Notas iniciais
Ai, gemt limda. Cinco reviews em cada capítulo. Tá lindo isso, NÃO ME ABANDONEM!
Sou insegura, oi.
E mais uma coisa: vou tentar manter a frequência de cinco dias. Ou seja, se eu seguir o plano, vai ter atualização no dia 29. Ou uma postagem de sete dias, mas do dia 3 não passa!
Enfim, é isso ~risos~
O tanoshimi. Enjoy ♥

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Anoite passou rapidamente. Ele pouco falava e Frank não o pressionou a fazê-lo — nem poderia. Quando adormeceu novamente — pelos calmantes, já que estava se alterando mais uma vez —, Darlly estava ansioso para saber um pouco mais sobre o seu novo paciente.

— Qual o seu prognóstico?

— Além da visível catoptrofobia? Acho que ele sofre de distúrbio de personalidade, pois isso explica os lapsos de memória. Mas vou arriscar uma esquizofrenia em passo de ser aguda — murmurou e pediu mais um café na lanchonete do hospital. Forte.

— Como consegue falar deste jeito?

— Ainda não se acostumou com isso?

Darlly sacudiu a cabeça em descrença e suspirou. O médico era Frank e todos confiavam a vida nele — inclusive Darlly confiava a sua.

— Tem uma caneta? — ouviu o murmúrio do jovem lhe chamar a atenção novamente, enquanto este tamborilava os dedos sobre um guardanapo branco sobre a mesa.

Darlly estendeu uma caneta azul e observou-o rabiscar algumas coisas que lhe pareciam estranhas demais.

— Este é o esquema — disse com a voz praticamente morta e estendeu o guardanapo desenhado para o médico mais velho.

No papel branco, ele havia rabiscado um esquema simples com letras corriqueiras em sua caligrafia particular e traçado flechas, como se fosse um gráfico de cadeia alimentar que se aprende na escola. No topo, ele escrevera Rex e, logo abaixo, traçara os estágios de uma possível esquizofrenia grave até que se chegasse ao delírio completo. De forma bem resumida, ele conseguira expressar seu diagnóstico.

— Está certo disso, Frank? — Darlly perguntou evasivo.

— Claro que não! — riu baixo e estalou os dedos duas vezes. — Vou precisar de mais do que uma noite para dizer o que ele tem. E ele tem de dizer, naturalmente — quando a atendente da lanchonete se aproximou, ele entregou o restante do café a ela.

Era uma de suas particularidades nunca beber o café do lugar por inteiro. Era como um TOC — ele não via daquela forma, claro —; um dos vários que adquira com o tempo e conforme foi deixando de ser dependente químico.

— O que podemos fazer agora?

— Dopá-lo de três em três minutos não vai adiantar nada. Vou arriscar com um placebo porque isso pode ser só viagem da sua cabeça. Muitos homens reagem mal ao término do casamento. Se isso não resolver, então vamos começar com medicamentos mais pesados.

— Vamos mantê-lo aqui?

— Deus, claro que não! — exasperou-se. — Se fosse eu, estaria cortando os pulsos neste segundo de tanto tédio! Isto é... Se não estivesse dopado.

— Então... O quê?

— Uma hora ele vai se lembrar de tudo, ou pelo menos do essencial. Então o deixe comigo.

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Já amanhecera e Frank estava irritando. Estava saindo mais uma vez para comprar um maço de cigarros e aquilo era horrível, mas era um modo de fugir do que lhe dava receio. Não sabia como conseguia “curar” as pessoas se ele mesmo não era são.

A pelo menos dez quadras do hospital, encontrou um bar que parecia razoavelmente bom. Uma de suas manias era avaliar o lugar antes de entrar. A maioria das pessoas o faz, mas medem por higiene. Ele media por quantidade de pessoas. Antes de descer do carro, engoliu mais dois comprimidos, mas desta vez de Alprazolam [1]. Respirou fundo e desceu, caminhando poucos passos até dentro do bar. Realmente não haviam muitas pessoas mas mesmo assim se sentia de certa forma desconfortável.

Pediu o maço e uma dose de whisky, virando-o em um gole só. Pouco lhe importava seus remédios e a mistura caótica que poderia se resultar ao juntar remédios psiquiátricos.

Em segurança novamente em seu carro, logo colocou um cigarro na boca e o acendeu, aspirando profundamente e soltando a fumaça, pouco ligando se o carro estava fechado ou não.

Era irônico, agora. Finalmente surgira um paciente que era deveras curioso e ele talvez conseguisse ser pior do que ele em níveis de loucura.

Riu para si mesmo e olhou o horário no painel. Faltava pouco para dar sete horas da manhã e não sentia-se cansado, curiosamente. Talvez seu corpo já houvesse se acostumado com a constante invasão de calmantes e relaxantes, até mesmo soníferos e já não sentia mais tanto sono quanto nas primeiras vezes. Só não sabia se era uma coisa boa ou não. Ficava no meio termo.

Ouviu o celular tocar quando estava no fim daquele cigarro e identificou o número de Mary Lee.

— Hmm.

— Bom dia. Como estamos?

— Fugindo para fumar. E você?

— Queria saber de nosso homem.

— Pois então.

— Não se faça de desentendido! Como ele está?

— Hmm? Já está pulando a cerca? Deixe só Anne descobrir... — brincou com um riso sem vida na voz.

— Deixe de enrolação.

— Catoptrofobia e possível esquizofrenia, mas isso todo mundo já deve saber.

— Hm, desculpe se eu não podia ficar depois do horário.

— Por nada... E obrigado por me fazer trabalhar no meu dia de folga.

— Vai falar que você não gostou.

— Talvez...

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Quando Frank voltara, cruzou com Mary Lee chegando. Dentre banalidades, foram para o 410 ver como ele estava e se já recuperara a memória vital. Pelo menos o nome, não pediam mais nada.

Encontraram-no acordado e parecia mais desperto — até mais consciente.

— Bom dia — Mary Lee sorriu discretamente e parou ao lado de Frank.

Ele nada disse mas fez um breve meneio com a cabeça, esboçando um sorriso estranho.

Ele lhe perturbou noite passada...? — Frank começou.

— Gerard.

— Hmm?

— Posso ir agora?

De fato, mudara por completo, Frank pensou.

— Então já recuperou sua memória?

— Nunca a perdi.

— Interessante — Frank sorriu, mas daquela vez era real. Ele quase nunca sorria com veracidade.

— O quê?

— É possível que sofra de transtorno dissociativo de identidade. E você me venceu.

Mary Lee e Gerard encararam o moreno sem entender aonde queria chegar.

— O quê? Não posso pegar um paciente que seja mais razoável que eu. Não daria certo. Tenho que tratar problema com problema. É assim que funciono.

— Já nos falamos antes?

— Ou apenas um surto de memória, o que é bem comum. No seu caso, acho que o transtorno de identidade não encaixaria tão bem uma vez que tenha referido-o tanto.

— Eu o comentei?

— Era só isso o que eu queria ouvir noite passada.

— Vou deixá-los conversando — Mary Lee sorriu e deixou-os a sós. Ela pouco entendia sobre aqueles assuntos e não queria atrapalhar.

— Tem certeza de que se sente bem?

— Ao menos por enquanto — sorriu sem motivo algum e Frank não entendeu aquele sorriso estranho.

— Hm?

— Nesta noite acontecerá a mesma coisa. Como foi na noite passada e na anterior. Como vem sendo desde sempre.

— Mora sozinho?

— Sim.

— Não mais.

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Frank prescrevera os medicamentos necessários — alguns placebos que lembrava de cabeça — e disse que mais tarde os levaria. Passaria as noites com o moreno e o vigiaria. Tinha esperança de que fosse apenas um surto em reação ao fim do casamento, como costumava ser com a maioria da população recém-divorciada.

Naquela noite, eles não se falaram muito. Gerard apenas respondia o que o médico queria saber e só, nada de conversas banais ou algo do gênero.

— Deixe-o longe de mim — dado momento ele murmurou enquanto encarava o cinzeiro sujo.

— Hm?

— Não deixe com que ele domine. Por favor, não faça com que ele me possua.

— Seus remédios não deixarão com que ele se aproxime — respondeu com um tom neutro.

— Vão, eu sei que vão.

— Como pode ter tanta certeza?

— São placebos, oras! Achou mesmo que conseguiria me enganar, que seria apenas uma invenção minha? Quisera eu que fosse apenas invenção!

— Como... como descobriu tão cedo?

— Porque já experimentei antes! No começo falaram que era apenas uma mentira, algo que passaria.

— Oh, droga...

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— Fraco e precisa de mim. Vamos, me ouça... Sei o que quer e posso cuidar melhor de você do que cuida de si mesmo... Basta pegar minha mão e deixar que eu lhe conduza. Confie em mim...

Ele fincou as unhas nos ombros e lanhou a área, subindo para o pescoço e enterrando-as na área. Abriu os olhos e ouviu um rosnado, seguido por um riso que conhecia tão bem.

Prendeu a respiração e relaxou os dedos, deixando com que os braços caíssem ao seu lado. Não queria se render, não de novo... Mas era preciso, sentia que era, sabia que era.

Olhou ao redor e sentiu a vista escurecer por meros segundos, vendo uma sombra se mover para dentro do banheiro, ainda com o vidro estilhaçado no chão. Não tivera o trabalho de limpá-lo quando chegara e nem tão cedo o faria.

Venha... faça-me feliz novamente... Só mais uma...

Gemeu baixo e deixou com que sua mente fosse atraída pela voz que lhe sussurrava coisas tão belas.

Notas finais
[1] = nome genérico de comprimidos para ansiedade, conhecido como Altrox, Apraz, Frontal ou Traquinal no Brasil.
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"Rex", Frank? REX?! ~morre~
Anyway... Esse foi um dos primeiros remédios que me apareceu na cabeça e desculpa se o significado tá errado. Sei que é assim e fim.
Vai ter mais, calma ~risos~
Desculpem os erros também, okay? Avisem-me na review.
E não, não sei ainda quantos capítulos ao certo serão. Acho que vou fazer a mesma média de Beyond The Mirror. Para (in)felicidade de vocês.
Kissus. Way.