Insanidade
2 Capítulo 2
- Soul! – novamente ouvi a voz. ]
Isso vem de dentro de minha mente – pensei.
– Soul! – e mais uma vez.
- Você não está ouvindo alguém me chamar? – perguntei para Tequila que acariciava meu cabelo.
- Ninguém – respondeu ela com sua voz carinhosa e macia para meus ouvidos. Estou ficando louco, eu só posso estar – pensei comigo.
Ouvi passos ao lado de meu corpo, mas não me preocupei em abrir os olhos. Aliás, o que poderia ser? Mais uma alma vagando ao meu redor.
- Vamos Soul! Abra esses olhos e pare de me fazer de idiota! – gritou a voz.
Levantei a mão e abanei o ar, tão despreocupado que parecia que estava abanando um mosquito que me rodeada, e então senti uma mão quente segurando a minha, não parecia à mão de um cadáver ou de um espírito, ela parecia bem real para mim. Ela me puxou para que sentasse na escada, e então abri meus olhos e minha vista foi desembaçando aos poucos me deixando ver dois olhos verdes e um cabelo loiro solto, sua pele era clara como a neve, e sua saia era de uma cor vermelha que realçava sua pele clara, sim, era Maka eu reconhecia aquele perfume de longe. Ela me encarava com sua cara de brava, confesso que tenho medo dela de vez em quando.
— Você é idiota? Ou está fingindo ser um? – perguntou ela com a mão na cintura e batendo o pé no chão.
— Era você me chamando? – perguntei ainda confuso.
- Quem seria? – perguntou ela ironicamente.
— Mas Tequila disse que não havia ninguém me chamando – respondi olhando para onde ela estava sentada, mas não a vi ali, apenas um lugar vazio ao meu lado – Onde está ela? — perguntei ainda mais confuso.
- Você está imaginando coisas, Soul! Não havia ninguém com você!
Coloquei a cabeça sobre os joelhos e fechei os olhos, eu ainda podia ouvir as almas vagando em cima de minha cabeça e os risos irônicos delas. Maka colocou a mão sobre meu ombro, eu a senti tão quente, ela era tão diferente de Tequila. Ela era tão fria e tinha um sentimento maternal, mas Maka era tão quente e tinha um amor de irmã. Ao contrário de Tequila, Maka era tão real.
- Maka? – disse eu chamando-a e esperando por alguma resposta.
- Sim? – perguntou ela, com um sorriso estampado no rosto.
Ainda tenho um pouco de sanidade, eu consigo ouvi-la, ela está aqui. Levantei a cabeça, e lágrimas corriam em meus olhos, apoiei a cabeça no ombro dela, o corpo dela me esquentava não deixando o vento frio penetrar em nossos corpos.
— Soul... Você também consegue ouvir vozes? – perguntou ela não muito segura de si mesma.
- Eu as ouço... – respondi, fazendo uma longa pausa. E esse silêncio foi cortado pela voz calorosa e amorosa de Maka, mas não demonstrando segurança.
- O que elas dizem para você?
- O que elas falam para você? – perguntei curioso.
Ela abriu a boca, uma, duas, três vezes, mas nada disse. Todos estão enlouquecendo! O que será de nós se isso não tiver um fim? Morreremos consumidos pela nossa própria loucura?
- Elas dizem... – começou ela – Dizem que o céu nunca mais voltará a ser... Azul.
— E você acredita no que elas dizem?
- Você, não?
Ela se levantou, sem esperar uma resposta e estendeu a mão para que eu me levantasse também. Segurei sua mão, sentindo novamente o calor de seu corpo invadir o meu corpo gelado e mal agasalhado. Ela me guiou até a fonte no meio da praça, a água não corria por está, estava ali parada como o mundo estava, sem vida. Maka encostou-se nesta e eu fiz o mesmo encostando ao lado dela. As pedras da fonte estavam tão geladas, deixando meu corpo gelado novamente. Coloquei meu braço em volta do ombro de Maka, para que ambos ficássemos aquecidos.
- Soul... Prometa que sempre estará ao meu lado? – disse ela com uma voz tão fraca.
- Qual é o medo, Maka?
Eu não fugirei e nunca a deixarei sozinha! – respondi demonstrando confiança.
Lágrimas rolaram de seus olhos e desaguava em sua boca, ela se aproximou um pouco mais de mim, aconchegando sua cabeça em meu peito. Olhei em meu relógio e certifiquei-me que já eram seis horas da manhã. O céu continuava escuro e não tinha as cores alaranjadas do céu quando o sol nascia, nem ao menos o sol sorria para nós. Um dia tudo isso vai desaparecer e os campos darão flores novamente e o mundo sorrirá com sua face mais bela para nós. — Vamos Maka... Vamos para casa!
FIM
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