Dias depois...

Marina havia conseguido vender a casa. O processo não durou nem uma semana já que a casa era objeto de cobiça muito antes da crise financeira.
Muitas coisas haviam sido encaixotadas desde aquela noite à beira da piscina e estavam distribuídas por vários lugares da cidade maravilhosa. Algumas caixas já estavam no apartamento de Clara. Chegaram depois da cama de Marina. A fotógrafa fez questão de colocar pra fora a cama onde Clara dormira e fizera amor com Cadu por anos. Poderia ter qualquer lembrança concreta dos dois, menos aquela.
Outras caixas foram para a casa de Helena, Flávia e até de Chica.
Marina percebeu que tinha coisas desnecessárias demais. Com a ajuda de Ivan colocou a venda em um site de compra algumas delas que evaporaram em dias.
Junto de Clara a fotógrafa aproveitava os últimos momentos no estúdio. Agora, o seu local de trabalho, o seu estúdio, seria no galpão onde começara a trabalhar das 9h às 18h. Tendo o resto da noite livre para fotografar num espaço que Veronica disponibilizara para Marina fazer suas fotos.
Uma das últimas sessões de fotos que aquele estúdio em Santa Tereza presenciaria terminara cedo o suficiente para Clara, Marina, Giselle e Flávia ficarem deitadas no grande tapete quadriculado da fotógrafa. Bebendo vinho gelado enquanto ouviam os barulhos noturnos dos pequenos insetos que ficavam no jardim.
Murilo bateu na porta entreaberta e Giselle foi até ele jogando um beijo de despedida de longe para quem havia ficado. Enquanto Marina se espreguiçava, Clara avisou que iria tomar banho e ver se Ivan havia terminado o dever de casa.
– Você acha que eu não sei, né? – perguntou Marina encarando Flávia com um sorriso.
– Sabe do quê?
– De você e da Vanessa. Flavinha, nós trabalhamos juntas há anos, como é que eu nunca soube que você é gay?
– Porque eu não sou gay – respondeu Flávia rindo – Sei lá, estou tão confusa quanto a Clara estava. Eu terminei com o meu namorado depois que eu e a Vanessa nos beijamos a primeira vez. Redescobri o quanto esse lado B da minha vida é interessante.
– Redescobri? Meu Deus! Isso está ficando cada vez melhor.
Marina destrinchou o passado brejeiro de Flávia que confessou ter beijado uma menina aos quatorze anos de idade e não ter parado de viver o “lado b” da vida tão cedo. Mas depois de alguns problemas familiares ela arrumara um namorado com quem passou anos até Vanessa resolver roubar um beijo dela.
– E resumidamente é isso, eu nunca deixei de sentir tesão por mulheres, mas deixei de ficar com elas por... Sei lá... A vida tem dessas coisas. Mas agora estou com a Vanessa e vamos ver o que acontece.
– Espero que vocês sejam felizes – desejou Marina beijando a mão de Flávia – A Vanessa, apesar dos últimos acontecimentos, é uma ótima pessoa eu ainda tenho um carinho gigante por ela. E você também é uma ótima pessoa e linda. Vocês duas vão se dar muito bem.
– Já estamos nos dando – disse Vanessa na porta do estúdio.
Marina e Flávia levantaram num pulo.
– O-oi, Van – disse Marina com um sorriso incerto.
– Veio me buscar? – perguntou Flávia surpresa.
Vanessa confirmou num menear afirmativo com a cabeça.
Flávia notou que os olhos da ruiva paravam vez ou outra na figura de Marina e o mesmo acontecia com a fotógrafa. Percebeu então que elas precisavam colocar as cartas na mesa, como dizem quando coisas precisam ser esclarecidas.
– Vou lá fora ver se os tapetes secaram, já volto – disse a morena deixando Vanessa e Marina em silêncio se olhando. Sabia que nenhuma das duas havia ouvido.
– Eu... Eu estava com saudade de você, Van – disse Marina indo até a ruiva e a abraçando – Você tá bem?
– Sim, muito bem e você? E a Clara?
– Estamos bem na medida do possível, tanta coisa aconteceu desde que…
– Desde que eu estraguei tudo.
– É… – confirmou Marina sem graça – Mas não quero falar do que passou, quero falar do agora. Você e a Flavinha... Quem diria.
Vanessa riu jogando a bolsa no banco prateado enquanto jogava o corpo numa poltrona vermelha. Marina sentou na outra encarando a ruiva e essa diminuiu o sorriso e olhou daquele jeito que Marina conhecia bem.
– Eu gosto dela – confirmou Vanessa – Nós nos damos bem. Mas você sabe que o amor da minha vida sempre, SEMPRE...
– Não, Vanessa – interrompeu Marina já alterando seu humor.
– Calma – pediu a ruiva ajoelhando-se em frente à Marina – Você é o amor da minha vida e sempre vai ser, mas agora, mais do que saber eu sinto que eu não sou o amor da sua vida. Ainda não consigo conviver com a ideia de que você ama mais a Clara do que me amou um dia, esse seu amor parece uma represa prestes a estourar...
Marina estava com os olhos transbordando aquele momento.
– Vou ficar bem e de longe torcendo pela sua felicidade. Vou te amar pra sempre.
A fotógrafa então puxou a ruiva para os seus braços. As mãos adentrando o emaranhado ruivo que conhecia tão bem. Vanessa aspirava o cheiro de Marina sentindo todo os pelos arrepiarem. Aquele corpo ainda lhe trazia arrepios, sempre traria.
Clara voltava do banho quando se deparou com a cena e ouviu de Vanessa:
– Você ainda usa essa pulseira!
– Ela quase foi parar na casa de leilão da irmã da Clara, eu não deixei. Ela é muito importante pra mim, assim como você sempre será – disse Marina segurando as mãos de Vanessa – Pena que... Que você não vai mais estar comigo.
– Sempre vou estar, sempre! – disse Vanessa abraçando Marina novamente – Agora eu preciso ir antes que a Clara apareça aqui com uma faca pronta pra me matar.
– Boba, eu não deixaria ela fazer isso.
Vanessa e Marina levantaram do chão e deram-se um abraço demorado o suficiente para Clara quase entrar e tirar Vanessa dos braços de Marina pelos cabelos.
A ruiva acariciou o rosto de Marina que parecia bem a vontade com o carinho. Clara tinha o pulso cerrado e o ciúme corroendo seu coração.
Marina puxou Vanessa para mais um abraço.
– Nunca vou esquecer tudo de bom que você fez por mim – sussurrou Marina no ouvido de Vanessa.
– E eu nunca vou esquecer você. Desculpe-me por tudo de ruim que fiz, nunca foi minha intenção te magoar.
As duas se separaram e se olharam.
Vanessa colocou a mão no pescoço de Marina e foi se aproximando da fotógrafa lentamente. Seus lábios estavam bem próximos.
– Desculpa, Vanessa. Mas eu não posso fazer isso comigo, nem com a Clara – disse Marina encostando a testa à de Vanessa.
Vanessa meneou a cabeça e deu um beijo singelo na testa da fotógrafa.
Assim que Vanessa insinuou sair do estúdio Clara se escondeu atrás do pilar do corredor. Quando teve certeza voltou para o estúdio a passos rápidos.
Bateu a mão na porta e ignorou o “amor” sonoro e angelical proferido por Marina.
– Desgraçada! Eu vou te matar – disse Clara partindo pra cima de Marina com tapas bastante ardidos.
– Que isso? Tá louca? – perguntou Marina segurando Clara pelos pulsos.
– O que aquela vagabunda estava fazendo aqui? Você acha que eu não ouvi “Agora eu preciso ir antes que a Clara apareça aqui com uma faca pronta pra me matar. Boba, eu não deixaria ela fazer isso.”? – Clara imitava as vozes de um jeito cheio de desdém e raiva – Acha que não a vi quase te beijar? E você ia deixar, sua maldita!
– Ela veio buscar a Flávia, só isso.
– E veio te abraçar e conferir se você ainda usa a pulseira que ela te deu – Clara pegou o pulso de Marina e o soltou com força – Você mentiu pra mim, disse que essa pulseira era da sua mãe, Marina!
– Menti porque sabia que você ia surtar se soubesse a verdade, desculpe-me.
– Eu vou te matar, sua maldita! Se você me trair com ela ou com qualquer outra eu te caço até no inferno pra acabar com a sua vida – gritava Clara já toda descabelada.
Marina começou a assistir a cena em silêncio, os braços cruzados e um meio sorriso.
– Tira esse sorriso da cara, Marina. Eu estou falando sério. Se me trair com qualquer mulher eu vou te esfolar viva, mas se for com a Vanessa eu te mato, TE MATO!
– A Vanessa agora é só uma lembrança – disse Marina ainda sorrindo – Isso aqui é só uma lembrança – tirou a pulseira e jogou em um canto qualquer – Lembrança remete está ligada a passado e eu não vivo de passado. Vivo de presente e é você que está no meu presente – aproximava-se de Clara lentamente – Eu te amo, Clara Fernandes. Muito, mais do que qualquer pessoa nesse mundo, talvez até mais que a mim. Então fique tranquila, eu não seria louca de te trocar por uma aventura qualquer.
Clara desfez a cara de criança emburrada. Marina tinha o poder de desarmá-la.
– Desfaz essa cara e vem me amar, vem – disse Marina tirando a camiseta e jogando no chão.
Clara ergueu uma sobrancelha e ficou de braços cruzados.
– Nossa, Clarinha. Você vai resistir? – a fotógrafa tirou o sutiã e começou a descer o short, jogando-o longe com o pé.
– Cretina! Você é uma bandida, sabia? – Clara já estava com Marina em seu poder, segurando-a pela cintura – E muito, muito gostosa – sussurrou no ouvido da amada.
Marina pulou no colo de Clara e envolveu a cintura dela com suas pernas voluptuosas.
– Quero fazer amor com você em cada canto dessa casa – disse Marina olhando Clara nos olhos – Me leva lá pra cima? – apontou para o anexo do estúdio.
Um pouco cambaleante Clara conseguiu subir as escadas e chegar à parte superior do estúdio. Colocou Marina no chão já com os lábios no pescoço dela. Marina ajudava Clara a tirar a roupa e jogavam lá embaixo enquanto seus olhos e bocas não se desgrudavam.
Clara deslizava suas mãos pelo corpo de Marina como um escultor que está finalizando sua obra de arte. Virou a fotógrafa de costas, fazendo-a apoiar a mão no parapeito. Beijou as costas alvas e desceu a boca pela lombar, pela bunda delicada.
Marina virou-se de frente e puxou Clara já descendo sua mão para encontrar o sexo úmido e que já conhecia perfeitamente. Clara fez o mesmo, e as duas começaram a se tocar em meio a beijos e mordidas. Apoiadas ao parapeito abafavam os gemidos com suas bocas desesperadas.
Impiedosa Clara afundava os dedos até olhar o rosto de Marina e detectar que ela havia sentido um pouco daquela dor prazerosa.
A fotógrafa por sua vez usava os dedos para esfregar o clitóris que escorregava com o líquido quente de Clara. Clara gozou primeiro mordendo o pescoço de Marina com força, apertando os seios com sua mão que estava pegando fogo, assim como seu corpo.
Marina desceu uma mão de Clara para o próprio sexo, pressionando-a. E quando gozou sentiu o gozo sendo espalhado por sua barriga pela mão de Clara que subia para o seio novamente.
– Você é minha entendeu? – disse Clara puxando o rosto de Marina com as duas mãos, obrigando-a a olhá-la nos olhos – Só minha. Do mesmo jeito que eu sou só sua.
– Só minha é, gostosa? – perguntou Marina mordendo os lábios, queixo e pescoço de Clara – Deixa eu te fazer minha então.
Desceram até o meio da escada aos beijos. Clara encostou o corpo no corrimão da escada, mas Marina a puxou um pouco pra frente e pegou em sua perna, colocando-a sobre o corrimão.
Clara apoiou a perna como se fosse uma bailarina e aquilo a sua barra de exercícios. Marina ajoelhou-se e antes de usar toda sua habilidade labial, deslizou a ponta do nariz por toda extensão do sexo. Clara estremeceu.
A fotógrafa ajudou a amada segurando-a pela bunda e começou a pincelar o sexo com sua língua molhada. O desejo de Clara misturava-se ao doce dos lábios de Marina e a fotógrafa arfava.
Quando sentiu ser abocanhada Clara escorregou um pouco o corpo, apoiou a mão no corrimão e a outra apertava o seio, subia pelo pescoço, bagunçava os cabelos cheios
Marina descrevia círculos, subia e descia a língua na vertical, mordiscava os pequenos e grandes lábios, sorvia todo o líquido que escorria em sua língua. A fotógrafa, ajoelhada, começou a se tocar no mesmo ritmo que tocava Clara e quando sentiu que a morena gozaria, a penetrou com dois dedos ágeis e então sentiu a pressão do gozo nos dedos. Minutos depois Marina gozou, gemendo com a boca no sexo lambuzado de Clara.
Clara não conseguia mais sustentar o corpo em uma perna só, quando deu por si estava deitada sobre Marina, beijando-a com ardor, apertando a carne que se avermelhava em suas mãos.
A escada era desconfortável e Clara puxou Marina pela mão levando-a até a grande porta vermelha. Prendeu-a ali e se perdeu no meio das pernas da fotógrafa, que rebolava enquanto Clara a sugava.
Marina pressionava a cabeça de Clara em seu sexo, exigindo mais do que poderia aguentar e mais do que Clara poderia dar. Mas ela queria sentir o corpo explodir mais uma vez, precisava daquela sensação que Clara a fazia sentir tão intensamente.
– Ai... Clara... Continua... Oh... Isso... – pedia Marina já sem forças, segurando os cabelos castanhos entre os dedos. Espalmou as mãos na porta com força quando gozou pela segunda vez na boca de Clara. Os orgasmos se misturavam, se confundiam, a alucinavam.
Clara subiu beijando as coxas, a barriga e os seios de Marina. Devoraram-se mais um pouco antes de pegarem as roupas e irem para o lado de fora da casa, afinal de contas a cozinha já havia sido testemunha da selvageria sexual delas.
Antes de chegarem à área externa caíram no sofá quando passaram pela sala. Respiravam ofegantes. Os toques tinham intensidade, desejo, cumplicidade.
Marina jogava a cabeça pra trás, apertava Clara em seu corpo. Gozou sem um toque mais íntimo. Clara parecia faminta daquele corpo que aprendera a tocar com tanta habilidade.
A morena, ao tentar ficar por baixo da fotógrafa desequilibrou-se e caiu no tapete, puxando Marina. Elas riram entre beijos ávidos.
– Vem, amor... – chamou Marina puxando Clara pela mão.
Clara agarrou-se as costas dela, e caminharam assim até chegar à piscina.
– Olha a lua que linda – disse Clara no ouvido de Marina.
– Lua cheia, lua dos enamorados – disse a fotógrafa afagando as mãos de Clara que rodeavam sua cintura.
– Eu te amo tanto, sabia?
Marina sorriu antes de virar-se para Clara.
– Eu sei, mas é sempre bom esclarecer, né?
– Boba!
Marina afastou-se de Clara e começou a desnudar-se diante dos olhos castanhos que tanto amava.
Quando a fotógrafa tirou a roupa e se jogou na piscina, Clara se lembrou do dia em que foram à praia deserta e Marina fez topless. Lembrou-se de como seu corpo reagiu de modo estranho. E como ela queria ficar admirando o contorno daquele corpo pintado.
– Vai ficar ai me olhando? – perguntou Marina tirando Clara dos devaneios.
Clara sorriu e tirou a roupa toda de uma só vez. Olhou Marina mais um pouco, sorria não se lembrando de quando tinha ganhado tanta liberdade.

Notas finais
Essa minha fic tá muito pornográfica, vou dar uma maneirada nissae, hahahah sqnunca =)