Insane Beauty

1 Capítulo I: Ferimentos


Notas iniciais
Short-Fic de três capítulos talvez um pouco forte e triste, já que eu chorei trocentas vezes escrevendo isso aqui.
Esta estória contém assuntos como transtornos psicológicos, por isso é meio dark.
Mas apesar da leitura talvez um pouco pesada, isso daqui está 100% Faberry, do começo ao fim.
Aproveite :)

Rachel Berry se sentou no sofá de couro da sala da lareira com uma grande xícara de café forte e puro. A bebida estava fumegante, mas ela não se importou com a temperatura quando sentiu sua garganta doer prazerosamente quando o líquido por ali passou queimando sua carne. Também não se importou com o sabor amargo de um café sem açúcar. Era daquele jeito que ela gostava.

A lenha sendo consumida por línguas de fogo fazia um barulho reconfortante. O calor que aquecia sua pele a relaxava e a visão das chamas limpavam sua mente por alguns instantes e ela se permitia levar por aquela rara calmaria.

Em cima da lareira estava o quadro que assustava e fascinava Rachel ao mesmo tempo. Uma réplica de “O Grito”, de Edvard Munch. A figura andrógena em tanta perturbação, angústia e desespero em relação a sua própria existência a deixava um pouco desconfortável. As cores quentes e frias ao fundo se completavam de uma maneira sombria. Ela podia admirar àquela pintura, mas não era algo que ela particularmente gostava, ao contrário de Quinn Fabray, que era apaixonada pela obra. Talvez porque combinasse com sua personalidade.

Quando Rachel ouviu a porta da entrada ser aberta, ela sabia quem era. Conhecia aqueles movimentos e aqueles passos em saltos Christian Louboutin. Poderia até mesmo identificar o som de sua respiração.

Quinn Fabray entrou na sala da lareira. Com a cabeça abaixada e os cabelos lhe cobrindo a face. As roupas meio amarrotadas e até um pouco rasgadas, mas sem perder a elegância que só ela poderia ter. Quando ela levantou seu rosto e revelou o que ali escondia, Rachel soube que sua calmaria demoraria certo tempo para retornar.

Sua face linda e perfeita estava machucada. Hematomas, cortes e inchaços estampavam sua pele alva. Uma grande mancha com um tom escuro de roxo tomava conta de seu olho esquerdo e inchado que ela mal podia abrir. O supercílio do outro olho estava cortado e sangrando. Seu nariz possuía um grande arranhão de cor rubra, dividindo espaço com a mancha esverdeada que pintava aquela parte se sua pele. Os lábios estavam secos e rachados, mas o inferior sangrava e pingava gotas do líquido escarlate e viçoso, que sujavam seu sobretudo creme da Chanel. Um corte exibia-se em sua testa, próximo a seu cabelo, colorindo os fios dourados do líquido que escapava de vários pontos de sua face.

Quando uma lágrima escorreu pelo rosto de Rachel, uma gota de sangue escorreu pelo rosto de Quinn.

—Oh, meu Deus, Quinn… – Rachel murmurou, atônita com o que via – O que foi que aconteceu? — Ela perguntou, levantando-se do sofá e se aproximando da loira, mas ficando na dúvida se poderia tocá-la ou não.

—Existe sempre alguém mais esperto – Ela respondeu, sua voz rouca e tão baixa que Rachel teve que se esforçar para ouvir.

—O que foi que você fez? – A morena tomou coragem e encostou suavemente em um dos machucados, afastando a mão rapidamente quando Quinn grunhiu de dor.

—Me ajude – A súplica veio como um sussurro.

Só então Rachel percebeu que Quinn lutava para manter-se de pé. Ela podia ver marcas de dedos no pescoço elegante e alguns arranhões em sua clavícula que escapavam do esconderijo de suas roupas.

Com toda a delicadeza, Rachel levou Quinn para o banheiro. A sentou na tampa do vaso sanitário e ajoelhou a sua frente. Ela a fitou brevemente, conectando seus olhos com os olhos de esmeraldas e ouro que ela sempre venerava. Seus olhos estavam vulneráveis e tristes, o que fez o coração da morena se comprimir em angústia.

Sempre fora assim. A dor que Quinn sentia era a mesma dor que Rachel sentia.

Lentamente e com movimentos suaves, Rachel tirou os sapatos de saltos exagerados de seus pés. Tirou seu sobretudo e o colocou no chão, resfolegando em um desespero contido quando viu marcas roxas e avermelhadas na pele de seus braços, marcas muito parecidas com a que estampava seu pescoço. Dedos.

Quando tirou a blusa de mangas compridas gelo, viu grandes marcas vermelhas em suas costelas, que tinham a grande possibilidade de seu tornarem marcas roxas ou até pretas pela manhã. Rachel engoliu o choro.

—O que houve aqui? – Ela perguntou com a voz tremula, uma lágrima não bem vinda escorrendo por sua bochecha.

—Socos – Seu tom de voz era como um fio.

—Dói muito? Está quebrado? – Começava a deixar que o desespero fosse visível.

—Dói, mas não está quebrado. Não dói por dentro – Rachel desviou o olhar do machucado e buscou seus olhos, que pareciam desfocados e opacos, como olhos de uma estátua – Não se preocupe.

Não se preocupe.

Rachel poderia ter ficado com raiva de Quinn por ter dito aquilo, mas no momento o sentimento de proteção a dominava, deixando-a incapaz de sentir qualquer outra coisa.

Não tinha como não se preocupar.

No momento em que Quinn estava completamente despida, Rachel a ajudou a entrar no chuveiro. Ela ajustou a temperatura da água para morna, para que não castigasse ainda mais seu corpo com água quente ou para que não sofresse com o frio. Mas mesmo assim, Quinn gemeu e choramingou de dor quando a água encontrava sua pele agora tão sensível e deixava escapar sons mais agudos e altos quando Rachel passava o sabonete por cima dos machucados.

Rachel realmente sentia muito que aquilo doía, mas precisava limpar cada ferimento para que não doesse ainda mais em futuro não muito distante.

Para Rachel, aquele banho fora como uma tortura psicológica. Sempre esteve acostumada com bons momentos debaixo daquele chuveiro. O banheiro era um lugar onde gemidos ecoavam por entre as paredes eventualmente, mas não eram gemidos sôfregos como os que Quinn deixava escapar. Eram gemidos de prazer. Mas agora, a situação estava muito longe de ser prazerosa.

Assim que saíram do chuveiro, Rachel envolveu Quinn em uma toalha grande e macia e a abraçou como se ela fosse uma criança assustada e indefesa.

Talvez ela realmente fosse.

Rachel havia insistido para que fossem ao hospital, porque lá poderiam cuidar melhor dela, mas Quinn mostrou-se incontestável e alegou veementemente que não queria ir. Rachel era capaz de entender; Quinn sempre teve pavor de hospitais.

Quinn pediu da maneira mais carente e necessitada que Rachel já houvesse ouvido para que ela mesma cuidasse de seus machucados. O “por favor” fora usado, palavra que só saia da boca da loira especialmente para Rachel.

A morena não pôde dizer não a um pedido como aquele. Ela assentiu e sentou Quinn na cama, ainda enrolada na toalha enquanto ela buscava o kit de Primeiros Socorros no banheiro de seu quarto. Agora era a hora em que ela precisava se lembrar de tudo o que já havia visto seu pai médico fazer.

Ao voltar ao quarto de Quinn, a loira permanecia na mesma posição; parecia não ter se mexido um milímetro sequer.

Rachel fez tudo o que pôde para cuidar dos machucados. Não era alguém com experiência, mas se lembrava de algumas vezes, enquanto seu papai Hiram fazia um curativo em seu joelho esfolado de uma criança com muita energia, o que ele a ensinava quando dizia que um dia precisaria fazer aquilo com seus futuros filhos.

Ela limpou o sangue que ainda escapava de alguns machucados com gaze e algodão, assoprava, passava produtos e dizia palavras de conforto, da mesma maneira que seu pai fazia. Ela aplicou uma pomada anti-inflamatória nas costelas e dos braços de Quinn e a fez tomar um remédio para dores no corpo.

—Não – Quinn protestou quando Rachel foi ao seu encontro com suas roupas de dormir.

—Não quer usar? – Ela perguntou levemente, colocando uma mecha de cabelo loiro atrás de sua orelha. Quinn balançou a cabeça negativamente – Tudo bem, sem pijamas então.

Rachel pegou a mão de Quinn e a levou para a cadeira em frente à penteadeira. Quinn se sentou com uma careta de dor. A morena beijou o topo de sua cabeça que agora cheirava a shampoo de camomila e afagou seus ombros ainda cobertos pela toalha felpuda. Dirigiu-se para trás da loira e pegou uma escova, começando a pentear os cabelos de Quinn suavemente, fazendo carinhos em seu couro cabeludo. Ela era bastante cuidadosa, não queria que Quinn sentisse mais dor e agradeceu mentalmente pelo cabelo dourado não conter nós.

Quinn fitou o próprio reflexo no espelho. Para ela, era a imagem mais lamentável que ela já havia visto em toda sua vida. Haviam destruído a única coisa que ela tinha de bom. Sua beleza se fora e agora se sentia mais miserável como nunca havia sentido. Em toda a sua vida ela ouvira as pessoas dizerem que ela era louca. Seu pai, sua mãe, sua irmã, seus supostos amigos, antigos namorados e namoradas e até mesmo pessoas que não sabiam nada sobre ela. A cada vez que ela ouvia alguém dizendo que ela tinha doenças mentais, ela recitava um mantra mentalmente.Você não é louca. Você não é louca. Você não é louca.Mas agora que via seu próprio reflexo, feio e grotesco, ela podia sentir a loucura sair de sua cabeça e correr por suas veias em todo o seu corpo, infectando seus sentidos com algo insano e doentio.

Pela primeira vez naquela noite, Quinn permitiu-se chorar, mas um choro tão contido que só uma lágrima escorreu de seu olho com o supercílio cortado. Ela já estava farta do reflexo, o espelho zombando dela e de sua imagem assustadora. Sua respiração começava a ficar entrecortada e ela se sentia a coisa mais desprezível do universo. As pessoas sentiriam medo se a visse naquele estado.

Ela estava destruída.

Rachel notou o som mais alto da respiração de Quinn. Ela começava a tremer e apertar as mãos em punho com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos e provavelmente doloridos. Seu corpo começava a se curvar para baixo e ela já se mexia para frente e para trás. Rachel sabia o que estava acontecendo. Era sua recaída.

A morena largou a escova no chão e abraçou Quinn por trás o mais firme que podia. Ela enterrou o rosto no pescoço pálido e aplicou beijos suaves como carícias. Sua mão se perdeu por entre os cabelos claros, um afago amoroso se iniciou ali. Sua outra mão na barriga nua de Quinn por conta da toalha ter escapado de um de seus ombros, a deixando parcialmente nua.

—Eu te amo – Rachel sussurrou em um suspiro sofrido e cheio de ternura – Eu te amo. Eu te amo, Quinn. Eu te amo.

A respiração de Quinn começava a se acalmar. Ela não tremia ou se mexia para frente e para trás. Já não estava mais curvada e suas mãos não estavam mais em punho, mas na lateral do corpo de Rachel tentando de maneira desesperada trazer a morena para mais perto de si.

Rachel entendeu o recado e a colocou de pé, encostada na penteadeira e de costas para o espelho. Ela encaixou seu corpo no de Quinn de maneira perfeita, sentido o rosto dela se afundar na curva de seu pescoço e sua mão ser enterrada tão firmemente dentre os cabelos castanhos que chegava a doer, mas Rachel não se importava porque sabia que Quinn não fazia de propósito. Ela já havia agredido as pessoas em suas recaídas, mas nunca Rachel. Muito pelo contrário. Rachel era o que a deixava calma.

A esse ponto a toalha já estava no chão.

No momento em que Rachel puxou o rosto de Quinn suavemente para olhar em seus olhos, a loira tentou desviar o olhar e esconder o rosto, tentando abaixá-lo, mas Rachel não permitiu e segurou firmemente, mas delicadamente o queixo de Quinn no lugar. Ela observou todo o seu rosto e ela podia ver o quão envergonhada Quinn estavam, mas não havia motivos para estar daquele jeito porque para Rachel, Quinn continuava linda.

Não suportando o constrangimento, Quinn puxou o rosto com mais força para fora da mão de Rachel, fungando e deixando com que algumas lágrimas escapassem. A morena acariciou a bochecha que estava exposta a ela e mais uma vez puxou o rosto de Quinn em sua direção. Dessa vez ela não olhou diretamente para seu rosto porque ela sabia que a loira ficaria chateada, então ela não deu tempo para Quinn protestar e colocou seus lábios nos dela, tomando cuidado com o corte no lábio inferior.

Uma de suas mãos afagava a lateral de seu pescoço e a outra o seu seio direto. Não havia malícia ou segundas intenções naquele carinho. Era só uma maneira de amor e conforto. Quando a língua de Rachel foi permitida a se encontrar com a de Quinn, a loira gemeu ao sentir a lambida em cima do corte de seu lábio inferior. Ela só não tinha certeza se sentira dor ou prazer.

Foi um beijo curto. Sem mãos vagando pelo corpo ou coisa do tipo. Não foi um beijo carnal. Rachel só queria mostrar para Quinn o quanto ela a amava, e parecia ter realmente funcionado. A loira estava muito mais calma. Era como se o começo de uma nova recaída nunca houvesse acontecido.

O beijo foi quebrado e Rachel pincelou seu nariz com o de Quinn. Ela sabia o quanto a outra gostava daquilo.

—Vamos para cama, okay? – Rachel perguntou, seus lábios pressionados contra o maxilar da loira.

Quinn assentiu. Rachel não se surpreendeu com a ausência de palavras. Quinn geralmente ficava calada depois de recaídas como aquela. A coisa boa era que Rachel havia presenciado todas as recaídas e crises de Quinn, então ela sabia o que fazer. Ela sempre soube, mas do que Judy, a mãe de Quinn.

Quinn deitou-se na cama e Rachel deitou-se ao seu lado e as cobriu. A loira deitou a cabeça no peito de Rachel, enquanto a morena cariciava seus cabelos. Elas ficaram daquele jeito por um longo tempo. As duas em silencio, mesmo que Rachel quisesse perguntar o que acontecera e quem havia feito aquilo. Ela podia desconfiar o que havia acontecido, mas precisava de detalhes porque ela castraria o maldito que machucara sua Quinn.

Mas Rachel sabia que perguntas e diálogos não seriam muito bem recebidos naquele momento, então ela ficou calada, acarinhando as madeixas douradas na esperança que Quinn dormisse, mas a loira continuava acordada. Rachel não podia ver seu rosto, mas ela sabia que ela não dormia. E foi por isso que Rachel começou a cantar uma música qualquer. Sua voz em tom suave e baixo, o tom que ela sabia que faria Quinn dormir.

E ela estava certa. Em poucos minutos a respiração de Quinn estava mais tranquila e profunda, o que indicava que agora ela dormia. Rachel respirou fundo e apertou o corpo de Quinn firmemente contra o seu. Tinha tanto medo de perdê-la.

Enquanto Quinn dormia seu sono inquieto e cheio de sonhos ruins e lembranças em forma de pesadelos, Rachel sequer foi capaz de fechar os olhos. Sua preocupação crescia a cada instante. Sua mente não parava de trabalhar a ponto de deixa-la com dor de cabeça.

Perdera a conta de quantas vezes ouviu que precisava deixar Quinn porque ela não lhe fazia bem, mas o que as pessoas não entendiam era que Quinn era a única coisa que lhe fazia bem, mesmo com todas as preocupações e turbulências. Ninguém era capaz de entender que Rachel amava Quinn e Quinn a amava de volta. Por causa dos problemas da loira todos pensavam que ela era incapaz de amar e incapaz de ser amada.

Quando tinha seis anos, Quinn fora diagnosticada com Síndrome Maníaca e Transtorno de Personalidade Borderline. Também sempre fora claustrofóbica e sonambula, mas esses dois eram os seus menores problemas.

Assim que descobriu seus transtornos psicológicos, os pais de Quinn rapidamente a colocaram em tratamento, sob os cuidados dos mais competentes psicólogos e terapeutas de New York. Seus problemas estavam todos controlados com terapia e medicamentos até que um dia, na sexta série, algum aluno descobriu as doenças de Quinn.

Rachel se lembrava muito bem daquele dia. Infelizmente ela se lembrava porque não tinha mais nada na vida que ela quisesse mais do que se esquecer daquele situação. Fora o verdadeiro inferno.

Na época, Quinn não era exatamente o modelo de beleza que era atualmente. Era mais gordinha e usava óculos. Seus cabelos tinham um tom castanho avermelhado e ela era muito inteligente. Uma das garotas idiotas populares que se achava melhor do que todos descobrira o que a família de Quinn tinha tanto cuidado em esconder. Ninguém nunca soube como ela foi capaz de saber isso, mas ela soube, e foi ali que Rachel viu que crianças podem ser muito mais cruéis do que ela imaginava.

Quando ela chegou ao banheiro do segundo andar do colégio, viu um amontoado de meninas rindo e cuspindo ofensas com sorrisos orgulhosos em seu rosto. Ela não sabia quem era a vítima daquela vez, mas quando ela ouviu o apelido Lucy Caboosey ela teve certeza.

Rachel avançou contra as garotas que até então não haviam a visto ali. Ela jogou algumas meninas contra a parede para se aproximar de Lucy e todas as vezes que ela se lembrava daquela cena, ela sentia as lágrimas chegarem a seus olhos.

Lucy abraçava os joelhos e chorava compulsivamente. Seu corpo tremia e ela se balançava para frente e para trás. Entre os soluços, Rachel podia ouvir a palavra “não” repetidas vezes. Rachel não perdeu tempo e a abraçou, sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem, que ela estava ao seu lado e que ela sempre estaria.

As garotas continuavam a rir e a ofender não só Lucy, mas também Rachel. Mas Rachel não se importava com o que elas diziam sobre ela. Sua preocupação agora era Lucy. E tomada por uma onda de fúria que até mesmo ela desconhecia, a morena se jogou contra todas as garotas. Ela estapeou algumas, xingou outras e jogou no chão mais um punhado. Nenhuma fora corajosa o suficiente para enfrentar uma Rachel Berry cega de raiva. Todas correram para fora do banheiro.

Rachel abraçara Lucy novamente. Ela havia chorado com ela, sentindo toda sua dor e ela estava tão triste e com raiva por ver sua amiga naquele estado. Naquele momento ela não tinha muita noção do que fazer, então ela fez o que até os dias atuais acalmava Quinn como nenhum outro calmante foi capaz: Ela a abraçou fortemente e disse que a amava.

Depois de muito tempo juntas no chão daquele banheiro, a porta se abriu. Rachel estava pronta para gritar com quem quer que fosse até que ela viu a expressão preocupada e atordoada de Santana Lopez. A latina disse que havia ficado sabendo do que acontecera da própria boca de uma das garotas que humilhara Lucy e que ela havia ficado preocupada. Ela se responsabilizou em chamar as autoridades da escola até ali e saiu do banheiro praguejando palavrões em inglês e espanhol.

Foi ali que uma amizade entre Quinn Fabray, Rachel Berry e Santana Lopez se iniciou.

Os pais de Lucy haviam ficado revoltados e envergonhados. A revolta era por causa da crueldade que fizeram com sua menina e a vergonha porque agora todos sabiam que eles tinham uma filha louca. No mesmo dia, um grande bate boca na sala do diretor do colégio aconteceu. Os pais de Lucy estavam lá, assim como os de uma das garotas que a humilharam. Estavam também os pais de Rachel e de Santana, que havia dito que eles poderiam ajudar já que sua mãe era advogada e seu pai era juiz.

Na sala de espera era possível escutar o falatório e os gritos de pais querendo defender suas crias. Lucy mastigava seu lábio inferior e balançava uma das pernas compulsivamente enquanto deixava suas lágrimas caírem. Santana se remexia inquieta em seu acento, murmurando palavras incompreensíveis e lançando olhares tão sujos para a garota que começara a humilhar Lucy que cada vez mais a menina se encolhia. Os olhares que Rachel lançava a mesma não eram muito diferentes.

Quando o lábio de Lucy começou a sangrar, Rachel foi até ela e posou dois dedos sobre a carne vermelha e irritada, a fazendo parar e limpando levemente o excesso de sangue. A morena lhe mostrou um sorriso, um sorriso que Lucy fora muito grata em receber, mas não capaz de retribuir.

O verdadeiro caos começou quando as garotas ouviram a voz masculina gritar de dentro da sala. “Sua filha é quem deveria ser expulsa desse colégio! Ela é a maluca, ela deveria estar num hospício!”.

Quem gritava era o pai da quarta garota na sala, aquela que começara toda a humilhação. Essa mesma menina deixou escapar um risadinha e Rachel teve a certeza que ela se arrependeria daquilo.

Lucy ouviu o que foi dito pelo homem e a risada da garota e se descontrolou. Ela se desvencilhou dos braços de Rachel e partiu para cima da menina, gritando, chorando e batendo. Rachel tentou impedir, mas Lucy estava tão tomada por algo que ela desconhecia que aquilo era impossível. Santana tirou Lucy de cima da garota e a entregou para Rachel, que tentava contê-la, no mesmo instante em que todos os adultos saíram da sala da diretoria e se depararam com aquela cena. Antes que o pai da garota pudesse socorrer sua filha, Santana estava em cima dela, a esbofeteando e até socando. A garota gritava desesperada e foi preciso o pai de Santana e Leroy Berry para conter um mini furacão latino de sua fúria.

Naquele mesmo dia, a garota, Lucy e Santana foram expulsas do colégio, e como solidariedade e anseio de dar apoio a Quinn, Rachel também saiu da escola.

Rachel não se lembrava do nome daquela menina. Ela era insignificante, mas ao mesmo tempo, teve uma grande importância não muito positiva na adolescência de Lucy.

Depois daquele dia catastrófico, Lucy não era mais Lucy, mas sim Quinn. Aquele acontecimento fez com que Quinn se negasse a tomar seus remédios ou ir a suas sessões de terapia. A única que conseguia convencê-la de vez em quando era Rachel, mas às vezes nem ela era capaz. Ela também havia decidido que não seria mais a garota feia e gorda da escola novamente. Ela havia feito balé e praticado exercícios físicos. Havia tingido seu cabelo de loiro e tratara de sua acne. Fez uma cirurgia plástica no nariz assim que atingiu a idade e em poucos meses, Quinn já reinava o colégio novo.

Quinn afastou sua cabeça do peito de Rachel para o ombro, o que permitiu que a morena tivesse a visão do rosto da outra. Ela estava tão machucada, mas para Rachel, ela continuava a ser a mulher mais linda do mundo.

Rachel observou cada ferimento do rosto que ela ainda achava perfeito. Fitou também os hematomas do pescoço e dos braços. Rachel estava sim preocupada com os ferimentos do corpo de Quinn, mas o que mais lhe perturbava eram os ferimentos que aquilo havia causado em seu coração e sua mente.

As coisas não seriam muito agradáveis dali pra frente.

Notas finais
Mais sinais das doenças de Quinn vão ser desenvolvidas conforme os capítulos, mas aqui já é possível notar algumas das características de um dos problemas que ela tem (Síndrome Maníaca). O próximo capítulo será mais evidente esses sinais da outra doença (Transtorno de Personalidade Borderline).
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Obrigada por ler e até a próxima :)