Innocent girl
14 Capitulo 14 - Depois da tempestade vem a calmaria
Notas iniciais
POV EMMA
Entrei no quarto e Regina estava olhando para o teto, distraída com algo, com um olhar sério, como se estivesse perdida no tempo, ou pensando em algo.
— Hi... — Disse um pouco sem graça, afinal era por minha culpa que ela estava deitada em uma cama de hospital.
— Emma! — Disse ela sorrindo e se esforçando um pouco para falar.
— Xi! Não precisa falar nada, não se esforce. Estou tão feliz que você esteja fora de perigo, não sei o que faria se acontecesse algo com você — Disse já com os olhos cheio de água, não conseguia controlar minhas emoções perto de Regina, nem ao menos conseguia entender o que sentia, imagina controlar.
— Emma, está tudo bem, também fico feliz que você esteja bem, e não me faz mal falar, só dói um pouco, por causa do ferimento. — Disse ela ainda com um sorriso tranquilo no rosto, o que fez meu coração apertar mais ainda, como poderia ela estar tão tranquila, tão linda, tão feliz, depois de tudo que a fiz passar?
— Regina — Disse pegando sua mão e apertando de leve — Eu realmente sinto muito por te colocar nessa situação, olha pra você, poderia estar na sua casa nesse momento, mas está aqui em uma cama de hospital, sentindo dor até para conversar, eu sinto muito mesmo, se eu soubesse que você teria que passar por isso para me salvar, jamais teria pego aquele maldito telefone. — Disse, já em lágrimas, que eu não conseguia conter.
— Emma, nunca mais repita isso. Entendeu? — Disse ela, dessa vez séria, me fazendo sorrir. — Que foi? — Ela perguntou me olhando com os olhos apertados.
— Parece que você está realmente melhor. — Disse sorrindo, mais ainda.
— Como assim, Swan? — Disse ela um pouco nervosa.
— Olha aí, toda autoritária e séria, essa é a Regina que eu conheço. — Disse fazendo-a revirar os olhos.
Ficamos um tempo em silencio, nos encarando, ela me passava uma tranquilidade incrível, enquanto as únicas coisas que eu conseguia sentir era gratidão e culpa.
— Regina... — Disse quebrando o silêncio. — Me perdoa?
— Emma, você quer que eu te perdoe por ter sido sequestrada? Não faz nem sentido.
— Não.. Não é isso. Me perdoa por te trazer até aqui — Disse apontando pra cama que ela estava deitada.
— Emma, por favor... Nada disso é sua culpa, a culpa é do... deixa pra lá. Como ele está?
— Ele... o Neal? Ele... Ele morreu. — Disse com um nó na garganta.
— Oh, sinto muito.
— Não sinta, estou feliz que você está viva. Isso que importa agora. — Disse a fazendo sorrir, com um olhar triste. Não sei porque ela ao menos se importava pela minha perda, até porque ela tinha todos os motivos do mundo para odiar Neal, dizem que a primeira impressão é a que fica, e o Neal que ela conheceu, foi um Neal completamente diferente daquele que eu conhecia a anos, ou pelo menos achava que conhecia.
— Regina, posso te fazer uma pergunta? — Não sei se aquele era o momento para tal pergunta, mas isso estava martelando na minha cabeça desde que ela entrou naquela sala de cirurgia.
— E adianta eu dizer que não? — Disse ela revirando os olhos, porem sorrindo ao mesmo tempo. Nunca a vi sorrir tão abertamente, na verdade nunca a vir sorrir dessa maneira, era lindo, o sorriso mais lindo que já vi.
— Você realmente faria isso por qualquer aluno, por ser seu dever? — Perguntei a fazendo gargalhar.
— Ai.
— Que foi? — Perguntei preocupada.
— Nada, é que acabei de descobrir que sorrir também dói.
— Oh, sinto muito.
— Tudo bem.
— E então? Faria isso por qualquer aluno? Porque isso é loucura, você não pode arriscar sua vida dessa maneira toda vez que um aluno te pedir socorro, sabe?
— Emma, lembra o que eu te falei aquele dia? Fora da escola sou apenas eu, Regina. E não, não faria isso por qualquer aluno... Na verdade só faria isso por você, e eu nem sei o porquê... Lembra aquele dia que você passou mal na escola?
— Estou interrompendo algo? — Perguntou Cora adentrando o quarto com uma expressão nada feliz. Droga, o que Regina ia me dizer?
— Não... — Disse Regina, me encarando como se pedisse desculpa pela mãe dela.
— Tudo bem. Depois terminamos essa conversa. Ok?
— Ok, você vai voltar?
— Não vou ousar sai daqui, vou só tomar um banho e voltar para o hospital. Cuida dela enquanto isso, Cora?
— Claro que cuido, ela é minha filha senhorita Swan, e não é como se você fosse um anjo inocente que não tem nada a ver com o fato de Regina precisar de cuidados. — Cora sabia muito bem como ser cruel, ela ia diretamente nas feridas.
— Mãe... Por favor, se for para ser grossa, pode se retirar.
— O que? Você tá do lado dessa... — Disse ela me analisando.
— Tudo bem. O médico disse que Regina não pode se estressar, não quero brigar, vou até minha casa tomar um banho e já já estou de volta — Disse olhando para Regina, ignorando Cora.
POV REGINA
Parecia surreal tudo que tinha acontecido, eu nem ao menos conseguia me lembrar de tudo com clareza, por mais que me esforçasse, mas lembrava nitidamente o choro de desespero de Emma, e isso cortava meu coração. Meus pensamentos foram interrompidos quando ela adentrou o quarto em que eu estava, ela parecia bastante abatida e cansada, ainda suja de sangue e terra, provavelmente ficou o tempo todo no hospital esperando por notícias minha, o que me fez sorrir. Céus o que tava acontecendo comigo? Desde quando uma simples atitude me fazia sorrir com tanta facilidade? Bem, não importava. O importante mesmo, é que estávamos as duas bem.
— Regina, posso te fazer uma pergunta? — Disse ela um pouco apreensiva.
— E adianta eu dizer que não? — Claro que não adiantaria, Emma é extremamente teimosa, se ela queria saber algo, ela iria descobrir.
— Você realmente faria isso por qualquer aluno, por ser seu dever? — Meu Deus, ela acha mesmo que tudo que venho fazendo por impulso (sim por impulso, porque Emma Swan faz eu perder totalmente o controle sobre minhas ações), eu faria por qualquer aluno? Só me restou sorrir daquela pergunta inocente. Será que ela faz isso de propósito?
— Ai. — Reclamei com a dor, dessa vez intensa, que senti. É... Talvez eu ainda demorasse um tempo para melhorar.
— Que foi? — Perguntou ela apertando mais ainda minha mão, me fazendo perceber que ainda estávamos de mão dadas, o que fez uma onda incrível de calor percorrer todo meu corpo e me trazer uma paz indescritível.
— Nada, é que acabei de descobrir que sorrir também dói.
— Oh, sinto muito.
— Tudo bem.
— E então? Faria isso por qualquer aluno? Porque isso é loucura, você não pode arriscar sua vida dessa maneira toda vez que um aluno te pedir socorro, sabe? — Ela realmente estava falando sério, como podia ser tão linda dessa maneira? Eu estava disposta a deixar ela saber o que estava se passando dentro de mim, mesmo eu mesma não entendendo o que era.
— Emma, lembra o que eu te falei aquele dia? Fora da escola sou apenas eu, Regina. E não, não faria isso por qualquer aluno... Na verdade só faria isso por você, e eu nem sei o porquê... Lembra aquele dia que você passou mal na escola?
— Estou interrompendo algo? — Disse mamãe, quebrando totalmente o clima que se instalou ali e me fazendo voltar um pouco para a realidade. O que eu estava pensando em fazer? Céus...
Emma saiu do quarto depois da grosseria de mamãe, mas disse que voltaria, o que me deixou mais calma.
— Mamãe, não vou aceitar esse tipo de tratamento com Emma, entendeu? Ela também passou por muita coisa, e nada disso é culpa dela, não é culpa de nenhuma de nós, fui clara?
— Nossa, depois a grossa sou eu, só estou aqui preocupada e tentando cuidar de você, Regina. Eu até chorei de preocupação se você quer saber.
— Cora, faça-me o favor, você está aqui só para manter sua postura, você nunca cuidou de mim, e por que faria isso agora que já sou uma adulta?
— Regina, você esteve envolvida em um sequestro, levou uma facada, passou por uma cirurgia, provavelmente vai sair no jornal, nas rádios, talvez até na TV, o minimo que eu deveria fazer como sua mãe, era aparecer por aqui e ver como você está.
— Sabia, você é uma hipócrita, que só se preocupa com o que as pessoas vão ou não pensar de você.
— Não é assim, Regina. Não foi o que eu quis dizer.
— Mas foi exatamente o que você disse, por favor. Se retire do meu quarto e me deixe sozinha.
Ela não me questionou mais, apenas se retirou. Como Cora podia ser tão cruel dessa maneira? Ela é muito falsa, nem sei como ainda me surpreendo com as atitudes dela.
...
Não sei por quanto tempo eu dormir, só sei que quando acordei Emma, estava sentada em uma cadeira ao meu lado, lendo um livro.
— Olá, quanto tempo eu dormi?
— Mais de 5 horas — Disse ela sorrindo — Mas pode voltar a dormir, ainda é madrugada.
— Tudo bem, estou sem sono. E você? Não vai dormir?
— Não, não consigo, toda vez que eu começo a cochilar, tenho pesadelos horríveis sobre ontem.
— Entendo. Quer falar sobre isso?
— Hoje não. Mas eu queria falar sobre algo, podemos? — Perguntou ela, novamente apreensiva.
— Sobre o que?
— Antes da sua mãe chegar, você ia me dizer algo sobre o dia que passei mal na escola, o que era? — Me perguntou, se sentando ao meu lado na cama e me encarando curiosa.
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