Inquietude
30 Daqui até a eternidade
Notas iniciais
Toda a família Fernandes estava em festa.
Até Chica que ainda se sentia um pouco intimidada pelo amor entre a filha e Marina ficou com os olhos marejados com a notícia do casamento. Não sabia distinguir se as lágrimas eram de alegria ou de surpresa. Mas ela sorriu e abraçou as “filhas” num abraço duplo e carregado de amor.
Chica tomou a frente dos preparativos do casamento. Queria surpreender Clara e Marina e provar para si mesma que estava tudo bem ver a filha mais nova se casando de vestido de noiva novamente, mas dessa vez com outra mulher.
A casa em Goiânia não tinha passado por grandes reformas. Ainda conversava suas cores pálidas. O jardim havia ganhado novas flores assim que o casamento foi anunciado.
Chica viveu numa ponte aérea que parecia interminável. Em meados de Outubro resolveu passar as duas semanas que antecediam ao casamento em Goiânia, enquanto Helena dava suporte as noivas no Rio de Janeiro.
Clara e Marina contavam os dias para oficializar o que já estava oficializado em seus corações.
A fotógrafa foi a caça do vestido de casamento perfeito acompanhada por Giselle, enquanto Clara recebia opiniões de Luiza e Helena. Decidiram escolher os buquês em Goiânia, as flores não suportariam duas horas de voo.
Dias antes toda a família estava em Goiânia. Clara e Marina ficaram junto da família na casa da fazenda onde Clara andou de cavalo junto dos irmãos anos atrás.
Marina estava encantada com o bucolismo do local. Sua câmera fotográfica estava quase dando pane de tantas fotos que havia tirado. Se não fosse tão urbana, moraria ali com Clara para sempre.
O dia seguinte seria o tão sonhado dia. Clara e Marina estavam deitadas de barriga pra cima encarando o teto, a ansiedade não deixava seus corações quietos e elas precisavam dormir. Acordariam em menos de cinco horas.
– Precisamos dormir, amor – disse Marina acariciando a mão de Clara e não conseguindo manter os olhos miúdos fechados por mais de dois minutos.
– Dá pra acreditar que caminhamos tanto em tão pouco tempo?
– Não. Não consigo acreditar que consegui conquistar a mulher da minha vida, não acredito que isso tudo é real.
Clara virou-se de lado e Marina fez o mesmo. Deram-se um beijo de esquimó e sorriram.
– Isso tudo é real e é nosso – sussurrou Clara afagando a bochecha da fotógrafa.
– Amo você – sussurrou Marina roubando um beijo de Clara – Deita aqui, vou te fazer dormir – disse puxando a amada para os seus braços.
Os afagos nos cabelos de Clara logo a fizeram dormir e Marina continuava questionando-se se aquilo tudo era real.
Os raios de sol pareciam mais intensos àquela manhã. Marina acordou e quando abriu os olhos assustou-se. Clara não estava ao seu lado. Levantou da cama tropeçando nos pés, esfregando os olhos. Prendeu o cabelo num coque bagunçado e foi à procura da futura esposa.
– Bom dia – desejou Virgílio – Pediram para eu te falar que você só vai ver a Clara na hora do casamento.
– Não... – Marina fez beicinho e manha.
– Desculpa, são só ordens – brincou Virgílio.
Contrariada Marina foi tomar café enquanto ouvia a algazarra dos passarinhos. Helena e Luiza não estavam à mesa, provavelmente elas seriam responsáveis pelo desaparecimento de Clara. Chica chegou minutos depois acompanhada de três mulheres com cabelos sofisticados e arrumados demais para àquela hora da manhã.
– Termine logo seu café, que hoje é seu dia de noiva – disse Chica indo até Marina e dando um beijo em seus cabelos – E você está por minha conta.
Marina sorriu e em menos tempo do que pensava havia tomado seu café.
Clara também estava tendo seu dia de noiva. Enquanto recebia massagens em seu corpo que demonstrava tensão, ligou para Marina.
– Preciso te ver, amor. Poxa, que maldade isso – reclamou Marina do outro lado da linha.
– Também quero te ver, vida. Queria passar o dia todo com você. Me sequestraram cedo, nem deu tempo de me despedir. Mas daqui a pouco nossa hora chega e a eternidade não será o nosso limite.
– Te amo.
– Eu também te amo.
Clara desligou o celular aos suspiros. O sol já estava imponente no meio do céu e as horas pareciam se arrastar. Marina olhava o relógio na parede de minuto em minuto enquanto tinha as unhas sendo pintadas. E cada minuto parecia durar uma hora inteira.
Clara por sua vez andava de um lado para outro enquanto comia uma salada. Não conseguia ficar parada mesmo com a irmã mais velha falando que ela teria uma indigestão.
Por volta das 18h00 os convidados começaram a chegar e ocupar seus lugares na sala de estar onde a família Fernandes se reunia num passado longínquo e saudoso. Cadeiras cobertas com um tecido branco estavam alinhadas em fileiras e nas laterais o mesmo tecido branco formava uma corrente presa em pequenos pilares que ostentavam em seu topo arranjos de flores do campo.
Um tapete vermelho se exibia da porta até o genuflexório único, que também era vermelho. Atrás do genuflexório estava uma mesa média, com uma toalha de renda que quase alcançava os pés do móvel. Arranjos de flores se impunham um de cada lado. Ao lado de um deles, havia uma bíblia aberta que estava sobre alguns papeis de cor amarelada.
Clara e Marina decidiram fazer o casamento civil no mesmo momento que a cerimônia que não chegava a ser religiosa.
Os primeiros assentos foram ocupados pela família de Clara, do outro lado estavam aquelas que sempre estiveram ao lado de Marina. Vanessa, assim como Cadu, não estava presente.
Marina terminava de se arrumar na casa de Ana, a sempre apaixonada por Virgílio. Depois de estar pronta pediu um minuto para ficar sozinha, só se deu conta de que aquele minuto tinha durado muito mais quando Chica irrompeu pelo quarto falando alto.
– Marina, minha filha! Vamos nos atrasar.
A fotógrafa estava sentada de frente a uma antiga penteadeira. Encarou seu rosto maquiado e os cabelos que tinham cachos perfeitos e estava preso com duas pequenas presilhas prateadas nas laterais.
Através do reflexo que se projetava, Chica percebeu que Marina estava com um ar melancólico.
– O que foi? – perguntou a mãe de Clara parando atrás de Marina com as mãos nos ombros da fotógrafa.
– Não é nada, é só que...
O nó na garganta de Marina desatou-se e quando olhou seu rosto no espelho o rímel se diluía num risco fino e imperfeito.
– Queria tanto que a minha mãe estivesse aqui, queria que ela me visse assim e visse que eu encontrei a minha felicidade – confessou Marina segurando o choro – E meu pai... Poxa, ele é meu pai ele tinha que estar aqui, Chica! – exaltou-se Marina pela primeira vez não acreditando que o preconceito havia vencido o amor.
Chica não sabia o que dizer. Poderia jurar que ouvia o coração da quase-oficialmente-nora se partindo.
– Quem vai me levar até o altar agora? – perguntou a fotógrafa tentando esboçar um sorriso.
Chica girou o banquinho onde Marina estava e ajoelhou-se, ficando quase que na mesma altura e a abraçou para confortar já que palavra nenhuma faria aquilo.
– Mãe! Eu levo você.
Chica e Marina se separaram do abraço e olharam para a porta. Ivan caminhou até Marina e a abraçou. Estava com os cabelos louros penteados para trás e usava um terno cinza chumbo, os sapatos dois tons mais escuros.
– Precisamos dar um jeito nisso – disse Chica pegando o pó compacto para reparar o estrago que as lágrimas haviam causado.
– Ah, meu filho! Eu te amo tanto, sabia? – disse Marina com as mãos no rosto de Ivan.
– Eu também mãe. Amo você, muito muito. Não fica triste, tá?
Marina assentiu e puxou o menino para um beijo demorado na bochecha.
Clara parou diante de sua antiga casa com o coração aos pulos. Será que Marina estaria já esperando por ela? Será que ela iria?
Felipe que era quem levaria Clara até o altar improvisado estranhou a paralisia repentina da irmã.
– Clarinha... Quer desistir agora? – brincou o irmão dando risada.
– Não... – Clara virou-se para Felipe com os olhos aflitos – E se ela não vier? E se tudo isso for um engano e ela não me amar como eu a amo?
– Que isso, Clara? Ficou louca? A Marina nunca faria isso, para de paranoia. Se ela não estiver ai, ela vai chegar. Vai ser ainda mais emocionante vê-la entrar e indo a seu encontro. Calma, irmã.
Clara balançou a cabeça positivamente várias vezes e tentou controlar a respiração, mas parecia difícil de respirar dentro daquele vestido apertado.
– Pronta?
– Pronta.
Quando Clara colocou os pés no limite entre o exterior e o interior da casa ouviu um violino, um violoncelo e um saxofone tocando uma música conhecida. Fechou os olhos e tentou sentir o som com seus outros sentidos. Era Pra Você Guardei o Amor, uma música que a fazia pensar em Marina antes mesmo de ela assumir a paixão pela fotógrafa.
A morena sorriu ao ver que a música estava sendo tocada por instrumentos de verdade e não por um cd player qualquer.
Todos se levantaram quando Clara surgiu sorridente. Chica que estava na ponta da fileira em frente ao altar sentiu os olhos úmidos e abriu um sorriso.
Enquanto caminhava Clara via os lábios das pessoas se moverem em elogios. A caçula dos irmãos Fernandes que sempre fora a mais romântica e apegada ao clássico deixou o romantismo um pouco de lado quando escolheu um vestido justo que moldava suas curvas e se abria como um leque nos pés.
Felipe deixou a irmã no altar e deu-lhe um beijo na testa. Murmurou um “calma” mais uma vez e sentou-se ao lado da mãe.
Clara esperava de frente para porta, o pé batendo repetidas vezes no tapete vermelho. Morderia o lábio inferior se ele não estivesse desenhado com batom.
Clara fechou os olhos por um momento e abriu quando ouviu vários “oh”. Era Marina quem chegava. Tinha nas mãos um buquê de rosas vermelhas pequeno e na outra mão Ivan a trazia, mais sorridente do que todos ali.
Ao contrário de Clara, Marina sempre foi urbana, amante do que é moderno e atual, mas no vestido apelou para o tradicionalismo. O longo era rendado. Nos seios as rendas moldavam os seios médios de Marina. Tinha alças largas salpicadas de strass.
Clara abriu o maior sorriso que tinha quando seus olhos encontraram os olhos de Marina.
Ao chegar no altar Ivan pediu que Marina se ajoelhasse e fez o mesmo gesto que o tio, beijou a testa da fotógrafa e repetiu que a amava. Marina retribuiu o gesto no mesmo lugar e levantou-se para poder olhar para Clara com calma.
Quando o juiz adentrou o local, Clara e Marina ajoelharam-se no genuflexório e deram-se as mãos. Durante a cerimônia não paravam de se olhar. Diziam-se entre sussurros “linda”, “amo você”. Controlavam a vontade de se beijarem e fugir dali.
Quando saíram do cosmo particular que estavam, ouviram o juiz dizer:
– Tragam as alianças.
Bia, filha de Juliana entrou tímida pelo corredor. Todos sorriram para a pequenina passando confiança.
A menina que tinha uma coroa de flores em sua cabeça entregou as alianças ao juiz e recebeu beijos estalados das noivas. Voltaram a se ajoelhar enquanto o juiz pigarreava limpando a garganta.
– A esse casal iluminado e que transmite o mais puro e sincero amor, abençoo por meio de uma passagem da bíblia – disse o juiz puxando a o livro sagrado para o centro da mesa – Coríntios, capítulo treze, versículos de quatro a sete: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Agora, você repita o que eu disser e pode colocar a aliança – disse à Marina em particular.
A fotógrafa dispensou o discurso batido com elegância.
– Nosso amor começou diferente, então quero oficializá-lo diferente também – disse Marina segurando a aliança no nó do dedo de Clara – Percebi que havia encontrado o amor da minha vida no momento em que coloquei meus olhos em você. Tão linda naquele vestido azul...
Clara sorriu lembrando-se do dia e momento em que Marina começou a habitar em sua mente e em seu coração.
– Mas não foi fácil conquistar essa mulher não, viu gente?
Os convidados e até o juiz riram.
– Porém todo o meu esforço valeu a pena. Descobri que por trás desse rosto de anjo existe uma mulher forte, guerreira e ciumenta – Marina riu – Uma mãe dedicada e uma futura esposa excepcional e é com ela que quero continuar dividindo meus sonhos e a minha vida. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Todos os dias da minha vida. Eu te amo, Clara.
Marina colocou a aliança em seu devido lugar e beijou Clara na testa. Escorregando os lábios até pararem nos lábios dela.
O juiz tossiu em desaprovação, mas depois sorriu.
– Clara... – disse o juiz passando a vez.
– Certo dia você me disse que eu virei o seu e o meu mundo de ponta cabeça e eu fiquei perdida nesse momento, mas me encontrei quando nossos lábios se encontraram pela primeira vez. E então eu soube que a minha loucura era paixão e que é com você que eu quero ficar.
Clara não havia chegado ao fim do discurso, mas suspiros eram ouvidos e narizes fungando também.
Marina piscava rápido tentando despistar as lágrimas.
– Eu fiquei assustada, não sabia que o amor poderia nascer tão intenso em lugares tão peculiares e então eu me vi perdidamente apaixonada por você. Descobri que nada é mais forte que a força do amor e é por ele que eu estou aqui, diante da mulher da minha vida, do meu amor. E permanecerei ao seu lado pra sempre. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Todos os dias da minha vida. Eu te amo, Marina.
Não aguentando mais, Marina puxou Clara e a beijou com paixão.
– Vocês não vão nem esperar a pergunta oficial? – brincou o juiz já jogando a toalha – Clara Fernandes você aceita Marina Meirelles como sua legítima esposa?
– Eu já aceitei. Aceitei desde o dia em que ela roubou minha alma e meu coração naquela galeria. Aceitei desde o dia em que descobri que não saberia mais viver sem esse sorriso iluminando meus dias... Sim, aceito. Afirmo que sim, afirmo quantas vezes forem necessárias. Sim.
– Marina Meirelles, você aceita Clara Fernandes como sua legítima esposa?
– Sim, mil vezes sim.
– Pronto, agora vocês podem se beijar.
Uma salva de palmas eclodiu reverberando nas janelas.
Marina tinha vontade de devorar Clara, mas conteve na ânsia de dominá-la e fez o beijo ser calmo e rápido.
O juiz chamou Clara e Marina e as testemunhas para que assinassem e presenciassem que agora Clara, não era mais apenas Fernandes, era Clara Fernandes Meirelles e Marina, Marina Fernandes Meirelles.
Quando saíram da casa, esperavam a tradicional chuva de arroz, mas se depararam com uma chuva de pétalas de rosas de variadas cores.
A festa aconteceria no tradicional salão da cidade. Marina e Clara chegaram ao salão depois que todos os convidados haviam se acomodado.
Assim que foram para o centro da pista de dança, onde Marina faria um breve discurso mais uma salva de palmas foi ouvida e as duas só conseguiam sorrir. De mãos dadas permaneceram e assim que Marina ia começar, foi detida por Giselle e Flávia.
A prima de Marina colocou as esposas sentadas diante de um gigante telão. As luzes foram sendo diminuídas e Um Amor Puro do Djavan começou a tocar quando fotos pipocaram no telão.
Metade da trajetória não foi mostrada naquela montagem, e elas não se importaram, os melhores momentos estavam registrados em suas memórias.
Ao término, Clara e Marina tinham os olhos borrados. O som ambiente voltou a ser tocado e Giselle disse:
– Surpresa pra vocês.
– Sejam felizes, meninas – desejou Flávia.
Enquanto Clara abraçava a irmã postiça, Marina abaixou o tom de voz e perguntou a Flávia:
– Porque a Van não veio?
– Ela disse que seria demais pra ela ver você se casando com outra pessoa. Não disse com todas essas letras, mas eu sou boa de ler nas entrelinhas.
Marina nada disse.
Clara puxou a esposa pela mão para se posicionarem no centro da pista de dança.
Um grande círculo humano foi formado ao redor delas e então All Of Me do John Legend em sua versão instrumental começou a tocar. Clara estendeu a mão e Marina a pegou, puxando o corpo da esposa para colar ao seu.
Os braços ao redor de suas cinturas as seguravam e os rostos roçavam-se, assim como as pontas dos narizes e os lábios, eles tinham uma dança particular.
Rodopiaram pelo salão em câmera lenta.
– Não vou te soltar nunca mais – disse Marina.
– Talvez você deva me soltar agora.
Clara girou os corpos e Marina ficou de frente para a porta.
Diogo Meirelles caminhava até elas.
Marina sentiu os joelhos cederem. Largou Clara um instante e se jogou nos braços do pai como uma criança.
– Você veio – disse Marina incrédula.
– Não poderia perder a celebração do amor da pessoa mais importante da minha vida.
Diogo conduziu a filha até o centro da pista e começou a dançar junto dela. Clara estava tão emocionada quanto Marina. Ricardo veio ao encontro da morena e a levou na dança.
Logo depois a pista foi tomada pelos outros casais.
Um pouco antes do término da música, Diogo pegou Clara para dançar. Um pouco receosa a morena foi, olhou para Marina perguntando com os olhos se tudo estava bem. Marina sorriu e meneou a cabeça.
A pista de dança continuou cheia quando Clara e Marina trocaram seus sapatos por chinelos personalizados. Os chinelos tinham no pé esquerdo escrito em prata “por onde for” e no pé direito “quero ser seu par” e as iniciais de seus nomes. As noivas passaram de mesa em mesa para receber os cumprimentos.
O pai de Marina estava sentado em uma mesa sozinho, bebendo uísque puro e sem gelo.
Clara e Marina caminharam juntas de mãos dadas até ele.
– Meninas – disse Diogo abrindo os braços.
Abraçaram-se com afeto e Diogo tirou um envelope do paletó.
– Não vou poder aproveitar mais essa festa que, diga-se de passagem, está linda. Mas não posso ir embora sem me desculpar por todas as palavras horríveis que proferi...
– Pai! – interrompeu Marina pegando nas mãos dele – O passado não importa, vamos viver a partir de hoje, recomeçar... Pela última vez.
– Tudo bem. Você tem razão. Isso aqui é um presente para vocês – Diogo entregou o envelope para Marina e quando ela abriu o ar escapou de seus pulmões.
Marina entregou o envelope para Clara e abraçou o pai aos prantos.
– Te amo, velho! Obrigada, obrigada, obrigada.
– Era o mínimo que eu poderia fazer, devolver o seu paraíso particular.
– Obrigada, Diogo – disse Clara depois de ler o que tinha no conteúdo do envelope.
Diogo tinha comprado a casa em Santa Tereza e devolvido para Marina. Ficara sabendo por Vanessa dos últimos acontecimentos e achou que aquilo seria a concretização das pazes entre eles.
– Sejam felizes e cuide bem da minha menina, Clara. Ela é o meu tesouro – disse Diogo dando um beijo demorado na bochecha da nora.
Marina e Clara seguiram para a pista de dança. Clara tirou uma parte do vestido e deixou à mostra as pernas torneadas, obrigando Marina a provocá-la discretamente no meio dos dançarinos.
Ambas se acabavam de dançar, sorrir, trocar beijos e afagos. Sentiam-se num conto de fada.
– Mãe! Mãe! – chamou Clara puxando Chica para o meio da pista – Quero agradecer por tudo. Está maravilhoso. Amei!
– Eu também, Chica. Amei tudo, tudo... Você me surpreendeu da melhor maneira possível.
– Minhas meninas, minhas meninas – disse Chica tomando Clara e Marina nos braços – Vocês merecem tudo isso e muito mais.
Não muito tempo depois, Clara estava sentada no banco do jardim conversando com Luiza e Giselle. Marina chegou de mansinho e beijou o pescoço da esposa.
Luiza e Giselle apenas se levantaram e voltaram para o salão.
– A sua antiga casa hoje é toda nossa – disse Marina sentada com as pernas sobre o colo de Clara, beijando a orelha dela – Por mim a nossa noite de núpcias começaria aqui, tendo as estrelas como testemunhas do nosso amor.
– Louca! – respondeu Clara rindo e beijando Marina – Vamos logo antes que isso se torne realidade.
A casa só não estava mais silenciosa por causa dos grilos que exibiam seu barulho conhecido pelo jardim.
Clara e Marina passaram pela piscina e viram velas formando um C e um M. Marina virou o rosto de Clara para encarar o seu e a beijou enquanto colava o corpo dela na pilastra do jardim.
Quando entrou no quarto onde dormiu anos atrás, Clara não acreditou que ainda havia tanto dela ali. O passado e o presente se fundiam naquele espaço.
Marina fechou a porta com o pé e virou Clara de costas, puxando o zíper lateral do vestido da esposa para baixo.
– Você é impossível – disse a fotógrafa ao ver a lingerie vermelha que Clara usava.
Clara virou-se de frente e com a ajuda de Marina abriu o outro vestido.
Deitaram-se na cama com as pernas entrelaçadas e as bocas num ritmo calmo.
– Amo cada canto do seu corpo, amo você... – disse Clara entre os beijos e mordidas de Marina – Você me mostrou um mundo novo e o seu mundo é o meu agora e é nele que eu quero continuar vivendo. Te amo, te amo, te amo...
– Sou grata todos os dias por você ter cruzado o meu caminho – respondeu Marina parando um segundo para olhar para Clara e ter certeza de que aquilo não era um sonho – Eu também amo você, meu amor... Mas agora agora...
Marina pressionou o sexo de Clara com a palma de sua mão e a sentiu estremecer em seus braços.
Marina passou por cima de Clara e sentiu em seu quadril. Clara ergueu-se segurando Marina pela cintura e beijando sua cintura, subindo pela barriga, colo, espádua, queixo... Enquanto beijava a esposa, suas mãos abriram o fecho do sutiã. Clara segurou os seios de Marina com as duas mãos e os apertou, unindo-os alternando entre um seio e outro com sua boca.
Marina segurava os cabelos de Clara e a puxou exigindo um beijo.
Clara inclinou-se para frente e deitou o corpo de Marina na cama. Ainda por cima da calcinha tocava o sexo inundado de desejo. Movimentos circulares faziam Marina trincar os dentes e Clara sorria maliciosa para a visão de prazer que a esposa lhe causava.
Rapidamente, a morena foi até o antigo guarda roupa e tirou de lá o já conhecido strap-on. Tirou a própria calcinha e vestiu o acessório.
– Senta aqui e rebola pra mim, gostosa – pediu Clara.
Marina sentou e antes de introduzir o brinquedo no seu sexo que pulsava ensandecido a cada segundo, passou-o pelo clitóris, gemendo baixo.
A fotógrafa fez o que Clara pediu e rebolou devagar, sentindo o corpo esquentar.
– Deliciosa – disse Clara disparando um tapa na bunda da esposa.
Clara saboreava os seios de Marina enquanto a fotógrafa subia e descia no brinquedo. A morena deitou Marina no colchão quando sentiu que ela precisava de gestos mais intensos. A cama rangeu quando Clara usou toda sua força para levar Marina a loucura.
– Ah... Ah... Meu Deus... Amor... Isso... Me fode mais, vai, a-amor... – pedia Marina segurando na cabeceira da cama.
Clara respondia aos pedidos estocando Marina rápido e forte.
A fotógrafa espalmou as costas de Clara, fazendo boa parte do sangue se concentrar nas mãos que agora apertavam a carne da esposa.
– Quero você de costas pra mim, minha vadia – disse Clara puxando Marina pelos cabelos.
Ajoelhada de costas a fotógrafa apoiou as mãos na cabeceira da cama enquanto Clara puxava seus cabelos e raspava os dentes nas costas alvas e lisas. Clara apoiou a mão esquerda na mão de Marina enquanto a outra explorou os seios, e desceu até o clitóris que parecia que explodiria a qualquer momento.
Clara mal encostou os dedos no ponto rijo de Marina e a fotógrafa gritou, explodindo-se num orgasmo intenso.
Visivelmente cansada, Marina jogou o corpo na cama, arfando e sentindo o coração bater contra sua caixa torácica.
Clara ajoelhou-se de frente para ela e abriu as pernas de Marina com um pouco de violência.
– Aaah, você vai ter que aguentar – disse a morena lambendo o interior da coxa de Marina antes de passar sua língua na entrada molhada de Marina.
Clara sorveu todo o gozo de Marina, penetrou-a com sua língua algumas vezes antes de sugar o clitóris que já estava avermelhado.
As pernas da fotógrafa tremiam.
Clara começou a masturbar Marina enquanto subia sua boca pelo corpo da fotógrafa.
– Você é tão gostosa... Tão minha – disse Clara no ouvido de Marina – Ah, meu amor... Geme pra mim – pediu mordendo a mandíbula da fotógrafa.
– Me chupa, e eu faço o que você quiser... Ah... – respondeu Marina quase que delirando com os toques de Clara.
– Seu pedido é uma ordem.
Clara continuou usando seus dedos no interior quente e macio de Marina e sua língua circulava toda a extensão do clitóris.
Marina gozou de novo segurando os cabelos de Clara.
– Bandida – disse Marina depois de recuperar o fôlego – Você quer me destruir.
Clara riu escalando o corpo de Marina e deitando-se sobre ela.
– Você acha que vai ficar barato, sua cachorra?
– Fala, o que você vai fazer comigo? – provocou Clara mordendo o pescoço de Marina.
Marina jogou o corpo de Clara na cara, prendendo os pulsos dela com suas mãos.
– Vou te morder – disse Marina mordendo a orelha – Vou te lamber – sua língua desceu pelo pescoço – e vou te chupar – chupou os lábios de Clara, invadindo a boca da esposa com sua língua em seguida.
Elas beijavam com tanta impetuosidade que seus lábios mostravam sinais de inchaço. Marina desceu sua mão pelo abdômen de Clara e sua boca descia pelo pescoço.
Quando adentrou o sexo alagado, Marina gemeu junto de Clara.
– É assim que você gosta, né safada? – disse Marina estocando Clara lenta e profundamente.
– A-aham... – respondeu Clara baixo mordendo o ombro de Marina.
Os dedos de Marina circundavam Clara com uma lentidão torturante. Escorregavam na lubrificação exagerada.
Clara mordia o lábio inferior com intensidade e as mãos apertavam os seios.
Marina tirou a mão e levou à boca, lambendo os dedos, fazendo Clara se retorcer de desespero.
– Acaba com isso, amor... – reivindicou Clara.
Marina levantou uma sobrancelha e afundou os dedos molhados de sua saliva.
– Marina... – reclamou – Sua boca... Quero sua boca...
A fotógrafa beijou Clara com desejo.
– Cachorra – proferiu Clara batendo em Marina.
– Onde? Onde você quer minha boca? – perguntou Marina segurando o rosto de Clara com uma mão só, a outra parada dentro dela.
– Aqui – respondeu Clara pressionando a mão de Marina em seu sexo – Me chupa... Inteira...
– Só se você ficar de quatro pra mim – redarguiu Marina puxando Clara pelas costas – Isso... – reagiu quando Clara ficou de quatro pra ela – Gostosa.
Marina bateu na bunda de Clara, apertando-a em seguida. Sua língua subiu e desceu por toda extensão prazerosa e Clara, umedecendo o ponto sensível e apertado da esposa.
Clara gemeu todo seu corpo entrou em curto circuito.
A morena começou a rebolar quando Marina começou a sugar e estocar sua intimidade.
Marina enfiava os dedos com força, sentindo Clara se contrair e se molhar ainda mais.
Clara gozou e ainda sentiu Marina chupando-a. Gozou novamente em seguida sentindo o sexo em chamas.
– Não vou durar muito se você continuar fazendo isso comigo – disse Clara deitada de costas, sentindo Marina beijar seu corpo.
– Eu é que não vou durar muito. Você é insaciável, meu amor. Minha ninfomaníaca.
Clara riu e virou de barriga pra cima. Marina deitou a cabeça em seu peito e acariciou o corpo da morena com a mesma leveza que era acariciada. Ambas se arrepiando.
– E você ainda disse que vamos além da eternidade – lembrou a fotógrafa sorrindo.
– E nós vamos. Juntas – ratificou Clara beijando os cabelos da esposa – A nossa infinidade acabou de começar.
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