Inevitável
7 Não tenho ciúmes!
Notas iniciais
~Kagami Taiga~
Uma batida repentina e seca na porta fez Kagami despertar assustado. Quase teve o ímpeto de se jogar no fúton ao lado, inclusive começou a se mover, mas quando percebeu do que se tratava respirou fundo e voltou a fechar os olhos, completamente sonolento. Parecia ser muito cedo ainda, o quarto estava bem escuro, apenas uma pequena nesga de luz do sol nascendo passava pela cortina.
– Kento, desliga já esse carrinho! – A mãe de Aomine sussurrou do outro lado da porta trancada. – Vai acordá-los desse jeito. Vem, vamos logo, sua avó está esperando!
– Desculpa... – O menino pediu, provavelmente manobrando o brinquedo que havia atingido em cheio a porta. O ruído do carrinho foi sumindo assim como os passos de ambos.
Encostou-se novamente ao corpo de Aomine, que dormia e respirava profundamente. Kagami o abraçava pelas costas, estava tão bom e confortável ali. Os cabelos azulados acariciavam seu rosto e sua boca encostava-se à nuca do moreno. Cochilou logo em seguida.
Não demorou muito tempo para despertar novamente, tinha o sono leve, principalmente fora de casa. Abriu os olhos ao ouvir o som metálico do portão eletrônico deslizando assim que o carro saiu da garagem. O ronco do motor foi sumindo aos poucos, restaurando novamente o silêncio. Estavam sozinhos agora.
Piscou duas vezes e logo fechou os olhos, sentindo os cabelos de Aomine roçarem suavemente seus cílios. Como ele podia ter um cheiro tão gostoso... E um corpo tão quente? Aconchegou-se mais, puxando-o para perto com os braços e passando a perna esquerda por cima das dele.
O moreno resmungou alguma coisa e aproximou-se também, apertando os braços de Kagami contra seu próprio corpo. Sentiu o traseiro de Aomine roçar em sua virilha quando ele se moveu. Fechou os olhos com mais força, tentando inutilmente ignorar aquilo. Afastou o quadril com cuidado ao sentir que novamente estava ficando excitado.
Respirou fundo, não podia ser desse jeito. Queria tanto Aomine, desejava novamente vê-lo gozar dizendo seu nome, sentir a mão dele envolvendo-o, descobrir cada parte daquele corpo, continuar de onde pararam... Mas não podia atropelar as coisas, não era o certo, já foram rápido demais da última vez. E além do mais não saberia como fazer isso, tinha medo.
Abriu os olhos, estava totalmente desperto. A visão da nuca e do início das costas de Aomine tornou-se uma tortura, principalmente agora que sua cabeça o traía e levava para aqueles lados. Tão tentador... Queria mordê-lo, sua pele morena o convidava a isso... Por que tinha que ser tão receoso? Por que simplesmente não conseguia?
Aomine aproximou-se manhoso, colando novamente seus corpos. Kagami mordeu os lábios e cerrou os olhos ao sentir sua ereção sendo pressionada na divisa entre as nádegas de Aomine. Aquilo só podia ser brincadeira. Kagami fazia força nas pernas para não começar a se esfregar, pois seu corpo teimava em querer se mover sozinho.
Por duas semanas inteiras esteve se controlando. Aquela vez em sua casa começara tudo o empurrando contra os móveis, moveu-se por instinto ao sentir tesão com o beijo, não conseguiu controlar e tinha medo justamente disso. Mas Aomine era tão... Gostoso. Sim, era essa a palavra. Era impossível resistir, esteve fazendo milagres nesse meio tempo recusando até mesmo um beijo de língua.
Seu corpo o desobedecia e a mente já o levava para todos os tipos de pensamentos pervertidos que conseguia lembrar. Não tinha experiência, mas tinha lógica, sabia o que queria, já vira em filmes, revistas...
Pensou em ir ao banheiro se masturbar, mas ele acordaria. Cerrou novamente os olhos com força, inutilmente tentando pensar em outras coisas. Não iria conseguir... Seu corpo já se movia levemente e seus lábios estavam entreabertos, soltando pequenas lufadas de ar quente na nuca de Aomine. Odiou-se naquele momento, mas o queria tanto. Pensou em acordá-lo para quem sabe levar um soco na cara e finalmente sair daquele devaneio, mas precisava... Sentia seu membro soltar o pré-gozo e molhar sua cueca.
– Me desculpe... – Murmurou baixinho antes de morder a nuca do moreno, fazendo-o arfar e mover o corpo, pressionando-o mais contra seu pênis. Era tão gostoso...
Com um susto, percebeu a mão de Aomine pegar a sua e descê-la por dentro da própria cueca. Sentiu o membro duro do moreno encostar em seus dedos.
– Eu também quero, Taiga... – Aomine murmurou ainda de costas, com a voz rouca ao sentir-se sendo tocado.
Kagami sobressaltou-se e seu corpo estremeceu por completo. Ele estava acordado e flagrou sua excitação. Sentiu vergonha e tesão ao mesmo tempo, começando um lento movimento de vaivém com a mão. Sua ereção começava a pulsar continuamente.
– Daiki, eu... Desculpa... – Kagami começou a falar, sentindo que não deveria continuar. Tinha medo de onde aquilo iria acabar, por isso fez menção de remover a mão, mas foi impedido pelo moreno.
– Continua... Taiga! – Aomine pediu, com a voz arrastada e embargada de desejo.
O ruivo arfou ao ouvir aquilo, chegou ao seu limite... Não podia mais se segurar. Com o último resquício de consciência que tinha, abaixou um pouco a cueca de Aomine para facilitar sua movimentação.
O ruivo esfregava-se enquanto deslizava cada vez mais rápido sua mão pelo membro molhado de Aomine, estimulando-o. Seu corpo fazia tudo praticamente sozinho, novamente dominado pelo instinto. Passou a língua na lateral de pescoço do moreno, chegando a sua orelha e mordendo-a de leve. Sentiu um pouco de vergonha, mas ele parecia estar gostando, pois seus gemidos eram constantes e deliciosos de ouvir.
Com a perna jogou a coberta para longe, queria ver, descobriu que gostava de ver. Apoiou-se em um dos braços enquanto o outro continuava ocupado em masturbar Aomine, abençoou-se por ter treinado a mão esquerda para jogar basquete, agora havia uma utilidade a mais.
Conseguia observar apenas parte do semblante do moreno, mas já foi o suficiente para seu membro pulsar mais e mais. Os olhos azuis estavam cerrados enquanto Aomine mordia com força os lábios para tentar conter os gemidos em sua garganta. Ele estava gostando, e não era pouco.
Kagami olhava para sua própria mão movimentando-se num vaivém compassado no membro de Aomine. Era gostoso, sentia-se mais excitado ainda. De tempos em tempos uma quantia de pré-gozo saia da cabeça, dando-lhe uma espécie de curiosidade para prová-lo, sentir o gosto, a textura. Envergonhou-se com aquilo, ainda havia consciência ali. Mas era curioso e seu braço começava a doer... Sua boca se encheu de água... Maldito instinto... Se fosse para se arrepender, que fosse depois!
– Daiki... – Chamou, com a voz rouca em seu ouvido, reduzindo as estocadas com a mão. Tomou um ímpeto de coragem e disse um tanto tímido: – Eu vou... Te chupar!
O moreno o olhou incrédulo, soltando uma lufada de ar. Kagami não pensou, apenas virou-o na cama rapidamente e subiu em cima de seu corpo. Apoiava-se com os joelhos e com o cotovelo na cama, o membro dele estava ereto entre suas pernas. Podia sentir os dois pênis roçando por cima da calça.
Agora encarava Aomine de frente, era uma bela cena. O moreno estava arfante quando enterrou os dedos no cabelo de Kagami. Um ar incrédulo ainda pairava em seus olhos, pelo menos onde não havia desejo. Ele disse:
– Você tem certeza?
– Sim... – O ruivo respondeu, beijando-lhe os lábios com intensidade para que ele não dissesse mais nada. Era agora ou nunca, não poderia hesitar. Gostava de ver Aomine excitado, gemendo e sentindo prazer, tinha certeza que ele iria gostar daquilo, apesar de não saber exatamente como fazer.
Ainda durante o beijo ergueu um pouco a regata branca de Aomine e, após morder o queixo do moreno, respirou fundo e engatinhou para trás. Sabia que estava corado, mas no fim valeria a pena, ou pelo menos imaginava que sim.
~Aomine Daiki~
Seu coração batia totalmente descompassado, não acreditava no que estava acontecendo... O tão orgulhoso e resistente Kagami Taiga descendo até lá para chupá-lo. Aomine sentia tanto tesão, mas tanto tesão que tinha certeza que não aguentaria muito tempo se ele realmente fizesse aquilo.
Deitado de barriga para cima decidiu apoiar-se nos cotovelos para ver melhor. Seu corpo tremia, ansiando por aquilo, a curiosidade percorria todas as suas células. Sentiu seu pênis pulsar apenas com a frase que o ruivo dissera, mas ele realmente estava lá, abaixava mais sua cueca e...
– Ah... – Gemeu alto interrompendo seus pensamentos, enterrando os dedos no lençol e fechando os olhos com força enquanto atirava a cabeça para trás. – Como é bom!
Nunca sentira algo tão gostoso na vida, NUNCA. Kagami colocara a sua cabeça inteira dentro da boca e suavemente passava a língua ali, arrancando gemidos contidos do moreno e limpando aquele líquido que escorria. Começou a ver estrelas, só podia ser mentira, era tão gostoso, excitante, único. Hesitante, voltou a olhar, e realmente Taiga estava lá, colocando e tirando parte de seu pênis na boca. Não conseguia conter a voz, por sorte estavam sozinhos.
O ruivo colocou mais um pequeno pedaço na boca. A vontade de agarrar os cabelos ruivos era enorme, mas não poderia fazer isso, apertou o lençol tentando manter a calma. Era delicioso sentir a língua roçando seu membro enquanto os lábios de Taiga subiam e desciam pela extensão. Cada vez ele tentava ir mais fundo, mas sempre voltava para respirar, ou recuperar-se da ânsia. O olhava preocupado nessas horas, mas era tão gostoso e ele parecia saber, porque não desistira. Kagami repetiu aquele gesto por um bom tempo, mas não tanto quanto o moreno gostaria.
– Eu estou quase... – Aomine murmurou, sentindo um formigamento subir por suas pernas. Já fora estimulado por tanto tempo com a mão, sabia que não conseguiria segurar se ele o chupasse. – Taiga... Eu...
Olhou para baixo alarmado e viu os olhos rubros e lacrimejantes mirando-o, pareciam sorrir satisfeitos. Apertou forte a coberta, tinha certeza de que ia gozar em segundos, por isso apenas fechou com força os olhos e esperou. Caralho, Kagami Taiga o enlouquecia.
– Taiga! – Arfou alto ao sentir seu líquido sair aos poucos, de forma contínua. Mordeu os lábios ao desfrutar daquela sensação deliciosa na virilha, como se descargas elétricas percorressem todo seu corpo até chegar lá e sair pelo seu membro.
Olhou para Kagami novamente e foi obrigado a rir ainda durante o orgasmo. O ruivo ia bem, mas teve que erguer rápido a cabeça, tossindo engasgado. Embaraçado, continuou masturbando-o até o fim. Ele olhava atento para o resto de líquido que escorria em sua mão antes de finalmente encarar o moreno.
Aomine deixou-se cair na cama, sorrindo aliviado e satisfeito... Na verdade estava surpreso, acima de qualquer coisa. Alguns segundos depois Kagami voltava a deitar ao seu lado, seus olhos estavam lacrimejantes mas seu sorriso era enorme, assim como sua vergonha, provavelmente.
– Taiga, seu pervertido desgraçado! – Aomine murmurou arfante, olhando-o enquanto erguia sua cueca. O calção já havia sumido fazia um tempo. – Isso foi muito bom.
– Foi? – O ruivo perguntou com um sorriso no rosto, olhando-o apreensivo e limpando as lágrimas que surgiram com a ânsia.
– Foi sim! – Aomine respondeu, reunindo suas forças restantes, se é que havia alguma. Decidido, subiu no corpo de Kagami sem se importar com a quantia de gozo que havia em seu abdome. – Agora é minha vez de tentar.
– Daiki... – Kagami murmurou surpreso, olhando-o com aqueles orbes rubros. – Não precisa...
– Mas eu quero! – O moreno admitiu, surpreso consigo mesmo. Sem esperar resposta, passou a mão pela ereção de Kagami que estava ali a um longo tempo apenas aguardando. – E você também quer...
Kagami respirou fundo e fechou os olhos, contendo um longo gemido. Ele precisava daquilo... Aomine beijou os lábios naquele instante, queria sentir seu próprio gosto na boca de Taiga. O ruivo o envolveu com os braços, apertando-o contra seu próprio corpo. Um de suas grandes mãos desceu até perto de suas nádegas, pressionando-o contra o próprio pênis ereto e pulsante.
Céus, como Taiga era intenso, não tinha medo de fazer as coisas e agia totalmente dominado pelo instinto, aquilo era tão excitante. Queria-o inteiro para si, era sua vez de sentir o gosto que tinha. Não fazia a mínima ideia de como começar e no fundo morria de vergonha, mas mesmo assim foi puxando a calça do ruivo para baixo enquanto ainda o beijava. Começou a masturbá-lo em seguida, estava todo molhado... Sua mão deslizava tão bem, estava tão lubrificado... Seria capaz de... Assustou-se com o que ia pensar.
– Daiki... – Taiga ofegou, ainda em sua boca, apertando seu braço e enterrando o dedo em seus cabelos. – Eu preciso... Por favor...
Aquele pedido foi irrecusável, a face de Kagami era outra enquanto o masturbava. Seus lábios entreabertos, sua expressão excitada, os olhos fechados... Com um suspiro, Aomine ergueu parte da regata azul escura que ele vestia e desceu. Sentia o membro dele pulsar ainda em sua mão, mas não sabia muito bem o que fazer. Queria apenas dá-lo muito prazer, tanto quanto lhe foi dado.
Fechou os olhos antes de começar e deixou a última nesga de orgulho de lado, seria melhor assim. Ainda o masturbando, passou a língua por cima da cabeça, curioso e apreensivo com o gosto que teria. Era uma mistura entre o doce e salgado, era bom. A cada passada de língua sentia Kagami contorcer-se um pouco e gemer, aquilo era gostoso, sabia que era.
Sem hesitar mais, colocou a cabeça de seu pênis na boca, arrancando um gemido alto de Kagami, que apertou o lençol com força. Aquilo era o maior estímulo do mundo, sentiu-se triunfante, o ruivo era todo seu agora.
Não era uma sensação ruim, mas para auxiliar resolveu usar também a mão e começou a masturbá-lo enquanto chupava a parte de cima, não conseguiria colocar muita coisa na boca de qualquer forma. O efeito foi melhor que o esperado, Taiga arfava e contorcia-se cada vez mais.
– Daiki... – Arfou, assim que ele começou a intensificar. – Vai...
Aquelas palavras eram como música. Continuou com a mão e a boca movendo-se juntas. Seu corpo quase se acostumou com o movimento, a intensidade, a sensação. Ou seria apenas sua vontade de ouvir Kagami gemer seu nome continuamente?
Após algum tempo abriu os olhos e observou-o, era uma cena verdadeiramente estarrecedora. Ele tinha o pescoço largado para trás, mas lutava contra isso para conseguir ver o que Aomine fazia. As mãos do ruivo arranhavam sua própria coxa, deixando marcas vermelhas em sua pele clara e seus olhos anunciavam que estava quase...
Kagami apenas gritou enquanto sentia seu gozo chegar, não avisou e nem conseguiu fazer mais nada. Aomine sentiu o jato atingir em cheio sua garganta, dando-lhe ânsia de vômito e uma espécie de angústia. Fez exatamente como Kagami, ergueu a cabeça e tossiu, mas continuou o movimento na mesma intensidade com a mão. Voltou seu olhar embaçado de lágrimas para o ruivo, que sorria enquanto mordia os lábios, ainda durante o orgasmo. Aquela expressão era fascinante, Taiga era fascinante. Os últimos espasmos do ruivo foram passando, ele relaxou o corpo.
Ainda com a garganta irritada, Aomine voltou para cima de Kagami e o beijou nos lábios com suavidade. Não teria coragem de falar nada, era embaraçoso demais. O ruivo, ainda arfante, acariciou o rosto e em seguida o abraçou, puxando-o em direção do seu tórax.
Nada disseram por um longo tempo. Aomine só sabia que estava satisfeito com a intimidade que estavam criando. Sua boca estava amortecida, sua garganta doía, seu corpo estava cansado, seu orgulho fora para o espaço há muito tempo atrás, mas cada segundo valeu a pena. Provavelmente fez tudo errado, tinha até medo de tê-lo machucado, mas teria tempo para corrigir futuramente.
– Daiki... – Kagami sussurrou de repente em seu ouvido, soltando-o do abraço. – Você... Você é a primeira pessoa por quem eu me apaixonei na vida... E eu não me arrependo em nada da minha escolha.
Aomine girou para o lado, apoiando-se na cama com o braço para poder encará-lo. Seu coração bateu tão forte ao ouvir aquelas palavras... Não sabia o que dizer. Gostava mesmo daquele desgraçado, e era tão bom ver isso ser retribuído.
– Eu não estou falando isso por causa do que acabou de acontecer... – O ruivo embaraçou-se o, ajeitando sua cueca e novamente olhando para Aomine, corado. – Mas é porque eu realmente sinto isso.
– Eu sinto o mesmo! – O moreno disse, enrubescendo. — Eu estou muito feliz que a gente... Sabe, que a gente esteja juntos. Tipo, como namorados... É tudo novo para mim, mas eu fico feliz que seja você.
– É mesmo! – Kagami sorriu, fechando os olhos de forma sonhadora. – A gente está namorando!
– Não acredito que você tinha esquecido! – Aomine reclamou, olhando-o com os olhos semicerrados.
– Claro que não, idiota! – O ruivo responde, dando-lhe um tapa na cabeça ainda de olhos fechados. – Estou brincando... Mas é uma coisa diferente, por isso preciso me acostumar com a ideia.
– Eu também. – Aomine admitiu corando e largando seu corpo na cama.
O silêncio reinou por alguns segundos.
– Isso foi embaraçoso... – Kagami disse, soltando uma risada nasal.
– Nem me fale. – Aomine sorriu, olhando para o lado, na direção do ruivo. – Quando você falou que ia... Né... Eu não soube o que fazer, senti a maior vergonha da minha vida.
– Você não parecia estar com tanta vergonha... – Kagami debochou, estreitando os olhos ao encará-lo. – Eu estava quase morrendo, ainda mais quando engasguei. Não sabia onde enfiar a cara...
Aomine riu, não esperava tanta espontaneidade da parte do ruivo. Respondeu:
– Mas eu também engasguei. O negócio vem com tudo na garganta, não tem como!
– E não é? – Kagami concordou com a cabeça, rindo também. – É estranho, mas é interessante.
– Sim... O problema é que os lábios ficam amortecidos depois. – Aomine comentou, tocando os seus com os dedos. – Olha, não sinto quase nada.
– Os meus também estão! – Kagami disse, repetindo o gesto antes de deixar o braço cair pesadamente ao seu lado.
Ficaram em silêncio novamente. Era cedo e estavam cansados.
Encararam-se por um longo tempo, um ao lado do outro. Aomine sentiu a mão de Kagami próxima a sua e sem hesitar entrelaçou seus dedos junto aos dele, encaixava tão bem, como uma peça de quebra-cabeças.
Sentia-se tão à vontade com Kagami Taiga, mal se lembrava de quando o desprezava, o via como lixo... Fazia muito tempo, mudara tanto em sua forma de agir e pensar que quase não reconhecia aquela pessoa de antes, aquele Aomine que pensava ser superior a tudo, único na face da Terra, sem obrigações, sem horários, sem nada. Hoje estava feliz.... Gay ou não, estava feliz.
Kagami começava a piscar os olhos com mais frequência, parecia exausto, assim como Aomine. Com um último suspiro, ele aproximou seu rosto até encostar-se ao do moreno e fechou os olhos. Sentiu-se ser abraçado também, era tão bom ali. Dormiram logo em seguida.
***
~Kagami Taiga~
Algumas semanas depois.
O ruivo sentava-se confortavelmente de pernas cruzadas, apoiado na cabeceira da cama de Aomine e lia uma revista qualquer sobre basquete que encontrou jogada numa gaveta. Já fazia algumas semanas desde a primeira vez que pisara naquela casa, e agora passava bastante tempo ali, principalmente nos finais de semana.
A mãe do moreno simplesmente o adorara. Quando descobriu que ele morava sozinho e que passava a maior parte do tempo solitário, o convidava para jantar ali até mesmo no meio da semana. Aomine, satisfeito, disse que ela praticamente o adotou depois que o ruivo passou o segredo do seu Curry. O pai do moreno também o acolheu bem, tinham muito em comum, conversavam em inglês e tudo o mais.
Apesar de saber que era bem vindo ali, Kagami se sentia mal e culpado a cada convite. Querendo ou não ele mentia para todos eles. Não queria nem imaginar a reação caso um dia viessem a descobrir que ao invés de ser o melhor amigo ele era o namorado de Aomine, e que ali mesmo naquele quarto eles se beijavam e faziam outras coisas escondidos.
Suspirou fundo pesaroso, lembrando-se do que acontecia entre aquelas paredes. Um sorriso maroto cruzou seus lábios quando se perdeu em pensamentos. Não passaram daquilo que fizeram na primeira vez, do boquete, mas mesmo assim estava satisfeito. Com certeza se conheciam melhor agora e tinham mais liberdade um com o outro, entretanto ainda faltava coragem para Kagami dar um passo e conversar sobre sexo. Tinha vontade de fazer, mas não conseguia propor, tinha medo da reação de Aomine, ele era muito orgulhoso. Por enquanto seria assim e estava muito bom, apesar de procurar bastante informação na internet.
Estava tão feliz, nunca achou que ficaria tão bem fora da América. Continuava treinando firme na Seirin, o Interescolar já era na próxima semana, a escola continuava como sempre, jogava seus mano a mano várias vezes por semana, tinha tempo para ir ao Maji Burguer com o Kuroko e com o resto do pessoal, e a melhor parte, tinha Aomine ao seu lado. Nunca achou que fosse gostar de alguém assim, estava tão feliz que chegava a dar medo.
Despertando de seus devaneios, olhou para o relógio de seu celular, já era 14h12min daquele sábado. Ouviu a campainha tocar e uma movimentação iniciou-se no hall. Provavelmente era Momoi e Kuroko. Combinaram de tomar sorvete antes de ir ao aeroporto buscar Alex e Nick. O dia que ele queria adiar finalmente chegou...
Não demorou muito tempo para os passos abafados encherem o corredor e a porta do quarto de Aomine se abrir.
– Olá Tai-chan! – Momoi o saudou escandalosa, pulando para abraçar Kagami.
– Oi, oi Satsuki! – Disse, dando um tapinha nas costas da menina ao sentir-se esmagado contra a cabeceira da cama. Odiava o exagero dela, na verdade nunca fora muito com a cara da menina, mas agora tinha que conviver com isso.
– Boa tarde Kagami-kun! – Kuroko sorriu, esticando o pulso para o ruivo acertar assim que ela se afastou.
– Beleza, Kuroko? – Perguntou, fazendo o movimento com o punho. O azulado apenas acenou e sentou na cadeira da escrivaninha do moreno.
– E o Dai-chan, cadê? – Ela perguntou, sentando-se aos pés da cama e olhando ao redor.
– Tomando banho! – Kagami explicou brevemente, colocando a revista no criado mudo e sentando-se melhor na cama, ainda com as pernas cruzadas.
– E então, prontos para o Interescolar? – Ela perguntou, mudando a expressão instantaneamente.
– Sempre estivemos prontos! – Kagami falou empolgado, cerrando os punhos de forma determinada. – Estivemos treinando como nunca nos últimos dias.
– Nós também. – Momoi sorriu perigosamente, lançando-o um olhar maligno. – Preparem-se.
– Vocês que devem se preparar Momoi-chan. –Kuroko disse, com um meio sorriso quase imperceptível.
Naquele instante a porta do quarto abriu e Aomine entrou de forma despreocupada. Os cabelos azulados ainda estavam úmidos e ele vestia apenas a calça jeans, sua camiseta estava jogada sobre o ombro.
– Dai-chan! – Momoi gritou, levantando-se num impulso e pulando para abraça-lo.
Ele cambaleou para trás ao receber o impacto da menina, e naquele instante Kagami sentiu como se alguém estivesse apertando suas entranhas. Não gostou de ver aquilo, a menina envolvendo-o com os braços, o apertando daquela maneira e apoiando a cabeça em seu corpo. Disfarçou, olhando para Kuroko e sentiu-se um idiota no ato, mas estava começando a ficar com muita raiva, ela não o largava.
– Oi Satsuki! – O moreno a saudou com a voz arrastada de sempre, desfazendo-se do abraço e colocando a camiseta. – Não sabia que vocês já estavam aqui. Tudo certo, Kuroko?
– Tudo bem sim, Aomine-kun! – O menor sorriu, olhando de Kagami para o moreno. – E com vocês?
O ruivo percebeu que ele ressaltou a última palavra, colocando no plural. Gostou.
– Estamos bem também! – Aomine disse, abrindo a porta do guarda-roupa e tirando uma jaqueta verde escura de lá. Olhou para Kagami sorrindo de canto: – Não é?
– Dai-chan, não fuja! – A menina falou de repente, encarando-o esperançosa. – Você prometeu que seria hoje...
– Prometeu o que? – Kagami perguntou imediatamente, antes que Aomine pudesse dizer algo. Os dois se encararam, ele parecia tão confuso quanto o ruivo.
– Momoi-chan, isso não é uma coisa que se peça! – Kuroko falou calmamente, coçando a nuca.
– Mas eu queria tanto ver... – Ela corou, olhando para baixo com um biquinho.
– Ver o que? – Kagami perguntou irritado, olhando de um para outro. O que Aomine prometeu que mostraria a ela, mas que não era uma coisa boa para pedir?
– Ah, lembrei! — Aomine exclamou, ampliando um pouco o sorriso. Sem mais nada a dizer, sentou-se ao lado de Kagami, que o encarava de olhos cerrados. – Quer ver mesmo, Satsuki?
– Lógico que sim! – Ela sorriu triunfante, olhando-o atenta. – Já te pedi um milhão de vezes.
– Ver o quê, porra? – Kagami questionou seriamente irritado, sentindo um aperto no estômago e uma súbita vontade de explodir. Isso que era o bendito ciúme, então?
O moreno soltou uma leve risada debochada antes de beijá-lo suavemente nos lábios. Foi apenas um selinho demorado, mas mesmo assim estavam na frente de Kuroko e Momoi. Kagami corou e se afastou, olhando para qualquer lugar inanimado do quarto. Nunca fizeram isso na presença de ninguém.
– Que lindos! – Ela disse em voz alta e com os olhos brilhantes, mal contendo a emoção ao ajoelhar-se na cama para ver melhor. – De novo...
Aomine o encarava sorrindo, mas Kagami não estava gostando daquilo. Ele não precisava ficar fazendo tudo o que ela mandava, era ridículo.
– Ela está nos fazendo de palhaços! – Murmurou, olhando incrédulo para o rosto próximo do moreno enquanto apontava para a menina sonhadora.
– Se for para te beijar não tem problema. – Ele sussurrou, fazendo o coração de Kagami descompassar rapidamente. Ainda não se acostumara a ouvir aquelas coisas.
Sentiu novamente seus lábios serem beijados. Dando-se por vencido retribuiu, assim quem sabe ela parasse de encher o saco. Sua vergonha depois seria a mesma com ou sem aquilo, e com era bem melhor do que sem.
– Eu não acredito nos meus olhos... – Momoi disse com uma voz fina, dando pequenos chiliques. – Isso é tão lindo, tão lindo! Só tinha visto em mangás...
Aborrecido, Kagami afastou-se e a encarou. Já era demais.
– Satisfeita? – Perguntou desgostoso.
– Não! – Ela exclamou feliz, quase com lágrimas nos olhos. – Vocês são tão lindos juntos, tão lindos... Só mais um.
– Melhor a gente ir! – Kagami encerrou o assunto, olhando ameaçadoramente para Aomine e então para ela.
– Vamos. – Aomine concordou, dando-lhe um último selinho antes de começar a levantar.
Kuroko permanecia sentado imóvel na cadeira. Estava lendo um livro de bolso e pareceu não se importar com a cena que aconteceu há alguns instantes, ele era sempre muito calmo, mas Kagami ficava envergonhado de qualquer forma. Assim que o menor viu a movimentação guardou o livro e levantou-se sorrindo, com sua face praticamente inexpressiva.
Momoi andava saltitando na frente assim que saíram do quarto, realmente ficou encantada em vê-los se beijando, mas era demais para a cabeça do ruivo. Achou ela ainda mais irritante depois daquilo, falando como se mandasse em Aomine. E ele obedecia como um cachorrinho, o que deixava Kagami puto.
O ruivo sobressaltou-se quando sentiu a mão de Aomine tocar a sua de leve, como um sinal para se acalmar. Olhou para ele, que sorria levemente e erguia as sobrancelhas, uma expressão de “desculpa?". Respirou fundo e tentou relaxar, sorrindo de volta da forma mais verdadeira que conseguiu.
***
– Já está na hora de irmos. – Kagami resmungou, descansando a colher após comer seu quarto sundae extra-grande.
– Ok, vamos então! – Aomine falou, olhando para o ruivo com as sobrancelhas levantadas.
– Mas já? – Momoi questionou com uma expressão desanimada. – Por quê?
– Temos que ir ao aeroporto. – Aomine explicou, pegando a jaqueta que estava pendurada na cadeira vazia ao seu lado.
– Sua irmã vem hoje, não é Kagami-kun? – Kuroko perguntou, interessado.
– Sim, mas ela vai se perder se ficar sozinha com Alex naquele lugar. – Kagami disse, levantando-se após se espreguiçar.
– Boa sorte com elas então! – Sorriu o azulado, acenando com a mão.
– Valeu! – Kagami agradeceu, pois realmente precisaria daquilo. – Até mais.
– Falou! – Aomine se despediu, acenando também e já seguindo o ruivo.
– Até mais Dai-chan, Tai-chan. – Momoi acenou de volta, entusiasmada. Provavelmente por estar sendo deixada a sós com Kuroko.
Seguiram em silêncio até o primeiro ponto de táxi que encontraram, não muito longe dali. Kagami não sabia o que falar no caminho, ainda estava remoendo as coisas em sua cabeça e tinha orgulho demais para tentar puxar algum assunto. Percebeu que Aomine o avaliava, e as vezes até ria de sua cara.
Entraram no veículo que parou no estacionamento assim que o ruivo fez um gesto com a mão. Um senhor de meia idade olhou para eles aguardando o itinerário.
– Para o Aeroporto, por favor! – Kagami pediu, inclinando-se para frente. Sentiu o olhar debochado de Aomine queimar em sua nuca. Irritante.
– OK! – O homem falou, já voltando-se para o volante. – Vai levar cerca de doze minutos, hoje o trânsito esta normal.
– Obrigado! – Finalizou o ruivo, recostando-se no banco de tecido que tinha um leve cheiro de bebida alcoólica.
O motorista deu a partida no carro e assim seguiam em direção ao aeroporto. Aomine olhava-o interessado, mas Kagami recusava a virar o rosto para o moreno. Estava agindo como um idiota, mas não ligava.
– O que foi Taiga? – Aomine sussurrou, cutucando continuamente o joelho do ruivo para irritá-lo, sabia o quanto odiava aquilo. – Está com essa cara por quê?
– O que você acha? – Kagami perguntou, ignorando as cutucadas contínuas do outro em sua perna, concentrando-se em olhar apenas para o trânsito em sua frente.
– Das duas uma. – Ele arriscou com a voz baixa, rindo de leve. – Ou é por causa da Satsuki ou por causa da sua irmã.
– Vamos dizer que é um pouco dos dois. – Rebateu Kagami, dando-se por vencido. Não aguentava remoer demais, teria que falar.
– Você tem ciúmes! – O moreno sorriu, parecia triunfante. – Eu vi sua cara quando ela me abraçou.
– Não fale "ciúmes". – Disse, estreitando os olhos e fazendo uma careta. – E você estava sem camiseta, caralho!
– É o jeito infantil dela, não mede as atitudes, tive que me acostumar com esses exageros desde sempre. – O moreno admitiu, dando de ombros. Parecia se divertir com aquilo. – Tetsu só não está com ela por causa disso.
– Não gosto do jeito que você faz tudo o que ela manda! – O ruivo reforçou, ignorando metade do que ele dizia.
– Eu não faço, seu idiota. – Aomine sorriu de canto, dando um tapa na orelha de Kagami. – Te beijei quando ela pediu porque estava com vontade, aquela foi só a desculpa para poder fazer isso na frente deles.
O motorista olhou pelo retrovisor para os dois naquele momento, seu olhar era apreensivo e surpreso, parecia estar prestando atenção em tudo o que eles diziam e não esperava aquele rumo na conversa. Kagami o encarou firme até que ele voltou a olhar para a estrada, como se nada tivesse acontecido.
– OK, eu entendi! Foi mal... – O ruivo disse após um longo suspiro, olhando para Aomine, envergonhado. Estava se sentindo um idiota ciumento agora, e ele parecia pensar o mesmo. – Mas não gosto das atitudes dela.
– Só pra esclarecer... – O moreno começou, apoiando o queixo de Kagami entre seu indicador e seu polegar. – Eu só tenho olhos para você... Somos namorados, seu idiota, não precisa ter ciúme.
– Eu sei Ahomine! – O ruivo sorriu fracamente. Ficou ruborizado, mas estava realmente satisfeito ao ouvir aquilo. Olhou rapidamente para o motorista e depositou um selinho silencioso nos lábios do moreno. – E eu não tenho ciúme de você, ok?
***
~Aomine Daiki~
– Já estou ficando com fome de novo! – O moreno reclamou, olhando para o relógio na parede clara do aeroporto movimentado e barulhento. 17h20min. Sentia seu estômago embrulhar, sorvete não preenche vazio nenhum.
– Eu também. – Kagami resmungou, olhando para os portões de desembarque e para os horários dos aviões no grande painel. – Vamos dar uma volta, parece que o voo atrasou.
– Nunca tinha vindo aqui no aeroporto! – Aomine comentou enquanto andavam pelos corredores entupidos de gente. – E não sei se gostei de vir.
– Sinceramente também não gosto muito. – Kagami disse, encarando-o. – E além de tudo a comida é bem cara e ruim.
– Hm, então acho melhor você fazer uma boa janta hoje.
– Alex vai querer comer em restaurante, tenho certeza! – O ruivo disse, colocando as mãos no bolso e olhando-o de esguelha. – Ela ama o Japão e não vai querer saber da minha comida hoje.
– E sua irmã?
– Meia-irmã. — Corrigiu. – Ela morava aqui com minha mãe quando eu nasci, mas nunca se acostumou muito bem pelo que eu lembro. Hoje já não sei mais, não tenho mais contato com ela faz tempo.
– E está tudo bem? – Perguntou Aomine, olhando-o atentamente. O ruivo parecia apreensivo, falava mais rápido que o normal.
– Com a visita dela? – Kagami indagou, franzindo as sobrancelhas. – Sim, só acho que vai ficar um clima estranho.
– Mas o problema dela não é com seu pai? – Aomine o questionou confuso, coçando a nuca.
– Sim, mas eu sou filho do meu pai e ela acha que sou igual. – O ruivo explicou, dando de ombros. – Mas converso bastante com a Alex por email e telefone, parece que quando contei que a gente começou a namorar Nick ficou mais tranquila para vir me visitar. Provavelmente pensava que eu guardei o preconceito do velho.
– Que bom que não guardou. – Aomine sorriu, com a voz arrastada.
– É! – Kagami sorriu gentilmente, virando à esquerda em um corredor, de onde um cheiro maravilhoso de comida surgia.
– Isso só aumentou minha fome! – Disse, fechando os olhos e cheirando o ar.
– Não se engane com o cheiro, a comida é bem ruim. – Kagami advertiu, com uma careta de nojo.
***
– Falei que era ruim! – Kagami riu, olhando-o de canto com um sorriso debochado na cara enquanto voltavam caminhando para o local onde esperavam. – É um idiota mesmo.
– Mas era tudo tão bonito e cheiroso. – O moreno disse acariciando a própria barriga. Seu estômago estava embrulhado agora, aquela comida tinha gosto de tapete. – Vou ouvir seus conselhos da próxima vez, Bakagami...
– TAIGA! – Ouviu-se uma voz feminina ecoar ao longe.
Aomine olhou, mas não teve tempo de entender o que estava acontecendo. Uma mulher loura e bonita usando óculos correu loucamente na direção de Kagami e pulou para um abraço, beijando-o demoradamente na boca. O moreno arregalou os olhos e ficou observando a cena completamente estarrecido. Não gostou nem um pouco, nem um pouco mesmo.
– Alex, pare com isso! – Kagami pediu com a voz suplicante, afastando-a e olhando ao redor corado. – Já disse que não deve fazer esse tipo de coisa.
– Que saudade da minha cria! – Ela disse, abraçando-o novamente e esfregando-se na bochecha do ruivo. – Sempre tão chatinho!
Taiga era seu! Que direito ela tinha de abraçá-lo daquele jeito e ainda por cima beijar sua boca? Aquela boca o pertencia. Aomine sentiu seu estômago revirar mais e mais, um mal estar subiu até sua garganta. Estava com raiva da situação, queria arrancá-la dali a força. Todos olhavam para os dois, pareciam ser um casal que não se via há muito tempo, mas Taiga era seu, somente seu.
– Alex, já deu! – O ruivo disse, encontrando o olhar de Aomine. Sua expressão mudou, parecia ter percebido que o moreno não gostou do que viu. – Deixa eu te apresentar...
– Ah, como queria te conhecer pessoalmente Aomine Daiki. – A mulher sorriu, interrompendo Kagami e virando-se para encará-lo. – Sou Alex!
– Prazer em conhecê-la. – Disse sério apertando firme a mão que ela estendeu, mas na verdade queria estourar aqueles dedos.
– Taiga falou tanto de você! – Ela sorriu radiante, olhando de um para o outro. – Quero que cuide do meu menino, viu!
– Eu já cuido muito bem dele! – Aomine confirmou de forma firme, abraçando Kagami pelos ombros e dando um selinho demorado nos lábios do ruivo. Precisava deixar claro quem mandava ali, mesmo que mil pessoas vissem aquilo. Sorriu de canto para o ruivo: – Não é, Taiga?
– Sim! – Kagami respondeu, olhando ao redor um pouco desconfortável e corado.
Aomine tirou o braço do redor de Taiga e segurou sua mão, entrelaçando os dedos. Não pretendia soltá-lo tão cedo. Com certeza Taiga não estava esperando aquela demonstração de afeto em público e mais tarde viria com seu discurso chato de sempre, mas Aomine não se importava, era o seu gosto que deveria estar nos lábios do ruivo, a sua pele que devia tocá-lo e ponto final.
– Fico tão feliz! – Alex sorriu radiante, colocando a mão na bochecha enquanto se apoiava em sua mala de rodinhas imensa. – Vocês formam um lindo casal!
Claro que formamos, Aomine pensou de forma sombria, mas sorriu por fora. Sentiu-se ridículo por estar agindo dessa forma, mas não suportou ver aquilo, seu estômago ainda embrulhava ao lembrar-se do beijo que ela o deu. Cacete, Taiga era seu!
E pensar que debochara de Taiga no mesmo dia pelo mesmo motivo... Não tinha nada de engraçado em sentir ciúmes. Até visualizou a cena de mais cedo em outro ponto de vista, Alex pulando em Kagami sem camisa pra abraça-lo. Piscou os olhos demoradamente para se acalmar e sentiu-se culpado por ter rido dele mais cedo, entretanto jamais daria o braço a torcer, não se desculparia nem a pau.
– Onde está Nick? – Kagami perguntou embaraçado, olhando ao redor.
– Esperando as coisas dela na esteira. – Alex explicou olhando para trás. – Mas te vi aqui antes e tive que correr te beijar.
– Você precisa parar com isso Alex, não sou mais criança! – Kagami pediu de forma séria, olhando de esguelha para o moreno.
Aomine acariciou discretamente a mão do ruivo com os dedos, sabia que ele havia percebido sua reação e estava tentando se redimir. Era um idiota mesmo, mas aquilo o agradou.
– Eu sei... – Ela sorriu tristemente, mas riu logo em seguida ao olhar para Aomine. – E além do mais você tem outra pessoa para fazer isso por mim, e de uma forma bem melhor.
– É! – Kagami respondeu convicto, respirando fundo e virando o rosto para dar um selinho demorado em Aomine.
Foi a vez do moreno se surpreender e sorrir com a atitude de Taiga. Ainda mais em público. Não tinha com o que se preocupar, né? Eram namorados... Ele mesmo dissera aquilo mais cedo.
A loura virou-se novamente e acenou na direção do portão de embarque. Aomine e Kagami olharam para o local.
– Aqui Nick! – Alex chamou, ainda acenando.
No meio daquele amontoado de gente, Aomine reconheceu a pessoa que certamente era a irmã de Kagami Taiga. Os cabelos vermelhos e o rosto agressivo não deixavam enganar. Ela era bem baixa, menor que Alex, tinha cabelos na altura dos ombros com a parte de trás mais curta na nuca, seu rosto era bonito e os olhos eram rubros também. Usava uma roupa peculiar: Uma camiseta de uma banda chamada Amon Amarth e um calção jeans rasgado, finalizando com um tênis escuro que mais parecia um coturno.
– Já entendi de onde você virou roqueiro. – Sussurrou no ouvido de Kagami ao vê-la se aproximar com um violão nas costas e uma mala de rodinhas.
– Eu não sou roqueiro. – Kagami rebateu, um tanto nervoso. Aomine o sentiu apertá-lo a mão com um pouco mais de força, involuntariamente.
– Olá maninho! – Ela sorriu sem jeito, olhando para Kagami ao parar do lado de Alex. Tinha muitos traços de Taiga em seu rosto, mas de uma forma mais feminina e sem as sobrancelhas gigantes.
– Hm, tudo bem? – O ruivo perguntou coçando a nuca, evidentemente desconfortável.
– Sim! – Ela confirmou com um meio sorriso, olhando-o da cabeça aos pés. – Você cresceu bastante.
– Você nem tanto! – Kagami respondeu com um tom irônico.
– Idiota! – Ela disse sorrindo de forma espontânea, já esticando os braços. — Larga dele já e vem me abraçar!
O ruivo sorriu sem graça abaixou-se para envolvê-la. Aomine já não entendia mais nada, não tinha clima estranho nenhum ali, pareciam realmente dois irmãos se reencontrando depois de bastante tempo. Taiga que era cheio das frescuras mesmo, pensava demais nas coisas e entendia tudo errado. Idiota.
***
Chegaram no prédio de Kagami perto das 22h. Como o ruivo havia previsto, eles jantaram em um restaurante perto do centro que servia um salmão extremamente gostoso, mas que também era caro pra caralho. A conversa transcorrera agradavelmente, as duas eram pessoas bem legais, menos quando começavam a falar em inglês. Apesar de tudo, Aomine ainda estava com a cabeça cheia de caraminholas, não conseguia esquecer aquele maldito beijo.
As duas já estavam com as malas dentro do elevador e riam de alguma coisa. Kagami as seguiu, mas Aomine hesitou antes de continuar.
– Anda logo. – O ruivo chamou, colocando o corpo na passagem do elevador para a porta não fechar.
– Acho que vou para casa! Não quero atrapalhar vocês... – Aomine disse, sentindo-se um pouco desconfortável. – Amanhã eu volto na parte da manhã.
– Subam lá, já chego! – Kagami disse com uma careta desgostosa, entregando a chave para as duas e saindo do elevador.
Assim que a porta automática fechou, o ruivo o encarou com uma das sobrancelhas levantadas, evidentemente esperando alguma coisa.
– O que foi? – Aomine perguntou, encarando-o também.
– Eu que te pergunto, o que foi? – O ruivo disse, erguendo as sobrancelhas agora.
– Nada Bakagami, vamos logo. – Desconversou, empurrando-o na direção da escada. Que se dane...
– Te conheço Ahomine... – Kagami começou a falar assim que subiram o primeiro lance de degraus. – Tem alguma coisa acontecendo nessa cabeça azul e vazia.
– Cala a boca e vamos logo, antes que eu desista de ficar. – Reclamou mal humorado.
– Com se eu fosse deixar você voltar para casa! – Kagami riu de forma sarcástica, olhando-o de canto e parando no meio da escada.
Ficaram se encarando por um bom tempo novamente.
– É a Alex? – Kagami perguntou, erguendo as sobrancelhas novamente.
– Sim! – Aomine admitiu, subindo mais um degrau para ficarem na mesma altura. Melhor falar logo e cortar o mal pela raiz.
– Dói não é? – O ruivo provocou, sorrindo de canto. – Você zombou de mim antes quando falei da Momoi. Bem feito!
– Uma coisa não se compara a outra. – O moreno irritou-se, estreitando o olhar pergiosamente. Odiou aquela provocação. – Ela te beijou na boca, porra!
– Te peço sinceras desculpas por isso, Daiki. – O ruivo disse olhando firme para seus olhos, mas em seu rosto havia uma expressão de culpa. – Já disse para ela parar com isso um milhão de vezes. Ela me beija desde que eu era criança, só não perdeu o costume. Vi que você não gostou e tenho certeza que ela percebeu também. Acredite, não irá se repetir.
Aomine apenas respirou fundo, olhando-o de forma dura, mas logo se desarmou e sorriu de canto. Não conseguia mais ficar bravo com o ruivo, até porque o beijo não foi sua culpa. Mas uma coisa não saía de sua cabeça...
– Taiga... – Começou, olhando para o chão em busca das palavras antes de continuar. – Você sente atração por mulheres?
– De onde veio isso tão de repente? – Kagami sobressaltou-se um pouco, olhando-o confuso.
– Sim ou não? – Aomine insistiu, encarando-o firme e lutando para não mostrar sua timidez.
– Eu não sei, acho que não... – Kagami balbuciou, coçando a nuca. – Quando eu era menor talvez, mas agora que você disse, isso foi sumindo com o tempo.
– É que Alex é uma mulher muito bonita e fica perto de você o tempo...
– Olha a viagem! – Kagami abriu um sorriso aliviado ao ouvir aquilo, dando um tapa na orelha de Aomine. – Eu não sinto nada por ela. Nunca senti atração nem nada mesmo já tendo visto ela sem roupa, se é isso que quer saber. Conheço ela desde criança, Alex praticamente me criou, me ensinou tudo no basquete, é namorada da minha irmã e só.
– Você já viu ela pelada? – O moreno perguntou, alarmado. – Quando e como foi isso?
– Já... Mas não é nada disso que você esta pensando. – Kagami disse sério, com a voz tremida. – E por que esse interesse repentino?
– Ah Taiga, não pense merda! – Aomine sussurrou explosivo perante a expressão desconfiada de Kagami. – Eu não sinto mais atração por mulheres há um bom tempo. Isso sumiu de mim misteriosamente, mesmo eu já tendo gostado muito de peitos...Ou fingido gostar... Já não sei mais. O ponto é que tenho medo que você sinta, e se for dessa forma eu fico completamente fora de seus gostos!
O ruivo o encarou levemente boquiaberto. Aomine sentiu que corou até onde não devia, acabou falando demais. Desde quando se sentia inseguro dessa maneira? Pensou em se jogar da escada e rolar até o final, para quem sabe morrer e reencarnar em uma outra forma de vida que não precisasse repetir aquilo nunca mais.
– Daiki... – Kagami murmurou, aproximando-se. – Isso que você disse foi algo bem sério. – Ele passou o dedo entre os cabelos do moreno suavemente enquanto aproximava o rosto. – Você realmente acha que depois de tudo o que fizemos juntos eu não sinto atração por você?
– Não! Não foi isso que eu quis dizer. – Aomine respondeu, sentindo suas costas tocarem na parede da escadaria. – Eu só...
– Você quer saber a verdade? — Kagami o interrompeu com um murmúrio em seu ouvido, fazendo-o se arrepiar. – Eu sinto muita atração por você, como nunca senti antes por nada e nem ninguém. Cada vez que a gente faz alguma coisa eu sinto vontade de fazer muito mais... Ultimamente tenho pensado em várias coisas.
– Como o quê? – Aomine perguntou com a voz arrastada, sentindo uma ereção se aproximar. Taiga era fascinante, aquela voz tinha um poder imenso sobre ele...
– Em sexo, Daiki... – Kagami respondeu, pressionando-o contra a parede com o corpo quente. Sentiu a ereção do ruivo contra sua coxa. – Eu quero você inteiro para mim, sou completamente louco por seu corpo e admito que não consigo pensar em outra coisa além de você.
– Taiga... – Aomine murmurou, fechando os olhos ao sentir o hálito de Kagami em seu pescoço. – Eu também penso muito nisso. – Engoliu a saliva enquanto sentia a língua do ruivo roçar sua orelha. – E penso no quanto quero tentar...
– Você vai me pedir quando estiver pronto. – Sorriu malicioso, esfregando o corpo em Aomine. – Eu sou louco por você Daiki, e como já disse, quero você inteiro, das duas formas.
Aomine arfou com o pensamento, Taiga dentro dele, ele dentro de Taiga, quase conseguia visualizar e ansiar por aquilo. O ruivo era um desgraçado cheio de lábia e mal sabia disso. Puxou-o para si, pressionando seu membro contra o corpo de Kagami. Enterrou os dedos nos fios ruivos e forçou a cabeça dele para trás vagarosamente, encararam-se em seguida.
– É por isso que gosto de você. – Sussurrou, passando a língua nos lábios de Taiga, que sorriu sem muito pudor. – Você é imprevisível.
– E você é um ciumento. – Kagami disse, forçando sua cabeça contra o puxão de Aomine, para beijá-lo de língua. Afastou-se após alguns instantes e o encarou. – Eu sou todo seu, Ahomine. Inteiro.
– Não Bakagami, eu que sou todo seu. – Finalizou, beijando-o novamente. Sentia o pré-gozo escorrer por seu pênis enquanto se esfregavam. Sentia tanto tesão por aquele desgraçado, e Taiga sabia disso.
Um barulho de porta abrindo num andar acima fez eles se afastarem rapidamente, alarmados. Estavam em um local aberto, alguém poderia ver.
Kagami sorriu, dando-lhe outro beijo rápido antes de se afastarem. Disse em seguida, ironicamente:
– Você ainda quer voltar para casa?
– Desgraçado! – Aomine sorriu perante a provocação do outro, bagunçando o cabelo do ruivo. – Sobe logo.
– Você é tudo para mim, entendeu? – Sussurrou no ouvido do moreno, com um sorriso. Aomine sentiu seu coração pular ao ouvir aquilo, era uma coisa bem séria a se dizer.
Kagami começou a subir o olhou por cima do ombro, esperando-o.
– Você também é! – Respondeu em voz alta, subindo atrás dele. Nunca dissera maior verdade em sua vida.
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