia de consulta. Assim que pode, rumou até o imponente prédio. Foi a pé mesmo, acompanhado de seus dois amigos. Não estava com paciência de esperar seu pai vir lhe buscar, então ligou para ele e informou que iria caminhando. Estava silencioso, pensativo. Nervoso. Estava relutante em enfrentar seus medos.
Quando enfim chegou ao prédio, também não subiu sozinho. O casal o seguiu. Kiba foi até a agência pegar seu ordenado e Gaara lhe acompanhou, vendo como as outras modelos eram demasiadas “receptivas” com o moreno. Depois de pouco tempo, voltaram para a rua, sem o loirinho dessa vez.
Este estava na sala de espera, conversando com Tenten, até ser chamado por Sasuke. Alguns minutos depois, o moreno surgiu na porta do consultório. Não estava de terno, mas sim com jeans escuro, uma camiseta de manga curta da mesma cor, sem estampas e all star vermelho, apenas para quebrar o negrume. Estava casual.
–Boa tarde, Naruto. –Saudou o moreno, sorridente. –Que tal algo para descontrairmos?
–Mas nós não vamos...?
–Não hoje. Sua mente e seu espírito merecem um descanso. –Afagou os cabelos do loiro. –Além do mais, o dia está com um sol bem agradável. Que tal uma volta no parque? –Inquiriu, animado, vendo um pequeno sorriso brotar no rosto do loiro.
–Hai! –Concordou, feliz.
Pouco depois, já se encontravam no belo espaço arborizado. Uma brisa fresca soprava. Na verdade, o ar dali parecia muito mais leve, limpo e agradável. Caminhavam pelas belas trilhas que havia por todo aquele lugar, aproveitando a companhia um do outro e tomando um sorvete, que o moreno insistiu em pagar. Não gostava muito de doces, porém acompanhou o mais novo.
Conversavam sobre qualquer coisa. Mas dentre os assuntos banais sobre os quais papeavam, a maioria se referia ao loiro. Ele contava o que havia acontecido com ele desde o último encontro. Contou que Minato estava em maus lençóis com Mei, o que fez Sasuke rir. Ia contar sobre Kiba e Gaara, mas não foi necessário, já que puderam observar os dois sentados embaixo de uma árvore, lado a lado.
–Eles estão juntos? –Perguntou o moreno, curioso e apreensivo, lambendo seu sorvete.
–Já ia contar sobre isso. Estão sim, desde ontem, na verdade. –Respondeu o loirinho, animado.
–E tudo bem pra você?
–Claro. –Respondeu-lhe como se fosse a coisa mais óbvia. –Eles se gostam e até ficam bem juntos. –Observou.
–Isso é verdade. –Concordou o moreno, ao ver Kiba curvar-se para o lado para dar um beijo singelo na bochecha do outro. –Mas, você me faz um favor? –Inquiriu o mais velho, chamando a atenção do Uzumaki.
–Claro, de que precisa?
–Vá até lá e peça a Kiba ir, sei lá, comprar um sorvete e induza-o a vir aqui. Não diga que está comigo. Não diga mais nada, na verdade. Apenas quero conversar um pouco com ele. –Explicou, olhando para o casal. Devia admitir que era algo bonito de se ver.
Sem entender muito bem, embora sem questionar, fez o que lhe foi pedido. Foi até o casal, acabando com o clima e fazendo Kiba se retirar de lá, com a desculpa que ele deveria comprar um sorvete para tomar com seu namorado. O moreno, meio que a contragosto, fez o que foi quase ordenado pelo loiro, ouvindo risadas de seu namorado, que ficou na companhia do amigo.
Kiba se afastava, rumando à pequena tenda onde os sorvetes eram vendidos, mas mudou seu caminho ao ver o rapaz de olhos ônix lhe acenar e fazer um gesto como que chamando-o.
–Sasuke-san, como vai? –Saudou, estendendo a mão para um aperto, que foi prontamente aceito.
–Por favor, sem formalidades. Apenas Sasuke. –Sorriu para o canino. –Se importa de conversarmos um pouco? –Perguntou ao moreninho, vendo claramente que ele estranhara a proposta.
–Claro, o que quer?
–Bom, você está se relacionando com Gaara, não? –Questionou o maior, mesmo sabendo a resposta. Recebeu um maneio positivo e um tanto envergonhado de cabeça vindo do menor. –Bom, é sobre ele que quero conversar.
–O que houve? Algum problema?
–Não, nenhum. Parabéns, em primeiro lugar. Espero que o faça muito feliz. –Sorriu. –Ele já foi meu paciente, como provavelmente sabe. Além do mais, é primo do meu melhor amigo, prezo por sua felicidade.
–Naruto chegou a comentar sobre ele ter sido seu paciente, e eu sempre me perguntei o motivo, na verdade. –Contou o mais novo. –Você se importaria em me explicar?
–É bem isso que queria falar. –Disse. Ficou pensativo por alguns segundos. –Gaara teve uma infância um pouco triste. Era rejeitado pelos pais, mas isso é coisa que ele mesmo vai te contar quando achar que for a hora certa, tudo bem? –Recebeu um maneio positivo de cabeça do moreninho, que tinha uma expressão de surpresa no rosto. –Ele foi encaminhado para tratamento, em parte pela depressão que desenvolveu por conta disso, mas principalmente por um pequeno transtorno que ele possuía.
–Transtorno? –Perguntou o menor, assustado.
–É, mas no momento não é nada para se preocupar. –Sasuke tentou acalmá-lo. –Às vezes era como se ele não fosse ele. Tinha ataques de fúria. –Kiba estava de fato muito surpreso com o que ouvia. –Era como se assumisse uma personalidade mais obscura, extremamente bipolar. Digo isso no passado, pois ele ainda toma medicações para controlar. Quero que você tenha consciência disso para assegurar que não pare de se tratar, entendeu? –Kiba assentiu. –Não diga que lhe contei, simplesmente encontre os remédios “por acaso” em sua cômoda quando estiver na casa dele. –Explicou, fazendo aspas com os dedos. –Ele então vai te explicar tudo. Não permita que ele pare os comprimidos. Sasori fica no pé, mas às vezes não é suficiente.
–Tudo bem, eu farei isso sim. –Disse convicto. –Ele me ouvirá. Mas Sasuke... –Chamou a atenção do maior. –O que acontece se ele não tomar os remédios? –Indagou curioso, porém inseguro.
–Ele pode perder a cabeça, caso confrontado ou posto em uma situação desconfortável. –Respondeu, assumindo uma expressão tensa. –E esses surtos também causam mal ao cérebro dele. –Kiba estava preocupado. –A primeira vez que ele se descontrolou na minha presença foi assustadora. Não quero que tenha que passar por isso, garoto. –Falou, também com preocupação. –Ele quebrou minha mobília, mutilou a si mesmo e conseguiu quebrar meu braço. Não tirá-lo do lugar, mas quebrar o osso mesmo. Isso com um soco. –Contou. Kiba estava simplesmente estarrecido. –Quero que ajude a cuidar dele, sim? –Perguntou para tentar acalmar o menor, ao qual afagava os cabelos, fazendo-o fitar-lhe os olhos, saindo de seus devaneios.
–H-hai... –Ainda estava um pouco disperso. –Obrigado Sasuke, de verdade.
–Não me agradeça. Lembre-se do que te pedi para fazer. –Apoiou sua mão no ombro do gaoto. –Relaxe agora e compre mesmo os sorvetes, se distraia. Finja que nada aconteceu. –Kiba assentiu. –Pegue meu cartão, e me ligue se precisar, mesmo não sendo referente ao Gaara. –Deu-lhe um sorriso amigável. –E peça para o Naruto sair de lá. Chega de segurar vela.
Kiba agradeceu e se despediu, guardando o cartão que recebera em sua carteira. Comprou dois sorvetes e voltou para onde o ruivo e o loiro estavam. Sabendo que já não era mais necessário, deixou o casal e voltou para a companhia de Sasuke, com quem aproveitou o resto da tarde e jantou aquela noite. Divertiu-se muito naquele dia.
Sasuke o deixou em casa de noite. O loirinho jogou conversa fora com o pai e depois foi dormir. Como Kiba não estava lá, estava tudo mais calmo. E por falar no moreninho, seu dia também foi divertido. Passou a tarde e a noite com Gaara e dormiu na casa dele. Conversaram muito e claro, trocaram muitos beijos e carícias. Dormiram juntos. Gaara deitado no peito de Kiba, enquanto era aconchegado pelo braço forte do mesmo.
Ah, o amor...
Um final legal para um dia legal, apesar de tudo.
A quinta-feira que se seguiu não foi muito tumultuada. Tudo normal e tedioso na escola, sem problemas. À tarde, Naruto e Gaara foram a uma sessão fotográfica do moreno. No estúdio, encontraram com Mei e trocaram algumas palavras com ela. Ela convidou aos três e a Minato para, no dia seguinte, acompanharem-na na festa de aniversário da filha de sua prima. A festa seria grande, no parque da cidade, então não havia muitas restrições quanto a convidados. E, além disso, a prima de Mei queria conhecer o homem com o qual ela estava se envolvendo, e, embora irritada com Minato, queria que este fosse também. Como seria feriado, não haveria problemas.
Assim que a mulher deixou o estúdio, ruivo e loiro voltaram suas atenções à Kiba, que fotografava com outras modelos, trocando olhares, que mesmo artificiais, despertavam um pouco de ciúme no namorado. Naruto apenas ria da cara emburrada do amigo, e tentava acalmá-lo. Depois das fotos, o trio foi tomar sorvete para espairecer.
Tarde e noite foram reservados para jogar videogames na casa dos Uzumaki, onde seus colegas também dormiram.
Na manhã seguinte, ninguém se obrigou a sair da “cama” cedo. Eram quatro garotos jogados nos colchões, posicionados aleatoriamente pela grande sala de estar. Sim, quatro. Minato estava junto. Pareciam animais jogados, na verdade. Chocolates, salgadinhos e latinhas de refrigerantes não faltavam espalhadas por aí. Uma típica noite de adolescentes.
Já se aproximava do meio dia e nem sinal dos rapazes acordarem. Bom, não até ouvirem um grito feminino que fez com que todos se levantassem assustados.
–Vocês não têm vergonha? –Exclamou Mei, escorando-se no batente da porta, vendo todos sentarem-se de imediato, com os olhos semicerrados para reduzir a luminosidade que feria os olhos. Desnecessário comentar sobre suas caras amassadas e cabelos desgrenhados. –Ótimo exemplo Minato, por obséquio. –Fitou-lhe com uma carranca. –Bom, homens do futuro, dou uma hora para vocês estarem de pé, de banho tomado, perfeitamente vestidos, cheirosos, penteados e com o almoço pronto. –Ditou à medida que enumerava com os dedos. –Temos uma festa, logo mais.
Os garotos fitavam-na, mas na verdade estavam distantes. Ainda estavam muito sonolentos, esfregando os olhos com suas caras amarrotadas.
–Eu tenho cara de quem está brincando? –Inquiriu a morena, em tom ameaçador. –Mexam-se, agora! –Gritou com toda a força que conseguiu, vendo os marmanjos apavorados levantarem-se quase com saltos ornamentais e começarem a se dispersar.
Minato, mais preguiçosamente, foi até Mei, desejando-lhe bom dia, mas apenas recebeu um selinho e um sorriso forçado, antes da morena sumir entre os corredores. Suspirou.
Em pouco tempo, as ordens de Mei haviam sido agilmente cumpridas. Gaara havia ido até sua casa, buscar uma muda de roupa para ir a tal festa da prima de Mei. Foi num pé e voltou no outro, como dizem. Estavam os três prontos e já preparando o almoço, enquanto Minato terminava de se aprontar. Quando o mais velho apareceu, arrumou a mesa. Mei estava no banheiro, também se arrumando.
Os trajes dos rapazes eram casuais, inclusive os de Minato. Bermudas, tênis e camiseta, o básico, mas ainda assim bastante atraente. Ele ainda ficava bem com estas vestimentas, afinal, não aparentava ser muito velho, pelo contrário, quase um adolescente. Conversavam sobre qualquer coisa à medida que levavam as panelas até a mesa, mas foram obrigados a parar o que faziam para observar a figura que apareceu na entrada da cozinha. Mei. Ou algo que se parecia com ela.
A morena, que terminava de amarrar seus longos cabelos em um rabo de cavalo alto parecia ter perdido alguns anos. Usava um short branco curto, na medida do bom senso, com um cinto contrastante na cor vermelha, e na parte de cima, uma blusa que lhe caía os ombros na cor branca, com alguns detalhes dourados. Nos pés não usava um salto alto, como o de costume, mas sim um all star vermelho. A franja caía por cima do olho esquerdo, cobrindo um pedaço do rosto levemente maquiado. Quem visse lhe daria dezenove anos, no máximo.
–O que estão olhando? –Inquiriu aos donos dos olhares fixos nela.
–Nada! –Exclamaram uníssonos. –Você está bonita! –Continuou Kiba. –Se você tivesse a idade que aparenta, com certeza eu tentaria algo com você. –O moreno riu, assim como Mei. Na verdade, somente uma pessoa não riu.
–Ah, jura? –Perguntou Gaara, fitando Kiba com uma cara de poucos amigos.
–É, eu acho... –Respondeu o moreno, nervoso. –Não? –Indagou, em um pedido mudo de desculpas. Naruto riu.
–Isso foi uma pequena crise de ciúmes? –Indagou Mei. –Parece até que vocês são...
–Namorados. –Concluiu Gaara. –Sim, na verdade somos. Não precisamos esconder isso de vocês. –Respondeu direto.
–Faz pouco tempo, estamos tentando e está dando certo. Exceto pelo ciúme dele. –Apontou Kiba, levando um tapa na sua mão, fazendo uma careta para Gaara.
–Ninguém pensou em perguntar para o pai postiço o que acha desta relação? –Questionou Minato, falsamente ofendido.
–Você aprova? –Perguntou Kiba, apreensivo. –Eu... Eu iria contar logo para o senhor e...
–Ei, era brincadeira! –Riu do nervosismo do menor. –Para mim, desde que esteja feliz está tudo bem. Já me basta. –Sorriu, afagando a cabeça dele e sorrindo para Gaara. –Se precisar de algum conselho, pode perguntar para mim! Embora eu não entenda muito bem como essa coisa de garoto com garoto funcione, ou exatamente aonde vai o...
–Pai! –Exclamou Naruto, cortando o seu progenitor, com medo de onde a conversa ia parar.
–Estou brincando! –Exclamou, tão vermelho quanto Kiba e Gaara estavam.
–Babaquices a parte – Sibilou Mei, lançando um olhar significativo para Minato. –Parabéns aos dois. Cuide bem dele, Kiba. Você sabe como as modelos da agência são safadas. Levá-lo lá é como lançar carne crua em um rio de piranhas. –Aconselhou a mais velha. Poderia ser algo cômico, mas era um conselho sábio. –Embora esses olhos e esses cabelos ruivos lhe consigam alguns trabalhos como modelo.
–Quem sabe... –Murmurou o ruivo. –Mas voltando ao assunto, está muito bela, Mei. Poderia voltar ao colegial tranquilamente, se quisesse. Talvez não, por conta dos peitos grandes. –Riu. –O que não teria de garotas com inveja...
–Obrigada, Gaara. –Sorriu-lhe. –É uma festa de família, preciso estar linda e aparentar ser mais nova. Do contrário, a metáfora do rio de piranhas serve para mim também! –Explicou. –Sempre fui a ovelha negra, a vagabunda, a burra que não prestou pra nada, só pra modelo. Só tenho afinidade com essa minha prima, Kurenai.
–E seus pais? –Inquiriu Minato. –Nunca me atinei a perguntar sobre eles.
–Minha mãe faleceu há alguns anos e meu pai era um bosta. –Contou, sem abalo emocional. –Na minha família, somente Kurenai e minha mãe não me odiavam. Por isso, se eu não aparecer maravilhosa lá hoje, terei que bater em alguém.
–Bater em alguém? –Naruto tirou a pergunta da boca de todos.
–Sempre que podem me destruir, não perdem a oportunidade. Largam indiretas estúpidas, que respondo na mesma moeda, até pegarem em algum ponto fraco e eu perder a compostura. Aí acabo batendo em alguém. –Explicou. –Vou parecer mais nova do que as filhas daquelas mal-acabadas.
–Garanto que a maioria das pessoas que falam mal de você é mais feia.
–E como! –Exclamou com indignação. –Isso me revolta! Mas tudo bem, tentarei relevar provocações hoje. –Ditou serena. –Agora vamos comer.
O quinteto apreciou a refeição preparada quase inteiramente por Kiba, o que rendeu os típicos comentários de “já pode casar” e deixaram o ruivo um tanto constrangido.
Após almoçarem, foram terminar de se arrumar. Mei terminou sua maquiagem e ajeitou seu cabelo. Se sentia uma adolescente! Os rapazes deram os últimos retoques nos cabelos rebeldes e se perfumaram, pegando seus pertences e indo até o Porsche Cayenne de Minato. Nada de usar carro básico quando se podia chegar de Porsche.
Minato dirigiu até o parque da cidade. Enquanto rumavam a pé pelo local arborizado, puderam avistar um local específico onde havia brinquedos infláveis, balões, música e bastante gente. E pra lá que eles foram.
–Mei! –Uma voz feminina exclamou, chamando a atenção da morena e dos demais. –Há quanto tempo! – A dona da voz abraçou Mei com força, sendo prontamente retribuída. Sem dúvidas deveria se tratar de Kurenai. –Não vai me apresentar aos belos rapazes? –Perguntou, desgrudando da prima.
–Claro! –Sorriu-lhe. –Garotos, essa é minha prima Kurenai! Ela também atuou como modelo, mas hoje se dedica à família. –Apresentou e a outra acenou-lhes. –Kurenai, estes são Kiba e Gaara, amigos de Naruto, que por sua vez, é filho de Minato. –Concluiu as apresentações, apontando cada um deles.
–Pois bem, fiquem à vontade! Comidas e bebidas estão nas mesas, e se quiserem voltar à infância e pularem nas camas elásticas, também pode. –Ditava a anfitriã. Kurenai era um pouco mais baixa que Mei, e seus cabelos negros e curtos, diferentes do de sua prima, assemelhando-se apenas nas ondulações que ambas tinham no cabelo. A pele de Kurenai era bem clara, contrastando com seus olhos castanhos avermelhados.
–Muito obrigado, Kurenai-san! É muita gentileza nos receber aqui. –Agradeceu Minato, fazendo uma breve reverência. –Mas e seu marido e filha? Afinal, o aniversário é dela, não? –Foi simpático, falando tudo com um largo sorriso.
–Meu marido vocês já devem conhecer, ele leciona História. –Contou animada.
–Asuma-sensei?! –Exclamou Naruto, surpreso.
–Exato! –Sorriu. –E Haruka, nossa filha, deve estar correndo por aí.
–Eu chutaria que é aquela menina com quem Kiba está brincando. –Apontou o ruivo, fazendo com que todos fitassem seu namorado, que estava agachado conversando com uma menininha de olhos quase escarlate. –Ele se dá muito bem com crianças. –Comentou o ruivo, sorrindo bobo. Logo depois, ele e o Uzumaki filho se juntaram ao moreninho e a pequena.
Mei e Minato conversavam animadamente com Kurenai e seu marido. O loiro criava intimidade facilmente.
–Olha só quem deu as caras! –Exclamou uma voz feminina, que se aproximava. Uma voz irritante para Mei. –Como vai, Mei-chan?
–Oh, o rebento Yamanaka da família. –Ralhou Mei, fitando a mulher com superioridade. Sim, era a mãe de Ino. E parece que ser nojenta era algo de família. A mulher era Yamanaka apenas por ter casado com Inoichi. Era um bom homem, não merecia a filha e a esposa que tinha.
–Não te avisaram que a festa não era uma balada adolescente? –Perguntou com escárnio, soltando uma risada em seguida. Mei estalou o pescoço.
–Não, mas como eu tenho corpo para usar essas roupas, não tem problemas. Ainda bem que fui eu a cometer este “equívoco”, pois se fossem certas pessoas, gordas, feias e fracassadas, teria sido pior. –Respondeu com o mais cínico dos sorrisos, recebendo uma encarada de sua prima.
–Vejo que trouxe sua carteira junto. Desculpe, quis dizer seu namorado. –Destilou seu veneno com a maior “inocência”. Ela estava provocando.
–Ele... não é meu namorado. –Respondeu seca, mas relutante, usando a força que lhe restava para não arrebentar a mulher que estava em sua frente, com um sorriso irritante.
–Claro... Esperto ele em não querer firmar um relacionamento com alguém como você. –Ditou com aparente descaso, mas amando pisar em Mei. A morena apenas suspirava. Não só de raiva, mas ela também segurava pra não chorar.
–Ei! Meça suas palavras! –Repreendeu Kurenai, furiosa.
–Se estou com Mei, é por ela ser uma mulher incrível, não por motivos sórdidos, dos quais você provavelmente deve abusar! –Ralhou Minato.
–Tá vendo, Minato? É nisso que dá eu não ter o direito de dizer que somos namorados. –Falou Mei, de cabeça baixa e voz embargada, dando as costas e afastando-se a passos largos.
–Mei, espera! –Gritava Minato, chamando a atenção de diversas pessoas. –Olha, me desculpe...
–É sempre assim! –Exclamava a mulher, em tom de voz bem elevado e entre lágrimas que lhe rolavam pela face. –Eu sempre sou a interesseira! A vagabunda que se junta com um homem por dinheiro! É o que todos pensam, mesmo eu ganhando e juntando meu próprio dinheiro! –Sua maquiagem já estava borrada. Era algo raro ver uma mulher forte chorar daquele jeito. –Que os homens não se importam em me “bancar” se eu lhes der meu corpo! Sempre assim!
–Mas você sabe que isso não é verdade! –Exclamou Minato, limpando a face borrada da mulher a sua frente.
–Mas é assim que eu me sinto quando as pessoas questionam sobre nós. –Respondeu seca, fitando os olhos arregalados do quase namorado.
O loiro, após alguns segundos em choque, suspirou fundo e deu as costas a Mei, misturando-se entre as pessoas e sumindo de vista, mas por um período curto de tempo, pois ele logo apareceu em cima do pequeno palco, onde uma banda amadora de garotos era responsável pela música do local. Minato puxou algumas notas de valor alto e entregou aos garotos, conversando com eles por algum tempo, tudo sob o olhar atento de todos, inclusive de seu filho e os amigos dele.
–Oi! –Saudou ao microfone o loiro nervoso, chamando ainda mais a atenção. –Bom, eu não poderia permitir que a mulher que eu amo se sentisse mal apenas por eu ser um idiota. –Iniciou seu discurso atrapalhado, enfatizando a palavra amo, para calar a boca dos especuladores. –E bom, eu não sou muito bom com palavras, muito menos em cantar, mas eu tento. –Riu de forma nervosa. –Não sei se isso será um pedido oficial de namoro à altura do que você merece, mas espero que goste. –Sorriu ao encontrar o rosto surpreso de Mei em meio às pessoas.
Um pequeno gesto e a batida tão conhecida começou a tocar. A introdução de uma música, eternizada por ser tema de um filme que conquistou uma legião de fãs. Nenhum outro barulho, apenas a música. De um jeito meio bobo, fitando-a nos olhos, mesmo à distância, Minato se pôs a cantar. Mei havia achado um cavalheiro à moda antiga.
Pretty woman, walkin' down the street
Pretty woman, the kind I like to meet
Pretty woman, I don't believe you, you're not the truth
No one could look as good as you, mercy!
Mei estava parada com um sorriso no rosto. Kiba, que tinha uma garotinha sobre os ombros, Gaara e Naruto assistiam a tudo também com um sorriso, mas de orgulho.
Pretty woman, won't you pardon me
Pretty woman, I couldn't help but see
Pretty woman, that you look lovely as can be
Are you lonely just like me?
Pretty woman stop awhile
Pretty woman talk awhile
Pretty woman give your smile to me
Pretty woman yeah, yeah, yeah
Pretty woman look my way
Pretty woman say you'll stay with me
'Cuz I need you, I'll treat you right
Come with me baby, be mine tonight
Pretty woman, don't walk on by
Pretty woman, don't make me cry
Pretty woman, don't walk away, hey, ok
If that's the way it must be, ok
I guess I'll go on home, it's late
There'll be tomorrow night, but wait
What do I see?
Is she walkin' back to me?
Yeah, she's walkin' back to me
Oh, oh, pretty woman!
O silêncio se fez presente por alguns instantes para depois palmas, gritos e assovios tomarem o lugar.
–Mei, essa seria uma boa hora para subir lá e dar um beijo no seu namorado. –Murmurou Kurenai, enfatizando a palavra para a prima que ainda chorava, mas desta vez por um bom motivo.
–Eu queria me ajoelhar e te entregar um anel agora, mas não tenho um, aí fica difícil. –Minato disse, um pouco envergonhado, ouvindo alguns risos. –Mas eu juro que quando sairmos daqui, iremos direto à joalheria! –Mais risos. Era uma cena um tanto cômica. –Só, por favor, não chore mais, e diga que me ama assim como eu te amo. –Murmurou no microfone, ouvido aquele típico coro de “awn” ao fundo.
E foi o que a morena fez. Correu até a pequena estrutura, onde subiu com a ajuda do loiro maior. Abraçou e beijou Minato como se fosse a última coisa que faria na vida, sussurrando-lhe ao pé do ouvido um sincero “eu te amo”, coisa que Minato fez questão de gritar no microfone. E assim eles ficaram por algum tempo, abraçados e ouvindo os gritos, assovios, palmas e desejos de felicidade.
Não ficaram por muito mais temp. Conversaram com algumas pessoas, mesmo que agora só tivessem olhos um para o outro. Quando foram embora, deixaram para trás muitos olhares de admiração, mas também de inveja, por parte de algumas das parentas da modelo. Totalmente desprezíveis, aos olhos da morena.
Foram rumo à joalheria, a qual Sasori abriria especialmente, já que era feriado. Minato ligou para o ruivo e explicou-lhe a situação, e este ficou feliz pelo novo casal e resolveu ajuda-los. Gaara poderia fazer isso, mas a pedido de Kiba, Minato largou os dois garotos na casa do moreno. Os adolescentes haviam conversado e acharam melhor contar logo para seus responsáveis. Entretanto, Sasori já sabia. Quando Gaara havia ido para casa de manhã, estava com um sorriso fora do normal, o que rendeu perguntas. Gaara contou tudo. Não se sentira obrigado ou pressionado a isso, pelo contrário. Sasori sabia dos sentimentos de Gaara para com o Inuzuka há algum tempo, então quando seu primo contou que estava namorando, ficou feliz pelo mesmo, entretanto, sem perder sua pose de “linha-dura”, dizendo que queria falar com Kiba.
Quando? Poderia ser esta noite, na pequena reunião que Minato resolveu realizar de última hora, para celebrar seu namoro quase adolescente com Mei. Fazia questão de dali para frente tudo ser especial. Todos estavam convidados.
Fale com o autor