Inside
9 Jantar, talentos e más memórias...
O restante do caminha até a casa dos Namikaze/Uzumaki foi tranquilo. Seguiram conversando sobre o tempo, o motorista contava sobre alguns acidentes que aconteceram por causa da neve, Mei contava algumas de suas “desventuras” como modelo e outras banalidades. Fora uma viagem divertida.
Cerca de meia hora depois, o motorista estacionou o carro na garagem da residência e assim que desceram, tiveram a notícia que as empregadas tinham sido dispensadas mais cedo, por medo de não conseguirem voltar para casa por conta da tempestade que se aproximara. Minato tinha posto isso como regra da casa, pois presava por seus funcionários.
— Parece que está tudo por nossa conta hoje... – Comentou Minato observando a neve, que caía do lado de fora. – Enfim, Sasuke e Mei, sintam-se em casa.
O grupo deixou a garagem e tiveram que ir até a porta da frente, já que Minato não estava com as chaves da porta que ligava a garagem até a casa. O loiro era um tanto estabanado, sim. Era uma enorme mansão, de design moderno e decorada com o melhor que o dinheiro poderia comprar. Móveis luxuosos e impecavelmente limpos e lustrados. Era uma casa bem iluminada, com várias janelas e até mesmo paredes de puro vidro. Era de encher os olhos. Poderia ser descrita também como um sonho de consumo.
Na decoração predominava o preto complementado por outras cores, como branco, vermelho, lilás, azul e verde limão. Vários quadros e réplicas de pintores famosos adornavam o local, além de flores, folhagens e belas fontes d’água. Possuía também um amplo jardim de inverno dentro de casa, uma piscina aquecida, um chafariz no hall de entrada e o teto do mesmo feito com uma cúpula de vidro estavam entre os luxos da casa. A família Namikaze vivia bem.
Obviamente não fora Minato o responsável pelo design e arquitetura. Quem gostava tanto de esbanjar era Kushina. O loiro deu apenas alguns pitacos e claro, pagou por tudo. Porém, até hoje não entendia qual era o propósito de tanta extravagância
— Uau! Que casa é essa, meu Deus? – Exclamou Mei, olhando tudo em volta, admirada com a beleza e tamanho da residência. – É simplesmente magnífica!
— Eh, muito brigado! – Agradeceu o loiro maior coçando a nuca. Ficara um tanto sem graça pelo elogio. Ele sabia que sua casa era exageradamente bela. – Também gosto muito dela... Mas enfim, me acompanhem, vamos até a parte, digamos mais ”intimista” da casa. – Disse Minato, enquanto fazia aspas com os dedos e se encaminhava a um largo corredor.
Seguiram caminho até uma ampla sala. A tal sala abrigava uma cozinha bem equipada, que era separada da sala de jantar apena por uma ilha/bar, e também uma pequena sala para receber as visitas e para relaxar após as refeições, com alguns sofás e pufes espalhados. Além de tudo, havia um canto com um piano, uma harpa, um violino e um violoncelo.
Aquela casa era como um enorme manuscrito, e esse pedacinho era como se fosse o seu resumo.
— Não vai ser você quem vai cozinhar não é Tou-san? – Perguntou Naruto ao maior. – Sem querer ofender, mas sua comida não é das melhores. – Completou, dos demais e fazendo o loiro maior corar de vergonha e lhe lançar um olhar repreensivo.
— Ei, não fale essas coisas garoto! Não na frente dos convidados! – Repreendeu o maior. – Você não cozinha muito melhor que eu!
— Certo, mas eu tenho um intelecto que me permite absorver as coisas com muito mais facilidade e rapidez e também ter uma dedução lógica muito superior a da maioria das pessoas. – Disse o loirinho, fazendo Sasuke rir, mas deixando os outros dois com cara de quem não estava entendendo nada. Minato olhou para Sasuke, que fez um gesto de “depois conversamos” com as mãos. – E também consigo fritar batatas sem iniciar um incêndio ou sair com queimaduras de terceiro grau. – Concluiu.
— Pelo menos não fui eu que quase me queimei com ácido e ainda por cima, cortou a mão. – Rebateu Minato, com tom de sarcasmo. Pareciam duas crianças. – Você não pode falar muito!
— Touché Naruto. – Disse Sasuke, cutucando a costela do menor com seu indicador. – Não precisam se preocupar com comida, eu e a “Miss Simpatia” damos um jeito nisso. Sem querer me gabar, minhas habilidades culinárias são ótimas, e ela cozinha bem também. – Disse a última parte com deboche.
— Isso é verdade, esse moreno prende as pessoas pela barriga. – Foi até o mesmo, dando-lhe um tapa na nuca. – E isso é por debochar de mim e das minhas habilidades, gaki! – Disse com tom repreensivo, ainda assim arrancando risos dos loiros. – O respeito ainda vive!
— Bom, eu até insistiria dizendo que vocês são visitas e não deveriam trabalhar, mas não temos muita escolha. – Disse o loiro maior, um tanto sem jeito. – É isso ou comer algo carbonizado.
— Já disse, não se incomodem com isso, adoro ficar na cozinha. – Pronunciou-se o moreno, indo até a geladeira. – É um dos meus hobbies.
— Somos dois, então! – Completou Mei, retirando o casaco e deixando-o sobre o sofá. – Não sou só um rostinho bonito, eu adoro por a mão na massa.
— Podem até aprender alguma coisa conosco. – Brincou Sasuke. – Bom senhora e senhores... – Parou de falar ao levar outro tapa de Mei. – Ai! Desculpe, senhores e SENHORITA, hoje vocês irão provar uma deliciosa carne de panela com legumes, acompanhado de... – Disse Sasuke, conforme tirava os ingredientes da geladeira e a fechava.
— Acompanhada de arroz e purê de batatas! – Concluiu a morena de olhos verdes. – Nada muito sofisticado, mas da pro gasto.
— Me parece delicioso. –Disse o loirinho. – Comida caseira sempre foi minha preferida.
Tudo estava se encaminhando para ser uma noite bastante divertida, pelo menos até a luz da casa piscar algumas vezes, até finalmente apagar-se por completo. Boa parte da cidade passou pelo mesma situação naquele momento.
— Mas que merda! Francamente, só me faltava essa ainda. – Exclamou Minato, em seguida tropeçando em algo. – Vou buscar algumas velas. A questão é: onde estão as velas? – Resmungou mais baixo a última parte, se retirando em seguida.
Não demorou muito para o ambiente ficar iluminado por dezenas de velas, o que dava um charme a mais ao lugar. Minato as encontrou na dispensa, depois de muito tropeçar e esbarrar em objetos.
— Acho que vamos morrer de tédio... – Comentou o loiro maior, enquanto brincava com o fogo de uma vela. Sasuke e Mei já estavam preparando o jantar e Naruto estava ao lado, observando e tentando absorver o que Sasuke e Mei lhe explicavam.
— Pode ser, mas não agora. Ao que parece, o jantar está pronto! – Disse Sasuke, desligando o fogo e levando uma panela até a mesa, que já havia sido posta por Naruto.
— Aleluia! Minha barriga já tava dando um nó! – Exclamou Naruto. – O cheiro está delicioso também.
— Vai com calma ai garoto! – Repreendeu o loiro maior, ao ver o quão afoitamente o seu filho se servia. – Droga, come que nem um bicho mas ainda parece uma menina. – Comentou esta ultima parte mais baixa, mas ainda suficientemente alto para todos ouvirem e rirem, fazendo Naruto corar.
— Tou-san! Isso é coisa q-que se diga? – Perguntou o garoto, morrendo de vergonha. – Você pode fazer eu passar vergonha, mas eu não posso fazer o inverso? Você é um hipócrita, Namikaze Minato! – Apontou o dedo em direção ao rosto do maior.
— Desculpe, só comentei... – Desculpou-se o maior, erguendo as mãos como alguém que se rendia. – E cuidado com o tom que você usa comigo, moleque! – Ditou em tom de aviso, franzindo as sobrancelhas. Sasuke e Mei observavam e apenas achavam graça.
— Desculpe, mas essas coisas não são feitas para serem “comentadas”! Ainda mais em público! E na minha presença! – Enfatizou a última afirmação!
— Já pedi desculpas! Vamos comer logo, Sr. Revoltadinho. – Ergueu as mãos em rendição. – Você, com toda a certeza é filho da sua mãe! – Resmungou baixo, apenas para si.
— Enfim... Eu espero que gostem! – O moreno mudou de assunto, para evitar uma briga séria. – A carne ficou por minha conta e os acompanhamentos, a salada e a sobremesa foram feitos pela Mei. – Disse o moreno, servindo-se.
— Está uma tudo uma delícia. – Disse Minato, comendo mais uma garfada da sua refeição.
— Concordo. A melhor coisa que já comi até hoje! – Disse Naruto, recebendo um sorriso dos cozinheiros, que fizeram um "highfive" e agradeceram aos loiros. Claro que também trocaram elogios ente si.
Para algo improvisado, a noite estava muito boa!
O jantar seguiu divertido, regado a muitas risadas e conversas descontraídas. Um grupo de amigos formado em menos de um dia, mas que pareciam conhecer-se há anos. Era uma química impressionante.
Após o jantar, comeram a sobremesa e Sasuke fez questão de lavar toda a louça, junto de Naruto, que a secava ao passo que conversavam. Aparentemente, Sasuke tinha um certo nível de mania de limpeza e organização.
Depois disso, os quatro estavam sentados à mesa novamente, mas não para comer, e sim para jogar cartas. Sim, estavam entediados. Entretanto, seria mais interessante do que eles podiam imaginar.
— Bati! – Gritou o loiro mais novo, fazendo os demais bufarem de raiva. – Desculpa gente, não tenho culpa de ser sortudo. Não adianta chorar!
— Você só ganhou porque eu joguei limpo, moleque. – Minato comentou casual, pegando as cartas que estavam sobre a mesa, fazendo um montinho novamente e as embaralhando para a próxima partida.
— O que quer dizer, Minato-san? – Perguntou Sasuke, com o cenho franzido. Agora ficara curioso.
— Sou um trapaceiro e estrategista nato, caro Sasuke-kun. – Explicou o loiro maior, com um sorriso travesso e ao mesmo tempo malicioso. – Quando eu fazia faculdade, eu não tinha muito dinheiro. Era bem pobre até... – Falava com nostalgia em sua voz. – Aprendi com meu avô diversos truques em diversos jogos. Trapaças se quiser chamar assim. Mas não foi só isso, aprendi estratégias também, para ganhar limpo! E quando meus colegas se reuniam para jogar, eu sugeria que apostássemos, e assim eu faturava bastante dinheiro. Eu era invencível! Mas com o passar do tempo, deixei as apostas de lado e só usei estratégias, tanto em jogos como na vida, e estou onde estou... – Concluiu o seu relato, que durara alguns minutos.
— Nem eu sabia disso, Tou-san. – Falou o loirinho surpreso. – Você não tem cara de ladrão.
— Não me orgulho de ser um trapaceiro, mas cada um tem que se virar com o que a vida lhe dá... – Parou de falar quando uma ideia lhe veio à mente. – Ei, que tal uma espécie de “Show de talentos”? Eu não devo ser o único a ter talentos estranhos.
— Gostei da ideia! – Falou Mei, se remexendo na cadeira.
— Ótimo. Comece você então, Minato-san. Mostre-nos alguns truques. – Disse Sasuke, apoiando os cotovelos na mesa de tampo de vidro negro. – Eu realmente fiquei curioso.
— Certo! Mas não saiam trapaceando por aí! Principalmente você, Naruto. – Exclamou o loiro maior, começando a explicação em seguida. Nem conseguiu ver a revirada que deram os olhos do menor.
Os truques variavam de coisas óbvias até cartas escondidas em lugares discretos e estratégicos. Claro, também haviam truques que envolviam matemática, porém eram mais complexos. Os truques que envolviam movimentos rápidos de mão, não ficavam muito atrás dos matemáticos. Minato contara que levara muito tempo pra dominar tudo. Era uma habilidade incrível.
— Deu pra entender? – O loiro mais velho questionou, rindo com as expressões variadas nos rostos dos outros três. Todos estavam inegavelmente impressionados
— Nossa, Minato-san! Você é quase um gênio do crime. – Comentou Mei com tom de brincadeira.
— Obrigado... Eu acho... – Falou Minato, franzindo o cenho rapidamente. –Porém sou um homem honesto agora, não se preocupem. Enfim, quem é o próximo? – Fugiu rapidamente do assunto, para não ter que pensar demais.
— Eu! – Manifestou-se Sasuke, pegando o baralho sobre a mesa. – Quem não sabe jogar cartas muito bem, como eu... – Continuou, pegando uma carta e segurando-a no meio dos dedos indicador e do meio. – Brinca com elas do jeito que pode. – Finalizou ele, arremessando a carta com precisão contra uma vela, apagando a chama da mesma, repetindo o gesto em diversas vezes. – “Tcharan!” Nada muito incrível, mas ainda assim, divertido. – Disse ele brincando.
— Bom, pra mim isso foi demais! – Exclamou Naruto batendo palmas.
— Tudo bem, isso foi legal mesmo, Uchiha... – Disse Mei, enquanto enfileirava as velas apagadas, botando uma acesa na ponta da fileira. – Mas, ainda precisamos enxergar. Precisamos de luz!
Dito isso, ela se dirigiu ao armário da cozinha, pegando um litro de álcool e tomando um gole, deixando o líquido na boca. Todos lhe fitavam com receio e curiosidade.
Ela se aproximou da vela acesa e assoprou, formando um spray com o álcool que estava em sua boca. O mesmo se incendiou com o contato com a chama da vela e formou uma bola de fogo, que se alastrou como um jato de fogo, acendendo as velas enfileiradas. Em seguida, correu até a pia lavar a boca.
— Puta que pariu! – Gritou Naruto extasiado. – Isso sim foi incrível! Caralho!
— Naruto, que palavreado é esse! Modos por favor! – Reprendeu Minato. – Mas, caralho, isso foi bem legal! – Minato aplaudiu. Naruto apenas lhe lançou um olhar irônico.
— Se o Naruto não tivesse gritado esses palavrão, eu gritaria. – Comentou Sasuke. – Desde quando você sabe cuspir fogo, Dragão? – Indagou o moreno, ainda surpreso. Mei o fuzilou com o olhar, mas relevou o trocadilho.
— Obrigada, obrigada! – Disse ela, curvando-se debochadamente em agradecimento. – E é uma longa história, envolve uma noite de bebedeira e um cara do circo, mas essa a gente deixa para a próxima!
— Certo, eu acho que ninguém está ansioso por essa história, Mei. – O moreno comentou, fazendo uma careta de nojo. – Mas enfim, só falta você, Naruto. Que tal deduções? Você é bom nisso.
— Não, não! Depois de ver vocês, eu desisto! – Disse o menor, erguendo as mãos em rendição. – Vocês são imbatíveis. Eu perdi por W.O.! Mas, para me redimir, Sasuke, qual a sua composição favorita? –Indagou o loirinho, levantando-se de sua cadeira e indo em direção ao piano que se encontrava no canto do cômodo.
— Eu? – Parou para pensar por alguns instantes. – Acho que uma de minhas favoritas é Turkish March , a Marcha Turca, de Beethoven. – Disse o moreno. – Não está pensando em tocar com a mão enfaixada?
— Por que não? A atadura foi posta de modo que meus dedos ainda se movam livremente. Veja – Disse o loirinho, fazendo vários movimentos aleatórios com os dedos, fazendo uma careta por causa da dor e da ardência que ainda sentia, por causa dos machucados. – E eu acho que já ouvi a marcha turca, se bem me lembro é mais ou menos assim.
O loirinho ajeitou sua postura no banco e, após alguns instantes em silêncio, começou a dedilhar sobre as teclas do piano com perfeição e agilidade.
Ele tocava a sinfonia na forma mais rápida que conseguia. As notas e acordes se uniam com perfeição, fazendo uma bela e acelerada melodia ocupar a sala. Alguns minutos depois, ele tocou os últimos acordes, finalizando a sinfonia e recebendo vários aplausos.
— Incrível, gaki! Nada mal mesmo! – Exclamou Mei. – Você é bem talentoso!
— Concordo, isso foi perfeito. – Falou Sasuke, batendo algumas palmas. – Quando você aprendeu?
— Ótima pergunta Naruto, não me lembro de você fazendo aulas de piano. – Comentou Minato, com a expressão pensativa. – Talvez eu seja um pai um pouco relapso...
— Eu não me culparia por isso, Tou-san. Fiz umas cinco aulas, eu acho. A kaa-san queria isso, mas acabei desistindo. – Disse o loirinho, ainda sentado ao piano.
— Você aprendeu isso em cinco aulas? – Perguntou Sasuke. Isso seria algo muito impressionante.
— Não, nas aulas só aprendi o básico. Eu ouvi a marcha turca algumas vezes e ainda me lembro perfeitamente dela. Eu gosto dessa sinfonia também! – Contou sorrindo para Sasuke. – Então, só pus o que estava em minha cabeça no piano. – Disse como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Isso não é possível Naru... – Minato foi cortado quando sentiu uma mão em seu ombro. Era Sasuke, que o olhou nos olhos, como se dissesse que mais tarde eles conversariam.
— Naruto, você não cansa de me surpreender... – Comentou Sasuke, com um sorriso de canto. – Eu particularmente só sei tocar “parabéns pra você” no piano. – Completou.
Naruto sorriu, mas em pouco tempo seu sorriso morreu em pouco tempo. Ele adotou uma expressão séria. Parecia ter sido atingido por um pensamento ruim.
De fato ele fora.
— Eu... Obrigado pelo jantar, gente. A noite foi muito boa, mas eu já vou dormir. – Disse o loirinho com a voz embargada, saindo da sala um tanto apressado em seguida.
— Naru...to! – Tentou fazer o menor parar, mas em vão. – Eu disse algo errado? – Indagou Sasuke, com certo espanto na voz. – Eu não queria... –Começou a ir na mesma direção do menor, mas foi parado por Mei.
— Não. Você fica aqui e conversa com o Minato-san, e eu vejo o que ele tem. – Disse ela, olhando-o nos olhos para tentar acalmá-lo, recebendo um aceno positivo de cabeça do moreno e saindo atrás do loirinho em seguida.
A noite divertida acabara por ali. O último que saísse, que apagasse... as velas!
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