Inside
28 Prisões, problemas e mudanças...
Notas iniciais
A noite ficara tensa.
Após o anuncio da prisão, Minato acompanhou os homens sem oposições. Ele cria que era apenas um equívoco, e queria esclarecer. Minato, apesar de sua afinidade com truques e trapaças, era um homem extremamente honesto. Estava um pouco ansioso, mas estava bem. Já Naruto, estava quase em desespero. Era uma situação terrivelmente assustadora para ele perder mais um de seus entes, não importando como. O fato de não acordar perto de seu progenitor era quase inconcebível em sua mente. Estava atordoado.
Depois de algum tempo para tranquilizar o loirinho, Sasuke pegou seu carro e junto de Naruto, Mei, Gaara, Kiba e também do pequeno Toboe, rumou até a delegacia mais próxima, para onde Minato havia sido levado para ser interrogado e encaminhado para o presídio, em seguida.
Lá, a coisa não mudou muito de figura. Foram recepcionados por três agentes: os dois que haviam levado Minato e mais um. Izumo, Kotetsu e Ao, respectivamente. Sasuke estava com expressão séria, Naruto um tanto tenso, Kiba e Gaara estavam quietos perante a situação, e Mei... Estava sendo a Mei.
–Onde está o Minato, seu trio de imbecis? –Berrou a mulher escandalosa.
–Boa noite para você também, moça. –Ao, um homem de cabelos espetados de cor azul e um misterioso tapa-olho, respondeu irônico. –Se não quiser ser presa por desacato, fique quietinha aí.
–Eu vou ser presa por agressão antes de ser presa por desacato, sua equipe de... –Ela rebateu, sendo calada pela mão de Kiba, que cobriu sua boca.
–Acalme-se, Mei. –Pediu Sasuke. –Quem é o advogado que está acompanhando-o? –Inquiriu Sasuke aos detetives.
–Não há nenhum. Ele não solicitou a presença de um advogado. –O chamado Ao, respondeu.
–Como vocês interrogam um homem sem a presença de um advogado para defendê-lo? –Ditou Sasuke, furioso, recebendo apenas um sacodir de ombros como resposta, o que o deixou ainda mais bravo.
–Bem que dizem que esses Uchihas só causam problemas... –Kotetsu murmurou alto o suficiente para Sasuke escutar e se enfurecer ainda mais.
–Se você acha que um causa problema... –Sasuke fez uma pausa, ouvindo o barulho de uma freada brusca de carro. –Espero que consiga lidar com dois deles. –Sorriu desafiador.
Alguns segundos depois, a porta da delegacia foi aberta de forma brusca por outro membro da família Uchiha. Alguém de cabelos compridos e bagunçados e linhas de expressão profundas, que lhe davam um ar ameaçador. Uchiha Itachi estava com uma pose imponente, uma maleta de couro preta. Seria assustador, se não fosse pelo fato de ele estar de pijama.
–Não deu tempo de trocar de roupa. –Explicou-se, antes de qualquer coisa. –Boa noite, senhores. Onde está meu cliente? Sou Uchiha Itachi, advogado de Namikaze Minato. –Falou de forma mais séria possível. Olhou para Naruto, que estava um tanto acuado lhe fitando e deu uma piscadinha.
–Você acha que tem alguma credibilidade trajando um pijama? –Falou Ao, assumindo uma pose provocativa.
Itachi se aproximou do homem, fitou-lhe nos olhos e disse:
–Mesmo usando um vestido rosa e um salto plataforma, eu tenho mais credibilidade do que você, seu cãozinho que late demais. –Respondeu, vendo uma careta se formar na face do outro. –Agora, saia da minha frente.
Ao, com uma expressão furiosa, deu alguns passos e abriu uma porta, que levava a um corredor repleto de portas, indicando a última delas para Itachi, que entrou rapidamente.
A situação não era muito boa. Naruto estava calado demais, deitado com a cabeça no colo de Mei, que estava temerosa e preocupada. Sasuke andava de um lado para o outro, de forma nervosa. Confiava em seu irmão, mas se estivesse certo, isso seria mais difícil do que o normal. Em seu ponto de vista, alguém havia armado contra Minato.
Em uma sala à prova de som, estavam Minato e um homem conhecido como um dos detetives mais linha dura da cidade, Morino Ibiki. Era um homem muito inteligente, que conseguia o que queria dos interrogados por meio de tortura psicológica. O homem de lenço na cabeça e expressão séria fazia perguntas ao loiro, porém perguntas simples. Conversavam normalmente, na verdade.
–Você sabe que lavar dinheiro é algo muito sério, não sabe, Namikaze-san? –Inquiriu o homem, fitando Minato nos olhos.
–Sei, e é por isso que não fiz isso. –Rebateu também sério. O outro homem riu e jogou alguns papéis sobre a mesa que separava os dois, os quais Minato pegou e olhou com cuidado.
Neles constavam informações sobre uma transação bancária. Dizia que uma quantia extremamente alta, na casa dos milhões, fora transferida da conta pertencente à rede de empresas que ele detinha para uma conta de caráter pessoal, que estava em seu nome.
–Eu não fiz isso! –Exclamou. –É um absurdo! Seria como dar um calote em mim mesmo, é ridículo!
Ibiki iria responder, mas nesta hora, a porta da sala foi aberta com ferocidade, e quem passou por ela foi o então advogado do loiro.
–Itachi! –O loiro ditou com surpresa.
–Qual é a acusação, Ibiki? –Perguntou ao detetive, sem nenhuma cerimônia.
–Lavagem de dinheiro. –O homem rebateu seco, batendo de frente com Itachi, que deu uma gargalhada alta.
–Deixe de ser ridículo! –Exclamou o advogado. –O que Minato iria querer com mais dinheiro? Ele tem mais dinheiro que o caixa público dessa cidade! Sejamos realistas, meu caro!
–É isso o que estamos tentando descobrir. –Ibiki retrucou de forma calma. –Recebemos uma denúncia e estamos investigando. Até o momento, já descobrimos coisas o suficiente para fazer com que Namikaze Minato aguarde o resultado deste processo recluso na cadeia! –Rosnou.
–Itachi, por favor, não discuta com ele. –Pediu o loiro, causando confusão nos outros dois. –Eu e você sabemos que alguém armou para cima de mim, e se for quem eu penso, é alguém esperto demais para deixar alguma brecha. –Explicou-se. –Eu vou para a cadeia, de um jeito ou de outro.
–Minato... –Murmurou Itachi, confuso.
–Esse é o menor dos problemas, serei solto em pouco tempo, porque essa acusação se provará infundada. –Ditou fitando Ibiki nos olhos. –Mas, nesse meio tempo em que eu estiver recluso, problemas surgirão, e por isso peço que a tutela temporária de Naruto fique com Mei. –O loiro pediu, ainda olhando o homem nos olhos.
–Ela será investigada como cúmplice. Não será presa, por falta de provas, mas não poderá deixar a cidade e muito menos ficar com a guarda do menor. –O homem lhe respondeu, ainda mantendo contato visual.
–Compreendo. –Minato murmurou, desviando o olhar. –Itachi, no closet do meu quarto há um baú preto. Peça para Kiba ir busca-lo. –Solicitou. Itachi ouvia atentamente. –Sem intervenção, a guarda de Naruto ficará com o parente vivo mais próximo. –Fitou o moreno de forma preocupada, e o Uchiha entendeu. –O pedido de um preso não vale de nada, mas a vontade de um pai sim. No baú está registrada a minha vontade como guardião legal de Naruto e diz como proceder em caso de eu ficar incapacitado de cuidar dele. Isso é válido, não é, Ibiki-san?
–Se for um documento oficial, assinado por você, é possível que sim. Mas, ainda acho difícil a guarda dele ser negada à sua mãe. –Respondeu-lhe.
–Ótimo, já fico mais tranquilo. –Minato sorriu. –Vá logo, Itachi. O problema ruivo vai chegar aqui mais rápido do que você imagina. –O moreno assentiu e se retirou, sobrando somente Minato e Ibiki na sala. –Temos algum tempo, vamos conversar um pouco. –O loiro sorriu novamente.
Itachi foi o mais rápido que pode, e quando chegou à sala de espera, os problemas já se faziam presente. Mei estava entre Naruto e Kushina, peitando a ruiva. O loirinho estava sentado abraçado aos seus joelhos, com Sasuke ao seu lado, acalmando-o. Toboe, que estava no colo de Kiba, rosnava para a ruiva.
–Eu sou a mãe dele, a guarda dele me pertence! –A ruiva berrou. –Ele conviveu com um criminoso durante toda a vida e não vou mais admitir isso!
–Pelo amor de Deus! –Rebateu a morena de modo furioso. –Você o abandonou quando era criança! E você sabe o que ele passou por sua culpa? Sabe, sua desgraçada?
–Você acha que pode falar algo de mim, sua vagabunda interesseira? –Alfinetou Kushina.
–Chega! –Itachi gritou, fazendo todos se calarem. –Estão assustando ainda mais o garoto! –Apontou para o loiro que estava ao lado de seu irmão. –E você, sua maldita, -Apontou para Kushina. –não vai encostar um dedo nele!
–Quero ver quem dirá isso no tribunal! –Rosnou a ruiva.
–Não será necessário chegar até os tribunais. –Itachi ditou firme. –Minato ainda tem a guarda dele, e só está temporariamente “incapacitado”. Até o fim da noite, Naruto sairá daqui com seu guardião temporário legal, e eu te garanto que não será você. –Sorriu provocativo. –Kiba-kun. –Itachi chamou.
–Sim? –O moreninho respondeu um tanto confuso.
–Minato pediu-lhe para buscar um baú preto no closet do quarto dele. –Informou o mais velho, vendo Kiba assentir e Kushina arregalar os olhos. Ela sabia que Minato possuía diversos baús, de diversas cores, onde guardava suas coisas, sendo o preto o mais “sério” deles. –Vá rápido!
O moreninho entregou Toboe para Gaara, levantou-se e se alongou um pouco, para em seguida, sair correndo em disparada para a casa dos loiros. Não havia obstáculos que pudessem pará-lo.
Na delegacia, os ânimos estavam mais calmos. Mei e Kushina estavam em lados opostos da sala, encarando-se furtivamente. Naruto estava sentado na escadaria da entrada do local, junto de Sasuke. O moreno tentava distraí-lo um pouco. Itachi estava sentado ao lado de Mei e de Gaara, conversando um pouco com o ruivo, já que a mulher estava “ocupada”. Os detetives estavam em um canto, observando tudo.
Nem meia hora depois, Kiba voltou, ofegante, com uma mochila nas costas, contendo a tal caixa. Itachi pegou o baú e dele retirou uma carta, escrita a mão por Minato. Chamou Ibiki para ler o documento em sua presença.
Quando o homem juntou-se ao grupo, Itachi prostrou-se a ler.
“Bom, se estiverem lendo isso, é porque algo grave me aconteceu e, por algum motivo, não tenho mais condições de cuidar do bem mais precioso que possuo; Uzumaki Naruto.
Não posso simplesmente deixar que o futuro dele seja definido pelo acaso. Não posso deixar que ele fique nas mãos de qualquer um.
Quero que, primeiramente, o direito de cuidar dele seja da pessoa que aprendeu a amá-lo quase tanto quanto eu: Terumi Mei, que, atualmente, assume o papel de mãe para ele, deixado “em branco” por Uzumaki Kushina...”
Itachi fez uma pausa nesse momento, e Ibiki tomou a palavra.
–Por ser acusada de ser cúmplice de Minato, e estar sobre investigação, a guarda não será cedida a Terumi Mei. –Nesse momento, Kushina abriu um sorriso, e Mei ficou indignada. Não sabia que era acusada de ser cúmplice. Iria fazer um escândalo, mas Itachi rapidamente pigarreou e prosseguiu.
Caso, por algum motivo, Mei também esteja impedida ou incapacitada de tomar conta de Naruto, gostaria que sua guarda temporária (ou permanente, em caso de minha morte) fique com uma das pessoas que mais confio, e que recentemente tive o prazer de reencontrar e conversar: Inuzuka Tsume.
Em caso de qualquer inconveniente, a tutela de Naruto deverá pertencer a respectivamente, estas pessoas:
Uchiha Itachi;
Akasuna no Sasori;
Mitsashi Tenten;
Konan, namorada de Itachi.
Espero que a minha vontade seja suficiente para manter Naruto em boas mãos.
Namikaze Minato.
–Fim. –Disse Itachi. –Ibiki-san, creio que a última palavra cabe ao senhor.
–Espera! –Exclamou Sasuke. –Não fala nada a meu respeito aí?
–Há um nome rabiscado, otouto, pode ser o seu, mas não dá para entender. –Respondeu a Sasuke, que estava confuso. –Apenas por curiosidade, quem tinha conhecimento desse baú?
–Eu tinha. –Naruto manifestou-se pela primeira vez em algum tempo. –Há poucos dias, o tou-san e eu tivemos uma conversa. Ele me disse que estava com um pressentimento ruim e caso ele viesse a falecer, eu deveria pegar esse baú e essa carta. –Explicou.
–Oh sim... –Murmurou. –Enfim, acho que isso resolve o problema, não é, Ibiki?
–Isso é um absurdo! –Kushina berrou. –Eu sou a familiar mais próxima dele, a guarda deve pertencer a mim! A vontade de um criminoso não deve contar!
–Calada! –Ordenou o investigador. –Estive conversando com Minato nos últimos minutos, e ele me contou um pouco da história dele e de Naruto. –Ibiki ditou calmamente. –E, acredite, antes de deixar que alguém como você cuide de Naruto, eu mesmo peço a guarda dele. –Falou de forma dura, fazendo com que todos se calassem. –Liguem para Inuzuka Tsume, apenas para ter certeza se ela está ciente de tudo. –Ibiki agachou na frente de Naruto, que estava sentado em uma cadeira e o fitou. –Você será levado até sua casa, onde poderá pegar o que julga necessário.
–Tudo bem... –O loirinho assentiu. –Eu... Posso conversar com meu pai um pouco? –Pediu.
–Claro. Ao! –O careca chamou em um grito. –Acompanhe o garoto.
E acompanhado do homem, Naruto foi até a sala onde seu pai estava, e assim que o viu, correu para lhe abraçar.
–Tou-san! –Gritou, já não segurando mais o choro.
–Ei, está tudo bem. –O loiro maior retribuiu o abraço. –Me diga, você vai ficar com a Tsume?
–Hai. –Afirmou. –Mas eu estou com medo! Eu não quero perder você!
–E você não vai, não se preocupe. –Falou firme, olhando o filho nos olhos. –Vai ficar tudo bem, eu prometo. –Beijou a testa do filho. O beijo mais demorado que conseguiu dar. Sentiria saudades de acordar e ver seu filho fazendo algo estranhamente divertido.
Ficaram mais alguns minutos juntos, até que tiveram de se despedir. Naruto foi levado por Sasuke até sua casa, para arrumar suas malas. Itachi levou Mei para a casa de Kurenai, sua prima. Também levou Kiba e Toboe para casa, onde conversou um pouco com Tsume. Levou também Gaara até sua casa, onde aproveitou e explicou a situação para Sasori.
–Ele vai ser levado para o Presídio Central de Konoha. –Itachi contou, enquanto tomava um café com os dois ruivos.
–Esse lugar é de segurança máxima. Os piores criminosos estão detidos lá. Mandar ele pra lá era realmente necessário? –Explanou Sasori.
–Na verdade não, mas segundo Ibiki, isso quem escolhe não é ele, mas superiores.
–Espero que ele fique bem... –Desejou Gaara.
Já era praticamente de manhã, então Itachi ficou na casa dos ruivos. E na mansão dos loiros, duas figuras caminhavam para cima e para baixo, juntando coisas e pondo em um par de malas grandes.
–Naruto... –O moreno chamou, enquanto dobrava algumas camisetas.
–O que foi? –O loirinho respondeu, empacotando alguns pares de tênis.
–Você sabe o motivo de meu nome ter sido riscado daquela lista? –Sasuke indagou. Estava com aquilo na cabeça, e sentiu a necessidade de perguntar. Porém, Naruto não respondeu. Ficou em silêncio e nem se mexia. –Ele não confia em mim?
–N-n-não s-sei... –Gaguejou. Logicamente, Sasuke não acreditou no menor.
–Não minta para mim, Naruto. –O moreno fez o loiro virar-se para si, pegando-o pelo ombro. –Me fala a verdade.
Naruto suspirou pesado. Fitava o chão. Estava nervoso. Mas, se Sasuke queria saber, que a verdade fosse dita, então. Tomou coragem, mas ainda de cabeça baixa, começou seu relato.
–Naquele dia, depois da festa para comemorar o namoro do tou-san e da Mei, ele veio falar comigo, não lembro exatamente em que período do dia. Ele perguntou por quem, além de você, eu gostaria de ser tutelado caso ele não pudesse mais. Não sabia bem o porquê disso, mas falei alguns nomes. Depois ele me explicou da carta... –Contou ele, de forma rápida e vaga.
–E por que meu nome foi riscado da lista? –O moreno inquiriu, novamente. Naruto ainda não havia falado.
–Foi porque eu disse que não queria que você fosse meu tutor legal. –Confessou o loirinho, olhando de esgueira para o moreno, que estava surpreso.
–M-mas... Por quê? – O moreno estava confuso. –Não entendo... –Naruto suspirou.
–Porque os nomes que eu disse foram os das pessoas pelas quais eu tenho um sentimento mais familiar, como se eu os considerasse outros pais e mães para mim... –Murmurou. –Mas eu... Por você... Sinto algo diferente... –Falou um tanto abobalhado.
–O que quer dizer? –Inquiriu o moreno.
Naruto espremeu os olhos e os lábios. Não sabia se conseguiria dizer isso. Então, puxou ar o mais fundo que conseguiu e soltou tudo de uma vez:
–Acho que eu te amo, Sasuke! –Ditou em um grito. Não propositalmente, apenas soltou o que sentia, mas não controlou o tom de voz.
Sasuke estava estático. Não sabia o que dizer.
–P-por favor, não me odeie, Sasuke! Por favor! –Implorou o loirinho, secando algumas lágrimas que lhe começaram a cair. –Eu não queria isso, mas aconteceu! Eu te amo já faz algum tempo, mas não me odeie por isso!
Sasuke saiu de seus devaneios. Largou um longo suspiro e pegou a face do garoto em sua frente entre suas duas mãos, fazendo com que ele o fitasse.
–Não precisa chorar, e nem pedir para eu não te odiar. –Secou as últimas lágrimas do rosto surpreso do loirinho. –Não conseguiria te odiar... Até porque acho que te amo também. –Confessou, dando uma risada curta em seguida, rindo da expressão abobalhada do loiro.
–C-como? –Perguntou o menor.
O moreno não respondeu. Ele deu outra risada e foi aproximando o seu rosto do rosto de Naruto, lentamente. Fitavam-se nos olhos. Ambos hesitaram algumas vezes, mas quando seus lábios roçaram uns nos outros, não teve mais volta. Fecharam os olhos e entregaram-se a um beijo que há muito ambos, secretamente, esperavam. Um beijo que começou com um simples colar de bocas, mas que foi tornando-se mais profundo quando Sasuke pediu passagem com sua língua, e esta foi cedida por Naruto.
Nada promíscuo, mas repleto dos mais diversos sentimentos que um nutria pelo outro. Separaram-se apenas quando o ar lhes faltou, para trocarem um ou dois selinhos ainda, e então fitarem-se nos olhos.
–Naruto... –Sasuke murmurou.
–Sim?
–Temos que arrumar suas malas. –Sorriu.
–Hai... –Sorriu de volta.
Era apenas o início de algo marcante.
Bom, mas de início, foi o que fizeram. Arrumaram as malas do garoto, que com peso no coração, se despediu temporariamente da casa onde se criara e passaram dias magníficos. Sentiria falta, mas pôs em sua cabeça que era temporário. Após isso, Sasuke o levou até a casa de Tsume, que lhe recebeu, literalmente, de braços abertos, para um abraço reconfortante. A mulher também não estava conformada com a história.
E depois de tanta confusão, Minato já havia chegado até o lugar que, querendo ou não, poderia chamar de lar. Na frente do imponente complexo de prédios, cercado por muros altos e grossos, extremamente reforçados, repórteres já se acumulavam para tentar conseguir uma imagem do loiro, para estampar as manchetes dos jornais. O detalhe era: o Sol nem havia nascido. Essa história havia se espalhado rápido demais.
Mas, não conseguiram o que queriam. Minato chegou em um carro fechado, e foi logo levado para dentro, onde seus pertences foram recolhidos, exceto por duas fotos que ele carregava; ambas dele com Naruto, sendo uma de quando ele era criança e outra mais atual.
Recebeu um uniforme, composto por camiseta branca, camisa e calça laranja e um sapato comum, preto. Também recebera um cobertor e um travesseiro, antes de ser guiado para a cela, que não era exclusiva, então a dividiria com alguém. Nada de regalias para ele...
Apesar da hora, a casa dos ruivos, assim como a dos Inuzuka estava movimentada. Itachi e Sasuke, que chegara depois de levar o loirinho, estavam conversando com Sasori em sua casa. Gaara havia tomado banho e saído rumo à casa do namorado. Lá, foi recebido pelo cãozinho e por sua sogra, que fazia o café da manhã. Kiba estava no seu quarto, onde Naruto dormia. Fora uma madrugada cheia para o loirinho.
Sentaram-se à mesa Kiba, Gaara e Tsume. Eles não conseguiriam dormir tão facilmente, então resolveram comer algo antes.
–Aquele presídio é horrível. –A mulher manifestou-se. –Os piores criminosos estão lá. Não entendo como puderam jogar alguém como Minato naquele inferno.
–Concordo. –Gaara balançou a cabeça, consentindo. –O motivo de o Sasori ter se mudado para Konoha está preso lá.
–Como assim? –Kiba perguntou curioso.
–Eu e o Danna somos naturais de Sunagakure, porém, os meus tios e ele se mudaram para Amegakure quando Sasori era novo. –Contou. –Lá, ele viveu a infância e um pedaço da pré-adolescência. –Bebericou seu café. –Mas, uma série de assassinatos e sequestros transformou a cidade em um caos, e então, pensando na segurança dele, mandaram ele para cá, para morar com a Chiyo-baa. –Explicou o ruivo. –Pouquíssimo tempo depois, o líder da gangue responsável pelos crimes foi pego pela polícia e está preso aqui em Konoha. É um homem extremamente perigoso.
–Espero que o Minato-san fique bem, e que tirem ele de lá rápido. –Murmurou Kiba com preocupação.
E falando no loiro, este se encontrava parado de frente para a grade que delimitava a sua cela. Quando esta foi aberta, o policial que lhe acompanhava disse:
–Namikaze Minato, espero que se dê bem com o monstro de Amegakure; Akatsuki no Pain. –O homem gargalhou, empurrou Minato para dentro e os trancou.
O loiro suspirou e olhou rapidamente para o colega de cela, que estava sentado em sua respectiva cama, fitando o chão. O loiro estava um pouco amedrontado e extremamente receoso.
–Olá... –O loiro saudou, tentando iniciar uma conversa, porém o ruivo lhe fitou com um olhar ameaçador, e logo desviou os olhos para o chão novamente. Aquela encarada fez Minato tremer.
Seria uma estadia longa por ali...
O Sol já havia raiado, e no meio da manhã, os membros de alto escalão do grupo de empresas dirigido por Minato estava em uma reunião de emergência. Nos jornais e televisões, não se via outra coisa senão a prisão de Minato. Seria vital a escolha de um novo presidente.
Na sala de reuniões da cede da companhia, estavam presentes os membros que estavam disponíveis no momento, debatendo euforicamente. Entre eles, Hiashi e Hisashi Hyuuga, donos de uma das empresas associadas, e também Uchiha Fugaku, pai de Itachi e o mesmo homem que expulsou Sasuke de casa. Ele também era um dos sócios.
–Por hereditariedade, quem deveria assumir a presidência, seria o vice-presidente, Jiraya! –Um dos homens exclamou.
–Mas, alguém sabe do paradeiro daquele velho? Não se pode confiar em um homem que vive sumindo do nada! –Rebateu um dos Hyuuga.
–Por mais que falemos mal desse velho, automaticamente, quem manda agora é ele. –O Uchiha ditou firme. –Devemos contatá-lo e explicar o acontecido. Se ele não quiser assumir, deverá escolher alguém para o cargo. –Concluiu confiante. Dissera isso porque tinha uma boa relação com Jiraya, o que lhe dava alguma vantagem caso fosse necessário.
–Não tão rápido, meus senhores! –Uma voz gritou, depois de a porta da sala ser aberta com pressa e uma figura engravatada adentrar. Fora a terceira vez no dia que quase arrombara uma porta.
–Itachi?! –Fugaku exclamou. – O que faz aqui? Como ousa?
–Itachi-SAMA, para você, senhor Uchiha. –Itachi Rebateu seco. Não tinha uma relação muito boa com o pai depois de ele ter expulsado Sasuke de casa. –Tenho algumas palavras a dizer.
–O que te dá o direito de entrar aqui assim, moleque? –Hizashi gritou.
–O que me dá o direito? –Indagou irônico. –Pois bem, o fato de Jiraya ter se aposentado e pedido demissão da empresa há alguns dias me dá esse direito. –Retrucou. –E mais, o fato de Namikaze Minato, em pessoa, ter me contratado, no mesmo dia, para ficar no lugar de Jiraya, me dá o direito. –A sala ficou em silêncio. –Eu sou Uchiha Itachi, o novo presidente da corporação. –O Uchiha mais novo sentou-se na ponta da mesa, sendo alvo de todos os olhares, inclusive do olhar incrédulo de seu pai.
–Você espera que nós aceitemos isso? –O próprio Uchiha mais velho perguntou. –Por favor, Itachi, você mal sabe o que faz da sua vida! –Itachi mal o fitou. Apenas jogou alguns papéis na frente de seu pai.
–Leia, veja a assinatura, cale sua boca e aceite, porque é assim que vai ser. –Foi seco, novamente. –Fui incumbido de não deixar o império de Namikaze Minato ruir, e é isso que farei, custe o que custar. –Concluiu firme.
Minato era um homem extremamente calculista. Um guerreiro que usava suas armas com sabedoria. E ele tinha as melhores armas do seu lado. Uma delas atendia pelo nome de Uchiha Itachi.
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