Insanidade
1 Capítulo 1
O céu se tornou rubro desde então, a insanidade está consumindo cada vez mais os nossos corpos, o mundo se tornará louco, mas o que eu poderei fazer para acabar com tudo isso?
A Death City está cada vez mais sombria, todos estão em suas casas trancados e a maioria deles sofre pela loucura que consome nosso mundo; até a Maka está diferente esses dias, nunca a vi tão triste e insegura. O que passa dentro da mente de cada pessoa? E o que passa dentro da cabeça de Maka? Ela sempre foi uma pessoa forte e segura, não sei se ela, ou até mesmo eu, vou agüentar tudo isso.
Olhei em meu relógioe certifiquei que a noite já havia chegado e que as cores do céu não mudavam, apenas permanecia rubro. Tudo isso é tão estranho. Agora eu sei por que todos enlouquecem tão fácil, quem agüentaria sobreviver com tudo isso? Com certeza só os mais fortes e não sei se tenho toda essa força.
Não – pensei e chacoalhei a cabeça para que aquele pensamento fosse embora. Se eu pensar desse modo, a insanidade vai me atingir.
Eu sei que o mundo está sendo pintado de preto, mas porque o ar que respiro ainda continua limpo? Eu simplesmente não entendo o que está acontecendo com todos nós! Sei que todos estão caindo e ficamos presos dentro de nossas próprias sombras. O que será se um dia o mundo parar de respirar? É... Não estamos longe disso! E se me perguntarem se tenho medo, eu direi que não.
Olhei para baixo, encarando meus pés sendo colocado um na frente do outro conforme eu andava. Parece que não há ninguém nas ruas – pensei, parando em frente a um bar que geralmente ficava lotado há essa hora.
Encostei-me na janela, desembaçando o vidro com minha mão, para que eu pudesse olhar para dentro, como imaginei, não havia ninguém ali. É... Desde que o céu se tornou rubro e a lua em malva, todos se escondem e tentam fugir da loucura. Eu ouço tantos gritos, gritos de almas! Elas não ressonam mais, são almas sem vidas vagando por cima de nossas cabeças. Olhei para cima, mas nada vi.
O vento gelado batia em meu rosto e a lua cor de malva sorria cinicamente para mim, de repente meus pés se desgrudaram do chão e eu flutuava sobre ele, minha cabeça rodava e a rua onde eu estava desaparecia entre a escuridão de meus olhos. Meus pés dançavam no ar, é tão excitante! Não... O que estou fazendo? – chacoalhei a cabeça novamente, tentando voltar ao normal. Abri meus olhos e vi que ainda estava em frente ao bar e minha cabeça estava encostada sobre o vidro. A insanidade também está me atingindo!
Sentei-me ao chão, colocando minha cabeça sobre as pernas. Um dia tudo voltará ao normal e as estrelas brilharam novamente como num cenário ideal.
Levantei-me do chão gelado e continuei andando pelas ruas vazias e sem vidas, eu ainda conseguia ouvir os gritos das almas e sentia medo delas. E agora me pergunto: Isso que ouço é real?Ou a insanidade está crescendo em mim?
- Oi garoto! – disse uma voz manhosa atrás de mim. A voz era tão parecida com a de Blair.
- Blair, me deixe em paz. – pedi impaciente.
- Blair? Eu não conheço nenhuma Blair... – disse ela brincando comigo.
- Chega de brincadeiras, Blair! – gritei, virando para que pudesse olhar em seu rosto.
Assustei-me, pois a mulher que estava ali, parada em minha frente não era a Blair e nem uma gata preta com um chapéu de bruxa. Mas era uma mulher muito bonita, com os olhos cinza e os cabelos negros.
- Descul... – disse, mas não pude terminar a frase. Seu dedo indicador pousara sobre meus lábios impedindo-me de falar.
- Como é o seu nome, garoto? – perguntou ela, retirando o dedo de meus lábios para que eu pudesse falar.
- Soul... Me chamo Soul.
- Muito bonito o seu nome, Soul... – novamente o silêncio invadiu a rua e pude ouvir o barulho dos gritos das almas, eu ainda não sabia se aquilo era dentro de minha cabeça ou se acontecia – Meu nome eu não direi... – continuou ela – Mas todos me chamam de Tequila.
- Desculpe-me Tequila. Mas eu preciso ir. – disse eu baixando a cabeça e encarando os meus pés – Uma pessoa está esperando por mim em casa.
- Uma pessoa?! – disse ela rindo maliciosamente – Seria sua namorada?
- Não... – respondi.
Ela se aproximou mais de mim, sua mão encostou em meu ombro e um cheiro forte entrou por minhas narinas, um cheiro de bebida... Sim, era a tequila. Agora eu entendi porque a chamavam desse jeito.
- Soul, vejo que está triste... O que está acontecendo? – e, agora, ela me abraçava.
- Desculpe-me, mas você é...?
- Uma mulher – brincou ela comigo novamente e continuava a me abraçar.
Minhas mãos enrolaram sobre seu corpo, retribuíndo o abraço que ela me dava. Eu sabia que ela não me abraçava como abraçaria o homem de sua vida, mas ela me abraçava como se eu fosse seu filho.
- Vejo que não é só você que está com problemas. Death City está tão vazia e silenciosa esses dias.
- Todos estão sendo consumidos pela insanidade e pelos gritos dentro de suas cabeças.
- Você tem medo, Soul? – perguntou ela, me trazendo para mais perto de seu corpo.
- Não, eu nunca tive. – Eu sei que por dentro eu tenho medo, mas tenho que ser forte; ou a loucura me alcançará.
- Eu o admiro garoto! Eu tenho um pouco de medo... – o silêncio cobriu a rua novamente e os gritos invadiram a minha cabeça; eu sabia que aquilo não existia, mas como fazer parar? – Sente-se... – disse ela me ajudando a sentar no primeiro degrau da escada, onde eu havia encontrado Blair pela primeira vez.
Encostei minha cabeça sobre sua perna, as mãos dela alisavam o meu cabelo e aquilo me relaxava, eu não sentia mais medo como antes, parecia que eu estava seguro ali ao lado dela e se algo de mal acontecesse ela estaria ali para me tirar da loucura. Eu não me importava com o céu rubro e sem estrelas; e nem com o que ia acontecer com o mundo, eu apenas queria ela ao meu lado.
- Soul...
Fechei meus olhos, umas das suas mãos alisavam meus cabelos e a outra repousava em minha cintura. Senti seus lábios encostarem-se a meu rosto e meu corpo arrepiar. Encostei a minha mão sobre sua face e retribui o beijo dado por ela.
- Soul... – ouvi novamente, chamando o meu nome. Mas não era a voz de Tequila.
Eu permaneci de olhos fechados ignorando quem me chamava. Deve ser as vozes dentro de minha cabeça. Elas querem me confundir! – eu dizia para mim mesmo – A loucura está crescendo dentro de mim e não sei como pará-la.
- Soul – ouvi mais uma vez.
E desta vez eu abri os olhos, ainda estava deitado no colo de Tequila e ela permanecia acariciando meus cabelos.
- Você ouviu alguém me chamar? – perguntei à ela. Mas ela fez um sinal negativo com a cabeça, me mostrando um sorriso cínico; igual a lua me mostrara alguns minutos atrás.
- SOUL! – ouvi alguém gritando – Não se faz de idiota!
Fechei os olhos novamente, ignorando a voz, e deixei que Tequila me acariciasse. Beijei, mais uma vez, a sua face e ela retribuiu.
Fim do Capítulo 1
Notas finais
Espero que gostem!
Fale com o autor