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25 A armadura da mulher inabalável se rompe...
Notas iniciais
Mas, voltando ao casal, Gaara e Kiba estavam sentados em frente a mesa da casa do moreno, sendo fitados por Tsume, que estava em pé escorada na pia.
–O que de tão sério tem pra me dizer, Kiba? –Perguntou a mulher, curiosa e receosa. –Se você engravidou uma garota, dê adeus ao que você tem no meio das pernas, moleque!
–Não é nada disso, mãe! –Kiba interrompeu. –É um pouco mais complicado.
–DST? –Palpitou a mais velha, vendo os olhos do filho dobrarem de tamanho.
–Mãe! Eu sou virgem, vou pegar DST do vento? –Exclamou incrédulo. Apesar de a situação ser um pouco tensa, Gaara riu.
–Tsume-san... –Murmurou Gaara. –Prefiro ir direto ao ponto: sempre gostei do Kiba, mais que como amigo, e quando disse isso, ele resolveu me dar uma chance... –Continuava murmurando, tentando passar a sensação de tranquilidade, mas estava nervoso e relutante.
–Eu pedi Gaara em namoro... –Concluiu Kiba, abaixando a cabeça e apenas levantando os olhos para fitar a matriarca, que parecia não estar muito abalada. –Eu não estou pedindo permissão para continuar com ele, e sim lhe informando que estamos juntos, e não pretendo me afastar dele. –Falou firme, surpreendendo tanto Tsume quanto Gaara.
–Pois bem, Inuzuka Kiba, você parece bem decidido. –Comentou. –Você já é um homem, sabe o que é melhor para você. Não vou me opor a nada. Sabe que eu te amo, independente de qualquer coisa. –Falou com um pequeno sorriso nos lábios. –Além do mais, eu gosto do Gaara, acho que ele lhe fará bem, e vice-versa também. –Voltou seu sorriso para o ruivo, que lhe sorriu de volta.
–Obrigado mãe, eu te amo demais. –Ditou o moreno em tom aliviado, abraçando sua progenitora, seguido de Gaara.
Ficaram mais um baita tempo conversando. Tsume os aconselhava e também fazia perguntas, algumas que deixavam ambos os garotos constrangidos, mas que no final acabavam por render risadas.
Conversaram até irem se aprontar para a festa de Minato. Quando Kiba foi tomar banho, Tsume acabou por falar melhor com Gaara. Disse-lhe que seu filho era um garoto impulsivo, atento, embora muito tapado ao mesmo tempo, fato que poderia gerar brigas, mas que se ocorresse, o Sabaku poderia falar com ela, pois ela o ajudaria a resolver qualquer problema com relação ao filho hiperativo.
Algum tempo depois, a noite já caía na cidade e os três chegavam à casa Uzumaki, que estava especialmente agitada naquele fim de tarde. Entraram e foram direto para o pátio dos fundos, onde a festa ocorria, animada.
Não havia grande decoração, afinal tudo havia sido feito às pressas. Diversas tochas iluminavam o grande gramado. Uma mesa estava na varanda, repleta de comidas e bebidas, e a música vinha de um potente sistema de som que Minato nem sabia ter.
Este estava com Mei em um canto, conversando com Konan, enquanto o namorado desta assistia Sasuke e Naruto brincarem de trocar golpes, como duas crianças. Sasori conversava descontraidamente com Tenten sobre diversos assuntos.
–Olha só, o projeto de “hipster” deu uma envelhecida. –A voz de Tsume, há muito não ouvida por Minato, chamou sua atenção, que logo buscou a dona da voz nostálgica. Tsume era amiga de Kushina na faculdade, tornando-se amiga do Namikaze como consequência do namoro dos dois.
–Tsume, sua vaca! Por onde andou? –Berrou Minato ao abraçar a amiga de longa data. –Olá pra vocês também, garotos. –Completou Minato, dirigindo-se a Gaara e Kiba, que foram atrás de Naruto.
–Também estava com saudades, loiro burro! –Quem estava próximo ria com o carinho dos dois. –Andei por aí fazendo algumas coisas interessantes, como parir o Kiba. –Brincou. –Mas agora quero beber piña colada e margaritas contigo, pra relembrar os velhos tempos! –Soltou o maior do abraço, dando-lhe um soco no peito. –Parabéns pelo namoro, a propósito. Espero que com essa dê certo!
–Eu também! –Sorriu. –E agora, vou buscar álcool, liquidificador e coqueteleiras pra você se divertir. Fique à vontade!
Minato entrou em casa para buscar o que havia dito, e Tsume foi parabenizar Mei, com quem iniciou uma conversa. Na festa também havia alguns dos colegas de trabalho e funcionários de Minato, que dançavam e se divertiam.
Em um canto, Kiba estava sentado escorado a uma árvore, com Gaara deitado em seu colo. Ambos assistiam as criancices dos irmãos Uchiha e do loirinho.
–Não importa quanto vocês tentem, não vão me acertar! –Gritou Itachi enquanto desviava facilmente dos golpes que as outras duas “crianças” tentavam lhe dar. –Meus olhos são muito bons para eu ser pego desprevenido!
–Cala a boca! –Gritaram juntos os outros dois.
–Eles nunca param? –Indagou o ruivo, assistindo a cena.
–Não quando Naruto se entope de doces e o Sasuke toma uns goles a mais. –Explicou o moreno, surpreendentemente sério.
E assim a festa avançava. Inesperadamente, até Neji apareceu, junto com seu pai, pois este tinha alguns negócios com Minato, e resolvera dar uma passada para parabenizar o “amigo”. Logicamente, o moreno estava um pouco deslocado. E o loiro? Bom, o loiro estava enchendo a cara com Tsume. Os dois gritavam e riam o tempo todo, relembrando velhas histórias. Não estavam bêbados, a quantidade de álcool era pouca, mas estavam felizes.
Já seu filho estava agora atacando a mesa de guloseimas, porém parou o ataque que fazia aos brigadeiros, doce brasileiro que Sasuke havia feito, quando sentiu seu celular vibrar no bolso. Era uma mensagem de um número restrito. Deixou o aparelho cair no chão após ver que na mensagem continha a foto de um palhaço assustador, e na imagem, em letras vermelhas, estava escrito “I’m watching you”, “estou te observando”, traduzindo.
Ele olhou em volta, desesperado e sendo tomado pelo pânico, chutou o aparelho que estava no chão e saiu correndo para dentro de casa, indo para seu quarto, onde sentou no chão, no canto mais afastado da porta, abraçando-se aos joelhos e chorando baixinho.
Ninguém havia visto quando o loirinho correu para dentro de casa. Ninguém, exceto Neji. Ele achou estranha a atitude do loiro e resolveu ver o celular dele, que estava jogado no chão. Um arrepio lhe subiu a espinha quando viu aquela imagem. Mesmo aos que não tinham medo, a imagem era assustadora. Não sabia ao certo o que fazer, então resolveu contar a alguém. Não que estivesse preocupado, mas poderia ser grave, ou sabe-se lá o que.
–Etto, Sasuke-san. –Chamou pelo moreno, que conversava com Mei no momento. Sasuke fitou o rapaz de longos cabelos com um pouco de desagrado. Não era pra menos.
–O que quer? –Perguntou seco. Neji não era digno de seu respeito ou simpatia.
–É que acho que o Naruto não tá passando bem. –Falou com descaso. –Ele recebeu isso e depois ficou pálido, parecia assustado, e correu pra dentro da casa. –Concluiu, mostrando o conteúdo do celular de Naruto para Sasuke, que também gelou na hora. Não por medo da imagem em si, mas por Naruto.
–Merda! –Exclamou, deixando Mei preocupada. –Há quanto tempo foi isso?
–Nem cinco minutos.
–Ok, obrigado. –Falou automaticamente, correndo rumo à porta que levava ao interior, sendo seguido por Mei.
–Sasuke, o que houve? –Inquiriu a morena, preocupada. O moreno mostrou a imagem do celular para Mei.
–Ele tem medo de palhaços! Trauma na verdade. –Falava de maneira afoita enquanto os dois rumavam ao lugar mais óbvio que ele podia estar, que era seu quarto. –Naruto? –Chamou Sasuke quando chegou à porta.
–Sasuke, me deixe falar com ele. –Pediu Mei, de forma séria e decidida.
–É um pouco mais grave que você pensa, ele precisa da minha ajuda e...
–Só me deixe conversar com ele! –Cortou a mulher. –É meu papel como mãe ser capaz de ajudá-lo. –Explicou. Sasuke não teve como negar o pedido ao ver a expressão da mulher.
–Certo, mas me chame se algo sair do controle. –Cedeu, abrindo passagem para Mei.
–Naruto? –A mulher chamou baixo, entrando no quarto devagar, fechando a porta em seguida. Não via nada, pois o quarto estava escuro, então ela acendeu a luz.
–Mei! –Gritou o loiro choroso, que levantou e foi correndo até a mulher, que o abraçou forte. –Eles querem me pegar! –Falava ofegante e soluçando, por conta do choro. Seu olhar era assustado.
–Ninguém vai te pegar! Eu tô aqui e vou ficar com você, tá certo? –Segurou a cabeça do menino e o fitou nos olhos, tentando lhe transmitir conforto e segurança. –Foi só uma brincadeira de mau gosto.
–Quem... Fez isso? –Falou o loirinho, entrecortado por soluços.
–Não sei, mas se eu descobrir, garanto que vai me pagar. –Ditou a morena de modo firme.
Mei sentou-se na cama com as costas apoiadas na cabeceira, fazendo Naruto deitar-se em seu colo, numa atitude um tanto nostálgica. Fora assim que acontecera há algum tempo, antes do aniversário do Uzumaki. Do mesmo jeito que antes, Mei estava assumindo rapidamente o lugar de mãe.
–Será que não foi o Neji? –Perguntou o loirinho, com a voz baixa e um tanto manhosa.
–Creio que não. –Respondeu Mei, afagando os cabelos loiros. –Na verdade, ele quem disse que você havia entrado em casa e estava um pouco estranho.
–Hn... –O loiro grunhiu em resposta; não estava muito disposto a falar. E assim ficou por longos minutos. Um desfrutava da companhia do outro e ambos desfrutavam do silêncio, que não era incômodo, mas até um tanto necessário. –Mei? –Chamou o mais novo, cortando o tal do silêncio.
–Sim, querido?
–Você não vai perguntar sobre meu medo de palhaços? –Indagou, fitando a mulher, que estava com uma aparência tranquila.
–Não. –Respondeu simples. –Deve ser algo pessoal e difícil de falar. –Sorriu, fitando os olhos inchados que lhe fitavam de volta de forma infantil. –Mas se quiser falar comigo, estou aqui pra te ouvir.
Naruto suspirou. Mei era uma das pessoas em quem confiava, então lhe contaria sobre isso. Sasuke recomendara tentar contar sobre isso para outras pessoas, pois isso ajudaria. Não queria contar para seu pai, pois tinha vergonha. Também não queria contar para Kiba pelo mesmo motivo. Mas com ela era diferente, ele confiava nela. Por algum motivo lhe transmitia paz e tranquilidade. E de cabeça baixa, ele começou sua narrativa. Tudo de novo, sem deixar passar nenhum detalhe. A diferença é que desta vez não estava doendo como da primeira vez que falara sobre. Não chorava muito, apenas algumas lágrimas escorriam vez ou outra. Sentia-se mais forte.
É exatamente como diz aquele ditado: “O que não mata, te fortalece”.
Mei, na verdade, estava mais abalada que o próprio loirinho. Ela não acreditava no que estava ouvindo, era demais para ela. Simplesmente não conseguia assimilar o que ouvira. Estava com raiva, medo, tristeza, espanto... Tudo misturado, causando-lhe confusão. Então a única coisa coerente que pode fazer no momento, foi chorar. Abraçou o menor e o apertou como se nunca mais fosse soltá-lo. Não queria. Parecia que o loiro era a coisa mais preciosa desse mundo para ela. E quem sabe talvez fosse.
–Naruto... Eu... –A mulher o fitava, mas não sabia exatamente o que dizer. A feição de Naruto não transmitia muita coisa, mas também não era vazia. Apenas calma
–Não precisa dizer nada. –Falou calmo, retirando alguns fios de cabelo da face da morena. –Só me abrace assim de novo, sim? –Pediu, sorrindo. Ela assentiu, impulsionando-se pra frente e agarrando-o nos seus braços.
–Você já tinha contado isso pra alguém? –Indagou a morena, secando as próprias lágrimas.
–Apenas para Sasuke em uma de nossas sessões. –Contou. –Você é a segunda a saber. E, por favor, não conte para o tou-san. –Pediu, sério. –Não ainda, eu tenho vergonha disso. Não quero que ele saiba, por enquanto.
–Vou te respeitar, não se preocupe. Obrigado por confiar em mim. –Sorriu. –Acho que posso confiar em você também. –Concluiu. Endireitou sua postura, ainda um pouco desconfortável. Juntou suas mãos, apertando uma na outra, brincando um pouco com elas. –Acho que posso te contar algo. -Naruto franziu o cenho.
–Pode, claro que pode. –Acocorou-se na cama, ficando de frente pra morena.
–Tudo bem. –Ela puxou ar o mais fundo que conseguiu, soltando-o lentamente. –Acho que cheguei a comentar, mas minha mãe é falecida. Ela tinha uma doença que a matou quando eu estava atingindo a maioridade. –Contou, dando início ao seu relato, ao qual Naruto ouvia atentamente. –Nós nunca fomos bem de vida. Eu sempre fazia uma coisa aqui e ali para ajudar em casa, já que minha mãe não podia fazer muito.
–Como Kiba fazia antes de ser modelo. –Constatou, vendo Mei assentir. –Vocês são bem parecidos.
–Exato, e é por isso que gosto tanto dele. Vejo um pouco de mim nele. –Murmurou. –Enfim, voltando à história... A única coisa que eu tinha era um rosto bonito, apesar de ser bem masculina. Nunca fui vaidosa, digamos assim. Sempre fui bem moleca. –Deu uma curta risada. –Até o dia em que, depois de uma "reforma" em mim mesma, fui “descoberta” por um olheiro. Fui convidada para ir até um estúdio e tirar algumas fotos. Como eu ganharia para isso, eu aceitei. Aquele dinheiro viria em boa hora. –Divagou por algum tempo, aparentando mergulhar em um mar de lembranças. –Havia várias garotas lá, todas lindas. Eu era a garota interiorana, que fazia apenas o que mandavam e servia de chacota para as outras. –Ditou espremendo seus olhos, tentando evitar lágrimas que demonstrassem como aquilo a feriu.
–Esta tudo bem... –Naruto tentou tranquilizá-la. Sabia como abrir-se podia machucar.
–Eu tirei as fotos, ganhei um pequeno cachê que ajudou a pagar o aluguel daquele mês. Eu fiquei tão feliz por poder ajudar minha mãe. Ela sorriu pra mim aquele dia, coisa que não fazia havia muito tempo. –Lembrou-se com um pouco de pesar da sua matriarca. –Alguns dias depois, ela piorou, e isso coincidiu com o telefonema que recebi para voltar à agência, pois queriam falar comigo. O responsável daquele lugar me chamou para ir até seu escritório... –Cerrou os olhos novamente, com força. –Ele me disse um monte de coisas. Que para subir na vida, era necessário que se fizesse alguns sacrifícios e alguns favores aos outros... Do contrário, se a pessoa se negasse, sempre haveria alguém disposto a ajudar...
Naruto também espremeu os olhos. Ele imaginava o que acontecera, e temia que fosse realmente o que se passava na sua mente. Suas próprias memórias passavam como flashes. Bem no fim, ele e Mei também eram parecidos.
–Eu estava em pé no meio da sala dele. –Deu uma pausa longa, até que inspirou profundamente e novamente soltou o ar de maneira lenta. –Ele começou a falar coisas e mais coisas que eu nem fiz questão de prestar atenção, só sei que ele passava a mão em mim, se esfregava e... –Pausou novamente. Ela não fitava mais o loiro nos olhos. Este estava perplexo. –Por fim, acabei praticamente sendo abusada. Perdi minha virgindade com um homem que cheirava a cigarro, bebida e suor. –Riu ironicamente. Tentava disfarçar as lágrimas que começaram a rolar grossas por seu rosto. –Droga! –Gritou ela, subitamente, assustando um pouco o loiro. –Eu não queria! Não queria, eu juro. –Falava com dificuldade por conta do choro afoito que ela não conseguiu mais prender. –Eu não queria, mas eu precisava do dinheiro que o trabalho como modelo podia me render... Fui uma prostituta.
–Não, você não foi... –Naruto disse, o mais tranquilamente que conseguiu. –É natural fazer qualquer coisa pelas pessoas que nós amamos. Você não agiu mal, eu não sou ninguém pra te julgar. –Agora quem abraçava e confortava era o loirinho. –Você fez o que fez pensando apenas no bem da sua mãe. Não pense coisas erradas de si mesma. Você foi uma pessoa forte.
–Ele não usou proteção. –Ela falou seca, cortando Naruto.
–Como é? –Espantou-se. –Quer dizer que...
–Uns dias depois, comecei a passar mal. Enjoos, vômitos... –Enumerou. –Estava grávida, de um filho que nunca cheguei a ter. –Ditou amarga.
–Você abortou?! –Perguntou sem esconder a surpresa. –Mei...
–Eu pensei nisso. –Confessou. –Não teria condições de cuidar de mim mesma, da minha mãe e de mais uma criança. Mas não o fiz, depois de um tempo resolvi ter a criança.
–Mas... –Interrompeu o loiro.
–Calma. –Pediu a mulher. –O fato de eu querer ter esse bebê chegou aos ouvidos daquele cara nojento. Ele não deixou que eu tivesse a criança. Não estava nem com um mês de gestação ainda. –Outra inspirada longa. –Numa noite dessas, quando voltava pra casa, um grupo de mulheres me empurrou para um beco escuro e me espancou. –Expôs com dificuldade. Falar disso lhe doía mais do que a surra que tomara aquela noite. Naruto simplesmente não conseguia assimilar o que ouvia. –Quebrei um braço, algumas costelas e claro, perdi a criança. No dia seguinte, minha mãe faleceu.
O loirinho estava em choque. Ele via Mei como uma mulher forte, poderosa, decidida, madura... Como se ela possuísse uma armadura em torno de seu corpo, que lhe protegia de tudo e ainda lhe dava elegância. Mas ouvir seu relato e ver como a imponente mulher estava em sua frente, destruída por dentro e por fora, como se a tal armadura tivesse sido arrancada do seu corpo pedaço a pedaço, era algo difícil. Sua maquiagem estava borrada, e chegava a manchar os lençóis. Seu olhar era baixo, perdido e assustado. Seu cabelo estava bagunçado pelas incontáveis vezes que passou as mãos por ele para tentar se acalmar... Mei estava em pedaços.
Estavam em silêncio. Não incômodo, mas reconfortante de certo modo. Desta vez, era Naruto que afagava os cabelos da mulher.
–Na mesma semana, eu tentei suicídio. –Confessou de repente, cortando o silêncio e causando um arrepio no loiro. –Não queria mais viver. Estava deformada, pois meu rosto estava totalmente inchado e repleto de machucados. Estava sem minha mãe, minha base, e também havia perdido aquela criança, que não tinha culpa de nada. Cortei meus pulsos. –A morena sentou-se na cama, mostrando as cicatrizes.
–Mei... –O loirinho murmurou, incrédulo, olhando os pulsos frágeis se comparados aos seus. Não sabia o que dizer, então apenas soltou algumas lágrimas. –Eu sinto muito, mesmo. Não quero mais que passe por algo assim. E juro que nunca vou te deixar. –Falou o loirinho, mordendo o lábio inferior.
–É recíproco, Naruto. –Ela sorriu. Destruída e com dificuldade, mas sorriu. –Não te deixarei. Vou ser aquela a quem você vai poder chamar de Kaa-chan. –Ela riu entre as lágrimas, acompanhada do loiro. –Aquela que vai puxar sua orelha quando você sair da linha, bancar a durona quando você arrumar uma namorada... Ou namorado... –Cutucou o loiro. –Serei sua mãe. O que acha?
–Para mim, é uma boa proposta. –Riu. O clima pesado nunca perdurava com a presença de Naruto.
Mas a trégua não durou muito. A porta do quarto foi aberta, lentamente revelando um loiro maior, com aparência séria e também abatida: o rosto um pouco molhado e os olhos brilhantes e inchados. Era como se houvessem lhe arrancado o chão. Ele fitou os dois que estavam sentados na cama, ambos incrédulos. Olhares se cruzaram e na hora Mei e Naruto souberam.
Minato havia ouvido.
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