Inside
18 Parques, crianças e wushu...
Notas iniciais
Na manhã de domingo que se iniciava, o silêncio reinava na mansão Namikaze. O primeiro a acordar não foi nenhum dos dois loiros, na verdade, mas sim Kiba.
O garoto levantou sem fazer muito barulho e foi até o banheiro anexo ao quarto de Naruto, onde fez sua higiene pessoal e suas necessidades. Estava sem sono, então depois de pronto ele saiu pelos corredores, caminhando pela casa para explorar cantos ainda desconhecidos para si. Estava em uma sala que mais parecia um jardim de inverno. Talvez fosse. O lugar tinha uma cor viva e era repleto de flores e folhagens, de todas as cores, e algumas pequenas fontes davam uma beleza a mais ao lugar. O contemplativo garoto foi chamado de volta a realidade por uma voz já conhecida.
–Ohayou. –Saudou o loiro maior, com voz e cara típicos de quem acabou de acordar.
–Ohayou Minato-san. –Saudou de volta. –Desculpe, eu só estava caminhando um pouco, não quero que pense que estou vasculhando a casa ou algo assim. –Falou um tanto afoito. Minato riu.
–Não se preocupe, está tudo bem. Já disse que pode ficar a vontade. –Respondeu o maior, aproximando-se e sentando-se em um pequeno balanço que tinha ali. –Como foi a noite? E seus machucados?
–Ah, foi tranquila, e quanto aos ferimentos, Naruto fez uns curativos. –Sorriu maroto, mas o sorriso se desfez para dar lugar a uma expressão mais séria. –Falando nele, essa noite eu acordei com alguns resmungos dele. Ele se remexia muito na cama e falava umas coisas sem nexo. Parecia ter medo. –Comentou.
–Ele teve um pesadelo recentemente também, tive que dormir com ele, pois ele estava desesperado. –Contou o maior. –Tenho que me lembrar de falar com o Sasuke sobre isso.
–Seria bom, eu fiquei preocupado. –Concordou. –Mas e aí Minato-san, como foi a noite pra você? –Perguntou sorrindo.
–É, tou-san, como foi? –Indagou o loirinho que adentrava ao recinto. –Ohayou, a propósito.
–Ohayou, Naruto. –Responderam uníssonos. –Está ai há muito tempo? –Perguntou Minato.
–Cheguei agora na verdade... –Comentou, coçando a nuca em seguida. –Mas e aí, eu estou curioso. Como foi? –Continuou, parando ao lado de Kiba em seguida, escorando-se nele.
–Foi muito boa. –Sorriu. –Ela gostou dos presentes. Jantamos naquele restaurante italiano, e aquele garçom pediu de você, Naruto. –Comentou. –Mas enfim, jantamos e depois levei ela de volta ao hotel. –Deu de ombros. Naruto espremeu os olhos. Ele sabia quando seu pai tentava omitir algo. Ele observava seu pai.
–E a parte que você não contou é? –Pressionou.
–A gente se beijou. –Abriu um sorriso infantil e bem largo. Os outros dois se entreolharam e abriram um sorriso também.
–Eu arriscaria o palpite que ela te beijou pra calar a sua boca. –Comentou Naruto, fazendo o sorriso de Minato sumir e o de Kiba tornar-se uma gargalhada.
–Quietinho Naruto. –Ralhou o maior, com um tom de vergonha na voz. –Ah, antes que eu me esqueça, ela pediu pra te dar isso. –Estendeu um envelope laranja que tirara do bolso da calça.
–Outra pista! –Exclamou, logo abrindo para verificar o conteúdo.
‘Sora wo mi agereba, hoshitachi ga hora matataiteru. Kono hoshi no hitotachi mitai ni, samazama na hikari wo hanatte, sou no dakara boku mo hitokiwa kagayaitetain da. Me wo tojite kokoro ni chikau, nagareboshi ni yume wo takushite...’
Jaa ne! Mei.
Leu em voz alta, franzindo o cenho em uma expressão pensativa.
–Já resolveu o enigma, Naruto? –Indagou Kiba. Ele sabia da história.
–Por incrível que pareça, não. –Sorriu. –Mas deixemos isso para mais tarde, estou com fome.
–Toma café conosco, Kiba? –Questionou o maior.
–Claro.
Os três foram para a cozinha, e como o café já estava servido, aproveitaram juntos a refeição. Quando terminaram a mesma, Kiba pegou seus pertences e foi para casa, não antes de receber muitos agradecimentos pela ajuda no dia anterior. Não saíra da casa dos Namikaze por que queria, mas sim porque teria que trabalhar. O resto da manhã passou com os loiros conversando banalidades. A hora do almoço se aproximava, e os dois loiros empolgados, resolveram cozinhar.
–Aquela tal dica era um trecho de música, certo? –Indagou o loiro maior, enquanto cortava a carne para fazer um strogonoff, à medida que olhava no livro de receitas. Estava melhorando na cozinha, mas ainda não era grande coisa.
–Certo. Nagareboshi. –Confirmou, acenando positivamente com a cabeça. –Não sei como ela descobriu que eu gosto, mas acertou em cheio.
–Não tem ideia do que possa ser esse tal presente?
–Na verdade não. –Disse pensativo. –Tou-san, por eu não convidamos ela para almoçar conosco? –Perguntou o loirinho, vendo seu pai se engasgar, tossindo compulsivamente e corando.
–N-não sei se devemos... –Respondeu um tanto sem jeito.
–Tou-san, você vai ter que falar com ela cedo ou tarde. –Falou em tom repreendedor. –Se você não ligar, ligo eu. –Deu o ultimato.
–Droga... Desde quando recebo ordem do meu filho? –Indagou-se debochadamente, limpando as mãos e procurando por seu ceular.
–Desde hoje, se for o caso. Mas não dê uma de frouxo! –Disse autoritário.
O loiro maior acatou a decisão de seu filho, logo discando um número que se tornaria corriqueiro.
–Moshi Moshi? –Soou a voz feminina do outro lado da linha!
–Ah, o-oi Mei. –Gaguejou. –T-tudo bem com v-você? –Naruto fitou o pai, incrédulo, levando a mão ao rosto e negando com a cabeça em seguida.
–Tudo ótimo, e com você?
–Ah, to bem também... –Coçou a nuca. –Ei, você gostaria de almoçar aqui? Quer dizer, eu e o Naruto estamos na cozinha, e seria legal se você viesse...
–Acabei de tirar umas fotos para uma campanha, estava indo almoçar agorinha. –Confessou. –Encontrei o Kiba e o Sasori e estávamos saindo para comer algo...
–Ah... –Respondeu tristonho. –Fica pra próxima então.
–Não! –Berrou. –Se não se importar com a “companhia extra”, eu topo. É que já tinha combinado com eles, aí fica chato desmarcar.
–Não me importo não, na verdade adoraria. Tem comida pra todos. –Disse, desta vez abrindo um largo sorriso. Naruto vendo a felicidade um tanto infantil do seu pai, sorriu também.
Assim que Minato desligou o telefone, o sorriso só aumentou. Foi até a geladeira e pegou mais carne para cortar, afinal teriam mais convidados. Alguns minutos depois, Naruto estava no fogão, fritando a carne para que seu pai fosse atender a porta, já que o barulho da campainha havia lhe chamado a atenção.
–Minato-san, olá! –Disse Sasori, que estava acompanhado de Mei e também de Kiba.
–Olá minna! Entrem e fiquem à vontade. –Falou, cedendo espaço para que os convidados entrassem. Em momento algum conseguiu olhar nos olhos de Mei. Estava um pouco tímido. Mei apenas riu do desconforto adolescente de Minato.
Os três foram até a cozinha cumprimentar o loiro mais novo também. Minato veio depois e o grupo engatou diversas conversas.
–Eu ainda não entendo como chamaram aquela coisa feia e esquálida pra ser modelo. –Disse Kiba. –Ela é feia demais. Acho que você daria de dez a zero nela.
–Eu sei, mas não posso fazer nada se quiseram dar a campanha pra ela. Só sei que poderia arrebentar a cara dela quando ela deu aquele sorrisinho nojento quando ela foi escolhida. –Falou ela enquanto picava algumas frutas para fazer uma salada de frutas como sobremesa. –Mas pelo visto gostaram de você, Kiba.
–Quem sabe... Só sei que esse dinheiro veio em boa hora. –Sorriu enquanto picava o champignon. –Está quase pronto! –Falou mais alto, para que Minato e Sasori, que estavam conversando sobre o presente de Mei. Acertando o pagamento, na verdade.
–E você, Naruto? Já adivinhou o que será seu presente? –Perguntou a morena,com um sorriso discreto.
–Não... Só sei que você conhece meu gosto musical. –Riu. –Obrigado, Mei.
–Não agradeça, faço de bom grado.
–Mas me diga, como foi o jantar com o tou-san pra você? –Pediu o loirinho.
–Eu fiquei curioso também... –Comentou Kiba.
–Foi perfeito. Minato é um ótimo homem. –Sorriu. –Conversamos um pouco e por fim, vocês já devem saber o que aconteceu.
–É, nós ficamos sabendo. –Falou o loiro em tom maroto. –Então, vocês estão tipo... Juntos? –Perguntou, apagando a chama do fogão. –JÁ ESTÁ PRONTO! –Berrou, chamando a atenção dos demais, que logo se sentaram à mesa.
–Isso é uma boa pergunta. –Murmurou a mulher.
O almoço seguiu tranquilo e animado ao mesmo tempo. A comida era deliciosa e a companhia agradável, então correu tudo bem. Comeram também a sobremesa simples, mas deliciosa, feita por Mei. Deixaram a louça suja na pia, afinal não era hora para lavá-la, mas sim para aproveitar a companhia.
Sasori e Naruto estavam sentados ao piano. O loirinho tentava ensinar umas lições básicas ao ruivo, que estava captando algumas coisas.
–É algo bem menos complexo do que parece. –Falou o loiro, que se lembrou de algo que lhe parecia muito importante. –Ah, Danna, quando eu estava caminhando esses dias, eu encontrei um cristal em meio a algumas pedras. Deve ser uma ametista. Me chamou a atenção por ter uma coloração roxa bem forte. Gostei dela e pensei que você pudesse fazer alguma joia com ela. Venha ver. –Levantou-se e acompanhado de ruivo e também de Kiba, seguiu para seu quarto, deixando Mei e Minato sozinhos. A morena iria falar algo, mas o loiro tomou a frente.
–Desculpe estar te tratando assim, te dando pouca atenção. –Silabou, sentando-se ao piano, dedilhando algumas teclas aleatoriamente. –Só não sei como agir. Não sei o que o beijo de ontem significou pra você. Estou pior que um adolescente. –Fitava o piano, mas parecia distante. A mulher sorriu de lado e sentou-se no piano e cruzou as pernas. Estava de frente para Minato, porém mais afastada. –Não sei o que dizer.
–Não precisa dizer nada. Apenas sua companhia já me faz bem. –Sorriu quando o loiro ergueu a cabeça e afitou. –Você me faz sentir como um adolescente de novo. Se não souber o que dizer, só sorria. Isso me basta. –O fitou ainda sorrindo. O loiro maior corou.
–Isso foi muito fofo! –Comentou Sasori, que já estava de volta, sorrindo como uma criança. Ele e os demais assistiram a cena. –Minato-san, tenha a dignidade de convidar a moça para dar uma volta pelo parque. O dia está lindo.
–Tirou as palavras da minha boca. –Disse Naruto. –Kiba e eu vamos com Sasori até a joalheria passar o resto da tarde lá, então façam algo vocês também. Isso é uma ordem! –Ditou.
–B-bom... Você aceita, Mei? –Perguntou o acanhado e corado loiro maior.
–Claro que sim. –Respondeu sorrindo, levantando-se e indo até Minato, que se levantou também. Todos pegaram seus pertences e deixaram a casa simultaneamente.
O rascunho de casal nem se deu ao trabalho de sair de carro e foram caminhando mesmo. Minato ainda estava sem jeito. De fato, parecia um adolescente. Mei ria do seu jeito abobado. A morena teve a iniciativa de enlaçar suas mãos e assim seguiram caminhando, de mãos dadas.
Já o trio seguiu de carro até o imponente prédio onde ficava a joalheria. A vó de Sasori sempre dizia que enquanto houvesse alguém para cuidar da loja, ela estaria aberta, então mesmo sendo domingo, ela estava funcionando. Passaram pela recepção e subiram de elevador até o oitavo andar, velho conhecido tanto do ruivo, quanto do loiro e do moreno.
Na requintada loja, Gaara, que era quem estava cuidando da mesma, acabara de realizar uma venda e estava debruçado no balcão. Quando viu o trio se aproximar, não evitou em corar.
–Gaara-kun! –Saudou o loirinho.
–O-oi... –Disse envergonhado. –Que bons ventos os trazem aqui?
–Fomos impulsionados pelo tédio. –Falou Kiba. –Devíamos ter ido ao parque junto com os pombinhos.
–E segurar vela? –Indagou Sasori.
–Sei lá... Lá tem sorvete ao menos. –Resmungou fazendo bico.
–D-danna, a vovó nos liberou mais cedo hoje. Ela disse podíamos fechar a loja mais cedo e aproveitar o domingo. –Pronunciou-se, corando mais ainda. –Dá tempo de ir ao parque ainda, se quiserem.
–Podíamos mesmo. –Falou o loirinho. –Vem conosco, Gaara? –Fez o convite e o ruivo de olhos claros titubeou um pouco.
–Vem mesmo, primo. Vai te fazer bem. –Sorriu sugestivamente.
–C-certo então.
O carro repleto de cabeleiras muito coloridas seguiu rumo à um parque que ficava relativamente próximo da casa dos loiros. Era uma área verde muito tranquila, com bosques, um riacho e algumas lagoas também, com uma biodiversidade incrível. Aves de diversos tipos, peixes, mamíferos e uma gama enorme de insetos habitavam o local. Pareciam sentir a paz que a área transmitia.
O parque contava com a mão humana para enfeitá-lo também. Bancos com design quase artístico, quadras de diversos esportes, chafarizes e áreas para meditação acentuavam a beleza.
O agora quarteto vagava pelo local em busca de algum sinal de vida dos aspirantes a casal, que devia estar namorando um pouco em algum dos cantos daquele local. Gaara estava se sentindo meio deslocado com o grupo, então estava mais calado. Só tinha intimidade com o seu primo.
O dia estava com um clima agradável. A sensação era de frio, mas o Sol brilhava intensamente no céu, camuflando o frio. E foi vagando por uma pequena trilha que eles encontraram os alvos da sua procura. Ainda de mãos dadas.
–Minna! Achei que tinham dito que iriam ficar na joalheria. –Exclamou o loiro maior.
–Só demos uma passadinha lá e resgatamos mais um. –Ditou Kiba, sorrindo infantilmente e depositando um soco de leva no braço de Gaara.
–Oh, entendo. –Sorriu de volta. –E você é quem mesmo? –Questionou ao ruivo até então desconhecido.
–Ah, Sabaku no Gaara. É um prazer Namikaze-san. –Estendeu a mão para um aperto saudoso, que logo foi prontamente retribuído. Assim que Minato largou a mão de sua... Amiga.
–Sem essa de formalidades. Apenas Minato.
–Ok, Minato. –Sorriu meio envergonhado. –Oi pra você também, Mei. –Acenou para a mulher.
–Oi Gaara-kun. –Sorriu em resposta. –Nos conhecemos lá do prédio mesmo. –Completou ela, respondendo a pergunta que todos se faziam mentalmente.
O grupo, que aumentara, seguiu pelo parque, com muitas risadas e conversas transversais. Passaram horas apenas vagando e aproveitando a companhia uns dos outros. Gaara, Sasori e Kiba conversavam sobre a escola, vídeo games e filmes. Riam muito. Kiba sabia que Gaara andava com Neji, mas não se importava. Sabia que o ruivo era uma boa pessoa. O ruivo o ajudara no dia da confusão da educação física. Enquanto isso, o loirinho, Mei e Minato pareciam uma família feliz, andando juntos e com Naruto se portando como uma criança. Por volta das 16h00min os dois ruivos tiveram de ir, então ficando Naruto, Kiba, Mei e Minato. Quando cansaram de vagar, foram procurar um lugar pacífico para sentar e apenas relaxar.
Minato lembrava-se de um local que conhecera há alguns anos. Seguiram procurando a trilha discreta que levava ao tal lugar. O loiro maior contara que a pequena clareira que procuravam era de beleza única. E não estava mentindo.
Quando acharam o pequeno caminho, repleto de árvores e vegetação que lhe fechavam quase por inteiro, seguiram por ele com dificuldade durante algum tempo, e quando chegaram ficaram maravilhados, e também surpresos.
Admirados com a paisagem. Por mais selvagem que fosse a grama estava bem aparada, sinal de que alguém cuidava dali. Havia muitas flores espalhadas aleatoriamente e dispostas em jardins naturais. Pelo paredão de pedra que ficava ao fundo, escorria uma pequena queda d’água. A água não caía feito uma cachoeira, apenas escorria artisticamente pela pedra até a base, onde tinha um pequeno lago. Não era muito grande, mal se podia chamar de lado. No centro havia uma construção. Um piso feito em concreto com formato octogonal. Nesse piso havia diversos desenhos geometricamente perfeitos. No centro, um octógono menor contendo o símbolo yin-yang estava gravado. Era um local de muita paz.
Por maior que fosse a beleza do local, não foi ele que mais surpreendeu. Ficaram mais surpresos por verem que o local não estava vazio como eles imaginaram. Havia duas pessoas no octógono, trocando golpes graciosos e quase coreografados. Socos graciosos que eram habilmente bloqueados ou desviados, depois retribuídos com outros ainda mais belos. Chutes bloqueados com o braço e cotovelos, saltos seguidos de golpes ou apenas servindo de esquiva... Era quase uma dança. Mesmo assim o fato que mais surpreendeu, superando os anteriores foi ver que quem trocava golpes eram figuras conhecidas. Os coques de cor chocolate e os cabelos negros e pele clara eram inconfundíveis. Os dois estavam tão compenetrados que nem perceberam a aproximação do grupo, que admirava a cena.
–Não abaixe a guarda, branquelo! – Ditou a morena em um grito, depositando um chute na lateral do abdome de Sasuke, que gemeu de dor e contorceu-se por conta da sensação, relaxando os braços de deixando aberturas das quais Tenten se aproveitou para socar seu peito e depositar um golpe de mão aberta em seu rosto em seguida, o derrubando. –Eu avisei. –Sorriu vitoriosa, só então parando para olhar em volta. –Oh, Minna, Kon'nichiwa! –Saudou, ainda sorridente. –Nem notamos vocês. Estão aí já faz muito tempo? –Perguntou dava uma ajeitada em suas vestes.
– Kon'nichiwa! –Cumprimentou Sasuke com um sorriso ladino por conta do “novo Naruto” que via, com roupas mais adequadas, sem óculos e com um corte novo. Havia conversado um pouco com Mei pela manhã e ela lhe contara sua façanha, a transformação do loiro. O sorriso logo virou uma carranca ao ver Kiba. Levantou-se com um pouco de dificuldade devido à dor.
– Boa tarde a vocês também! –Exclamou o loiro maior. Os demais apenas sorriram devolvendo o cumprimento. Naruto rapidamente desviou o olhar, focando seus olhos em nada específico. Estava corado. Kiba reparou e estranhou, mas logo notou o motivo, visto que Sasuke estava lutando sem camisa, expondo seu corpo bem definido. O canino apenas riu disfarçadamente. –Não sabia que batia em mulheres. –Brincou Minato.
–Quem me dera. –Retrucou o moreno, buscando uma toalha que estava jogada em um canto qualquer, secando o pouco suor que lhe escorria. –Como pode ver, eu apanho de mulheres. –Resmungou olhando de canto de olho para Tenten, que sorriu matreira e os demais riram. Naruto só voltou a si quando o moreno vestiu sua camiseta. –Vencer essa garota é impossível! –Exclamou por fim.
–Não s-sabia que lutava, Sasuke... –Murmurou Naruto, olhando para o chão. Diferente do que esperava, o moreno respondeu frio.
–Não luto. –Falou seco. Naruto estranhou. –Nos domingos venho apenas fazer companhia a Tenten. Ela sim luta... –Estendeu a toalha à garota. –Vivi muito tempo com ela e aprendi o básico. Por isso não consigo vencer.
–Ah... –Murmurou novamente, mas triste desta vez, indo até a parede de onde corria água, brincando um pouco com a mesma.
–Você pratica o que, Tenten-san? –Indagou Kiba.
–Alguns estilos de wushu.
–Wushu? –Perguntou Minato. Nunca ouvira aquela palavra.
–Kung-fu para os leigos. –Gritou Naruto, que estava mais afastado, recebendo um comprido “ah” de seu pai. Agora fazia mais sentido.
–Há vários estilos. Pratico desde meus seis anos. –Ditou a morena, sorrindo.
–Seis anos? –Ditou Naruto em tom pensativo, juntando-se ao grupo novamente. Estava com o semblante um tanto triste e confuso, mas disfarçava. Apenas Sasuke reparara, mas estava de birra por algum motivo, e ignorou. –Sasuke uma vez disse que vocês se conheceram enquanto você apanhava. E isso era no ensino médio...
–Certo. –Respondeu, fazendo um sinal de positivo com o polegar. –Eu havia dado uma surra em um garoto alguns dias antes na escola. Meus pais foram chamados e ficaram sabendo da história. Ficaram verdadeiras feras. –Fez uma careta. –Enfim, veio todo aquele sermão de “Nós não pagamos aulas de luta há tanto tempo pra você sair batendo nas pessoas como selvagem!” e eles me proibiram de lutar. Dias depois os amigos do garoto que eu surrei vieram se vingar. Eu estava em desvantagem e ainda não podia lutar, sob pena de punições severas... Aguentei tudo calada, até Sasuke me ajudar. –Pulou nas costas do moreno, que riu. –E daí surgiu nossa amizade.
–Incrível. –Falou Mei. –Seus movimentos são muito belos. Eu quando brigava sempre acabava catando a outra garota pelos cabelos e enchendo a cara de tapa. Teve uma vez que eu tirei o meu All Star só pra dar ele na cara de uma nojenta. Foi divertido. –Contou com a voz repleta de nostalgia.
–Ainda é um estilo eficiente, te garanto. –Brincou Tenten. –Eu sempre fui considerada muito promissora.
–Foram muitos anos lutando... –Disse o loiro maior com a mão no queixo, pensativo. –O que exatamente você sabe?
–Comecei com a arte marcial do Tongbeiquan, o estilo baseado nos movimentos de animais. Como em Kung-fu Panda, os Cinco Furiosos. –Riu. –Também Tai Chi Chuan, Pa Chi Chuan, sou professora em Wing Chun Chuan e mais recentemente aprendi a arte do Shao Lin Quan. Aprendi a arte marcial japonesa chamada Ninjutsu também. Foram vários anos de muito sacrifício, mas valeu a pena. Aprendi mais algumas, mas essas foram as principais.
–Entrar no seu caminho é pedir para morrer... –Resmungou Minato, admirado.
–Quase isso. –Riu. –Um dia enquanto eu treinava na academia, Hiashi Hyuuga estava assistindo. Ele disse que eu era promissora e se ofereceu para me ensinar uma arte nobre, e eu aceitei.
–Baguazhang. –Interrompeu Naruto. –Ou só Ba gua, certo?
–Exato, mas como...
–Golpe de palma. –Interrompeu novamente. Os demais novamente tinham uma expressão um pouco confusa e fitavam Naruto, que suspirou profundo. –Baguazhang é uma arte marcial chinesa. É uma das maiores, porém ela é mais aprendida e difundida em alguns clãs nobres, como os Hyuuga. Baguazhang literalmente significa Palma dos Oito Trigramas, em referência aos oito trigramas de um dos livros do Taoismo. Aí ainda tem os oito princípios, e as dez orientações. É uma coisa bela e perigosa. –Explicou.
–Oh, era essa as frescuras que os gêmeos Hyuuga sempre falavam. –Exclamou Minato, lembrando-se de algo. –Hiashi e Hizashi. Eu estudei com eles. Não me admira Neji ser tão ignorante. Seu pai e seu tio eram assim também. –Contou. –Sempre batendo nos outros, e claro, falando de uma arte superior que nós, a ralé, nunca poderíamos aprender. Eu já apanhei deles, e esses golpes doem até na alma. –Fez uma careta. Mei passou sua mão pela cintura do loiro, em um meio abraço, retribuído.
–Concordo... –Resmungou Sasuke, levando a mão ao rosto.
–Lembro que a farra deles acabou quando os irmãos Uchiha, seu pai e seu tio Madara, Sasuke, deram uma surra nos dois. Parecia que os dois conseguiam prever o que os Hyuuga iam fazer e então bloqueavam e contra atacavam. Foi incrível. –Sasuke sorriu fraco.
–Deve ser algo bem interessante praticar uma arte marcial. –Disse Kiba, imitando algumas posições que vira em filmes de ação, fazendo Sasuke revirar os olhos e os demais rirem.
–Posso ensinar algumas coisas pra você, aliás, pra vocês. O que acha, Naruto? –Perguntou Tenten ao loirinho, que parecia distante.
–Hein? Ah, claro. Eu adoraria. –Sorriu forçado.
–Enfim, o papo está ótimo, mas está escurecendo. –Disse Mei com um sorriso.
–Verdade. Vamos indo então. –Disse o loiro maior. –Vai conosco, Kiba?
–Acho que sim. Minha mãe já está acostumada, então...
–Eu vou ficar por aqui mais um pouco. –Murmurou Naruto, vagueando pelo lugar.
–Certo, mas não volte tarde. –Ordenou o mais velho.
Mei, Minato e Kiba foram caminhando rumo à casa do loiro. Tenten despediu-se de Sasuke, e alegando que estava atrasada para um compromisso com seus pais, saiu correndo, restando Sasuke e Naruto. O moreno não falou nada. Começou a juntar seus pertences e estava preparado para se retirar.
–S-S-Sasuke... –Chamou o loirinho, que estava parado no octógono, fitando o chão.
–Que? –Respondeu fitando o loiro.
–Por que está me tratando mal? –Foi direto.
–Não estou te tratando mal. –Negou.
–Sim, está e você sabe. Não negue. –Ditava firme. –Se eu te fiz algo, só me diga e eu me desculpo...
–Peça pro seu namorado se eu fiz algo errado. –Resmungou pra si, mas Naruto ouviu. Não fazia sentido. Mas nada ali fazia. Um psiquiatra formado agindo como uma criança e uma criança agindo como um adulto.
–Oi? Namorado? Como assim? –Perguntou Naruto, confuso. Sasuke bufou e explodiu.
–É, seu namorado! Aquele garoto, o Kiba! –Ralhava. –Eu vi tudo! Poxa, nos combinamos que qualquer coisa importante que acontecesse você ligaria para contar. Podia ter avisado... –Passava a mão nos cabelo, em sinal de nervosismo.
–E-eu não estou namorando com ele! –Gritou.
–Eu vi tudo ontem no fim da tarde! –Berrou, fazendo Naruto franzir o cenho. Não acontecera nada na tarde anterior. Só ajudaram Minato. –Na esquina, quando vocês se encontraram. Você passou a mão no ombro dele, depois beijou sua bochecha. E ele te deu flores! Eu vi! –Ainda falava alto. Naruto puxou pela memória e apenas riu. –Tá rindo de que?
–Você deve estar se referindo a quando fomos ajudar meu pai. Ele se esqueceu de comprar as flores pra Mei. Eu e Kiba fomos comprar, ele as flores, eu um presente pra ela. –Iniciou. –Encontrei com Kiba na esquina, já voltando pra casa. Ele estava todo ralado, pois tinha caído. Arranhou a bochecha, a qual eu apenas me aproximei pra ver melhor o corte, não beijar. Girei-o com pelo ombro pra ver o estado ele. E possivelmente ela machucou a mão quando caiu, então ele me deu as flores pra segurar. Depois fomos pra casa. –Findou. Sasuke já estava sem jeito, fitando o nada. Estava visivelmente corado. A ceninha que havia feito era por ciúmes?
–A-ah... –Coçou a nuca. –D-desculpe-me. Eu agi como um idiota. É que você disse que iria contar tudo, aí eu vi aquilo e achei que... Eu... Sabe, é que... Ah, enfim, me desculpe.
–Tudo bem... –Sorriu. Viu que Sasuke estava sem jeito e achou fofo. Ficaram em um silêncio desagradável por um tempo. Sasuke estava envergonhado pela cena ridícula que fizera. Parecia uma garotinha enciumada. Naruto percebeu o que acontecia e sorriu maroto, e isso fez Sasuke se recompor rapidamente. –Sasuke...
–Não. –Cortou.
–Mas eu...
–Não!
–Não o que? –Perguntou o loiro, se aproximando.
–Não para o que você vai dizer!
–Você nem sabe o que eu ia dizer, seu Teme!
–Você ia insinuar que eu estava com ciúme de você, seu Dobe! Mas eu não tenho! Não tenho nem motivos pra isso! –Exclamou o moreno.
–Ei! Eu só ia pedir pra você me acompanhar até em casa, pois está escuro! –Cruzou os braços. E pela segunda vez Sasuke corou.
–O-ok. Vamos logo. –O puxou pelo braço. O silêncio se fez presente novamente, mas foi cortado por um loirinho que sorria malicioso.
–Sasuke... –Chamou.
–Que é?
–Você tem ciúmes de mim? –Provocou.
–Mas o qu-claro que não! Ora, fique quieto antes que eu te jogue em um barranco cheio de bichos!
–Você não faria isso! Você não pode! Eu te processo!
–Nossa, que grande motivo para eu não fazer isso! –Ainda puxava o loirinho pelo pequeno caminho cheio de vegetação.
–Você não faria isso porque gosta de mim! Gosta tanto que tem ciúme! –Provocou novamente, sorrindo.
–Ah, chega! –Exasperou soltando o braço do loiro, tomando a frente e andando mais rápido, deixando o loiro pra trás. O loirinho gritava para o moreno espera-lo, mas o mesmo somente o ignorava. Naruto tentou correr, mas acabou torcendo o pé e caindo. Quando ouviu o grito do loiro, Sasuke voltou correndo.
–Você está bem? –Abaixou-se à altura do loiro.
–Meu pé dói! –Exclamou. –Você poderia fazer o favor de me carregar, já que por sua culpa isso aconteceu, seu Teme! –Berrou apontando o dedo para Sauske.
–Pode deixar, eu carrego sim! –Falou irônico, ajeitando-se e de supetão, jogando o loiro por cima do ombro, carregando-o como um saco.
–Ei, para com isso! –Reclamava! –Eu estou ficando tonto.
–Não me importo. –Ditou sério, chegando ao terreno limpo do parque.
–Como assim não se importa seu idiota? Me solta! Você está suado! –Sasuke o remedava. -Eu vou morder a sua bunda! –Ameaçou. –Sasuke apenas riu.
–Faça isso e eu belisco a sua! –Retrucou. –Só cale essa boca, sim?
–Psiquiatras: Um dia conversam com você como grandes amigos e no outro te carregam como um saco de batatas e ainda ameaçam beliscar sua bunda! –Ralhou, gritando a última parte.
–Você começou, Dobe. –Disse mais ameno, mas ainda gargalhando..
–Urasai, Teme! –Cruzou os braços, à medida que sacolejava pelos movimentos do maior. Se portavam como duas crianças, mas quem liga? Naruto foi obrigado a se juntar ao moreno e rir. Sasuke o carregou assim até em casa, onde encontrou um bilhete de Minato junto à mesa, dizendo que foram levar Kiba em casa e que depois disso jantaria com Mei novamente, e que possivelmente não voltaria para casa cedo.
–Acho que vai ficar sozinho, Naruto. –Comentou, soltando o outro no sofá.
–Não quer ficar? É cedo, e é meio chato ficar sozinho... –Murmurou, ajeitando-se no sofá e fazendo uma expressão que aos olhos de Sasuke era fofa e um tanto infantil..
–Tudo bem.
Fale com o autor