Inquietude
9 Sua - 2ª Parte
Notas iniciais
Clara
Eu tô... Me sentindo estranha. Estranhamente bem.
A verdade é que eu não estou conseguindo pensar direito. Tudo o que acabou de acontecer foi tão louco que ainda estou aqui tentando organizar os fatos mentalmente. Mas está difícil ter racionalidade com a Marina aqui... Deitada sobre mim, com as mãos acarinhando meu corpo que acabou de ser deliciosamente corrompido.
Tem um pensamento aqui me corroendo.
Eu sei.
Eu deveria ter esperado o fim definitivo com o Cadu. Mas eu não planejei nada. Só tenho culpa por não ter resistido. E quem consegue resistir a essa mulher, meu Deus?
Não quero pensar em nada agora. Quero ficar aqui mais um pouco, descobrindo mais sobre tudo.
Marina e Clara ficaram em silêncio por algum tempo.
Clara estava completamente sem forças, a garganta ardia, a boca estava seca, e a mente zunia como se tivesse mil abelhas revoltadas.
Marina arrastou o corpo mais para cima.
Clara a olhou e percebeu pela primeira vez um olhar totalmente diferente dos olhares que recebera da fotógrafa ao longo daquele tempo. Sem aquele desejo ardente, sem segundas intenções, era um olhar doce, contemplativo, preocupado. Clara via amor nele.
“With your child's eyes
You are more than you seem”
Puxou Marina pela nuca e beijou sua boca, sentindo seu gosto misturar-se às suas salivas. Era um beijo calmo, delicado. Marina beijou o nariz de Clara fazendo-a rir, beijou sua testa e a puxou para seus braços.
Permaneceram em silêncio mais um pouco.
Clara passou as mãos nas costas de Marina e sentiu os vergões que suas unhas provocaram. Marina gemeu de incômodo quando o suor das mãos de Clara tocaram seus machucados.
– Eu te machuquei, me desculpa – pediu Clara com a boca próxima a boca de Marina.
– Não me importo comigo – respondeu Marina selando os lábios nos lábios de Clara – Me importo com você, meu amor. Quero saber se... Você gostou?
Clara segurou um sorriso tímido e afundou o rosto nos cabelos de Marina que riu junto com ela.
– Vai ficar com vergonha agora é, coisinha? – implicou Marina rindo e cutucando as costelas de Clara.
As duas riram completamente abobadas, apaixonadas. Entregues.
– Eu parecia uma louca, né? – disse Clara sentindo o rosto afoguear – Você falou pra eu me soltar eu só... – Clara ria – Só segui suas recomendações. E respondendo à sua pergunta: sim. Eu amei. Nunca poderia imaginar que fosse desse jeito, nem no sonho que tive foi assim.
– Andou tendo sonhos quentes comigo, Clarinha? Me conta, quero saber de tudo.
– Eu não lembro de muita coisa – despistou Clara – Só lembro que quando eu acordei me sentia nas nuvens como estou me sentindo agora – e beijou Marina.
“And just like stars burning bright
Making holes in the night
We are building bridges”
– Linda! – elogiou a fotógrafa desenhando o rosto de Clara com seus dedos.
Marina movimentou-se posicionando sua coxa sobre a coxa de Clara e a assistente sentiu todos os pelos se ouriçarem.
– Marina... – chamou Clara com a voz falhando – E você?
– O que tem eu? – pergunto a fotógrafa intrigada.
– É... Você vai...
– Para de enrolar, Clarinha. Fala o que você quer – disse Marina serenamente.
– Eu quero que você sinta o que eu senti – Clara olhou Marina de um jeito que, pela primeira vez, deixou a fotógrafa desconcertada.
Mesmo desconcertada Marina sentiu o seu sexo latejar diante da declaração de Clara. E Clara sentiu que Marina havia captado bem sua mensagem.
– Tem certeza? Não é só por que...
Clara calou Marina com um beijo quente e provocativo. Os lábios pararam os movimentos para que as línguas rodopiassem de maneira louca entre as bocas.
– Desse jeito fica difícil resistir – concluiu Marina pegando uma nova onda de fôlego para beijar Clara.
Clara sentia um terremoto particular tomar conta de seu corpo. As mãos de Marina percorriam seu corpo lenta e delicadamente.
Não sabia por onde começar, como começar. Então tocou Marina como foi tocada minutos atrás.
– Se eu fizer alguma coisa errada... – sussurrou Clara entre os beijos e toques.
– Shhhh... – interrompeu Marina com o dedo indicador nos lábios de Clara – Lembra o que falei pra você agora pouco: Me sinta.
A curiosidade era tão gritante que Clara desceu sua mão pelo corpo de Marina e logo alcançou o sexo da fotógrafa. Arrepiou-se ao sentir o quão encharcado e quente estava.
Marina puxou o ar pelos dentes cerrados e mordeu o queixo de Clara. A fotógrafa não se lembrava de ter se sentindo tão excitada na vida.
Clara introduziu um dedo e sentiu a fotógrafa se agarrar em seus cabelos. Um pouco vacilante colocou mais um dedo e os afundou.
– Assim? – questionou Clara entrando e saindo de Marina lentamente.
– I-isso... – respondeu a fotógrafa de maneira entrecortada – Eu vou te ajudar.
Marina girou o corpo ficando por cima de Clara. Apoiou as mãos uma de cada lado da cabeça de Clara, assim como os joelhos que ladeavam o quadril da assistente.
A fotógrafa começou a subir e a descer nos dedos inexperientes de Clara que por sua vez sentia-se alucinar e a desacreditar que seria responsável por dar tanto prazer a alguém.
Com a mão livre Clara tocou o seio de Marina e o massageou. Estava se deliciando por aquele novo mundo. Brincou com os mamilos e permitiu-se sentir o gosto que eles tinham. Marina debruçou-se sobre Clara. Inalando o cheiro doce e quente que se misturava com o suor de ambas.
Marina ergueu-se e colocou uma mão nas costas de Clara, puxando-a para se sentar na cama de modo que uma estivesse de frente pra outra.
– Continua, vai – pediu Marina com os olhos semicerrados e um sorriso malicioso no canto dos lábios.
Clara passava a língua por toda a extensão do pescoço de Marina enquanto sentia a fotógrafa soltar o ar pesadamente pela boca entreaberta.
Os dedos da assistente escapavam com facilidade, pois Marina estava exageradamente excitada.
Marina apoiou as mãos paralelamente no colchão e inclinou a cabeça para trás. Tentada demais para resistir, Clara prendeu um dos mamilos entre os dentes de maneira delicada e acelerou o ritmo dos dedos quando Marina gemeu um pouco mais alto.
Marina voltou o corpo para a posição inicial, afastou os cabelos suados de ambos os rosto e puxou pelo lábio inferior, mordendo-o.
Enquanto Marina tremia em seus braços, Clara sentiu sua excitação umedecer os lençóis bagunçados. Seu sexo pedia por Marina.
Marina uniu-se a Clara encostando suas testas e seus olhos se encontraram, sorriram antes dos lábios sorrirem simultaneamente.
Clara desencostou sua testa e mordeu com força o pescoço, espádua e ombro de Marina. Subiu a boca até o ouvido de Marina e sussurrou:
– Me toca.
Sem firula Marina introduziu dois dedos em Clara e Clara gemeu sofregamente no ouvido da fotógrafa. As duas se estocavam de maneira ensandecida. Gemiam juntas, se beijavam, se sugavam, se mordiam.
– Eu quero olhar pra você – disse Marina segurando o rosto de Clara com uma das mãos quando sentiu que estava prestes a ter um orgasmo.
E então Marina chegou ao orgasmo primeiro. Dois segundos depois Marina sentia os espasmos de Clara tornarem-se intensos e curtos.
Marina e Clara se abraçaram intensamente. Suas respirações iam de encontro às peles quentes e suadas e elas se deitaram com as pernas entrelaçadas.
– Está quietinha – observou Marina enquanto acariciava os cabelos bagunçados de Clara.
– Estou prestando atenção na batida do seu coração – respondeu Clara que estava com a cabeça apoiada no peito de Marina.
– Dorme comigo – pediu Marina baixinho.
E então Clara se entristeceu por um breve momento quando se lembrou o por que não poderia atender ao pedido de Marina.
– Não posso, Marina – disse Clara sentindo um pequeno nó na garganta – Mas logo, logo eu vou poder. Calma, está acabando.
Marina se desvencilhou de Clara e levantou da cama deixando a assistente assustada. Vestiu um roupão e saiu do quarto
– Marina! – chamou Clara quando viu a fotógrafa passar pela porta do quarto. Socou a cama achando que teria estragado o melhor momento da sua vida.
Poucos minutos depois Marina voltou com sua câmera nas mãos.
– Onde você foi? – perguntou Clara visivelmente assustada.
– Quero registrar esse momento – respondeu a fotógrafa subindo na cama com a câmera na mão.
Sem contestar Clara sorriu aliviada.
E então Marina começou a disparar seus flashes artísticos.
Sem que Marina pedisse Clara se entregou a lente da fotógrafa em poses doces e ousadas. Sorria, mordia os lábios obrigando Marina a beijá-la e a provocá-la mais um pouco.
Fotos das nuas com os corpos e bocas unidos foram tiradas. E Clara tirou uma foto das marcas que deixou nas costas de Marina.
Clara estava deitada com as costas no colchão e a as pernas apoiadas na cabeceira da cama. Marina sentou em cima de Clara e clicou mais uma vez o rosto que tinha o sorriso mais encantador que conhecia.
A fotógrafa tirou a câmera da frente dos olhos e encarou Clara sorrindo e balançando a cabeça de um lado para o outro.
– Que cara é essa? – perguntou Clara sorrindo.
– Estou me apaixonando um pouco mais por você agora.
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