Notas iniciais
Gente, reclamar deu certo o-o
Anyway, postei atrasadona e... bom, atrasada. Teria postagem só na segunda-feira mas fiquei com dó.
Curtam esse final de semana com este capítulo para quem sentiu falta do Fronks no capítulo anterior enquanto eu curto no COKU aqui.
Duvido que tenha alguém acordado à essa hora (00:15 do dia 17). Só eu ~risos~
O tanoshimi. Enjoy ♥

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— E por que era seu sonho? — Frank sussurrou após ouvir a história de tanto tempo atrás.

Aquele caso era o pior de sua vida. Mas também o melhor. Estava relembrando que era humano e experimentando sensações que não se lembrava de possuir. Esquecera-se de que um dia já fora como o homem ao seu lado: perturbado e com a mente frágil, facilmente manipulável. Não, não por completo.

Por que tudo aquilo de repente?

— Porque ele me protegeu de todos os perigos que o mundo pudesse me oferecer. Limpou o pouco que pôde e eu queria continuar o que ele deixou. Cresci determinado a isto até que... Até que perdi a cabeça.

O menor suspirou e fechou os olhos, deixando com que a cabeça pendesse para trás, tocando a parede em que estava com as costas apoiadas. Deixou com que seus braços caíssem no chão e pouco tempo depois tornou a abrir os olhos, virando ligeiramente o pescoço para o lado esquerdo, focalizando nos olhos verdes que encaravam a parede diante dele.

— E o que quis dizer quando disse que não queria fazer nada com ele?

Ele pode ser tudo de ruim que me consome mas também é a única coisa que tenho para me reconfortar. Já não sei mais de nada, só digo que continuo sentindo falta dele. Foi injusto me deixar sozinho quando prometeu que ficaria sempre comigo.

Fechou os olhos e balançou a cabeça como um sinal de descrença ou tentando afastar alguma memória.

Frank já não sabia mais o que fazer para mantê-lo vivo, mantê-lo longe dele. Tudo aquilo estava lhe exigindo muito mais força do que imaginara e não sabia se teria condições para continuar a cuidar dele. Não conseguia se lembrar se prometera algo a ele ou não. Percebia o quão frágil ele era e o quão dependente de seu passado conseguia ser. Também não sabia se aquilo era uma coisa boa ou não. A maioria das pessoas simplesmente enterra o que um dia foi e decidem viver uma nova vida. Nunca é bom esquecer o passado, o que um dia foi e como se tornou o que era atualmente. Mas e ele? Aquilo deveria ser mal, estava tão preso à suas raízes de loucura que não conseguia se manter são no presente.

— Sabe, isso tudo é culpa sua — murmurou e retomou a pose de tantos anos. Aquela coisa toda de ser humano não funcionava com Frank.

Eram seus fantasmas interiores e morreria sem enfrentá-los. Isso tudo era idiotice. Estava curado, oras.

Estaria se contradizendo...?

— Hm?

Pegou um cigarro e o acendeu, inalando profundamente e exaurindo, observando com atenção a fumaça: — Isso é culpa sua. Está preso a algo que não lhe faz bem e sabe disso. Não o culpe, ele é apenas coisa da sua cabeça.

— Acha que não sei disso?

— É o que parece — deu de ombros e tragou mais uma vez.

Ficaram naquele silêncio por um bom tempo até que Frank lançou o olhar para uma caixa pequena. Sua caixinha de medicamentos.

Lançou a mão até ela e a abriu, sorrindo com o que vira: dois comprimidos de Fluoxetina — os dois últimos — e cinco comprimidos de Clorpromazina. Pegou os dois últimos comprimidos e apenas um de Clorpromazina, engolindo-as a seco e respirando fundo. Deu uma nova tragada e então sentiu o olhar pesado do outro lhe encarando.

— O que é?

— Conte-me por que faz isso?

— Por que deveria? — respondeu mal-humorado.

— Oras, moramos juntos e você sabe de cada segredo meu. Não acha que está na hora de retribuir?

— Não, não acho. O meu passado não diz respeito a você e assim ficamos. Além do quê, sou seu psiquiatra e é meu dever saber tudo sobre você.

— Mostre-me as regras de que é assim.

— Dá um tempo! — franziu o cenho e jogou o filtro no cinzeiro na mesa de centro, logo a sua frente.

— Quando quiser falar, eu sei escutar.

— Okay, vou me lembrar disso — disse com ironia.

Voltara a ser o mesmo de antes. Quando começara a ter um pouco de humanidade? Fora a pior coisa do mundo. Parecia nem ser ele mesmo.

— Já está tarde e estou acabado — murmurou depois de um longo momento de silêncio.

— Se diz...

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Era um dia em que o sol não aparecia e aquilo de verdade não importava. Não poderia ser diferente, em um funeral. Seria estranho se o sol brilhasse em um céu de brigadeiro. Aquilo não o agradou.

Ouvia as palavras do padre e não as absorvia. Parecia o barulho do vento: praticamente imperceptível e facilmente ignorável. Seus olhos mantinham-se presos na coroa de flores sobre a tampa do caixão fechado. Ouvia todos ao seu redor chorando e viu a senhora em silêncio, sofrendo consigo mesma pela perda do filho tão jovem. Não olhara uma única vez para Frank e ele não sabia se ela tinha ódio dele ou algo do tipo. Não a culpou; não poderia ser diferente, afinal, ele matara seu filho.

Estalou a língua contra os dentes impaciente e olhou para o céu furiosamente. Viu algo que parecia ser uma única nuvem negra e observou a fúria da chuva, os pingos grosseiros e pesados. Parecia que tudo estava contra Frank desde que o outro morrera.

Fora sua culpa, okay; não precisava que lhe lembrassem aquilo a cada três minutos. Sua mente já o fazia a cada segundo.

Não sabia se sentia culpa ou não, se estava incomodado com aquilo ou se aquilo lhe afetava. Ou não. Não sabia mais de nada e não fazia questão de saber.

Estava bem do jeito que estava.

Virou-se de costas e estava pronto para sair daquele lugar. Já não aguentava mais aquela atmosfera. Foi então que ouviu alguém gritar com ele:

— Não aguenta encarar o que fez? Vai fugir novamente? Claro, é só o que sabe fazer! Sei que não suporta ficar aqui e encarar toda a dor que causou! É até melhor que vá!

Não precisava virar-se para trás para saber de quem era a voz. E, sinceramente, gostaria de não ouvi-la nunca mais.

Nunca foi uma pessoa calma, aquilo não era novidade. O que era novidade é que ninguém sabia o quanto Frank Iero podia ser tão rude e violento. Aquela faceta não parecia natural a ele, só mesmo ele sabia o quanto aquilo era surpreendentemente normal.

— A senhora mesmo disse que eu nunca o amei. Então o que estou fazendo aqui? — virou-se para ela e viu que todos o encaravam. Só então percebeu o quanto seu tom de voz fora hostil. Não se importou com isso, no entanto.

— Então vá! Só eu sei o quanto você está adorando tudo isso, ver-se livre dele! Mas precisava tê-lo matado?

Respirou profundamente três vezes e tentou contar até cem. Não queria provocar outra confusão e sabia que era bem capaz de fazê-lo.

— Passar bem — disse com os dentes trincados e os punhos cerrados tremendo ao lado do corpo tenro.

Voltou a traçar o caminho escuro e molhado para fora do cemitério e em seus pensamentos só conseguia amaldiçoá-lo.

Quando chegou ao seu carro, no entanto, simplesmente desabou. Toda aquela pose que tivera até segundos atrás fora arruinada. Só conseguia sentir raiva de si mesmo e queria descontar em alguma coisa. Suas explosões vinham se tornando assustadoramente constantes e ele sabia mas nada fazia. Fora com uma dessas que ele o matara.

Ou não fora?

Não, não fora. Fora porque ele não conseguia suportar o fato de que o namorado tinha de se manter fora de si para ajudar a quem também estava fora de sua própria mente. Ele não entendia que tinha de se manter alto para não acabar perdendo a cabeça também? Por que era tão difícil que ele entendesse aquilo?

— É tudo culpa sua, não a jogue para mim! — gritou na esperança de que ele lhe escutasse, pouco ligando se aquilo realmente aconteceria ou não. Tinha de extravasar naquele momento e gritar foi sua única saída.

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Uma semana depois ele recebera uma dispensa do ofício. O hospital estava o forçando a tirar férias?

Enfurecido, encaminhou-se até seu superior e este já sabia que aquela reação aconteceria. Todos sabiam que ele era muito extremista e que nunca ficaria satisfeito com nada. O único momento em que sorria era porque mandaria alguém para o inferno — ou algo drasticamente pior, mas igualmente delicioso a ele.

— Que porra é essa?! — gritou e desceu o punho contra a mesa do outro, indicando para o papel que recebera.

— Você está muito estressado. Seu vício está acabando com você — disse com a voz estável e calma.

— Que vício?!

— Ah, agora vai me dizer que não gosta da sensação da cocaína?

— E o que isso diz respeito a você?

— Sou seu chefe e sei que isso não é bom para os pacientes.

— Estou cuidando deles, não estou? Então que droga isso tudo tem a ver?

— Você não está cuidando deles. Está cuidando para que não perca a linha.

— Sabe que não pego qualquer coisa, nunca fui assim.

— Qualquer coisa não. Quem recebemos aqui são casos especiais e os únicos que você gosta. Então por que não aceitá-los?

— Lido com coisa suja, as coisas mais pesadas que possam ferrar a mente das pessoas. Um simples caso de depressão me faz rir!

— Desde que ele morreu você mudou! E bem antes. Escute: isso é para o seu bem. Você voltará, só precisa tirar um tempo para si mesmo e recolocar a cabeça no lugar.

Antes que pudesse receber algo a um nível bem estúpido — algo normal se tratando de Frank —, completou:

— Tem que deixá-lo ir, tem que se curar para curar os outros. Não é esta a promessa que vocês fazem ao final?

— O que eu jurei não lhe diz respeito. Como pôde fazer isso comigo?

— Até parece que estou lhe mandando para o abate!

— Está, droga! Ficar sem uma ocupação vai acabar comigo! Não entende?

— Entendo que já está na hora de ir. São apenas três meses e, se precisar de mais, estamos dispostos a lhe dar. O tempo que for para largar este vício sujo.

Não sabia mais o que dizer. Só queria destruir aquela sala, só assim ficaria contente.

Quando percebeu, já estava em casa e não se lembrava como fora parar lá. Recebera a instrução de procurar uma clínica de reabilitação e só quando estivesse normal novamente poderia voltar. Fariam-lhe testes para saber se estava realmente bem novamente, caso contrário não o admitiriam.

E aquela foi a pior época de sua vida.

Notas finais
[1] Fluoxetina: remédio para ansiedade, também utilizado para tratamento de depressão nervosa.
[2] Clorpromazina: utilizado para tratamento de psicose e esquizofrenia.
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De novo, gente linda do meu kokoro (joga no Google tradutor de japonês para português), sem ir roubar esses medicamentos na farmácia, okay? Okay.
E desculpem erros. Está tão tarde e estou caindo de sono por motivos de remédios mesmo. Então nem corrigi direito. Avisem-me na review.
E, por favor: não esqueçam de comentar. Isso me deixa muito feliz. Falem o que quiserem, não vou recriminar ou ser grossa. Gosto de reviews, assim como todo autor gosta e precisa para que sua estória prossiga.
Anyway, é isso.
Kissus. Way.