Independência
16 Problemas Pessoais
Notas iniciais
– Valeu, obrigada mesmo!
– Estou fazendo o que qualquer um faria!
– Você está fazendo o que qualquer um faria. — pego a mão dele e continuo — Mas não está fazendo o que o Paulo Guerra faria.
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Vou me aproximando dele até meu nariz tocar o seu, ele coloca a mão levemente entre meus cabelos. Fechamos os olhos e:
– Momento de fraqueza de novo Paulo?!
Começo a rir, mas ele segura minha nuca e a puxa na direção de seu rosto, e assim começamos um beijo calmo, que durou uns dez segundos, e teria continuado se ele não recuasse e me olhasse sem expressão:
– Paulo, eu...
Ele olha para mim de um jeito diferente, como se eu fosse uma completa estranha. Levanta da cama e sai do meu quarto, eu vou atrás dele:
– Paulo! — grito, mas ele finge não escutar.
Começo a correr e consigo alcançá-lo, seguro seu braço e digo:
– Espera! Desculpa.
Ele tira minha mão de seu braço à força e segue caminhando. Eu passo a sua frente bloqueando a passagem e falo:
– Isso não está ajudando sabia?! Fala comigo!
– O que você quer? — diz cruzando os braços.
– Desculpa tá? Eu não queria fazer aquilo, sabe?! Foi mal mesmo, mas você está diferente, estava gentil comigo. Eu nunca vi você assim, tão legal, amigo e fofo. Então pensei que...
– Pensou que podia brincar com o que eu sinto?
– Não vem me dar lição de moral! Você faz isso com todo mundo e nem mede as consequências!
– Mas é diferente, eu faço brincadeirinhas ingênuas. Já você...
– Estou passando mal.
– Já você está passando mal e... — ele se espanta — Você está passando mal?
Minhas pernas ficam frouxas e tudo começa a girar, caio nos braços dele que fica imóvel.
– Me coloca na cama, eu estou tonta. — falo sussurrando, já que minha voz estava fraca.
Eu deito e durmo o sono mais longo da minha vida, que até nem vou na aula no dia seguinte. Eu nunca dormi tanto em toda a minha vida, até me impressionei.
Acordei dez e meia, fiz um macarrão instantâneo e no resto da tarde fiquei olhando televisão e lendo livro.
As quatro horas a Marcelina, a Valéria, a Margarida e a Bibi vieram aqui em casa:
– Oi meninas! — digo abrindo a porta e abraçando cada uma — Entrem!
Nós nos sentamos no sofá e começamos a conversar:
– Como você está? Nós ficamos sabendo do que aconteceu com você ontem. — diz Val (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=84169236&.locale=pt-br).
– Queda de pressão, nada demais.
– Ainda bem! Fiquei preocupada. — diz Bibi (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=84171441&.locale=pt-br) aliviada.
– Pra sua sorte, não teve muita lição hoje. — afirma Margarida (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=84172996&.locale=pt-br).
– É mesmo. — olho para Marcelina (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=84174099&.locale=pt-br) e ela parece pensativa — Marce? Você está bem? Terra para Marcelina, Terra para Marcelina.
– Hã? Desculpe, eu estava pensando em algumas coisas. — responde.
– Que coisas? — pergunta Margarida.
– O Paulo. Ele está meio estranho ultimamente, faz alguns dias que ele não me chama de pirralha enxerida. Parece estar mais feliz e disposto.
– Nossa, que coisa estranha. Você sabe de alguma coisa sobre isso Alicia?
– Eu? — pergunto sem jeito — Por que eu saberia?
– Deve ser porque você é namorada dele, né?! — responde Bibi.
– Aé! Bom, eu não sei de nada.
– Que pena, eu preciso ir agora amiga. — diz Val — Alguém me acompanha?
– Acho que eu vou também. — confirma Margarida.
– Eu também. — falam Marce e Bibi juntas.
Depois de me despedir delas eu liguei para o Paulo:
Phone On:
– Alô. E aí?
– Oi Paulo, sou eu.
– Alicia, ta tudo bem?
– Agora tá.
– Ainda bem. Que susto!
– Você se preocupa mesmo comigo, Paulinho!
– Aff! Foi pra isso que você ligou?
– Não, eu só queria perguntar se posso ir ai amanhã.
– Claro que pode!
– Ata. Então até.
– Até.
Phone Off
(No dia seguinte)
Era sábado e eu acordei oito horas, coloquei uma roupa mais flexível (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=84177624&.locale=pt-br), botei a franja pro lado, peguei meu skate e fui para a praça (tinha o costume de treinar nos sábados). Voltei as dez horas, na hora do almoço eu fiz omelete, arroz, salada e batata frita.
Só pra você ver como eu sou azarada, começou a chover bem quando eu estava prestes a sair de casa para ir ao Paulo. Peguei o guarda-chuva (objeto http://4.bp.blogspot.com/-_5w_VSLh07M/UGEw8zR-AUI/AAAAAAAAAZs/kvcRtIGdFno/s1600/fotos-do-guarda-chuva-transparente-nb34640%5B1%5D.jpg) e fui, chegando lá a Marcelina abriu a porta:
– Alicia?
– Oi! O Paulo me convidou e...
– Ata, já entendi. Entra, ele está no quarto.
Deixei o guarda chuva com ela e fui lá, entrei de fininho e fiquei de pé atrás dele, apenas o vendo jogar vídeo game. Depois de alguns segundos eu disse:
– Posso ficar aqui?
– Fica onde você quiser, eu não ligo. — diz ele fazendo um sinal com as mãos.
Sento-me na cama e pergunto:
– A gente pode conversar?
– Agora não.
– Por favor. — falo mais baixo.
– Tá. — fala largando o controle bruscamente. — Pode falar, eu to ouvindo.
(continua...)
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