Inesperado
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eram 5:00 horas da manhã e eu já estava no chuveiro, na realidade nem dormir direito, acho que estava ansiosa de mais pela viagem, foi difícil pegar no sono. Terminei o banho com muita dificuldade, acordar 7:00 horas já era difícil, imagine acordar as cinco, assim que sai do banheiro coloquei uma calça de moletom e uma blusa. Por que ? Por que eram 5:00 horas da madrugada, eu não estava nem ai para a minha aparência, só queria dormir, o direito de dormir não deveria ser tirado de um ser humano, é crueldade. Desci as escadas com a minha mala, Daniel já estava na sala falando no telefone com alguém, ele estava igualzinho a mim, calça de moletom e uma camisa, ele estava com a mesma cara de sono que eu, provavelmente estava ansioso assim como eu. Minha mala não estava pesada, pelo menos não deveria, só que como eu estava parecendo um zombie do The Walking Dead, tudo estava pesado para mim, assim que ele percebeu minha dificuldade de descer com a mala, ele veio me ajudar.
– Deixa que eu cuido disso. – Disse ele pegando a mala da minha mão.
– Obrigada. – Respondi. Daniel colocou a minha mala na porta, depois ele virou para mim e sorriu, não entendi muito bem.
– Parece que alguém tá ficando mais velha hoje. – Falou. Ah, verdade.
– Quem será ?! – Disse sorrindo. Ele chegou perto de mim e me deu um abraço, correspondi imediatamente, dessa vez, sem desconforto.
– Parabéns, Luce. – Ele disse. Não pude deixar de sorrir.
– Obrigada, chefe. – Falei brincando. Ele assentiu com a cabeça.
– Tá tudo pronto ? Podemos ir ? – Perguntou.
– Claro. – Respondi. Fomos para a porta e Daniel pegou nossas malas, saímos e tinha um carro esperando a gente na frente do portão, colocamos nossas malas dentro do carro e Daniel sentou no banco do motorista e eu no do carona. Nunca entendi por que ele não tinha um motorista particular, decidi então perguntar.
– Daniel, por que você não contrata um motorista particular ? – Perguntei.
– Gosto de dirigir. – Respondeu. – Isso deveria me deixar estressado, mas em vez disso, me acalma. – Continuou. Ah, agora eu entendi.
Daniel dirigiu até o aeroporto em silencio, ele estava sempre atento, não desviou os olhos da estrada nem por um minuto, o celular dele tocou e em vez de atender ele passou para mim, era alguém querendo saber se já estávamos a caminho do aeroporto. Eu achei isso incrível, eu pessoalmente ficava estressada quando dirigia, ainda mais quando tinha fila, depois de dois anos trabalhando com o Daniel, eu ainda aprendo coisas novas sobre ele. Foi rápido a chegar ao aeroporto, eram cinco e pouco da madrugada, não tinha uma alma na estrada, perdi a conta de quantos sinais vermelhos ele passou, mas quando chegamos lá, fomos recebidos bem, pegaram nossas malas, até ofereceram café, eu sinceramente tinha ficado tentada a aceitar, mas Daniel disse que íamos tomar café no avião, então ... O avião, não era o mesmo do que da ultima vez, mas ele era incrível e tinha o nome da família Grigori escrito, por dentro era confortável, tinha poltronas como qualquer avião normal, mas também tinha um banheiro incrivelmente luxuoso, até de mais para um avião, tinha um quarto apenas, o que me deixo decepcionada, eu pensei que ia poder dormir em uma cama confortável até chegarmos em Los Angeles, mas não ia rolar, sem duvida Daniel vai querer dormir, mas se bem que a cama é grande né ... NÃO! Eu não vou dormir na mesma cama que ele, jamais.
– E ai ? O que achou ? – Ouvi a voz de Daniel ao fundo, fez-me sentir vergonha do que eu estava pensando.
– É lindo, luxuoso, confortável ... é incrível. – Respondi com sinceridade. Ele suspirou de admiração.
– É, foi muito bom eu ter comprado esse, ele é mais espaçoso e mais confortável. – Disse ele com orgulho em sua voz.
– Mas só tem uma cama. – Falei sem pensar. Droga, maldita boca. Daniel fez uma careta.
– Eu sei, me desculpe. Eu nem pensei nisso quando comprei. – Falou, me senti culpada por ter dito aquilo.
– Tudo bem, as poltronas parecem ser confortáveis. – Falei, pareciam mesmo.
– Eu não vou deixar uma mulher dormir em uma poltrona enquanto eu durmo em uma cama confortável. – Disse ele.
– Eu não vou dormir com você! – Falei as pressas, mais uma vez sem pensar, ele me olhou surpreso e magoado, obviamente não era isso que ele estava pensando. Amaldiçoei-me até segunda e terceira geração.
– Eu sei. Você vai dormir sozinha na cama, não se preocupe eu vou dormir na poltrona. – Disse virando as costas e saindo do quarto.
DROGA! Maldita hora em que eu fui abrir minha boca grande, sem duvida ele não tinha pensado nisso, ele me respeita, jamais pensaria em dormir na mesma cama que eu. Estou me sentindo uma idiota, acho que nunca me senti tão culpada em toda a minha vida. Daniel ficou magoado, eu vi em seus olhos, eu pensei coisas erradas sobre ele, eu sou uma idiota mesmo, preciso me desculpar agora. Sai do quarto e fui para a primeira cabine, onde ficam as poltronas, ele não estava lá, vi a porta aberta e decidir da uma olhada, o vi de costas falando com uns caras, não sabia quem eram, sentei em uma poltrona e fiquei esperando ele voltar, demorou acho que cinco minutos e ele estava entrando e fechando a porta atrás de si, olhei no relógio e ia dar 6:00 horas em ponto, como passou devagar. Assim que ele olhou para mim, vi a magoa em seus olhos, me senti mais culpada ainda.
– Coloque os cintos, nós vamos decolar. – Disse sentando em uma poltrona. Obedeci.
– Me desculpe pelo o que eu disse. Sério, foi sem pensar, eu jamais pensei que você teria imaginado aquilo. – Larguei tudo de uma vez. Ele me olhou surpreso, mas sorriu logo em seguida, senti o alivio tomar conta do meu peito.
– Está tudo bem, Luce. – Disse por fim. Sorri para ele.
A decolagem foi fácil, quase não sentimos, quando já estávamos no ar o copiloto disse que já poderíamos circular normalmente pelo avião, destravei meu cinto e fui à procura de uma cozinha, uma dispensa, até uma caixinha com barras de cereais, mas não encontrei nada, foi muito triste, eu estava quase morrendo de fome, minha barriga estava quase comendo meus órgãos, eu precisava comer alguma coisa. Voltei pra cabine de poltronas e Daniel ainda estava sentado olhando pela janela.
– Aonde eu acho comida aqui ? – Perguntei já com raiva, a fome faz isso comigo.
– Senta ai, eu já volto com alguma coisa. – Disse ele se levantando e indo na direção da cabine dos pilotos, quer dizer que tem algum tipo de cozinha lá, nunca que eu iria imaginar.
Ele voltou com uma bandeja com dois pratos e duas xícaras, junto tinha um bolo de baunilha, quero novidade, pães e chá, comi feito uma cavala, eu estava morrendo de fome. Depois disso eu fui para o quarto, me joguei na cama e não vi mais nada, nem se quer senti o avião descer, só me toquei que já estávamos em Los Angeles quando ouvi a voz suave de Daniel ao fundo, abri meus olhos e ele estava sentado do meu lado, sorrindo, parecia alegre, acho que ele está louco pra ir para a boate.
– Chegamos dorminhoca. Você conseguiu apagar por quatorze horas. Parabéns. – Falou me zoando, fiz uma careta pra ele enquanto me sentava na cama.
– Que horas tem ? – Perguntei esfregando os olhos.
– Umas dez pras oito. – Respondeu ele enquanto pegava minha mala no canto da cabine. Me levantei, passei as mãos no cabelo para dar uma ajeitada e o segui.
Saímos do avião e já tinha outro carro esperando a gente, Daniel colocou as malas dentro e se sentou no banco do motorista. Eu entendi que ele gostava de dirigir, mas depois de voar por quatorze horas, sinceramente eu pagaria alguém até para colocar comida na minha boca. Pegamos um pouco de fila, o que me deixou estressada e olha que nem era eu que estava dirigindo, mas foi pouca, logo nós já estávamos chegando no hotel. Fairmont Miramar Hotel, era lindo e o parecia luxuoso, saímos do carro e já fomos recebidos por uma equipe de bajuladores perguntando se tínhamos tido uma boa viagem, se queríamos comer alguma coisa, se queríamos uma massagem, só faltou eles perguntarem se o Daniel queria que eles deitassem no chão como tapete, sinceramente, pior tipo de pessoa, ficamos em um hotel uma vez, no Japão se eu não me engano, lá eles trataram a gente como se fossemos da casa, foi super aconchegante. Como nossas reservas já tinham sido feitas com uma semana de antecedência, Daniel só precisou dar o nome dele na recepção e pegar duas chaves, que bom, ele tinha reservado dois quartos, um do lado do outro, seria mais fácil assim, ele se aproximou e me entregou uma chave.
– Suba, relaxe um pouco e se arrume, vamos sair umas dez horas pra ir para a boate. – Disse ele entrando no elevador, assenti com a cabeça e o segui.
Meu quarto era enorme, tinha uma cama grande, provavelmente cabe mais que quatro pessoas, tinha um janelão com uma varando, onde tinha umas plantas lindas e uma mesa com quatro cadeiras, o banheiro era a parte mais luxuosa do quarto, todo de mármore com uma banheira e um chuveiro, a primeira coisa que eu fiz foi encher a banheira com água, precisava realmente relaxar um pouco, abri o armário que ficava do lado da pia e tinha alguns óleos para banho, decidi pegar com aroma de rosas, bem suave, melhor coisa. Tirei minha calça de moletom, minha camisa e meu sutiã, deitei na banheira e não pude deixar de suspirar de alivio, me senti até mais leve, fiquei imaginando que tipo de maquiagem eu faria, acho que uma bem básica, afinal eu estava indo para uma boate, um lugar com pouca luz, então um delineador e uma sombra dourada nos olhos ia ser o suficiente, na boca eu acho que um gloss labial é o suficiente também, vou deixar para fazer a maquiagem mais pesada amanhã no evento. Sai da banheira totalmente renovada, me sentia até mais jovem, eu deveria fazer isso todos os dias, mas eu não tenho paciência pra esperar a banheira encher.
Botei meu vestido e ele ficou exatamente como da primeira vez que eu provei, não sei por que eu pensei que ele não ficaria, seria impossível eu engordar tanto assim em menos de dois dias. Deixei meu cabelo que estava batendo no meio das minhas costas solto, ele não era perfeito, mas eu tinha muita sorte, meu cabelo tinha lindos cachos e não era volumoso, isso me deixava muito feliz, eu realmente cuidava mais do meu cabelo do que do resto do meu corpo, mas acho que toda mulher é assim. Fiz a maquiagem que eu tinha pensando em fazer, delineador e uma sombra dourada nos olhos, um gloss nos lábios e pronto, eu estava linda e olha que é difícil eu achar isso, mas dessa vez eu tinha que admitir, se a Ariane e a Shelby estivessem aqui elas estariam batendo palmas, sério, elas estariam fazendo isso, é difícil eu achar que fiquei bem com algum vestido, então quase não uso, mas sempre que coloco um, elas aplaudem, ai eu estou morrendo de saudades da Shelby e já estou com saudades de Ari, minhas quase irmãs. Coloquei os sapatos de salto que tinha comprado, era aberto com uma tira nos dedos e outra no tornozelo, eu amei, embora eu não goste muito de sapato aberto, parece que ele vai arrebentar a qualquer momento.
Ouvi batidas na porta e era Daniel, ele estava deslumbrante, uma calça jeans um all star preto como de costume, uma camisa branca com os três primeiros botões abertos e uma jaqueta de couro, o cabelo estava em um topete não muito exagerado, ele estava perfeito, não consegui segurar o suspiro. Daniel me olhou de cima a baixo e ficou sem expressão nenhuma, não consegui entender se ele tinha gostado ou não, ele passou a língua nos lábios e respirou fundo.
– Você está linda. – Disse por fim, meu coração parou por um segundo. Eu tinha mesmo ouvido direito ? Ele tinha dito que eu estava linda ? Foi isso mesmo ?
– Obrigada. – Disse olhando para baixo. – Você também está muito bonito. – Senti minhas bochechas ficarem quentes. Ele respirou fundo mais uma vez.
– Vamos ? – Perguntou ele já indo para o elevador. O segui de cabeça baixa, não entendi por que fiquei tão envergonhada. Pare com isso já Lucinda. Gritei para mim mesma.
O elevador parou no nosso andar, vazio, entramos e ficamos em silencio, eu não sei se foi coisa da minha cabeça, mas senti uma tensão no ar, olhei pro Daniel e ele me olhou também, por alguma razão imbecil ficamos nos encarando, e por mais alguma razão imbecil eu comecei a ofegar, parecia que o olhar dele ia perfurar meu peito, me senti mais quente do que já estava. Do nada, ele desviou o olhar, passou a mão nos cabelos e apertou o botão do térreo como se quisesse que o elevador fosse mais rápido, para ser sincera, eu também queria, essa situação estava muito embaraçosa. Graças aos céus o elevador parou e abriu as portas, Daniel saiu as pressas, fui logo atrás dele, mas assim que sai me deparei com Cam, Molly e Gabbe esperando a gente no hall de entrada. Não consegui esconder a minha decepção. Eu não tinha problema nenhum com o Cameron, o meu problema era com a Molly e com a Gabbe. A Molly por que era uma antipática e toda vez que me via parecia levantar mais a cabeça, a Gabbe por que ...bom, ela faz eu me sentir desconfortável. Cam sorriu calorosamente para mim, Molly colocou um braço em volta da cintura dele. Suspirei pesado. Pelo jeito essa seria uma longa noite.
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