Inside
1 Meet Uchiha Sasuke
Mais um belo dia de inverno se inicia. Pela janela de meu apartamento eu vejo a luz do dia, bem tímida, despontando lentamente. Eu sou Uchiha Sasuke, 23 anos, cabelos tão negros quanto a mais escura das noites e olhos que não ficam atrás. As pessoas me julgam frio e indiferente, mas só porque não me conhecem. Tudo bem que sou meio fechado, mas não é para tanto.
Hoje levantei mais cedo que de costume, não sei a razão. Insônia, talvez. Já fiz minha higiene pessoal, estou quase pronto para encarar mais um dia de trabalho. Não sou nenhuma espécie de empresário nem nada do tipo, eu sou médico. “Ai meu Kami, você faz cirurgias e cura criancinhas indefesas?”é a primeira coisa que perguntam quando digo isso. Mas não, não faço isso. Sou psiquiatra.
É uma profissão nobre! Ajudar as pessoas, levar-lhes conforto e uma palavra amiga, ajudar a curar suas feridas, não as exteriores, mas da alma... É gratificante! Só para constar, sou formado em psicologia também. Lembrem-me de contar sobre minhas graduações um dia desses. São interessantes. Enfim.
Não sou muito sociável e não me dou bem com minha família. Imaginem vocês, uma família dona de uma das empresas mais bem sucedidas do Japão e muito tradicional. Pois é, meu avô fundou as empresas Uchiha há muito tempo, e desde então o cargo de presidente é hereditário. Seu filho, meu tio, Uchiha Madara, assumiu as empresas após meu avô, então meu pai, que atualmente está preparando meu irmão Itachi para sucedê-lo. As empresas Uchiha fazem parte de um grupo de associados, e dentro desse grupo, é uma das que mais se destaca.
Eu seria vice-presidente, mas me neguei. Disse que queria seguir o meu próprio destino, meus próprios sonhos e ser um psiquiatra. Grande ideia ir contra os princípios de meu pai. Lembro que aquela noite terminou em muitos objetos quebrados, choro, pessoas tentando segurar meu pai para que ele não me matasse e, por fim, eu sendo posto para fora de casa.
Fui morar com uma das minhas amigas, Tenten. Uma das poucas que nunca quis nada comigo além de uma boa amizade, na verdade. Moramos um bom tempo juntos, fiz minhas duas faculdades e uma especialização e comprei este apartamento onde moro até hoje. Atuei como psicólogo em um hospital público por pouco tempo, e hoje tenho um consultório onde exerço a psiquiatria. Chamem-me de prodígio, se quiserem. E por falar nisso, tenho que correr, porque se eu me atrasar, Tenten me mata. Sim, ela é minha secretária atualmente. Subi na vida, mas não me esqueci de quem me ajudou. Mas chega de devanear sobre minha vida, porque do contrário vou perder a hora. Deve estar uns 5°C lá fora, então, casaco é a palavra de ordem. Não vai dar tempo de comer nada. Merda, tomarei café no consultório mesmo. Pontualidade costuma ser meu forte, mas sempre há exceções.
Embarquei em meu carro e segui rumo ao meu consultório. É um pouco longe, mas eu gosto. Dirigir me dá algum tempo para pensar. Não liguei o ar quente pra não levar aquele choque térmico bem desagradável quando desembarcasse do veículo. Meu sistema imunológico agradeceu.
Depois de algum tempo, cheguei ao meu destino: um prédio alto, com uma fachada imponente. Peguei o elevador, me dirigindo ao 8º andar. Saindo do elevador, fui à sala 805, onde funciona meu escritório. Este andar, e mais alguns, são comerciais. Aqui no 8º, onde eu trabalho, também funcionam um estúdio fotográfico, um curso de inglês, uma agência de viagem, um ourives, que é o cara que trabalha com ouro, e uma joalheria, que pertence ao mesmo ourives.
A sala onde trabalho é dividida em duas: o consultório e a antessala, que é a recepção e a sala de espera, e é onde a Tenten fica. Essa antessala não é muito grande, tem a mesa da Tenten e algumas poltronas para os pacientes, algumas plantas para adornar e uma mesinha com revistas.
— Bom dia, Tenten. – Cumprimentei-a sorrindo e abraçando-a.
— Bom dia, Sasuke-Sama. – Ela retribuiu. – Comprei um cappuccino para o senhor, está em sua sala.
— Obrigado. Acho que morreria se não fosse você.
— É, eu sei. – Falou ela, dando uma risadinha em seguida.
— O que tenho de bom para hoje? – Perguntei referindo-me a meus pacientes.
— Só um minuto. – Disse enquanto procurava por algo. – Aqui! Bom, hoje pela manhã tem aquela moça depressiva, o corno chorão, aquela moça que eu acho que se oferece pra você e o cara que está insatisfeito com o emprego, que é bem frustrado.
Não pude deixar de rir do jeito que ela falava.
— Sabe, você poderia ser mais gentil ao se referir aos pacientes. – Comentei, recebendo uma careta como resposta. – Terei muito serviço pela tarde?
— Aparentemente não. Terá um novo paciente, foi encaminhado para cá com o carimbo de “Urgente”, então pode ser um pouco mais, digamos, ”trabalhoso”. Só isso.
— Certo. – Suspirei fundo, indo em direção à minha sala. – Ei, quando o primeiro paciente chegar, mande -o entrar, por favor.
— Tudo bem, sem problemas.
Entrei em minha sala e fui direto ao meu cappuccino. Eu necessitava dele nesse momento. Aqui sim o aquecedor estava ligado, deixando todo o ambiente bem acolhedor.
Meu consultório consiste em uma sala ampla, com uma parede totalmente coberta por uma estante, esta, repleta de livros e alguns enfeites, várias gavetas e portas. Também possui um sofá bem espaçoso e confortável para os pacientes e em frente a ele, uma poltrona para mim. Mais ao fundo, uma mesa de vidro com duas poltronas, para usar nas consultas, e próximo a ela, um divã e outra poltrona. Tudo muito confortável, para as mais variadas situações. Atrás do sofá tem uma enorme janela de vidro escuro, que dá uma grande visão da cidade. É revigorante ficar olhando a paisagem urbana da cidade. Eu gosto, ao menos.
Fui cortado de meus devaneios com batidinhas na porta e em seguida, Tenten a abrindo para anunciar o primeiro paciente do dia. É, aqui vou eu...
A manhã seguiu lenta, regada a desespero, tristeza e muitas lágrimas. É preciso ser forte para ser um psiquiatra, ser frio e, ao mesmo tempo, mostrar que você está ali para ajudar, como uma espécie de amigo. A última paciente da manhã era a vagabunda que se oferecia pra mim. Eu até poderia transar com ela, mas evito envolvimento com pacientes. É claro que todos têm suas “necessidades carnais” e precisam satisfazê-las de algum jeito. O bom disso é que eu não sou muito exigente neste quesito. Sou bissexual, já me envolvi com diversos homens e mulheres, mas nada sério. Ainda não achei a tampa da minha panela... Caramba, que frase cafona. Preciso começar a ler coisas mais maduras.
Enfim...
Assim que a vagabunda marcou a próxima consulta e saiu, eu me estiquei como um gato. Apesar de não parecer, é cansativo. Me parei na porta, olhando para Tenten e bocejando.
— Finalmente acabou. — Falei, chamando a atenção dela.
— Nem fale.
— Almoço? – Sugeri.
— Claro. No restaurante do lado do prédio?
— Pode ser, eu pago.
Estávamos comendo e conversando um pouco naquele lugar agradável, quando avistei uma figura conhecida.
— Sasori! – Exclamei, chamando sua atenção.
— Sasuke! – Correu em nossa direção. – Você por aqui? Oh, olá Tenten! Linda como sempre.
— Sasori, galanteador como sempre. – Tive de rir.
— Haha... – Riu forçado – Eu vim aqui só buscar meu almoço e estou com o tempo apertado. A propósito, Sasuke, já consertei seu relógio de pulso. Se soubesse que estaria aqui, teria lhe trazido.
— Pode trazê-lo hoje à tarde? Vou precisar dele.
— Sem problemas. Enfim, já vou. Até mais, gente linda. – Disse ele, dando acenando.
Sasori é um cara legal e amigo que posso considerar de longa data. Ele é muito talentoso, é professor de artes e fabrica joias com sua avó nos tempos vagos. A avó dele é a ourives e dona da joalheria que funciona no andar onde trabalho. Sasori também tem um, como ele mesmo diz “passatempo secreto” que é fazer marionetes, todas incríveis, com compartimentos secretos e coisas do tipo. Mas ele não gosta de falar disso, por que exatamente, não sei.
Fizemos nossa refeição e voltamos para o escritório. Tenten ficou na recepção e eu fui para a minha sala, dar uma ajeitada para receber o meu novo paciente.
Fui interrompido quando minha secretária me ligou para avisar que o paciente havia chegado. Andei até a porta e quando a abri, me deparei com uma figura loira com uma feição pensativa, sentada ao lado de uma menor, que usava largas calças de moletom pretas e uma blusa branca, do mesmo tecido, com estampas laranja. A touca do moletom lhe cobria grande parte dos cabelos, menos a franja. Ele também era loiro.
Peguei a ficha que estava em minha porta e chamei:
— Uzumaki Naruto.
O menor se encolheu na cadeira e suspirou fundo, enquanto o maior se agachou para ficar na mesma altura do garoto, disse-lhe algo e depois de alguns segundos, ambos se levantaram e vieram em minha direção.
Estalei o pescoço. Que venha mais uma tarde de trabalho!
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