Notas iniciais
Oieee! Primeiro de tudo,muito obrigada a pessoa que está acompanhando essa fic ( eu te amo, mesmo sem te conhecer ). Segundo, espero que gostem desse capítulo, e me perdoem por qualquer errinho de gramática. XOXO.

Henri

Percebo que estou segurando minha respiração quando eu a solto ao ver uma caixa de vidro aparecer no meio da sala. Em cima, um buraco do tamanho da minha mão, tapado por dentro por uma placa alaranjada. A caixa está cheia de água. E eu devo entrar dentro desse lugar.

– Ok, muito engraçado. — Digo, forçando uma risada. – De qual de vocês foi essa ideia de inventar um jogo de terror para finalmente ficarem sabendo o que eu fiz?

Encaro meus amigos e, mesmo sem querer, percebo: isso não é uma brincadeira. Tem a droga de uma vela falando comigo. Sem comentar que ela quer me matar. Sinto um vento frio na nuca que vem junto com um sussurro: Vá!

Para não deixar nosso amiguinho irritado, vou andando até a caixa, sem deixar de encarar os rostos apavorados do meu grupo. Enquanto ando, sinto minhas pernas tremerem e, sem querer acreditar no que estou prestes a fazer, encosto uma mão na caixa de vidro.

Sinto um frio percorrendo meu corpo assim que toco na caixa. Por um segundo, ouço o grito de Jonathan, no momento que a água tocou seu corpo. Sinto os respingos da água quente na minha pele, uma sensação agradável. Ouço o meu próprio silêncio quando me ligam dizendo que encontraram seu corpo. Sinto o frio das algemas em meu pulso, sinto o cheiro de cigarro de Drezilk, meu colega de cela.

Sinto o cheiro do perfume de minha mãe, a vejo correndo até mim, me abraçando. Eu podia ficar aqui para sempre, sentindo suas lágrimas molharem o meu rosto, sinto os braços dela me envolvendo cada vez mais forte. Sinto...

Sinto o frio da água preenchendo cada parte de meu corpo. Abro os olhos, e a única coisa que consigo ver é cinco figuras embaçadas do lado de fora da caixa de vidro. Olho para cima e vejo a placa de ferro enferrujada, parafusada no vidro (que por algum motivo não quebrou, não tenho tempo para pensar nisso agora ) com quatro parafusos da grossura do meu polegar.

Como eu entrei na caixa eu não sei, ela parece bem sólida para mim. Pare de pensar nisso, Henri. Grito para mim mesmo. Tenho que arranjar um jeito de sair da caixa. Já não sinto mais meus braços. O frio da água queima minhas pernas por dentro da calça.

Levanto os braços e puxo a água com força para baixo, fazendo assim com que eu suba. Me agarro aos parafusos. Tento girar o do canto esquerdo com os meus dedos dormentes, sem nenhum sucesso.

Começo a sentir meu pulmão clamando por ar. Continuo tentando liberar a placa. Depois do que parece uma eternidade, desisto de tentar abrir a placa e jogo todo o meu corpo contra a parede de vidro. Você nunca estudou física idiota? Isso não vai funcionar!

Subo novamente até a placa, tentando desparafusá-la com os dentes, engolindo água demais. Sinto a água enchendo meus pulmões, me queimando por dentro, então já não sinto mais nada.

Começo a cair, ou talvez eu já esteja morto mesmo. Vejo algo vermelho se movendo em minha direção. Seria uma sereia? Minha salvadora! Tudo começa a ficar escuro, sinto uma mão me segurando. Minha sereia! Ela não me abandonou...

Se isso é a morte, então não é tão ruim assim.

+ + +

– HENRI! ACORDA! HENRI PETERSON! SE VOCÊ ESTIVER MORTO EU JURO QUE TE MATO!

Tem alguém me sacudindo. O que aconteceu? Jonathan? Começo a abrir meus olhos, e me surpreendo a ver cinco pares de olhos me olhando.

– AH! GRAÇAS A DEUS! – Gritou uma voz conhecida.

Tudo volta a foco e me lembro de tudo que aconteceu. Tento me sentar, porém meus braços tremem quando eu tento me apoiar neles.

– Calma garoto, — diz Charlie. – Você ainda tem que descansar muito.

– Charlie? – Digo, com uma voz que não sabia que era a minha.

– Oi! Então, um pequeno resuminho do que aconteceu: você morreu, ai a gente te trouxe de volta. Mas não esquenta, está tudo bem. Tirando pelo fato de que, bem, você morreu.

– Você está um pouco feliz demais, não está? – Diz Lena.

– Melhor rir do que chorar, Lena. Já vamos morrer mesmo, pra que passar meus últimos momentos me lamentando?

Ela falou tudo isso sorrindo, um sorriso que definitivamente não era da Charlie que eu conheço. Era de uma Charlie diferente, destruída por dentro. Me levanto, apoiando nos ombros de Russel, que está ao meu lado.

– Acho que tudo isso me fez meio mal. Eu tenho certeza que eu vi uma sereia.

– Ah, isso! Na verdade, eu joguei um extintor de incêndio na caixa, e por isso que você está vivo. – Diz Charlie, rindo.

– Você fez o que? – Grito. – VOCÊ ESTÁ LOUCA? Você acha que seja lá o que está por trás dessa vela vai perdoar trapaças? Agora sim estamos mortos. Muito obrigado

– Eu estava tentando te salvar! Você não pode ficar grato por isso? Ou você é realmente tão orgulhoso a ponto de brigar comigo por salvar sua vida?

– Ao mesmo tempo em que você diz estar salvando minha vida, você está nos condenando. Você não tem noção do que você fez, não?

– GENTE! Outra mensagem! – grita Russel, fazendo tanto eu quanto Charlie esquecermos tudo.

“Você trapaceou, Charlie Hoophit, você salvou seu amigo durante uma prova que ele deveria cumprir sozinho. Você irá sofrer as consequências de suas ações, com uma prova a mais que seus amigos.

Não tolero compaixão em meu reino. Se você deseja vencer o Infernum e se tornar minha herdeira, você deve esquecer que existem outros a sua volta.”

A mensagem se apaga. Todos olham para Charlie, que parece mais pálida que antes. Em circunstâncias normais, eu diria “Eu te avisei!”, porém eu sei o que ela está sentindo, e a única coisa que eu gostaria de fazer neste momento é ir até ela e abraça-la.

A vela volta a marcar o chão com a cera. Depois de terminar, a cera pega fogo e vemos escrito:

“Sua amiga sofreu por trinta minutos numa água suja, gritando por seu nome. E você não ouviu.

Você deverá passar por o mesmo que ela passou.

Charlie Hoophit, você irá ficar trinta minutos dentro da mesma caixa que Henri, porém ela se enche de uma água cheia de impurezas gradualmente. Sobreviva.”

Ginny começa a chorar muito, muito alto.

– EU NÃO QUERO MORRER! – Gritou a menina.

Ela levanta e vai até a porta, gritando;

– EU – QUERO – SAIR – DAQUI!

Ela esmurra a porta, gritando e chorando. Tenho vontade de acompanha-la para sair logo desse lugar. Ela continua chorando, sem gritar nem esmurrar a porta. Ela cai no chão, e fica deitada lá, sem fazer nenhum som.

– Está tudo bem Ginny. – Diz Russel, indo até ela, e a segurando nos braços. – Está tudo bem... É tudo um pesadelo. Apenas um pesadelo.

Notas finais
Então? O que acharam? Podem comentar ai embaixo, eu não mordo. - pelo menos não normalmente - Luna Sem Lovegood