Notas iniciais
Viu viu viu viu? Eu disse (disse) que ia atualizar no dia 29. Até parece que eu sou de largar fic por aí e ~leva tapão~
Sevens tá a coisa mais difícil de se fazer mas estou tentando (juro). E a quem acompanha Letters: o capítulo tá pronto à séculos, não é enrolação. Só estou esperando a boa vontade do scanner pra pegar a foto do final do capítulo (sim, o último capítulo terá duas fotos; me processe).
Anyway, já dei vários avisos numa fic que tem nada a ver cos assunto. Vamo coisa esse capítulo dessa fic e ser direta.
Okay.
(?)
O tanoshimi. Enjoy ♥

\"\"

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Deixou o foco recair sobre o piso vermelho de seu sangue seco, observando novamente o pedaço de vidro que usara como escape na noite anterior. Sorriu com certa ponta de alegria ao revirar o pedaço de vidro mas logo seu sorriso morreu quando o espelho refletiu seus olhos. Jogou aquele caco longe, fechando os olhos e se afastando dele.

Jogou a cabeça para trás fazendo com que ela batesse na parede. E mais duas vezes, cada vez mais forte. Queria calá-lo, queria deixá-lo longe de sua mente, longe de sua vida e queria ficar em paz com o que era verdade, com o que ele sabia que era real. Entretanto, pouco ele sabia sobre a realidade; apenas conhecia aquelas loucuras e insanidades, nunca um mundo externo.

Você é doente e sabe disso!

Por que aquela voz não se calava?! Por que simplesmente não o deixava em paz?

Infelizmente, notou que não era uma voz qualquer, mas tratava-se de uma lembrança de uma das brigas que tivera com Lindsey, só não conseguia se lembrar do motivo certo.

E não faz nada para que isso mude! Por quê? Por que gosta tanto de me ferir?!

Seu corpo tremia e sentia raiva de si mesmo. Perguntava-se incessantemente porque não ouvira o que ela dissera? Se tivesse feito, ainda a teria, ainda seria feliz com ela e com a filha. Por que deveria ser daquela forma?

Agarrou a navalha que estava ao seu alcance e deixou que ela calasse sua mente, calasse suas indagações e lhe deixasse bem.

Olhou para o lado e não gostou do que viu. Seu reflexo brincava com aquela mesma navalha, olhando-a atentamente e deixando com que o brilho lhe conferisse um ar mais mortal.

Fechou os olhos e mordeu o lábio inferior com força, fincando a lâmina mortal em sua cintura, fazendo com que ela corresse livremente na área, sendo banhado pelo próprio sangue, como estava acostumado; como já era de praxe.

Do lado de fora, na sala, Frank ouviu uma movimentação agressiva vinda do quarto. Não hesitou em ir até lá e ver o que acontecia. Deparou-se com o quarto vazio e a tudo parecia em ordem. Estava prestes a sair quando ouviu uma espécie de grunhido vindo do banheiro. A porta não estava trancada e, quando entrou, encontrou-o com o rosto manchado de vermelho, assim como as mãos e a cintura. Viu o chão manchar com as novas gotas de sangue e o cheiro era inebriante; aquele odor característico de sangue que era reconhecível tão facilmente — ao menos para ele.

Viu que os orbes verdes não desgrudavam de seus dedos ensanguentados, bem a sua frente. Haviam manchas na parede e não soube dizer se ele a tocou ou por algum outro motivo.

— Vamos, venha — disse com calma e tocou-lhe o ombro, ajoelhado ao seu lado.

— Não! — disse e afastou a mão amiga com um golpe ríspido, a voz cortante e a navalha em seu punho fechado, deixando com que o sangue pingasse por entre os dedos. — Você não o impediu! Por quê?! Disse que o faria!

Suas lágrimas rolavam pelo rosto manchado de sangue e se misturavam às gotas rubras que provinham do corte em seu lábio inferior, um rasgo e tanto.

— Desculpe, isso não vai mais acontecer. Mas temos que cuidar disso.

— Não — rosnou mais uma vez.

— Ora, chega!

Ficaram se encarando enquanto Frank ouvia vez ou outra os gemidos de dor do moreno a sua frente. Ficou apenas esperando que ele recobrasse a consciência e torceu para que aquilo não demorasse a acontecer.

Ele fechou os olhos e tornou a morder o lábio, provocando ainda mais o sangramento. Deixou o corpo cair para frente e Frank o pegou, abraçando-o pelos ombros e deixando com que chorasse. Naquele momento, invejou-o por conseguir chorar daquela forma até... Humana, coisa que ele nunca conseguira fazer. Não por ser homem, mas por represar todos seus sentimentos. Sabia que não era bom mas... Não havia porque chorar. Já esquecera-se de tudo que um dia lhe fora importante, inclusive o que um dia já o machucou.

— Está melhor? — sussurrou enquanto afastava uma mecha dos fios pretos do sangue em sua bochecha.

Ele respirou fundo e assentiu.

Frank tocou sua mão na esperança de fazê-lo soltar a navalha. Seus dedos obedeceram ao comando e o aperto já não mais existia, fazendo com que a lâmina caísse no chão.

— Obrigado... — ouviu-o sussurrar.

— Hm?

— Obrigado por ficar comigo... por calá-lo e me fazer parar...

— Claro, claro... É por isso que estou aqui.

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Pela segunda vez ele estava no hospital. Frank não havia percebido que o corte em sua cintura era tão grave. Naquele momento ele repousava olhando pela janela a noite que transcorria agitada do lado de fora do hospital.

Pensamentos fugazes lhe rondavam e logo desapareciam, nenhum diferente do que acontecera naquela noite, nas sensações que tivera e o que aquele final estranho lhe representara. Com Frank ali, ele fora embora. Talvez fosse uma resposta; talvez ele não gostasse de outra pessoa, que queria possuir a mente de Gerard em paz, como sempre fizera.

Então a resposta era... Manter-se sempre perto de alguém, pouco lhe importava quem? Não poderia ficar sozinho?

— No que está pensando? — Frank murmurou de repente ao seu lado.

— Que você me salvou.

— Besteira.

Ele se foi quando você apareceu.

Ele pode ter medo da minha presença... — murmurou a primeira coisa que lhe veio à mente e logo se arrependeu do que falara, corrigindo-se em sequência: — Desta vez os medicamentos são reais — e entregou a Gerard uma lista com medicamentos que ele conhecia bem o nome: Rivotril [1], Zyprexa [2], Leponex [3], Tegreto [4] e Anafranil [5]. — E desta vez não são placebos.

— Vai me deixar...?

— Depois disso tudo? Hm, óbvio que não. Monitoração constante e é melhor se acostumar.

— Não estou reclamando...

Naquela noite, diferentemente da primeira, ele não se calou. Falava tudo que lhe via em mente, poderiam ser idiotices ou não; ele apenas dizia. Porque Frank ordenara. Frank queria ouvir o que ele tinha a dizer, por mais que fosse banal e sem significado, o que não era verdade: era daquela forma que ele queria avaliá-lo, já que pelos métodos convencionais não conseguia. Era possível que ele já tenha feito tanta terapia daquele tipo que simplesmente cansara de falar e não chegar a lugar algum, então calou-se. Não era uma boa coisa, se olhar de um todo, mas Iero admirava aquele silêncio. Por vezes ele era muito necessário, era o que achava.

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— Livre-se dos espelhos que lhe incomodam.

— Não posso fazer isso...

— Pode. Pelo que me parece, quem você ouve não é uma imaginação, mas uma lembrança de Lindsey e você deixa com que isso aconteça acumulando coisas que ela gosta. Livre-se de tudo que seja relacionado a ela. Vocês terminaram, tem de seguir em frente.

O que ele dizia fazia muito sentido mas lhe machucava pensar em se livrar de tudo que se ligava a ela. Era sua única ligação com a mulher que ainda amava.

— Se você não o fizer, faço eu — Frank disse com a pose séria, tendo os braços cruzados e uma expressão severa no rosto.

— Estou cansado.

— Imagino que sim. Darlly não parou de lhe dar calmantes um só segundo e... — mas então percebeu o que ele realmente queria dizer com aquilo.— Oh.

Gerard se apoiou na parede e cruzou os braços, fincando as unhas no local e desviou o olhar.

— Você tem o péssimo hábito compulsivo por destruir-se, mesmo inconscientemente — Frank chegou mais perto e tocou suas mãos, trazendo-o de volta à realidade e atraindo seu olhar. Naqueles orbes de cor indecisa entre verde e castanho pôde ver com clareza até alarmante: viu algo ali dentro que lhe deu medo, talvez um sentimento tão forte que lhe assustou. Não sabia dizer ao certo o que era aquilo, o que aquela coisa estranha significava. — Desculpe.

E então afastou-se dele, sentindo algo em seu coração. Não, não era em seu coração. Era algo mais íntimo e complexo que aquilo. Era talvez em sua parte emocional e irracional, que ele achava não ter mais.

— Faço isso não porque ele pede.

— Então por qual outro motivo o faria? — perguntou-lhe já um pouco afastado, sem olhá-lo. Tinha medo de ver aquilo novamente. Não sabia o que era mas não gostara do que vira.

— Porque desta forma consigo me afastar de tudo, me distrair do mundo que me cerca e fico feliz.

— Quando praticou o cutting pela primeira vez?

— Há muito tempo. Sempre tive complexo com tudo, ele sempre esteve ao meu lado. Tentei parar, juro que tentei. Mas sou fraco, ele sempre diz isso e tentei contradizer. É verdade! Sou fraco e não consigo me controlar.

— Se continuar pensando desta forma, vai acabar conseguindo se convencer ainda mais de que é verdade.

— Sei que é! Estou completamente ciente de que sou fraco e que não sei lutar contra isto, que deixo com que isso tudo me domine e faça o que quiser comigo!

Aos poucos foi cravando ainda mais as unhas na área e Frank respirou fundo.

— Está se descontrolando. Respire fundo.

Mas ele não ouviu e ignorou o que o outro havia dito. Havia algo dentro de si que estava em conflito e ele não conseguia tomar um partido, escolher que lado deveria ganhar. Estava cansado de tudo aquilo, queria apenas dar um jeito de livrar-se de toda aquela confusão e próprias contradições em que se colocava. Queria dar um basta, um basta definitivo.

Fechou os olhos e estreitou o aperto, deixando com que seu corpo caísse no chão da sala, os pensamentos confusos e lhe sufocando, os sentimentos lhe encarando e ele não sabia para onde fugir.

— Estou aqui com você, não vá para tão longe. Ouça minha voz, por favor — Frank ajoelhou-se na frente dele e tentou tomar suas mãos novamente, em vão. Manteve toda sua atenção nas unhas dele fincadas em seus braços e ao mesmo tempo em que tentava pensar. Não conseguia se lembrar de alguma vez que já interferira em alguma crise como aquela. Não sabia como agir. — Hey... estou aqui. Você não está sozinho com ele. Sabe o que acontece, você lembra... E é mais forte que ele, consegue resistir aos impulsos. Não deixe com que ele lhe tome. Fique comigo, por favor.

— Não! Não... não me deixe! — Gerard lançou os braços ao redor dos ombros de Frank, abraçando o menor com força, deixando-o aturdido. Não estava acostumado com contato físico mas, naquele momento, ele gostou daquele ato abrupto e inesperado. — Não me deixe, por favor... por favor...

Ante aquela suplica, ele não conseguira pensar em outra reação senão retribuir aquele abraço e atender seu pedido.

— Está me ouvindo...? — sussurrou assustado. Não entendia porque estava assustado, porque estava tão nervoso e apreensivo, só sabia que não gostava daquilo.

O mais velho assentiu quase imperceptivelmente.

— Ótimo, então me escute: ele não é mais forte que você e sei que vai vencê-lo. Nunca o fez porque tem medo dele, tem medo que ele o domine, sei que tem. E isso é normal, mas não acha que já passou tempo demais fugindo com medo? Não acha que chegou o momento de revidar e ir para cima? Ele não irá embora a menos que você o mande. Você manda nele, e não o contrário.

— Sozinho eu não consigo... Ele é mais forte.

— Não, você passou tempo demais acreditando nisso que nem sequer tentou mudar o fato, acontece que agora chegou a hora: vai mudá-lo e agora. Vai ver que a força é sua, não dele. Ele apenas a usa para assustá-lo. Não cansa de sentir medo.

— Estou cansado de tudo... — disse com a voz arrastada e dolorosa.

Aquele timbre soou errado e parecia terrivelmente triste. Não estava certo.

— Vou ajudá-lo, ficarei com você o tempo todo, mas a luta é sua. Não posso lutar por você.

— Vou tentar... Quero tentar... E se sei que vou fracassar?

— Mas você ainda nem cogitou um plano.

— Sei que vou fracassar. Vou tentar mas sei que não vai adiantar.

— Não diga isso.

— É a verdade.

Notas finais
[1] Rivotril: remédio utilizado para combater ansiedade, conhecido como Clonazepam.
[2] Zyprexa: remédio usado para tratamento de esquizofrenia e também psicopatia, conhecido como Olanzapina.
[3] Leponex: idem ao item 2, mas o nome genérico deste é Clozapina.
[4] Tegreto: utilizado para tratamento de bipolaridade, conhecido como Carbamazepina.
[5] Anafranil: usado para combater depressão nervosa, mais conhecido como Clomipramina.
Todos os nomes são os mais conhecidos genericamente no Brasil, mas há outros nomes.
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Vários remédio pro louco limdo que todas qué. Anyway, se houver alguma definição errada, me avisem. De novo, é o que eu sei sobre estes medicamentos. E, felizmente, são tarja preta então ninguém vai tomá-los só porque leu numa fic de uma autora meio doente. NÉ? ME PROMETAM SENÃO EU FICO COM PESO NA CONSCIÊNCIA!
~cof cof~
Desculpem os erros também. Avisem-me na review.
E o capítulo cinco tá foda! Vou parar cos spoiler... -v-
Kissus. Way.