Inquietude

7 Do sentimento à carne


Notas iniciais
Embora o capítulo não tenha ficado do jeito que eu queria, bem "crocante", vou dedicar ele às novas leitoras que apareçam depois que mandei Be Mine pra Tainá (essa mesma que você está pensando) ver e ela me respondeu s2

E o terreno estava mesmo sendo preparado, mas Clara ainda demonstrava certa insegurança. Morria um pouco a cada dia que passava longe de Marina. Pensava no toque dela, no jeito meigo e moleca que se revezavam e a encantavam ainda mais. Tinha vontade de viver aquela ilegalidade amorosa naquele momento, sem precisar esperar “as coisas se acertarem”. Porém ao virar-se na cama encontrava o motivo para que ainda estivesse ali. E algo – que ela não sabia de onde vinha e por que vinha – a prendia ali e a impedia de jogar tudo para o alto.
Já era o terceiro dia desde o tempo que havia pedido à Marina. Clara achou que aquele tempo fosse suficiente para resolver tudo e seguir em frente. Mas não conseguia puxar Cadu para uma conversa franca. O até então marido sempre fugia.
Cadu sentia que alguma coisa de muito errado – pelo menos para ele – estava acontecendo ali, por isso fugia. Adiaria até quando pudesse. Ou até quando aparecesse algum plano para reverter aquela situação a seu favor.
O casal estava na casa da irmã de Clara. Cadu conversava com o Virgílio sobre assuntos aleatórios, enquanto Clara ouvia a irmã reclamar da proximidade de Luiza e Laerte.
O celular de Clara começou a tocar e um sorriso incontrolável iluminou seu rosto quando ela viu que o nome de Marina piscava na tela.
Clarinha... – disse Marina como num suspiro.
– Oi, Marina. – Clara olhou Helena e segurou o riso ao ver a irmã mais velha fazer um coração com as mãos – Olha, se você me ligou para...
Calma, calma. Não liguei pra te cobrar nada – assegurou Marina. – Liguei por que preciso de você!
Clara riu do outro lado.
Não, quer dizer... – tentou corrigir Marina rindo também – Eu preciso de você sim! Mas agora eu preciso de uma ajuda sua aqui no estúdio. Preciso que você faça aquele efeito com as luzes coloridas, lembra? Aquele que você usou no ensaio daquele casal. As meninas tentaram fazer, mas não conseguiram. Só você sabe.
– Lembro. Eu vou sim – garantiu Clara.
Vem logo, tô te esperando.
Clara riu sem graça e mordeu o lábio.
– Daqui 15 minutos estou ai. Um beijo.
– Marina e o poder de fazer a minha irmã parecer uma adolescente apaixonada – brincou Helena jogando uma almofada em Clara – Falei tanto de mim que nem perguntei como anda esse seu romance alternativo.
– Depois daquele dia na Urca não nos vimos mais – Clara deitou na cama e Helena a acompanhou – Ah, irmã... Eu pedi um tempo, sabe? Um tempo pra poder preparar o terreno e conversar com o Cadu. E pra... – Clara suspirou lembrando-se dos lábios de Marina moldando-se aos seus – Está cada vez mais difícil ficar perto da Marina – confessou sentindo o corpo esquentar. Ou talvez fosse só o ar condicionado que não estava cumprindo com sua função.

“Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente”


– Ser trocado por um homem deve ser bem difícil, mas por outra mulher deve ser pior – disse Helena encarando o teto.
– Ah, Leninha. Não complica pra mim, pô – pediu Clara tentando amenizar o impacto do que Helena disse dando um leve sorriso.
– Ok. Desculpe-me. E quanto tempo mais vai durar esse tempo? – questionou Helena virando de lado para olhar Clara.
– Termina hoje à noite. Vou ao estúdio da Marina ajudá-la com as fotos e quando eu voltar... Bom, depois eu te conto como foi.
– Que bom que você se decidiu. Então dá pra aguentar mais um pouquinho antes de... – Helena começou a rir e fez cócegas em Clara.
– Para, palhaça! Preciso ir – Clara se levantou e olhou-se no espelho que ficava grudado à porta do guarda roupa da irmã.
– Você tá linda, irmã – disse Helena sorrindo.
Ao passar pela sala, Clara e Cadu se entreolharam como se fossem estranhos.
– Cadu, busque o Ivan no judô, por favor. Vou ao estúdio da Marina ajudá-la com umas coisas.
– Achei que já tivesse saído do estúdio, Clara – disse Virgílio naturalmente.
– Sai sim. Mas a Marina pediu minha ajuda, por que eu vou negar? – replicou Clara olhando para Virgílio firmemente, evitando devolver o olhar duro de Cadu.
– Vocês têm se tornado muito amigas, né? Ainda mais com essa história de o primo dela ser namorado da Chica... As famílias estão se aproximando cada vez mais.
– É... – Helena pigarreou tentando chamar a atenção do marido que parecia não perceber a saia justa que estava metendo a cunhada – Virgílio, você foi à farmácia buscar o remédio do Sr. Benjamim?
Enquanto Virgílio e Helena discutiam em torno de Benjamim, Clara ajoelhou-se diante de Cadu e disse:
– Quando eu voltar nós vamos conversar, ok? Por que não dá mais pra viver nessa situação tão... Complicada.
– Depois, né? Sempre depois da Marina. – alfinetou Cadu – Se você não resolver ficar por lá, eu te espero.
Clara bufou e levantou-se sem dizer mais uma palavra. Saiu pela porta sem olhar para trás.

O trabalho no estúdio foi intenso.
Além das luzes, Clara ajudou Marina com o ajuste das lentes, posição das modelos, troca de figurino e várias outras coisas que haviam sido solicitadas.
Clara agradeceu aos céus pelo dia corrido, pois só assim conseguia deixar o desejo por Marina em segundo plano. Tentava não cair na armadilha daqueles olhos castanhos provocadores, mas vez ou outra trocavam um olhar carregado de tesão. Choques elétricos poderiam ser sentidos a metros de distância. Às vezes roçavam seus corpos propositalmente. Tocavam as mãos entrelaçando os dedos por alguns segundos.
Vanessa observou tudo em silêncio, pois não poderia falar nada.
A ruiva sabia tudo sobre Marina, e desse “tudo” duas coisas se destacavam naquele momento:
1º Quando a fotógrafa metia uma coisa na cabeça ninguém tirava.
2º Marina estava mesmo apaixonada por Clara.
E não haveria nada que ela pudesse fazer pra interromper aquilo. Ao menos por enquanto.
Os relógios marcavam 18h08 quando o expediente chegou ao fim.
Flavia, Gisele, Marina, Clara e Vanessa estavam jogadas em móveis distintos no quarto da fotógrafa. Clara e Marina estavam deitadas na cama mantendo-se, sem muito sucesso, certa distância. Marina estava deitada de lado e Clara de barriga pra cima, deixando um pedaço de sua pele morena exposta. Sem pedir permissão Marina começou a correr os dedos lentamente naquele terreno quase proibido. Clara fechou os olhos e soltou a respiração, que começou pesada, lentamente pelas narinas. Sentiu seu sexo contrair e quis bater em Marina.
– Vou embora antes que eu acabe dormindo aqui – disse Gisele levantando-se do mesmo sofá que Vanessa estava.
– Me dá uma carona? – pediu Flavia .
– Claro! Tchau, meninas – disse Gisele dando um beijo em cada uma.
Flavia também se despediu e as duas logo sumiram das vistas de quem havia ficado.
– Você não tem nada pra fazer não, Van? – perguntou Marina já se aproximando de Clara e tocando a barriga de Clara com a mão inteira. Encarou Vanessa com uma sobrancelha erguida.
– Com certeza! Até por que já passei da idade de servir de vela. Tchau pra vocês.
Assim que Clara teve certeza que Vanessa havia saído disse num tom de reprovação um pouco falho:
– Para de me provocar, Marina.
– Desculpa, mas eu estou morrendo de saudade de você – respondeu Marina aproximando-se ainda mais. Estavam com os corpos colados e agora a mão de Marina transitava nas costas e no cós do jeans de Clara.
– Eu tô ficando louca – disse Clara surrando no ouvido de Marina – Eu quero você, Marina.

"I want you
I want you so bad babe
I want you,
I want you so bad
It's driving me mad, it's driving me mad."


Clara sentindo-se um pouco mais a vontade do que das vezes anteriores beijou o pescoço de Marina subindo até a orelha, respirando um pouco mais lentamente em seu ouvido, desceu os lábios pela mandíbula e subiu até a boca. Quando as bocas se encontraram, as mãos nos corpos também permitiram reencontrar-se.
Respirando mais lentamente Clara sentiu sua mão descer até o seio de Marina. Apertou-o ainda sob o tecido do vestido que a fotógrafa usava e Marina gemeu em seus lábios.
Marina desceu a mão de Clara até sua coxa nua e se arrepiou quando Clara passou suas unhas levemente de cima abaixo.
O coração de Clara acelerava a cada segundo. Seu sexo começava a pulsar e ela sabia onde aquilo ia dar, ia romper o limite que faltava para se sentir completamente de Marina.
Clara afastou-se ofegante, sentindo o corpo estremecer.
– Eu não consigo mais resistir, Marina – confessou Clara sussurrando nos lábios de Marina.
– Eu também não consigo mais resistir... – disse Marina mordendo levemente o pescoço de Clara – Seu gosto – disse suspirando no ouvido de Clara que arrepiava a cada toque – Seu cheiro, seu toque... Eu te quero agora!

Notas finais
Músicas utilizadas: * Meninos e Meninas - Legião Urbana * * I Want You 9 She's so heavy - The Beatles * Ps.: Qualquer erro será corrigido "amanhã" quando eu acordar. Peço desculpa de antemão por que demorei uma eternidade pra escrever esse capítulo.