Innocent girl
15 Capitulo 15 - Muralhas
Notas iniciais
POV REGINA
Sabia que Emma não iria deixar aquilo passar, ela realmente é curiosa, mas eu agi por impulso naquele momento, me deixei levar por sentimentos estranhos que eu nem mesmo sei o que é ainda, mas eu não posso fazer isso, não posso me deixar levar nessa maneira, essa não sou eu, desde do que aconteceu com meu pai, me fechei completamente, levei anos para construir minha muralha, sofri muito naquela época e não acho que esse seja o momento de deixar meus sentimentos aflorarem, seja lá qual forem eles. A verdade é que eu tinha medo de sentir.
— Nada, Swan. Não é mais o momento para isso. — Disse de maneira ríspida.
— Uau, voltamos ao Swan? Gosto quando você me chama de Emma, é acolhedor, depois de tudo que passamos, eu gostaria que você me chamasse de Emma. — Disse ela de maneira meiga. Ceús...
— Desculpa, Emma. — Disse sem perceber.
— Você é muito confusa, sabia? — Disse me analisando.
— Por que? — Perguntei realmente querendo saber o que Emma pensava sobre mim.
— Regina, vou ser sincera com você... — Disse ela abaixando a cabeça e se calando, me deixando ainda mais curiosa, mas resolvi respeitar seu silencio e esperar.
POV EMMA
Eu raramente falava dos meus sentimentos, eu apesar de ser uma pessoa sorridente, "meiga" como diz Ruby e aquela que todos gostavam de vir contar de seus problemas, porque eu era uma ótima ouvinte (eu acho), eu era péssima quando o assunto era falar do que eu estava sentindo ou dos meus problemas, eu simplesmente travava, por isso, mesmo triste eu sorria, pra evitar perguntas do tipo "Você está triste? O que aconteceu?", porque eu simplesmente seria grossa e não responderia a pergunta. Mas com Regina era diferente, eu sentia vontade de me abrir e as vezes me abria sem perceber e não me sentia mal por isso.
— Sabe, Regina... — Disse ao perceber que ela prestava bastante atenção em mim. Não sei quanto tempo fiquei perdida em meus pensamentos, mas ela não me interrompeu, o que de alguma maneira me surpreendeu, nunca conheci alguém tão impaciente quanto Regina. — Você é realmente muito confusa, muito. Eu não consigo te ler e eu consigo ler todas as pessoas.
— Como assim você não consegue me ler? — Perguntou ela erguendo a sobrancelha.
— Eu não consigo saber o que você está pensando ou sentindo, é um mistério.
— E isso faz de mim uma pessoa confusa?
— Não, isso faz de você uma pessoa interessante, adoro desvendar mistérios.
— Oh... E você que me desvendar?
— Eu vou te desvendar. — Disse, fazendo ela gargalhar.
— Ai... Sorrir doí.
— Não entendi porque riu.
— Você me desvendar? Tente, Swan. Tente! — Disse ela com um sorriso sarcástico — Mas então o que faz de mim uma pessoa confusa?
— Seus atos, suas palavras.
— Exemplos?
— Olha, aquele dia no corredor, a primeira vez que nos falamos, você foi extremamente ríspida, mas ao mesmo tempo boa, pois não me advertiu. E quando você se tornou minha professora, você me tratava com uma frieza extrema, mas quando eu passei mal você parecia está realmente preocupada comigo, o que me deixou confusa com aquele ato, e então você me disse que faria isso por qualquer aluno e logo depois me advertiu, então fui sequestrada por Neal, e você foi me salvar, aliás sou muito grata por isso, não sei como te agradecer, será uma dívida eterna.
Continuando... Então eu perguntei se você era mesmo tão tola de fazer isso por todos os alunos e você me disse que só faria isso por mim. Mas por que? — Perguntei, causando um silêncio no quarto.
— Emma, Eu...
— Olá, meninas! — Disse Whale, entrando no quarto. Que droga... Sempre tinha alguém para atrapalhar.
POV REGINA
Literalmente salva pelo gongo. Emma sabia como ser direta, uau. As vezes eu me esquecia que ela só tinha 18 anos, ela era mais madura que muita gente nos seus 30.
— Olá Doutor, já posso ser libertada daqui?
— Regina! — Disse Emma me repreendendo, como ousa?
— Sim, isso mesmo que vim fazer, assim que amanhecer, farei uns exames padrão e a senhorita estará livre para ir para casa, mas quero que fique em repouso, e não faça movimentos bruscos, como lavar roupas, vasilhas, cozinhar. É bom que alguém fique de olho em você — Disse olhando para Emma.
— De maneira alguma, eu sei me virar muito bem sozinha, fui sozinha minha vida toda, nunca precisei de uma babá. — Disse irritada com aquela palhaçada toda.
— Ah sim, e quantas facadas você já levou na vida? — Perguntou fazendo Emma sorrir e eu revirar meus olhos.
— Nenhuma.
— Tudo bem, doutor. Eu cuidarei dela. Ela irá para minha casa. — Disse Emma sorridente e confiante.
— Jamais, não vou para sua casa Emma, e aliás é a casa de Snow e não sua. Eu vou para minha casa, onde eu me sinto a vontade.
— Tudo bem, ligarei para mamãe levar minhas coisas para lá.
— Ótimo, assim fico mais tranquilo — Disse, Whale como se eu tivesse de acordo com aquela situação.
— Opa, eu não disse que será assim, eu prefiro ficar sozinha — Até porque ficar sozinha com Emma naquela casa enorme, por algum motivo me deixava feliz mas ao mesmo tempo assustada.
— Tudo bem então... — Disse ela triste. — Dr. Whale, por favor, ligue para mãe de Regina e diga a ela para passar um tempo na casa da filha.
— DE MANEIRA ALGUMA, tudo bem... Ligue para Snow levar suas coisas, e nem pense que irá faltar aulas, você já faltou 2 dias.
— Tudo bem, eu não faltarei — Disse ela animada.
— Ótimo, tenho que ir olhar os outros pacientes. — Disse Whale saindo da sala.
— Então, Regina... Por que?
— Emma, não ache que porque passamos por tudo isso juntas, somos amigas que falam tudo que sentem uma pra outra, não somos nada uma da outra, não tenho que te dar explicação de nada, minha cabeça tá doendo muito, vou dormir. — Disse me virando de costas para Emma, sem dar oportunidade de resposta, ela se levantou e foi se sentar em uma cadeira, que ficava do lado da janela, ela era tão linda, parecia realmente um anjo, adormeci com a visão de Emma admirando o céu.
...
— Regina... Regina, acorda.
— Hummmm.
— Acorda Regina, eu trouxe seu café da manhã, tome, temos que ir para sua casa, a não ser que você quer que eu chegue atrasada na escola. — Essa ultima frase de Emma me despertou, não queria prejudicar ela, sei como ela é aplicada.
— De maneira alguma, já estamos indo. — Disse a fazendo rir e me sentando rapidamente na cama. — Ai.
— Cuidado Regina, vá devagar, você ainda está ferida, lembra? — Perguntou me fazendo revirar os olhos.
Terminei meu café da manhã, fiz os exames solicitados pelo Dr. Whale, fiz questão de me vesti sozinha e em privacidade, o que foi uma tarefa quase impossível e dolorosa, mas por fim eu consegui. Sai do quarto e fui direto para o táxi, com a ajuda de Emma e uma cadeira de rodas do hospital, quanto exagero...
— Chegamos.
— Uau, é bem perto da escola, minha casa é bem longe, posso me acostumar a morar aqui.
— Você não está morando aqui, Swan.
— Ai credo, que mal humor, eu só estava brincando.
— Não gosto de brincadeiras.
POV EMMA
A casa de Regina era linda, parecia aquelas casas de filmes, porém eu imaginava algo mais escuro, mas para minha surpresa, era um ambiente claro e de ótimo gosto decorativo.
— Uau, sua casa é linda.
— Sim.
— Você é sempre assim?
— Não tenho tempo para isso Swan, me ajude a subir as escadas e vá para o quarto de hospedes, se ajeite e vá para escola.
— Ok, quer que eu te ajude no banho?
— Não. Consigo me virar. — De certa forma, esse não foi um alivio, não sei bem porque, mas a ideia de ver Regina nua me deixava um pouco nervosa.
— Ok, vou me arrumar e ir para escola, estou ansiosa para ver a nova professora de português.
— Ha Ha, muito engraçado. — Disse ela de forma irônica. — Quero relatórios de quem está no meu lugar, tem que ser alguém muito bom para me substituir. — Disse ela me fazendo sorrir, ela realmente estava certa.
Levei ela até seu quarto, e fui para o quarto de hospedes, que era praticamente do tamanho da minha casa. Liguei para minha mãe para avisar que estava tudo bem, que deixasse minhas coisas quando eu chegasse da escola, que eu iria a aula, odiava matar aula, mas naquele momento queria muito ficar ali e cuidar de Regina, apesar dela negar minha ajuda. Me arrumei rapidamente, com uma roupa que minha mãe me levou no hospital, desci até a cozinha, que era magnifica também, peguei uma maçã que estava em um cesto sobre a mesa e fui para escola me preparando emocionalmente para contar o que ocorreu, principalmente para Ruby, porque eu só tinha ligado para ela rapidamente do telefone de Regina para falar que estávamos bem e que contava depois com detalhes o que aconteceu.
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