Infecção
1 Capítulo 1
Capítulo Um
- Três infectados fugiram de um hospital no centro de Nova York, os três estão desaparecidos. O prefeito de Nova York recomendou que todos, a partir das seis horas, trancassem as portas e não saíssem até as cinco do dia seguinte.
Governadores de sete estados renunciaram ao cargo. Dentre eles, está o governador do estado da Califórnia.
A China fechou as fronteiras com a Índia, o país com mais números de infectados. Já foram registradas cem milhões de mortes na Índia.
Carl ouvia o rádio atentamente enquanto aguardava seu pai, Peter O’Connor o levar a escola.
Carl era um garoto simpático, que cursava o terceiro ano do ensino médio na Terry High School.
- Desligue essa droga de rádio, Carl! – gritou seu pai do lado de fora do carro. Sua voz estava tão rouca que parecia um cachorro engasgado – Já chega de notícias ruins! Todos os dias dessa semana foram assim! – ele deu uma pausa, e tentou imitar a voz feminina do noticiário – Sete infectados foram mortos (pela segunda vez) após mordem um guarda civil. Ah, Carl! Francamente!
Carl desligou o rádio do carro e esperou o pai entrar.
Peter era um homem de trinta e sete anos com aparência de trinta. Era professor de biologia na mesma escola em que seu filho estudava. Era magro, com cabelos castanhos e seus olhos eram castanhos. Peter sempre se orgulhara de sua família: tinha uma filha infectologista, e um filho estudando muito para se tornar engenheiro.
Carl era o espelho do pai, não só na aparência, mas no intelecto também. Já fora chamado para três universidades antes do tempo, mas recusara pois, para ele, era necessário terminar o ensino médio para se ter uma “base” na faculdade.
Peter dirigiu até a escola em que ensinava, saiu do carro e esperou Carl sair.
- Mas o que... – disse Peter, espantado, pois notou que a escola estava interditada, e a polícia no local. – Está acontecendo nessa droga?!
A polícia interditara o local, fazendo uma espécie de “escudo” humano em volta da escola, impedindo que alguém ultrapassasse.
- Voltem para casa – dizia uma mulher no megafone – as aulas foram canceladas até o final do mês.
- MAS O QUE ACONTECEU? – gritava Peter, enquanto Carl tentava fazer o pai parar de escandalizar – EU PRECISO TRABALHAR! IDIOTAS!
Mas não houve respostas, e não houve outra saída, a não ser ir embora para casa.
Peter reclamou durante toda a viagem para casa: “Policiais nojentos! Nunca vi cancelar um dia de aula assim, de uma hora para a outra”, “EU QUERO DAR AULA”, “MEU FILHO PRECISA ESTUDAR”.
Eles chegaram em casa e ligaram a TV no canal 6. Um programa sobre culinária (repetido) estava passando, quando, de repente, o anúncio de plantão começou a tocar. A vinheta de plantão sempre deixava a família O’Connor temerosa, principalmente depois de coisas estranhas acontecerem.
O símbolo do presidente apareceu na TV, e a voz do mesmo começou a falar:
- Orientamos que todos os americanos fiquem em suas casas a partir das seis da tarde. Qualquer um que for visto fora será detido.
E o plantão, de uma hora para a outra, acabou. E o programa de culinária voltou a ser exibido.
- ÓTIMO! – reclamou Peter, muito frustrado – DE UMA HORA PARA A OUTRA ESSES MISERÁVEIS NOS DIZEM PARA FICARMOS EM CASA!
***
A irmã de Carl e filha de Peter era Julie O’Connor, uma médica infectologista que trabalhava em sua clínica particular no centro de Nova Orleans. Julie era calma, muito diferente de seu pai.
Julie chegou mais cedo que o normal em casa, às 17h40, já que seu expediente era até às 18h.
- Hoje o dia foi estressante – falou ela, quando chegava em casa. Jogou seu jaleco branco encardido em cima do sofá, e sentou, bufando, em uma poltrona de couro marrom – Dois infectados quiseram fazer gracinha e me ameaçaram caso eu não os ajudasse... Foi a primeira vez que vi um infectado, e a primeira vez que vi como a doença é transmitida já que...
Pai e filho nem prestavam atenção no que Julie dizia.
- Ah, francamente. Achei que queriam saber o que está acontecendo lá fora. Está um CAOS! Milhares de manifestantes contra o toque de recolher... Jesus...
Julie saiu inconformada, já que ninguém lhe dava ouvidos.
Julie sempre foi estudiosa e sempre teve o sonho de cursar medicina. Não tinha outra profissão em mente, a não ser infectologista.
Nada. Nenhum noticiário mostrava o que acontecia do lado de fora. Nenhum deles mais falava da pandemia. A mídia parecia omissa ao que acontecia.
O dia seguinte foi um pandemônio, quando deixaram a casa.
A rua estava cheirando a fumaça, graças a manifestantes que tocaram fogo em pneus para impedir a passagem dos carros. Pessoas com placas na calçada gritavam, pedindo a verdade.
A aula foi cancelada mais um dia, mas os policiais dessa vez não estavam lá. Peter reclamou mais ainda do que o dia anterior.
O bairro em que a família O’Connor foi se esvaziando, pouco a pouco naquele dia. As famílias começaram a perceber o que estava acontecendo, menos a O’Connor.
Mais uma vez a vinheta de plantão tomou conta da televisão, anunciando mais um toque de recolher. Dessa vez, os jornais mostraram as manifestações, a anarquia que acontecia por todo o mundo.
- Carl, Julie... – começou Peter, quando o plantão finalizou – Quero que vocês arrumem as malas. Já.
- Para onde vamos, pai? – perguntou Carl – Viajem nesse tempo?
- Não quero reclamações – disse Peter, calmamente.
Carl e Julie sabiam que seu pai fazia o que dizia.
Carl sabia o que estava por vir. Ele sempre costumou ler livros, historinhas e séries sobre apocalipse “zumbi”. Talvez um “expert”, ou não.
E a família fez o que deveria ser feito: fugiram. Fugiram como uma família, que estava realmente apavorada com os acontecimentos mundiais recentes. Uma família que não aguentaria ver a catástrofe vindoura.
[...]
- DROGA DE ENGARRAFAMENTO – gritou Peter, quando se viam numa longa fileira de carros.
Julie já estava aos choros. Abandonar anos de trabalho não era legal, principalmente para uma médica dedicada.
Carl também não se conformava em perder seus sonhos. Todos os seus sonhos foram destruídos por uma infecção viral que es espalhou rapidamente pelo mundo, obrigado sua família a sair da normalidade que vivia, e entrar num mundo com expectativas que já não existiam.
- Desçam da droga do carro, queridos – falou Peter, mas no instante em que disse, uma coisa horrorosa aconteceu; uma espécie de humano deformado se jogou contra o para-brisa do carro. Ele fazia um som estranho, como se estivesse sente estrangulado. Toda a família de espantou.
- Mas que bosta é essa? – gritou Carl.
- UM INFECTADO – gritou Julie – Não cheguem perto dele... Caso ele morda... – Julie falou, com uma voz triste e desanimada, que, ao mesmo tempo, estava desesperada.
Peter saiu do carro e foi até o deformado.
- Seu doente, saia de cima do meu carro! – Mas o homem agarrou seu braço, Peter se debateu, e foi ouvido um grito de horror vindo de dentro do carro.
Peter conseguiu se livrar antes que a coisa o mordesse, o empurrou e a coisa bateu com a cabeça forte no chão, e não respondeu.
Peter abriu o porta malas rapidamente. Pegou as três bagagens e foi caminhando.
- Mas para onde o senhor vai? – gritava Julie. Ela saiu do carro e seguiu o pai.
Carl não sabia o que fazer, então apenas seguiu Julie e seu pai.
Era o início de algo realmente tenebroso:
O fim.
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