Inevitável

10 Um crime perfeito!


Notas iniciais
Minnaaaaaaaa... CHEGOU MAIS UM CAPÍTULOOOOOO o/ Desculpem a demora para postar esse... Mas minha vida social me toma tempo gentemmmm :O ~Tenho que limpar a casa, cuidar do namorido, trabalhar, fazer coisas de faculdade, escrever essas milhares de palavras, revisar pelo menos 2x antes de postar e por aí vai xD Espero que gostem... Ficou bem simples, um pouco meloso e tenso talvez! Boa leitura e que os jogos começem ♥

~Kagami Taiga~

Ainda era 20h24min do domingo. O ruivo acabara de voltar do aeroporto e sua cabeça parecia prestes a explodir por vários motivos: Sentia uma dor incessante no quadril, detestava despedidas como aquela que acabara de presenciar e principalmente por causa da maldita mensagem não respondida de Aomine... Aquilo de alguma forma estragou seu final de semana.

Enquanto subia com o elevador olhou novamente para o celular. Nada... Suspirou fundo, lendo pela milésima vez aquelas palavras vazias em significado que o deixaram realmente "paranoiando".

"Acho que estamos com problemas Taiga... Amanhã te explico. Se cuide."

O barulho do elevador anunciou que chegara a seu andar. Saiu distraído, olhando ainda para a tela do celular, lendo e relendo a mensagem. Apalpou o bolso inconscientemente e tirou a chave enquanto se aproximava do apartamento 34.

– Taiga!

A voz conhecida o fez olhar para frente, Aomine estava sentado encostado em sua porta, provavelmente esperando-o. Aliviou-se um pouco ao vê-lo, não deveria ser algo tão ruim se ele ainda tinha permissão e vontade de aparecer.

– Daiki! — Disse sorrindo, olhando-o se levantar enquanto abria a porta do apartamento. Estava fazendo de tudo para não transparecer sua impaciência, irritabilidade e preocupação. Não demonstraria de jeito nenhum sua paranoia. — Como foi o aniversário?

– Não adianta esconder, seu idiota! — Sorriu, empurrando-o para dentro da casa assim que a porta foi aberta. — Sei que você está se corroendo pra saber do que eu estava falando.

– É claro, seu desgraçado! — Falou Kagami jogando toda sua farsa para o alto em questão de segundos enquanto colocava a chave no aparador. — Por que não me respondeu?

– Eu respondi! — Exclamou ele em tom de defesa enquanto sentava-se no sofá retirando o celular do bolso. — Mas já não tinha mais área de cobertura onde eu estava quando enviei. Aqui ó!

Ele levantou o aparelho, mostrando-o uma mensagem consideravelmente longa explicando o ocorrido. Kagami sentou ao seu lado, empurrando o celular e dando-lhe um beijo nos lábios, que foi correspondido com carinho. Depois se preocuparia com o que quer que fosse... Sentiu falta de Aomine, mesmo que tivesse visto ele no dia anterior. Ele lhe pertencia integralmente nos finais de semana.

O moreno o acariciava a bochecha enquanto movia suavemente os lábios. Aquilo de alguma forma acalmou Kagami, livrou-o momentaneamente da tensão que sentia e sua dor de cabeça nem estava mais tão intensa. Passou os dedos suavemente pelos cabelos azuis e macios de Aomine enquanto sentia a língua dele entrar em sua boca, trazendo-lhe aquele gosto doce que apenas ele tinha.

Suspirou fundo quando se afastaram, precisava de uma dose daquilo antes de começar. Olhou intensamente os olhos azuis e profundos de Aomine. Havia algo errado ali, sabia disso.

– Desculpa por deixar você preocupado! — Sussurrou Aomine, passando os dedos em sua bochecha. — Sei como você é cheio dos casos... Avacalhei com seu fim de semana, não é?

– Não é para tanto também! — Mentiu Kagami, sorrindo de canto. — Conte-me, com que tipo de problemas nós estamos.

– Então... Quando cheguei em casa ontem meus pais estavam me esperando para uma conversa.

– Hm... — Murmurou Kagami, esperando pelo pior.

Aomine suspirou antes de continuar:

– Eles começaram a me perguntar por que eu gostava tanto de vir aqui! — Suspirou, apoiando a mão na perna de Kagami. — Falaram que nunca tive o costume de dormir na casa de amigos e tal... Então minha mãe deve ter ouvido Nick ou Alex pela ligação e eles cismaram que eu tenho uma namorada.

O ruivo o olhou atônito, mas nada disse. Aguardou que ele continuasse.

– Perguntaram se ela era sua conhecida, se morava no mesmo prédio que você... Coisas assim! Eles não me deram escolha, não me deixavam falar... Tive que confirmar. — Embaraçou-se Aomine, arrancando uma expressão incrédula de Kagami. — Taiga, eu quase falei da gente quando eles começaram a supor um monte de idiotices.

– Daiki, não pode! — Disse Kagami alarmado. — Não ainda...

– Eu sei, eu sei... Foi por isso que eu confirmei que havia uma suposta namorada. — Ele suspirou. — Mas eles continuaram com isso até o fim. Querem saber o nome dessa tal pessoa, querem conhece-la, juram de pés juntos que ela mora aqui no prédio e até me incentivaram a vir para cá hoje.

– Uma luz no fim do túnel. — Disse Kagami, irônico, sentindo um aperto no peito.

– Mas não parou por aí! — Suspirou Aomine, enterrando o rosto nas mãos.

– O que pode ser pior do que seus pais acharem que você namora uma garota quando na verdade namora comigo? — Perguntou Kagami erguendo as sobrancelhas e acariciando os cabelos azuis dele.

– O pior é que eles começaram a falar isso para a minha família inteira ontem. — Disse Aomine, apoiando a cabeça no sofá. — Meu pai veio com aquele papo de "use camisinha" na frente dos meus tios... Meus primos vieram me perguntar se minha namorada era bonita, peituda, se eu tinha foto, se a gente já fez... Taiga, me vi no inferno.

– Que merda, Daiki. — Suspirou Kagami, realmente preocupado com o que ouvia. — E agora?

– Agora? — Perguntou o moreno, encarando-o. — Minha mãe está nos esperando lá em casa para jantar. E ela vai especular...

– Oe! — Exclamou Kagami. — O que você está pensando em fazer?

– Vamos enrolá-los, lógico! — Suspirou Aomine, olhando firme para os olhos rubros de Kagami, como se o analisasse.

– Você quer mentir?

– O que você sugere? — Deu de ombros o moreno. — Estou sem saída Taiga. Eles têm certeza que estou namorado com alguém que mora por aqui e que você... — Ele apontou para o incrédulo Kagami com o indicador. — Sim, Taiga, que você me ajuda com essa namoradinha, como eles mesmo dizem.

– Daiki, isso vai dar merda! — Suspirou Kagami, sentindo-se mal com o rumo que aquilo estava tomando, até um embrulho no estômago surgiu de repente.

– Eu sei que vai! — Irritou-se Aomine. — Mas eles me colocaram num beco sem saída. Não me deixaram falar nada, e quando eu negava tudo eles começavam a rir e dizer que eu estava só com vergonha de admitir.

– Tá, vamos resolver isso com calma! — Suspirou Kagami sentindo novas pontadas em sua cabeça. Fechou os olhos e pensou, ou pelo menos tentou.

Aomine enterrou novamente o rosto nas mãos, parecia que ainda tinha algo a dizer. Kagami abriu os olhos e esperou.

– Eles começaram a falar que tinham orgulho de eu ter finalmente me endireitado. — Riu irônico, voltando a apoiar a cabeça no sofá. — Falaram que eu estou mudando, e atribuem isso a essa garota que nem existe... Que na verdade é você.

Kagami não soube o que dizer, apenas o abraçou pelos ombros, enterrando o rosto em seus cabelos. Sentia-se muito mal, muito mal mesmo, mas Aomine parecia mil vezes pior e Kagami descobriu que odiava ver aquilo. Queria protege-lo...

– A gente vai dar um jeito! – Sorriu o ruivo, tentando animá-lo acariciando seu pescoço. — Podemos dizer que era minha irmã, mas que ela foi embora hoje, que vocês estavam ficando ou algo assim.

– Não sei se vai rolar porque minha mudança veio antes da sua irmã. — Disse Aomine, olhando-o com um sorriso compassivo. — Seria mais fácil dizer que é uma vizinha sua.

– Nome? — Perguntou Kagami entrando a contragosto na teia de mentiras que estavam começando a montar. Afastou o rosto, mas continuou a mexer com os cabelos azuis.

– Sei lá... — O moreno deu de ombros. — Rin?

– Quem é Rin? — Perguntou Kagami, estreitando os olhos.

– Vai saber... — Riu Aomine olhando-o debochado ao dar um tapa na testa do ruivo. — Não fique com ciúme de algo que nem existe Taiga, não conheço nenhuma Rin.

– Não estava com ciúme! — Desviou Kagami emburrado. — Rin está bom.

– Vamos mesmo mentir? — Perguntou Aomine incrédulo, erguendo as sobrancelhas e cruzando o braço. — Sei que você não gosta...

– Fazer o quê? — Deu de ombros Kagami. — Se for por você eu posso fazer isso.

– Eu sou sortudo pra caralho em ter você comigo! — Sorriu Aomine satisfeito, inclinando-se o empurrando contra o sofá com o ombro. – Agora você virou meu parceiro de crime.

– Não se acostume! – Disse Kagami corando um pouco, mas sorrindo. – Vamos fazer isso só até a coisa toda se resolver. Depois você diz que não deu mais certo com ela e fim de papo...

– Obrigado Taiga! – Disse o moreno nitidamente aliviado, dando-lhe um soco carinhoso no braço.

– É pela gente! – Falou o ruivo corando um pouco.

Ainda com o braço por cima dos ombros de Aomine, o puxou para mais perto. Ficaram em silêncio por um longo tempo, pensativos.

– Nada vai nos afastar... Não é? – Sussurrou o moreno um tanto inseguro olhando para o ruivo.

– Nada! – Reforçou confiante.

Nem parecia Aomine Daiki falando. Aquilo realmente assustou Kagami, mas o ruivo disfarçou a tempo. Havia medo nos olhos azuis? Sentiu uma imensa vontade de protegê-lo, mas também estava com aquela sensação ruim... Entretanto não é como se algo realmente anormal estivesse acontecendo, só foi um mal entendido com a família, nada que ameaçasse tanto o relacionamento de ambos... Kagami tinha certeza que coisas muito piores os esperavam ainda.

– A gente precisa ser forte! – Falou Aomine com a voz mais firme, como se lesse os pensamentos de Taiga. – Não é nada tão ruim assim que não tenha solução, e ainda só está no começo!

– É! – Concordou Kagami, olhando-o nos olhos. – Vamos dar um jeito e tudo vai ficar bem.

– É que vi isso como uma ameaça para a gente, sabe? – Suspirou Aomine, endireitando-se para encarar. – E isso me deixou... Sei lá... Triste?

– Bobagem! – Disse Kagami disfarçando e dando-lhe um selinho. – Estamos bem não é? Relaxa... O paranoico sou eu, não esqueça!

–Tem razão Bakagami! – Sorriu Aomine dando-lhe um tapa na coxa, onde apoiou-se para levantar. — Vamos então?

– Como assim “vamos”? – Questionou Kagami, olhando-o incrédulo. – Se for pra cometer um crime precisa pelo menos ser um crime perfeito. A gente decidiu só o nome da coitada...

– Que mané crime perfeito! – Debochou Aomine já em pé, voltando a ser ele mesmo. – Rin é sua vizinha que vem aqui de vez em quando e a gente fica. Pronto, crime perfeito! Vamos logo...

– Você é prático demais! – Disse o ruivo a contragosto, levantando-se também.

– Não Taiga, você que pensa demais... No caminho a gente decide o resto da história. – Sorriu Aomine, se dirigindo até a porta. Olhou para trás de repente. – Não vai pegar suas coisas?

– Que coisas?

– Você tem aula amanhã! – Disse, levantando as sobrancelhas e fazendo gestos de contagem com os dedos. – Uniforme, bolsa, caderno, lápis...

– Oe! – Exclamou o ruivo franzindo a testa. – Vou voltar para casa depois de jantar.

– Claro que não vai! – Exclamou Aomine, indo em direção ao quarto de Kagami calmamente, dando-lhe um peteleco na testa enquanto passava. – Você vai lá dormir comigo hoje e amanhã vamos juntos para a escola.

– Que metido! – Exclamou Kagami sorrindo, seguindo-o até o quarto.

– Só quero ficar com você, Taiga! – Disse o moreno acendendo a luz do cômodo e olhando ao seu redor. – Já avisei a minha mãe também.

– Só vou fazer isso porque a gente ficou longe... – Mentiu Kagami, fazendo-se de difícil, já pegando as coisas que usaria no dia seguinte.

– Sei, sei... – Debochou o moreno, rindo.

Aomine sorrindo era bem melhor, pensou Kagami. Mas por que aquele peso não saía de seu peito?

***

– Taiga-onii-chan! — Gritou Kento descendo com velocidade as escadas para cumprimentar o ruivo. Jogou-se em seu colo sem avisar e o fez derrubar a bolsa. — Quer ver minhas figurinhas novas do Naruto?

– Ah, Oi Kento! Quero sim... — Sorriu o ruivo meio sem jeito, acomodando-o melhor no colo. Não sabia lidar com crianças, apesar de que ele já era bem grandinho.

– Não amola ranhento! — Disse Aomine, puxando-o do colo de Taiga pela camiseta, fazendo-o cambalear ao tocar no chão.

– Onii-chan chato! — Disse o menino mostrando a língua para Aomine, que repetiu o gesto.

– Quanta maturidade! — Riu Kagami, olhando pacientemente para as figurinhas em sua mão, mas sem reparar realmente nas imagens. Perdera a conta de quantas vezes já fizera isso para agradar o pequeno.

– Taiga-kun! — Aomine Seiko olhou pela porta da cozinha e acenou, vendo-o ainda no hall sendo abordado pela criança.

– Boa noite! — Cumprimentou com uma reverência. Já estava acostumado a ser bem recepcionado na casa, mas hoje a coisa estava tomando um rumo diferente, pois uma mentira ensaiada percorria sua mente.

– Faz tempo que você não aparece mais aqui! — Sorriu ela se aproximando dos meninos. — Só Daiki vai lá agora.

– É! — Concordou Kagami, olhando para Aomine em busca de auxílio. Só pelo olhar já sabia que as especulações começaram. — Está na temporada de jogos da NBA, então ficamos assistindo.

–Sei, sei... Vai dormir aqui hoje, não é? — Ela perguntou, olhando para as coisas que ele trazia. — Já arrumei seu fúton.

– Muito obrigado! — Ele fez mais uma reverência. — Não queria incomodá-los no domingo.

– Você não incomoda, já é da casa querido! — Ela disse simpática voltando para a cozinha. – A janta já está quase pronta.

– Obrigado! — Respondeu olhando novamente para as figurinhas com um suspiro.

Era a primeira vez que voltava lá em duas semanas, desde quando Nick chegara de viagem. Foi realmente triste vê-la ir embora, a presença da irmã o fazia se sentir seguro de alguma forma, mais perto de sua mãe também... Algo com o que precisava conviver.

– Oi mãe! — Disse Aomine incrédulo, vendo-a desaparecer pela porta. — Não me cumprimenta mais?

– Oi Daiki, oi! — Ela disse de dentro do cômodo, sorrindo.

– Pode isso? — Perguntou o moreno mais para si mesmo do que para outra pessoa. Continuou seu caminho até a escada.

– Taiga-onii-chan, viu? — O menino perguntou com os olhos brilhantes indo das figurinhas para o rosto do ruivo. Seu sorriso banguela fez Kagami rir, gostava do menino, era como ver um chibi de Aomine.

– Vi sim, bem legal! — Respondeu, devolvendo os cartões para Kento.

– Deixa ele em paz, ranhento! — Mandou o moreno empurrando-o no sofá enquanto começava a subir os degraus. — Vem Taiga!

– Razengan! — O menino gritou e deu um salto, agarrando as pernas de Aomine e fazendo-o se desequilibrar. Teve que se apoiar com as mãos no degrau mais acima para não esborrachar-se.

– Ah é assim? — Perguntou Aomine, olhando-o ameaçador. Kagami teve que rir quando o moreno começou a fazer movimentos de mão típicos de algum jutsu do Naruto... Era o lado oculto de Aomine Daiki.

– Ahhhhhhh! — O menino gritou alegre, correndo para a cozinha e passando por Kagami.

Aomine correu atrás e o agarrou pela barriga trazendo-o de volta de ponta cabeça. Ele gritava histérico, mas estava gostando da brincadeira. O moreno o atirou no sofá e começou a fazer cócegas na barriga estufada do menino.

– Vai deixar Taiga em paz? — Perguntou, provocando as risadas no menino.

– Não! — Ele respondeu determinado, com as lágrimas saindo do canto dos olhos enquanto lutava com braços e pernas.

– Ah, não vai? — Ameaçou Aomine, intensificando as cócegas, fazendo-o gritar. — Tem certeza?

– Eu vou... eu vou... — Murmurou o menino com dificuldade, mal conseguindo respirar de tanto que ria.

– Estamos conversados ranhento? — Perguntou Aomine incisivo, deixando-o inerte no sofá apenas concordando com a cabeça.

Kagami mal conseguia conter a risada, o menino estava arfante no estofado e suas figurinhas estavam todas espalhadas pelo chão. Acompanhou Aomine escada acima ainda olhando para trás, Kento fora nocauteado.

O moreno abriu a porta do quarto e acendeu a luz. Kagami gostava daquele lugar, o cheiro familiar, a bagunça organizada, o excesso de azul, tudo era bom ali... Mas o fúton, como sempre, estava do lado esquerdo da cama.

– Que bonitinhos vocês dois! — Debochou o ruivo olhando-o de canto enquanto colocava as coisas em cima da escrivaninha. — É como ver você lutando contra sua própria mentalidade infantil!

– Haha... — Riu Aomine sarcástico jogando-se na cama e colocando os braços atrás da cabeça. — Idiota.

Kagami sorriu e o observou deitado com os olhos fechados, parecia cansado. Aproximou-se devagar e quieto, sua primeira intenção foi assustá-lo, mas decidiu simplesmente desistir da ideia... Acabou de chamá-lo de infantil, seria o mesmo se o fizesse. Simplesmente deitou-se ao seu lado e ficou olhando o teto azul.

– Você não contou como foi o aniversário... – Murmurou por fim, olhando para Aomine, que abrira os olhos devagar.

– Um saco, como previsto! – Sorriu sarcástico encarando o teto. – Quando eu era menor passava quase todos os finais de semana no sítio, é um lugar bem legal. Gostava de pescar, acampava com meus primos, tomava banho de rio e tudo. Ficava lá por todas minhas férias...

– Por isso você é meio colono então? – Perguntou Kagami rindo um pouco, imaginando Aomine pequeno fazendo aquelas coisas.

– Sim! – Disse com um sorriso orgulhoso. – Parei de visitar minha avó quando comecei a jogar basquete.

– Hm...

– Falando nisso, já estamos no início de julho, né? – Comentou Aomine olhando-o. – O que você vai fazer nas férias de verão?

– É mesmo, daqui a duas semanas... Não sei ainda. – Suspirou feliz ao lembrar que logo teria folga da escola. – Ano passado fui para L.A., mas esse ano não vai rolar...

– Que bom, porque eu não ia deixar você ir mesmo! – Comentou o moreno voltando a olhar para o teto.

– Oe! – Estranhou Kagami levantando uma das sobrancelhas. – Como se você mandasse em mim...

– Mas eu mando! – Ele sorriu fechando os olhos. Aguardou alguns segundo para continuar. – Você me obedeceu direitinho ontem de manhã e foi extremamente agradável...

Kagami nada respondeu, apenas o encarou por um longo tempo com os lábios entreabertos mal acreditando no que ele acabara de dizer. Por que ele tinha que tocar no assunto... Agora a sua cabeça o traía e o fazia lembrar-se de tudo... A sensação quase retornava ao seu corpo...

– Que foi? – Perguntou o moreno irônico, abrindo os olhos para encará-lo. – Vai dizer que não é verdade?

O ruivo permaneceu em silêncio encarando-o. Aomine manteve o olhar firme e intenso enquanto um sorriso malicioso brincava em seus lábios, ele estava provocando. O ruivo notou que a saliva estava começando a se juntar em sua boca e sentia sua respiração falhar um pouco, estava ficando excitado. O moreno percebeu e seu sorriso aumentou.

Sem avisar Aomine moveu-se na cama e subiu suavemente no corpo do ruivo, tomando-lhe a boca com vontade, forçando a entrada de sua língua. Kagami entreabriu os lábios, puxando-o contra seu corpo com os braços. Aquele foi um beijo necessitado que arrancava pequenos gemidos de ambos.

O ruivo inconscientemente começou a afastar as pernas para que Aomine se acomodasse entre elas, parecia tão natural agora. Kagami conseguia sentir as ereções de ambos se encostando, por isso desceu as mãos pelas costas do moreno, apertando-o contra si enquanto esfregava-se em seu corpo, queria senti-lo melhor... Ouviu Aomine gemer em seus lábios com o contato, ele tinha a voz rouca e excitante. Kagami o queria de novo, de ambas as formas... Mas não podia continuar com aquilo, não ali.

Aomine afastou-se repentinamente do beijo, olhando para trás, na direção da porta. Deu mais um selinho em Kagami antes de levantar e correr para trancá-la. O ruivo apoiou-se com os cotovelos na cama para olhá-lo. Ainda com pressa, o moreno apertou o botão de seu aparelho de som e colocou uma música para tocar num volume um pouco alto, era Pink Floyd, Kagami riu...

– Aprendi a gostar dessa merda! – Ele sussurrou, voltando a deitar sobre o corpo de Kagami. – Agora eles não vão mais nos ouvir lá de baixo...

– Daiki... Acho melhor a gente... – Começou Kagami, sendo interrompido pela língua de Aomine, que percorreu seus lábios sensualmente.

– Melhor a gente o quê? – Perguntou o moreno passando a mão por seus cabelos e os puxando com força. – Sei que você quer...

– Ahh... – Gemeu Kagami, fechando os olhos e não conseguindo mais resistir, estava com tanto tesão e sabia que o moreno também estava. – Daiki...

– Você gosta quando dói, não é? – Perguntou o moreno, cravando os dentes de leve em seu queixo enquanto se esfregava em seu membro.

– Acho que sim... – Sussurrou, mal se contendo ao sentir um novo puxão nos cabelos. Realmente gostava da dor, mas se envergonhava um pouco por isso.

– Acha é? – Ele sussurrou, cravando os dentes com mais força entre seu pescoço e seu ombro ao afastar a camiseta, arrancando um gemido mais longo e intenso do ruivo. – Eu tenho certeza...

Kagami abriu os olhos com dificuldade, precisava recuperar a lucidez antes que deixasse a coisa acontecer, pois estava prestes a permitir. O abraçou e o envolveu com as pernas, fazendo força para virá-lo na cama. Com um pouco de esforço conseguiu, ficando por cima.

– Daiki... – Arfou, tentando ignorar o pênis no qual estava sentado e o seu próprio, que pulsava. – A gente não pode...

– Eu sei Taiga... – Sussurrou Aomine sorrindo. O envolveu pelo tronco enquanto sentava na cama, ajeitando o ruivo em seu colo. – Não sou tão inconsequente... Só quero brincar...

Estavam em uma posição interessante, foi o que Kagami pensou ao sentir o membro dele pulsar entre suas pernas. Balançou a cabeça e respirou fundo tentando se acalmar, era difícil. O que Aomine provocava nele era algo intenso demais, principalmente depois de ter experimentado os dois lados da situação. Queria tudo de novo...

– Eu não aguento só brincar... – Admitiu com a respiração pesada ao encarar os olhos azuis. – Eu... Eu perco a razão... Eu... Eu não resisto...

– Ah, Taiga... – O moreno gemeu fechando os olhos e prensando o corpo de Kagami para baixo, contra seu membro. – Com você falando assim... Quem não aguenta sou eu...

Aomine agarrou o tórax de Kagami e com dificuldade deu um impulso para trás, encostando-se a cabeceira da cama e acomodando o ruivo novamente em seu colo. As mãos começavam a deslizar por debaixo da camiseta branca que Kagami usava, apertando-lhe a pele e provocando arrepios que percorriam todo seu corpo.

Não conseguia mais resistir... Avançou para a boca de Aomine em sua frente, inserindo a língua na cavidade úmida e quente que tanto gostava. O moreno o apertava contra si e guiava seu corpo para que eles se esfregassem um no outro. Era um movimento extremamente erótico e repetitivo... Kagami estava gostando tanto, queria senti-lo dentro de si enquanto movia-se naquele ritmo.

– Daiki... — Gemeu baixinho em sua boca com a cena se formando em sua mente, verbalizando sua maior vontade. – Me fode...

– Não pede assim... — Arfou Aomine beijando-o novamente, apertando suas nádegas com força e forçando-o a se mover mais rápido contra seu pênis. — A gente não pode... Mas eu quero tanto...

– Então... É melhor... Pararmos... — Sussurrou Kagami, soltando um gemido ao sentir o queixo ser mordido. Estava em seu limite, fazendo força para não arrancar as roupas de Aomine.

O moreno, por sua vez, o apertava enquanto ainda beijava loucamente sua boca. Não queria parar, mas precisavam. Não estavam em condições de tentar algo assim com o risco que corriam... Mas estava tão bom...

– Taiga, eu não aguento... — Gemeu Aomine abraçando-o com força e enterrando o rosto na curva de seu pescoço, parando tudo repentinamente. — Eu não aguento mais... Quero tanto você.

Kagami abriu os olhos... Como resistir aquilo? Respirou fundo e também o abraçou procurando se acalmar, mas o ar quente que o moreno soltava batia contra a pele e o deixava louco.

– Meu caralho Daiki... — Sussurrou Kagami respirando fundo e sorvendo o cheiro dos cabelos dele. — Eu não consigo parar... É uma merda...

– Eu sei... — Ele dizia arfante com os olhos fechados. — Eu começo a lembrar de ontem, de sexta... E você esfregando-se em cima de mim dessa forma... Fico com tanto tesão... Imaginando...

– Acho melhor você calar a boca... — Suspirou Kagami contra as mechas azuis, sentindo o pênis pulsar. — Senão eu não vou aguentar e vou... Continuar.

– Parei! — O moreno riu, enterrando o rosto com mais força em seu pescoço. Sua respiração estava pesada, assim como a de Kagami. Era tudo tão intenso com Daiki ao seu lado...

– Acho que vou precisar dormir no fúton hoje! — Suspirou Kagami, imaginando a tragédia se eles dormissem na mesma cama.

– Por...? – Questionou o moreno, afastando-se intrigado para olha-lo.

– Porque sim! — Simplificou. — Ou a gente não vai dormir...

– Não tenho planos para dormir hoje mesmo! — Deu de ombros o moreno, puxando para um novo beijo quente e molhado.

Lá estavam os dois de novo naquele impasse. A boca de Aomine era tão deliciosa, aquele corpo, aquela pele morena... Por Kami, como o queria ali, agora, inteiro. Quase jogou tudo para o alto em questão de segundos. Mas n-ã-o p-o-d-i-a-m!

– Daiki, eu não vou conseguir... — Murmurou o ruivo com o último resquício de consciência que tinha, afastando-se e se jogando de forma desengonçada no fúton. — Fica aí que eu fico aqui.

– Retardado! — Riu o moreno, balançando a cabeça ao observá-lo.

– É perigoso ficar perto de você. — Sussurrou Kagami, apoiando a cabeça na cama, ainda arfante e com o pênis extremamente duro.

– Vamos nos comportar. — Sorriu Aomine encostando-se a cabeceira e largando a cabeça para trás. – Eu juro!

– Não estamos em posição de arriscar... — Comentou Kagami, enterrando o rosto no colchão desviando os pensamentos para outra dimensão longe do que havia no meio de suas pernas.

Aomine nada disse, apenas desfez o sorriso. Parecia estar começando a se preocupar novamente, o ruivo percebeu através do silêncio que ficou no quarto. Aquele peso voltou a se instalar no ambiente, o medo.

– Oe, que cara é essa? — Perguntou o ruivo, apoiando os braços na cama e o encarando. — Já temos nosso repertório pronto, não tem por que ficar assim!

– É! — Concordou, acenando com a cabeça e olhando-o. — Vai dar certo.

Kagami sorriu para o moreno, não poderiam se deixar abalar por uma coisa assim, sendo que muitas outras com certeza viriam pela frente.

– Eu te amo Taiga! — O moreno sussurrou de repente olhando-o profundamente.

Kagami sentiu seu coração se acalmar naquele momento, poderia explodir de tão feliz que ficou ao ouvir aquilo assim, tão espontaneamente... Esticou o braço e segurou a mão de Aomine com carinho.

– Eu te amo Daiki... – Respondeu sorrindo.

Com um suspiro, o ruivo voltou a subir na cama, sentando-se ao lado de Aomine. Perguntou em seguida, em um tom de voz cauteloso:

– Já está mais comportado?

– Por hora sim! – Riu o moreno, olhando para a própria ereção que se desfazia aos poucos. – Ou quase...

Kagami riu, estava na mesma situação. Entrelaçou os dedos de ambos novamente para que se acalmassem juntos. Ficaram assim por alguns instantes.

– Às vezes eu ainda penso... Como a gente veio parar aqui... — Sorriu o moreno, apoiando a cabeça no ombro de Kagami, olhando para as mãos de ambos.

– Também penso nisso. — Sorriu Kagami, apoiando-se no moreno. — Foi tudo tão rápido, confuso... Mas hoje eu me sinto tão bem com você... Nunca achei que ia falar um troço desses.

– Eu que o diga... — Riu o moreno, apertando as mãos. — Eu te odiava! Sério!

– Pfff... Não mais que eu! — Bufou Kagami. — Te achava um baita dum metido, preguiçoso e prepotente. Mas você não é mais assim, que eu saiba...

– Você ainda é um pouco metido e chato! — Disse Aomine com um suspiro fingido. — Mas eu gosto, fazer o quê?

– Idiota! — Falou o ruivo rindo e empurrando-o com o ombro.

Duas batidas na porta fizeram ambos pularem para lados opostos na cama repentinamente. Kagami sentia seu coração quase sair pela boca ao ver Aomine ajeitar os cabelos e se dirigir até a porta. Arrumou as próprias madeixas vermelhas e aguardou.

– Daiki, você não me ouviu? — Perguntou Aomine Seiko séria, assim que a porta foi aberta. — Estou chamando vocês a um tempão!

– A música estava alta! — Disfarçou o moreno, virando-se para abaixar o som. — Desculpe mãe!

– Tudo bem! — Disse ela, olhando de um para o outro com um sorriso simpático. — Vamos jantar?

***

~Aomine Daiki~

– Taiga, você tem namorada? — Perguntou Ethan após um longo tempo, olhando-o enquanto saboreavam o ensopado de peixe e legumes. Aomine já imaginava que seus pais não demorariam a tocar no assunto, os conhecia muito bem e sabia de suas intenções ao chamar o ruivo para jantar.

– Namorada não... — Sorriu desconfortável o ruivo entre uma colherada. — Mas gosto de uma menina...

Era extremamente desagradável ver Kagami mentindo daquele jeito por um erro seu. Sentia-se culpado, ainda mais sabendo que o ruivo estava mal também. Do jeito que era chato e paranoico tinha certeza que o risco dele surtar era grande... Mas por enquanto estava dando certo. Até que ele era um bom ator, pensou irônico.

– É mesmo? — Perguntou sua mãe, olhando-o interessada. — É da sua escola?

– Na verdade ela é minha vizinha! — Disse Kagami sem jeito, coçando a nuca e olhando para o moreno. — Não é, Daiki?

– Ah, não sei de nada! — Comentou Aomine erguendo as mãos em forma de defesa, voltando a concentrar-se no seu prato.

– Ah não? — Sorriu Kagami, parecia um pouco nervoso. — E a Rin?

– Rin? — Perguntou Ethan, olhando curioso para o moreno. Pronto, eles morderam a isca, crime perfeito.– É a sua namoradinha?

– Não somos namorados. — Suspirou Aomine, após colocar mais uma colherada na boca.

– Ainda! — Riu Kagami, tomando um gole exagerado de suco, quase se engasgando.

– Quieto Bakagami! — Pediu Aomine, usando a expressão de reprovação mais fingida que conseguia lembrar.

– Já disse para trazê-la aqui! — Disse Aomine Seiko orgulhosa, olhando de um para o outro. — Pode trazer a sua namoradinha também, Taiga-kun.

– Mãe, é sério, nós não estamos namorando. — Explicou o moreno, com calma antes que Kagami falasse alguma coisa e estragasse tudo. — Elas não virão aqui.

– Deixa, Seiko. — Sorriu Ethan tocando o braço de sua esposa. — Eles ainda estão se conhecendo, deixe assim por enquanto.

– Mas quero saber com quem meu filho está se envolvendo! — Disse ela com um sorriso impaciente.

– Ela é uma menina legal! — Disfarçou Taiga, olhando-a com uma expressão tão bem fingida que Aomine quase riu, apesar da tensão que sentia.

– Meninas não são legais! — Exclamou Kento de repente, arrancando uma risada de todos na mesa.

Nesse meio tempo Aomine lançou um olhar nervoso para Kagami, ele parecia bem apesar de tudo. Bem... Talvez não, seus olhos não mentiam, ele estava tão mal quando Aomine. De repente aquela comida perdeu todo o gosto, apenas um embrulho restou em seu estômago. Queria sumir dali o quanto antes.

Não é como se fosse o fim do mundo, mas o que faziam era tão errado assim para buscar refúgio em uma mentira tão deslavada? Será que seus pais realmente não aceitariam se simplesmente falassem...?

Olhou para Ethan, que conversava animadamente com Kento explicando as vantagens das meninas... Não, ele não seria nada compreensivo, provavelmente o mataria com pancadas quando descobrisse. Olhou em seguida para sua mãe, que os observava entretida... Ela era difícil de lidar, não iria aceitar de forma alguma, era extremamente tradicionalista e conservadora. Suspirou desanimado...

A frase que ela dissera no dia anterior ainda ecoava em sua mente "Sendo uma garota está ótimo!"... Mas seu par não era uma garota. Era Kagami, e ele estava ali jantando com eles, mentindo para eles, enganando-os em um crime possivelmente perfeito...

Por que fora se apaixonar logo por ele? Não... Não podia pensar dessa forma, não é como se fosse ruim, bem pelo contrário, foi a melhor coisa que acontecera em sua vida... Mas... Como fariam agora? Ainda faltava pouco mais de três anos para a maioridade, por quantas situações daquelas teriam que passar até chegarem aos 20 anos de idade?

– Tudo bem Daiki? — Perguntou sua mãe, olhando-o preocupada.

– Ah, sim. — Ele sorriu, disfarçando ao colocar mais uma colherada na boca evitando trocar um olhar com Taiga. — Só estou cansado da viagem.

– É! Fazia tempo que você não visitava sua avó! — Disse Ethan severo. — Antes era todo final de semana...

– É porque nosso menino cresceu! — Sorriu Seiko. — Mas nas férias você vai passar alguns dias lá, não vai? Não vai ficar aqui só jogando basquete!

– Ah, não sei... — Balbuciou o moreno dando outra colherada, não queria ficar longe de Taiga. Continuou de boca cheia, jogando um verde: — Não tem muito que fazer lá sozinho...

– Seus primos estarão lá talvez, e você pode levar alguém! — Exclamou ela, voltando-se para Kagami. – Você já tem planos para as férias?

– Na verdade não... — Murmurou coçando a nuca, sem graça.

– Então vamos com a gente! — Disse Ethan, dando um tapinha nas costas de Aomine. — Você não tem ideia de como o Daiki gostava daquele lugar.

– Ah, eu... — Balbuciou o ruivo, procurando auxilio com as palavras.

– Vamos Taiga? — Encorajou Aomine, olhando-o firme. Se ele fosse junto seria outra história...

– Mas não quero atrapalhar. — Ele disse por fim, olhando para a mãe e o pai de Aomine.

– Paranoico. — Tossiu Aomine, disfarçando a palavra com o ruído. Todos na mesa riram inclusive o ruivo.

– Já disse que você não atrapalha Taiga-kun, nós gostamos muito de você. — Sorriu Seiko, tocando em seu braço. – E assim você não ficará sozinho em casa por tantos dias. Será uma boa companhia para o Daiki, já que vocês não se desgrudam mesmo.

– OK! – Concordou o ruivo tímido. – Obrigado pelo convite!

– Só vão ficar longe das namoradas por um tempo. – Sorriu Ethan, provocando-os. – Não vão morrer por isso, certo?

– A gente não namora... – Suspirou o moreno, arrancando uma risada dos pais. Sorriu também, o plano fora um sucesso. Um crime perfeito.

***

– Boa noite meninos! — Disse Ethan sentando-se em uma poltrona com um jornal em mãos assim que ambos começaram a subir as escadas. — Nada de fazer muito barulho, ok?

– E não vão dormir muito tarde! – Complementou Seiko que se dirigia à cozinha com os pratos nas mãos.

– Boa noite! – Responderam os dois em uníssono, já sumindo pelo corredor e os perdendo de vista. Aomine jurou ter notado uma troca de olhares de seus pais, mas preferiu ignorar com medo do que aquilo poderia significar.

Kagami seguia silencioso na frente e parecia um pouco cambaleante, provavelmente não estava acostumado a mentir daquela forma. O moreno se sentiu culpado, mas ao mesmo tempo feliz por ele ter feito isso pelo relacionamento dos dois. Na verdade não sabia mais o que pensar, iriam resolver aquilo em breve mesmo, estava se preocupando demais.

– Vou escovar os dentes... – Ele murmurou, virando-se para o cômodo da esquerda enquanto Aomine seguia reto para o seu quarto.

– Tudo bem Taiga? – O moreno perguntou ao segurá-lo gentilmente pelo braço. Percebeu que o ruivo estava meio pálido também.

– Sim! – Sorriu o outro, virando-se para olhar. – Só estou com um pouco de dor de cabeça.

– Desculpa! — Aomine pediu sem pestanejar, sentindo-se mal imaginando o porque da dor.

– Não precisa pedir desculpas, não é culpa sua Ahomine. É só uma dor de cabeça... — Ele sorriu gentilmente, fechando os olhos. — Não é nada demais!

– OK! — Sorriu Aomine desgostoso, indo para o quarto assim que o ruivo entrou no banheiro.

Taiga não podia pegar esse costume de mentir agora... Os olhos dele estavam tristes.

~Kagami Taiga~

O ruivo se olhou no espelho enquanto escovava os dentes, estava realmente pálido, não se surpreendeu que Aomine se sentisse preocupado. Sua cabeça doía tanto agora que parecia que seu cérebro estava procurando escapar de sua caixa craniana. Tudo estava relacionado com a enrascada que estavam se metendo, ou tentando sair. Pelo menos nada de errado aconteceu ainda...

Sentiu-se meio sujo pelas mentiras que contou. Não é como se fosse morrer por causa daquilo, mas estava realmente desapontado consigo mesmo... Entretanto fazia isso por Aomine, então não tinha por que ficar se martirizando tanto, não é? Sabia desde o começo que seria difícil um relacionamento assim e aceitou o desafio, gostava mesmo do moreno... Até planejavam viajar juntos nas férias... Com os pais dele, mas juntos! Aquilo o animou, tirou um pouco do peso que sentia, mas ao ver a mãe dele o tratar tão bem...

– Argh! — Disse, expelindo a espuma de sua boca. — Chega disso, pare de pensar.

Sabia que ficar paranoico não ia resolver nada, afinal de contas a situação se resolvera por si própria, agora era só Aomine terminar com a imaginária Rin qualquer hora e ponto final... Franziu o nariz com aquele pensamento irônico, mas sorriu no final. Realmente eles eram dois perfeitos parceiros de crime.

***

Kagami estava deitado no fúton ouvindo Pink Floyd com os olhos fechados tentando ignorar as pontadas contínuas em sua cabeça, Aomine acabara de ir ao banheiro escovar os dentes. Apenas relaxou e tentou ignorar o frio que estava sentindo... O moreno, como sempre, emprestara uma de suas camisetas. Usava inclusive uma calça de moletom, mas ainda assim estava com frio e não estava perto do inverno, muito pelo contrário.

– Só o que me faltava... — Suspirou, colocando a mão em sua testa. Não podia estar com febre... Não, não estava, só com frio mesmo...

Aomine voltou silencioso para o quarto, tirando-o de seus devaneios. Ele ficava tão bonito de branco... Quantas vezes já pensara aquilo mesmo?

– Oi! — Ele sorriu, jogando-se na cama e encarando-o com uma sobrancelha levantada. — Pode sair daí e vir para cá agora!

– É só pra parecer que eu realmente dormi aqui! — Explicou Kagami bagunçando o fúton antes de levantar-se e deitar na cama com Aomine. — Se ficar arrumadinho demais vai ser suspeito, não é?

– Você está ficando bem espertinho! — Sorriu Aomine, abraçando-o pelo troco assim que apagou a luz no interruptor ao lado de sua cama.

– Influência de um certo Aho por aí... — Suspirou Kagami fingido indiferença e arrancando uma risada baixa do moreno.

Era tão melhor quando os dois ficavam sozinhos... E ali era como se fosse um refúgio. Além de que com ele era impossível sentir frio, ele tinha a pele tão quente e macia.

– Você está bem mesmo Taiga? — Ele perguntou com a boca perto de sua orelha. — Está meio gelado...

– Sim... — Disse, virando o rosto e observando sua silhueta contra luz fraca que o aparelho de som emitia, ainda ligado. — Já passou o pior, não é?

– Acredito que sim! — Concordou Aomine, esfregando o nariz no do ruivo. — Fomos muito bem em nosso teatro... Mas realmente me preocupei com você...

– No final das contas foi uma mentira bem tranquila... — Sorriu o ruivo, falando o que realmente queria e sentindo-se aliviado com aquilo. — O que importa é a gente estar bem, faço isso de novo se for preciso... E além do mais, sei que vamos precisar levar essa farsa adiante, mas não me importo...

– Desculpa te envolver nisso, sério! — Falou o moreno, abraçando-o mais forte. — Mas eu fiquei realmente sem saída quando eles me colocaram contra a parede ontem. Não vai demorar muito para sairmos disso... Prometo!

– É só o começo, não é? — Deu de ombro o ruivo entrelaçando a perna de ambos. — Falta alguns anos para realmente podermos seguir nosso caminho sem nos preocupar com mais nada... Já conversamos sobre isso. Mas enquanto isso vamos passar por várias situações parecidas... Isso é, se você quiser ficar comigo até lá, claro...

– Idiota! — Sorriu Aomine, meio bobo com o que acabara de ouvir. — É claro que quero ficar com você! Não acredito que você ainda duvide do que...

– Então nada vai nos afastar! — Interrompeu Kagami, que já não suportava mais aquela proximidade... Tomou os lábios do moreno em um beijo carinhoso, apoiando a mão em sua bochecha enquanto passava os dedos de leve em sua orelha.

Queria colocar todos os seus sentimentos naquele gesto, provar para Aomine e para si mesmo que nada os separaria jamais, que seriam um do outro para sempre independente do que teriam que enfrentar mais para frente. Amava aquele idiota... Amava mesmo e já não fazia tanta questão de esconder isso. Na verdade se pudesse gritaria para todo mundo naquele exato momento, seria mais fácil dessa forma... Mas seria a certeza do fim...

Aomine o abraçou, beijando-o com a mesma intensidade, com os mesmos sentimentos. Kagami poderia chorar ali, naquele momento, inclusive sentiu vontade. Tudo parecia tão perfeito, estava indo tão bem... Dois meses e pouco de puro prazer ao lado da pessoa com que menos imaginava estar. Aomine Daiki... Seu Aomine Daiki.

Até aquele momento, quando o medo os invadiu pela primeira vez, o ruivo pensava que tudo ficaria OK para sempre... Mas desde o princípio Aomine deixara bem claro que os pais não aprovariam o relacionamento e por isso teriam que esperar, se esconder, se camuflar... E ali, naquele momento, percebendo os sentimentos do moreno passarem para si em um gesto tão carinhoso, Kagami tinha certeza que poderia esperar quanto tempo fosse, os anos até a maioridade, um quarto de sua vida inteira... Não sabia, mas iria esperar até que pudesse ficar com ele de verdade, sem dependerem de ninguém, assim como Alex e Nick.

Mentiria, mentiria novamente, e mais uma vez ainda... Faria o que fosse necessário...

Subitamente abraçou Aomine com força, enterrando o rosto em seus cabelos. A vontade de chorar fez-se presente ali de novo, mas não estava triste, apenas com medo... Suspirou fundo. Quem estava tentando enganar... Era paranoico mesmo e tinha tanto medo de perder Aomine...

– Vai ficar tudo bem Taiga! — Sussurrou o moreno em seu ouvido, como se lesse seus pensamentos. — A gente é forte, não é?

– Sim! — Confirmou ao sentir a mão dele tocar suas madeixas.

– A gente vai ficar juntos para sempre! — O moreno sorriu. — Nem que a gente more em baixo da ponte se tudo der errado.

– Retardado! — Sorriu Kagami, balançando a cabeça. — Não vamos precisar chegar nesse ponto, vamos aguentar as pontas até chegar a hora de falar.

– Só mais três anos e pouquinho até os 20. — Deu de ombros Aomine. — Na pior das hipóteses a gente foge para a América.

– É, mas você não sabe falar inglês! — Riu Kagami, acomodando-se nos braços do moreno.

– Bosta! É verdade... — Suspirou passando a mão em seus cabelos. — Melhor você começar a me ensinar então...

Kagami aguardou alguns instantes, sentindo o sono chegar. Ambos estavam cansados, fora um fim de semana turbulento, muito turbulento...

– I love you Aomine Daiki...

– I love you, Kagami Taiga! — Aomine sussurrou com um sorriso nos lábios, beijando sua testa e o abraçando com mais força. — Good night.

– Good night. — Sorriu, adormecendo ali mesmo ao som de Pink Floyd. Realmente era uma ótima melodia para dormir.

Notas finais
GENTEEEEEEEEEEEEE... ♥ Imagina o que tá passando na cabeça desses dois aí? Porque no furebs não passa nem uma agulha né... Tadinhos =/ Estão com medo, mas são uns fofos... Só quem já passou por um amor sincero vai conseguir entender perfeitamente o que está acontecendo aí ♥ Comentem, ok? Como as coisas estão começando a ficar um pouco tensas eu preciso saber se vocês ainda estão no clima ♥.♥.♥ Bjo bjo bjoooo na bochechaaaaaaaaaaaaaaaa e até o próximooooooooooo!!!