Inesperado
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Eu gostaria que fizessem um livro para explicar o porquê de o domingo ser tão entediante. Estou de folga, mas sem nada pra fazer, que merda de vida, antigamente eu iria sair com as minhas amigas ou passava o dia todo com o Phil, mas meio que ele já não existe mais na minha vida e minhas amigas agora tem acompanhantes para sair com elas. Respirei fundo, além de ser o dia mais entediante, não tem porcaria nenhuma passando na televisão, meu único consolo para esse dia é que minha mãe e minha irmã vão chegar hoje, não creio que o Daniel também vá fazer isso, ele deve estar se divertindo com a Gabbe lá no Brasil. Ai, eu preciso fazer algo para distrair a minha mente, acho que vou dar mais uma passada lá no apartamento em que eu vou comprar pra minha família. Levantei com muito esforço do sofá e subi as escadas quase que me arrastando, fui para o meu quarto tirar o pijama, olhei o relógio no meu celular e já eram quase 14:00 horas da tarde, não acredito que fiquei deitada no sofá desde a hora do almoço, acho que vegetei por um tempo. Bom, eu ia fazer uma visita a um apartamento, não preciso me vestir toda elegante, sendo assim, optei por uma calça jeans, uma regata florida, um casaquinho fininho preto e uma sapatilha da mesma cor, meu cabelo estava favorável, então decidi deixar ele solto. Sai do quarto, desci as escadas e fui direto para a garagem, a casa estava fazia mesmo, quando cheguei à garagem o BMW estava lá, prontinho para ser usado por mim.
Eu não sei se era idiota sempre ou se acontecia de vez enquanto. Merda, era domingo, um dia de sol maravilhoso e eu decido sair em horário de pico, horário em que a maioria das pessoas combinaram para sair juntos para a praia. Peguei uma fila tão grande quanto o inferno, não acredito nisso, eu sou muito otária mesmo, suspirei, esse dia só vai começar a melhorar quando o sol se por, as duas pessoas que eu mais amava na vida iam chegar umas 20:00, isso se elas não pegarem fila como eu. Odeio filas, eu não puxei nada da minha mãe, ela é calma, confiante, sempre que saiamos pra praia e pegávamos fila, ela e meu pai trocavam de lugar para ela dirigir, eu puxei isso do meu pai, na realidade eu puxei quase tudo do meu pai, olhos, boca, modo de falar, tudo em mim lembrava aquele homem, por mais que eu queira esquecer. Já a Penn, ela é minha mãe todinha, até no modo de caminhar, tem a calma dela, tem a paciência, tudo, quando ela dorme parece um anjo, acho que ela foi à única coisa boa que meu pai conseguiu fazer. Despistei esses pensamentos da minha cabeça e pisquei meus olhos algumas vezes para as lagrimas que já estavam se acumulando, poderem voltar para o lugar delas, prometi a mim mesma que nunca mais iria chorar por causa disso. Bom, depois de uma eternidade naquela maldita fila, eu finalmente cheguei ao prédio, assim que entrei nele já fui recebida.
– Boa tarde. – Falou uma mulher sorrindo.
– Boa tarde. – Cumprimentei de volta. – Eu tenho um apartamento reservado. – Falei.
– Você sabe me dizer o numero ? – Perguntou.
– Apartamento 12. – Falei. Ela olhou na plaqueta que tinha em suas mãos.
– Senhora Price ? – Perguntou ela.
– Luce. – Respondi, ela sorriu.
– Muito bem, Luce. Você pode me acompanhar. – Disse ela andando em direção ao elevador.
Segui-a, assim que entramos no apartamento já me senti em casa novamente, era aconchegante e cheio de vida, tinha dois quartos, um banheiro, uma cozinha e uma sala, claro que eu gostaria de poder pagar um apartamento maior para elas, com dois banheiros, uma lavanderia só para elas, uma varanda. Mas por hora, é só isso que posso fazer, sei que elas iam gostar, é maior que a casa em que elas estavam morando, já podia imaginar Penn sentada no sofá vendo desenhos em uma manhã de segunda, não consegui segurar o sorriso, sabia que aquela mulher estava logo atrás de mim, me observando, mas eu estava feliz em ver que minha família ia vir morar comigo. Olhei para ela e sorri novamente, ela parecia ser realmente simpática.
– É perfeito. – Falei.
– Eu também acho, sei que temos apartamentos maiores e mais luxuosos, porem esse apartamento é aconchegante e familiar. – Falou olhando ao redor.
– Obrigada por me mostrar o apartamento. – Falei.
– Foi um prazer. – Disse.
Saí do prédio e entrei no BMW novamente, pelo menos a fila já tinha diminuído, se bem que para voltar não tinha tanta fila assim. Voltei para casa, tinha que pensar em algo pra fazer enquanto o tempo não passava, cheguei em casa mais rápido do que realmente esperava, estava muito quente e eu tenho uma piscina só pra mim, qual era o meu problema ? Subi as escadas e coloquei meu biquíni, era minha folga então eu ia aproveitar. Desci as escadas e fui direto para o quintal dos fundos, assim que vi a piscina, corri e pulei na mesma, senti a água morna banhar meu corpo, era como uma terapia. É incrível que quando estamos fazendo algo que gostamos , o tempo voa, até dez minutos atrás eu estava deitada em uma cadeira de sol, agora estou secando os meus cabelos. Coloquei a mesma roupa de antes e fui para a garagem, fiz o mesmo trajeto, porem virei à rua que dava para a rodoviária, detestava saber que elas pegaram ônibus, mas pelo menos elas estavam vindo. Assim que cheguei na rodoviária e vi a Penn, ela estava toda alegre pulando, sorri no mesmo instante, parei o carro e vi as duas olhando o mesmo. Assim que sai, Penn veio correndo em minha direção, a abracei e a peguei no colo.
– Oi bruxinha. – Falei.
– Oi pamonha. – Falou ela, começamos a rir, senti lagrimas invadirem meus olhos. Soltei Penn e fui abraçar minha mãe.
– Mãe. – Disse a abraçando.
– Minha filha. – Falou ela. Senti suas lagrimas.
– Mãe, não precisa mais chorar, estamos todas juntas. – Falei secando suas lagrimas. – Vamos para casa. – Disse.
– Uau, esse carrão é seu ? – Penn perguntou.
– Não, é do meu chefe, você vai gostar de conhecê-lo. – Falei abrindo a porta para ela.
Saímos da rodoviária e entramos na estrada, eu estava eufórica, queria chegar logo ao apartamento, queria ver a cara delas. Minha mãe e Penn moravam em uma casa pequena, com um quarto e um banheiro, quando eu morava com elas tinha que dormir na sala, na maioria das vezes dormia na casa do Phil, quando ele ainda era o cara que eu amava. Despistei esse pensamento, lembrar dele só ia me fazer ficar triste, a estrada estava vazia, já era 20:30 da noite, ouvi meu celular tocar na minha bolsa.
– Penn, pega ele pra mim por favor ? – Pedi pra minha irmã casula.
– Quem é Daniel ? – Perguntou. Daniel ? O que ele queria uma hora dessas ?
– Meu chefe. – Falei pegando o celular. – Alô ? – Falei.
– Filha, não se dirigi falando no telefone. – Minha mãe falou, ela ainda gostava de me repreender.
– Só um minuto, Daniel. – Falei, larguei o celular no colo e encostei o carro. – Pode falar.
– Eu acabei de chegar, preciso que você venha me buscar no aeroporto. – Disse.
– Mas o aeroporto fica do outro lado da cidade. – Falei.
– Onde você está ? – Perguntou.
– Acabei de sair da rodoviária. – Respondi.
– Por que você esta na rodoviária ? – Perguntou de novo.
– Lembra quando eu disse que minha família iria morar aqui ? – Perguntei, ele não respondeu. – Então, elas chegaram hoje. – Terminei.
– Traga elas então, mas eu preciso de você. – Falou, meu coração quase saiu pela boca.
– Okay. – Falei desligando o telefone, entreguei o mesmo para Penn.
– Aconteceu alguma coisa ? – Perguntou minha mãe.
– Não, eu só vou ter que buscar meu chefe no aeroporto. – Falei.
Pisei no acelerador sem pensar no amanhã, eu sei que se acontecesse uma acidente não iria ter amanha mesmo, mas eu dirigia muito bem, meu pai me ensinou, comecei a dirigir muito cedo, sorte minha que não tinha nenhum guarda na estrada. Chegamos ao aeroporto umas 22:40 da noite, ele estava vazio, então não foi difícil encontrar o Daniel, estacionei o carro e sai do mesmo, vi um sorriso estampar seu belo rosto.
– Finalmente vou conhecer sua mãe. – Falou chegando perto do carro. Minha mãe abriu a porta e saiu, Penn fez o mesmo. – É um prazer conhecer a senhora. – Disse ele apertando a mão da minha mãe. – E essa pequena aqui ? – Falou bagunçando os cabelos de Penn.
– Sou Penn, senhor. – Falou ela, sorri.
– Senhor, que senhor garota ? Pode me chamar de Daniel. – Falou estendendo a mão para ela bater. Ela fez exatamente isso.
Entramos de novo no carro, eu dirigindo, minha mãe no carona e Penn e Daniel no banco de trás, eles estavam conversando alegremente, essa noite estava perfeita, mas eu estava exausta, dirigir me deixa muito cansada. Entrei na rua que dava para o prédio onde ficava o apartamento, pra ser sincera não queria mostrar pra ela hoje, só queria ir para casa descansar.
– Onde estamos indo ? – Daniel perguntou.
– Para o apartamento que elas vão ficar. – Falei.
– Nada disso, elas podem ficar lá em casa essa noite, estou quase morrendo de sono. – Falou. Se elas não estivessem ali eu daria um beijo nele.
Fiz o retorno e entramos de novo na estrada central, estava um pouco mais movimentada que as outras ruas, mas não era tudo isso. Logo chegamos em casa e eu estacionei o carro na garagem, Penn não conseguia fechar a boca de admiração, a casa do Daniel era realmente linda. Subi as escadas para mostrar onde elas iriam ficar, minha irmãzinha casula queria dormir com minha mãe essa noite, então eu mostrei um dos melhores quartos para elas, as deixei se arrumando, perguntei se queriam comer algo mas elas disseram que não, só queriam dormir. Fui para o quarto do Daniel, queria saber como tinha sido a viajem, quando entrei no quarto ele já estava sem a gravata.
– Como foi a viajem ? – Perguntei pegando seu paletó.
– Pra ser sincero, seria melhor se você estivesse lá. – Falou, o encarei para ver se ele estava falando serio, vi o brilho em seus olhos.
– E a Gabbe ? – Perguntei involuntariamente, vi o brilho sumir.
– O que tem ela ? – Perguntou serio, droga.
– Vocês se divertiram ? – Perguntei, agora que tinha começado, não ia descansar até saber tudo.
– Ela se divertiu, eu fui lá a trabalho Luce, ela foi como mais um passeio. – Respondeu, suspirei de alivio.
– Como foi seu final de semana ? – Perguntou.
– Mais ou menos, fui naquela reunião insuportável, almocei com o Cam... – Falei, arregalei os olhos e o fitei, sua expressão estava zangada. Porque eu nunca presto atenção no que eu falo ?
– Por que você almoçou com ele ? – Perguntou.
– Por que eu achei que não mataria ninguém. – Falei.
– Pode mata-lo, farei isso com prazer se ele encostar as mãos dele no seu corpo de novo. – Falou com os pulsos fechados.
– Por que você esta assim ? Eu realmente não entendo. – Falei.
– O que você não entende ? – Perguntou nervoso.
– Nos beijamos Daniel, logo em seguida você foi viajar para longe, sem mim, sabe o que eu acho ? Acho que você se arrependeu, por isso foi viajar, pra manter distancia, acho que você foi viajar com a Gabbe para fingir que nada tinha acontecido. – Desabafei, seus olhos estavam arregalados e logo em seguida pude ver a culpa banhando eles.
– Me desculpe. – Falou. – Desculpe se eu fiz você pensar assim, eu não fui viajar por que queria manter distancia, fui viajar por que realmente precisei, Gabbe só aproveitou a deixa e foi junto, precisava de alguém aqui para ir naquela reunião, alguém de confiança e depois de pensar em muitas pessoas, infelizmente você foi a única em que eu consegui realmente confiar. – Disse. Meu coração estava a mil.
– O que você realmente sente ? – Perguntei.
– Eu não sei, esta tudo confuso, mas sei que não aguento ver você com outra pessoa, Luce. – Disse se aproximando, senti suas mãos puxarem minha cintura a seu encontro, logo senti seus lábios quentes e famintos na minha boca, retribui o beijo com fervor, senti falta dele, embora nunca fosse admitir. Os beijos começaram a ficar mais urgentes, estava abrindo os botões de sua camisa quando a voz delicada da minha mãe soa pelo corredor.
– Irmã ? – A ouvi. Me separei imediatamente dele, o olhei e vi o desejo em seus olhos, ele assentiu com a cabeça e eu fui em direção a porta.
– Aqui maninha. – Falei entrando no corredor.
– Posso dormir com você ? – Perguntou.
– Achei que você queria dormir com a mamãe. – Falei.
– Eu quero, mas ela precisa e uma noite de descanso em uma cama confortável. – Falou, isso partiu meu coração.
– Okay, vamos então. – Disse estendendo minha mãe para ela.
Entramos no meu quarto e disse para ela ficar a vontade, entrei no banheiro e tomei uma ducha rápida, sai e coloquei o meu pijama, quando cheguei ao quarto ela já estava dormindo, tão serena e confortável, sorri e deitei ao seu lado, finalmente estávamos juntas.
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