Inesperado
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Eu estava me arrumando para uma reunião em pleno sábado enquanto o Daniel estava chegando ao Brasil com aquela mulher, adorava a Gabbe, mas não perto do meu Daniel. Tá isso foi ridículo, ele não era meu, mas de qualquer forma, não queria os dois juntos. A reunião seria as 9:30, tinha meia hora para me arrumar e sair de casa, estava no meu quarto em rolada em uma toalha e secando meus cabelos, nunca tinha ido a uma reunião antes, como eu deveria me vestir ? Como eu deveria me comportar ? Não tinha conhecido o Sr. Cole ainda. Sendo assim escolhi uma saia de cintura alta preta que ia até o joelho e uma blusa sem mangas prata, coloquei sapatos de saltos beges e pelo o estado que ficou meu cabelo eu decidi amarrar ele em um coque bem alto e bem preso, nos olhos eu coloquei um rímel para abri-los que estavam bem caídos, eu parecia doente. Olhei-me no espelho e gostei do que vi, estava elegante. Peguei minha bolsa e coloquei meu celular, as chaves do BMW e o gravador que o Daniel havia comprado, sabe eu podia usar meu celular, mas ele disse que ia ficar antiprofissional , é difícil conviver com aquele homem.
Desci as escadas e fui direto para a garagem, entrei no carro e sai da casa, estava tudo tranquilo, eu ia chegar à empresa uns dez minutos antes da reunião, acho que estava bom. Estacionei a BMW dessa vez no estacionamento da empresa, como eu não sabia quanto tempo ia durar a reunião eu não ia arriscar levar uma multa. Entrei no elevador e fui direto para o andar de reuniões, estava nervosa, só ia ter empresários bem sucedidos lá, respirei fundo não sei quantas vezes, só voltei a respirar normalmente depois que o elevador abriu a porta, sai do mesmo e endireitei minha coluna, fui direto para a porta, assim que a abri me deparei com um monte de homens engravatados espalhados pela sala. Droga, isso não podia ficar melhor, eu estava olhando para todos em volta até sentir mãos gentis tocarem meus ombros, olhei e vi lindos olhos verdes me encarando com um sorriso no rosto, tinha esquecido que ele também era sócio do Sr. Cole.
– Oi, não esperava te ver aqui. – Cam disse.
– Nem eu. – Falei rindo.
– Cadê o Daniel ? – Perguntou, mas não com desprezo ou raiva na voz.
– Ele foi para o Brasil ontem à noite. – Respondi.
– E não levou você ? – Perguntou de novo. Não, ele levou outra pessoa.
– É, ele foi com a Gabbe. – Disse.
– Imaginei, aqueles dois são inseparáveis. – Falou normalmente.
– Ouvi falar. – Falei, isso realmente me incomodava.
– Você conversou com ele ? Sobre o porquê nós dois termos brigado ? – Perguntou. Chega de perguntas Cam.
– Não, quer dizer, sim. – Falei, não quero dizer a ele o que o Daniel me disse e muito menos o que aconteceu depois.
– Jura ? E o que ele disse ? – Chega de perguntas.
– Ele disse que não era da minha conta. – Menti. Ele estreitou os olhos.
– Claro. – Falou e balançou a cabeça em negação. – Bom, vamos sentar. – Disse me puxando para uma cadeira.
Segui-o e sentamos em nossos lugares, peguei o gravador na minha bolsa e esperei o Sr. Cole começar a reunião, o que foi chata, incrivelmente chata, para ser sincera dormi quase a reunião toda, foi mais um cochilo, Cam me cutucava às vezes, ainda bem que estava gravando por que não saberia responder nenhuma pergunta que o Daniel fizesse. Depois de três longas horas, a reunião finalmente acabou, graças ao bom Deus, nunca participei de uma coisa incrivelmente chata, como Daniel conseguia aguentar isso ? Passei os dedos nos olhos para acordar, desliguei o gravador e coloquei o mesmo na minha bolsa, olhei para o lado e vi Cam rindo, fiz uma careta.
– Jura ? – Falou.
– O que ? – Perguntei.
– Você dormiu podemos dizer que quase a reunião toda. – Falou mais uma vez rindo.
– Eu sei, que droga, eu simplesmente não nasci para isso. – Falei me levantando. Ele se levantou comigo.
– É da pra ver. – Disse. – Que tal almoçarmos ? – Perguntou, senti minha respiração parar. Por que não ?
– Vai ser um prazer. – Falei.
Saímos da sala e percebemos que todos já tinham se dispersado, chamamos o elevador e entramos no mesmo, pude sentir um pequeno desconforto, saber que o homem que estava ao meu lado já tinha me visto nua e que não éramos nada, isso realmente me deixou desconfortável, suspirei e pude ver ele me encarando, no que será que ele estava pensando ? O elevador abriu as portas e eu sai de vagar, não queria que ele soubesse que estava me sentindo desconfortável ao seu lado, ainda mais depois de tudo que tinha acontecido entre a gente.
– Podemos ir andando. – Falou abrindo a porta da empresa para mim.
– O que ? – Perguntei, não estava prestando atenção nele.
– Eu disse que conheço um restaurante aqui perto e que podemos ir andando. – Falou. Ah tá.
– Claro, podemos ir andando. – Falei. Tinha que parar de pensar muito.
O restaurante não estava lotado, mas estava bastando movimentado, o bom é que conseguimos uma mesa na janela, assim eu podia olhar para outro lugar sem ser seus olhos verdes e penetrantes. Eu escolhi arroz, feijão e peixe à milanesa e uma salada de alface com tomate para comer, para beber escolhi suco de maracujá, eu precisava mesmo me acalmar. Comemos em silencio e isso estava me matando, eu odiava esse silencio ente nós dois, éramos tão amigos, não quero acabar como ele e o Daniel.
– Então, o que você anda fazendo ? – Perguntei. Ele sorriu.
– O de sempre, sabe, trabalhando, saindo nos finais de semana. – Respondeu. Claro. – E você ? – Perguntou.
– O de sempre. – Falei também, começamos a rir. – Trabalhando, organizando as coisas para minha mãe e minha irmã vir morar aqui. – Falei.
– Sua irmã, como ela é ? – Perguntou, foi minha vez de sorrir.
– Ela é incrível, é apenas uma criança, mas fala como se já fosse uma adulta, ela sempre me alegra sabe, eu sinto muita falta dela. Lembro-me de nós duas brincando quando crianças em um final de tarde, o cheiro de café revestindo a casa, meu pai sempre fez um café delicioso e... – Travei, meu sorriso logo se desfez, lembrar de como minha família era feliz e do nada tudo desandou me deixava triste.
– Você esta bem ? – Cam perguntou. – Você não precisa falar disso se não quiser. – Falou.
– Esta tudo bem, é só um assunto delicado. – Falei respirando fundo.
– Eu entendo. – Disse. – Você já quer ir ? – Perguntou.
– Sim, é eu tenho muito trabalho pra fazer. – Disse me levantando. Cam pagou a conta, não reclamei.
Voltamos em silencio para a empresa onde eu tinha estacionado o meu carro, nos despedimos com um abraço, não me senti mais desconfortável, eu gosto do Cam, ele faz eu me sentir bem, acho que deveria dar uma chance a ele, dar uma chance para ele mostrar que talvez eu realmente não seja só mais uma. Daniel e eu não teríamos nada serio, o coração dele pertencia à outra mulher, eu cheguei a pensar que poderia até ser eu essa mulher, mas se fosse realmente eu, ele não iria viajar para o Brasil com a Gabbe, ele iria me levar, eu realmente acho que ele só foi viajar sem mim por que se arrependeu do que aconteceu entre nós dois, ele se arrependeu daquele beijo e agora quer manter uma distancia, quer se afastar. Acho que dar uma chance ao Cam não vai matar ninguém.
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