Inside
20 Lados negros, princípio do fim e não-surtos
Notas iniciais
Do meio da escuridão surgiu a voz que agora era unicamente um assombro na cabeça dos dois loiros. Debaixo de uma luz surgiu, lentamente, sobre um salto de marca fina, dentro de um vestido bem desenhado e sob cabelos ruivos e sedosos, ela que causava mal estar aos dois rapazes de cabelos dourados...
– Kushina?! – Exclamou o maior, em estado catatônico. E se o maior estava deste jeito, imagine o menor. Naruto estava parado com o olhar perdido, simplesmente rezando para que aquilo não fosse verdade. O resto do grupo que estava mais disperso se aproximou, como uma manada que pressente o perigo e sente necessidade de proteger os mais novos, fracos e indefesos do grupo.
– Esclarecimentos? – Soltou Itachi, um tanto confuso.
– Depois! – Ditou Sasuke. – Naruto? –Chamou preocupado. Não obteve resposta. Somente um loiro encarando a mais nova figura ruiva. – Minato-san? – Sasuke estava começando a ficar inquieto com a situação. Ele era o psiquiatra ali, deveria ser o último a perder a cabeça, mas estava ficando difícil.
– Feliz aniversário, Naruto. – Ditou a ruiva, dando passos em direção ao loiro. Instintivamente Mei, Tenten e até mesmo Konan, que não sabia o direito o que se passava, se prostraram ante o loiro, fazendo uma pequena barreira. Kushina também parou. Três mulheres com olhares mortais não eram a coisa mais fácil de encarar.
– Sasuke, tire Naruto daqui, por favor. – Pediu Minato. Não estava externamente alterado, sua voz saia normalmente, praticamente zen. Seu rosto não expressava nada, entretanto se seus olhos pudessem matar, o fariam com a maior facilidade. O loiro menor, como que em um choque de realidade, saiu de seu mundo particular, sendo tomado de imediato por uma onda dos piores sentimentos possíveis.
– Não! – Gritou, passando a frente da pequena barricada que havia se formado, fuzilando a ruiva com o olhar. – Eu preciso dizer muita coisa pra essa mulher! –Todos o fitavam, espantados. Sasuke simplesmente achou que Naruto surtaria. O único que parecia raciocinar ainda era Itachi, que logo tomou as rédeas.
– Ordens são ordens, Naruto. Fora de debate ou negociações. Venha comigo, por favor. – Chamou o moreno maior.
– Não! – Respondeu seco.
– Sejam todos testemunhas de que tentei por bem. – Murmurou, aproximando-se rapidamente do loiro menor. Tencionou a musculatura de sua mão e braço, e sem pestanejar desferiu um golpe rápido e seco na nuca do menor, que não tardou em perder a consciência. Antes que caísse no chão, Itachi o amparou, agarrou e jogou seu corpo por cima do ombro. – Fim da discussão. O que faço com ele?
– Leve-o pra casa. – Respondeu rapidamente o loiro maior, levando a mão ao bolso, pegando a chave de sua casa e jogando por cima do ombro.
– O que vocês estão fazendo com meu filho, seus boçais? – Gritou a ruiva. – Você deixa esses animais desmaiarem seu filho e não faz nada? Francamente, que pai! – Exasperou. – E essas são as influências que quer dar pra ele? Um psiquiatra pedófilo, seu irmão de conduta questionável, a namorada favelada e marginal dele, a garota que anda com uma trinta e oito na vestimenta, o professorzinho que brinca de bonecas, o seu primo monstro e é claro, dois pobretões interesseiros e escalados! – Alfinetou todos ali. Se antes nem todos tinham motivos para odiar a ruiva, agora já tinham. Ela sabia da vida de todos ali. Como? Bom, não se sabe. Iriam retrucar, mas uma série de interrupções frustrou a todos.
– Você cale a boca e não se mexa! – Ditou o loiro maior irado para a ruiva.
– Quanto tempo ele fica apagado, Itachi? – Questionou o outro Uchiha.
– Peguei um pouco pesado, ele não acorda tão cedo.
– Ótimo. Mei, Sasori, vocês ficam. Os demais vão com meu irmão. Se ele acordar antes de voltarmos, Kiba, que é o mais próximo dele na situação, o acalmará. –Disse Sasuke.
– Por que eu fico? –Indagou o ruivo.
– Eu sou forte, mas não sou dois. Se Minato explodir, alguém precisará segurá-lo.
Os demais fizeram o que foi pedido. Não precisariam de dois carros na volta, então Tenten foi dirigindo o carro de Sasori, em companhia de Gaara. No outro, o de Itachi, Kiba estava sentado no banco de trás, com a cabeça do loiro desacordado em seu colo. A pedido da mesma, Konan dirigiu o carro de Mei. Os três carros partiram em sequência, restando apenas uma ruiva cínica, um loiro irado, uma morena de pose ameaçadora, um moreno em estado de alerta e um ruivo tenso.
– O que você quer aqui? – Inquiriu Minato, curto e grosso.
– Apenas vim ver como estava o andar da carruagem, mas digo que vim para ficar. – Respondeu.
– Eu só vou deixar uma coisa bem clara pra você, Kushina. – Ditou o loiro em tom ameaçador. – Encoste um dedo podre em um fio de cabelo do Naruto, e você vai descobrir com quantos paus se faz uma canoa.
– Oh, uma ameaça? – Ela riu com escárnio. – Vai fazer o que? Me bater? – Voltou a rir de forma petulante e irritante.
– Ele eu não sei, mas eu tenho uma surra reservada pra você. E apenas reforço o que foi dito por Minato: toque no Naruto e descobrirá para que suas pernas servem. – Pronunciou-se Mei.
– Ora vejam só... – Encarou a morena. – O que uma prostituta golpista e interesseira como você vai fazer? – E menos de um segundo depois Sasori segurava e imobilizava Mei, frustrando sua tentativa de avançar na ruiva.
– O que você disse, sua maldita? – Berrou a morena, se debatendo nos braços do ruivo.
– Falar do filho dos outros é muito fácil. – Ditou a ruiva. – Por que não fala do seu? Opa, você não tem um! E por que mesmo? – Provocou-a. Isto chamou a atenção de Minato.
– Cale a sua boca! –Gritou Mei, alterada. – Mais uma palavra e eu juro, arranco a sua língua. – Lágrimas se formavam em seus olhos. Lágrimas que não eram apenas de raiva.
– Cale-se, Kushina! –Gritou Minato. – Não vou permitir que insulte a mulher que foi mais mãe para Naruto que você!
– Como ousa dizer isso? – Inquiriu a ruiva que, pela primeira vez, se mostrou emocionalmente abalada.
– Eu digo com toda propriedade e certeza do mundo! – Berrou. – Você simplesmente foi embora despedaçando a vida não só de Naruto, mas a minha também! Você não faz ideia do que nos passamos, então não venha querer falar dos outros! Você é uma egoísta, egocêntrica! Só pensou em si, e quando a situação ficou feia, se mandou, jogando tudo pro alto! – Gritava desmedido. Sasuke estava do seu lado pronto para segurá-lo, mas também prestava muita atenção. – Mas eu vou te dizer algo Kushina. Alguém teve que juntar o que você jogou para o alto! E fui eu! Pensa que foi fácil? Não, não foi! Segurar tudo sozinho simplesmente pelo fato de que você não quis mais ajudar a segurar! E ainda por cima é uma covarde! Uma covarde que largou tudo sem ao menos se dignar a olhar nos meus olhos e nos de Naruto! É pior que uma barata, uma ratazana de esgoto! – Todos estavam espantados pelas palavras de Minato.
– Chega! – Gritou ela. – Eu sei que errei, e quero me redimir! – Minato simplesmente riu, histericamente. Riu como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo. Riu como um louco. Chegava a causar arrepios. Logo a risada cessou e ele voltou a sua pose ameaçadora.
– Nem queimar no fogo do poço mais profundo do inferno por toda a eternidade redimiria o que você fez. Vamos sair daqui. –Ditou sério. Ninguém ousou ir contra o loiro.
– Você terá notícias minhas em breve. – Avisou a ruiva.
– Eu sinceramente espero que sim. E que seja na seção do obituário do jornal. –Disse seco, estremecendo não só na ruiva.
– Você vai se arrepender de suas palavras, Minato. – Desta vez a ruiva ameaçou.
– Suas ameaças são tão vagas quanto seus senso e amor materno. Posso me arrepender de minhas palavras, mas você se arrependerá de ter nascido. –Marchou firme até seu carro. – Sasuke, pode dirigir? Se atropelar alguém, te pago um whisky. – Brincou. Usou todo o humor negro ao seu alcance, mas brincou. Não era do feitio de Minato portar-se de tal maneira, então chegava a assustar os demais. Pouco depois, deixaram o local, todos com os ânimos a flor da pele.
Na mansão dos loiros as coisas estavam mais calmas. Itachi havia botado Naruto em sua cama para ficar mais confortável. Kiba havia ficado no quarto com o loiro desde então. Retirou os tênis e meias do menor, também sua calça e trocou a roupa da parte de cima por uma camiseta mais confortável. Não se sabia quando ele acordaria. Agora, Itachi, Tenten e Konan estavam na cozinha bebendo café que o moreno havia passado. Kiba estava cuidando de Naruto no quarto na companhia de Gaara. O moreninho estava distante, parecia estar preocupado e pensativo.
– Quer que eu busque café pra você, Kiba-kun? – Perguntou o ruivo.
– Não, obrigado.
– Escute. – Ditou preocupado com o estado do amigo. – Ele vai ficar bem. Você não disse que achou que ele teria uma crise incontrolável de choro quando viu aquela mulher? Pois bem, ele não teve. Ele amadureceu, nem que seja um pouco. Vai ser difícil passar por isso, mas ele tem bons amigos. Os sentimentos que todos nutrem por ele são fortes, serão suficientes para não deixá-lo cair. – Sorriu, terno.
– Não precisa me dizer o óbvio. – Respondeu seco. – Eu sei de tudo isso, mas não é tão simples quanto você pensa, Gaara. Não sabe nem metade do que ele passou, então não fale como se o conhecesse bem. Pode parecer simples vê-lo assim, sempre sorridente, bobo, mas catar os pedaços dele não foi tarefa fácil. Ele vai ficar bem, porque eu vou fazer com que fique. Não vou deixá-lo ruir novamente, pois ele é meu amigo! Farei o que for preciso para vê-lo feliz. Apenas não fale como se o conhecesse. – Kiba não falava, ele praticamente rosnava. Estava muito alterado, e sem dúvidas feriu Gaara com suas palavras ásperas.
– Desculpe... Vou me botar no meu devido lugar. – Murmurou. – Vou para casa, não é tão longe daqui, então posso ir a pé. – Falava baixo enquanto pegava seus poucos pertences. – Quando ele acordar, diga que mandei lembranças. Jaa ne.
– Não pode sair sozinho a essa hora. –Repreendeu Kiba.
– Como se você se importasse... – Murmurou, saindo e batendo a porta. Despediu-se das pessoas na cozinha, que pediram para que ele ficasse, mas se recusou. Saiu vagando sozinho pela noite.
No quarto, Kiba apenas suspirou. Ele havia pegado um pouco pesado e sem nenhum motivo aparente. Sim, foi um idiota.
– Você é um idiota, Kiba. –Disse a voz arrastada do loirinho.
– Naruto! Você está bem? – Perguntou, aproximando-se de forma afoita.
– Eu estou bem sim. – Sentou-se com dificuldade na cama, levando a mão à nuca, que doía. – Mas e você, por que falou daquele jeito com o Gaara?
– Você está acordado há quanto tempo?
– Alguns minutos, só não conseguia falar nada. Ainda estou meio desnorteado. –Contou. – Mas você não me respondeu.
– Eu também não sei. Só estou irritado... – Murmurou.
– Não é desculpa para tratá-lo desse jeito. Você irá se desculpar com ele hoje pela manhã ou pela tarde.
Já passara da meia-noite. Era domingo, precisamente.
– Vou mesmo. Sou um idiota às vezes. – Lamentou-se. – Eu pareço mais alterado que você. Como você está?
– Estou surpreendentemente bem. Não vou surtar como todos esperavam. Não aqui, não agora. Segunda feira tenho consulta com o Sasuke, vou conversar com ele sobre isso, aí talvez eu surte. Nem quero pensar nisso, me enche de raiva. – Passou a mão no rosto.
– Você está bem diferente, loiro. Tenho orgulho de você. – Sorriu e pulou em cima do loiro, abraçando-o.
– Ei, por que você está aqui? – Questionou curioso. – Não deveria ser meu pai, a Mei ou o Sasuke?
– Estou por processo eliminatório. Seu pai ficou lá com... Bom, a sua mãe. – Disse sem jeito. Não sabia como falar daquela mulher. – Mei e o Sasuke também. Viemos no carro de Itachi. Ele, aquela namorada dele e Tenten estão por aí. Os outros não chegaram ainda.
– Suponho que Sasuke e Sasori ficaram lá pra segurar meu pai.
– Tipo isso. Nunca vi o Minato-san daquele jeito. Ele estava no mínimo furioso.
– Quando ele fica com aquela expressão de “nada” no rosto, vem “chumbo grosso”. Lembro de quando os dois brigavam. Kushina sempre conseguia deixá-lo nesse estado. – Disse com nostalgia. – Mas enfim, vamos até a cozinha. Tô com fome.
– Você tem comido mais ultimamente. Deve estar grávido. – Brincou.
– Idiota. – Xingou o amigo, e ele riu. – Por que estou só de cueca?
– Eu abusei sexualmente de você enquanto estava desmaiado. Não vai sentar direito por uns dias. – Gargalhou alto, recebendo uma almofada no rosto, que serviu de convite para ele se retirar.
Na cozinha, o moreno explicou rapidamente aos outros que não precisavam se alarmar, pois o loiro estava estranhamente bem.
– Desculpe o golpe, Naruto. –Disse Itachi, vendo a zona vermelha na nuca do menor enquanto este sentava à mesa.
– Desculpo somente se você fizer chocolate quente. – Chantageou. – Está frio, e eu gosto.
– Tudo bem, sem problemas. Mas faço apenas porque quero, não porque caí na sua chantagem barata. – Riu.
– Está frio mesmo. E o primo do Sasori ainda sai só com aquela pouca roupa. –Comentou Tenten, fazendo Kiba sentir-se mal. Naruto apenas lançou um olhar repreensivo para o mesmo, que o fez sentir-se ainda pior.
Alguns longos minutos depois, os membros do grupo que estavam faltando chegaram ao recinto. Minato, ao abraçar Naruto, não se conteve e começou a chorar. Kiba novamente contou o que aconteceu quando o loiro acordou, sem a parte da briga com o ruivo.
– Tou-san, não chore. – Afagava a cabeça do mais velho. –Mei pode pensar que você ainda tem sentimentos por aquela mulher. – Riu alto, acompanhado da morena, que até então estava cabisbaixa. Minato sorriu.
– Você é o melhor filho que eu poderia querer.
– E você o melhor pai do mundo. Se aquela mulher causar problemas, gente para dar uma surra nela não vai faltar. – Brincou novamente. Naruto tinha o dom de fazer o clima tenso se dissipar.
Sasuke estava em um canto. Estava muito apreensivo com toda a situação.
– Ei, Sasuke! – O loirinho chamou. – Seu irmão está fazendo chocolate quente pra mim! – Sorriu feito uma criança. – Se for melhor que o seu, ele tomará o posto de “meu Uchiha preferido”.
– Não tem como o chocolate quente de Itachi ser melhor que o meu. –Respondeu Sasuke, deixando a pose preocupada.
– Você engolirá suas palavras otouto, junto com o meu chocolate quente divino! –Provocou. Sasuke se juntou ao outro na cozinha, preparando sua receita. O loirinho se divertia assistindo aos dois irmãos.
– Alguém viu o Gaara? – Indagou Sasori. – Precisamos ir para casa, mas não acho ele.
– Ele foi a pé antes. – Respondeu Konan. – A gente insistiu para que ele ficasse, mas ele estava meio tristonho e nem nos deu bola. – E, mais uma vez, a culpa de Kiba lhe atingiu em cheio.
– Sasuke, você acha que ele pode fazer alguma bobagem? –Perguntou Sasori, com evidente preocupação.
– Não, esse lado dele está praticamente enterrado. – Respondeu o moreno enquanto mexia sua mistura no fogão. – Se ele disse que foi para casa, foi para casa.
– Como você sabe, Sasuke? – Perguntou Minato.
– Ele foi meu paciente, assim como Naruto. Longa história.
– Se eu não achar ele em casa eu aviso. Estou indo, alguém quer carona? –Indagou o ruivo.
– Eu aceito. – Disse a morena de coques, pegando sua bolsa e saindo com o ruivo após se despedirem. Minato insistiu para que ficassem, mas a morena teria compromisso familiar no domingo e o ruivo estava preocupado com seu primo.
– Os demais podem ficar, quartos, colchões, sofás e futons não faltam. – Eles assentiram. – Mei, pode acomodar Itachi e Konan-chan? Os demais já são de casa.
– Claro, mas você vai aonde? –Inquiriu a morena.
– Academia. – Mei não questionou. Sabia que quando Minato se estressava criava uma espécie de hiperatividade e descontava suas frustrações na academia.
A mulher logo mostrou um quarto de casal para Konan se instalar. Itachi viria mais tarde, pois agora travava um duelo de egos com seu irmão mais novo. Kiba estava largado em um canto, com uma expressão nada boa. Estava triste e pensativo.
Quando prontos, Naruto provou dos dois chocolates quentes, apreciando mais o de Sasuke, que fez questão de esfregar o fato na cara do irmão da forma mais infantil possível. Naruto foi falar com Kiba, e os dois logo foram para o quarto dormir. Kiba dormia em uma cama embutida embaixo da de Naruto.
Mei também foi dormir. Deu uma última olhada em Minato, que gastava sua energia socando e chutando um daqueles sacos usados por boxeadores. Sorriu. Minato era o melhor homem que poderia querer.
Konan se despediu e também foi para a cama, deste modo restando apenas os dois irmãos Uchiha, que estavam na cozinha tomando chocolate quente que havia sobrado.
– Naruto vai ficar bem? – Perguntou Itachi. – Ele é seu paciente por quais motivos?
– Eu espero que sim. – Bebeu um gole da bebida quente. – Ele é uma criança bem diferente... – Sasuke contou tudo que sabia sobre o loiro, surpreendendo Itachi. – E depois que Kushina foi embora, ele passou a se fechar mais ainda. Temo que ele esteja fazendo isso de novo com a volta dela. Não que não confie nele, mas o fato de ele não surtar é um pouco preocupante.
– Pressione-o em sua próxima consulta e descobrirá se é fato ou apenas algo da sua cabeça. – Itachi disse e Sasuke maneou a cabeça positivamente. – E que grupinho estranho este, não? – Comentou, rindo em seguida.
– Um pouco. –Concordou Sasuke. – Peguei a mania de observar os outros. Cada um deles é mais profundo que parece.
– O que quer dizer? – Itachi perguntou curioso.
– Mei é uma ótima pessoa, mas algo a atormenta. E não parece ser uma coisa “leve”, mas sim o contrário, algo bem pesado. – Exemplificou. – Minato é praticamente a mesma coisa, mas a diferença é que todos nós sabemos o que o atormenta, e tal tormento está de volta à cidade.
– Percebi que ele se alterou com aquela mulher. Dava para sentir sua aura pesada e maligna emanando. – Itachi comentou e Sasuke mais uma vez concordou.
– Kiba, aquele garoto é o menos e o mais estranho ao mesmo tempo. Ele me parece ser apenas um plebeu com alma nobre, alguém digno e nobre, mas que seria capaz de coisas horríveis. – Bebeu o último gole de sua bebida.
– Ele deixa mais questionamentos do que respostas.
– Bem isso. Mas mesmo assim, é boa companhia ao Naruto. Enfim, Sasori e Tenten você já conhece.
– Certo... –Itachi pareceu pensativo. – Sasuke, você não se preocupa demais com Naruto? Além da relação de médico e paciente que vocês têm? Você sabe que... –Foi rispidamente cortado pelo irmão.
– Sim Itachi, eu sei do meu passado melhor que você. Aquilo foi um erro, um acidente. Mas está tudo consertado. E respondendo sua pergunta, sim, me importo e me preocupo demais com Naruto. Gosto muito dele. Ele transmite algo bom, não só para mim, mas para todos. Não concorda?
– Tenho que concordar mesmo. – Murmurou Itachi enquanto lavava suas xícaras. – Aquele dia que o ajudei na rua, ele parecia um gatinho indefeso, clamando por ajuda.
– Ele tem seus truques mesmo, mas de bobo não tem muita coisa. Pode apostar que ele está sempre, no mínimo, três passos à sua frente se tratando de artimanhas.
– Falando assim parece que ele é um monstro.
– E ele é. Um monstrinho adorável, devo reconhecer.
– Um monstrinho ladrão de corações. – Implicou o mais velho.
– Cale a boca, Itachi. Vou dormir, boa noite. Foi bom te ver de novo. – Sasuke abraçou o maior.
– Digo o mesmo. Vou tentar manter mais contato com você, otouto. – Sorriu. – Boa noite. — Lhe beijou a testa.
Sasuke foi para o quarto que geralmente usava quando pernoitava ali. Itachi guardou a louça que faltava e foi em busca de seu quarto, logo o encontrando. Fez um coque desajeitado em seu cabelo e deitou-se ao lado de Konan, que já dormia serena.
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