Inside

26 Conversas, Jenny from the block e perdas...


Notas iniciais
Oi! Um ótimo domingo a todos, principalmente para quem passou o fim de semana fazendo o ENEM... Eu fiz, tava complicado, mas super divertido! Enfim, belezas, seguinte: Eu não postaria hoje. Esse capítulo teoricamente não está completo. Queria fazer toda a sequencia, mas vi que até onde eu escrevi estava "postável", então vim aqui, tentar animar o domingo dessa gente linda do ENEM e também dos outros.. Não gostei muito do que escrevi, mas aí vai. Uma das cousas que me levaram a postar foi o fato de que a Lally, uma amiga muito querida tá de niver! Parabéns amada! Você pediu chuva, aqui tem um pouco, e no próximo terá mais! Não tá grande coisa, mas só não quis que passasse em branco! Beijo especial pra ti! Curiosamente, não foi betado. Decidi não tem 10 minutos que queria postar e encasquetei. Então já sabem... - http://www.kboing.com.br/offenbach/1-1075434/ -Infernal Galoop, Offenbach (Está no capítulo como complemento, então tá aí o link) - http://www.kboing.com.br/jennifer-lopez/1-90468/ (A mesma coisa...)

Com o passar dos segundos, aquele silêncio que tomou o quarto ficava cada vez mais desconfortável. Minato fitava o chão com sua expressão vazia, enquanto Mei e Naruto olhavam um ao outro, confusos e um tanto desconfortáveis.

–Minato, eu... –Iniciou Mei, mas foi rapidamente calada pelo loiro maior.

–Não precisa dizer nada. –Ditou baixo. –Eu entendo muito bem o motivo do silêncio de vocês, então não vou cobrar respostas ou me fazer de vítima, dizendo que vocês não confiaram em mim para contar tais coisas. –O loiro maior ainda não os fitava. –Só estou... Um pouco perdido, ou chocado... Não sei ao certo. –Murmurou Minato, um tanto confuso e bem distante.

–Desculpe... –Naruto falou baixinho. –Eu não queria causar problemas e...

–Não precisa se desculpar por nada, filho. –Interrompeu Minato. –Mei, você pode me dar alguns minutos sozinho com o Naruto? –Pediu.

–Claro... –A morena respondeu baixo, levantando-se da cama e dando um beijo terno na testa de Naruto, saindo do quarto em seguida, não sem antes receber de Minato um beijo também na testa, assim como o que havia dado em Naruto.

A mulher, ainda um pouco abalada, resolveu ir esfriar a cabeça no jardim, já que a festa se encerrava. No corredor, escorado na parede em meio ás sombras, estava Sasuke.

–Você disse para ele ir lá? –Perguntou ela.

–Ele foi lá e eu apenas disse que ele não era para entrar, então ele ficou na porta. –Respondeu o moreno, aproximando-se de Mei.

Ele a conhecia muito bem, então sabia o que ela precisava. Um ombro para confortá-la. Sasuke abraçou a mulher, para que ela pudesse aliviar sua angústia em forma de lágrimas.

No quarto, os dois loiros estavam em um silêncio profundo. Naruto sentado de pernas cruzadas na cama, enquanto Minato estava na ponta, com o olhar ainda distante.

–Quando você nasceu... –Iniciou o mais velho, quebrando a quietude e chamando a atenção do menor, que direcionou seu olhar para o pai. –Eu te peguei no colo e jurei que te protegeria de tudo enquanto eu vivesse, mas no fim, eu falhei, não foi? –Soltou um sorriso amargo. Ele sentia tudo, mas paradoxalmente não sentia nada. Toda sua raiva, sua tristeza, sua indignação, revolta... Tudo se misturou, tornando-se apenas confusão, assim como todas as cores originam o branco.

–Não, você não falhou. –Respondeu o loirinho, com tom calmo. Era apenas mais uma conversa.

–Fui eu quem deixei você sair sozinho com Kushina, mesmo sabendo o quão ela era irresponsável... Ela perdeu você no zoológico uma vez, mas você não deve lembrar. –Outra risada amarga. Naruto sabia o que isso significava.

–Pai... –Chamou o menor, fazendo com que seu pai o fitasse.

–Sim?

–Pode chorar... –Murmurou, olhando fundo nos olhos do maior. –Não precisa ser forte sempre. Diante das palavras do filho, Minato até tentou se conter mordendo o lábio inferior, mas não conseguiu e derramou lágrimas grossas.

–Que tipo de pai eu sou, permitindo que algo assim acontecesse? –Exclamou indignado consigo mesmo. –E sem nem mesmo perceber que havia algo errado?

–Não tome pra si essa culpa que não te pertence.

–Eu me lembro bem daquele dia e daquela briga. –Contou o mais velho, com a voz embargada. –Lembro de quando vocês voltaram... –Ditava com nostalgia, enquanto Naruto tinha a cabeça baixa. –Você estava estranhamente quieto, sem falar que estava com diarreia e também vomitando... E mesmo assim, eu não percebi nada.

–Já disse para não se culpar, tou-san. Naquele dia você apenas me deixou muito feliz. –A ultima frase chamou a atenção do maior, que fitou seu filho, que estava com os olhos marejados.

–Fiz? Por quê? –Perguntou. Não se lembrava de nada em especial.

–Você disse que eu não te incomodava. –Sorriu, fazendo uma lágrima rolar. Minato lembrou do que Naruto estava falando. Para si era algo tão bobo que havia esquecido. –Disse que me amava e que eu era a coisa mais preciosa pra você... Aquela mulher sempre dizia para mim que eu era só um estorvo para você. Ouvir aquilo fez de mim a criança mais feliz do mundo.

–Você ainda é e sempre será, Naruto. –Puxou o loirinho para um abraço. Um abraço que valia por todas as palavras não ditas e por todos os sentimentos não expressos.

–Desculpe não ter contado antes, eu só não queria que você me visse de outro jeito, com pena ou desprezo... –Murmurou o loirinho.

–Não se preocupe com isso. –Ditou Minato. –Todos os envolvidos nisso algum dia irão pagar por tudo, isso eu lhe prometo. Naruto sorriu.

Ficaram abraçados e conversando mais um pouco, até Minato deixar o loirinho só e ir atrás de sua namorada. Também precisavam conversar um pouco.

Mei não estava mais no jardim. Lá apenas estavam os últimos convidados, que eram as pessoas mais íntimas. Gaara e Kiba estavam voluntariamente ajudando a recolher o lixo e arrumar a bagunça do pós-festa. Mas, em pouco tempo Gaara ficou sozinho com as empregadas na limpeza, isso quando Kiba foi discretamente “sequestrado” por outro ruivo.

–Então, o que exatamente você quer com o Gaara, Kiba? –Inquiriu o ruivo de forma séria, com seu olhar assustador, capaz de causar arrepios no mais destemido.

–Eu quero uma relação séria com ele. –Respondeu o moreno sem hesitar, apesar de estar intimidado.

–Têm algumas coisas que você deve saber sobre ele antes de qualquer coisa.

–Sasuke falou comigo, não se preocupe, estou bem ciente destas “coisas”. –Fez aspas com os dedos. –Não me importo com elas e vou ajuda-lo como eu puder.

–Você sabe que os sentimentos dele por você não vêm de agora, não sabe? –Perguntou o ruivo, recebendo um maneio positivo do menor. –E você acha que é merecedor deles, mesmo depois de saber quantas vezes ele chorou por ser “invisível” para você? –Fuzilou o mais velho, fazendo Kiba engolir seco. –E mais, acha que pode correspondê-los?

–Eu não sabia sobre ele chorar... –Respondeu em um murmúrio. –E não sei se sou digno do amor dele, nem sei se o correspondo à altura, mas eu faço o que eu posso para isso.

–Sim, algumas vezes ele chorou, mas não diga que eu comentei sobre isso. –Pediu o ruivo. –Ele gosta muito de você, e se “o que você puder” não estiver à altura, você sabe que vai magoá-lo, não sabe? –Questionou, recebendo outro maneio positivo como resposta. –E se você magoá-lo sabe que não será nada bom para você.

–Eu gosto muito dele. –Respondeu firme. –E aprendo a gostar cada dia mais. E se por acaso eu causar algum mal a ele, não se preocupe, eu vou aceitar qualquer castigo que queira impor. –Olhava firme nos olhos do ruivo. Kiba era decidido. –Mas digo de antemão que não vou magoá-lo.

–Você é um tanto misterioso, Kiba. –Murmurou o ruivo, em um tom arrepiante. Sasori sabe muito bem como ser apavorante. –Seu interesse repentino em garotos, e claro, em Gaara é um tanto estranho.

–Em garotos não é tão repentino, acredite. –Lembrou-se de bolo de chocolate, no momento. –Mas em Gaara até pode ser. Eu não sabia exatamente o que sentia por Gaara, mas era diferente do que eu sentia e ainda sinto pelo Naruto, que é puramente amizade. É com certeza algo mais intenso. Acho que posso chamar de amor. –Retrucou. –Eu não consigo me imaginar com alguma garota. Só penso nele.

–Certo... –Resmungou. –Você é bem decidido, e parece bem orgulhoso. O que fará quanto as piadinhas sobre a sexualidade de vocês?

–Eu não me importo com elas, mas se ofender o Gaara ofende a mim também, e então terei de perder a compostura. –Ditou sério.

–Muito bem, senhor Inuzuka Kiba... –Murmurou. –Não vou me opor ao relacionamento de vocês. Apenas peço que não pise na bola com ele, pois ele não merece sofrer mais. –Afagou os cabelos do moreno. Todos gostavam de fazer isso. –Cuide bem dele, do contrário, eu dou um nó no seu saco. –Falou sério, em um tom um pouco sombrio, fazendo Kiba se arrepiar. –Não subestime o que posso fazer.

–C-certo... –Respondeu trêmulo, mas quis se manter firme. –Não me subestime também.

–Corajoso... –Resmungou novamente. –Procure não piscar. –Pediu o ruivo, e quase que por instinto, Kiba piscou os olhos. É quase inevitável. Quando o moreno abriu os olhos, tinha uma lâmina feita de um metal brilhante pressionada em seu pescoço. O olhar de Sasori estava mais frio que nunca, fazendo Kiba suar frio. –Gaara têm sues truquezinhos de mágica, eu tenho os meus, fique avisado disso. –Em um movimento rápido de mãos, sumiu com a lâmina. –Boa sorte com o namoro de vocês. –Desejou, retirando-se em seguida, deixando para trás um Kiba de pernas um tanto moles.

–Assustando o garoto, Sasori? –Perguntou Sasuke, que zanzava pelo lugar com um copo de alguma bebida qualquer.

–Um pouco... –Falou com descaso, servindo-se uma dose de uma bebida transparente.

–Você apontou uma faca para o pescoço dele... –Falou o moreno, também com descaso, recebendo um sacodir de ombros como resposta.

–Vamos, você sabe que eu sei ser pior que isso. –Ditou com falsa arrogância.

–Sabia que eu tenho medo de você? –Lançou Sasuke, com um ar de deboche.

–Sabia que eu posso quebrar quinze ossos seus usando apenas um braço? – Devolveu a pergunta, fitando o moreno e devolvendo-lhe também o deboche, fazendo o moreno levantar os braços em sinal de rendição.

A paz lentamente voltava a reinar. No quarto de Minato, quem reinava novamente era o silêncio. Sim, ele estava se fazendo bem presente aquela noite, apesar de tudo. Mei estava encolhida na cama, enquanto Minato estava sentado em uma poltrona, com uma expressão séria. Não se fitavam constantemente, apenas trocavam eventuais olhares.

–Não vai falar nada? –Mei quebrou o silêncio. –Me consolar? Me xingar? Esfregar na minha cara o quão eu fui baixa? Nada mesmo?

–Você quer que eu te console, te xingue ou faça algo tão cruel? –Minato devolveu a pergunta.

–Não, mas esse silêncio me mata! –Ela exclamou. –Eu não sei o que fazer quando não sei o que você pensa!

–Penso que você passou por momentos péssimos e também que eu não sou a pessoa certa para falar sobre isso... –Murmurou um pouco distante, procurando as palavras certas para descrever o que pensava. –Sou meio bobo e não sou bom com essas coisas. –Coçou a nuca. –Também não tenho pena de você, pois acho este um sentimento ruim. Tenho compaixão.

–Minato, eu...

–Só quero que você saiba, Mei. –Cortou-a, chamando sua atenção. Sentou-se ao lado dela na cama. –Não tem sido uma época muito fácil para mim também, mas eu estou aqui. Sou seu assim como você é minha. Não sei exatamente o que você espera de mim agora, então quero que faça o que for melhor para você. –Sorriu para a morena. –Me desculpe por ser um pouco lento e não saber bem o que fazer. Talvez eu não seja o melhor dos namorados...

–Você cantou pra mim, isso lhe dá uns pontinhos. –Brincou a morena, rindo um pouco para tentar disfarçar as lágrimas que estavam presas em seus olhos. Sempre querendo parecer forte. –Eu te amo.

–Eu te amo também. Muito mesmo. –Beijou os lábios repletos de batom rosa da mulher. Um beijo curto, mas que valeu por muitos para os dois. –Eu prometo que não vou mais deixar você ficar triste. Está bom para você? Perguntou o loiro, fazendo Mei aninhar-se junto a si.

–Eu acho que está... –Murmurou ela, com uma voz sonolenta. Foi a deixa para os dois simplesmente tirarem algumas peças incômodas e dormirem, como um casal de namorados que de fato eram.

Na casa dos loiros, os problemas não se estendiam além do necessário. Eles eram como pinturas que retratavam coisas horríveis, que ao invés de serem queimadas em uma fogueira de brigas, intrigas e gritos, eram simplesmente repintadas com tons mais suaves, que aos poucos substituíam as coisas desagradáveis por outras melhores e mais agradáveis, até as más lembranças serem esquecidas. Era o certo a se fazer.

No jardim restava apenas um pequeno grupo de pessoas que conversava bem animadamente. Nem haviam notado que os anfitriões da festa haviam sumido. Itachi, Konan e Sasori conversavam em um canto afastado. Sasuke conversava com o outro ruivo, Gaara, enquanto Kiba dava uma bronca em sua mãe por ela estar embebedando as pessoas. Naruto ainda estava em seu quarto sentado na cama. Seu olhar estava fixo, porém totalmente distante. Sua mente estava trabalhando muito rápido. Era muita coisa pra um dia só. Não percebeu a aproximação da pessoa que estava na porta de seu quarto.

–Eh... Oi. –Ditou o garoto, chamando Naruto de volta ao planeta Terra.

–Ah, Neji... Oi! –Respondeu um pouco abobalhado. É nisso que dá cortar os devaneios de alguém. –Está aí há muito tempo?

–Não, na verdade estava bisbilhotando. –Falou com descaso. –Desculpe por isso. Enfim, vi a luz do abajur ligada. –Deu de ombros.

–Não se preocupe com isso. –Falou, ainda um pouco avoado. –Quer sentar um pouco? –Apontou para a cadeira da sua escrivaninha.

–Não, seus pais já estão dormindo e o meu já está começando a falar coisas sem sentido, então vou arrastá-lo pra casa. –Naruto deu uma risadinha. –Mas... Está tudo bem? –Indagou o moreno. Não em tom muito preocupado, mas sim bem casual.

–Está sim... Obrigado por avisar o Sasuke antes, eu realmente fiquei mal. – Agradeceu ao moreno, que apenas fez um aceno com a mão.

–Você me ajudou no trabalho, estou só retribuí o favor. –Escorou-se no batente da porta. –Mas então... Palhaços?

–É... –Coçou a nuca. –Não que seja algo confortável contar isso para o garoto que vive me atormentando. –Neji riu anasalado.

–Medos são coisas muito pessoais. –Retrucou. –Não se mexe com eles. Eu tenho os meus e respeitarei os seus.

–Obrigado. –Sorriu de lado. O garoto de cabelos compridos apenas maneou positivamente com a cabeça.

O silêncio não durou muito, pois o celular de Naruto vibrou em cima de sua escrivaninha, chamando a atenção dos dois e iluminando um pouco mais o quarto.

–Você tem uma katana? –Perguntou Neji, surpreso e admirado, fitando o objeto metálico que estava em um suporte na parede.

–Sim, ganhei de aniversário. –Respondeu casualmente enquanto respondia o torpedo que havia recebido. Era Kiba perguntando de seu paradeiro. –Ei, você é de qual signo? –Perguntou do nada, revirando um baú que tinha na mesa de estudos. Fitou o moreno e viu que ele praticamente devorava a espada com os olhos. –Pode pegar se quiser. –E assim o moreno o fez, respondendo a pergunta do loiro em seguida.

–Câncer. –Retrucou meio bobo, enquanto admirava a lâmina em suas mãos. Naruto revirou a caixinha e tirou de lá um chaveiro que já era suporte de uma chave. Não uma chave comum. Ela era dourada e na ponta um caranguejo se desenhava.

–Tome. –Estendeu a mão coma chave para o moreno, que fitou o objeto brilhante. –É a chave do Espírito Celestial de Câncer. É de um anime que eu assisto, espero que goste. –O moreno pegou o objeto, meio sem jeito. Não sabia o motivo de estar sendo presenteado. –Acho que vocês não se dariam muito bem, porque ele gosta de cortar o cabelo dos outros. –Riu.

–Por que está me dando? –Perguntou ainda sem jeito. –Não é de colecionador ou algo do tipo? –Naruto riu novamente. Foi até um pequeno interruptor que ficava escondido embaixo da escrivaninha e o acionou, acendendo uma luz clara que revelou uma prateleira com doze chaves douradas, perfeitamente dispostas uma ao lado da outra.

–Essas sim são de coleção. São banhadas a ouro. –Contou, mas não para se gabar. –Tenho aquele baú cheio de outras réplicas das chaves. Gosto de dá-las de presente.

–Nesse caso, muito obrigado. –Agradeceu fazendo uma pequena reverência, recebendo um sorriso de Naruto de volta. Pôs a katana de volta em seu suporte na parede. –Eu já vou indo, Naruto. Vou arrastar meu pai para casa e pedir para aquele Sasuke enxotar o resto daqueles velhos. –Foi em direção à porta. –Nos vemos segunda. E não pense que vou largar do seu pé. –Ditou com descaso. O loirinho riu.

–Não precisa. Não tenho medo de você. –Ditou firme, fazendo Neji rir ladino.

–Fique bem. –Desejou, deixando o quarto em seguida.

O silêncio podia ser um guerreiro poderoso, e estava em quase toda a parte naquela noite. Entretanto, a barreira que ele impunha era facilmente quebrável. E esta não durou muito.

–Naruto? –Kiba rompeu a tal barreira. –O que o Neji estava fazendo aqui? Ele te fez algo?

–Nada demais, apenas conversando. –Deu de ombros. Já Kiba, estava confuso.

–Minha cabeça já esta latejando, então nem vou pedir detalhes agora. –Apertou os dedos contra a testa. –O resto das pessoas já tá indo embora, e eu também vou.

–Não vai ficar por aqui? –Perguntou o loiro, um pouco surpreso. Era costume Kiba passar a noite ali.

–Dessa vez não. Sasori já está de saída também e ofereceu carona. Vou aceitar porque a dona Tsume já estava convidando todo mundo para dançar Macarena com ela. –Falou sério. –Nos vemos amanhã, talvez. –Puxou o loiro para um abraço.

–Sei. Espero que continue vindo aqui em casa, mesmo com os seus “programas de casal” que provavelmente serão bem constantes. Não se esqueça de mim, certo? –O loiro advertiu, recebendo um bater de continência de Kiba, que se retirou pouco depois.

E eis que ele imperou de novo. O silêncio, que desta vez era incômodo. A quietude estava agoniando o loirinho e lhe dando calafrios. Não o silêncio em si, mas sim o que nele podia se esconder. Mente vazia, oficina do Diabo, é o que dizem. Naruto agora estava inquieto, pensando em seus medos. Parecia que a qualquer momento algo apareceria para lhe causar mal.

–O silêncio pode ser assustador, não é? –Uma voz rouca ditou do nada, causando um grande susto no loirinho, que logo entrou em estado de alerta. –Desculpe, não quis te assustar. –O moreno acendeu a luz do cômodo e Naruto se tranquilizou ao ver quem era.

–Sasuke, quase me matou de susto. –Brincou. –O que ainda faz aqui?

–Dando uma de dono da casa e fechando tudo. Mei e Minato já estão no último sono e você está meio avoado. Algo está te incomodando?

–Palhaços. –Respondeu, jogando-se de qualquer jeito em sua cama. –Não consigo dormir depois de tudo. Apesar de tudo, ainda tenho medo. Idiota, eu sei. –Falou abafado por conta de sua cara estar prensada no colchão.

Sasuke suspirou.

–Desculpe. –Pediu o moreno, se aproximando de Naruto.

–Pelo que? –Teve tempo de perguntar, antes de receber um golpe em sua nuca, semelhante ao que recebera de Itachi no dia de seu aniversário. E assim como naquela noite conturbada, Naruto apagou.

–Pelo menos isso vai te ajudar a dormir... –Murmurou Sasuke para si mesmo. O moreno tirou os tênis e as meias do loirinho e cuidadosamente o cobriu, para fazê-lo ficar mais confortável.

Depois de cuidar do outro, cuidou de si mesmo. Pegou um travesseiro, um cobertor e deitou-se na poltrona reclinável que tinha no quarto do loirinho e ali ficou, velando o sono do menor até se render ao cansaço e dormir também.

Na manhã seguinte o primeiro a acordar, no susto, foi o loirinho. Como vingança pelo seu “sono forçado”, pegou um pen drive qualquer que estava jogado em sua escrivaninha, indo lentamente até a sala, onde havia um sistema de som um tanto potente e plugando o apetrecho na entrada USB do aparelho e claro, aumentando o volume até o máximo. Soltou ume risada um tanto maléfica e apertou o play, assustando quem dormia e arrancando-os do mundo dos sonhos com uma das mais famosas sinfonias já compostas, Infernal Galoop de Offenbach.

A única que não acordou querendo matar Naruto foi Mei, que surgiu dançando Cancan em meio aos corredores. Seria outro dia animado.

Na casa de Kiba a cena era um tanto diferente. Tsume estava sentada com um saco de gelo na cabeça tomando um chá e um comprimido. Sua ressaca estava de matar. Kiba assistia tudo com divertimento, acompanhado de Gaara que estava sentado ao seu lado, usando uma de suas camisetas, que ficavam bastante folgadas no ruivo. No fim o ruivinho havia ficado com Kiba para lhe fazer companhia e ajuda-lo a cuidar de Tsume, que não estava em seu juízo perfeito.

–Quais são os planos para hoje, garotos? –Indagou a mulher com sua voz arrastada e preguiçosa.

–Gaara vai cuidar da loja e eu estava pensando em visitar nosso antigo bairro. –Kiba respondeu.

–É uma ótima ideia, porque eu pretendo dormir o dia inteiro. –Respondeu a mulher, causando risos nos dois.

A manhã passou extremamente agradável para todos. Era sábado, afinal, o dia reservado para o descanso, para família ou para os amigos. Sasuke foi almoçar com Sasori para conversar e passar algum tempo, como há muito não faziam. Ofereceu-se para acompanhar o ruivo em seu curso de pintura a óleo também. Nada melhor que um tempo com os amigos.

Naruto apenas comeu algo e saiu, indo rumo ao parque. Para que? Apenas sentar-se em algum canto e meditar. Para si, era algo revigorante.

Para os casais a manhã também era agradável. Mei e Minato não se desgrudavam, parecendo dois adolescentes. Kiba e Gaara aproveitavam a companhia um do outro enquanto se arrumavam para seus compromissos. Gaara foi para a loja usando uma roupa de Kiba. Já o moreno vestiu-se com uma roupa que para si era casual, e logo depois do almoço simples que dividiu com seu namorado, foi caminhando até o bairro onde costumava morar.

Mesmo não tendo se mudado há tanto tempo assim, era algo bem nostálgico. As ruas por onde corria, as pessoas que costumava ver... Sentia algo bom. Mas não foi por muito tempo.

Avistou de longe a quadra que costumava jogar basquete com seus companheiros do bairro. E pensando neles o moreno se atinou ao fato de nenhum deles ainda mantinha contato. Por coincidência ou não, lá estavam eles, disputando outra partida. Eram garotos competitivos.

–Tem lugar para mais um? –Kiba perguntou, chamando a atenção dos rapazes que jogavam, que lhe fitaram um tanto surpresos. O moreninho retirou o casaco que usava, jogando-o em um canto, ignorando o fato de ele ser de marca. –Há quanto tempo, não?

–Olha só quem ressurgiu dos mortos... –Um deles comentou com ironia. –Você não deveria estar tirando foto pelado por aí? –Indagou, novamente munido de ironia, arrancando algumas risadas.

–Como? –O moreno indagou em um tom irritado.

–É isso mesmo, seu riquinho de merda! –Outro dos garotos gritou. –Gente do seu tipo não é bem vinda aqui. –Ralhou.

–Meu tipo? –Perguntou indignado, fitando a si mesmo.

–Roupas de marca, rostinho perfeito, carteira cheia... –Outro enumerou. –Na boa, sai daqui. Aqui não é mais seu lugar. Vai lá com seu amiguinho loiro riquinho e “filhinho de papai”. –Zombou. Kiba estava se irritando. –Some daqui enquanto sua cara ainda tá inteira. –O garoto peitou Kiba, que estava um tanto confuso. Ele não havia mudado. Ou havia?

–Se ele tem dinheiro e vocês continuam um bando de pé rapados a culpa é de quem? –Gritou uma voz, que se aproximava. Uma voz conhecida para Kiba. –Ele trabalha pra isso, e enquanto isso vocês estão jogando basquete em um beco. –Provocou.

–Francamente, o que você está fazendo aqui? –Kiba perguntou para a figura pálida parada em seu lado. Gaara? Não.

–Estou em um péssimo dia e preciso bater em alguém! –Exclamou. –Não que goste de você ou algo do tipo, mas não fui com a cara deles. –O garoto prendeu seus longos cabelos relaxadamente em um coque. –Além do mais, me sentiria mal batendo no Naruto, como sempre. Ele me deu um chaveiro e me tratou bem, mesmo sem obrigação.

–Ótimo, Neji, se quer briga vá em frente. Eu não quero mais ficar aqui com essa gente. –Ditou em um misto de tristeza e raiva, indo rumo ao casaco que jogara anteriormente no chão.

–Vai embora mesmo. Deve tá na hora de transar com alguém pra garantir o “emprego”. Se é que ficar quase pelado pode ser chamado de profissão. –Alguém provocou.

Neji ia virar-se para murmurar algo como “Se fosse comigo, eu não deixava assim”, mas percebeu que não foi necessário quando um borrão passou pelo seu lado rapidamente. E foi assim que o pandemônio do dia teve início. Kiba socou a cara do garoto que havia feito a última provocação, fazendo com que os demais fossem para cima de si. Mesmo assim, conseguiu se defender. Quando Neji entrou na briga, foi mais fácil ainda. A inusitada dupla do canino e do garoto de cabelos compridos pode ter levado alguns golpes, mas deixou uma dúzia de garotos no chão.

–Vai botar gelo nessa cara... Antes que inche e você perca seu trabalhinho de merda. –Um dos garotos, que tentava se levantar insistiu em provocar. Neji, que estalou o pescoço, suspirou fundo. Foi até o garoto e lhe chutou o estômago, com toda a força que podia.

–O quê? –Indagou com descaso a Kiba, que lhe fitava com um olhar recriminador. –Se eu não fizesse, você faria. Já descontei minha raiva, podemos ir embora. –Passou pelo moreno dando-lhe um tapinha do ombro. Kiba fitou seus “amigos” e simplesmente negou com a cabeça algumas vezes. Apanhou seu casaco e foi embora.

–Tudo bem aí? –Chamou Neji. Kiba estava pensativo e cabisbaixo.

–Ah... Tudo sim. Obrigado pela a “ajuda”. –Respondeu, saindo de seus devaneios, mas ainda meio longe. –Eu... Vou indo.

–Não por isso. –Agradeceu o garoto de olhos perolados, estranhando o comportamento do outro. –Bota um gelo nisso aí mesmo. –Apontou para o olho do garoto.

–Aham... Jaa ne. –Despediu-se e saiu andando pelas ruas, sendo observado por um Neji com uma cara de estranhamento.

O moreninho começou a caminhar em seu “modo automático”, e curiosamente quando ele estava assim, suas pernas não lhe levavam até sua casa, mas sim o faziam rumar até a casa dos loiros. Era incrível, mas seu modo automático sempre o levava até o lugar certo. Sua mente estava dispersa, refletindo sobre várias coisas ao mesmo tempo. Estava uma bagunça. As nuvens negras que se aproximavam deixavam tudo ainda um pouco mais triste.

Naruto havia voltado para casa há pouco e estava sentado ao piano tocando algumas sinfonias que lhe vinham à cabeça. Sinfonias clássicas, músicas mais atuais, com as quais cantarolava junto. Era assim que passava o tempo quando estava sozinho, já que Minato e Mei haviam sumido. Parou unicamente quando viu a figura do melhor amigo com o olho inchado e com alguns cortes superficiais no rosto, com a roupa rasgada e uma expressão triste. Suspirou. Sabia que boa coisa não era.

–Kiba, o que você fez? –Perguntou o loirinho ao amigo, enquanto limpava os poucos ferimentos que ele tinha com um algodão e um remédio que pegara no kit de primeiros socorros. O moreno ainda estava cabisbaixo, mas agora estava cabisbaixo e segurando um saco de gelo no olho.

–Eu mudei? –Kiba respondeu com uma pergunta, a qual Naruto não entendeu.

–Como assim?

–É, eu mudei? –Tornou a perguntar com uma voz triste e um pouco manhosa. –Depois que consegui o trabalho como modelo, me mudei e essas coisas... Fui praticamente expulso do meu antigo bairro. Disseram que eu era um riquinho metido e que meu lugar não era mais lá.

–Entendo, então deve ser lá que conseguiu essas coisas. –Apertou o algodão contra um corte, gerando ardência do moreno que fez uma careta. –Não deve sair por aí arrumando brigas sozinho.

–Não estava sozinho. Acredite ou não, Neji me ajudou a bater neles. –Contou, fazendo Naruto parar o que fazia por alguns segundos para tentar assimilar o que ouvia.

–Ele está se revelando alguém estranho... –Comentou, voltando aos curativos. –Mas respondendo sua pergunta, não, você não mudou nada. Te conheci quando ainda levava uma vida comum e você continua o mesmo cara. Um pouco idiota, brigão, meio lento... –Kiba fez uma careta de desagrado, o que fez Naruto rir. –Mas uma ótima pessoa. Seu namorado te ama, eu gosto demais de você, além do meu pai gostar de você como um filho e você ser o xodó da Mei. –Finalizou os pequenos “reparos” em Kiba. –Você é uma boa pessoa. Dinheiro pode mudar as pessoas, mas não o fez com você.

–Mas me disseram tantas coisas ruins, que me machucaram mesmo.

–Isso pode ser inveja. Você não devia ouvir tudo o que te dizem O fato de agora você usar Calvin Klein não muda seu caráter ou quem você é. –O moreno deu um leve sorriso. –E mais, se mudou, foi para melhor. Não importa se todo o mundo lhe virar as costas, eu nunca vou fazer isso. Você é o irmão que nunca tive. Não quero te ver triste. –Sorriu para Kiba, que se levantou para abraçar o loiro.

Naruto voltou ao piano, pensando em algo por alguns segundos. Se pôs a tocar um arranjo simples, que lembrava uma batida bem conhecida. Deu sentido a melodia quando cantarolou junto.

Don't be fooled by the rocks that I got
I'm still, I'm still Jenny from the block
Used to have a little, now I have a lot
No matter where I go, I know where I came from!

Nada muito comprido ou complexo, mas que foi o suficiente para animar Kiba. O garoto saiu da casa dos loiros, não antes se despedir carinhosamente de Naruto. Apesar de seus problemas, o loirinho estava sempre disposto a animar o próximo.

Kiba vagou até sua casa com um sorriso bobo no rosto. Ele não era a pessoa ruim que fizeram pensar que era, e isso o deixava feliz. A chuva que lentamente começou a cair levou junto muitos sentimentos ruins que estavam lhe assombrando, mas em compensação lhe trouxe algo que talvez não estivesse preparado para receber. A morte de um amigo querido.

[...]

Naruto foi pego de surpresa. Em um minuto estava tocando piano para relaxar e depois de um telefonema que nem durara um minuto, estava correndo na rua em meio à chuva torrencial que caía. Atravessou ruas, dobrou esquinas, pegou atalhos... Tudo para chegar o mais rápido possível na casa de Kiba... Um nó se formou na garganta do loirinho ao chegar lá e ver o moreno ajoelhado na grama, em meio ao toró que caía. O garoto chorava como nunca antes. Seus soluços e lamentos eram audíveis mesmo com o barulho da água caindo em todos os cantos. Kiba chorava abraçado ao corpo de Akamaru.

Pouco antes, quando o moreno chegara em casa, o cão estava bem, como o de costume, mas mais tarde, quando Kiba iria brincar um pouco com o amigo, encontrou-o passando mal, e pouco depois o cachorro deitou-se para nunca mais levantar. Kiba não aguentou e, junto com a chuva, suas lágrimas desataram a cair.

Não era fácil perder um amigo de uma vida...

Tsume não aguentava ver seu filho daquele jeito, mas o moreno não a ouvia. Ela ligou então para Naruto, que depois de muito correr, estava ali, parado na chuva, fitando o amigo chorar e soluçar desesperadamente. Também não sabia o que fazer... Iria amparar o amigo, mas um vulto ruivo foi mais rápido.

Notas finais
Gostaram? Eu não, tá meio vago, mas ta aí.. Só quis trazer algo legal pra essa noite, perdão se não estiver muito bom... Enfim, é isso... Não sei muito o que dizer, não to muito legal... Níveis de paciência baixos, mas nada que vocês tenham a ver... Me sigam no twitter e percebam que sou anormal! @Killunomia! SASHUAUH Beijo do Tio Killua pra vocês, delícias... Amo vocês, sabiam? Amo suas recomendações, seus reviews, suas MP's... :) Nos vemos no próximo, que não sei quando vem... Assim, tenho o trabalho de conclusão pra apresentar, provas e mais provas, trabalhos, provas finais e dois vestibulares... Então, complicado... Nos vemos por aí... Eu não mordo, a menos que peçam! Novamente, parabéns Lally! Kissus! Jaa ne!