Inevitável
6 O que somos afinal?
Notas iniciais
~Kagami Taiga~
O ruivo estava tão cansado, era sábado de manhã, mas era dia de aula. Odiava aquilo. Duas vezes por mês tinha que aguentar aquela chatice de ir para a escola nos finais de semana, mas pelo menos depois teria treino com a Seirin para animar um pouco. Precisava se esforçar mais e preparar-se para o que estava por vir.
Estava quase dormindo ao ouvir o monólogo chato do professor... Mas não era para menos, o treino do dia anterior fora extremamente pesado, e depois disso ainda ficara até tarde jogando basquete com Aomine na quadra do Maji Burguer.
É... Novamente sua cabeça o traía e voltava naquele mesmo ponto. Aomine Daiki.
Fazia exatamente duas semanas desde quando ele fora em sua casa. Não conseguia esquecer a cena de ambos encostados na parede fazendo... Aquilo. Queria mais, lógico que queria, era curioso... Mas ao mesmo tempo se culpava por terem ido rápido demais, não sabia em que ponto eles estavam para fazer aquelas coisas.
Sentia uma puta falta de Aomine, essa que era a verdade. Encontravam-se umas quatro vezes por semana apenas para jogar suas habituais partidas mano a mano, mas não era o suficiente. Kagami queria poder beijá-lo de novo sem precisar se esconder atrás de um poste ou uma moita... Já era bem raro de acontecer, e quando havia a oportunidade obrigava-se a parar quando achava que estavam indo longe demais. Odiava aquilo, finalizar uma coisa que mal começara... Não permitia que passassem de um abraço ou um beijo curto. Era arriscado demais.
O celular em seu bolso começou a vibrar, assustando-o momentaneamente e afastando aquelas lembranças de sua mente. Olhou de relance para o professor, ele escrevia no quadro e não parecia ter percebido. Pegou o aparelho e desbloqueou a tela. Um sorriso de canto surgiu automaticamente ao ver de quem era a mensagem.
"Qual aula está tendo agora, Bakagami?"
Como é possível ter despertado automaticamente, não estava morrendo de sono? Olhou novamente para o professor antes de começar a digitar a resposta. Se fosse pego estaria fodido.
"Língua Japonesa, e você Ahomine?"
Enviou a mensagem satisfeito, recebendo em seguida a confirmação de entrega com mais uma vibração rápida do aparelho. Kuroko virou-se e o olhou com uma expressão divertida, balançou negativamente a cabeça e voltou a encarar o quadro. Aquilo fez Kagami sorrir e cutucar a cabeça do azulado com o indicador. Ele era um bom amigo, sabia de sua relação com Aomine, não de tudo, mas sabia.
Kagami colocou rapidamente o celular no modo silencioso, pois mesmo a vibração seria perceptível.
"História... Está um saco! Só não é pior que inglês."
O ruivo sorriu de leve e digitou a resposta para Aomine.
"História é bem pior. Inglês é a mais fácil."
Enviou e não demorou muito para receber a outra resposta do moreno:
"Fale por você, que morou em L.A.! Não entendo bosta nenhuma daquilo."
Balançou negativamente a cabeça, era um tapado mesmo. Kagami novamente digitou, provocando-o. Estava interessante conversar durante a aula, mesmo sendo errado.
"Vai aprendendo então, porque vou começar a falar só em inglês com você xD"
Recebeu o relatório de entrega e começou a fingir que estava prestando atenção na aula, ficaria muito na cara se ficasse olhando para baixo o tempo todo. O professor agia normalmente, não o olhava e provavelmente também não estava contente em gastar um sábado falando sobre língua Japonesa.
A luz voltou a acender. Outra mensagem de Aomine:
"Vai ficar falando sozinho então, idiota. O que vamos fazer hoje?"
Aquilo fora repentino, Kagami não estava esperando um convite para algo. A última vez que ele fez aquela pergunta eles acabaram sujando o chão e as paredes de sua casa. E por que tinha que ficar tão eufórico? Vira Aomine no dia anterior, não precisava ficar desse jeito. Suspirou e voltou a digitar, olhando sempre para o professor.
"Vou treinar até às 17h, mas depois não tenho mais nada. O que quer fazer?"
Mandou a mensagem e esperou com o rosto apoiado em seus braços cruzados, olhando ansioso para o aparelho em sua frente. Por que tinha que gostar tanto de Aomine? Não que isso importasse mais, mas eram homens... Por que o moreno se interessara repentinamente por ele?
A luz acendeu e Kagami foi ávido ao celular, dando uma olhadela para a direção do quadro antes.
"Você vai jantar lá em casa hoje."
Aomine sempre escrevia no imperativo, como se realmente mandasse em Kagami. Isso era quase irritante, mas o sorriso do ruivo veio em seguida.
~Aomine Daiki~
Aomine olhou para o cabelo de Satsuki em sua frente, não que realmente estivesse prestando atenção nos fios cor-de-rosa, mas estava pensando em outras coisas. Precisava ver Kagami de novo. Sentia falta do ruivo, queria ficar a sós com ele novamente sem o medo de serem vistos.
Além do mais já estava na hora de se decidirem... Não tinha certeza se estavam juntos ou não. Por mais que Taiga tivesse dito que seguiriam adiante com aquilo Aomine estava inseguro e não gostava da sensação. O ruivo era seu e precisava deixar aquilo claro.
Vibração. Seu celular anunciou a resposta.
"Não vai ter problemas com sua família se eu for em sua casa?"
Aomine teve que rir baixinho com aquilo. Ultimamente Taiga estava cheio desses mimimis. Vivia dizendo que não deviam fazer nada em público, que tudo era perigoso, que sua mãe não ia com a cara dele, e não sei mais o quê. Ele era tão certinho que chegava a dar vontade de socá-lo. Digitou em seguida com um sorriso maroto.
"Relaxa, eles não vão estar hoje."
Enviou aquela mentira e aguardou, olhando para o quadro e não entendendo absolutamente nada do que estava escrito. A luz do celular acendeu, chamando sua atenção novamente para a tela.
"OK. Devo chegar perto das 20h. É a casa branca da esquina?"
Kagami nunca fora lá antes porque tinha receio de sua mãe. E não era para menos, afinal ela ligava o tempo todo para saber onde o moreno estava, mas não é como se achasse Kagami uma péssima influência. Aomine conhecia ambos para saber que era só conversarem uma vez e pronto, a impressão ruim passaria.
"Sim! Te vejo depois, Bakagami. Boa aula :P"
A euforia começou a percorrer seu estômago. Finalmente estaria a sós com o ruivo! Seus pais estariam em casa, claro, mas não em seu quarto. Queria ter ele só para si de novo... Mas no fundo o que mais queria naquele momento era a certeza de que Kagami era seu, somente seu.
Apoiou seu rosto nos braços cruzados e inutilmente tentou prestar atenção na aula novamente. Não iria adiantar nada, agora estava eufórico com a visita de Taiga... Todos os seus pensamentos eram do ruivo.
***
~Kagami Taiga~
Suas pernas doíam enquanto caminhava naquela noite consideravelmente gelada. O treino que Riko passou foi parecido com uma sentença de morte... Ela realmente estava determinada a vencer o Intercolegial.
Kagami andava distraído e silencioso, mas a rua era consideravelmente barulhenta para aqueles lados do distrito. Aomine morava mais perto do centro e a movimentação era bem maior do que perto de seu apartamento.
Olhava atentamente para as casas, eram todas muito parecidas e claramente pertenciam a pessoas de uma classe mais alta. A maioria das residências possuía dois andares, tinha uma bela fachada e altos portões. Quase se sentia mal ali, pareciam os bairros nobres de L.A.
Andou um pouco mais até avistá-la, na esquina com uma rua menor: Casa branca, dois andares, janelas grandes de vidro, portão escuro, construção moderna. Era a casa de Aomine, sem dúvidas.
Aproximou-se com um frio na barriga e suspirou fundo antes de tocar a campainha. O soar das notas ecoou lá dentro, foi capaz de ouvir. Aguardou até Aomine abrir a porta, mas algo estava errado... Várias luzes da casa estavam acesas e a movimentação indicava que...
– Boa noite, Taiga! – Aomine sorriu, abrindo a porta e fechando-a imediatamente. Tinha uma expressão estranha em seu rosto enquanto se aproximava pela pequena calçada que havia no meio de um mar de gramado.
– Seu desgraçado... – Kagami começou, estreitando os olhos ao vê-lo destrancar o portão.
– Relaxa Taiga, eles não mordem. – Aomine falou suavemente, olhando para as janelas acesas da casa enquanto ainda lidava com a fechadura.
– Você disse que não teria ninguém em casa! – O ruivo reclamou irritado, assim que o portão foi aberto. – Mentiroso desgraçado!
– Você não viria se eu dissesse que eles estavam, não é? – Aomine sorriu dando de ombros. – Entra logo.
– Eu vou embora! – Kagami declarou, já recuando. Não esperava que a família dele estivesse ali, ele seria morto pela mãe de Aomine.
– Não vou deixar você ir. – O moreno alertou, segurando em seu braço. – Minha mãe fez uma janta diferente só porque você vinha hoje.
– Ela sabe? – Kagami perguntou horrorizado, sentindo um rubor subir até sua face.
– Claro que sim. – Aomine afirmou, puxando-o para dentro pelo braço. – Agora vamos entrar, senão eles vão achar estranho. .
– Você vai me pagar por isso, Daiki. – O ruivo disse, colocando as mãos no bolso e sentindo-se extremamente revoltado.
– Relaxa! Ela só quer conhecer meu mais novo amigo. – Aomine falou. – É normal vindo dela.
– Você não falou nada... não é? – Kagami hesitou, olhando-o trancar o portão. Não gostou nem um pouco de ser chamado de "amigo". Eram mais que isso, pelo menos esperava que fossem.
– Lógico que não! Não fiquei louco ainda. – Foi a vez de Aomine se espantar. – Vem logo.
Ok, não é tão ruim assim... Kagami não tinha realmente medo da mãe do moreno, mas ela sempre ligava zangada para Aomine e ele sempre estava em sua companhia quando isso acontecia. Ou era tudo coisa de sua cabeça? Afinal, ela estava cozinhando pois sabia de sua visita.
Seguiu Aomine porta adentro com um suspiro. Deixou os tênis no pequeno degrau de baixo e o acompanhou por um corredor de assoalho. Um cheiro muito bom vinha do final do cômodo, onde possivelmente era a cozinha.
– Onii-chan! – Uma criança idêntica a Aomine chamou, descendo as escadas da sala. Ele parecia querer mostrar alguma coisa em suas mãos, mas parou instantaneamente ao ver Kagami. Voltou correndo para o andar de cima sem olhar para trás.
– Esse é o irmão que te falei! – O moreno disse, apontando para o local onde a criança estava parada segundos atrás. – Não se aproxime muito. Ele parece tímido, mas não vai largar mais do seu pé se você conversar com ele.
– Ah, ok! – Kagami concordou, sem saber o que dizer. – Qual o nome dele?
– Kento! – Disse rapidamente, já andando em direção à procedência do cheiro.
A casa era realmente grande e bonita, apesar de não ser nada tradicional. As paredes tinham um tom bege claro e algumas possuíam papel de parede, muito semelhante ás residências americanas. A mobília da casa era composta de móveis de madeira escura e envernizada, era realmente bonito.
– Mãe, esse é o Taiga! – Aomine falou assim que chegaram ao final do corredor e olharam porta adentro.
Era uma cozinha enorme e bem organizada. Uma mulher não muito alta com o cabelo azul escuro mexia o conteúdo de sua panela pacientemente. Ela virou-se e o olhou com uma expressão simpática, diferente do que estava esperando. Daiki tinha seus olhos e seu sorriso, eram incrivelmente semelhantes e diferentes ao mesmo tempo.
– Prazer em conhecê-lo, Kagami Taiga, sou Aomine Seiko. – Ela sorriu, fazendo uma leve reverência com a cabeça. – Daiki falou muito de você!
– Ah... Prazer em conhecê-la! – Kagami balbuciou, fazendo uma reverência também. Estava completamente corado, tinha certeza.
– Você também joga basquete, não é? – Ela perguntou aproximando-se, mas sempre dando uma olhadela na panela. – Tenho a impressão que já o vi antes.
– Sim, mas somos de escolas diferentes! – Kagami explicou, olhando para Aomine em busca de auxílio com as palavras.
– Você já nos viu jogando no campeonato! – Aomine confirmou, passando o braço ao redor dos ombros do ruivo. – Sempre fomos rivais, mas agora somos amigos também.
– Que bom! – Ela disse inclinando a cabeça para o lado, satisfeita. – Daiki se afastou de todo mundo no ensino médio, apenas a Satsuki-chan permaneceu ao seu lado. Fico feliz que agora esteja encontrando novos amigos e voltando a ser como sempre foi. Obrigada.
– Mãe, não fala esse tipo de coisa! – Aomine pediu sem graça, vendo a expressão enrubescida e envergonhada de Kagami.
– Ah, desculpe! – Ela pediu, encarando Kagami gentilmente. – Vou terminar a janta e então os chamarei. Podem ficar a vontade.
– Obrigado! – Kagami falou, já seguindo Aomine que ia em direção à escada.
Ok, ela era legal, não é? Não parecia ser do tipo que o julgava como uma má companhia, bem pelo contrário, ficara feliz em ver Aomine arranjando amigos. Podia até ligar zangada para o moreno, mas talvez não fosse por sua culpa.
Acompanhou Daiki escada acima, passando pela porta entreaberta do quarto de Kento, que estava brincando com um carrinho de controle remoto. Ele olhou receoso para os dois, mas Aomine apenas seguiu reto no corredor. Havia uma porta lá no final, estava aberta e a luz acessa denunciava que o cômodo pertencia ao moreno.
– Viu só, eles realmente não mordem! – Sorriu entrando em seu quarto e fechando a porta assim que Kagami passou.
– É, é... – Kagami murmurou, mal humorado.
Olhou ao redor e reparou que tudo naquele quarto era puxado para o tom azul, até mesmo as cortinas e o notebook. Não era um cômodo tão bagunçado como imaginou, e o cheiro era extremamente agradável, uma mistura de perfume com o aroma da pele do moreno. Suspirou fundo tentando não pensar em como se sentia bem ali. A cama de Aomine era de casal, como a sua, e ao seu lado havia um fúton arrumado para dormir. Estranhou.
– Por que o fúton? – Perguntou imediatamente apontando para o objeto e já prevendo a resposta.
– É para você dormir, lógico! – Ele disse sentando-se na borda de sua cama e colocando as mãos atrás da cabeça.
– Eu não vou dormir aqui! – Kagami avisou, olhando-o com os olhos estreitos. O que ele está planejando?
– Claro que vai! – Aomine sorriu displicente.
– E quando iria me contar isso? – Kagami perguntou irritado, sentando-se ao chão com uma expressão de poucos amigos. – Teria trazido pelo menos minha escova de dentes.
– Taiga, por que você está me evitando? – O moreno perguntou sério, encarando-o com uma expressão não muito satisfeita.
– Não estou te evitando... – Kagami respondeu, não entendendo a pergunta.
– Ah não? – Ele disse irritado. – Você está com essa cara de cú por que, então? Qual o problema em conhecer minha família e dormir aqui?
– Não tem problema nenhum, mas você mentiu para mim! – O ruivo simplificou. Realmente se sentiu um idiota ao dizer aquilo, parecia uma criança.
– Você é certinho demais. – Aomine bufou, apoiando os braços na cama. – Só quero passar mais tempo em sua companhia, mas você fica criando caso para tudo o que eu sugiro. Aí é foda!
Aquilo pegou Kagami de surpresa. Antes que o ruivo pudesse responder, ele continuou:
– Na verdade você tem me evitado desde aquele dia na sua casa. A única coisa que fazemos juntos agora é jogar basquete e sempre que tento me aproximar você foge, assim como está fazendo hoje. Você já se arrependeu?
– Não me arrependi de nada, seu idiota! – Kagami irritou-se, corando. – Só acho que estamos indo muito rápido, ainda mais agora, sabendo que você me considera apenas um amigo. – Assinalou bem a última palavra com seu tom de voz.
– Eu não te considero apenas um amigo! – Aomine disse em tom sério, como se aquilo fosse uma coisa extremamente ridícula. – De onde tirou isso?
– Você mesmo disse antes de entrarmos em sua casa!
– Lógico né, seu retardado! – O moreno exclamou irritado, esticando o braço e dando um peteleco em sua testa. – Ou você realmente esperava que eu falasse para minha mãe que ela iria conhecer o cara por quem eu estou apaixonado? – Ele franziu a testa e Kagami corou. – Deixa de ser infantil! Eu só quero que vocês se entendam para finalmente podermos passar mais tempo juntos sem ela ficar ligando atrás. Entendeu agora, idiota? Estou fazendo isso por você!
Kagami se sentiu realmente um idiota, mas seu coração começou a pular mais rápido após ouvir aquilo. Tinha certeza que estava corando mais e mais, nunca ouvira Aomine falar tanto sobre seus sentimentos, na verdade nunca esperou aquilo sair da boca dele. Não sabia o que dizer, pensava que ele fazia aquilo apenas por implicância, para provocá-lo... Mas não era o caso. Era ele quem estava sendo infantil e não poderia ser desse jeito.
– Agora pare de me evitar! — O moreno pediu, nitidamente envergonhado. – Não vou fazer nada que você não queira, só gostaria de passar mais tempo com você!
– Foi mal...Daiki... – Kagami começou a falar sem jeito, olhando para baixo em um tom de voz mais calmo. – Eu não estou te evitando, só não quero estragar tudo por impulso, entende? Se alguém nos visse por aí poderia ser um problema, contariam para sua mãe ou para quem quer que seja e tudo estaria acabado. – Levantou-se e encarou Aomine, que estava parado em sua frente na cama, com uma expressão indefinida. – Se te disse que quero seguir adiante é porque realmente quero. É difícil ficar... Longe de você. Só que... Bem... O que nós somos, afinal?
Aomine o observou pensativo e envergonhado. Desviou o olhar para algum canto do quarto e falou:
– Estou me perguntando a mesma coisa nos últimos dias. E está sendo bem irritante não encontrar uma resposta.
– Sabe, eu queria entender melhor como tudo isso foi acontecer. — Kagami disse, coçando a nuca. – Tipo, eu não sei como acabei gostando de você no final das contas... Somos homens e tudo o mais, jamais esperei que algo assim acontecesse, e não é uma coisa fácil de aceitar... Mas de um jeito ou de outro eu aceitei, porque eu realmente vi que fazia sentido.
– Posso te dizer com certeza que não foi fácil para eu aceitar também. – Aomine revelou, nitidamente sem graça. – Queria morrer quando percebi o rumo das coisas. Briguei com a Momoi e até fui desesperado atrás de uma garota qualquer para tentar reverter a situação. Mas eu não tive escolha, simplesmente aconteceu e agora não tem mais volta. E pra ser sincero, está sendo melhor do que eu esperava...
– É, exatamente! – O ruivo afirmou, olhando para suas próprias meias. – Por isso acho que devemos fazer a coisa do jeito certo. Primeiro... O que nós somos?
– Já disse que não sei, idiota! – Aomine respondeu, o encarando. Diminuiu o tom de voz ao continuar: – Mas sei o que eu queria que a gente fosse.
– E o que é? – Kagami perguntou curioso, sentindo seu coração pular rapidamente. Já previa a resposta, ou pelo menos sabia qual seria a sua. O encarou intensamente e esperou, gostava de como a coisa estava fluindo agora.
– Eu quero você só para mim, Taiga! – Aomine falou hesitante, fazendo o corpo de Kagami estremecer. – Tipo, não sei te explicar...
– Você quer namorar? — Kagami perguntou em um impulso. Não precisou reunir nem mesmo coragem, pois as palavras apenas saíram de sua boca, já estavam prontas.
Aomine ficou sem reação. Apenas o encarou profundamente por alguns instantes com a boca entreaberta. O ruivo não esperou a resposta... Apoiou-se na cama e inclinou-se sobre o moreno, ficaram bem próximos por alguns instantes até finalmente tomar-lhe os lábios. Sentia falta da boca de Aomine, do cheiro dele, do calor... Esteve praticamente se privando daquilo por duas semanas e não estava sendo fácil.
– É isso o que você quer? – Sussurrou por fim, encarando o moreno em sua frente assim que se afastou um pouco. – Ou o quê?
– É isso Taiga... – Aomine murmurou, com os olhos ainda fechados. – Eu quero que você... Seja meu...
– Seu o que? – Kagami provocou, sentindo os hálitos se cruzarem. Não sabia por que estava agindo daquele jeito, mas era como se estivesse controlando-o. Gostou daquilo.
~Aomine Daiki~
– Namorado! – O moreno respondeu olhando-o sem jeito, mesmo tentando mostrar-se firme.
Como Taiga conseguia fazer as coisas virarem ao seu favor daquela forma? Ele era tão intenso. Minutos atrás ele agia igual uma criança idiota e mimada que estava fugindo das coisas, e de repente começou a tomar o controle e acabou deixando Aomine sem saída. Era isso mesmo que queria de Taiga, mas o ruivo conseguiu arrancar as palavras de sua boca daquele jeito tão... Sensual?
Vê-lo assim, de perto, provocando-o com o olhar o deixava levemente excitado. Era realmente perigoso brincar com Kagami Taiga, mas isso apenas o animava e o fazia gostar mais de estar com ele.
– Então estamos juntos? – Ele sussurrou, encostando os narizes, ainda se equilibrando com as duas mãos na cama.
Aomine não deixaria Taiga tomar conta da situação, não conseguia mais resistir a ele. Com um rápido movimento o derrubou ao seu lado e passou o braço por cima de seu tronco, também se apoiando na cama.
– Sim! – Aomine afirmou, curvando-se e dando um leve selinho em seus lábios. Se afastou para olhá-lo... Estava extremamente feliz com aquilo, o ruivo também parecia contente, pois um meio sorriso cruzava o seu rosto agressivo.
Sentiu a mão de Taiga enterrar-se em seus cabelos e puxá-lo para um beijo. A respiração pesada do ruivo batia em seu rosto enquanto os lábios moviam-se com suavidade e as línguas começavam a se encostar. Adorava a boca de Kagami, sua carne tinha um gosto adocicado e sua saliva era quente. Durante duas semanas ficou esperando por um beijo daqueles, mas Kagami sempre o soltava antes do tempo.
– Senti falta disso... – Revelou quando se afastaram para respirar.
– Não mais do que eu! — Taiga murmurou com uma voz rouca sem abrir os olhos, puxando-o novamente pelos cabelos e selando os lábios de forma urgente. O corpo inteiro de Aomine estremeceu com aquilo e um formigamento em seu baixo ventre anunciava uma ereção. Era isso que Kagami Taiga fazia consigo.
Parou de se apoiar na cama com as mãos e lentamente deixou seu corpo pressionar o do ruivo, que arfou ao sentir o contato dos troncos. Enquanto uma das mãos de Taiga estava entre seus cabelos a outra começou a pressionar suas costas. O toque era forte, suas mãos eram grandes e quentes, e o beijo se intensificava cada vez mais. Aomine já conhecia aquilo e sabia exatamente onde iria terminar. Queria continuar mas logo sua mãe iria chamá-los para jantar, seria um problema.
Como se lesse seus pensamentos, Kagami desceu a mão de seus cabelos até sua bochecha e aliviou o aperto nas costas, freando seus lábios e movendo mais calmamente a língua. Arfantes, foram diminuindo juntos a intensidade do beijo, transformando-o de urgente para carinhoso, o que também era muito bom. E novamente o ruivo tinha o controle da situação.
Aomine sorriu de canto e voltou a sentar-se, levemente curvado por cima de Kagami. O ruivo abriu os olhos devagar e apoiou-se em seus cotovelos encarando-o, também com um meio sorriso. Tudo aquilo era estranho, completamente diferente do que planejou para sua vida, mas estava mais do que feliz e satisfeito.
– Tipo, a gente está mesmo namorando? – O moreno riu incrédulo, olhando-o com uma expressão curiosa. Parecia que no fundo aquilo era apenas uma piada.
– Me diga você... – Kagami falou arqueando as suas sobrancelhas, ainda com um sorriso. – Porque eu estou... Desde, sei lá, uns sete minutos atrás!
– Idiota! – Aomine riu, empurrando-lhe o cotovelo para que ele se desequilibrasse e fosse de encontro com a cama.
– Foi você quem perguntou, seu desgraçado! — O ruivo reclamou dando-lhe outro tapa na testa e se endireitando. Eles riram da cena.
– Isso é um sim, então! – Sorriu confuso. – Mas ainda é estranho.
– Eu sei. – Kagami concordou com um sorriso sem graça. – Mas acho que vou me acostumar a olhar essa sua cara de idiota com mais frequência.
– Eu já não sei se vou conseguir! – Aomine provocou, olhando-o de canto. – É demais para mim.
– Não pareceu ser demais agora a pouco! – Kagami rebateu erguendo as sobrancelhas de forma displicente.
– Você é um desgraçado, Taiga! – Falou, vendo o sorriso debochado do outro. – Mas é meu.
– Você também é meu, Aomine Daiki. – O ruivo rebateu, encarando-o e o deixando sem reação. Aquela frase tinha um poder desgraçado sobre si.
– Acho que sim... – Murmurou, disfarçando. – Desde uns, sei lá, nove minutos atrás...
Eles riram com aquilo. Aomine percebeu que a companhia de Taiga era a melhor possível. Sentia-se estranhamente completo com ele, era fácil rir e fazê-lo rir. A pequena insegurança que sentiu nas últimas duas semanas começava a se esvair.
– Sabe... – Taiga começou, olhando ao redor. – Eu acho bom você começar a procurar uma escova de dente para mim.
– Ah, então você vai dormir aqui? – Aomine provocou, olhando para o ruivo, que ainda se apoiava com os cotovelos em sua cama, bem em sua frente.
– Já estava decidido antes mesmo de eu saber, não é? – Deu de ombros fechando os olhos.
– Sim! – Aomine disse triunfante, dando-lhe um selinho, que foi respondido com outro do ruivo.
Começaram a se beijar quando subitamente ouviram passos no corredor, alguém estava se aproximando. Aomine levantou em um pulo e rapidamente correu para sua cadeira, Kagami ajeitou-se na cama e passou a mão nos cabelos bagunçados. Não demorou nem três segundos para ouvirem batidas na porta.
– Onii-chan... – Chamou uma voz infantil.
– Entra Kento. – Aomine falou, sorrindo nervoso para Kagami e apontando para sua própria cabeça, indicando um pedaço de cabelo desarrumado do ruivo. Ele ajeitou rapidamente.
– A mamãe está chamando para jantar! – O menino disse tímido, olhando para o chão após colocar a cabeça para dentro do quarto. O papai acabou de chegar.
– Já vamos descer! -– Aomine sorriu para o menino, que saiu rapidamente do quarto. Olhou para Kagami com as sobrancelhas levantadas, em uma expressão de alívio. – Quase...
– Ele estava tão envergonhado que nem ia perceber. – Kagami falou, também parecia aliviado. – Tem certeza de que ele não é tímido?
– Quer fazer o teste? – Aomine perguntou avaliando-o enquanto se levantava. – Pergunte se ele gosta de Naruto. Vai ser o suficiente para ele não te largar por cerca de três horas.
– Eu assistia Naruto... Pode funcionar. – Kagami riu, levantando-se também, ainda lidando nos cabelos. – Deve ser mais fácil conversar com ele do que com seu pai.
– Acho que não. – Sorriu, aproximando-se. – Se você perguntar qualquer coisa sobre medicina, Austrália ou Tolkien ele fará seu monólogo e pronto, é só ouvir e ganhar um novo melhor amigo.
– E se eu não souber nada sobre isso? – Kagami perguntou preocupado. – O que é Tolkien?
– Nunca assistiu Senhor dos Anéis? – Aomine perguntou perplexo, parando de andar.
– Não... — O ruivo admitiu com uma careta desgostosa.
– Já sei o que vamos fazer hoje então! – O moreno afirmou decidido, dando-lhe um tapa nos ombros. – Não toque no assunto ou ele vai dar spoilers. Prefira a Austrália, ele se empolga mais.
– Tá bom! – Sorriu nervoso, coçando a nuca. – E sua mãe?
– Comida. – Aomine ponderou. – Ou cachorros, ela ama cachorros.
– Decididamente a comida! – Kagami riu com uma expressão engraçada. – Odeio cachorros.
– Vish... – O moreno provocou, rindo logo em seguida. – Mas não se preocupe, eles vão gostar de você.
– Isso soa como se você estivesse me apresentando aos seus pais como namorado. – Kagami disse confuso ao se dirigiam para a porta.
– É algo assim! – Aomine concordou, dando um último selinho antes de abrir a porta.
~Kagami Taiga~
Naruto, Austrália e comida! Naruto, Austrália e comida! Pensava enquanto lavava suas mãos em um banheiro grande que tinha já ao lado do quarto de Aomine. Estava nervoso, mas principalmente feliz. É como se um peso saísse dele, agora estava certo que estavam juntos, não teria mais que se preocupar com esse tipo de coisas.
Olhou seu próprio reflexo enquanto enxugava as mãos. Não estava com uma aparência perfeita para um jantar, mas não se vestira inadequadamente. Calça jeans e camiseta branca por baixo de um moletom cinza. Normal, não é?
Suspirou e saiu finalmente. Desceram pacientes as escadas e atravessaram o mesmo corredor até chegar à sala de jantar. Kagami respirou fundo, a mesa estava posta e cheia de comidas cheirosas que tinham uma ótima cara também. A mãe de Aomine e Kento já estavam sentados, mas a figura de um homem alto de costas estava em pé e conversava animadamente com a mulher.
– Boa noite pai! – Aomine saudou, atraindo a atenção do homem.
Ele usava uma roupa toda branca e seu tom de pele era mais escuro que o de Aomine. Um grande sorriso gentil surgiu em seu rosto ao ver ambos parados na porta. Energicamente ele passou a mão pelos cabelos azuis do filho e olhou para Kagami.
– Ah, então você é o amigo que joga basquete com Daiki. – Disse, estendendo a mão. – Sou Ethan, prazer em conhecê-lo.
– Prazer! – Cumprimentou apertando firme a mão do homem. Ele não era nada japonês, tinha o semblante parecido com o das pessoas da América e um sorriso acolhedor, aquilo o deixou mais a vontade. – Sou Kagami Taiga.
– Bem vindo, Kagami Taiga! – Saudou com um tapa nas costas. – Sente-se.
– Obrigado! – O ruivo sorriu, realmente sentindo-se mais confortável. Olhou para a cadeira restante, era ao lado de Kento e de frente para Aomine.
Naruto, Austrália e comida! Foi seu último pensamento. Seria uma noite longa.
***
– Provavelmente amanhã vamos sair antes que vocês acordem, então é só esquentar o que sobrou da janta. – A mãe de Aomine disse com um sorriso largo, após entregar uma escova de dente nova para Kagami. – Não façam muito barulho ok? Boa noite meninos!
– Boa noite! — Ambos responderam. Ela fechou a porta e seus passos sumiram pelo corredor.
Kagami poderia cair ali mesmo, estava exausto e extremamente envergonhado, não se sentiu a vontade em momento algum até voltar a pisar no quarto de Aomine. Sentou-se na cama e segurou a escova de dente em suas mãos, encarando-a.
– Viu só seu idiota, eles gostaram de você! – O moreno disse, dando-lhe um leve tapa no topo da cabeça enquanto passava ao seu lado.
– Sim, eu sei... – Taiga murmurou sem jeito. – Mas eu nunca falei tanto sobre Naruto, Austrália e comida ao mesmo tempo... Na verdade acho que nunca falei tanto.
– Eu vi! – Aomine riu, abrindo o guarda-roupa e tirando algumas peças de lá.
Ele atirou uma regata azul escura e uma calça cinza de moletom para Kagami, que não as viu a tempo e recebeu em cheio no rosto.
– Desgraçado! – Reclamou ao pegar as roupas e se levantar. – Vou escovar os dentes.
– Tá bom! – Aomine falou enquanto dava risada, tirando a própria camiseta.
Kagami virou-se rapidamente e saiu silencioso do quarto. Enrubesceu na hora, apesar de já ter visto o moreno sem camiseta antes em jogos de basquete. Agora era diferente.
Escovou os dentes da forma mais quieta que conseguiu e vestiu as roupas de Aomine. Tinham o cheiro dele e couberam quase perfeitamente, como se fossem suas. Os dois possuíam quase o mesmo porte físico, Aomine era apenas um pouco mais alto e delgado, enquanto Kagami era mais entroncado e largo.
Voltou silenciosamente para o quarto, fechando a porta com cuidado. Encontrou o moreno ligando a televisão e já colocando um DVD em seu aparelho.
– Arruma aí que eu vou lá escovar os meus dentes agora! – Aomine pediu, dando-lhe um selinho ao passar, deixando um controle em suas mãos. Kagami não estava esperando, mas gostou, foi tão espontâneo da parte dele...
Observou-o sair e sentou-se novamente na borda da cama, olhando para o menu do DVD. Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Parecia ser um filme interessante apesar de preferir as ficções científicas. Arrumou o áudio e escorregou para sentar no chão.
O ruivo suspirou fundo e parou alguns instantes para pensar nas coisas... Os pais de Aomine eram pessoas esclarecidas e muito legais, sentia-se quase culpado por mentir daquela forma e fazer as coisas escondido, por isso não estava completamente à vontade. Sua cabeça sempre funcionou dessa forma, “criando caso”, como Aomine dissera anteriormente.
Foi um alívio entrar no quarto do moreno, era um cômodo mais leve, ou melhor, menos cheio de culpa. De seu namorado? Era estranho pensar dessa forma, eram homens, mas mesmo assim a ideia o agradava.
Após mais um longo suspiro, o ruivo coçou a cabeça pensando onde estava se metendo. Apenas relaxou e deduziu que era exatamente onde queria estar, teve mais certeza disso ao ver Aomine adentrando o quarto e trancando a porta. Ele o fazia sorrir apenas por aparecer...
– Senta aqui! – O moreno disse empolgado, jogando-se na cama e batendo com a mão no espaço vazio ao seu lado.
Kagami nunca sonhara que por trás daquela fachada metida de Aomine Daiki existia um cara gentil e espontâneo. Sempre o viu de cara fechada, agindo igual um idiota, preguiçoso e com aquela voz arrastada, mas hoje ele era exatamente o contrário... Sorria fácil e parecia sempre empolgado. Quase não o reconhecia, mas gostava da nova versão.
Balançando negativamente a cabeça enquanto ria, Kagami sentou-se calmamente ao lado dele, ajeitando-se no colchão macio. Com um leve sorriso no rosto, Aomine desligou a luz no interruptor ao lado da cama e pegou o controle do ruivo, iniciando o filme.
***
Kagami piscou duas vezes antes de realmente acordar. Precisou de alguns segundos para lembrar-se do que acontecia. Estava deitado com a barriga para cima, por isso levantou um pouco a cabeça e olhou ao seu redor, sonolento. Parecia ser de madrugada, mas a TV ainda estava ligada e a música épica do menu do filme tocava repetidamente. Aomine dormia de bruços com o rosto apoiado em seu ombro direito enquanto o envolvia com um dos braços.
Vagarosamente, Kagami pegou o controle que estava próximo a sua cabeça e desligou a TV. Não demorou a se acostumar com a escuridão, pois uma nesga de luz amarelada entrava pela fresta da cortina, vinha de um poste provavelmente.
Observou os contornos de Aomine por alguns instantes, sentindo a respiração suave do moreno bater em sua pele... Era quente, em contraste com o quarto frio. Hesitante, levou a mão até os cabelos azul-escuros que refletiam a pouca luz, acariciando de leve com a ponta dos dedos. Ele moveu-se de leve, aconchegando-se mais e emitindo um leve suspiro, fazendo Kagami sorrir. Aomine Daiki era seu, somente seu.
O ruivo então olhou a contragosto para seu lado esquerdo, onde o fúton o aguardava. Ali estava tão bom, quentinho, com ele, mas precisava respeitar os pais de Aomine, era o mínimo. Foi vagarosamente se desvencilhando do braço do moreno, que murmurava coisas sem sentido em protesto. Não queria acordá-lo, por isso parou de se mover imediatamente. Aomine o puxou para mais perto, ainda dormindo.
Kagami engoliu um pouco de saliva e fez outra tentativa, conseguindo sair da cama com dificuldade após alguns minutos de manobras. Olhou novamente para os contornos de Daiki. A camisa branca contrastava com seu tom de pele e o calção escuro estava dobrado, deixando a mostra uma de suas coxas. Sentiu uma súbita vontade de voltar até a cama e envolve-lo, parecia tão vulnerável assim dormindo.
Mas não poderia fazer isso, por isso balançou a cabeça tentando esquecer. Retirou cuidadosamente a coberta que estava presa embaixo do corpo adormecido do moreno e o cobriu com cuidado para que ele não despertasse. Olhou-o novamente, acariciando sua bochecha antes de finalmente decidir que era o certo a fazer..
– Boa noite! — Murmurou baixinho para ele.
Virou-se e ajoelhou-se para deitar no fúton quando sentiu um toque leve em sua nuca. Quase morreu do coração, sentindo um arrepio percorrer por toda sua espinha.
– Taiga... – O moreno sussurrou sonolento, soltando uma pequena risada ao perceber o susto.
– Você quer me matar? – Kagami sibilou em voz baixa, virando-se com o coração em frangalhos. – Tá louco?
– Não. – Sorriu, fechando os olhos. – Quero você aqui...
Kagami respirou fundo, cada parte de si estremeceu ao ouvi-lo. Sabia que não podia fazer aquilo, simplesmente deveria deitar no fúton e dormir, mas todas as células de seu corpo protestavam.
– Deita aqui comigo... – Aomine sussurrou abrindo espaço para ele, novamente de olhos fechados e quase consumido pelo sono. Kagami entreabriu os lábios para negar, mas não iria conseguir, seu corpo já se movia automaticamente. Não queria evitá-lo, e se não deitasse ali se arrependeria no outro dia.
Vagarosamente dirigiu-se ao espaço que aguardava por ele. Seu coração começou a saltar e seu corpo esquentou quando se sentiu sendo abraçado. Aomine novamente apoiou o rosto em seu ombro direito e passou uma perna por cima das suas, encostando sua virilha na coxa de Kagami.
Dando-se por vencido, o ruivo também abraçou Aomine, puxando-o para si. Ele já adormecera novamente e soltava lufadas quentes de ar contra o seu pescoço. Ficava tão confortável assim, mas tinha certeza que não iria conseguir dormir. Sentindo-o tão perto, tão quente, ouvindo sua respiração, sentido seu cheiro... Foi obrigado a resistir a isso por duas semanas... Como conseguiu?
Aomine aconchegou-se mais, e a pressão de seu corpo fez Kagami arfar. Não estava conseguindo controlar, sentia que seu pênis começava a ficar ereto. Mas não iria fazer nada, não podia, já era o suficiente estar deitado na mesma cama. Respirou fundo silenciosamente e fechou os olhos tentando dormir. Outra hora pensaria nisso, apesar de ser difícil não pensar, principalmente naquela situação.
Colocou uma das mãos no cabelo de Aomine e enterrou os dedos ali, distraindo-se com os suspiros que o moreno dava ao receber o toque, chegava a ser bonitinho. Divertiu-se com aquele pensamento e riu.
– O que foi, idiota...? – Aomine perguntou sonolento, movendo o rosto.
– Nada, nada... Cala a boca e dorme logo! – Sorriu, ainda acariciando os fios azulados.
– Bakagami... – Ele murmurou, apoiando seu rosto na curva do pescoço do ruivo.
Ele era tão manhoso, NUNCA, mas NUNCA em sua vida esperou aquilo de Aomine Daiki. Na verdade aquele não era Aomine Daiki, não poderia ser... Mas estava feliz que fosse!
Parecia bom demais para estar acontecendo... O sono finalmente chegou...
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