Inquietude
26 Eu Voltei
Notas iniciais
Clara acordou com uma ardência no peito. A imagem e o nome de Cadu embaralhavam-se em seu pensamento. Olhou para o lado e perguntou-se se era aquela pessoa mesmo que deveria estar ali quando ela acordasse, se era aquela pessoa que deveria ocupar aquele lugar. Se ela deveria estar ali, ao lado de outra mulher.
Um pouco atordoada resolveu agir por impulso. Talvez se arrependeria, mas a imagem e o nome de Cadu ainda a assombravam, e cada segundo ia se tornando mais intenso.
Do criado mudo Clara tirou um bloco de anotações e uma caneta preta. Sentou no sofá que ficava em frente à cama para que seus movimentos não acordassem Marina. Olhou uma vez para o rosto angelical que permanecia sereno, olhou uma vez para o bloco em sua mão. Começou então a escrever com a mão trêmula:
“Precisei ir. Não poderia esperar você acordar, não conseguiria te ver chorando me pedindo pra ficar. Por que eu ficaria. E eu não posso mais ficar. Preciso ir. Preciso voltar. Não lembro quando essa vontade surgiu. Não entendo o que aconteceu. Não me faça perguntas, não vá atrás de mim. Não sei se volto. Não sei de nada. Só sei que agora eu preciso ir.
Não pense que não te amo. Pois o amor que sinto por você é maior e mais intenso do que qualquer amor que já senti.
Estarei aqui sempre que precisar. Mas não do jeito que você quer. Sei que ficaremos bem.
Preciso ir.
Se cuida.
Fica bem.
Siga em frente.
Talvez nossa história tenha chegado ao fim. Talvez apenas uma vírgula tenha aparecido. Talvez um ponto final. O futuro é imprevisível. Nossas vontades mais ainda.
Eu te amo... Eu te amo...
Te amarei pra sempre. E o meu amor por você é que está me fazendo partir agora.
Me desculpa.
Fica bem.
Te amo,
Clara.”
Clara olhou o bilhete e percebeu em sua letra o nervosismo. Releu a despedida mais uma vez, dobrou o papel apenas em uma parte e o colocou sobre o travesseiro que ainda guardava o cheiro de seus cabelos.
Com lágrimas nos olhos colou demoradamente os lábios nos lábios de Marina. A fotógrafa remexeu-se na cama e Clara se afastou. Lágrimas caíram no lençol. Mas a fotógrafa não acordou, apenas mudou de posição. Sem mais delongas Clara saiu do quarto, fechando a porta do quarto devagar.
Clara parou diante do lugar onde morou uma vida inteira e olhou no relógio. Cadu ainda não tinha saído para o bistrô.
No elevador encontrou Juliana. Desejou bom dia e a abraçou. Estava feliz por ter voltado.
Entrou no antigo apartamento sem tocar a campainha ou a porta. Simplesmente girou a maçaneta e arrepiou-se quando entrou.
Percebeu algumas caixas empilhadas e concluiu que Cadu já estava de partida.
Surpreso Cadu parou o que estava fazendo. O ex-marido estava do outro lado da mesa onde Clara almoçou, jantou e fez amor durante anos. O olhar do homem permanecia em estado de repouso e Clara abriu um sorriso desarmando-se. Caminhou lentamente até ele e colocou a bolsa sobre a mesa.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou Cadu parado. Acompanhando com o olhar os movimentos de Clara.
– Eu voltei – respondeu a morena abrindo um imenso sorriso – Voltei pra você. Desfaz essas caixas, vim recomeçar com você.
Clara aproximou-se de Cadu e levantou os pés para alcançar os lábios dele. Passou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou. Um beijo molhado e saudoso.
Cadu estremeceu quando sentiu a língua de Clara envolver-se à sua. Colocou as mãos na fina cintura e a ergueu do chão, colocando Clara em cima da mesa.
– Faz amor comigo – pediu Clara baixinho com os lábios unidos aos de Cadu.
Sem contestar Cadu tirou a própria camiseta e depois tirou a blusa de Clara. Com destreza tirou o sutiã e a deitou na madeira fria arrepiando todos os pelos dela.
Clara abriu a calça de Cadu e logo alcançou o membro quente e rígido.
Cadu gemeu em seu ouvido, trêmulo.
Enquanto era estimulado, Cadu arrancou a saia junto com a calcinha de Clara e jogou longe. Abriu as pernas da ex-esposa com voracidade e introduziu seu membro o mais fundo que pode.
Clara gritou de prazer e arranhou as costas dele, entrelaçando os dedos no cabelo curto, aspirando o cheiro másculo que por tanto tempo a excitou.
Cadu entrava e saia de Clara rapidamente, os corpos esquentavam a cada minuto.
As bocas se desesperavam para tocar todas as partes daqueles corpos saudosos.
Cadu abocanhava os seios de Clara com intensidade, deixando-os vermelhos.
– Isso, me faz sua de novo! – pedia Clara num tom cafajeste e exigente.
Cadu a pegou no colo, levando-a até a parede que dava início ao corredor que ia até os quartos. Encostou-a lá e a estocava sem piedade.
Clara gemia, gemia alto, rouco e de maneira ensandecida.
Afundou as unhas no ombro de Cadu quando gozou.
Fechou os olhos exausta.
Beijou a boca de Cadu com paixão.
Quando abriu os olhos novamente sentiu o coração disparar.
Não sabia o quão errado havia sido aquilo.
Fale com o autor