Inside

8 Neve, belas garotas e ácido cianídrico..


Em seguida, apertou a mão de Minato, que se retirou com seu filho, lhe enchendo de perguntas.

— Ne Naruto, como foi a consulta? Você gostou? –Perguntou o maior.

— Foi muito legal, eu me diverti bastante. O Sasuke é demais, e seus amigos também! Quer dizer, eles são meus amigos também agora, mas você me entendeu. –Disse o loirinho, com um brilho no olhar e o entusiasmo na fala. Minato sorriu. Ver seu filho assim, feliz, lhe deixava feliz também.

— Entendi sim. E fico muito contente em te ver assim, todo animado! Mas, quem são esses “amigos do Sasuke que agora são seus amigos também” de quem você falou? –Indagou Minato, enquanto ambos se dirigiam ao elevador, apertando o botão para chamar o mesmo.

— Uma você conhece, é Tenten , a secretária. Nos pedimos um lanche e ela comeu conosco e então nos conversamos bastante. Ela pratica arco e flecha, e disse que vai me ensinar um dia desses.

— Ela parece mesmo uma moça legal, conversei com ela antes de entrar para te buscar e ela lhe elogiou bastante. –Falou o maior em um tom suave, fazendo um sinal e “positivo” com o polegar e um sorriso largo no rosto, demonstrando orgulho. O loirinho deu um pequeno sorriso de canto.

O elevador estava demorando a chegar, o que deixava Minato impaciente, olhando para seu relógio de forma afoita.

— Enfim, o outro amigo de Sasuke é o Saso... –O menor não teve a oportunidade de terminar a frase por conta do grito de seu progenitor que veio a seguir.

—NÃO! –Gritou o loiro maior, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam por ali. –Que merda! Merda, merda e merda! –Completou com tom de raiva e indignação.

—Tou-san! Olha a educação! –Naruto repreendeu seu pai, como se a situação de pai e filho deles se invertesse, e isso fez Minato bufar e rolar os olhos, e a ação de Minato por sua vez fez o menor rir. –O que aconteceu Sr. Boca Suja? –Completou o menor com deboche.

—Desculpa, Sr. Velho Resmungão. –Retrucou Minato com o mesmo deboche, e quem bufou dessa vez foi Naruto. –É que a gente paga horrores nessas porcarias de relógios, para eles em menos de um mês pararem de funcionar e ainda embaçarem o vidro por dentro! Vou jogar essa porcaria na cabeça da mulher que me vendeu ele! –Concluiu o maior, com uma raiva um tanto adolescente.

— Calma Tou-san, não é pra tanto. O outro amigo de Sasuke, que eu ia lhe contar sobre antes de você fazer um escândalo, é...- E mais uma vez o menor foi cortado, mas dessa vez foi pelo barulho que avisou-lhes que o elevador havia chegado. A porta se abriu, revelando uma cabeleira ruiva. –Ele! –Concluiu o pensamento anterior. –Sasori-san!

— Oh, olá de novo Naruto! –Saudou o ruivo. –E olá pra você também Sr. Naruto Maior. –Completou o ruivo, arrancando algumas risadas.

— Olá Sasori-Kun, sou Namikaze Minato, pai do Naruto. –Disse o maior, apertando a mão do ruivo. –Daí a semelhança.

— Como eu estava querendo dizer antes, Sasori é joalheiro, ele pode dar uma olhada no seu relógio. –Finalmente concluiu Naruto.

— Se não for incômodo Sasori-Kun...

— De maneira nenhuma. Estou com um tempinho livre. Aliás, todos estamos. A nevasca ficou mais forte, então o trânsito está parado, e pediram para que quem estivesse em local fechado e seguro, permanecesse nele. Tenten, como não mora muito longe, se arriscou a ir a pé. Já nos, estamos meio que “presos” e vamos passar algumas horas aqui.

— Eu já esperava por isso... Vindo para cá vi as nuvens carregadas se aproximando. –Disse o loiro maior.

—Pois é. Mas venham, vamos até a joalheria. Tenho uma cafeteira, então posso passar um café para nós e olhar seu relógio Minato-San. –Disse o ruivo, retirando as chaves da loja do bolso e se encaminhando até a mesma, acompanhado dos outros dois.

[...]

A fachada da loja é totalmente de vidro, predes e portas e o ambiente da loja é predominantemente rústico, com paredes forradas com madeiras escuras, que dá um ar antiquado ao local. Nas paredes há várias prateleiras, também de madeira, porém com compartimentos de vidro retangulares, com luzes fortes e claras apontadas para as mesmas, para destacar as joias guardadas ali.

Para recepcionar os clientes, há um largo balcão que divide a loja em duas partes, a da parte da frente contendo apenas decorações e acentos e a de trás contendo todas as peças dispostas nas tais prateleiras, isso para reduzir a chance de furtos.

— Nossa! É você quem faz todas essas peças? –Indagou Minato, admirando algumas joias que estavam espalhadas pelo local. Sasori estava sentado em sua mesa de trabalho, (na cadeira, mas vocês entenderam) usando uma espécie de óculos com algum tipo de lente de aumento, pegando algumas ferramentas e mexendo no tal relógio de Minato. Já Naruto estava sentado em um canto qualquer, brincando com a marionete que ganhou anteriormente de Sasori.

— Eu mesmo, mas não sozinho. Minha avó e raramente meu primo ajudam também. Devo muito a minha avó. Foi ela quem me ensinou tanto ofício como lazer. –Falou o ruivo, sem desviar a atenção do relógio. –Quando eu era pequeno, passava grande parte do meu tempo com ela, vendo-a fazer joias. Nos fins de semana, ela fazia marionetes, que como o Naruto disse antes, eu faço também. Também aprendi com ela. –Concluiu o ruivo, sorrindo.

— Ela deve ser uma pessoa maravilhosa. –Disse Minato, recebendo um maneio positivo de cabeça do, ainda sorridente, ruivo.

O silêncio do local é quebrado pelo “sininho” preso junto a porta, que anunciava a chegada de alguém.

— Oe Danna! Fiquei sabendo que estamos presos e vim jogar uma conversa fora com vo...- Sasuke parou de falar ao notar a presença dos loiros no local. –Oh, olá Minato-san, Naruto... Pelo visto vocês também ficaram presos. Estão dizendo que apenas carros com pneus para neve conseguem andar por aí ainda.

— Jura? Eu tenho um jogo de pneus para neve guardado em casa. Eu vou ligar para casa e pedir para alguém botá-los no nosso jipe e vir nos buscar. –Disse o loiro maior, já pegando o celular do bolso. –Ficarei feliz em dar uma carona a vocês até suas casas.

Os maiores concordaram. Naruto agora olhava as joias nas prateleiras, admirando a delicadeza e perfeição delas. O dono de sua atenção no momento era um pingente de prata de proporções de mais ou menos 4,5 centímetros, o traçado de uma estrela de cinco pontas enfeitado por alguns desenhos em cor grafite, em cada ponta do pingente havia uma pequena pedra lapidada presa, cada pedra de um tipo diferente, e no centro da estrela, uma estrutura portava um belo diamante.

— Uma bela peça, não? –Indagou Sasuke, assustando Naruto que não havia percebido a sua presença próxima a ele.

— Ah, sim. É lindo. Eu sou fascinado por pedras preciosas e semipreciosas também. Veja no centro o diamante, e nas pontas, um rubi, uma esmeralda, uma turmalina bem azul e uma turquesa, e também uma ametista, que é uma pedra menos nobre, mas não menos bela que as outras. Uma completa a beleza da outra. –Disse o loirinho enquanto apontava para cada uma das pedras.

—É fantástico. Sasori tem uma ótima mão. –Falou o moreno. –Vi-o polir e cortar cada uma dessas pedras, e também fazer a estrela. Ele diz que é uma de suas obras primas.

—NARUTO! –Chamou o ruivo, aos berros, já que estava mais afastado dos demais.

— Falando nele... –Comentou Sasuke.

— Que foi Sasori? –Perguntou o loirinho se aproximando.

— Ali nos fundos tem uma prateleira, você vai ver uma maletinha preta, pegue-a e traga para mim. São algumas ferramentas que preciso para arrumar o relógio. Mas tenha cuidado!

— Certo.

Naruto se dirigiu à pequena sala indicada por Sasori, onde logo avistou a tal maleta. Ele a puxou, mas a mesma estava presa em algo, então ele forçou algumas vezes e quando a maleta saiu, a prateleira oscilou um pouco, derrubando um recipiente de vidro, que caiu sobre mão e se quebrou, cortando a mesma. Com o susto, o garoto deu um largo passo para trás, onde esbarrou em outra prateleira, derrubando um frasco por cima de seu ombro e o líquido que o frasco continha, entornou sobre o peito e barriga do garoto, que gritou.

O barulho de algo quebrando seguido pelo grito do menor chamou a atenção dos mais velhos, que imediatamente correram até os fundos.

— Naruto! –Exclamou Minato ao ver a mão do filho banhada em sangue.

— NÃO TOQUE NELE MINATO-SAN! E NARUTO, NÃO SE MEXA! –Gritou Sasori segurando Minato pelo ombro e ponto a mão na frente de Sasuke. – Mantenham a calma! –Completou o ruivo, pegando um pano e estancando o sangramento da mão do menor. –Tirem o moletom dele, mas com cuidado, ele derramou um pouco de ácido cianídrico em si. Não pegou na pele ainda, então tirem rápido!

Sasori guiou Naruto até um pequeno sofá, enquanto Minato e Sasuke mantinham o moletom afastado do corpo do garoto. Delicadamente, foram tirando o casaco do menor, tomando cuidado com a mancha de ácido, que começava a corroer a peça e também com o corte que o menor tinha nas mãos. A blusa que o menor usava por baixo também foi atingida pelo acido, então também a retiraram, deixando o menos só com a camisa do uniforme que ele ainda usava.

Sasori estava procurando desesperadamente seu kit de primeiros socorros, enquanto Minato segurava o pano em volta do ferimento na mão do menor, que chorava e gemia de dor.

Sasuke estava na sala onde tudo havia acontecido. Ele pegou sabão em pó e água sanitária, jogando sobre o ácido que havia respingado no chão, causando uma reação de neutralização, para que o ácido não causasse mais estragos. (Ácido + Base à H²O + sal). O moreno voltou correndo para onde os loiros estavam, sentando-se atrás de Naruto, posicionando as costas do menor em seu peito. a cabeça do mesmo, em seu ombro e agarrando firmemente sua mão que não estava ferida, transmitindo calma ao menor.

— Minato-san, não aperte em demasia, ainda há cacos de vidro nos machucados, e isso pode causar dor a ele. -Disse Sasuke em tom calmo, tentando assim tranquilizar os dois, já que Minato estava um pouco atordoado.

Novamente o som do “sininho” da porta chamou a atenção, revelando uma figura nova.

— Deus, que gritaria é essa Danna? Eu ouvi lá do estúdio e vim ver quem tava morrendo! –Disse a mulher de longos cabelos castanhos, lábios adornados com um belo batom “pink” e deslumbrantes olhos turquesa.

— Mei! Ajuda aqui! –Gritou Sasuke, chamando a atenção da mesma, que veio correndo.

— Sasu! O que houve? –Perguntou a moça se aproximando.

— Ele cortou a mão quebrando um vidro, Sasori está procurando o kit de primeiros socorros! –Explicou o moreno.

— Oh! Deixe-me dar uma olhada. – Mei pegou a mão do jovem para examinar. –É, tá feio, mas não é grave, tem uns cacos ali, mas eu consigo tirar. Sasuke... –Mei iria pedir ao moreno para que pegasse sua bolsa que estava sobre a mesa, mas viu que o moreno segurava a mão do loiro. Naruto estava com os olhos serrados por causa da dor, e Sasuke tinha uma expressão de medo nos olhos, mas por fora, estava calmo como sempre. – Esquece! Oe, Minato não é? Pegue minha bolsa, sim? –O loiro concordou e fez o que foi pedido depressa.

—Aqui! –Estendeu o objeto para ela, que rapidamente pegou e retirou uma pinça, com a qual começou a retirar os cacos de vidro da mão de Naruto, enquanto conversava com ele,para tentar acalmá-lo e fazê-lo esquecer da dor.

— Ei, você é o chibi que estava no estúdio com a moça dos coques, certo? –Perguntou a moça à Naruto.

—H-hai! – Disse o loiro, agora olhando o que a morena fazia. –P-p-por que uma super modelo internacional está t-tirando cacos de vidro da minha mão? –Perguntou o menor, arrancando risadas da moça e um sorriso de canto de Sasuke, que ainda estava sentado atrás do menor.

—Ótima pergunta chibi. Eu sou amiga do Danna e do Sasuke. Sou um pouco mais velha que eles. Um dia vim tirar umas fotos ali no estúdio e eles estavam aqui na joalheria. Mais tarde eles tentaram invadir meu camarim e quase foram presos, mas eu não prestei queixa. Acabamos virando amigos desde então. –Contou ela. –Ouvi uma gritaria e vim ver o que estava acontecendo e estou aqui, catando caquinhos na sua mão. –Concluiu com um sorriso. –Pronto. Não vejo mais nenhum. Ô RUIVA! VAI DEMORAR COM O KIT? –Gritou a mesma.

— CALMA! Já to chegando! –Gritou Sasori enquanto corria trazendo uma pequena maleta. Entregou a mesma à morena, murmurando algo como “Ainda acha que vai virar miss com essa simpatia toda. Não serve nem para ‘Misstupidez’”.

— Você sabe o que fazer Sasu, pegue. –Estendeu a maleta para Sasuke. –Eu vou ver se “aquele cara” ta bem. –Falou referindo-se a Minato, indo em direção ao mesmo.

— Sim. –Abriu a maleta, pegando molhando um chumaço de algodão no álcool e passando sobre os ferimentos do menor,que gemeu de dor. –Tudo bem?

—T-tudo... Sasu! —Disse a ultima parte com deboche.

—Há há! De tímido para “piadista” em menos de um dia. Seu Dobe!

—Ei! Não chame seu paciente de Dobe, seu psiquiatra Teme! – Retrucou o menor falsamente ofendido. –Tenho que aproveitar para me divertir enquanto ainda posso. Amanhã já tenho aula, e meu “inferno pessoal” começa novamente. –Continuou, com um sorriso melancólico.

—Ei, não pense assim. Se aproximarem-se de você para o mal, ignore. Se aproximarem-se para o bem, seja legal. –Sorriu o moreno, erguendo o rosto do menor. –E não esconda esse belo sorriso que você tem... –Naruto sorriu de canto e corou. — Sorria para seu pai, sorria para seus amigos, mas acima de tudo... Sorria para mim. – Naruto corou mais ainda, e por fim abriu um largo sorriso, o que fez o moreno sorrir também, e fazer afagar a cabeça do menor abraçando-lhe em seguida.

O celular de Minato tocou.

—O carro está ali embaixo nos esperando. –Alertou os demais, que pegaram suas coisas se preparando para irem. –Senhorita Mei, aceita uma carona? Vamos ter que nos espremer, mas damos um jeito.

—Aceito sim Minato-san, vou passar esta noite na casa do Sasuke para não terem o trabalho de me levarem até meu hotel.

— Vamos então.

O grupo deixou a loja, que foi fechada por Sasori e se dirigiram ao elevador. Como Naruto estava sem seu casaco, estava se encolhendo por causa do frio. Ele se assustou ao sentir algo quente lhe envolver os ombros.

—Vista, está muito frio lá fora. –Disse Sasuke deixando seu casaco sobre Naruto.

— Mas e você? –Disse Naruto, vendo que Sasuke estava só com uma camisa de manga longa.

—Não se preocupe, estou bem. –Sorriu o moreno.

—Arigato. –Agradeceu, vestindo o casaco, que tinha o cheiro de Sasuke.

Chegaram ao hall de entrada, correndo em direção ao carro que os esperava. Sasori sentou no banco do passageiro, na frente, pois desceria primeiro. Atras, os demais apertaram-se, sendo Naruto, seguido de Sasuke e Minato, e Mei sentada praticamente no colo de Minato. E assim ele s seguiram, deixando primeiramente Sasori em sua casa. O rádio foi ligado, noticiando que a rua que levava a casa de Sasuke estava obstruída por uma árvore que caíra.

— E agora? –Indagou Sasuke.

— Não se preocupem, vocês passarão a noite em nossa casa. –Explicou Minato. –Serão muito bem vindos, e são cerca de 20:00 horas, podemos fazer um jantar, já que sair para comer está descartado. Como um jantar em família. –Concluiu sorrindo.

Sasuke e Mei titubearam um pouco, mas acabaram aceitando. Seria um programa bem divertido.