Inevitável
20 Vamos para casa?
Notas iniciais
Segunda-feira, 15 de dezembro — 7h42min
~Aomine Daiki~
– Ok... Isso realmente está acontecendo, não é? – O moreno sussurrou animado para si mesmo, olhando ao seu redor após fechar a porta e colocar suas chaves no aparador azul.
Finalmente estava ali, depois de subir e descer as escadas duas vezes para conseguir trazer todas as suas coisas. Não era uma grande bagagem, mas ainda assim desejou que o elevador estivesse funcionando... Ou pelo menos que o porteiro fosse com a sua cara e o ajudasse.
Daiki nem sequer pensara em dormir quando voltou do trabalho, estava eufórico demais e queria resolver logo aquilo! Já tinha deixado tudo pronto em seu antigo apartamento... Apenas chegou, carregou o carro e vazou o mais rápido possível de lá. Claro, teve que pagar uma leve multa ao síndico pela quebra de contrato na locação, mas que se dane, agora estava em sua casa nova!
Aomine mal conseguia conter sua própria felicidade. Na verdade tudo estava dando certo demais para o seu gosto, nem parecia sua vida! Estivera vagando entre o limbo e o inferno até aquele momento... Era possível tudo mudar tanto no meio de uma madrugada de inverno?
Sim, era possível. Taiga realmente era uma pessoa especial, fascinante e incrível... O amava tanto, tanto!
Satsuki e Kuroko foram pessoas importantíssimas em sua vida, sem eles estaria completamente sem chão, mas era o ruivo que faltava para que finalmente pudesse ser o que sempre fora. Kagami Taiga era a sua vida, simples assim!
– Ai meu caralho! – O moreno sorriu, sentando-se no sofá manchado com os braços esticados no encosto. – Venha felicidade... Eu deixo!
***
Terça-feira, 16 de dezembro — 7h42min
~Kagami Taiga~
– His eyes seem so glazed as he flies on the wings of a dream! – O ruivo cantava animado ao arrumar as roupas em uma mala enorme. – Now he knows his father betrayed! Now his wings turn to ashes...
– Você poderia, POR FAVOR, calar essa boca Teddy? – Nick gritou assim que passou pelo corredor.
– Não! – O ruivo respondeu no ritmo da música Flight of Icarus, continuando a cantar com o tom de voz ampliado para provocá-la. – FLY ON YOUR WAY LIKE AN EAGLE... FLY AS HIGH AS THE SUN... ON YOUR WAY LIKE AN EAGLE, FLY TOUCH THE SUN...
– Vai se foder! – A menina entrou no quarto como um furacão. Rindo, ela o empurrou contra a cama e se jogou em cima de seu corpo, tapando a boca com uma meia que ele já havia guardado na bolsa. – Cala — essa — boca!
Continuaram em uma luta livre até escorregarem ao chão, estavam rindo tanto que a respiração ficava difícil. Sentaram-se um ao lado do outro, encostados na cama, tentando se acalmar.
– Teddy, pelo amor de Odin, você canta muito mal! – Ela riu, apoiando a cabeça no ombro dele. – Bruce Dickinson teve calafrios assim que você abriu a boca para cantar essa música!
– Eu sei, só que eu estou feliz pra caralho! – Ele sorriu, pouco se importando com as alfinetadas. – Meus documentos já estão prontos! Foi a melhor notícia que eu podia receber!
– Eu vejo nessa sua cara de idiota! – Ela murmurou ofegante.
– Igualzinha a sua! – O ruivo comentou, tirando alguns fiapos da meia que ficaram em sua boca.
– Cara, a mãe vai ficar triste em saber que você não vai passar o Natal aqui com a gente... Olha aí, já está até fazendo as malas de novo! – Nick ironizou, cutucando seu braço com o dedo.
– Mas ainda vou ter um tempinho para ficar com ela, vou viajar só na próxima semana, no dia 22... Ela vai entender! – Kagami sorriu, olhando involuntariamente para o celular dentro do bolso. Ainda tinha que avisar Aomine. Cogitou chegar de surpresa no Japão, mas não iria aguentar a empolgação.
– Claro que vai, o que a mamãe não entende? – Nick sorriu de forma tranquilizadora. – Está tudo decidido então? Você vai voltar definitivamente para o Japão? Mesmo, mesmo, mesmo...?
– Lógico que sim! – Ele exclamou feliz e certo do que iria dizer. – Um Aomine Daiki perfeito e gostoso está me esperando em casa! Ele se mudou para lá ontem...
– Isso soou muito gay Taiga! – Ela ironizou, empurrando-o pelos ombros.
– Ah Nick, pare e admita... Até você acha ele gostoso! – Kagami a encarou com um meio sorriso. – Isso porque você não viu como ele está agora! Só de lembrar já começo a ficar de pau dur...
– Me poupe desses detalhes, Taiga! – Ela riu inconformada, enfiando novamente a meia na boca do ruivo.
– Ouvi vocês falando alguma coisa sobre pessoas gostosas? – Alex apareceu na porta, secando os cabelos com uma toalha branca. – Quem?
– Teu cunhado falando do nigga dele, pra variar! – Nick balançou negativamente a cabeça, dando um soco no braço de Taiga. – Como se eu quisesse saber dessas coisas!
– Só tenho saudade dele, ué! – O ruivo admitiu, vendo a loura se aproximar.
– Fico realmente contente por vocês estarem juntos de novo... Dá para ver nessa sua cara que você está mais feliz que qualquer outra pessoa nesse mundo! – Alex sorriu, sentando-se na frente dos dois e puxando Nick para mais perto. – Conta mais aí Taiga, você foi muito vago quando chegou!
– Contar o quê? – Ele perguntou, jogando a meia para dentro da bolsa às suas costas, ou pelo menos para onde imaginou que a bolsa estava.
– Quero saber como vai ser daqui pra frente! – Alex respondeu, acariciando o braço de Nick. – Tipo, vocês dois estão bem, mas fizeram os planos de forma certa, não é?
– Como assim? – Ele questionou, erguendo uma das sobrancelhas. Ela tinha um sorriso, mas seu olhar não enganava Kagami, o assunto seria mais sério. Conhecia muito bem a loura, ela era mais racional do que Nick e ele juntos.
– Ah Taiga, sete anos é tempo, não é? – Alex deu de ombros. – Ele pode ter mudado em algumas coisas, principalmente depois de tudo o que passou com a família, com o casamento forçado e tudo o mais. – Ela fez uma breve pausa para escolher as palavras. – E tipo, agora vocês estão com planos de conviver, e isso é algo bem grande! Você vai deixar tudo aqui para ficar com ele... Trabalho, família, amigos, tudo! Você pensou antes de sugerir algo assim ou foi pela emoção?
– Admito que não pensei muito antes de fazer nada! – Kagami foi sincero, erguendo os braços em forma de rendição. – Mas eu vivi a vida inteira esperando por esse momento, entende? Tenho certeza do que quero, e sei que não vou me arrepender depois. Eu amo ele, de verdade... Estou feliz agora...
– Eu sei Taiga! Você parece uma pessoa que tomou o lugar do zumbi que andava nessa casa meses atrás... Sério! – Ela sorriu feliz, arrancando uma risada de Nick e do ruivo também. – Mas vamos analisar as coisas com calma! Você é igualzinho a sua irmã aqui, totalmente impulsivo... Precisam de uma parte pensante!
– Retardada... – Nick reclamou, dando uma cabeçada leve no queixo da loura.
– Psiu, estou falando aqui! – Alex riu, tapando a boca de Nick e voltando a encarar o ruivo. – Você e Daiki fizeram as contas de gastos e despesas?
– Ah Alex, ele é o mestre pão-duro do mundo, ele deve ter feito os cálculos de gastos umas nove mil vezes! – A ruiva apontou, aliviando o clima pesado que Alex implantou involuntariamente.
– Relaxa, a gente pensou em tudo isso... Ao contrário do que certas pessoas por aí sugerem, a gente não ficou só fazendo sexo! – Ele respondeu olhando de esguelha para Nick. – Sério! A gente conversou um monte sobre isso e realmente fizemos as contas diversas vezes. Ele ganha bem como Policial e não vai ser difícil eu encontrar um emprego também... Na verdade já andei olhando na internet e tem um recrutamento no começo do ano para o Corpo de Bombeiros de lá... Até já fiz minha inscrição e consegui alguma vantagem por ter experiência e uma recomendação bem boa ali do batalhão. Vou conseguir entrar. – O ruivo sorriu confiante. – Isso sem falar que ainda tenho todo o dinheiro que guardei... O apartamento lá no Japão já é meu, Daiki tem um carro próprio e quitado... Está tudo certo! A gente pensou com a cabeça de cima Alex, não se preocupe!
– Ah, que bom Taiga! É que às vezes você se parece tanto com a Nick que me dá medo. Parece que você vai atropelar as coisas... – Alex continuou um pouco mais aliviada, recebendo outra cabeçada da ruiva. – Mas eu te amo assim, ok Nicolle?
– Acho bom mesmo! – Ela sorriu, dando um selinho carinhoso na loura.
– Ei, mas voltando a falar sério, o que você sentiu do Daiki? Ele mudou muito? – Alex perguntou, assumindo novamente aquela postura racional que estava quase deixando o ruivo desconfortável. Ela ainda o tomava como criança...
– Daiki mudou um pouco, ficou bem mais maduro que eu pra falar a verdade! – Kagami respondeu, sentando-se melhor no chão. – Acredito que isso aconteceu porque ele passou por muita coisa ruim, mas tenho certeza de que não me contou metade, não quis força-lo também... Uma hora ou outra ele vai se abrir. Por enquanto eu só quero tirar essa dor dele, eu sei que ele precisa de mim...
– Mas isso era o esperado, não é? – Foi a vez de Nick falar, ela parecia mais séria também. – Ele não teve apoio de ninguém lá, precisou aprender a se virar sozinho, é normal ele amadurecer de forma forçada... Isso deve doer.
– Sim... – Kagami suspirou. No fundo se sentia culpado, queria tirar todos aqueles sentimentos ruins dele.
– Mas relaxa Taiga, agora ele tem você! – Nick sorriu, socando o joelho do irmão. – Conte mais, conte mais...
– Pois olha, ele começou a ler livros, o que achei bem interessante na verdade... Ouve mais músicas também, e tenho certeza que isso foi influencia minha! Ah, ele aprendeu a falar inglês a cozinhar também... – Um leve sorriso foi inevitável ao dizer aquilo, teria que escutar Rammstein depois. – Ele se dedica bastante ao trabalho, diz que gosta de atirar! E... Ele não fala mais com a família, mas não é nada anormal depois daquilo que fizeram com ele! Hm... Ele está um pouco maior, tipo, musculoso! Mas ele continua com o mesmo jeito de sempre, meio bobo e tudo o mais.
– Você tem certeza de que vai conseguir passar o resto da vida ao lado dele, então? – Alex perguntou de forma incisiva.
– Lógico que sim! – Kagami teve que sorrir, aquela pergunta foi muito óbvia. – Eu o amo. O que mais quero e estar com ele para sempre... Já disse que vivi sete anos da minha vida provando isso para mim mesmo. A vida não é a mesma sem ele... Alex pare de ser chata!
– Chato é você, seu bostinha! – Ela riu, pulando para derrubá-lo. – Só quero te ver bem, mas sempre esqueço que você já tem 24 anos de idade e que consegue se virar sozinho.
– Eu sei que sim, e agradeço muito por isso Alex, de verdade! – O ruivo riu, ajeitando-se no chão.
– Ok, agora que já vimos às coisas importantes, vamos finalmente falar de putaria! – Alex começou, esfregando as mãos em um gesto empolgado.
– Putaria é importante! – Nick a olhou horrorizada, como se ela tivesse falado alguma atrocidade.
– Bem importante! – O ruivo admitiu, erguendo as sobrancelhas.
– É, eu sei que é! – A loura riu, concordando com um gesto de cabeça. – Conta tudo pra gente, Taiga! Quero saber...
– Tudo o quê?
– Sobre as coisas que vocês fazem, lógico! Acha que a gente não é curiosa? – Nick exclamou. – Quem come é ele não é? Ele tem cara de que come você!
– Cala essa boca... Isso é uma coisa nossa, e não de vocês. – O ruivo riu, mas não sentiu vergonha, tinha bastante liberdade com as duas.
– Ah, eu sei que é ele que come! Nunca vou esquecer daquele dia lá no Japão que eu acordei com seus gemidos... – Nick comentou, rindo escandalosamente. – E ele tem um pinto grande? Negão do jeito que é deve ter...
– Vai se foder! – O ruivo riu indignado, dando-lhe um tapa na orelha. – Cuida com ela Alex, a Nick fica de olho nos caras por aí... O Benji, por exemplo!
– Como assim? – Alex a olhou, fingindo indignação.
– Ah Alex, até você falou que o Benji era gostosinho! – Nick se defendeu.
– Mas é mesmo! – A loura deu de ombros. – Mas nosso bonitão aqui só curte os niggas, não é, Taiga?
– Apenas o meu nigga! – O ruivo confirmou sorrindo. – Ninguém no mundo é mais perfeito que o Daiki... Talvez apenas eu! É, só eu...
As duas gargalharam ao ouvir aquilo, mas foram interrompidos pela melodia de The Trooper. O ruivo foi ávido atender o celular. Sabia que era Daiki, 18h é o horário que ele acorda.
– Oi Aho! – Atendeu sorridente, evitando olhar para as duas fazendo gestos idiotas em sua frente.
– Oi Bakagami, tudo bem? – A voz grave e sonolenta encheu seus ouvidos, fazendo-o esquecer de todo o resto.
– Tudo ótimo na verdade, tenho um monte de coisas pra te contar... Mas primeiro me diga, como você está? Tudo bem?
– Tudo bem também... Apesar de que é um pouco triste dormir na sua cama sem você! – Ele riu pesaroso. – Mas aqui no apartamento tem sua essência, então tudo fica melhor. Vou conseguir sobreviver até você voltar.
– Estou com saudade Aho, logo eu chego... – Kagami sorriu sentindo um leve aperto no peito, queria tanto estar com ele lá.
– Também estou com saudade Taiga, sério mesmo!
– O Teddy está com saudade da sua piroca, isso sim! – Nick gritou de repente perto do bocal do telefone, atrapalhando a conversa de ambos.
– Ah Nick, vai se foder! – Taiga exclamou irritado, empurrando-a com o pé. Tinha até esquecido que elas estavam ali ainda. – Espera só um pouquinho Daiki...
– Estamos saindo, ok? – Alex riu desviando do chinelo que foi atirado em sua direção, já puxando a ruiva pelo braço. – Tchauzinho!
– Pronto! – Kagami disse ao telefone, levantando-se e trancando a porta para evitar outras possíveis invasões. Apagou a luz no caminho, permitindo apenas que a fraca iluminação da rua entrasse no quarto. – Alex e Nick estavam aqui conversando comigo.
– Elas não perdoam! – O moreno riu. – Sobre o que vocês estavam conversando?
– O assunto preferido da casa desde quando eu cheguei! – O ruivo sorriu satisfeito, colocando a bolsa no chão e deitando-se na cama. – Nós dois.
– Coisa boa ou ruim?
– Não existe coisa ruim sobre a gente, Daiki! – Kagami falou, brincando com a aliança em seu dedo. – Elas queriam saber se a gente pensou antes de decidir as coisas, se conversamos sobre gastos e tudo o mais...
– Acredito que você as surpreendeu, não é? – Aomine perguntou de forma divertida. – Porque eu enjoei de fazer contas com você!
– Mas pelo menos estamos cientes de que vai dar certo! – Kagami sorriu ao ouvir aquilo. Sabia que era chato...
– Sim, provamos isso umas quarenta vezes! – Ele disse debochado. – Os botões da minha calculadora até ficaram sem os números de tanto você usar! Isso sem falar que nunca vi alguém digitar tão rápido naquele troço... Mal conseguia ver seus movimentos.
– Olha o exagero, Daiki! – O ruivo disse em tom sarcástico, envolvendo-se em uma das cobertas. Estava frio, era inverno ali também.
– Você sabe que não estou mentindo! – Ele sorriu. – Mas... O que mais vocês falaram? Não era sobre matemática que Nick estava gritando ali...
– Ela queria saber quem de nós dois fica por cima! – O ruivo explicou, balançando negativamente a cabeça. – Tudo sempre acaba em putaria com a Nick.
– Ah... Foi por isso que você virou um pervertido então? – Aomine perguntou de forma engraçada e provocativa.
– Provavelmente. – O ruivo sorriu de canto. – Sabe né, influência é tudo!
– Agradeça a ela por mim! Sério Taiga! – O moreno pediu com a voz irônica. – Mas agradeça muito, muito mesmo...
– Pode deixar, seu retardado! – Kagami sentia as bochechas doerem de tanto rir, era tão bom falar com ele...
– Mas você disse que tinha um monte de coisa pra me contar... Vai falando Taiga!
– Puta que pariu Aho, tenho a melhor notícia da vida! – Kagami exasperou-se, já tinha até esquecido.
– Nossa, você está no aeroporto esperando eu te buscar? – O moreno perguntou com um tom brincalhão na voz.
– Quase isso! – Kagami sorriu radiante. – Ouve só... Hoje de manhã ligaram avisando que meus documentos já estavam prontos! Já assinei tudo o que tinha pra assinar e meu visto está na minha bolsa nesse exato momento, assim como minha declaração de nacionalidade!
– Teu cú! Sério Taiga? – Ele exclamou com uma voz animada e incrédula. – Sério mesmo?
– Sim! Aconteceu uma reforma no sistema da Embaixada então eles precisavam adiantar tudo para antes do Natal, ou algo assim! – O ruivo revirou-se na cama, mal contendo a empolgação. – A gente tem muita sorte, puta merda!
– Depois de tanto azar, é o mínimo! – O moreno riu. – Caralho Taiga, é bom demais!
– Só não consigo viajar nesta semana porque os voos já estão todos fechados. – O ruivo disse com pesar.
– Não faz mal... Mas que dia você chega? – Ele estava evidentemente animado.
– 22!
– Daqui a seis dias! – Aomine sorriu após alguns cálculos nos dedos, provavelmente. – E antes do Natal! Puta merda!
– Viu só, vamos passar o Natal juntos e ainda por cima comprar um micro-ondas!
– Retardado! – O moreno estava evidentemente animado. – Que horário você chega?
– Chego às 17h mais ou menos... É! Isso... 17h!
– Ah, isso é tão bom que nem parece real! – Aomine ria do outro lado da linha. – Eu estou tão feliz! Puta que pariu!
– Nem me fale, surtei o dia inteiro aqui em casa! – Kagami também dava risada. – Caralho Daiki, agora vai ser pra sempre mesmo!
– A gente vai precisar sair para jantar e comemorar isso quando você chegar... – Ele comentou animado. – Ou você prefere que eu faça algo em casa pra gente comer?
– Capaz que vamos perder nosso primeiro dia morando juntos, com a cozinha! – O ruivo sorriu. – Quero aproveitar cada segundo com você! Vamos pedir uma pizza ou sair pra algum lugar! Vai vendo aí!
– Tá bom! Já sei onde a gente pode ir... Ou pegamos a pizza mesmo... Depende, você vai chegar cansado da viagem, decidimos na hora! – Aomine sorriu satisfeito. — Meu caralho Taiga, essa semana vai demorar tanto pra passar!
– Vai! — O ruivo concordou, rolando de um lado para o outro na cama. – Eu já estou fazendo minhas malas, vendo tudo o que preciso levar, amontoando minhas tranqueiras... Ah, tem recebido meus recados no Whatsapp?
– Cara, você é um pé no saco com isso! – O moreno disse. – Você pediu pra eu fazer a lista e fica me mandando os itens... Que lógica tem?
– Ah, sempre que eu vejo alguma coisa aqui em casa eu te mando! – O ruivo deu de ombros. – Tenho certeza que você é tão monte que nem lembrou que precisávamos de um cortador de unhas ou um abridor de latas!
– É, não mesmo... – Aomine admitiu. – Mas é dia e noite aquele troço apitando no meu bolso!
– É minha desculpa para te encher o saco, seu idiota! – Kagami falou animado.
– Como se eu não soubesse! – O moreno sorriu do outro lado da linha. – Mas pode me encher o saco falando outras coisas além de objetos e utensílios domésticos!
– Ok, vou deixar você fazer a lista sozinho então, quero ver o que vamos precisar comprar no desespero! – Kagami debochou.
– Isso não vai acontecer, sou responsável agora! – Aomine disse de forma segura.
– Eu sei, claro que é! – O ruivo ironizou. – Vamos ver então...
– Pode esper... Ah, que merda! – O moreno reclamou de repente. – Meus créditos estão acabando de novo! Porra, e eu coloquei um monte pra gente poder conversar mais...
– Relaxa Daiki, ligação internacional é assim mesmo. – Kagami sorriu pesaroso. – Guarda o que sobrou pra gente conversar por Whats...
– Tá bom! Mas eu sinto saudade da sua voz... – Aomine admitiu do outro lado da linha.
– Eu sinto saudade de você inteiro Daiki!
– Só mais seis dias! – O moreno sorriu com uma voz determinada. – A gente sobrevive, eu acho!
– Sim, só mais seis dias... – Kagami sorriu de orelha a orelha fechando os olhos com a empolgação que percorreu seu interior.
– Droga, essa coisa fica apitando...
– Vai lá amor, antes que caia a ligação! – O ruivo sorriu abrindo os olhos e encarando o teto. – Vou terminar de arrumar minhas malas e fazer a janta, porque quando a minha mãe não está em casa, a cozinha sobra pro gostosão aqui.
– Bem gostosão, diga-se de passagem! – Aomine afirmou com uma voz safada. – Ah, e nada de quebrar o acordo da punheta!
– E nem você! – Kagami sorriu, lembrando-se da promessa de não se masturbar enquanto estiverem longe. – Se você fizer isso eu vou saber!
– Digo o mesmo, Kagami Taiga!
– Eu sempre cumpro o que prometo, Aomine Daiki! – O ruivo sorriu.
– Em partes! – Aomine apontou. – Porque você não seguiu em frente há sete anos como prometido!
– Ainda bem! Mas você também não seguiu... Então a gente simplesmente anula! – Kagami sorriu de forma prática. – Viu só, dá para usar matemática básica até nisso!
– Até parece inteligente falando assim! – Aomine disse sarcástico.
– Claro, porque você é um expert em tudo, não é? — Kagami debochou. – Cafezinho, livrinho, chocolatinho... Mi mi mi...
– Pelo menos eu sei ler! – O moreno riu. – Ah Taiga, essa merda tá apitando e vai cair daqui a pouco. Eu te amo, ok? Te amo muito... Boa noite pra você e boa janta... Não queime a comida e dobre direito essas roupas na mala... E mande a Nick tomar no cú por mim!
– Tá bom! – Kagami se apressou, rindo do que ele disse. – Bom trabalho pra você e tome cuidado com o que for fazer, não se perca nas farmácias do Japão e pegue uma blusa a mais pra não passar frio! Te amo demais... Demais mesmo! Se cuide...
– Obrigado, amor! E pare de mandar Whats só falando de colheres e grampos de roupa... – Aomine disse com a voz acelerada e divertida.
– Então pare de esquecer essas coisas simples, idiota! – O ruivo fez o mesmo, mal contendo o sorriso.
– Ah, vai se foder Taiga, uma hora eu ia lembrar! – O moreno riu.
– Miss you, asshole!
– Miss you too, motherfuc... – A voz mais perfeita do mundo foi imediatamente substituída pelos bipes contínuos da ligação caída.
– Créditos malditos do inferno! – Kagami exclamou irritado olhando para o celular. Riu de sua própria atitude e levantou da cama... – OK... Hora de cozinhar!
...E passar os últimos dias ao lado de sua família.
~Aomine Daiki~
– Créditos malditos do inferno! – O moreno reclamou, encarando a tela acesa do aparelho em sua mão.
Era capaz de falar com Taiga por horas seguidas se pudesse, estava com tanta saudade que poderia explodir... Parece que depois de passarem aqueles dias juntos a dor da distância apenas aumentou. Felizmente, agora era só fazer uma pequena contagem regressiva e pronto!
– Seis dias! – Aomine sorriu radiante, acariciando a aliança no dedo. – Só mais seis dias, amor!
Feliz e motivado, o moreno sentou-se na cama e olhou ao redor... É, precisava urgentemente arrumar a casa antes de o ruivo chegar.
Em um dia conseguira transformar aquele local organizado em uma pequena zona. Nem guardara suas roupas ainda, simplesmente deixou tudo empilhado em um canto do quarto. A verdade é que queria esperar Kagami chegar para dividirem entre si os nichos do guarda-roupa...
Até esse pequeno pensamento o animava. Com o ruivo qualquer coisa simples se tornava algo único e perfeito.
Conversaram tanto a respeito do que fariam dali pra frente. Tinham planos para arrumar o apartamento da forma deles, mudar os móveis de lugar e até mesmo pintar as paredes de outra cor! Decidiram que seria uma vida nova dali pra frente...
– Taiga, você está vindo logo para mim! – O moreno cantarolou feliz, relutantemente levantando da cama quente e confortável. – Puta que me pariu!
Era tão bom que até assustava...
***
Quarta-feira — 17 de dezembro — 17h38min
~Kagami Taiga~
– Pô cara, tu vai mesmo deixar a gente? – Zack perguntou triste, assim que o ruivo terminou de retirar os objetos de dentro do armário número 31.
– Vou! – Kagami sorriu pesaroso, fechando pela última vez aquela porta de metal. Odiava despedidas.
– Vai fazer falta, grandão! – Benji sorriu, dando-lhe um tapa nos ombros.
– Ah cara, vocês também vão fazer muita falta! – O ruivo admitiu. – Sério mesmo! Mas vou sempre mandar notícias.
– É bom que mande mesmo Taiga! – Zack sorriu. – Cervejada de despedida na sexta-feira?
– Pode ser! – O ruivo confirmou.
– Você nunca vai com a gente, se não for dessa vez eu te mato, ouviu? – O moreno ameaçou de forma divertida, dando um tapa no ombro de ambos. – Vou chegar lá na ADM! A gente ainda vai se despedir direito Taiga! Falou...
– Falou, Zack! – Kagami acenou. – E eu vou sexta-feira sim, nem esquente!
Os dois observaram o moreno se afastar pelo longo corredor e virar na porta da sala de Jess, ou Uhura. Para Kagami sempre seria Uhura.
– Japão hein? – O louro sorriu, fechando o próprio armário. – Parece que você encontrou algo bem importante que te fez querer ficar...
– Sim! – O ruivo respondeu sem jeito, olhando para a aliança no dedo. Era o alvo do olhar de Benji também.
– Como é mesmo o nome do figurão?
– Daiki! – Apenas mencionar o nome era o suficiente para fazê-lo sorrir. – Aomine Daiki!
– É bom que ele cuide bem de você, Taiga! – O menor sorriu. – Senão eu vou até lá para quebrar a cara dele!
– Pode ficar tranquilo! – Kagami comentou de forma divertida, encarando o amigo. – Porra Benji, vou sentir sua falta cara.
– É, eu sei! – Benji deu de ombros. – Sou inesquecível!
– É um idiota, isso sim! – O ruivo sorriu, empurrando-o.
– Mas sério Taiga, não ficou ressentimento nenhum da minha parte, ok? – O menor assumiu uma postura mais séria. – Sei que você ainda tá esquentando a cabeça com isso.
– Ah Benji, eu fui um babaca com você! –O ruivo lamentou, sentindo-se culpado.
– Você foi sincero, e não um babaca! Teria sido um babaca se não fosse sincero! – O louro disse divertido, dando um empurrão com o ombro. – Já levei mais cortes nessa vida, Taiga! Fica susse, vou sobreviver!
– Espero que sim, porque sabe né... – O ruivo sorriu de canto. – Sou inesquecível!
– É nada! Na sexta-feira vou pegar o Zack e nem vou mais lembrar teu nome! – Benji sorriu perante a provocação.
– Mas eu te pago uma caixa de cerveja se você conseguir essa proeza! – Kagami foi obrigado a rir. – Zack nem é gay!
– Ah não? – Benji ergueu as sobrancelhas, usando um tom misterioso na voz. Sem hesitar, esticou a mão em um sinal de aposta. – Duas caixas de cerveja então? Ou eu ouvi três?
– Sempre perco nessas merdas, mas não dessa vez! – O ruivo sorriu confiante, apertando a mão do menor. – Três caixas de cerveja!
***
Sexta-feira — 19 de dezembro — 23h12min
– Ah cara, vai se foder! – O ruivo exclamou incrédulo, parando tudo o que estava fazendo. Benji acabara de barrar Zack na saída do banheiro. – Ele não vai conseguir... Não vai...
– Não acredito que ele realmente está tentando! – Jess observou a cena boquiaberta, parando o copo de cerveja na metade do trajeto. – Zack não é gay! Isso vai dar merda...
O silêncio e a tensão tomaram conta da mesa por alguns instantes. Todos estavam olhando para a cena no corredor escuro da saída do banheiro... Benji roubou um beijo de Zack! Ou aquilo daria muito errado ou daria muito certo...
Para alívio geral, parece que deu certo! Benji não saiu com o nariz quebrado...
– BENJI! BENJI! BENJI! – O resto do batalhão começou a gritar assim Zack correspondeu o beijo, fazendo um gesto obsceno para a mesa onde estavam sentados.
– Benji, seu filho da puta! – Kagami riu com os outros, já separando o dinheiro das caixas de cerveja e jogando na mesa. Foi a vez de o louro mostrar o dedo, mas logo voltou a se ocupar com o beijo.
Aqueles idiotas fariam muita falta, muita falta mesmo! O ruivo odiava despedidas...
***
Segunda-feira , 22 de dezembro — 06h28min
– Teddy, você escolheu o pior horário pra pegar o avião! – Nick comentou tristonha, abraçando o tronco de Kagami e apoiando melhor a cabeça em seu ombro.
– Concordo plenamente! – Alex disse enquanto se distraia com os fios ruivos de Nick.
– Era o único horário que tinha! – O ruivo sorriu pesaroso, afastando o rosto que estava apoiado na cabeça de sua mãe.
– Seu voo sai às 7h, sweetie? – Anette perguntou pela terceira vez naquela manhã, fitando carinhosamente seu rosto com seus olhos vermelhos e inchados do choro.
– Yeah mom... – O ruivo sorriu pesaroso, dando um beijo entre os cabelos vermelhos da franja que caiam em sua testa.
Anette sempre parecia muito mais jovem do que realmente era. Mesmo com seus quarenta e poucos anos, a mulher tinha a aparência muito mais nova, principalmente quando abria aquele sorriso acolhedor... Mas aquele dia era uma exceção.
Ela com certeza estava muito feliz por Kagami ter encontrado a felicidade ao lado de Daiki novamente, o apoiou infinitamente em sua decisão e até o ajudou com os preparativos para a viagem... Mas se despedir assim nunca era fácil... Nunca!
A primeira chamada para o voo Los Angeles — Tóquio acabara de ecoar pelo aeroporto, fazendo com que muita gente já se dirigisse até a fila de identificador de metais. Kagami não sabia dizer naquele momento se ficou satisfeito ou não com aquilo... Com certeza queria chegar logo para encontrar Aomine, mas ao mesmo tempo não queria deixá-las ali.
– Teddy... Eu te amo! – Nick disse repentinamente, deixando as lágrimas rolarem ao abraçá-lo pelo tronco. Aquilo fez o coração de Kagami tremer, nunca vira a irmã chorar. – Sério, os anos mais massas da minha vida foram esses que você passou lá em casa com a gente! – Ela fungou e continuou, mais controlada. – Juízo lá no Japão, tá? E diga para aquele nigga idiota cuidar muito bem de você, ou vou cortar a linguiça dele fora de verdade! Você é um bocó que vai fazer muita falta... Muita mesmo Teddy...
– Vou sentir muita falta de você também, sua praga! Obrigado por tudo, tudo, tudo Nick... – Kagami disse, abraçando-a força, já sentia as lágrimas escorrerem pelos olhos. – Eu te amo, sua idiota! – O ruivo abraçou Anette e Alex também, ambas choravam muito. – Eu amo vocês três, incondicionalmente! Não sei o que seria de mim sem vocês do meu lado esse tempo todo! Vou sentir saudade...
– A gente também vai sentir saudade, Taiga! Seja feliz, tá bom? – Alex soluçou. – Aí de você se não ligar ou mandar notícias todos os dias! Nós vamos lá te caçar!
– Pode apostar que sim Taiga! – Nick sorriu, limpando a última lágrima. – Você sabe que a gente vai mesmo!
– Eu sei que sim! Mas eu vou dar sinal de vida, sempre! – Kagami fungou, olhando para a mãe em seguida. – Mom...
– Oh, my dear, I love you! – Anette o abraçou com mais força pelo outro lado. – Quero que você seja muito feliz meu filho, muito feliz mesmo! Eu sei que é isso que você sempre quis em sua vida, desde quando você voltou para cá! Fique bem meu anjo... Mande um beijo enorme para o Daiki! – Ela voltou a chorar, Kagami a abraçou. – Você promete que vai ficar bem? Que vai sempre se cuidar? Escovar os dentes direitinho... Comer seis vezes ao dia... No trabalho, sempre ter atenção... E que vai vir visitar a mamãe quando puder?
– Claro que sim, mom, always! – O ruivo chorou, abraçando-a assim que ouviu a segunda chamada para o portão de embarque. – Sempre, sempre, sempre! I love you, forever mom!
Ficaram abraçados mais algum tempo, os quatro, em família.
– Vai lá meu amor, ou você vai se atrasar! – Anette enxugou as lágrimas da melhor forma que pode, já levantando-se e estendendo a mão para ele pegar. – Vem com a mamãe!
Os quatro seguiram juntos até o início do corredor de embarque. O ruivo deu um abraço forte, longo e caloroso em cada uma delas, agradecendo por tudo, por cada mínimo detalhe, cada palavra, cada momento... As amava demais. As lágrimas eram inevitáveis, assim como a dor da despedida... Mas não seria para sempre, voltaria em breve com Daiki para visita-las.
Na terceira chamada para o embarque o ruivo precisou ir...
Realmente estava começando a pegar trauma de aeroportos... Despedidas machucavam muito! MUITO! Mas Kagami seguiu com a cabeça erguida, acenando de longe para a família, estava indo encontrar sua felicidade... Finalmente.
***
Segunda-feira — 22 de dezembro — 17h28min
~Aomine Daiki~
– Ah, ele não vem mais! – O moreno batia continuamente o pé direito em um gesto automático e aflito, olhando do portão de desembarque para o telão atrás de sua cabeça. Ali estava escrito que o voo já havia chegado na plataforma... Mas até agora nada de Taiga ligar ou aparecer...
Com o olhar perdido nos guichês em sua frente, Aomine concentrou-se em tirar com o dente um último cantinho de cutícula. Já arrancara todos os outros, geralmente puxando um pouco mais do que o necessário. Agora estava com aquela ardência chata nos dedos... Impaciente... Com saudade... Eufórico... E com medo de ele ter desistido na última hora.
– Ele não ia fazer isso... – Riu inseguro para si mesmo, chupando o sangue que arrancara de seu dedo médio enquanto mudava de posição no banco.
Pela quarta vez na última hora, Aomine pegou o celular no bolso e releu a conversa que eles tiveram por Whatsapp, mas isso há umas 10h atrás... Tinha recém saído do trabalho quando recebeu a primeira mensagem.
Taiga: Aho, já estou na fila! Meu voo sai em 20 minutos.
Daiki: Jura? Mal espero pra quando você chegar :D
Taiga: Vou dormir na viagem pra passar mais rápido!
Daiki: Tem muita gente pra embarcar?
Taiga: Sim, não sei porque esse povo viaja tanto pro JP.
Daiki: Idiota, você está fazendo o mesmo '-'
Taiga: Mas é por um bom motivo :P
Daiki: Claro que é :DD
Taiga: Pqp, foi muito foda dar tchau. Odeio despedidas =/
Daiki: Ninguém gosta, sempre é triste =/
Taiga: A mãe chorou pra caralho, a Nick tbm. E eu também D:
Daiki: Eu imagino... Mas nós vamos visitá-las em breve!
Taiga: Sim, vamos sim! Aho, estou indo o/
Daiki: Boa viagem Bakagami, vou estar te esperando aqui :D
Taiga: Obg, até depois! :DDDD
Daiki: Até depois! xD
Taiga: Te amo ♥
Daiki: Te amo mais ♥
E ali estava desde as 15h esperando o ruivo... Sabia que o voo dele chegava apenas as 17h, o painel insistia em lembrá-lo disso, mas decidira chegar antes ao invés de andar de um lado para o outro em casa, roendo as unhas já bem curtas. Sempre achou esse costume um tanto quanto nojento, mas naquele dia não escapou...
– Cadê você, Taiga? – Murmurou pela milésima vez olhando para o portão de desembarque, para a sala das bagagens, para os guichês... Nada de ruivo. Só um monte de gente igual e sem vida andando de um lado para o outro.
De repente sentiu o celular vibrar continuamente no bolso, seu coração quase parou naquele instante. Mesmo com as mãos suadas e com o dedo babado foi ávido ao aparelho. Assim que olhou para a tela do celular viu a foto do ruivo dormindo, tirara escondido e usava como imagem de contato... Kagami nem sonhava com uma coisa dessas.
– Oi Taiga! – Sorriu radiante ao atender.
– Você fica tão lindo de cachecol, Daiki! – Kagami sorriu do outro lado da linha. – Já te disse isso antes?
O moreno ficou sem resposta, levantou-se imediatamente começou a olhar para todos os lados com um sorriso bobo nos lábios.
– Não estou te vendo, cadê você? – Foi o que seu sorriso permitiu que dissesse.
– À sua direita!
Sem hesitar, Aomine olhou para o local indicado, mas tinha muita gente no meio do caminho. Ficou procurando na ponta dos pés, se curvou, andou alguns passos até o local, moveu-se novamente. Nada. Teria um surto, seu coração saltava para fora do peito e por algum motivo o ruivo ria do outro lado da linha.
– Taiga...?
– Ok, foi mal, já pode parar de bancar o idiota... Estou à sua esquerda...
– Filho da puta! Você é um retardado, Kagami Taiga! – O moreno sorriu ao olhar para a direção oposta e ver o ruivo encostado em uma coluna com o celular na orelha, rindo de sua cara. – Por isso que te amo!
Só não correu porque tinha mil pessoas no meio do caminho impedindo, mas andou da forma mais apressada que conseguiu, colocando o celular no bolso de qualquer jeito. O ruivo fez o mesmo... Ele vinha em sua direção com aquele sorriso enorme, lindo, mostrando os caninos!
O alegria transbordando no rosto de ambos era imensurável quando se abraçaram com força. Aomine poderia explodir ali mesmo de tanta felicidade. Aquele cheiro, aquele calor, aquele toque... Aquilo tudo era Kagami Taiga. Seu Kagami Taiga. Sem hesitar um instante, afastou-se para beijá-lo nos lábios, pouco se importando com a multidão ao seu redor, sabia que estavam olhando, sabia que julgavam mentalmente... Mas que se foda! Estava com saudades...
Teve o gesto correspondido no mesmo instante e sentiu os dedos do ruivo acariciarem seu rosto. A mão dele era tão grande e quente, mas seu toque era tão suave... Isso sem falar que ele tinha os lábios mais perfeitos do mundo, tão beijáveis, poderia ficar horas ali sentindo aquela textura... Mas infelizmente precisava respirar.
– Estava morrendo de saudade, Aho! – O ruivo sorriu radiante assim que se abraçaram novamente. – Essas semanas demoraram tanto para passar.
– Sim, foi quase uma eternidade! — Aomine murmurou, sentindo novamente as porcarias das lágrimas saírem pelos olhos. Estava virando uma menininha... Mas estava tão feliz! Agora sim sua vida iria realmente começar...
– Puta merda Aho, eu nem acredito que isso está acontecendo! – O ruivo sorriu, encarando-o e apoiando as mãos na bochecha do moreno. Suavemente ele enxugou uma discreta e atrasada lágrima que rolou. – Finalmente... Finalmente nós vamos poder ficar juntos, amor.
– Finalmente! – Aomine sorriu, bagunçando os cabelos do ruivo. – Você é minha vida, Taiga! Sério...
– Eu te amo, Daiki! Mais que tudo! – Ele tirou os caninos para fora, abraçando-o com força.
– Mais que tudo, Taiga! – O moreno sorriu, beijando-lhe o pescoço. – Vamos para casa?
– Sim, pra nossa casa... – Kagami concordou radiante, acariciando se rosto assim que se afastaram.
***
– Ok, está na hora de eles arrumarem esse elevador! – Kagami disse ofegante, ao terminarem de trazer as coisas para o oitavo andar.
– Concordo! – O moreno sorriu, trancando a porta e já colocando a chave no aparador azul. Não precisou nem se esforçar para pegar o costume.
– Depois eu guardo tudo, tenho a madrugada inteira pra fazer isso! – O ruivo sorriu, olhando para as bolsas que estavam amontoadas perto da porta.
– É, porque agora você vai ficar comigo... – Aomine murmurou, puxando-o pela mão até a sala.
Ele encostou-se ao canto do sofá e abriu as pernas, deixando uma no chão e apoiando outra no estofado, puxando o ruivo para que sentasse entre elas. O ruivo sorriu, encostando-se ao corpo de Aomine com as costas, moldando-se ao seu corpo até achar a posição mais confortável para ambos.
– Caramba, como esperei por isso! – Kagami sussurrou satisfeito, fechando os olhos e abrindo um enorme sorriso.
– Às vezes eu ainda acho que não é real! – O moreno sorriu, abraçando Kagami com força e apoiando o queixo em seu ombro. – É bom demais.
– Sim... – Kagami concordou, beijando seu rosto com carinho. – Caralho Daiki! A gente vai morar juntos a partir de hoje! Você tem noção do que isso significa?
– Tipo, é só o maior sonho da minha vida se realizando assim, do nada! – Aomine sorriu radiante.
– Mas sério, você já parou pra pensar em tudo isso? – O ruivo insistiu, seus olhos transbordavam animação.
– Muitas vezes, pensei milhões de vezes! – O moreno sorriu satisfeito, entrelaçando os dedos de ambos. – Percebe como a coisa mudou desde quando a gente era mais jovem?
– Com certeza! – O ruivo riu. – Caramba, é só parar pra lembrar-se das coisas, das nossas primeiras partidas mano a mano! Meu pau, Aho, você era muito chato me mandando mensagem de madrugada, puta merda!
– Ah, mas eu só fazia isso porque realmente queria jogar com você, se não nem me daria ao trabalho! – O moreno deu de ombros, provocando-o. – E você aceitava todas às vezes... Nunca recusou!
– Claro, eu também queria jogar! – Kagami defendeu-se. – Admito que te achava um rival à altura, então era bom jogar com você...
– Eu era, sou e sempre vou ser melhor que você no basquete, Kagami Taiga, nem venha com mi mi mi! – Aomine riu, mordendo-lhe a orelha em forma de provocação.
– Hoje talvez, mas só porque eu parei de jogar com tanta frequência! – O ruivo admitiu a contragosto. – De qualquer forma eu te provei que era melhor na Winter Cup.
– É, você merece o mérito, até porque só comecei a notar você depois disso! – O moreno disse, apertando mais o ruivo. – Antes eu te achava um babaca de merda.
– E eu te achava um vadio convencido! – O ruivo sorriu, estreitando os olhos.
– É, mas se apaixonou por mim mesmo assim! – Aomine provocou, dando-lhe um selinho.
– Mas só porque você mudou, ou então nunca ia olhar nessa tua cara! – Kagami disse animado, cutucando-lhe com o nariz. – Sério, você era muito mala.
– Então saiba que eu mudei por você! – O moreno revelou com um sorriso satisfeito, perdido nas lembranças. – Primeiro porque queria ganhar de você no Interescolar, lógico... Mas depois porque eu queria que você conhecesse o Daiki que eu sempre fui. Admito que até eu me achei babaca por um tempo, então decidi ser legal de novo pra você se apaixonar por mim.
– É, e deu muito, muito certo! – O ruivo deu-lhe um selinho carinhoso e demorado. – Mas por azar eu me apaixonei por um idiota que me levou pra assistir um filme de terror à força!
– Fantasmas III, né? – Aomine riu com a lembrança, apoiando novamente o queixo no ombro do ruivo. – Sério Taiga, você estava muito engraçado naquele dia...
– Eu estava me cagando de medo do filme... E de você também! – Kagami disse, cutucando-lhe o joelho com o dedo indicador. – Já achei esquisito você ter me convidado para ir junto! Mas depois começou a falar umas coisas estranhas, me encarar, passar a mão na minha cabeça...
– Você gostou de tudo! – O moreno disse confiante, fazendo carinho no cabelo do ruivo. – Eu sei que gostou! Principalmente do cafuné!
– Gostei nada! – O ruivo se defendeu, com um sorriso de canto. – Mas admito foi ali que comecei a ficar confuso sobre nós dois!
– Então o plano funcionou majestosamente! – Aomine riu triunfante, espalhando novamente os cabelos do ruivo. – Eu e Satsuki já tínhamos assistido a esse filme, mas ela teve a ideia de eu te convidar pra ir ao cinema... Ela falou que só com o basquete a gente não ia se conhecer direito, então eu te chamei, ou melhor, te intimei! E nos tornamos mais próximos depois daquilo. Mas foi tudo premeditado, essa era a intenção mesmo!
– Olha só que desgraçados! – O ruivo fingiu indignação. – Fazendo esses planos pelas minhas costas. E o Kuroko?
– Já sabia de tudo, mas a Satsuki também tentou jogar um charme pra cima dele naquele dia!
– Todo mundo me fez de bobo então? – Kagami riu da situação, balançando a cabeça.
– Exatamente Bakagami! – Aomine sorriu, dando-lhe um beijo nos lábios. – Mas valeu a pena, não é? Você ficou pensativo...
– Muito pensativo, diga-se de passagem! – Kagami confirmou, dando-se por vencido. – Depois só precisou de um papo sobre beijo quando a gente jogou basquete na chuva, antes do amistoso... Lembra?
– Claro que sim... – Aomine sorriu de orelha a orelha. Tinha todas as lembranças muito claras, se prendeu a elas por muito tempo para não se afundar mais...
– Pois então... Naquele dia eu sonhei que a gente tinha se beijado na quadra. – Kagami contou, dando de ombros.
– Mesmo? – O moreno se surpreendeu, não conseguindo conter o sorriso.
– Sim. – Kagami confirmou, acariciando a mão do moreno. – Mas lógico que acordei indignado e liguei para a Alex... Ela me ajudou a ver as coisas como elas realmente eram. Aí pensei a noite inteira, não dormi, passei mal no dia do amistoso e me confessei pra você na mesma noite!
– Sim, acabou sendo bem melhor do que pensei que seria! – O moreno sorriu com um tom de voz maroto. – Eu tinha meus planos para me confessar, mas não estava encontrando coragem em lugar nenhum, achei que você ia me bater se o fizesse!
– Eu também pensei que ia levar um soco, estava até esperando! – Kagami admitiu com uma risada nervosa. – Mas não consigo remoer as coisas por muito tempo, então tive que falar!
– E me surpreendeu muito, porque eu não estava esperando mesmo! – Aomine sorriu, beijando o topo da cabeça do ruivo.
– E eu não estava esperando seu beijo... – O ruivo sorriu, virando-se para olhá-lo de frente.
– Isso eu estava esperando desde a Winter Cup! – O moreno deu-lhe um selinho. – Mas admito que foi um parto até eu parar de ser besta e admitir que estava gostando de você!
– Ah, isso deve ter sido mesmo, orgulhoso do jeito que é! – Kagami riu. – Se pra mim já foi um problemão, imagina pra você! Tipo, eu nunca tive problemas em ser gay, mas não sabia que era até aquele tempo.
– Ah, eu tive muitos problemas! – Aomine riu nervoso, admitindo e concordando com a cabeça. – Fiz de tudo e mais um pouco para negar que gostava de você! Queria me matar, fui atrás da garota lá, fui me chorar com a Satsuki... Mas foi inevitável me apaixonar!
– Claro! Eu sou gato demais, sexy demais, legal demais, foda demais! – Kagami deu de ombros de forma displicente e convencida. – Impossível você não ter se apaixonado!
– Acho que você quis dizer que é cagão demais, irritado demais, paranoico demais, chato demais! – Aomine sorriu. – Esse é você, Kagami Taiga! E realmente foi impossível resistir a esse charme de bicho ruim!
– Idiota! – Kagami sorriu, dando-lhe um tapa na cabeça. – Se eu for listar todas as coisas que você é, então vamos ficar conversando aqui até semana que vem! Mas mesmo assim eu te amo!
– Eu também te amo, seu retardado! – Aomine sorriu, dando-lhe um beijo carinhoso que foi retribuído à altura. As bocas se encaixavam, não tinha outra explicação. Era sempre tão bom, tão suave, tão intenso.
– Você é tão beijável, Aho! – O ruivo disse assim que se afastaram para respirar, como se estivesse lendo seus pensamentos. – Deve estar me devendo uns cem mil beijos desses!
– É, você também está! – Aomine concordou, dando-lhe uma testada. – Teremos tempo para fazer isso, podemos até incluir juros se você quiser!
– Ah, eu quero com certeza, muitos juros! – O ruivo ficou com uma expressão mais séria de repente. – Pois é Aho, agora que você falou em juros... A gente precisa decidir um monte de coisa ainda sobre como vamos fazer daqui pra frente!
– Isso é verdade! – O moreno ponderou, olhando-o. – Por onde quer começar?
– Hm, acho que vamos precisar comprar as coisas pra casa e ir no mercado antes de tudo, não é? Só depois vamos poder ter uma base de como prosseguir!
– Podemos ir amanhã? – Aomine sugeriu, dando de ombros. – De tarde sempre estou livre!
– Sim, vamos amanhã então! – O ruivo concordou dando-lhe um selinho. – E a lista que você fez? Deixa eu ver...
– Ah, tá lá na cozinha... – O moreno fez uma careta, esticando a mão como se quisesse que o pequeno caderno viesse voando para a mão. – Depois a gente vê, pode ser?
– Claro! – O ruivo sorriu, aconchegando-se mais no corpo de Aomine. – E no Natal, o que vamos fazer?
– Hm, inicialmente eu iria passar com a Satsuki e o Kuroko, mas é ruim porque eles tem a família deles lá... E agora estou começando com a minha aqui, o que é bem melhor! – Aomine comentou extremamente feliz, passando os dedos distraidamente por cima da aliança de Kagami. – A gente poderia fazer uma janta bem fodona, com vinho... Vinho é bom... E amanhã já podemos comprar os presentes também...
– Eu gosto muito da ideia! E precisamos de uma árvore de Natal também! – O ruivo sorriu radiante, evidentemente empolgado com tudo o que estava acontecendo. – Ah, falando em presentes, eu trouxe algumas coisas de L.A. para dar a você!
– É mesmo? – Aomine exclamou surpreso.
– Sim! – O ruivo sorriu satisfeito. – Está ali no meio da bagagem, mas preciso procurar.
– Depois você vê isso! – O moreno o abraçou com mais força, como que para prendê-lo ali. – Por hora a gente poderia decidir como comemorar nosso primeiro dia morando juntos! Depois a gente pensa no Natal e na cor das paredes da casa! Fechado?
– Fechado! – O ruivo sorriu, apoiando o rosto no ombro do moreno. – Você falou de pegar uma pizza ou sair pra comer fora, não é?
– O que você prefere? – Aomine perguntou, olhando em seus olhos.
– A gente poderia pedir a pizza, pegar uma coberta e ficar aqui conversando até a hora que você for trabalhar! – O ruivo sorriu manhoso.
– OK, você ganhou meu coração, corpo e alma com isso! Tirando a parte que tenho que trabalhar... – O moreno sorriu, abraçando-o para que ele se acomodasse em seu corpo. – Você deve estar cansado da viagem, não é?
– Um pouquinho...– Kagami admitiu. – Mas nada que eu não consiga aguentar!
– Quer tomar um banho antes de tudo? – O moreno perguntou, acariciando seu rosto.
– Só se for com você! – Kagami sorriu malicioso.
– Mas claro que é comigo! – O moreno respondeu com uma expressão marota. – Acha mesmo que vou ficar longe de você e ainda perder a oportunidade de te ver pelado?
– Claro que não vai, eu não iria deixar de qualquer forma... – Kagami sorriu, beijando novamente a sua boca, mas agora com um pouco mais de intensidade, provocando com a língua e acariciando os cabelos azuis de forma insinuante. Aquilo estava instigando Aomine...
– Vamos logo Taiga... – O moreno murmurou assim que Kagami finalizou o beijo com um selinho demorado e provocante. – Quero aproveitar essa oportunidade para ter certeza de que você cumpriu nosso acordo da punheta.
– Então vem Aho! – O ruivo se levantou e o encarou intensamente, puxando-o pelo braço para que o acompanhasse de perto até o banheiro. – Vou te provar que me comportei! Mas nosso acordo acaba de terminar... Então não me responsabilizo por nada do que acontecer daqui pra frente!
– Hm, não sei por que, mas gostei muito disso Taiga... – O moreno sorriu, abraçando-o pelas costas e pressionando a ereção contra suas nádegas.
Rindo e se provocando, os dois seguiram até o banheiro... Mas apenas depois que desligaram o chuveiro eles perceberam que não levaram roupa nenhuma para vestir! De novo...
***
Decididamente era agora que a vida de Aomine estava começando... Finalmente!

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