Notas iniciais
GEMT, reviews lindas (cinco, foda-se). Então cá estou para postar o segundo capítulo :3

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Iero saiu do quarto quando ele voltou a dormir e ficou observando-o relaxar aos poucos enquanto a medicação aplicada pelo intravenoso fazia efeito, mais rápido que o normal.

Ele e Mary Lee ficaram apenas olhando-o através da janela do quarto do estranho de cabelos pretos e ele ouviu-a suspirar. Lançou um olhar para o relógio ali perto e viu que o horário dela havia acabado há duas horas e meia. Anne deveria estar preocupada com o sumiço da esposa.

— Seu horário acabou. Espero que chegue bem em casa e diga oi para as duas por mim, por favor — Frank murmurou e encaminhou-se para a lanchonete, com Mary Lee e Dr. Darlly logo atrás. Pediu um café forte e respirou fundo, fechou os olhos e massageou as têmporas.

— Vai pegá-lo, não? — ouviu Darlly murmurar de repente ao seu lado.

— Hmm.

Mas não era bem uma resposta; era mais um gemido de desconforto. Mary Lee e Darlly se entreolharam e ela suspirou.

— Bom, meu horário realmente deu. Espero que fiquem bem sem minha presença.

No entanto, eles continuaram em silencio enquanto Frank degustava seu café com calma e parecia ter esquecido o que havia acabado de ocorrer.

Pouco tempo depois, ouviram um chamado dos alto-falantes, requisitando a presença de Frank e Darlly no quarto 410, o quarto em que o estranho estava. O moreno o seguia com calma como se estivessem em uma caminhada, enquanto o velho médico seguia a passos largos e apresados. Darlly prezava por seus pacientes (absolutamente todos) e aquele em especial chamava sua atenção.

Quando chegaram ao quarto, ele estava acordado e com as vestes que chegara — uma calça jeans de lavagem escura e uma camisa preta com os botões abertos. Era como estava naquele momento, sentado sobre suas panturrilhas e encarando o vidro estilhaçado à sua frente, as mãos trêmulas e o maxilar trincado. Frank observou aquela cena com uma expressão que parecia ser de indiferença mas, no fundo — apenas ele sabia —, estava animado com aquele caso e era mais do que óbvio que o pegaria, porém deixaria que pensassem que não. Não gostava do assalto dos médicos o bombardeando com perguntas sobre seus casos, além de querer preservar seus pacientes de perguntas evasivas.

— Frank, por favor... — Darlly suplicou para que o psiquiatra o "acolhesse" como seu paciente.

Claro, haviam outros psiquiatras e psicólogos no hospital, no entanto, sempre chamavam Frank em casos daquele tipo.

Ele deu de ombros.

Darlly suspirou e analisou o corpo do paciente três vezes em busca de cortes ou qualquer outra coisa.

Frank mandou com um gesto rápido para que Darlly saísse do quarto. Ficando sozinho com o estranho, tentou conversar com ele:

— Como conseguiu se livrar dos equipamentos?

No entanto, os olhos verdes não se desviavam do espelho quebrado.

— Então é um caso de catoptrofobia, hm?

— Não... — ouviu-o gemer e afagar os pontos em seu antebraço.

— Oras, mas você o quebrou. Como não?

— Não é, oras!

— Gosto de sua voz; é bom ouvi-la — Frank sorriu e escorou-se na parede e revirou os bolsos da calça jeans que trajava.

— Não me importo.

— O quê?

— Que fume aqui. Na verdade, adoraria se o fizesse.

— Catoptrofóbico e fumante... — murmurou meio que para si mesmo enquanto acendia o cigarro que pendia entre seus lábios e foi para a janela, expirando a fumaça e olhou para a rua e o céu negro que se estendia a sua frente. — O que mais, estranho? Tem um nome ou posso lhe chamar de Rex?

— Eu não sei.

— Hmm?

— Não sei meu nome e como vim parar aqui.

Frank encarou-o com descrença, sem entender se era uma brincadeira ou se era verdade.

Ele me olha assim...

Ele quem?

Suspirou e fez como se não tivesse ouvido a pergunta que Frank lhe dirigira.

— E você? Quem é?

— Frank Iero, psiquiatra do hospital e que, por acaso, não estava de plantão quando você apareceu.

— Perdoe-me.

Frank ergueu a mão esquerda e sinalizou para que ele parasse com suas desculpas. Não era necessário.

— Sofre com lapsos de memória? — perguntou.

— Não que eu saiba.

— Qual a última coisa de que se lembra?

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Naquele dia, nada estava dando certo. Sua cabeça estava em outro lugar — em Lindsey — enquanto tentava se puxar de volta ao presente e fazer tudo certo. Estava fracassando em tentar manter-se naquele lugar. Via pessoas de um lado para o outro e não conseguia focar nos modelos a sua frente. Mais uma pausa, ele pediu.

Deixou com que as manequins retocassem a maquiagem enquanto os modelos conversavam sobre qualquer coisa.

E só no que ele pensava era nos papéis de seu divórcio, que saíra naquela manhã. Só faltava a sua assinatura. Perdera a guarda de sua filha — Bandit tinha apenas três anos mas já sentia que sua família não estava bem. Ele mesmo concordou que não seria bom para a menor que ficasse em sua guarda. Ele tinha consciência de que seus ataques de cólera não seriam bons para sua criação. A veria apenas nos finais de semana e só.

De repente a palavra solidão tinha sentido em seu vocabulário mas ele não gostava dela — e ela parecia amá-lo como Lindsey não pôde fazer.

Na verdade, ele sabia que sua esposa fora ótima e ele é que estava errado, como sempre.

Quem aguentaria dividir a vida com uma pessoa que não tem a mente completamente sã?

Ele já sabia que não era da mesma forma que as outras pessoas, as mentalmente sadias. Ele tinha consciência de que sofria de certa perturbação e sua esposa também sabia. E isso foi piorando enquanto ele assistia sua vida quase perfeita e harmoniosa ruir bem diante de seus olhos. Não poderia fazer nada, claro que não. Seria melhor para as duas se elas lhe deixassem, pois conviver com ele era viver com o medo e a incerteza.

Naquele dia, após o ensaio fotográfico que realizara aos apertos e até improvisos, saíra mais cedo e sem dizer para onde iria. Ao chegar em seu apartamento recém adquirido, viu que a maioria de suas coisas ainda estavam em caixas, apenas uma ou outra coisa fora retirada e posta em seu lugar, e uma das poucas coisas eram os espelhos, os quais Lindsey tanto amava — ela tinha uma obsessão até doentia por espelhos. Ele gostava de ter coisas que a lembrassem. Era masoquismo de sua parte, porém era algo idiota e ele continuava ignorando. Achava que sua saúde mental não poderia piorar. E piorou.

Era como se duas pessoas ocupassem sua mente e de repente uma dessas pessoas tomou forma, seu semelhante em aparência. Somente ele sabia que era apenas aí que as semelhanças acabavam e então começavam a se separar — ou nem tanto. Aquele semelhante recém chegado lhe impulsionava a cometer os mais hediondos atos de maldade contra si mesmo. Fraco e sem saber como reagir, ele deixava que o outro — o ele a quem tanto se referia — se aproveitasse de sua mente em frangalhos. E ele sucumbia.

Lembrava-se de tudo no começo, mas então vieram os lapsos de memória e a sensação de adormecer e acordar em outro lugar que por vezes não conhecia; consequência dos atos abusivos daquele ser semelhante que lhe instruía fazer o mal com ele próprio.

Naquela noite, ele o vira novamente. Rosnava como um animal ensandecido e com uma raiva colérica que parecia ter sede de morte, os olhos impiedosos que mandavam fazer coisas estranhas e mortíferas. E ele fazia. E ele gostava. E ele queria mais. E o ser semelhante dava o que ele queria.

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— Então no começo você tinha consciência de que o que fazia era errado?

— Eu era consciente de tudo naquela época! Eu era... Lúcido, vivia minha vida e não o contrário. Agora ele vive a minha e não consigo dizer não a ele.

— Lembra-se do que fez para chegar aqui nesta noite?

— Toda noite eu tento calá-lo, fazer com que a dor suma. É engraçado... Não sinto a dor em meu físico, mas minha mente sim. Faço isso não porque gosto, porque é hábito; faço para que a dor em minha psique se apazigue.

— E consegue?

Ele me trouxe aqui. Ele faz tudo que eu abomino. Ele é o louco!

— Calma — Frank disse com a voz serena e livrou-se do filtro do cigarro que até então quase lhe distraia (sua mente não se distraia de um paciente, não importava o que ele fizesse). — Sabe o nome... Dele?

— Como saber se eu não o chamo?

— Então não é um amigo imaginário — ele sorriu e pegou uma caixinha que havia deixado sobre a mesa ao lado da cama do estranho. De lá tirou três comprimidos: um calmante e dois antidepressivos.

Ele não precisava daquilo. Tomava por hábito e porque daquela forma conseguia manter-se bem para ajudar quem não estava. Frank Iero já fora tão perturbado quanto aquele homem parecia ser. Recuperou-se para continuar seguindo com seus pacientes e com o hospital, mas somente um bom tempo de licença médica. Aquele era seu vício e fora substituído pelo vício em cocaína que o mantivera ainda mais paranóico. Ao menos suas drogas eram para evitar recaídas, não que ele precisasse. Poderia largá-las o momento que desejasse — mas não queria correr riscos, para seu bem e para o bem de seus pacientes. Eles eram tudo que Frank tinha para preencher seu vazio e perder seu emprego significava seu suicídio instantâneo.

— Não é imaginário — ele rebateu mas sua voz parecia derrotada e ainda havia um toque de duvida. O que ele realmente quisera dizer é que seria imaginário?.

— Os adultos podem ter algum sem parecerem idiotas.

— Não acho que seja meu caso.

— Nem eu — Frank respirou fundo e engoliu os três comprimidos a seco, voltando seu olhar para o moreno de olhos verdes. — Nem eu...

Notas finais
Desculpem os erros, não tive muito tempo para corrigir. Avisem-me na review. E vejam como eu sou boazinha: só ia postar a continuação no dia 21 u-u
~risos~
Kissus. Way.