Inevitável
19 Estarei te esperando...
Notas iniciais
~Aomine Daiki~
– Ai meu caralho! – Aomine sussurrou animado ao fechar silenciosamente a porta do apartamento 34 e deixar sua chave ao lado da de Taiga, no aparador azul. Até aquele pequeno gesto o fazia sorrir... Um dia esse costume seria seu também, e não apenas do ruivo.
A euforia de Daiki era tão grande quanto sua incredulidade. Estava realmente na casa de Taiga? E iria realmente morar ali em breve? Não parecia real... Não parecia! Era muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo, como se elas estivessem guardadas ali há muito tempo para substituir de uma vez só todos os anos horríveis que passara.
Olhou ao redor e sorriu, aquilo estava ficando extremamente natural.
Tudo bem organizado, pia limpa, cheiro familiar, iluminação fraca vinda da janela. Uma leve melodia interrompia o total silêncio e vinha do corredor, provavelmente saindo pela porta entreaberta do quarto onde Taiga ainda dormia.
O moreno reconheceu o som imediatamente... Ouviu muito Pink Floyd em sua vida e aprendera a apreciar.
Mesmo naquele volume baixo os sons de sinos denunciavam o início da música High Hopes, uma das melhores da banda, álbum Division Bell, 1994... Gostava bastante da versão de Nightwish também, mas preferia a original... Era uma ótima música para ouvir enquanto tomava café da manhã e lia o jornal ou algum livro. O moreno riu com sua própria linha besta de raciocínio, fazia tempo que não se permitia viajar por coisas tão banais.
Ainda em silêncio, retirou os sapatos e seguiu até a bancada, onde deixou uma sacola com seus preferidos donuts de chocolate – um policial sem donuts não é policial – e algumas rosquinhas de coco que viu Taiga comer no dia anterior, ele parecia ter gostado bastante.
A melodia calma e nostálgica o atraía para o lugar onde deveria e queria estar. Deixou o cachecol e as luvas de qualquer jeito também em cima da bancada e seguiu apressado até o quarto do ruivo. A porta estava entreaberta, permitindo que Aomine espiasse para dentro... A cena fez seu coração quase explodir de felicidade, Taiga ainda estava dormindo.
Pé ante pé o moreno se aproximou observando seu rosto, a única parte do corpo dele que estava para fora das três cobertas. Com suavidade sentou-se na cama para que ele não acordasse. Taiga tinha uma expressão tão leve e serena ao dormir daquela forma...
Aomine quase pensou em deitar-se ao seu lado, mas não queria que ele despertasse de forma alguma, queria admirá-lo mais um pouco. Era simplesmente o amor de sua vida, a pessoa que o fazia sorrir facilmente.
Já estava morrendo de saudade do ruivo e não via a hora de chegar ali para abraçá-lo! Aquela foi uma noite fria e torturante de trabalho, apesar de que muita coisa aconteceu e o tempo passou bem rápido. Isso sem falar que fora até sua casa para tomar um banho, pegar umas roupas a mais algumas coisas que precisaria antes de finalmente ir até o apartamento de Kagami.
Suavemente afastou os cabelos que cobriam sua espessa e peculiar sobrancelha dividida... Aquilo dava a Taiga uma expressão irritada, mas quando ele dormia até a cara de bicho ruim sumia. Na verdade ele parecia uma criança de tão sereno que ficava... Era perfeito, lindo, seu, apenas seu.
Aomine passou os dedos suavemente por seu rosto, mas o ruivo soltou um suspiro engraçado e moveu-se um pouco. O moreno sorriu e tirou a mão imediatamente, ficou com receio de acordá-lo...
Assim como ficou com receio de contar muitas coisas a ele no dia anterior... Suspirou.
A falta de coragem para abrir completamente o jogo ainda martelava em sua mente. Decidiu e prometeu a si mesmo que Taiga nunca saberia das coisas ruins que aconteceram em sua vida! O ruivo se sentiria culpado...
Aomine não precisava contar que prometera coisas absurdas à Seiko apenas para ir ao aeroporto despedir-se, mas que no final das contas nunca foi visto ou ouvido pelo ruivo... Nem que em um mês perdera quase oito quilos por seu corpo rejeitar qualquer tipo de comida devido ao estado de depressão que se encontrava... E muito menos que ele e Yuuri se davam bem no início e até se ajudavam em seus próprios estados de tristeza... Taiga também não precisava saber que o moreno fumara uma carteira de cigarros por dia durante um longo ano... E nem que em um surto de coragem deu um soco em Ethan na frente da família inteira, pois estava cansado de ser tratado como um bosta.
Essas coisas conseguiram deixar Aomine tão duro e frio que ele próprio mal se reconheceu durante alguns anos. Por algum motivo abriu os olhos na hora certa, provavelmente quando decidiu reler a carta de Taiga num canto qualquer e desabou novamente. Não o deixaria orgulhoso agindo daquela forma decadente... Prometera que iria seguir em frente de cabeça erguida.
Foi então que se permitiu ter esperança, por mais ínfima que fosse. O moreno percebeu que não estava fazendo a coisa certa e procurou formas de voltar a ser o mesmo Aomine de sempre, para um dia reencontrar Taiga sem arrependimentos... Exatamente como havia decidido na semana do “apocalipse”. Parou de fumar, começou a ler livros, estudar inglês, ouvir mais músicas, assistir mais filmes, comer mais chocolate, jogar mais basquete... Além de se dedicar muito mais à sua profissão, que era seu maior prazer!
Hoje estava muito bem, Satsuki e Kuroko que o digam... Devia muito a eles, muito mesmo. Tudo melhorara ainda mais depois do divórcio, e agora ao lado de Taiga tinha certeza que tudo voltaria a ser como sempre fora... Tudo ficaria bem, finalmente! Passado seria apenas passado.
Aomine sentiu uma lágrima de felicidade descer por sua bochecha ao acariciar novamente o rosto sereno de Taiga. Riu sozinho. O que acumulara de tristeza nos últimos anos agora estava se transformando em melosidade pura! Mas era compreensível depois de sofrer um bocado. Estava feliz de verdade e não se sentia mais sozinho... Apenas carente. Taiga já estava dando um jeito nisso.
Ao lado do ruivo as coisas ruins simplesmente ficavam no passado, era como se ele tirasse com a mão toda a dor que ficou em seu peito. Tudo estava tão incrível! Faziam planos, tinham ideias, pensavam de forma igual, a química era a mesma de sempre, sentiam desejo um pelo outro, se amavam tanto... Parecia que nunca haviam se afastado.
Na verdade nunca se afastaram, apenas fisicamente...
– Aho...
O moreno assustou-se de repente ao ouvir Kagami chamá-lo com a voz embargada de sono. Estava tão perdido em seus pensamentos que não notara que ele o encarava com um meio sorriso.
– Oi Bakagami! – Aomine murmurou feliz, jogando os fios ruivos para trás com os dedos, deixando sua testa exposta.
– Você veio me assassinar no meio da madrugada... Ou já é de manhã? – O ruivo perguntou em um sussurro sonolento, piscando os olhos calmamente.
– Já é de manhã! – Aomine riu com aquilo, enxugando a discreta lágrima que escapou novamente por seus olhos azuis. – Mas eu não queria ter te acordado...
O ruivo nada disse, apenas sorriu e puxou-o com carinho para mais perto, fazendo-o deitar-se na cama também. Como quem não quer nada foi se aninhando em seus braços.
– Minha Bela Adormecida! – O moreno sorriu de orelha a orelha ao envolvê-lo em um abraço e apoiá-lo em seu peito. Ele estava tão quentinho.
– Saudade. – Taiga murmurou com os olhos rubros quase fechados, abraçando-o também.
– Saudade, Bakagami! — Aomine respondeu satisfeito, quase sentindo explodir de tanto alívio e felicidade.
– Não me deixe dormir de novo... Tá bom? – Kagami pediu sonolento ao apoiar a cabeça em seu pescoço de forma manhosa.
– Tá bom... – Aomine mentiu, dando um beijo em sua testa. Ele estava cansado, bastou um leve carinho na nuca para que dormisse novamente.
***
~Kagami Taiga~
– Tá, agora me fala qual foi a maior dor física que você sentiu? – O moreno perguntou mudando a marcha do seu carro após afrouxar um pouco seu cachecol acinzentado.
Estavam no meio de mais um festival de perguntas rápidas enquanto se dirigiam até a casa de Kuroko para almoçar. Para variar, atrasados... Sorte que Aomine conhecia milhares de atalhos e era um ótimo motorista, isso Kagami tinha que admitir... Assim como também precisava admitir que ele ficava um tesão dirigindo com aquela postura autoritária e decidida, mudando de marcha com movimentos firmes e olhando atento para todos os lados... Kagami viajava em seus pensamentos pervertidos ao observá-lo ao volante, decidiu que teriam que fazer sexo naquele carro mais tarde, com frio e tudo!
– Maior dor física... Deixa-me ver... – O ruivo desviou os pensamentos para as lembranças. – Depilação com cera, sem dúvida alguma!
– Ah! Pare Taiga! – Aomine exclamou incrédulo, freando suavemente ao se aproximarem do sinaleiro. – Você não fez isso...
– Fiz umas duas ou três vezes, mas só porque perdi em apostas para a Nick. Ela gosta de me torturar! – O ruivo explicou, arrancando uma longa risada de Aomine. – Dói pra caralho... Pior do que qualquer coisa que você já imaginou sentir na vida... Principalmente na virilha! A perna ainda vai...
– Meu Deus, você se depilou inteiro? – O moreno perguntou horrorizado, acelerando assim que o sinal mudou para verde.
– Sim! – Kagami deu de ombros. – Fica legal, mas não faço nunca mais na vida... Até porque nem cresceu direito depois daquilo, acho que foi arrancado diretamente da minha alma.
– Idiota! – O moreno balançou a cabeça, dando a seta para a direita. – Sua vez!
– Hm... – Kagami ponderou por alguns instantes, mas não conseguiu pensar em nada muito original. – Pior vexame?
– Ah, isso foi cruel... Acho que foi na primeira semana de trabalho, estava em treinamento ainda. – Aomine estreitou os olhos fazendo uma careta desgostosa assim que foi freando o carro novamente. – Eu e mais um novato precisávamos ir até uma farmácia que estava sendo assaltada... O cara era um idiota e por causa dele me perdi e fui parar em outra, láááá do outro lado da cidade! Entrei armado, apontando para todo mundo em busca do assaltante... Dá até um ruim de lembrar, fico com vergonha até hoje!
– Meu caralho Daiki! Melhor eu não falar nada... – Kagami riu alto dando um tapa carinhoso em sua coxa assim que ele estacionou. – Mas eu acho que te demitiria na hora, sério mesmo!
– Vai lá se depilar e fique de boa Bakagami! – O moreno sorriu sem graça ao desligar o carro. – É aqui... Vamos?
– Vamos! – Kagami sorriu satisfeito já retirando o cinto de segurança e dando-lhe um beijo suave nos lábios. – Ei...Te amo, Aho...
– Também te amo! – Aomine sorriu, passando os dedos entre os cabelos ruivos dele. – Eu estou feliz demais Taiga, não consigo nem dizer o quanto!
– Essa sua cara de bobo já me diz tudo, porque é idêntica a minha. – O ruivo sussurrou, roçando o nariz de ambos. – E sabe o que é o melhor de tudo? Agora é para sempre!
– Meu caralho, Bakagami! – O outro sorriu, abraçando-o com força. – É bom demais pra ser verdade!
O sorriso ampliado de Kagami foi inevitável ao retribuir o abraço impulsivo e gostoso de Aomine. Tudo finalmente estava ficando perfeito, como sempre sonhara! Estavam juntos e livres!
***
– Dai-chan! – Uma voz infantil soou assim que a porta abriu, segundos depois de o moreno apertar a campainha.
Kagami estava fora do alcance de visão de dentro da casa, encostado na parede da varanda, apenas Daiki estava parado na soleira. Uma menina de uns três ou quatro anos com cabelos compridos e azuis jogou-se no colo de Aomine, abraçando-o com força assim que foi pega no colo.
– Oi fedidinha! – O moreno a saudou, jogando-a para cima e segurando-a de volta.
A menina gritava extremamente alto com a brincadeira. Ela estava tão entretida que nem percebera o ruivo ali ao lado, a enorme touca amarela de gatinho também tapou sua visão. Era impossível não sorrir com aquela cena, era uma criança realmente fofa.
– Oi fedidão! – Ela riu assim que se acomodou melhor no colo de Aomine, de costas para o ruivo.
– Dai-chan, já vou aí te abraçar! – A voz conhecida de Momoi soou de algum ponto distante dentro da casa. Kagami sorriu novamente, sentia falta dela também. – Vem já aqui colocar sua meia, Hina!
– Vai lá porquinha! – O moreno a colocou para dentro de casa, aproximando-se mais do hall.
– Tudo bem Aomine-kun? – Kuroko o cumprimentou com um habitual soco na mão, o ruivo viu apenas o braço dele pela porta da casa. Seu sorriso ficou ainda maior, sentiu muita falta da sua antiga sombra. — Entre logo, está frio e o aquecedor está ligado!
– Hoje eu trouxe uma surpresa para vocês! – O moreno exclamou satisfeito, olhando para Kagami com um sorriso de orelha a orelha, mal escondendo a empolgação. Kagami nunca cansaria de pensar o quanto amava aquele sorriso...
O ruivo não conseguia controlar a própria euforia ao dar dois passos até a frente da porta e avistar aquele rosto familiar que tanto sentiu falta. Sete anos era realmente um longo tempo, mas Kuroko não mudara praticamente nada.
– Puta que pariu! – O menor exclamou com a voz realmente alta e surpresa ao avistá-lo, abrindo um sorriso enorme logo em seguida. Ele estava realmente incrédulo, nunca o ouvira soltar um palavrão na vida. – Kagami-kun!
– E aí, Kuroko! – O ruivo adiantou-se e deu um caloroso e animado abraço no amigo, que retribuiu da mesma forma.
– Caramba, quanto tempo! – O menor comentou se afastando, ainda com um sorriso no rosto surpreso.
– Alguns anos! – Kagami sorriu dando a mão para Aomine segurar, entrelaçando os dedos gelados de ambos. – Que saudade rapaz!
– Nossa, nem me fale! – Kuroko sorriu ainda mais notando aquele gesto. – Venham, entrem logo!
Assim o fizeram. Ali era um ambiente extremamente aconchegante e bonito na opinião do ruivo. Apesar de a casa ter dois andares ela era pequena, mas a decoração e a escolha dos móveis do local eram extremamente bem feitas, não era para menos já que Momoi formou-se em Design de Interiores. Era um local bem acolhedor, digno de seus melhores amigos.
– Caramba Kagami-kun, estou realmente surpreso e feliz ao te ver! – Kuroko comentou assim que deixavam os cachecóis e casacos no hall de entrada. – Está aqui desde quando?
– Cheguei na terça-feira a noite! – O ruivo falou olhando na direção de Aomine. – Mas só encontrei ele na madrugada de quinta para sexta-feira... Foi mal por não avisar sobre a minha viagem, foi tudo bem corrido e eu queria passar despercebido! Mas eu viria te visitar de qualquer forma.
– Tai-chan? Não pode ser... – Satsuki apareceu correndo no alto da escada com uma expressão incrédula. Um enorme sorriso surgiu em seu rosto assim que os viu de mãos dadas – Não acredito nos meus olhos! Tai-chan, Dai-chan!
O ruivo teve que rir ao vê-la descer as escadas como uma louca escandalosa que sempre foi. Ela estava muito bonita e parecia realmente feliz, mais pelo fato de vê-los juntos do que qualquer outra coisa, mas isso era o suficiente... Era o motivo de sua felicidade também.
– Como é bom ver vocês assim de novo! – Ela disse, pulando para abraçar Kagami com força. — Vocês são tão lindos juntos, eu nem acredito nisso! Eu sabia... Vocês nasceram um para o outro, eu sabia!
– Oi Momoi, tudo bem com você? – O ruivo sorriu irônico, retribuindo o abraço de forma divertida. Estava feliz demais por rever aquelas pessoas realmente importantes em sua vida, sentiu falta de cada um deles.
– Ah, oi oi oi, Tai-chan! – Ela sorriu afastando-se para encará-lo, evidentemente animada. – Que bom que você está aqui!
– Oi Satsuki! – Aomine cumprimentou erguendo a mão em um aceno, esperando. – Também estou aqui!
– Ah Dai-chan! — Ela sorriu radiante, pulando para abraça-lo também. – Estou tão feliz por vocês!
– Fico muito satisfeito com isso também! – Kuroko sorriu, olhando de um para o outro.
– Vai cuidar desse idiota agora, não é? – Momoi olhou para Taiga, se referindo a Aomine.
– Claro que sim, ele é meu idiota para sempre agora! – O ruivo confirmou com todas as suas forças, recebendo um selinho carinhoso do moreno em seguida.
– Ah, tão lindos juntos! – Ela gritou, dando dois pulinhos animados. – De novo!
Foi a vez de Taiga sorrir com as lembranças de seu antigo ciúme imbecil e dar um selinho carinhoso em Aomine.
– Como isso foi acontecer? – Ela sorriu animada, puxando-os para o sofá pela manga das jaquetas. – Quero que me contem tudo! Tudo... Na semana passada estávamos falando de Dai-chan te ligar... E hoje isso! Eu preciso saber cada detalhe! – Ela os fez se sentarem no sofá duplo, estava radiante. – Tai-chan, você deve ter tanto a nos contar! Caramba, eu não acredito... Tão lindos!
– Você poderia apresentar a nossa filha primeiro! – Kuroko comentou divertido, vendo a criança olhar curiosa e quieta através dos vãos do corrimão da escada.
– Ah, é mesmo! – Momoi sorriu, estendendo a mão para a menina assim que os dois sentaram no sofá. — Vem Hina, deixa eu te apresentar o tio Tai-chan!
O ruivo sorriu tímido vendo a menina tentar se esconder, não tinha lá muito jeito com crianças... Elas eram intimidadoras, como os cachorros. Aomine percebeu sua reação e o tranquilizou depositando a mão em sua perna.
– Vem Hina! Ele também é um fedido, mas é bem legal! – O moreno comentou assim que a menina desceu silenciosa, era o verdadeiro oposto de sua reação anterior.
– Amigo do Dai-chan? – Ela perguntou receosa, escondendo-se atrás das pernas de Satsuki.
– Sim! – Kuroko confirmou, olhando com carinho para a criança. – É nosso amigo também!
– Senta aqui comigo Hina, vou te apresentar o tio Taiga! – Aomine sorriu estendendo a mão para ela pegar.
– Taiga? – Ela exclamou curiosa, aproximando-se de Daiki, mas ainda olhando receosa para o ruivo.
– Isso, diga oi pra ele! – O moreno pediu, colocando-a em seu colo.
– Oi! – Ela sorriu tímida, avaliando-o com os olhos azuis como os de Kuroko, mas seu rosto tinha os mesmos traços de Satsuki.
– Oi! – O ruivo respondeu, estendendo o punho para ela socar. – Qual o seu nome?
– Hina... – Ela sorriu, entendendo o gesto e socando sua mão em seguida. – Por que seu cabelo é assim?
– Assim como? – Kagami perguntou tocando nas próprias madeixas de forma distraída.
– Vermelho... – Ela explicou, estendendo a mão para tocá-lo.
– Não sei... Nasci assim! – O ruivo sorriu, guiando a cabeça até ela. A pequena e quente mão começou a brincar com seus fios, teve que admitir que era bem relaxante.
– Passou no teste, Taiga! – Aomine sorriu satisfeito, arrancando risadas leves de Momoi e Kuroko. – Quando ela encosta no cabelo é porque está tudo bem! Está aprovado...
– Midorima-kun não teve sorte! – Kuroko sorriu, sentando-se no sofá em frente aos dois.
– Mas vamos conversar um pouco antes de almoçarmos. Vocês tem bastante coisa para nos contar... – Satsuki se agitou impaciente, já sentando ao lado de Kuroko. – Hina, não puxe, ok?
A menina já subia nas costas de Taiga e começava a brincar com seus fios vermelhos como se ele fosse um velho conhecido. O ruivo teve que rir, era mais fácil lidar com ela do que com Kento na época que o conheceu.
– Pois então... – Aomine sorriu, olhando para o ruivo com carinho. – Pode começara a falar Taiga!
– Ok, vamos lá... – Kagami sorriu, sentindo a mão de Aomine envolver a sua enquanto encarava os dois em sua frente.
Era bom voltar... Melhor do que esperava! Não queria mais ir embora...
***
~Aomine Daiki~
– Onde você quer ir enquanto isso? – O ruivo perguntou, olhando para Aomine assim que saíram da bilheteria do cinema. Compraram um ingresso para um filme de comédia que ambos queriam assistir, mas teriam duas horas até às 18h30min...
– Na cafeteria que te falei, óbvio... É o melhor lugar daqui e já sinto a abstinência do cappuccino deles! – Aomine deu de ombros, guiando-o pela mão até a escada-rolante. – Mas antes quero passar na livraria... Pode ser?
– Você? Livraria? – Kagami estranhou erguendo uma das sobrancelhas enquanto ajeitava o cachecol dobrado do moreno.
– Sim, eu reservei um livro há algum tempo! – O moreno explicou, já apressando o passo para pegar o degrau seguinte que subia automaticamente. – A moça me ligou na semana passada para avisar que chegou, mas não tive tempo de vir buscar.
– Ok, mas você por acaso sabe ler? – O ruivo ironizou, sorrindo de leve ao subir para o mesmo degrau do moreno.
– É um idiota mesmo! – Aomine sorriu e deu uma testada no ruivo, atraindo alguns olhares de canto, mas pouco ligou. – Aprendi a gostar disso há um bom tempo, ok?
– Isso é admirável! – Kagami ergueu as sobrancelhas. – Não tenho muita paciência! Mas, mesmo sendo vergonhoso, admito que li todos os livros do Harry Potter...
– Eu também! – O moreno riu assim que chegaram ao topo. – Mas não leio com a frequência que você está imaginando não!
De mãos dadas os dois se dirigiram até uma grande loja com um cheiro agradável de papel e uma leve música clássica. Era um ambiente legal para passar o tempo quando não se tinha o que fazer, o que não era o caso agora.
– Olha só, tem CD's aqui também! – Kagami sorriu, olhando para as enormes prateleiras na parte traseira da loja.
– Vou ali no balcão falar com a menina. – Ele disse vendo o ruivo passar os olhos de forma animada pelos discos. – Já venho, ok?
– Não demora... – Kagami sorriu manhoso. Na opinião de Daiki seus olhos imploravam por um selinho.
– Dois minutos no máximo! – O moreno comentou, encostando suavemente os lábios dos dois. Percebeu novos olhares de pessoas idiotas recaindo sobre si, mas pouco se fodeu... Deu outro pequeno beijo para satisfazer seu próprio ego. Esse era o significado de estarem juntos e livres!
– Estou cronometrando... – O ruivo sorriu satisfeito, vendo-o se afastar.
Fez o que tinha que fazer o mais rápido que pôde. O livro em questão era o novo de Stephen King... Preferia as coisas mais fictícias e épicas, mas adorava um suspense, apesar de ler apenas algumas páginas por semana quando sobrava algum tempo. Agradeceu a atendente e voltou para onde o ruivo estava. Kagami já acumulava uma pequena pilha de discos em sua mão.
– Dezoito segundos atrasado... – Ele cantarolou ao sentir o braço de Aomine envolver seus ombros.
– Blá, blá, blá... – O moreno desconversou. – O que você pegou aí?
– Achei o War Eternal do Arch Enemy. A Nick está procurando isso aqui há uma vida, vou levar pra ela. – Kagami virou-se para olhá-lo, mostrando a capa esquisita do CD. – Achei também o Piece of Mind do Maiden... Estou me ensaiando há meses para comprar, mas aqui é bem mais barato! E esse especial aqui, que é seu! – Ele estendeu um CD de capa azulada com um navio fantasma na frente. – Coloque no carro para escutarmos a faixa três quando estivermos voltando para casa, ok?
– Deixa eu ver! – Aomine pegou o Cd em mãos e o observou curioso... Banda Rammstein, álbum Rosenrot. Riu no ato, mas repreendeu-se pelo barulho que fez no ambiente silencioso.
– Falei que ia comprar! – O ruivo sorriu de canto com um olhar perigoso e provocante. – Vamos riscar esse CD hoje mesmo!
– Você é muito tarado, Taiga! – O moreno sorriu, encarando-o com a mesma intensidade. Já estava involuntariamente lembrando do dia anterior quando faziam sexo na cozinha, queimavam o arroz e o celular de Taiga tocava. Sentiu um leve arrepio em seu baixo ventre...
– Você gosta! – Ele sussurrou abrindo um sorriso de canto, mas fingindo olhar os CDs em suas mãos. – Essa sua cara não me engana! Tá louco para me foder de novo, não é?
– Claro que estou, e bem do jeito que você gosta! – Aomine concordou em voz baixa, olhando ao redor como quem não quer nada.
– Você está me deixando de pau duro, sabia? – Kagami comentou pegando mais um CD da prateleira, fingindo interesse no objeto.
– Eu já estou assim faz tempo! – Ele deu de ombros, sentindo seu ventre formigar intensamente. Por sorte o tecido da jaqueta escondia sua ereção...
Kagami o encarou, roçando a mão de leve em seu membro ao levantar o braço para devolver o CD na prateleira.
– Você não presta Taiga! – Aomine teve quer rir, ele era muito pervertido para fazer aquilo no meio de tanta gente.
– Também te amo! – O ruivo sorriu, suspirando fundo para se acalmar. – Só mais umas três ou quatro horas até irmos para casa...
– Não vou aguentar tudo isso! – Aomine ergueu uma sobrancelha.
– Então me fode no caminho... Dentro do carro. – O ruivo sorriu decidido.
A proposta fez as pernas do moreno tremerem de tanta excitação, consideraria aquilo com certeza. Já sabia até onde deixaria o carro e quase conseguia visualizar a cena...
– Acho vou levar só esses três CDs mesmo! – Kagami o olhou com uma expressão inocente e cínica. – Vamos?
– Vamos, Bakagami! – O moreno o envolveu pelos ombros sorrindo como nunca. – Minha putinha.
***
– Caralho, nem dá para dizer que estamos dentro de um shopping! – Kagami exclamou ao olhar a cafeteria.
– Sabia que você ia gostar!
A decoração era limpa e composta exclusivamente por madeira bem lixada e escura. Os tons de marrom e bege se sobressaíam nas paredes, sendo realçadas pela meia iluminação amarelada das lâmpadas dispostas em cima de cada mesa. Não era um local escuro, bem pelo contrário, aquela meia luz apenas dava um ar mais aconchegante ao ambiente, principalmente com aquele aroma de café. As mesas não eram próximas umas das outras, pequenas e finas paredes separavam os diversos cantos alemães, deixando o local mais privado e silencioso.
– Muito foda esse lugar! – O ruivo comentou, ainda olhando ao seu redor.
– Vem... Ali tem uma mesa! – Aomine comentou pegando em sua mão e dirigindo-se para um dos cantos mais afastados do balcão, ignorando novamente os olhares que iam em sua direção.
Eles sentaram próximos, um em cada lado da pequena "esquina" do canto alemão. O moreno sorriu olhando atentamente cada movimento de Kagami se ajeitando no banco acolchoado e colocando as sacolas com cuidado ao seu lado.
– Que foi? – O ruivo perguntou sorrindo ao perceber que estava sendo observado.
– Só estou te olhando! – Aomine respondeu entrelaçando os dedos de ambos em cima da mesa. – Não canso de te olhar...
– É por essas e outras que eu te amo tanto, Aho! – O ruivo sorriu encabulado, dando-lhe um silencioso beijo no canto dos lábios. – Você é perfeito... Torna tudo tão bom...
– Já te disse que só fica assim porque você está aqui! – O moreno foi sincero, a vida não tinha graça nenhuma sem ele.
A atendente chegou antes que Kagami pudesse falar alguma coisa. Aomine a amaldiçoou mentalmente por aquilo, mas a reconheceu e sorriu de forma simpática. Vinha ali com bastante frequência e seu rosto também era familiar entre os funcionários do estabelecimento.
– Boa tarde! – Ela sorriu com uma leve reverência, mas demorou o olhar nas mãos dadas de ambos. – O que os senhores vão querer?
Kagami pegou distraidamente o cardápio e começou a folhear rapidamente em busca de algo para pedir. Não pareceu ligar para o julgamento involuntário da moça, Aomine tampouco.
– Eu quero um cappuccino extra grande com baunilha e sem canela, e um pedaço do bolo de chocolate com avelã! – O moreno já tinha o pedido na ponta da língua, era sempre aquilo que comia.
– Ah, pode ser o mesmo para mim! – Kagami deu de ombros desistindo do cardápio, olhando para a moça com um sorriso gentil. – Mas pode deixar a canela!
– Sim senhores, dentro de cinco minutos trarei o pedido para vocês.
– Obrigado! – Kagami agradeceu de forma simpática assim que ela se afastou.
– Taiga, você está prestes a comer o melhor bolo de sua vida! – O moreno afirmou com toda a certeza do mundo.
– Duvido que é melhor que o da minha mãe! – Kagami comentou deixando o cardápio de lado para segurar novamente a mão do moreno.
– Eu te garanto que é! – Aomine insistiu. – Aqui é o melhor café do Japão, e olha que já fui em vários.
– Percebi que você se tornou um viciado em café e chocolate. Procede? – Kagami perguntou com uma expressão divertida.
– Procede! – Ele confirmou. – São os melhores sabores do mundo, principalmente quando estão misturados.
– Você está todo metidinho, não é? – O ruivo perguntou, fazendo uma careta debochada. – Livrinho, cafezinho, chocolatinho... Só falta o óculos!
– É um idiota mesmo! – O moreno sorriu tímido, dando-lhe um leve tapa na orelha.
– Não, sério! Isso te dá um ar intelectual e bem maduro. – Kagami sorriu, mas não era uma provocação. — Acho bem sexy pra falar a verdade...
– Só fachada, continuo o mesmo de sempre! – Aomine disparou de forma tímida perante ao elogio.
– Eu amo você de qualquer forma, e de preferência ao meu lado! – Kagami sorriu, sendo sincero.
– Vou estar para sempre do seu lado, Bakagami! – O moreno sorriu, acariciando o rosto do ruivo. – E agora que tocamos no assunto eu quero saber uma coisa...
– Diga! – Kagami esperou, olhando-o curioso.
– Hoje de manhã quando estávamos na cama eu fiquei pensando em como tudo aconteceu de forma boa e inesperada, em como as coisas eram quando a gente era mais novo e em como as coisas vão ser daqui pra frente... Ontem até já tinha pensado nisso tudo e falei que ia te fazer uma pequena surpresa, lembra?
– Sim! – O ruivo confirmou, prestando atenção no que ele dizia.
– Mas assim, não é uma surpresa de verdade... Não tive tempo de fazer nada. – Aomine começou com um sorriso de canto fazendo uma breve pausa antes de continuar. – Mas... Você quer namorar comigo Taiga?
– Lógico que sim Aho! Claro que sim! – O ruivo sorriu radiante, mal dando tempo de ele terminar a frase. Deu-lhe um selinho carinhoso nos lábios sorridentes. – Mas a gente teoricamente nunca terminou, não é? Eu nunca tirei a fitinha...
– Eu sei, também nunca tirei! – Aomine confirmou, já esperando que ele dissesse algo assim. – Mas eu queria te pedir da forma certa depois de tanto tempo longe! E também porque nosso primeiro pedido de namoro nunca foi realmente oficial... Lembra?
– Lembro sim! – O ruivo concordou, provavelmente pensando na primeira vez que fora na casa do moreno e reclamara por ele ter mentido que seus pais não estavam... Tiveram a primeira discussão besta e no fim acabaram com um pedido extremamente tímido de namoro.
– E quero saber outra coisa... – Aomine continuou, acariciando os dedo anelar do ruivo com o indicador. – Se você quer usar uma aliança aqui, além da nossa fitinha... Quer?
Kagami fez cinco segundos de um agradável silêncio. Não era uma hesitação da parte dele, muito pelo contrário... Sua expressão variou da surpresa para a alegria e por fim à certeza brilhou intensamente em seus olhos.
– Eu quero sim Daiki! Claro que quero! – Kagami sorriu mais ainda, deslizando no estofado para abraçar o tronco do moreno. – A gente sempre esperou por isso... Digo, sair por aí de mãos dadas sem ligar para o que todo mundo pensa e coisas do tipo. Hoje eu vi muita gente olhando torto para nós dois, mas eu não me importo! Na verdade eu quero que todo mundo saiba que eu sou seu e que você é meu.
– Eu quero o mesmo! – Aomine sorriu, sentindo seu coração bater mais forte após ouvir aquilo.– Não que a gente precise de um anel para mostrar isso às pessoas, mas eu quero ter isso com a gente, acho importante.
– Então vamos fazer logo isso! – O ruivo sorriu satisfeito, abraçando-o com força. – Estou tão feliz Aho! Estou em dúvidas sobre qual está sendo o melhor dia da minha vida... Ontem ou hoje.
– Sua dúvida vai aumentar ainda mais... – O moreno murmurou satisfeito, pois pensava a mesma coisa. – Ainda vão vir milhares de dias assim daqui pra frente.
– Sim, todos os dias! – Kagami deu-lhe um leve selinho, ele sorria tanto.
– Todos! – O moreno confirmou, roçando o nariz de Taiga. – Depois daqui a gente vai comprar a nossa aliança, ok?
– Ok! – Kagami não conseguia conter o sorriso, assim como Daiki. Se abraçaram novamente e assim ficaram por um longo tempo.
Não demorou muito para ouvirem os passos da atendente se aproximando com o pedido deles, então desfizeram o abraço antes de ela chegar... Não por receio de serem flagrados, mas apenas por respeito mesmo, afinal estavam em um lugar público.
– Obrigado! – Aomine agradeceu a moça, que deixou o pedido e se retirou silenciosamente. Voltou-se para Kagami: – Ok, vamos comemorar nosso namoro então!
– Vamos sim, depois de tanto tempo! – O ruivo sorriu radiante, dando-lhe um beijo gostoso e silencioso nos lábios.
Aomine Daiki poderia se dizer a pessoa mais feliz da face da Terra... Não apenas pelo fato de finalmente terem se reencontrado e estarem prestes a usar uma aliança de compromisso, afinal isso eles já tinham desde sempre... Mas sim pelo fato de poderem andar de mãos dadas sem se esconder, sem se preocupar com mais nada... Juntos e livres... Finalmente.
– OK, é bem melhor que o bolo da minha mãe! – O ruivo admitiu fechando os olhos de forma cômica e sonhadora ao colocar o primeiro pedaço na boca. – Acho que posso vir a ter um orgasmo com isso!
– Não te disse que era ótimo? – O moreno sorriu, dando uma garfada em seu próprio pedaço.
Nunca cansaria de comer aquilo, era realmente delicioso. Não era um pedaço necessariamente grande, precisava de uns cinco daqueles para se satisfazer... Mas a textura, a maciez da massa, o sabor suave do recheio... Era muito bom! Sem falar que quase dava dó de comer, o bolo era bonito!
– Meu caralho, tudo aqui é perfeito... – O ruivo comentou com os olhos brilhando ao tomar um gole de cappuccino.
– Eu venho aqui umas duas vezes por mês... – Aomine comentou. – Mas hoje é a primeira vez que tudo está realmente perfeito! E não tem nada a ver com a comida...
Kagami sorriu com o que ele disse, aproximando-se novamente ao deslizar pelo banco. Com carinho apoiou o rosto de ambos, testa com testa, nariz com nariz, enquanto passava os dedos com carinho entre os cabelos azuis de sua nuca.
– Você é o amor da minha vida, Aomine Daiki, nunca esqueça disso, ok? – O ruivo sorriu, dando-lhe um carinhoso beijo na bochecha. – Obrigado por estar ao meu lado...
– Sou eu que te agradeço por me amar, Taiga! – O moreno sorriu, dando-lhe um selinho.
E tinha muito a agradecer mesmo... O ruivo mal sabia o quanto o fazia se sentir vivo novamente.
***
~Kagami Taiga~
O aperto do banco traseiro nem o incomodava tanto... Sua cabeça encostava constantemente no teto do carro, mas estava tão bom ali que nada mais importava. Sentia a ereção de Daiki abaixo de seu corpo e a urgência do moreno o fazia esquecer qualquer outro detalhe.
Sem muita calma, Kagami o beijou enquanto sentava melhor em seu colo e movia o corpo eroticamente por cima do de Daiki. Os pequenos gemidos que ele soltava ao ter seu pênis pressionado eram viciantes e apenas incentivavam o ruivo a continuar.
– Aqui não é tão confortável... – Aomine comentou com um sorriso sarcástico entre os beijos, colocando a mão por debaixo da roupa de Kagami e arranhando a sua pele sem dó, sabia o quanto gostava daquilo.
– Foda-se! – O ruivo comentou entre um gemido e outro, segurando-o pelos cabelos ao morder seu pescoço... Amava aquela pele, aquele cheiro, aquele sabor. – Te ver dirigindo me deu tanto tesão que quero fazer aqui mesmo... Depois a gente faz de novo em casa...
– Minha putinha... – O moreno sorriu, abrindo a calça de Taiga com dificuldade no espaço apertado do banco traseiro, Kagami o ajudou rapidamente com seus dedos trêmulos, queria se livrar daquilo o quanto antes.
– Você gosta Daiki... Eu sei que gosta... – O ruivo sorriu perigosamente se batendo em todos os cantos para tirar a calça que apenas o impedia de ter o que queria. O frio veio na hora, sentiu um arrepio gelado por seu corpo.
– Nunca disse o contrário... – O moreno murmurou de forma safada ao olhar sem pudor para o pênis ereto de Taiga. Sem hesitar começou a masturbá-lo, espalhando por toda a extensão o líquido que saía da cabeça. Aquilo facilitava o deslizar de sua mão e deixava tudo mais gostoso.
Kagami não iria aguentar aquela tortura por muito tempo, se fosse assim gozaria antes da hora. Aomine o deixava louco com tão pouco, apenas com aquele vai e vem compassado e delicioso... Fazia muitos anos que não tinha aquilo, mas mesmo com a frequência de sexo que estavam fazendo o ruivo tinha orgasmos antes do tempo...
– Daiki... Agora... – Kagami arfou de forma suplicante ao tentar inutilmente abaixar as calças do moreno com pressa. Seus movimentos nem eram mais lógicos, pulara a parte de abrir o zíper e o botão... Queria logo o que tinha abaixo daquela roupa.
– Você quer? – Aomine perguntou de forma sensual, como se estivesse lendo seus pensamentos. Ele abriu o próprio zíper de forma trêmula e rápida, denunciando que quem queria agora era ele próprio. Seu membro ficou visível assim que desceu o tecido por suas coxas, tanto do jeans escuro quanto da cueca vermelha.
Kagami não hesitou em se ajeitar da melhor forma possível para tomar o pênis dele na boca com vontade... Quase sentiu uma câimbra pela posição que assumiu naquele espaço apertado, mas as reações de Daiki eram o suficiente para o incômodo ir embora instantaneamente. Os gemidos roucos do moreno o enlouqueciam, assim como sua expressão excitada e seu olhar de puro desejo...
Ele tinha um gosto tão bom, era tão quente... Conseguia sentir as veias levemente pulsantes ao passar a língua em sua extensão... Kagami nunca se cansaria de pensar o quanto gostava daquilo, mas a verdade é que agora queria aquele pênis em outro lugar. Aomine parecia querer o mesmo, pois já tateava o ar em busca do lubrificante nas sacolas que estavam ali perto.
Kagami entendeu sua intenção e deitou o moreno no banco do carro. Subiu em seu corpo da melhor forma que conseguiu naquele cubículo, já sentindo o membro dele encostar-se ao seu próprio... Começou uma lenta masturbação dupla enquanto Aomine abria o tubo. Estavam tão molhados, quase não precisava de lubrificante... Sentia tanto tesão... Já não aguentava mais.
Aomine ficou com as costas apoiadas na parte interna da porta para poder esticar as pernas e acomodar o ruivo em seu colo. Com pressa, passou o líquido em seu próprio membro com as mãos trêmulas, a pouca iluminação mostrava a expressão urgente e excitada do moreno.
– Vem Taiga... Senta! – Ele ordenou com a voz rouca, trazendo o ruivo para cima de seu corpo.
Kagami não precisou pensar duas vezes antes de obedecer, queria aquilo tanto quanto ele. Sua cabeça encostou no teto do carro, forçando-o a inclinar-se assim que elevou o corpo para cima do membro de Aomine.
Um incontido gemido escapou por sua garganta ao sentar-se de uma vez só, o grito misturou-se com o de Aomine, que fechou os olhos de tanto prazer. Com o lubrificante deslizou tão fácil, tão gostoso...
O moreno começou um leve e insinuante movimento com quadril, quase implorando para que Kagami se movesse sobre si. O ruivo ficou encarando aqueles olhos azuis, apenas torturando-o ao erguer minimamente seu corpo e deslizar novamente para baixo.
– Vai Taiga... – Aomine sussurrou, mordendo os próprios lábios ao apertar com força as coxas do ruivo.
Kagami subiu apenas alguns centímetros novamente, e deslizou para baixo mais uma vez. Era ele que mandava ali, faria como quisesse... Queria torturá-lo um pouquinho, fazê-lo implorar, apesar de mal conter sua própria vontade de se mover como um louco.
– Não te ouvi... – Kagami arfou ao sentir o corpo do outro agitar-se abaixo de si. Sentia o pré-gozo gotejar de seu próprio membro, queria tanto... O torturava, mas na verdade torturava a si mesmo, era masoquista.
– Vai... – Ele gemeu em voz alta apertando com mais força as coxas do ruivo, quase o forçando a se mover. Seus olhos suplicavam. – Agora... Por favor Taiga!
O ruivo sorriu satisfeito e começou um lento movimento com o quadril, indo para frente e para trás. Arrancava gemidos deliciosos de Aomine e de si mesmo, aquilo era delirante. Foi aumentando a intensidade, elevando seu corpo conforme ainda movia-se eroticamente o quadril. Cada vez mais rápido...
– Ah, Taiga... Que gostoso... – Aomine arfava com os olhos fechados, apertando mais ainda a pele de sua coxa.
O ruivo continuava a ir para cima e para baixo enquanto movia os quadris de forma sensual e provocante. Nunca tinha feito desse jeito, na verdade nem sabia que era capaz de mexer o corpo assim... Era tão bom... Aomine o olhava com tanto desejo, ele mal acreditava no que estava acontecendo ali. Kagami sempre se mexeu de forma reta e firme, mas agora era diferente e mil vezes mais delicioso... Se arrependera por nunca ter feito antes.
Batia a cabeça repetidamente contra o teto do carro, sentia o joelho raspar no tecido do assento, uma dor estranha apoderou-se de seu cotovelo, apoiava-se de mal jeito na janela e no banco dianteiro... Mas estava valendo tanto a pena, sentia o pré-gozo escorrer de seu pênis... Aomine delirava abaixo de si.
– Calma... – O moreno riu nervoso, desacelerando os movimentos do ruivo com as mãos firmes apertando seu quadril. – Assim vou gozar muito rápido...
Kagami apenas sorriu e fez o que ele pediu, rebolando mais lentamente e subindo mais devagar, deixando o corpo deslizar sozinho para baixo. Sua próstata fora atingida naquele movimento, fazendo-o soltar um rouco gemido. Repetiu aquilo, e depois mais uma vez e mais outra.
O moreno começou a ajudar nas estocadas, empurrando o corpo para cima conforme ele deslizava para baixo, era delirante e ia tão fundo, o ruivo mal aguentava seus gemidos. Sem permissão começou a se mover mais rápido novamente e foi seguido por Aomine em uma sintonia perfeita. Pouco se importava com o joelho ralado e queimado pelo tecido ou com as batidas de sua cabeça no teto, o que importava era o seu homem gemendo alto abaixo de si.
– Ah meu caralho... – Kagami arfou ao senti-lo ir de encontro com sua próstata assim que empurrou o corpo para baixo mais uma vez. – Vai Daiki... Me fode...
Ao dizer aquilo o moreno o puxou pelo tronco para que seus tórax se encostassem, beijando sua boca para abafar os gemidos de ambos. Ele começou a mover o quadril para frente e para trás, estocando o ruivo com força bem no ponto que gostava...
– Ah, Daiki... – Kagami gemia contra os lábios do moreno ao sentir seu pênis ser estimulado pela mão habilidosa de Aomine.
O ruivo empurrava o quadril contra o moreno, forçando-o a ir mais fundo. Já nem lembrava mais o que era o frio, seu corpo estava tão febril ao se aproximar do orgasmo que nada mais importava. Sabia que se fosse masturbado o seu gozo seria inevitável...
– Calma Daiki... – Foi a sua vez de pedir, não queria que acabasse tão cedo.
– Eu vou gozar Taiga... – Ele murmurou com dificuldade contra seus lábios. – Desse jeito eu vou gozar...
Aquilo foi um estímulo para Taiga mover-se mais rápido contra o pênis do moreno, reiniciando os movimentos com o quadril.
– Então goza pra mim... – Arfou ao sentir a mão do moreno apertar seu pênis com mais força enquanto a intensidade dos movimentos aumentava. – Vai Daiki... Mete, vai...
Aomine aumentou as estocadas, movendo-se continuamente para dentro e para fora. Sua respiração arfada e urgente indicava que logo iria gozar... Assim como Taiga!
Não demorou muito para o gemido incontido de ambos preencherem o carro. Kagami fechou os olhos com força e apoiou a mão no vidro do carro ao sentir o gozo jorrar de seu membro, atingindo a roupa e o queixo de Daiki, que ainda o masturbava continuamente. O moreno por sua vez o preenchia com seu próprio orgasmo, atirando a cabeça para trás e contorcendo o corpo abaixo de si... Era estarrecedor ver aquilo.
O cansaço atingiu seu corpo em cheio assim que chegou ao seu limite. Com um enorme e aliviado sorriso, deitou-se sobre o corpo de Aomine da forma que o ambiente permitia.
– Taiga, isso foi muito bom... – O moreno comentou assim que o envolveu com os braços de forma acolhedora. – Você nunca tinha feito assim antes.
– Sim, foi muito bom mesmo. – O ruivo sorriu satisfeito ao ouvir aquilo.
– Agora vamos ter outro lugar manchado além do seu sofá... – O moreno comentou com uma risada trêmula, ao sentir o gozo escorrer até o banco do carro.
– É só a gente limpar ao invés de dormir! – Kagami riu assim que se começou a levantar. Quando se sentou viu a marca de sua mão no vidro embaçado do carro. — Caralho, agora me senti na cena do Titanic... Olha Daiki!
– Taiga, como você é retardado... – O moreno riu olhando para o vidro assim que também se sentou. Com a manga da blusa limpou o embaçado ainda rindo bastante. – Mas faz sentido, ficou igualzinho!
Kagami olhou para o rosto sorridente de Aomine e deu um beijo em seus lábios antes de se vestir novamente. Estava muito frio, apesar de o ambiente estar quente. A chance de ficar doente era enorme, mas faria mil vezes de novo.
– Isso foi ótimo! – O moreno riu, vendo o ruivo se vestir. – Você tem uma boa mente pervertida.
– Ah, duvido que você nunca pensou em fazer sexo dentro de um carro! – Kagami riu ao fechar o zíper da calça.
– Sou puro Taiga, você que pensa nas sacanagens! – Aomine respondeu irônico, já achando um pano no console do carro.
– Claro, muito puro! – O ruivo sorriu, abrindo espaço para ele limpar o banco. – Mas sério... Qual é o seu fetiche?
– Nunca parei para pensar nisso... – O moreno respondeu sinceramente, pelo seu tom de voz. – Mas vou começar pensar a partir de agora. Percebi que pode valer muito a pena...
– Saiba que você satisfez dois dos meus hoje! – Kagami comentou malicioso, erguendo dois dedos no ar. – Lugar público e dentro do carro.
– Dois dos seus? Quantos você tem? – Aomine sorriu nervoso.
– Posso fazer uma pequena lista... – Kagami deu de ombros de forma inocente.
– É um tarado maldito! – O moreno riu, dando-lhe um beijo rápido nos lábios. – Mas me dê essa lista, depois eu vejo o que posso fazer por você!
– Vou fazer mesmo... – Kagami sorriu ao vê-lo passar através do pequeno vão entre os bancos da frente. Inesperadamente ele sentou no banco de carona e olhou para Taiga.
– Vem, agora você dirige!
– Afirmativo! – O ruivo sorriu, passando para o banco do motorista com dificuldade.
Após desembaçar o vidro, o ruivo olhou ao redor para se situar... Estavam num enorme e vazio estacionamento de um mercado abandonado. Como era noite e estava bem escuro não lembrou por onde vieram, mas deu a partida no carro e esperou Daiki dar as coordenadas.
– A saída é pela direita... – O moreno comentou ao apoiar a mão em sua coxa. – Depois você segue reto e pega a avenida.
– Obrigado, amor! – Sorriu satisfeito ao tratá-lo daquela forma.
Olhou para a aliança prateada em seu dedo anelar da mão direita assim que colocou na primeira marcha e começou a dirigir... Sorriu mais ainda.
Não pode deixar de se surpreender com o fato de a joalheria fazer a aliança na hora, até onde sabia era preciso encomendar... Mas não, esperaram apenas uns vinte minutos e já estava pronto! A cara dos atendentes foi a melhor ao ver dois homens pedirem aquilo... Aquilo fora mais engraçado que o filme de comédia que assistiram depois.
Juntos e livres! Estava tão feliz!
***
~Aomine Daiki~
– Taiga, foi mal... Mas esse filme é muito chato. – O moreno bocejou ao aconchegar-se melhor em seu corpo.
Estavam no segundo filme da série Star Wars e já passava da meia-noite, não demoraria muito para dormir ali mesmo. Aquele colchão estendido na sala em conjunto com o chocolate quente que tomava, o calor do corpo de Taiga o envolvendo e o escurinho da sala eram propícios a isso.
– Como assim, chato? – Ele olhou pra baixo incrédulo, Aomine estava apoiado com as costas em sua barriga. – É um classico, e esse é a versão nova!
– Sim, pode até ser... Mas eu vou dormir daqui a pouco... – Bocejou novamente, erguendo os braços e acariciando os cabelos do ruivo, que estava encostado no sofá.
– Tá bom, eu troco... — Kagami sorriu, dando-se por vencido. – Star Trek?
– Esse é mais legal! – Aomine concordou sentindo os cabelos serem acariciados. – Mas o que você tanto cisma com esses filmes de espaço, ETs e naves?
– Eu gosto, mas não muito dos ETs! – O ruivo disse alarmado. – Morro de medo, essa que é a verdade.
– Jura? – Aomine teve que rir, Taiga sempre fora um cagão, não mudara em nada.
– Lógico! – Ele exclamou, como se aquilo fosse óbvio. – Já assistiu Sinais? Contatos de Quarto Grau? Os Escolhidos? Nick ama essas coisas, tem uns livros sobre alienígenas e até um pôster ridículo no quarto. É muito cabreiro!
– Sim, admito que é um assunto tenso... – Aomine concordou preguiçosamente, apoiando os braços nas pernas esticadas do ruivo, uma em cada lado de seu corpo. – Mas eles não vão te abduzir, não vou deixar!
– Sei que não! – O ruivo riu irônico, escorregando o corpo para o lado de Aomine, abraçando-o e puxando-o para deitar em seu tronco. – Você está cansado não é?
– Sim... – Admitiu a contragosto, aconchegando-se no corpo do ruivo.
– Então dorme, pode dormir... – Kagami sussurrou acariciando sua nuca com uma das mãos enquanto puxava a coberta com a outra. – Você trabalhou essa noite, precisa descansar. Amanhã ainda temos um dia inteiro pela frente!
– Não quero perder nosso tempo dormindo. – Comentou, já sentindo os olhos pesarem.
– Eu logo vou dormir também. – O ruivo sorriu, dando um beijo e sua testa. – Só vou escovar os dentes...
– De novo? – Aomine riu, fechando os olhos e percebendo que os sons do filme já não o atingiam mais... Estava realmente cansado e seu corpo doía um pouco.
– Claro... – Taiga sussurrou, ainda acariciando sua nuca. Era tão bom...
– Mas você não... Comeu mais nada... – Aomine bocejou ao passar a perna por cima das de Kagami e abraçar melhor seu tórax. Estava tão confortável... Taiga tinha um cheiro tão bom... Um corpo tão quente...
Não chegou a ouvir a resposta do ruivo, adormeceu ali mesmo.
Aomine sabia que se isso acontecesse as horas iriam passar muito rápido... A terça-feira chegaria antes.... Mas sendo abraçado por Taiga, o sono foi inevitável.

***
Terça-feira, 09 de dezembro — 16h21min
Juntos e de mãos dadas eles chegaram ao aeroporto. Os cheiros, os barulhos, as pessoas... Tudo sempre igual... Tudo remetia ao dia que vira Taiga ir embora. Apesar de agora estar andando ao lado dele, o veria partir como da última vez.
– Ainda falta mais uma hora! – Kagami comentou apertando os dedos entrelaçados, provavelmente percebendo sua tristeza. — E eu já vou voltar para você!
– Sei que vai... – Aomine sorriu, apoiando a cabeça em seu rosto assim que se aproximavam dos bancos de espera.
A cena voltou à mente de Aomine... Seiko o segurando pela manga para que não se juntasse aos amigos... Taiga sentado ali conversando com todo mundo, levantando e se despedindo de todos, indo até o final do corredor de vidros, sumindo lá ao longe sem olhar para trás...
– O que foi, Aho? – Ele perguntou, olhando preocupado para seu rosto assim que se sentaram.
– Vou sentir sua falta Taiga! – O moreno sorriu, dando-lhe um selinho. – Não queria que você fosse, sério mesmo!
– Eu já vou voltar, prometo! – O ruivo disse de forma preocupada, abraçando o tronco de Aomine com firmeza. – E depois vai ser para sempre, como a gente planejou...
– Eu sei, amor! – O moreno sorriu. Seria diferente agora, Taiga voltaria...
– E cuida para não perder a chave do nosso apartamento! – O ruivo avisou de forma irônica, grifando a palavra. – Melhor você fazer mais algumas cópias e deixar espalhadas por suas coisas!
– Já vou me mudar para lá na próxima semana, não vou perder não! – Aomine respondeu satisfeito. – Vai ficar sempre em cima do aparador azul, não tem como perder!
– Eu sei! – Kagami sorriu ao ouvir aquilo, apertando ainda mais o abraço. – E quando você estiver lá faça uma lista do que precisamos comprar, porque levei quase tudo para L.A.
– Acho que você já me disse isso umas quinhentas vezes, só hoje! – O moreno comentou erguendo as sobrancelhas.
– Eu sei, mas estou realmente animado com tudo isso! – Kagami sorriu radiante, colocando os caninos para fora. – Quero logo começar a viver com você! Vai ser tão bom... Meu caralho, ainda não estou acreditando!
– Sinceramente, nem eu! – O moreno sorriu, sentindo a empolgação em seu íntimo.
– Viu Daiki, eu vou dar um jeito de voltar antes do Natal! – O ruivo ficou sério de repente, acariciando seu rosto. – Quero passar com você!
– Não se preocupe com isso, Taiga! – O moreno sorriu pesaroso. – Vou estar com Satsuki e Kuroko. Sei como é essa loucura de fim de ano com essa questão de documentação... Vejo pelo meu passaporte, já estão me enrolando há uma era... Estabelecimento de residência deve ser bem pior.
– Eu sei, mas eu venho, nem que seja só para passarmos juntos, depois eu volto e termino as burocracias por lá! – Kagami afirmou, decidido. – Não quero te deixar sozinho.
– Relaxa, senhor paranoico! Não vou estar sozinho... – Daiki deu uma cabeçada na testa do ruivo. – Guarde o dinheiro da passagem para comprar um micro-ondas para a gente.
– Não desperte meu lado pão-duro, Daiki! – Kagami riu. – Sei que seu pensamento é bem lógico, mas eu realmente queria passar o Natal com você!
– Já pensou em quantos Natais a gente ainda vai passar juntos? – Aomine perguntou com as sobrancelhas levantadas. – Sossega o facho Taiga... Micro-ondas, pense no micro-ondas!
– Idiota! – O ruivo sorriu, dando-lhe um selinho. – Desse jeito eu vou achar que o pão-duro é você!
– Não mesmo! – Aomine sorriu, entrelaçando o dedo de ambos. – Mas não se preocupe com isso, sério! Daqui a algumas semanas estaremos juntos pra sempre Taiga!
– Pra sempre! – O ruivo sorriu, dando-lhe um selinho.
***
Sim, dessa vez foi completamente diferente...
Taiga não parou de olhar para trás um instante sequer enquanto seguia pelos corredores estreitos, dirigindo-se ao portão de embarque... O ruivo acenou continuamente através dos diversos vidros que os separavam. Era uma promessa de que voltaria em breve...
Aomine sabia que sim...
– Estarei te esperando... Em nossa casa! — Murmurou assim que ele passou pela última porta e sumiu de vista.
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