Inside

21 Resfriado, carinho e sangue latino.


Notas iniciais
Bom final de tarde pra vocês!:) Antes de tudo, repito que criei um twitter! :D Obrigado aos que já me seguem e me suportam lá! Para quem não segue ainda, vai lá! (ou não, só se quiser) @Killunomia! Agora sim, oi! :D Saudades... Não demorei a atualizar, mas estava com saudades. Esse capítulo é para quem gosta do Gaara e do Kiba. Curti escrever esse capítulo, tá bem bonitinho. Kiba é é mais amável do que parece. Aproveitem o capítulo, seus lindos! Não lembro se já agradecia ultima recomendação que recebi aqui,mas todo o caso, obrigado! :D Eu amei.. :3 Foi betado, porém ainda pode haver errinhos! o/

Na manhã seguinte, nem todos levantaram ao alvorecer. Itachi e Konan madrugaram e foram embora logo cedo. Sasuke acordou um pouco mais tarde e preparou um desjejum para todos, dos quais desconhecia os atuais paradeiros. Mei despertou em seguida, dando pela falta de Minato na cama.

Acordar ao lado do loiro já se tornara mais do que um hábito, então a cama parecia muito grande sem ele lá.

– Bom dia, Sasuke. – Ela saudou sonolenta, recebendo um maneio de cabeça em resposta. O moreno parecia um pouco distante. – Viu o Minato?

– Academia. – Respondeu enquanto servia café para a companheira.

– Ainda? Ele vai morrer de exaustão. – Ditou pasma. Ela sabia que Minato era doido o suficiente para qualquer coisa, então estava preocupada.

– Não, ele dormiu lá. – O moreno logo esclareceu, ao ver a inquietação da outra. – Bateu até cair, quase que literalmente. Eu ajeitei-o um pouco com uma almofada e uma manta, mas creio que ele terá uma dor nas costas daquelas. – Falou em tom mais divertido desta vez.

– Nunca o vi com tanta energia... Com tanta raiva. – Comentou, com os olhos fixos no nada. – Aquela mulher tinha que aparecer pra estragar tudo. Estava tudo indo tão bem... – Lamentou enquanto tomava seu café e comia um sanduíche, que ela mesma havia preparado.

– Concordo. Conversarei com Naruto sobre isso na próxima consulta. Isso não me cheira a boa coisa... – Proferiu com preocupação. – Ah, e quando a dele acabar, a sua inicia. Que tal? – Acrescentou em tom sério, fitando a morena direto em seus olhos.

– Como assim? – Ela rebateu confusa e com uma raiva crescente. A mulher odiava ser peitada daquela maneira, olho no olho.

– É exatamente o que ouviu. Vamos conversar um pouco, sei que vai te ajudar. – Falou sereno, de um jeito que dava a entender que ela sabia a que ele se referia.

– Sasuke, o que está querendo insinuar? – Inqueriu, já perdendo a paciência. Aquele tom a irritava ainda mais. – Você sabe que eu não mulher para esses joguetes. Seja direto.

–Não é joguete algum, Mei. – Rebateu naquele mesmo tom. Não parecia nem um pouco afetado com a mudança de humor da mulher a sua frente – Você e eu vamos conversar sobre o porquê de você ter ficado tão alterada ontem à noite. Sobre o que você esconde e guarda para si. – Bebericou seu café. – Não é uma conversa de amigos, mas sim profissional.

– Quem você pensa que é pra falar desse jeito comigo, Sasuke? – Rugiu furiosa. Sasuke continuava sereno bebendo seu café. – Vamos falar sobre o que foi dito ao seu respeito noite passada? – Acrescentou com escárnio.

– Não se exaltem Mei. – Sasuke clamou, fazendo-lhe um gesto qualquer com a mão livre. – Não tem necessidade para isso.

A morena bufou e andou a passos largos na direção do mais novo, parando a poucos centímetros do rosto de Sasuke, olhando-o no fundo de seus olhos.

– Eu te digo uma coisa, Uchiha Sasuke: se continuar me peitando assim, isso será a última coisa que você fará nessa vida. – Por um ou dois segundos, ela viu o olhar do moreno ficar intimidado. – E agora que estamos entendidos, mude o seu tom e se explique melhor. – Ela foi se afastando devagar, sem quebrar o contato visual. – Que tal falarmos sobre o que foi dito de você ontem? – Usou de puro escárnio.

– Não, obrigado. Eu sei lidar com meu passado, mas você não, ao que parece. – Seu tom era mais sério. – Apenas estou dizendo que você não vai carregar mais esse fardo sozinha. Ou vai dividir comigo, ou vai dividir com Minato. Ele não percebeu nada, mas se ele ficar sabendo de algo, vai te encher de perguntas. Eu só estou te fazendo uma. – Argumentou. Dessa vez era ele que encarava Mei olho no olho. – Aceita? – Mei ponderou por alguns segundos e aceitou.

Bem a tempo de evitar perguntas indesejadas, diga-se de passagem

Logo após isso, Minato acordou e se juntou aos dois. Nem reparara no clima um tanto pesado, pois estava letárgico.

E sim, estava com dor nas costas. Mei alegou que lhe faria uma massagem mais tarde.

Algum tempo depois, os dois adolescentes hiperativos acordaram. Comeram como cavalos no desjejum. Pareciam dois condenados. Próximo à hora do almoço, a proposta que surgiu foi que todos fossem comer juntos no shopping. A ideia foi prontamente por todos, menos por Kiba, que alegou já ter compromisso.

Na hora determinada, Mei, Minato, Sasuke e Naruto saíram para um dia divertido no centro de compras. O plano era simples: Esquecer os problemas enquanto podiam. Todos imaginavam que as coisas piorariam.

O Inuzuka pegou carona até sua nova casa, onde apenas tomou um banho e trocou de roupa, vestindo algo bem casual, mas que não lhe tirava a beleza. Como dito antes, ele tinha compromisso, então saiu vagando a pé pelas ruas.

Passou em uma padaria, onde comprou uma cestinha com cupcakes. Sua próxima parada foi na floricultura, onde comprou algumas rosas brancas. Não sabia ao certo o que comprar, e aceitou esta sugestão da florista. Precisava se desculpar e selar a paz.

Pareceu adequado.

Com sua pequena cesta, que agora fora adornada por flores, vagou pela rua até chegar a uma imponente casa de detalhes rústicos. Casa onde Sasori estava morando atualmente, com sua vó e seu primo. Era uma bela casa, com aspecto rústico, mas não descuidado. Bem pelo contrário, a fachada e o jardim eram impecáveis.

Antes mesmo de bater na porta ela foi aberta. Não com a intenção de lhe recepcionar, afinal ninguém ali era vidente, mas sim para que um ruivo apressado e abarrotado de coisas passar correndo e quase lhe atropelando.

– Sensei? – Chamou, meio que por reflexo.

– Oh, Kiba-kun! Já que está aí, me dê uma mãozinha! – Pediu e o moreno foi até ele, ajudando a por os diversos estojos, caixas e pincéis no carro. – Eu posso ajudar em algo?

– Ah, sim... – Murmurou sem jeito. – Gaara está?

– Ele está sim, mas não está muito bem. – Seu tom de cansaço era evidente. – Na verdade, ele está de cama. – Contou. O Inuzuka já imaginava o porquê disso. – Pegou friagem voltando para casa de madrugada e sem casaco. Como resultado ele está jogado na cama com febre. Me atrasei todo cuidando dele e mal consegui dormir. – Ditou um pouco irritado. Não com o primo, mas com toda a situação.

– Que coisa chata. – Lamentou pelo professor. Aquela pontada de culpa que o moreninho sentia só ia se intensificando – Mas você está atrasado para que?

– Tenho um curso de pintura hoje. Não queria ir para não deixar ele sozinho nesse estado, mas ele insistiu. Disse que estava bem. – O ruivo revirou os olhos. Como se fosse verdade. – Nem a vovó está em casa para cuidar dele, e vai tardar em voltar. Tenho medo que essa criatura piore.

– Não se preocupe, pode ir tranquilo. Eu fico de olho nele. – Sorriu fraco, apenas para tranquilizar o mais velho. – Eu preciso falar com ele mesmo...

– Sério? – Perguntou, recebendo um manear positivo de cabeça. – Tudo bem então, mas cuidado para não pegar também. – Advertiu o mais velho. Em seguida, despediu-se partiu apressado em seu carro.

O moreno suspirou. Suspirou várias e várias vezes, tentando juntar alguma coragem.

Gaara estava doente por sua culpa. Provavelmente estava chateado também. E era tudo sua culpa. Culpa do seu jeito babaca; de suas palavras.

O moreno pegou a pouca valentia que juntou e entrou na casa.

Ele perambulava pela casa, que não era nem um pouco modesta. Rica em detalhes e com móveis de madeira escura, de aparência bem refinada. Por alguns minutos, sua atenção foi totalmente roubada pelas diversas marionetes que decoravam a casa. Era tudo tão lindo....

– Danna, eu não disse que era para você ir logo? – Gritou uma voz meio rouca, vinda do alto das escadas, mas que ficava cada vez mais próxima. – Eu estou bem e... – Sua voz sumiu ao ver quem estava ali. – Kiba...? – Gaara estava claramente surpreso e confuso.

– Oi. – O Inuzuka rebateu num murmúrio baixo. Estava chateado consigo mesmo pelo que havia feito, e só ficou pior quando viu o ruivo de pijamas e pantufa, com o nariz e também as bochechas coradas, olhos avermelhados e inchados. Resfriado causa isso também?

O ruivinho fungava e tossia. Era de dar pena. Parecia que um caminhão havia passado por cima dele, e ainda dado a ré

– O que você está fazendo aqui? – Perguntou curioso enquanto descia as escadas com cuidado. Sentia-se mole por causa da febre. Em momento algum ele pareceu bravo ou rancoroso, muito pelo contrário.

– Eu vim me desculpar com você. – Soou firme, pegando Gaara de surpresa. – Estava meio irritado noite passada e acabei meio que te destratando. O jeito que eu te tratei é imperdoável, eu sei, mas eu precisava dizer que sinto muito. Me desculpe. – Esticou a cesta que portava.

O ruivo não esboçou reação. Estava parado como um tronco, fitando o moreno com cara de tacho. Ele ouvira tudo aquilo, mas não conseguira processar. Estava bobo.

Como o outro não lhe respondia, Kiba pigarreou e continuou a falar. Estava tão o mais bobo que o outro. Na verdade, ele era bobo de qualquer jeito.

– Pode parecer meio gay, mas não sabia o que comprar e, bom, eu gosto de cupcakes e supus que gostaria. Quem não gosta, né? – Falou meio sem graça. Gaara deu-lhe um sorriso amigável. Era totalmente sincero.

– Eu gosto de qualquer coisa doce, Kiba. – Deu uma breve gargalhada.

– Você estava chorando, não é? – O moreno perguntou, indo direto ao ponto, sem sombra de rodeios. Em momento algum a atual felicidade do ruivo deixou de habitar seu rosto e sua expressão.

– É, um pouco. Eu sou meio manteiga derretida mesmo, mas tudo bem, já passou. – Respondeu limpando seus olhos e em seguida deu um soco fraco no braço de Kiba.

Mesmo tendo suas desculpas aceitas, o Inuzuka continuava se sentindo um idiota. Se martirizava cada vez mais.

– Não fica com essa cara, já disse que está tudo bem. – O ruivo interviu referindo-se a expressão tristonha que o outro portava. – Não gosto dessa sua cara. Eu já ia preparar um chá, então, – Pausou para olhar em seu relógio de pulso, que marcava quase uma da tarde, apenas. – nosso almoço será a moda inglesa; chá e bolinhos. – O ruivo riu, arrancando uma fraca risada do amigo. –Na verdade, espero que você não tenha almoçado. São muitos cupcakes e não consigo comer tudo sozinho.

– Não almocei mesmo e eu tô morrendo de fome. Você vai se arrepender de dividir eles comigo! – Foi cortado pelo acesso de tosse de Gaara. – Mas quem vai preparar o chá sou eu. – Ditou autoritário. – Você senta ali no sofá e espera. – Empurrou Gaara pelos ombros, fazendo-o sentar no sofá. – A culpa de você estar assim é minha, então eu vou cuidar de você. Minha mãe tem uma receita de chá para resfriados, que é tiro e queda! – Contou empolgado. – Onde tem cobertores? – Questionou ao ver que o amigo tremia um pouco, provavelmente por conta da febre.

– Lá em cima, terceira porta a esquerda. É meu quarto.

O moreno subiu apressadamente as escadas procurando pelo quarto do ruivo. Adentrou e puxou o primeiro cobertor que viu em cima da cama e desceu, jogando a manta por cima do ruivo, que logo tratou de se enrolar nela.

– Agora descanse. – Ordenou como se fosse sua mãe. – Hoje eu sou sua babá. Ou seu enfermeiro, tanto faz...

– Isso soou muito como um enredo tosco de filme pornô, Kiba. – O ruivo murmurou, fazendo-o gargalhar alto. Justamente o que ele queria. Aquele clima ruim não tinha lugar ali.

O Inuzuka foi para a cozinha, vasculhando o ambiente em busca das ervas que precisava para o chá. Quando achava, amassava em cima de um pano limpo. Quando a mistura estava pronta, fez uma pequena trouxa enrolando o pano. Jogou o pequeno embrulho em uma espécie de bule e despejou água fervente por cima, deixando parado de molho.

Pegou duas xícaras, nas quais botou mel e algumas gotas de suco de limão. Serviu a infusão feita em cada uma das xícaras e mexeu para misturar homogeneamente com o mel. Pôs os recipientes em uma bandeja, junto com guardanapos e os bolinhos que comeriam e levou até a sala onde Gaara repousava e assistia à televisão.

– Beba tudo, depois tem mais porque fiz bastante. – Falou autoritário enquanto depositava a bandeja na mesa de centro e pegava uma das xícaras entregando a Gaara, para depois sentar ao seu lado no sofá. – Quanto mais, melhor.

– Não é um daqueles chás amargos e desagradáveis, né? – Perguntou fazendo careta e assoprando a bebida fumegante, fitando-a com uma cara não muito amigável.

– Não, bem pelo contrário. – Bebericou o conteúdo de sua própria caneca. – É bem agradável. Minha mãe ainda adiciona conhaque, porque ela é dessas. Velha e bêbada. – O outro riu alto. Quando conteve-se, bebera um gole receoso da bebida.

– Não é que é bom mesmo? – Elogiou surpreso. Os chás que recebia de seu primo, que era sua babá também, quando estava doente eram tão apetitosos quanto lamber sabão. – Os chás do Sasori parecem grandes infusões de esterco. – Contou e moreno gargalhou.

– Que bom que gostou, mais tarde faço minha “Sopa picante”. – Fez aspas com as mãos. – Minha mãe aprendeu a receita com uma mexicana meio suspeita, mas a sopa é muito boa e realmente ajuda. – Comentou enquanto fitava a televisão e comia um dos cupcakes. – Tsuma-san é cheia de truques.

– Você também é bem prendado. – O ruivo elogiou. – Já pode casar. – Kiba foi obrigado mais uma vez a rir.

– Obrigado! Aprendi a maioria dessas coisas com a minha mãe ou com a Mei, nos intervalos dos ensaios fotográficos. Ela é um poço de conhecimentos.

– Sério? De que tipo?

– Tipo receitas muito boas, com ingredientes banais do cotidiano, e também massagem. – Estalou os dedos. – Atualmente sempre me alugam para massagista no estúdio. Aliás, se tiver algum expectorante, posso fazer uma massagem no seu peito que vai ajudar com essa tosse. – Comentou com naturalidade, mas Gaara já não estivesse corado por conta da gripe, teria problemas. Sua cabeça virou-se na direção do moreno espontânea e abruptamente.

–Massagem? Em mim? – Ele gaguejou, chamando atenção de Kiba.

– É. A menos que você não se sinta a vontade. – Acrescentou em tom tão casual quanto o que usara anteriormente. O moreno não estava nem um pouco incomodado. Por um momento ele havia se esquecido do fato que era Naruto que não se incomodava com essas coisas.

– Não, tudo bem... eu acho. – Coçou a nuca em desconforto. – Mas tudo bem pra você? Quer dizer, você é um 'cara, eu também... – Falou tímida e atrapalhadamente.

– Bom, eu não me importo mais com essas coisas. Sabe, o Naruto é uma criatura muito manhosa, então cuidar dele, de vários jeitos, já é corriqueiro para mim. – Contou divertido. – Não me importo com essas coisas, desde que ajude alguém que eu gosto. – Disse convicto.

– Ah, sim... Entendo. Tudo bem então. – Gaara respondeu e Kiba deu um meio sorriso terno e voltou sua atenção para a televisão. – Então você gosta de mim, Sr. Inuzuka Kiba? Me sinto honrado. – Articulou em tom de deboche, rindo logo em seguida.

– Para de bobagem, vai. – O Inuzuka estava sem jeito. – Claro que eu gosto de você, idiota. – Concluiu, mas sem olhar para o outro. Era a primeira vez que ficava envergonhado ao lado do ruivo, e esse desconforto não passou despercebido. Balançou a cabeça numa negativa, se repreendendo mentalmente por ser tão bobo.

Pouco depois, o moreno foi para a cozinha preparar a receita da tal sopa que ele comentara anteriormente. Era uma sopa cremosa de ingredientes picantes. Gaara estava na sala ainda e os dois conversavam a distância mesmo.

Enquanto isso, no shopping, o clima era de pura descontração. Após o almoço, Minato e Mei queriam assistir um filme de romance no cinema, mas Naruto protestou.

No fim, o loiro maior e a morena foram ver o seu filme enquanto Sasuke levou Naruto para passear pelo shopping. Tomaram sorvete e correram como crianças pelas dependências. Sasuke poderia ser a pessoa mais séria do mundo na maior parte do tempo, mas com Naruto ele conseguia ser mais espontâneo e menos rabugento.

Quando avistaram o fliperama, então...

Aí sim se portaram como crianças. Entraram correndo e lá dentro gastaram horas e também muito dinheiro. Foram em todos os jogos do local e brincaram como se suas vidas dependessem disso. Jogos de corrida, jogos de luta e até mesmo aqueles de mesa, que não eram eletrônicos... De tudo um pouco.

Entretanto, nenhum dos jogos era comparável ao de dança. Só este roubou boa parte da tarde dos “garotos”. No início foi só pra se divertir mesmo, mas com o passar do tempo se tornou uma disputa séria e acirrada.

Começaram com músicas simples, como um aquecimento. Horas mais tarde já estavam dançando “U can’t touch this”, “Ice, Ice Baby”. Depois disso, optaram por parar. Ambos estavam exaustos e competitivos demais.

No celular do loirinho, que estava junto ao seu casaco que havia retirado, estavam registradas algumas ligações e algumas mensagens do seu pai, pois o mesmo não conseguia encontrar a dupla. Naruto retornou as chamadas avisando que estavam no fliperama e que agora iriam tomar um Milk shake. Nada melhor para repor energias, no ponto de vista do loirinho.

Na casa dos ruivos, Kiba já terminava de fazer sua fadada sopa.

Apagou a chama do fogão e voltou à sala para chamar o ruivinho, que não lhe respondia mais já fazia alguns minutos. Quando voltou para a sala descobriu o motivo de não obter mais respostas.

Gaara dormia sentado no sofá, enrolado pelo cobertor. Lembrava uma daquelas crianças, que acordavam cedo pela manhã e iam para frente da televisão assistir desenhos. O moreno riu da cena. Imaginou que isso fosse acontecer, porque o chá que fizera levava ervas fortes também.

Serviu a sopa em duas tigelas e levou até a sala e sentou-se ao lado do amigo.

Quando ia lhe sacudir para despertar-lhe de seu sono, Gaara simplesmente tombou para o lado, acomodando-se no colo de Kiba como um gato manhoso. O moreno esticou o lábio num sorriso tenro.

Não teve coragem para acordá-lo, então simplesmente afagava os cabelos de cor intensa do amigo, em um carinho gostoso. Sentiu-se um pouco receoso no início, mas tomou coragem e foi em frente. Não se arrependeu disso. A cabeleira ruiva era macia...

Sentia-se tão bem com Gaara. Tornaram-se bons amigos de um tempo para cá.

Passaram bons momentos, isso o moreno tinha de admitir. Ele gostava da companhia do ruivo. Não mais que a de Naruto, apenas de um jeito diferente. Também não podia negar que ele era bonito. Havia reparado nisso recentemente. Quando Neji ou alguém de seu grupo destratava o garoto dos olhos turquesa, a raiva lhe consumia.

Quando o moreno lhe questionou sobre o motivo de ele andar com Neji, ele lhe respondeu que era para agradar seu pai.

Na perspectiva de seu progenitor, amizades com gente de classe alta eram boas amizades. Não que o ruivinho se importasse com o que o pai pensava, mas apenas queria dar um motivo para que o mais velho se orgulhasse. Disse também que, apesar de tudo, Neji não era tão ruim assim. Não que Kiba acreditasse nisso.

Mas o ruivo já tinha dito lhe dito que ele, Inuzuka Kiba, era o melhor amigo que já tivera. Com todas as palavras.

O laço dos dois ficava mais forte a cada dia.

Tudo isso e mais um pouco passava na mente do Inuzuka como um filme, mas seus devaneios foram cortados pelo acesso de tosse do ruivo que acarinhava até então. O próprio ruivo acabou se acordando com a tosse.

– Kiba? – Chamou atordoado assim que levantou a cabeça, que só então notara que estava na coxa do mais velho. – Ah, cara não! Não me diga que... – Estava um pouco atordoado e claro, muito envergonhado. Agora não era mais a gripe que dava tom rosa para suas bochechas, mas o constrangimento. – Me desculpa! Sério, Por favor, eu não queria...

– Tá tudo bem! – Riu do nervosismo do outro, mas sabia que, se fosse o oposto, ele estaria mais constrangido que o ruivo. – Você caiu no meu colo e eu não quis te acordar, então sim, você dormiu no meu colo, se é isso que iria perguntar. – Gargalhou mais uma vez ao ver o rubor de Gaara aumentar.

– Para de rir! Eu já tô com vergonha o suficiente aqui, okay?

– Porque você é bobo! – Rebateu. – Olha, sempre que quiser meu colo está a sua disposição! – Provocou-o mais um pouco, fazendo o ruivo revirar os olhos e cobrir o rosto com uma parte do cobertor. – Mas, por ora esqueça isso. Olhe, lhe trouxe sopa! – Exclamou à medida que tomava a tigela ainda fumegante nas mãos e estendeu ao amigo. – Coma tudo, vai se sentir revigorado. – Sorriu assistindo o ruivo comer o conteúdo da pequena vasilha.

– Suas receitas de origem suspeita me assustam sabia?

– Ei, que tal dormir lá em casa hoje? – Perguntou sem rodeios. Essa ideia lhe surgiu na cabeça e ele precisava perguntar. Nem ouvira o que o outro havia dito. Kiba tinha muito dessas guinadas repentinas nas conversas.

O ruivo levou algum tempo para processar a pergunta e gerar uma resposta.

– Olha... Eu acho que tudo bem. – Respondeu. Iria convidar o moreno para pernoitar em sua casa, mas sabia que ele não poderia porque teriam escola no dia seguinte e Kiba estava sem seus materiais escolares.

Já que o outro lhe convidara, não tinha motivo para recusar. Ainda mais que nunca havia dormido na casa do moreno. Na verdade, nunca havia ido lá.

– Caramba, isso queima! – Exclamou o de olhos verdes, referindo-se a sopa. As conversas entre os dois andavam muito randômicas.

– Eu sei! – O outro sorriu travesso, mordendo a ponta da própria língua.

Após comer a refeição preparada por Kiba, Gaara foi arrumar a mochila que levaria para a casa do outro. Pôs um pijama, suas pantufas, sua escova de dente e seus materiais escolares.

A febre que antes o acometia já não existia mais. Um sinal disso era o fato de estar com bastante calor. Chegava a suar. Efeito do “Combo Inuzuka”, de chá e sopa especiais. De brinde, ainda ganhou um cafuné. O ruivinho trocou de roupa e ligou para Sasori, avisando que iria dormir fora. Quando estavam prontos, os dois saíram caminhando pela rua.

No centro de compras, a história era bem outra. A noite se aproximava rapidamente e o quarteto resolveu que iria jantar ali mesmo. Mas mesmo sendo praticamente noite, era cedo para jantar. Pararam em uma daquelas praças de eventos que há no meio do centro de compras, apenas para ficar desfrutando da música tocada ao vivo por uma pequena orquestra.

Eram melodias adoráveis. Naruto fitava os músicos quase como se estivesse hipnotizado. Mei e Minato estavam sentados em um banco curtindo o clima romântico que o ambiente proporcionava. Não eram namorados oficialmente, mas era como se fossem casados.

Já Sasuke estava de olhos fechados, aproveitando aquelas sinfonias que, lhe varriam seus sentimentos ruins e suas tensões. Estava leve.

Claro que a criança hiperativa, que atendia pelo nome de Uzumaki Naruto não ficaria “zen” por muito tempo. Ele correu até o maestro e pediu se poderia tocar algo com eles.

O regente da orquestra riu quando Naruto disse que não sabia tocar bem, que apenas “se virava”. O maestro fez uma aposta com o loiro, dizendo que se o pequeno conseguisse tocar “Spring”, de Vivaldi, pagaria o jantar do loirinho e de sua família no melhor restaurante do shopping. Caso não conseguisse, o loiro quem lhe pagaria um jantar.

Não é preciso pensar muito para saber quem perdeu a aposta.

Minato, Mei, Sasuke e Naruto jantaram em um restaurante muito requintado, e totalmente de graça.

Sem mencionar que durante todo o jantar, uma garota não tirou os olhos de Naruto, e bem no fim lhe deu seu número de telefone. Logicamente isso rendeu piadinhas e brincadeirinhas que fizeram o loiro ficar bem sem graça e um moreno ficar um tanto desconfortável.

Na casa dos Inuzuka, o clima era de pura animação. Gaara não conhecia Tsume e vice-versa. A morena ficou muito contente e encantada em conhecer o ruivo, afinal só conhecia Naruto como amigo de seu filho. Pelo menos "amigo decente de seu filho". Logicamente, o ruivo foi muito bem recebido, sem nada de formalidades japonesas, mas sim uma bela dose de informalidade latina.

Gaara adorara o clima daquela casa, e principalmente, adorara Tsume. Era uma mulher muito engraçada e carinhosa. Dava para notar que ela amava muito seu filho e que tinha um coração do tamanho do mundo. Ele adorou isso.

Ele se sentia em casa.

O ruivo nunca tivera uma família acolhedora.

– Você nunca me contou que tinha sangue latino, Kiba. – Comentou o ruivo que estava sentado em uma cadeira junto a um balcão. Ele observava Tsume preparar algo numa coqueteleira.

– É algo tão relevante assim? – Indagou o moreno sentado ao lado do ruivo.

– Quem sabe. – Deu de ombros, dando um peteleco no braço do moreno.

– Gaara-kun, espero que goste de piña colada. – Exclamou Tsume, aproximando-se e depositando na mesa um a bandeja com alguns copos bem decorados, cheios de um líquido de aparência apetitosa. – Não abuse, tem um pouquinho de álcool. Se você voltar pra casa de ressaca, nunca mais vão te deixar pisar aqui.

– Piña colada? – Indagou curioso, levando o copo até próximo de seu nariz, a fim de sentir o aroma da bebida.

– Suco de abacaxi, leite de coco, leite condensado, gelo moído e rum. –Explicou o moreno puxando um copo para si e outro para o ruivo. – É uma delícia, mas pega leve. – Aconselhou sugando um gole da bebida pelo canudo em seguida. Gaara fez o mesmo. De fato era bom, então tomava com gosto. Tsume havia feito com menos rum, afinal eles eram menores de idade, então não havia muito problema.

Ficaram conversando e bebendo por bastante tempo. A matriarca Inuzuka contou que sua mãe, de descendência colombiana se casara com um homem japonês. Viveram bastante tempo na Colômbia, até Tsume “seguir os passos de sua mãe” e se casar com um homem também japonês. Mudaram-se para a Espanha e lá tiveram Hana, irmã mais velha de Kiba.

Depois disso, viveram por mais alguns anos na Espanha, e quando Kiba nasceu, resolveram ir morar no Japão. Era desejo de seu marido que o fizessem. Instalaram-se em Konoha e ali viveram desde então.

Contou também que quando Kiba tinha apenas cinco anos, o pai dele os deixou sem dar muitas explicações. Saiu e não voltou mais. Gaara observou que o amigo ficou com o semblante vazio nesse momento. Parecia distante.

O assunto continuou com Tsume contando histórias da infância de seu filho, fazendo o mesmo ficar constrangido e Gaara gargalhar. Acabaram parando a conversa quando ouviram barulho na porta de entrada da casa.

– Tadaima! – Ouviu-se um grito feminino vindo da sala, seguido de um latido.

– Okaeri! – Responderam Tsume e Kiba, uníssonos. O menor correu até a irmã, que apareceu na porta da cozinha para abraça-la, fazendo o mesmo com o grande cachorro que a acompanhava. Gaara acompanhava tudo com curiosidade. Era uma cena bonita. Nunca teve esse tipo de relação com seus irmãos. – E quem é o dono desses belos olhos turquesa, hein? – Perguntou a moça, fitando Gaara com um sorriso singelo.

– Sabaku no Gaara, é um prazer conhece-la. – Sorriu de volta, indo até a moça e beijando-lhe a mão, logo após fazer-lhe uma breve reverência. Um perfeito cavalheiro. – Suponho que seja Hana.

– Acertou em cheio. – Disse fitando os olhos de cor intensa de Gaara. –Gostei de você. Um cavalheiro é algo difícil de ver hoje em dia. Daqui há alguns anos, me ligue! – A moça brincou, fazendo Gaara gargalhar e Kiba revirar os olhos.

– Obrigado. – Agradeceu-a maneando a cabeça. O ruivo tomou um susto por conta de outro latido alto que ecoou no cômodo. – E esse aí, quem é? –Indagou curioso a respeito do grande cachorro branco que estava sendo acariciado por seu amigo.

Ajoelhou-se para ficar a altura do animal, lhe acariciando também. No início, o cão parecia receoso, mas não demorou para encher-lhe de lambidas.

– Esse é Akamaru, meu cachorro. – Respondeu Kiba com orgulho em sua voz.

– Você também nunca disse que tinha um cachorro... – Comentou o ruivo em um resmungo, enquanto brincava com o bicho.

– Não se sinta mal, acho que nem o Naruto sabe. – Confessou. – Hana é enfermeira e Akamaru está inscrito em um programa especial.

– Ele passa a semana “animando” o hospital, junto com outros animais. Ele faz companhia e interage com os pacientes internos, principalmente as crianças com câncer, idosos... – Completou Hana. – Meu onii-chan também é voluntário. – Concluiu, sem perder a chance de cutucar o irmão.

– Outra coisa que nunca comentou! – Alfinetou Gaara, indignado. Parecia que, a cada minuto ele conhecia Kiba menos do que imaginava.

– Não foi por mal... – Falou com a cabeça baixa, olhando para o cão, enquanto cutucava o mesmo. – Apenas... Tive vergonha, sei lá... – Falou baixinho, dando de ombros e ainda fitando o bicho. – A maioria dos garotos usa seu tempo com garotas, esportes, videogames... Eu uso para ficar com crianças doentes. É estranho, vai. Não ria de mim, por favor. – Pediu sem jeito, levantando a cabeça apenas o suficiente para ditar o ruivo.

– Claro que não vou rir! — Deu um tapa leve na lateral da cabeça do outro. – Não tem por que rir, é algo nobre. Eu até gostaria de ir com você um dia desses, se for possível. – Falou o ruivo, deixando o moreno um tanto surpreso e feliz, é claro.

– Claro... Seria legal. – Sorriu. Estava realmente contente por dentro.

– Pode ir terça-feira, depois de amanhã. Nem eu nem Akamaru trabalharemos, então será interessante ter “reforços” por lá. – Disse Hana.

– Ótimo, então! Eu vou adorar ajudar. – O ruivo assentiu.

E assim a noite foi passando. Tsume preparou um belo jantar típico; não tipicamente japonês, mas tipicamente latino. E tudo isso acompanhado por muitas doses de piña colada.

Estava tudo muito animado e todos se divertiam muito. Gaara nunca comera uma comida tão gostosa assim. Com certeza a companhia e todo aquele clima aconchegante ajudaram também nesse aspecto.

E a noite passara para todos, inclusive para o outro quarteto. Eles já estavam na mansão Namikaze e seu jantar havia sido muito bom, de fato.

Os quatro estavam exaustos. Para relaxar e terminar a noite, os adultos tomavam café, e o menor estava jogado no sofá da sala, assistindo televisão. Não era muito tarde, então Sasuke ainda iria para sua casa.

Ficaram conversando por um longo tempo, até dar a hora de Sasuke ir. Eke se despediu dos anfitriões e agradeceu a companhia naquele dia. Foi até a sala para se despedir do seu pequeno paciente, acompanhado dos outros dois, já que estes também iriam se recolher.

Quando chegaram ao cômodo, viram o menor dormindo todo “retorcido” no sofá. Sem dúvidas era uma péssima posição para a coluna, mas ele parecia confortável. Parecia tranquilo também. Sua expressão era serena.

– Quem o leva pra cama? – Indagou Mei, voltando seu olhar para os dois homens. – E não olhem para mim, pois eu sou uma dama.

– Eu sou um ancião. – Defendeu-se Minato, erguendo suas mãos em gesto de rendição.

– Só quando lhes convém, né? – Retrucou Sasuke, revirando os olhos. Claramente fora derrotado.

Foi até o menor e lhe cutucou, mas só recebeu uns resmungos como resposta. Ele não acordaria tão fácil. Sendo assim, o moreno carregou o loiro até seu quarto, tirou-lhe os tênis e lhe cobriu. E ele era bem mais pesado do que parecia!

Repreendeu-se mentalmente pelo que faria e então depositou um singelo beijo na testa do loirinho, saindo um do quarto em seguida. Parecia um pouco atordoado.

Novamente se despediu e foi até seu quarto, rumando até sua casa.

Na casa dos Inuzuka alguém também precisava de uma ajudinha para chegar ao quarto. Não por causa do sono, mas pelo fato de estar um tanto... Alto.

Hana e Tsume já haviam ido dormir, mas os dois garotos continuaram acordados na cozinha, conversando e tomando doses e doses de piña colada, o real motivo de Kiba ter que ajudar Gaara, que estava mais alegre e risonho que nunca.

O moreno já estava acostumado com a bebida, mas provavelmente Gaara não estava tão familiarizado com o álcool e então as doses de rum na bebida, que se tornava maior a cada drinque, não lhe fizeram muito bem.

O ruivo tropeçava e ria para o nada. Kiba ainda conseguia raciocinar direito e ajudou o amigo e claro, gargalhou muito também. O ruivo estava hilário e falava coisas desconexas. Não pôde evitar.

Levou ele até o quarto, ajudou o amigo a vestir o pijama e também a se deitar. Não que o ruivo estivesse tão mal que não conseguisse fazê-los sozinho, mas era aquela manha de bêbado, aquela moleza que lhe impedia. Parecia uma criança! Uma criança com corpo de borracha.

– Durma, Gaara! – Cobriu ruivo, quando finalmente conseguiu fazer o mesmo se aquietar. Ele dormiria em um colchão ao lado da cama de sua. – E fique feliz por não lembrar, pela manhã, da maioria das coisas que falou hoje. – Riu.

Em seguida, foi se deitar também, pondo fim a um domingo divertido. Um domingo que fora como se todo e qualquer problema que cercavam a ele próprio e aos outros, não existissem.

Na manhã seguinte estava tudo estranhamente tranquilo. Naruto acordou, se arrumou, tomou café e pegou uma carona com seu pai até a escola. Mei também pegou carona até o local onde estava “hospedada”. Entre aspas porque ela passava mais tempo na casa dos loiros do que onde tecnicamente morava.

Na outra casa, Tsume e Hana já haviam saído para trabalhar, restando apenas o mais novo da família e Gaara.

O moreninho levantou e tomou café sozinho. Não iria acordar o ruivo, deixaria ele acordar por si mesmo.

Preparou uma xícara de café puro e forte e também uma garrafa com água. O ruivo iria precisar.

Não tardou muito para o pequeno rascunho de bêbado acordar. Estava um tanto desnorteado, e assim que sentou-se no colchão, levou a mão até a cabeça, que doía bastante. Mal conseguia deixar os olhos abertos.

– Bom dia, flor do dia! – Zombou Kiba, estendendo-lhe a xícara fumegante.

– Bom dia... – Respondeu em um resmungo, aceitando prontamente a bebida que lhe era oferecida, tomando um gole e fazendo uma careta por conta do gosto amargo. – Eu fiz algo constrangedor? – Indagou receoso. Sabia que tinha bebido mais do que devia e não sabia como ficava nesse estado. Uma combinação perigosa.

– Fez, falou, fez mais um pouco... Mas quem se importa? É melhor eu nem comentar. – O moreno riu, fazendo o amigo ficar um tanto constrangido. –Tem uma garrafinha com água para você levar para o colégio na geladeira, vai ajudar. – Avisou Kiba, que já estava praticamente pronto para ir para a escola.

– Têm uma cueca para emprestar? – Indagou o ruivo, levantando-se lenta e desajeitadamente. – Acho que esqueci de pegar em casa. Preciso de um banho... E gelado. – O moreno riu do comentário.

– Eu sou um modelo, dentre outras coisas, de cuecas. Ali na gaveta tem um monte, escolha. Tem uma toalha pra você no banheiro. – Apontou para o banheiro que havia em seu quarto. Quando se mudaram para esta casa, o moreno insistiu que queria uma suíte.

O ruivinho foi direto para o banho gelado que tanto almejava. Quando saiu, secou-se rapidamente e vestiu seu uniforme. Assim que terminou de tomar seu café e os dois saíram rumo à escola.

Lá os dois se separaram para manter as aparências. Kiba foi atrás de Naruto e Gaara foi para a sala de aula, atrás de sossego.

Nesse meio tempo, do despertar até ele entrar em sala, o ruivo teve de urinar diversas vezes, logicamente. Urinou tantas vezes quanto teve que ir encher sua garrafa de água. Ele bebia o líquido desesperadamente, pois sua sede era voraz. O Inuzuka apenas observava e ria.

A aula toda se passou sem maiores alardes. Apenas algumas brincadeiras que eram totalmente relevadas por Naruto, um Gaara mal-humorado e um Kiba sorridente; O loiro estava feliz demais para se importar com coisas pequenas, o ruivo estava com dor de cabeça demais para isso e o moreno estava idem a Naruto.

No final da aula, a maioria dos alunos foram para suas casas. Naruto ainda esperava seu pai vir lhe buscar. Era dia de consulta. Estava sentado em um banco, o mesmo do início dessa história, ouvindo música enquanto era “pentelhado” por seus colegas, como sempre

– E aí Naru-chan, como vai seu namoro com aquele vira-latas? –Perguntou Neji com zombaria. – Fazia tempo que não lhe perguntava isso, e você sabe como me preocupo com você!

– Oh, eu sei. E Fazia mesmo! – Concordou. – Achei que felizmente tinha se esquecido de mim, mas não. – Respondeu afrontando o maior. – E repito, nós não namoramos. Se está tão interessado nele deveria ir conversar com ele, mas acredito que você não faça o tipo dele, sabe.

– O que você está insinuando? – Perguntou já ficando raivoso.

– Exatamente isso que você entendeu. – Retrucou com descaso. A coragem do loirinho havia crescido na mesma proporção que suas habilidades no kung fu.

– Você tá com saudade de levar uma surra? – Inquiriu estalando os dedos.

O loiro já iria se levantar para encará-lo de frente e responder-lhe à altura, mas outra voz lhe chamou a atenção.

– Oh, eu adoraria ver você tocar um dedo sujo no Naruto. – Soou uma voz grossa, vinda de trás do loirinho. Minato? Não; bem pior. Sorte do dia atacava novamente! – Saudades de mim, docinho? – Indagou Itachi a Neji em tom provocativo.

– Itachi-san? – Balbuciou o loirinho confuso. – O que faz aqui?

– Sou sua carona para o psicólogo hoje. – Explicou sem desgrudar o olhar de Neji. – Pedido do seu pai. Fui ao escritório dele, Mei estava lá, Sasuke estava lá, a confusão estava lá... Vai ficar sabendo na hora certa. – Falou com descaso. Seu olhar continuava fixo. – Estava com algum problema por aqui?

– Acredito que não. – O loiro também fuzilou Neji e os que lhe acompanhavam. – Então, om vossa licença... Preciso ir! – Provocou o loirinho, fazendo uma reverência no final.

– Isso não acabou, Uzumaki. – Ameaçou Neji, devolvendo-lhe o olhar na mesma intensidade.

– Ah, mas não acabou mesmo! Você só fala essas coisas e me provoca quando estou longe do Kiba. Naruto explodiu em raiva. – Têm medo dele, mas não de mim? Acha que eu ainda não sei me defender? – Alterou o tom de voz. – Amanhã é dia de queimado e nós nos vemos na quadra. – Deu uma piscada para o adolescente de cabelos compridos.

– Vamos Naruto. Não gaste seu tempo em vão. – Chamou Itachi, nem se dando ao trabalho de olhar para trás para fitar Neji. – Tchau, Boneca! – Ainda provocou antes de ir.

– Hai, Itachi-san! Até mais. – Despediu-se dos garotos com escárnio, correndo em seguida para carro de Itachi.

– É impressão minha ou ele tá ficando mais rebelde? – Questionou Suigetsu um tanto curioso.

– Ele está. – O ruivo respondeu, dando um grande gole em sua garrafa de água em seguida.

– E o que você sabe sobre isso, Gaara? – Rebateu Neji, virando-se para onde o ruivo estava.

– Eu? Nada, apenas disse o óbvio. – Respondeu com um tom um tanto petulante. Estava com o humor péssimo por causa da ressaca, e seu botão "foda-se" estava acionado à toda.

– Você também está mais rebelde ultimamente. – Apontou o garoto de cabelos brancos.

– Apenas de mau-humor. – Defendeu-se. – Mau não, péssimo! Só me deixe na minha que isso não irá te afetar.

– Isso é uma ameaça ou algo do tipo? – Perguntou Neji com escárnio.

– Interprete como quiser. – Ralhou o ruivo. Estava com dor de cabeça e mal-humorado. Combinação típica para problemas. – Só... Falem mais baixo. –Pediu o ruivo que massageava suas têmporas.

– É melhor você baixar essa bolinha, Sabaku. – Resmungou Neji.

– Ah, jura? Eu adoraria ver você tentar me obrigar. – Desafiou o ruivo, já pondo-se de pé. Sua boa vontade estava zerada.

Pacífico, sim; Idiota omisso; não.

– Seu babaca! Quem pensa que é? – Berrou Neji, agarrando o ruivo pela gola da camiseta. Gaara nem teve tempo de responder. Foi cortado por um impacto seco. Na verdade, pelo barulho que este causou.

Mas não fora um soco. Sua face não doía.

O barulho viera de uma mochila jogada com fúria no chão, seguida por um casaco.

– Sabem, estar na mídia é complicado... – Ditava com um tom de voz não muito alto, porém firme. – Fama de brigão não faz bem para a imagem. Eu seria detonado na imprensa. Fora alguns possíveis hematomas, mas isso maquiagem cobre. – Falava como se estivesse pensando em voz alta. – São tantos os ônus que uma má reputação pode trazer que você nem imagina. – Riu. Não uma risada divertida. Era de arrepiar.

– Engraçado, eu não lembro de ter te perguntado nada. – Neji rebateu no mesmo tom, ainda regado a puro escárnio. – Aliás, não tenho nada a ver com a sua vida e ela pouco me importa.

– Aí que você engana. Você tem sim a ver. – Continuou, engrossando a voz e estalando os dedos da mão e também o pescoço. – Porque você encostar mais um dedo nele, eu relevo qualquer problema que eu possa ter com imagem e te dou uma surra que você nunca vai esquecer. – Finalizou raivoso. Seu olhar brilhava de ódio e fuzilava Neji sem piedade.

Gaara observava tudo atordoado. Primeiro porque achou que o moreno já havia ido para casa, e segundo por que... Bom, o moreno estava lhe defendendo.

– Ora, ora... Você já não é cão de guarda de um loiro fresco por aí? – O de cabelos compridos. Kiba não reagiu; ele não moveu nenhum músculo sequer.

– Talvez eu não tenha sido claro o suficiente... – Dessa vez era o moreno quem usava de escárnio. – Solta ele. – O advertiu de forma clara e direta, falando as duas últimas palavras com pausas bem marcadas.

– Esse rascunho de vira-lata também... Caramba, é muita rebeldia para um dia só. – Gargalhou Suigetsu. – Neji, acaba logo com isso e mostra pra ele quem... – Antes de poder concluir a provocação albino foi calado abruptamente pelo golpe que levou no nariz, que também lhe faz cambalear alguns passos para trás.

O Inuzuka lhe golpeou o nariz com a palma de sua mão, e quando, instintivamente o albino ergueu um dos braços para levar a mão ao local ferido, lhe desferiu um chute nas costelas, que o desnorteou ainda mais. Para completar, Suigetsu levou um chute por trás na junta do joelho, que o deixou de joelhos e apenas para finalizar, Kiba deu um passo a frente e lhe chutou as costas com o calcanhar, fazendo o garoto de cabelos brancos cair de cara no chão, se contorcendo e gemendo de dor.

– O que você pensa que tá fazendo seu idiota? 'Cê tá louco? – Berrou Neji para Kiba. O garoto de cabelos compridos estava, no mínimo, chocado. Seus olhos praticamente dobraram de tamanho.

– Eu vou pedir só mais uma vez; solta ele. Agora! – Voltou a advertir no mesmo tom que usara antes; talvez mais gutural e ameaçador. Um arrepio desceu pelo corpo de Neji na hora.

O garoto atordoado e bufando de raiva empurrou Gaara para cima do moreno, e o ruivo só não caiu porque fora amparado pelo mesmo.

– A partir do momento que um perdedor lhe defende, você é um deles. Um fracassado, é isso o que você é, Gaara. – Rosnou o garoto de cabelos compridos. – Tenha cuidado. –Concluiu, ajudando Suigetsu a se levantar e recompor-se, para depois deixarem o local.

O silêncio se instalou por longos segundos, que pareciam minutos. Kiba ainda fitava firmemente a silhueta de Neji, que se afastava cada vez mais.

– Você tá legal? – O moreno perguntou sem mesmo olhar para Gaara.

– Estou sim, obrigado... – O ruivo recompôs-se, desamassando a gola de sua camiseta, pela qual Neji o segurara. – Mas sabe, acho que isso não era necessário. – Concluiu receoso. Até ele estava um pouco assustado.

– Eu sei que não era... – Murmurou o moreno, indo até sua mochila e pondo-a nas costas. – Eu fiz por que... Sei lá. – Deu de ombros, após pensar numa resposta conclusiva, sem obter resultados. – Boa tarde, Gaara.

Kiba despediu-se e partiu, sem olhar nos olhos do ruivo em momento algum.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim, eu gostei... ^-^ Eu, pessoalmente, estou gostando desses dois, e vocês? Enfim, obrigado por me acompanharem até aqui! Beeeeeeeijão do Tio Killua para vocês! :3 Nos vemos por ai!