Inside

22 Confissão dolorosa...


Notas iniciais
Oi... Antes de meus tradicionais discursos, um momentinho para vícios: ME SIGAM NO TWITTER! ASHAUHSAUH @Killunomia Bom, sem mais ataques de bizarrices, não to pra falar muito hoje... Não estou bravo, chateado, irritado ou coisas assim, apenas distante... Bom, eu ia adiar essa conversa em alguns capítulos, mas optei em faze-la logo.. Vocês irão entender... Foi o capítulo mais difícil de escrever até agora para mim... Falarei o motivo nas notas finais... Quero agradecer a recomendação que eu recebi, eu as amo... ^-^ Também queria dizer que uma recomendação de Blue Eyes simplesmente sumiu por conta dessas manutenções do site... Não apaguei nenhuma, simplesmente sumiu... Capítulo betadíssimo pela maravilhosa Kessy, ela é um amor... Mesmo um pouco doente, betou o capítulo e arrumou ele bastante... Escrevi ele um pouco alterado e com muito sono, quase dormindo sentado... Ela deu uma rebocada, ou pelo menos devia ter dado.. SAHUAHUHUSALeiam o capítulo e também as notas finais... É importante... A formatação deve estar terrível, mas a culpa é do Nyah! Desculpem por isso, tentarei arrumar..

Itachi guiava seu carro rumo ao consultório do irmão mais novo levando consigo um loirinho irritado.

– Você devia ignorar aquele garoto. Ele não vale seu estresse. – Comentou Itachi, sem tirar os olhos da estrada.

– Eu sei, mas não dá! – Exclamou. – Enfim, vai me explicar direito o motivo de você ter vindo me buscar? – Perguntou curioso.

– Resumindo: fui visitar seu pai no escritório e quando cheguei lá, Sasuke, Mei e Minato estavam em alguma espécie de conversa séria, na qual não me meti. E foi por isso que pediram para que eu lhe buscasse, não sabiam quando iam terminar. Mas Sasuke estará de volta a tempo da sua consulta. – Explicou.

– Conversa séria?

– É, coisa de gente grande.

– Itachi... – Murmurou o loiro.

– O que quer saber sobre o Sasuke? – Cortou o mais velho.

– Como você sabia que eu iria perguntar algo sobre ele? – Indagou surpreso. Geralmente quem assustava as pessoas com suas deduções era ele.

– Intuição. E você quer saber sobre o que aquela ruiva falou sobre ele naquela noite. –Concluiu. – Psiquiatra pedófilo.

– Exatamente. – Assentiu o loirinho, pensativo.

– Não sou eu quem irá lhe contar essa história, e se bobear, nem ele. – Contou o mais velho. – É algo pessoal dele, então peça diretamente para ele. – Aconselhou. – Eu sou o “irmão de conduta questionável” pelo fato de ter diploma de advocacia, consciência das leis, e ainda assim acobertar o que houve. Bom, eu suponho ao menos. Como aquela mulher sabe dessas coisas, nem imagino.

– Eu corro algum tipo de risco perto dele? – Perguntou o loirinho de forma seca.

– Não, de jeito nenhum. Aconselho que conversem. Use seu trunfo que ele te contará. Passado obscuro por passado obscuro. – Concluiu Itachi.

– Do que você está falando? –Indagou o loirinho, confuso.

– Da fonte dos seus pesadelos. – Esclareceu. – Ouvi alguns comentários sobre eles. Devem estar ligados a algo em seu passado. – O loirinho simplesmente gelou ao ouvir isso. – Sua próxima pergunta seria “como você sabe de tudo isso?”, pois bem, eu respondo: tudo que sei é porque me contaram. – Riu. Não uma risada assustadora, apenas uma risada.

– Você está me assustando um pouco. – Confessou Naruto. – Parece que...

– Estou lendo sua mente. – Cortou-lhe o mais velho. – Quem sabe eu esteja. – Sorriu-lhe. – Mas olhe, chegamos. – Parou o carro em frente ao grande e imponente prédio. Na vaga da frente estava o carro de seu irmão mais novo, sinalizando que ele havia voltado. – Sasuke já chegou. Boa consulta, loirinho. – Afagou os cabelos do menor. –Conversamos outro dia.

– H-hai... – Respondeu o loirinho um tanto incerto. – Depois dizem que o estranho sou eu... – Murmurou para si, mas Itachi ouviu e gargalhou.

O loirinho entrou no prédio e subiu até o andar que lhe interessava. Saiu do elevador e já se encaminhava até a sala em que o consultório do moreno funcionava, mas parou ao ouvir um grito que chamava seu nome.

– Gaara! – Constatou, saudando o ruivo que vinha em sua direção. – Está tudo bem?

– Acho que sim. Tem falado com o Kiba? – Perguntou afoito.

– Apenas um pouco hoje na escola. Todavia, é segunda. Ele costuma dormir lá em casa. Malhamos juntos e temos aula com a Tenten-chan. –Respondeu. – Aconteceu algo?

– Não sei... –Murmurou. – Enfim, obrigado. – Agradeceu e, tão rápido quanto veio, se foi, voltando para a joalheria.

– Não por isso. – Gritou. – Apareça lá, se quiser. – Mais uma vez falou em voz alta, vendo o ruivo acenar-lhe com a mão. Não sabia o que isso queria dizer, então deu de ombros e foi rumo ao consultório, antes que se atrasasse mais ainda.

Entrou na recepção do consultório, onde Tenten conversava no telefone com alguma outra paciente do moreno. Ela saudou Naruto com um sorriso e pediu para que ele entrasse, pois o moreno já lhe esperava.

– Oi, Sasuke. – Cumprimentou tímido ao atravessar a porta. O moreno estava sentado mexendo em seu aparelho celular e logo parou ao ver o loirinho.

– Oi! – Saudou sorridente. – Sente-se. – Convidou. O loirinho prontamente atirou-se no sofá em frente à Sasuke. – Como tem passado?

– Surpreendentemente ótimo. –Falou naturalmente enquanto ajeitava suas mãos embaixo de sua cabeça e fitava o teto.

– Por que surpreendentemente? – Questionou o moreno com seu bloco de anotações em mãos.

– Porque com esse negócio da minha mãe ter voltado, todos estão esperando que eu simplesmente surte. – Confessou em tom de voz alterado. – Inclusive você. – Acusou. –Será que é tão difícil de aceitar que eu não vou me jogar no chão e berrar aos quatro ventos que a vida é cruel? – Indagou sarcástico.

– Por que acha que eu estou esperando você surtar? — Inquiriu o moreno, curioso. – Eu sou seu psiquiatra, devo esperar o melhor de você.

– O número da emergência do hospital está digitado no seu celular. – Acusou novamente. – A caixa de lenços que geralmente fica na estante e que você só busca quando é necessário está do seu lado, como se já esperasse meu choro. A chave do seu carro, que está sempre jogado na estante, perto da caixa de lenços, está ali na mesinha próxima a porta. Seu carro está “estrategicamente” estacionado, para caso seja necessário levar-me ao hospital antes do socorro chegar. Tudo porque eu tenho crises respiratórias eventualmente quando me exalto. – Finalizou, deixando Sasuke mudo por alguns instantes. – Não negue.

– Não sei por que ainda continuo tentando “enganar” você. – Rendeu-se. – Mas é inevitável não pensar isso. Quero dizer, é uma situação muito complicada. Psicologicamente falando. – Explicou. – Temo que você esteja fazendo o mesmo que sempre fez, guardando tudo para si. Se enterrando em sentimentos.

Naruto riu.

– De jeito nenhum. – Explicou. – Quando era menor eu me sentia simplesmente horrível, mas não admitia para mim mesmo. Eu literalmente me ignorava. – Relatou. –Mas agora é bem diferente. Sem angústia, sem sofrimento, sem ignorar a mim mesmo... Nada. Estranho, mas nada. – Falou. Estava contemplativo e, sem dúvida, surpreso consigo mesmo.

– Você acha que não sente nada destas coisas ruins por estar começando a deletar seus sentimentos negativos pela sua mãe? – Indagou o psiquiatra, pronto para anotar algo em seu bloco. Como resposta recebeu uma alta gargalhada.

– Não, definitivamente não. – Falou com escárnio. –Toda vez que vejo o tou-san se culpar por algo ou simplesmente sentir-se mal por algo que deixou de fazer por mim, tenho vontade de fazer aquela mulher ir ao inferno e queimar lá eternamente. –Contou. Seu tom era pesado. Assustador? Um pouco, na perspectiva de Sasuke. – Me senti um vilão falando isso, mas é verdade. – Riu para quebrar o clima. Sasuke riu também. – Fora que tem tantas outras coisas para me preocupar...

– Escola? – Perguntou o moreno.

– Não. Sou uma espécie de gênio, lembra? – Vangloriou-se. – Faço meus trabalhos, às vezes os do Kiba também. E provas. Mas isso tudo só quando as coisas são muito complicadas. Por causa do trabalho, eventualmente ele falta aula e perde as matérias. – Contou. – Ele faz umas coisas latinas gostosas para comer e beber e ficamos quites.

– Hmm... Entendo. – Murmurou o mais velho, pincelando a caneta pelo seu inseparável bloco. – Garotos lhe incomodando?

– Às vezes, como hoje. Eu tenho respondido a eles, não quero mais ser tão omisso. –Ditou firme. Sasuke ficou até impressionado. Valeu uma anotação. – Amanhã tem jogo de queimado novamente.

– E você vai participar? – Perguntou preocupado. Lembrava-se do último jogo de queimado do loiro. Nada bom.

– Vou. – Respondeu, calmo. –A Tenten certa vez me levou com Kiba até um clube com uma máquina que lançava bolas de tênis. Ficamos o dia inteiro lá, apenas desviando delas. Ela disse que era para melhorar nossos reflexos. – Comentou com nostalgia. –Bom, eles melhoraram. E você já tentou desviar dos golpes dessa garota? – Exclamou. – Depois de tudo isso, bolas de queimado não são desafio. – Sasuke riu.

– Ela é magrinha, mas bate mais forte que eu. – Murmurou. – Enfim, problemas com Minato ou Mei?

– Estão ótimos. O tou-san está pensando em pedir Mei em namoro, oficialmente. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda não fez isso.

– Às vezes você parece o adulto e ele o adolescente problemático. – Brincou. – Mas e Kiba? E Gaara? -Perguntou sobre seus amigos. Sabia que o ruivo agora era figura carimbada na vida do loirinho. Ele havia contado em uma das consultas há alguns meses.

– Kiba continua uma figura, e Gaara é o Gaara. Ele é uma ótima pessoa. Acho que ele vai lá em casa comigo depois. Pelo que eu entendi, quer falar com o Kiba. – Contava casualmente. Falava de sua vida com naturalidade para Sasuke. Isso indicava um belo trabalho do moreno.

– Então este seu “tantas outras coisas” deve significar seus pesadelos. – Concluiu, fazendo aspas com os dedos.

– Acertou. – Assentiu, deitando-se de lado no sofá, de frente para Sasuke. – Tive essa noite de novo. –Confessou. Não era mentira.

– Já está pronto para falar sobre isso? – Questionou Sasuke. Naruto era muito fechado quanto ao assunto. Tanto que a expressão do loiro, do nada, tornou-se vazia.

– Não sei... – Murmurou baixo e rouco. Seus olhos fixaram-se no nada, como se assistissem a algo. Como se assistissem a um pequeno filme que rodava na mente do loiro.

– Seus pesadelos são relacionados a alguma fobia? – Inquiriu o moreno, tentando arrancar algo do loiro apático, que acenou com a cabeça positivamente. – Essa fobia se desenvolveu quando? – Insistiu. Naruto havia lhe dado uma resposta. Isso era um grande progresso para quem se negava a falar sobre o ocorrido.

– Quando eu era criança... – Murmurou sem vida. – Uma das poucas vezes que saí para me “divertir”. Como queria ter ficado em casa... – Falava mais consigo mesmo que com o moreno. Os olhos do loiro deitado em sua frente já começavam a marejar, forçando-o a tirar os óculos para secá-los.

– Quer me contar onde foi naquele dia? – Indagou novamente. Seu coração estava apertado em ver que o loirinho estava sofrendo, mas precisava continuar. Naruto estava absorto em seus pensamentos, como se estivesse revivendo algo. Seus olhos estavam vazios. Não parecia estar ali. Apenas uma máquina que, por algum motivo, estava externando coisas que nunca contara para ninguém, nem mesmo para seu pai.

– A um festival... – Ditou, sua nostalgia misturada ao seu asco. – Com a kaa-san. Ela e o tou-san estavam brigando de novo... – Sentou-se para continuar com seu relato. Um relato cheio de emoções, mas contado por um garoto distante, com olhos sem brilho. Um corpo cuja felicidade não habitava. Não naquele momento.

Flashback on

Era mais uma tarde de sábado. Para muitos, um sábado comum, mas na mansão Namikaze, gritos podiam ser facilmente ouvidos. Mas isso já era tão normal que para eles este sábado poderia tranquilamente ser encaixado na descrição de “um sábado comum”. O pequeno Naruto, com seus sete anos recém completos, estava amuado em um canto, com um livro grosso, de capa muito bem trabalhada, que tratava sobre astrofísica. O loirinho parecia concentrado nele, mas na verdade estava tentando desligar-se da briga dos mais velhos. Era o que sempre fazia.

– Eu invejo as mulheres que têm um marido! Um de verdade e não só um homem para fingir que está ao lado delas! – Berrou a ruiva. –Você gasta tanto tempo com essa sua maldita empresa que acho que deveria ter casado com ela!

– É tão difícil para você entender que preciso disso para segunda-feira? – Devolveu o grito. Era fim de semana, dias geralmente guardados para passar com a família. – Você é tão estúpida que não consegue ver que essa “maldita empresa” que você tanto fala mal é quem sustenta esses seus luxos supérfluos? – Minato era um homem tranquilo. Tirá-lo do sério era uma missão difícil, mas Kushina conseguia.

– Luxos supérfluos? Eu só compro coisas que julgo necessárias! E todas elas, Minato, todas elas são mais úteis que você! – Alfinetou, furiosa. No seu canto, Naruto fingia estar alheio, mas as palavras que seus pais trocavam lhe machucavam também. – Você é um péssimo pai e um marido ainda pior! – Falava com evidente ódio. Minato apertava a caneta que tinha em mãos o mais forte que conseguia, do contrário descontaria sua fúria na ruiva. Não só com palavras.

– Eu sou um péssimo pai? – Indagou com escárnio. – Então me responda Kushina: que classe de mãe você é? – Apontou o dedo na direção da ruiva. – Eu tive que sair de uma reunião importante para buscar o Naruto na escola e levá-lo para comprar roupas novas, e isto por que você estava ocupada demais no salão de beleza, arrumando a porcaria dos seus cabelos com as sanguessugas das suas amigas! – Socou a mesa a qual estava sentado atrás.

– Olha lá como você fala das minhas amigas! Elas são todas pessoas ótimas, diferente de você! – A última frase fez o loiro mais velho revirar os olhos. A raiva simplesmente estava lhe consumindo.

– Muda esse disco! – Gritou seco. – Você só sabe dizer que qualquer pessoa e qualquer pessoa são melhores que eu! Se sou tão ruim, o que você está fazendo aqui ainda? O que faz junto a mim? – Perguntava aos berros. –Eu trabalho duro a semana inteira para sustentar essa casa, sustentar suas futilidades! Trabalho com o objetivo de poder voltar para casa e passar algum tempo com minha família, mas até isso você consegue estragar! Sempre arruma um motivo para brigar comigo ou implicar com o Naruto! –Falava revoltado. O patriarca não aguentava mais.

– Claro, a culpa das brigas é sempre minha! – Fez-se de vítima. – Eu só quero uma boa vida para o Naruto, que ele seja uma criança feliz! – Ditou como se fosse um anjo que Minato insistia em maltratar. – Ele tem algum problema mental e eu só quero ajudá-lo a ser normal, mas você não deixa! – Exclamou.

Minato cerrou os olhos e as mãos com toda a força que tinha. Deu um suspiro pesado. A última frase de sua mulher acabou com qualquer fio de paciência que ainda lhe restava.

– Problema mental tem você. – Falou em tom baixo. Um tom que causaria arrepios em qualquer um. – Ele é uma criança, como outra qualquer, a única diferença é que ele gosta de ler. Talvez ele saiba que quanto mais ele ler, menores as chances dele ficar fútil e ignorante igual a você. – Fitou Kushina nos olhos. – Nunca mais fale qualquer coisa do tipo a respeito de Naruto. – Estava com a expressão vazia, mas seus olhos emanavam pura raiva. – Ele é normal e a doente mental é você! E quem sabe você devesse usar o tempo que gasta para falar o quão desprezível eu sou visto pelos seus olhos para levar o Naruto para se divertir. Como uma mãe faria. – Suspirou mais uma vez, tentando tomar de volta a calma que lhe foi arrancada. Voltou sua atenção aos papeis que lia e relia atentamente.

Kushina calou-se por alguns instantes. Fuzilava o marido com os olhos, mas o mesmo agora a ignorava. A ruiva puxou o ar, aparentemente também tentando retomar a calma. Esvaziou os pulmões, fazendo um barulho audível.

– Naruto! — Gritou. O loirinho se assustou, e voltou sua atenção ao livro, fingindo que o lia. Minato olhou com o canto dos olhos para a ruiva. Sabia que boa coisa não vinha. –Se arrume, nós vamos sair. Seu pai não quer a nossa presença aqui enquanto ele trabalha. Nós o atrapalhamos. – Falou com um tom venenoso indo até seu quarto na sequência. Tão rápido quanto da última vez, a paciência de Minato se esvaiu. O homem socou a mesa, irado.

– Pare de falar besteiras para o garoto! – Gritou com ódio, tendo como resposta a porta do quarto fechando-se em um estrondo. Suspirou novamente e apoiou a cabeça em suas mãos. Não sabia mais o que fazer. A situação ficava cada dia mais insuportável. Estava perdido em seus pensamentos quando a pequena mão que puxava suas vestes também o puxou de volta a realidade. Fitou o pequeno rosto que lhe olhava com uma expressão triste.

– Tou-san, o senhor me desculpa por incomodar você? – Perguntou o garoto que carregava um livro em suas mãos. Sua voz era tristonha e um pouco embargada, segurava o choro. Minato sorriu e abraçou o filho com toda a força.

– Você não incomoda... Nunca incomodou e nunca vai. – Sussurrou ao pé do ouvido do filho. – Eu te amo, Naruto. Você é a coisa mais preciosa que eu tenho, como você iria incomodar? – Fitou os pequenos olhos brilhantes.

– Mas a kaa-san disse que... –Tentou murmurar, mas foi calado pelo dedo indicador do pai.

– A kaa-san fala muitas bobagens.

– Vamos logo, Naruto. – Chamou a ruiva, passando apressada pela porta.

Naruto olhou para seu pai como se dissesse “eu não quero sair”, porém Minato lhe sorriu e o incentivou a ir. Relutante, o menino despediu-se do pai e correu até a mãe impaciente.

– Solta essa porcaria! – Exclamou, tomando o livro que o menor segurava e o arremessando em qualquer canto.

Minato, pela enésima vez, suspirou fundo. Assim que a ruiva e o loirinho saíram, tentou se concentrar novamente em seus afazeres.

Algum tempo depois mãe e filho atravessavam um belo e amplo portão, muito bem decorado. O portão levava a um grande terreno aberto, repleto de pessoas. Crianças correndo para todos os lados, adultos rindo e conversando sem medir o tom de voz, o cheiro de diversas comidas se misturando no ar... Um belo festival.

Havia também um grande parque de diversõe, assim como um circo, então diversas figuras excêntricas perambulavam de um lado pro outro, fazendo brincadeiras e peripécias para arrancar risadas e aplausos do público. O movimento era, no mínimo, intenso e caótico. Músicas animadas embalavam toda aquela multidão, e claro, lhes davam mais energia ainda.

A ruiva empolgada e o pequeno loirinho amuado adentraram e se misturaram na multidão. Era desconfortável para o loirinho, pois levava constantes esbarrões por ser pequeno, e isso sempre desajeitava seus óculos e quase os derrubava.

Mãe e filho passearam por tudo. Comeram diversos petiscos, pararam para assistir aos mágicos, que tiravam diversas coisas curiosas de seus chapéus, aos malabaristas, que manipulando todo o tipo de objetos com maestria, e também aos diversos shows pirofágicos que encontraram no caminho. Os homens e principalmente a garota que cuspiam e brincavam fogo eram simplesmente incríveis de assistir. O loirinho se divertia e até sorria de vez em quando.

Se encontravam agora descansando na sombra da área onde os animais usados nas apresentações circenses estavam expostos. Kushina estava sentada em um banco, enquanto Naruto lambia seu sorvete de creme e observava os animais. Eles o fascinavam. Seus olhos brilhavam quando cruzavam com os leões, tigres, elefantes, lhamas e ursos. Sempre sonhara em ver animais assim ao vivo, pois somente havia lido sobre eles em alguns livros. Eram incríveis.

Estava um pouco afastado de sua mãe, pois sua curiosidade era maior que seu desconforto com multidões. Achava que estava sendo cuidado à distância. Ilusão sua. Kushina agora estava “conversando” com o jovem musculoso dono de uma das barraquinhas de comidas. Com conversando, lê-se flertando. Mal lembrava que tinha um filho.

O loirinho fitava, hipnotizado, o grande tigre albino que estava enjaulado. O felino estava muito estressado, rugia e avançava em quem chegasse perto. Naruto não se importava. Tomava seu sorvete e se aproximava. Não se intimidou pela fera, mesmo sabendo o que ela poderia fazer consigo. Chegou junto à jaula e sem relutar pelo rugido da fera, esticou seu braço por entre as fendas da jaula. O olhava nos olhos e movia a mão, como se estivesse lhe chamando. As pessoas ao seu redor o observavam, apavoradas, tentando afastá-lo, mas ele se recusava.

Em um piscar de olhos, o animal havia se aproximado do loiro, sem perder sua pose intimidadora. Os dois pares de olhos azuis se fitavam intensamente. O tigre com curiosidade e o loirinho... Bom, o loirinho apenas sorria. Contrariando as expectativas do pequeno aglomerado de pessoas que se formou ao redor do menor, a fera albina apenas lambeu a mão do garoto corajoso, em seguida abaixou a cabeça e se rendeu ao afago que o loirinho lhe fez.

Ficou algum tempo interagindo despreocupadamente com a fera que, perto de si, parecia um gatinho manhoso, até uma voz exageradamente esganiçada lhe chamar a atenção.

– Um garotinho não deveria se meter com animais tão assustadores! – Exclamou o palhaço que se parou ao lado do loiro. – Aposto que sua mamãe não gostaria! –Acrescentou, soltando uma gargalhada típica destas criaturas coloridas. Naruto o fitava desconfortável.

– Éh... – Encolheu-se. – M-minha m-mãe está logo a-ali. – Apontou para o banco onde a mãe deveria estar sentada, mas não estava. Estava ocupada demais em uma tenda nas redondezas.

– Não precisa mentir, pequeno! – Gargalhou. –Venha, vamos atrás dela! – Exclamou o palhaço e, sem dar opções ao menor, pegou-lhe firmemente pelo braço e o arrastou por uma pequena trilha. Não sem antes dar uma última olhada em volta.

Flashback off

Naruto havia parado de súbito seu relato. Seu choro era intenso e desesperado, dificultando a fala. O loiro arrancou os óculos e jogou-o no sofá. Suas mãos foram direto para seus cabelos, onde se agarraram firmemente. Soluçava e ofegava. Não baixinho, em um choro contido, mas alto. Alto e repleto de desespero. Sua cabeça estava baixa, com os olhos cerrados tão firmemente quanto as mãos. Era como se estivesse querendo sair do pesadelo que lhe tomava a mente. Dos seus olhos, lágrimas grossas caiam e já molhavam o carpete.

Sasuke imaginava o que viria a seguir no relato do menor. O moreno estava sem ação, simplesmente via o desespero de Naruto e não sabia exatamente o que fazer. Não sabia se tocar o loiro lhe traria conforto ou lhe daria asco. Não sabia o que dizer, pois sabia que qualquer palavra mal dita, que se expressasse mal, podia causar reações negativas no paciente.

– Naruto, eu... Já chega. – Pediu o moreno, tentando manter a calma, aproximando-se do loiro que soluçava violentamente, engasgando com a própria saliva. Sua mão ameaçava encostar no loiro, mas sempre hesitava. – Não preci... – O moreno não conseguiu terminar a frase. Foi cortado pelo grito mais sôfrego e desesperado que ouvira em muito tempo...

– Ele me estuprou! – Exclamou o loirinho, caindo sobre seus joelhos e chorando ainda mais. Emitia gritos que eram como lâminas no coração de qualquer um. O choro angustiado e dolorido vinha carregado de toda a dor que guardou, assim como os gritos. – Ele me levou para trás de uma cabana... – Falava baixo e entrecortado pelos soluços afoitos. – Ele me levou lá e me obrigou a tocá-lo... – Estava deitado no chão, quase em posição fetal. Suas mãos ainda estavam firmemente agarradas aos fios loiros, puxando-os com força. Machucava a si mesmo. Sasuke ajoelhou-se ao lado do loirinho, que não hesitou em deitar-se no peito do moreno, sendo prontamente abraçado pelo mesmo.

– Calma Naruto, calma... – Afagava a cabeça do menor, afastando as mãos do loiro. – Já passou... Já passou... – Murmurava o maior, tentando acalmar o garoto que ainda chorava.

– Ele me fez tocá-lo com as mãos... – Ditou, fitando as mãos que estavam avermelhadas. Mas não as olhava de fato. Seus olhos estavam nelas, mas sua mente ainda viajava. – Com a boca... – Passou o dedo nos lábios secos. O estômago de Sasuke revirava ao ouvir os relatos. – Ele me violou com seus dedos... Ele ejaculou na minha boca e mandou que eu engolisse... Do contrário faria tudo novamente... – Relatou, levando certo tempo. Ofegos pesados lhe cortavam a fala. Sasuke estava chocado. A raiva consumia seu interior. – Quando ele me devolveu para minha mãe... – Falou baixinho, tentando aos poucos acalmar-se, percebendo que o pesadelo que se repetia em sua mente estava acabando. Contava tudo com detalhes, parecia não se importar mais em querer esconder algo. – Disse que um respingo de esperma, que ele não havia notado antes, era sorvete... Disse que eu havia me sujado com sorvete e... E... – Não conseguia falar, mas desta vez não se devia exclusivamente ao choro, mas boa parte pela náusea que lhe embrulhou o estômago de supetão.

Quando o loirinho levou uma das mãos à boca, o moreno já sabia o que iria acontecer. Esticou-se rapidamente para pegar o cesto de lixo que estava próximo a ele e puxou para si, pondo-o abaixo da face de Naruto, que não demorou muito para vomitar. Como se as lágrimas não fossem suficientes para por sua dor para fora, o estômago se contorcia e expelia todo o alimento ingerido pelo loiro no dia.

O loiro pôs suas angústias para fora, entre gemidos e urros sofridos. Limpou a face com as costas de uma de suas mãos e, como se estivesse sem forças, fraquejou e desmoronou no colo do moreno, que o amparava e retirava os fios de cabelo que lhe grudaram na testa, banhada de suor. O psicólogo afastou o pequeno cesto e voltou sua atenção ao loirinho, que estava deitado sobre suas pernas agarrado às suas roupas.

– Ela não percebeu nada... – Murmurou fraco. – Ela não percebeu o que aconteceu... Minha mãe não notou que fui abusado, em plena luz do dia... Por um palhaço. – Ainda soluçava e fungava.

– Não precisa dizer nada, só fique calmo. – Falou o moreno preocupado, afagando os cabelos e a face do mais novo, que estava vulnerável, aninhado no seu corpo.

– “Não conte nada para ninguém, ouviu, moleque? Se contar será pior para você. Eu ficarei sabendo e vou te perseguir... Perseguir até te matar e... Não, matar toda a sua família lentamente, na sua frente. Te torturar, te cortar e claro, te tocar diversas vezes antes de matá-lo. Não pense que não vejo. Quando estiver relaxado, eu estarei em uma sombra, apenas esperando para te pegar, garoto. Cuidado... – Repetia exatamente o que o palhaço que lhe tocara disse ao pé do seu ouvido aquela tarde. Não era de se admirar que a fonte dos seus pesadelos fosse a coulrofobia. – Palhaços podem ser muito maus.. Muito maus, garoto. Volte para sua mamãezinha antes que eu faça com ela o mesmo que fiz com você. E lembre-se, bico fechado. Palhaços são todos amigos, e sempre, em cada sombra, terá um lhe observando.”. – Terminou em prantos. Repetira perfeitamente as frases que lhe atormentaram a infância inteira.

– Então seu medo e seus pesadelos vêm de palhaços. – Não foi uma pergunta. – Depois de ouvir tudo isso, não fico surpreso. Não se preocupe, eu vou te ajudar. – Afirmou o moreno.

– Palhaços são monstros... – Falou baixinho e amargurado. – Nos meus sonhos, eles aparecem para me pegar... Dizem que vão fazer tudo de novo... Sempre é mais que um... Eu tento fugir, mas não consigo por muito tempo... Eles sempre me pegam.

– Eles não são monstros, são apenas pessoas. E aquele era uma má pessoa. – Explicava em tom moderado. Precisava passar a sensação de calma ao menor. – Acho que o fato de você por tudo pra fora irá lhe ajudar muito. Você já havia contado isto para alguém antes? Seu pai, sua mãe, Kiba...? — Naruto apenas negou com a cabeça. – Então, obrigado por confiar em mim para contar isso. Prometo que vou lhe ajudar.

– Obrigado Sasuke... – Agradeceu. Seus olhos ainda estavam perdidos, distantes. Era uma expressão triste de se ver. – Por não me julgar pelo fato de eu ser fraco.

– Você não é fraco, Naru... Todos nós temos nossos monstros que nos assombram. –Falou pensativo. – Você aguentou tudo sozinho por anos, sem fraquejar. Você é forte, garoto. Metade das pessoas que eu conheço não aguentaria nem uma ínfima fração do que você suportou... – Retorquiu, confiante. Surpreendentemente o menor começou a rir. Uma risada fraca e baixa, mas uma risada. – Do que está rindo? Se sente melhor?

– Você me chamou de Naru de novo... – Explicou. Assim como da primeira vez, Sasuke corou instantaneamente. Pensou um pouco e viu que era verdade: novamente “Naru” havia saído de sua boca.

– M-me desculpe. É-é que... – Gaguejou. Sim, Uchiha Sasuke gaguejou. Não conseguiu terminar sua frase. Não por sua voz falhar devido ao seu nervosismo, mas porque o loiro não permitira.

– Não se desculpe. – Cortou o menor. – Você podia fazer isso mais vezes. É tão bonito quando sai com a sua voz. – Sorriu para o mais velho que o fitava com um olhar envergonhado. Estava surpreso também. – Sasuke... – Chamou, manhoso.

– S-sim? –Respondeu, tentando recompor-se.

– Posso dormir um pouco? Estou cansado... – Contou enquanto aninhava-se um pouco nas pernas do outro. Sua voz já parecia distante.

– Pode. Durma o quanto quiser, Naru. – Respondeu atencioso, afagando suas mechas loiras, atendendo a sugestão do mais novo, que sorriu antes de cair no sono.

Pouco depois, Sasuke delicadamente levantou-se, pegou-o nos braços e deitou-o no sofá. Ouviu alguns resmungos do garoto e estes lhe fizeram sorrir.

Pegou a sacola que forrava a lixeira, na qual o menor havia esvaziado o estômago, deu um nó e a jogou no container de lixo.

Saiu da sala em silêncio, para evitar acordar o loirinho. Fechou a porta atrás de si e escorou-se na mesma, escorregando até o chão e soltando um longo suspiro. Tudo isso sendo observado pela sua secretária curiosa.

– Sasuke? – Chamou a garota de cabelos chocolate. – Está tudo bem? Onde está o Naruto? – Indagou. As paredes que davam para o consultório eram grossas, então ouvir algo era quase impossível.

– Está tudo bem... – Murmurou automaticamente. Na verdade estava absorto em pensamentos. – Ligue para o Minato-san e peça para que ele venha para cá assim que puder. Não faça alarde, o Naruto está bem, está dormindo. – Contou.

– Certo.

Tenten fez o que lhe foi pedido. Em menos de uma hora, o loiro mais velho estava saindo do elevador e se dirigindo até o consultório do moreno. Estava preocupado, pois sabia que havia acontecido algo. Sasuke quase nunca fazia questão de sua presença.

– Sasuke? – Chamou assim que entrou na sala. –Oh, Tenten-chan, boa tarde. Sasuke me chamou...

– Boa tarde, Minato-san. Sasuke está... – Não precisou terminar a frase, pois o moreno despontou da sala onde fazia os atendimentos. Estava com uma cara um tanto apreensiva. –Ali.

– Precisamos conversar, Minato-san. – Murmurou, abatido.

Não conversariam ali. Foram até o elevador e desceram alguns andares para irem até uma cafeteria requintada. Sasuke pediu para que a secretária vigiasse o loiro e também para que se ele acordasse antes do retorno dos dois, que ela avisasse. Sentaram-se junto a uma mesa, um de frente para o outro e pediram um café, apenas para não ocupar o espaço em vão.

–Bom, Minato-san... –O moreno não sabia exatamente por onde começar. –Na consulta de hoje ocorreram alguns fato diferentes... – Falou pensativo, logo em seguida bebendo um pouco do seu café, que acabara de chegar. – Eu não vou contar o que Naruto me contou hoje, isso seria trair a confiança dele, mas posso dizer que descobri a causa dos pesadelos constantes dele. –Confessou. Minato ficou muito surpreso, mas muito curioso ao mesmo tempo.

– Jura? E o que seria? – Questionou ansioso. – E outra, por que ele está dormindo?

–Sim. Ele tem coulrofobia, o medo ou aversão a palhaços. Não é algo que ele desenvolveu sozinho, mas sim por um evento que foi traumático para ele. Na verdade, seria para qualquer um. – Bebeu outro gole. – E eu não sei nomear exatamente a razão dele estar dormindo, mas acho que exaustão emocional ou psicológica chega perto. O psicológico dele foi muito estimulado e simplesmente parece que se exauriu.

– Mas o que de tão grava ele contou? – Perguntou o loiro, impaciente. – Eu sou o pai dele, tenho o direito de saber! – Falou um pouco exaltado. Seu senso de proteção paterna era muito aguçado, sabia que tinha algo errado.

– O que ele contou foi algo muito forte, Minato-san, algo que ele guardou por anos, a sete chaves. Eu destranquei a porta, mas ele é o dono da propriedade, quem permite ou não a entrada ainda é ele. Entendeu a metáfora? – Perguntou, vendo o loiro assentir com a cabeça, mais conformado. – O que quero dizer é que pretendo trabalhar esse medo dele, tentar “curá-lo”. – Fez aspas com os dedos. – Vai ser difícil, mas com o passar das sessões e das conversas, ele vai se sentir melhor e mais a vontade para se abrir com você. Por favor, não o force. Também não se surpreenda com o estado dele. De antemão digo que ele está física e emocionalmente acabado. Mantenha-o distante de emoções fortes e claro, de palhaços de qualquer tipo. Tente apenas incentivá-lo a comer algo, ele vomitou e precisa por algo no estômago. – Listou. Eram apenas algumas recomendações para o bem estar do loirinho. –Entendido?

– Sim, entendi. – Balançou a cabeça positivamente. –Mas vomitar? Não é demais? O que houve?

– Minato-san, confesso que estou dividido entre meu lado emocional, o homem que grita para que eu lhe conte tudo, e meu lado profissional, que ordena que eu não abra a boca, que quer que eu mantenha a relação de confiança que Naruto por alguma razão criou comigo. Apenas lhe dê algum tempo. – Pediu.

– Certo, eu entendo o seu lado. Desculpe-me. – Ditou compreensivo. Levantou-se, jogando um anota de valor mediano sobre a mesa. – Vamos subir? Gostaria de levá-lo para casa agora. Kiba já deve estar por lá e aquele garoto é persistente. Vai fazer o Naruto se alimentar e repousar. Vou dizer para Tenten ir lá para a aula algum outro dia.

Os dois voltaram ao consultório. Sasuke foi acordar o loirinho que dormia profunda e serenamente. Quase um crime despertá-lo, mas era necessário. O menor acordou após ser chacoalhado de leve e ter seu nome chamado algumas vezes. Sentou-se e esfregou os olhos. Estava sonolento e tinha uma dor de cabeça forte.

– Seu pai veio te buscar. – Informou o mais velho, apoiando a mão no ombro do loirinho e afagando de leve.

– Você contou a ele? –Perguntou assustado.

– Não, não tudo. Apenas sobra a parte do medo de palhaços. Nada sobre o ocorrido. –Falava olhando diretamente nos olhos azuis, para transmitir-lhe estabilidade. – Não vou trair sua confiança. Disse que você contará tudo quando estiver pronto. Não se preocupe.

O loiro subitamente abraçou o moreno. Um abraço forte e necessitado. Precisava de apoio.

Deixaram a sala do consultório e foram até a pequena recepção, onde Minato esperava enquanto conversava com Tenten. Vendo o filho se aproximar, apenas abriu os braços, aceitando e retribuindo o abraço do filho. Viu que ele estava visivelmente abatido. Estava pálido, com os olhos inchados e vermelhos e os lábios secos. Ao abraçar o pai, o loirinho segurou as lágrimas que insistiam em querer sair. Não queria preocupar ainda mais o seu pai. Olhou para o maior, vendo sua expressão desolada. Sorriu. Fraco, mas sorriu.

Os loiros se despediram e foram até o elevador. Desceram os andares, saíram pela portaria e entraram no carro. Tudo num silêncio necessário.

– Liguei para o Kiba agora há pouco, o mandei preparar um lanche bem reforçado para você. – Falou usando um tom bem descontraído.

– Obrigado, estou mesmo com fome. – Ditou falsamente. Não tinha fome, mas iria se alimentar. Sabia que precisava e não queria preocupar o pai.

Em casa, Kiba havia mesmo preparado um sanduíche e um belo copo de suco para o amigo. Ver a figura loira e sempre tão cheia de vida assim, abatida, era doloroso também para o moreninho. Naruto foi direto para sua cama e o amigo levou o lanche até lá.

Kiba lhe fez companhia. Não conversaram muito, pois Naruto não estava no clima. O loirinho comeu e logo em seguida deitou-se confortavelmente na cama para voltar a dormir. Continuava cansado. Kiba respeitou sua vontade, então desceu e conversou um pouco com Minato sobre seu filho e outras coisas. Mataram algumas horas com a conversa, até dar a hora de se recolher. Tomaram banho e foram dormir. Kiba dormia ao lado da cama de Naruto, então antes de render-se ao sono, deu uma última olhada no loiro que dormia sossegado, apesar da aparência abatida.

Tudo estava bem, na medida do possível.

Notas finais
O que acharam? É isso que preciso, opiniões... Esse capítulo ficou bem escrito? Sim, não... Sei lá, me respondam... Me senti inseguro quanto a ele.. E bom, eu disse nas notas iniciais que foi o capítulo mais difícil de escrever... O motivo? Eu tenho coulrofobia... Sim, tenho medo, (e muito) de palhaços... Foi muito complicado de escrever... Escolhi esse medo para o Naruto pois adoro deixar traços meus nos personagens... Apenas não sabia explicar a origem do trauma dele, e bom, surgiu essa outra parte. E isso renderá problemas... Nunca chorei escrevendo um capítulo, mas este foi exceção... Quero o que vocês acharam... Bom, mas nem só de medos e tristezas eu vivo... Tive uma bela ideia para uma one/short fic... :D Vou trabalhar um pouco nela, quero escrevê-la, mas antes de posta-la, quero ainda atualizar Inside, e então conversaremos melhor... Bom, antes do meu cordial até mais, venho mais uma vez falar de fics... Sempre me pedem recomendações de fics boas, e bom, acho que sempre recomendo as mesmas, geralmente indico autoras: Minha linda Ju; Gatíssima da Bay; Mas recentemente tenho indicado uma das pessoas que me levou a escrever, Cojirokun. Ajudem ele a se firmar no site, ele é um ótimo autor... http://fanfiction.com.br/historia/403383/I_Wish/ Leiam I Wish, é perfeita! :D Um meeega Beijo do @Killunomia, me sigam no twitter! :3